Smashing Pumpkins e a chance perdida no Planeta Terra

Quando desisti do show do Smashing Pumpkins, pouco antes de “Tonight, Tonight”, fiquei pensando se todos estavam tão frustrados quanto eu. Desde então, li vários elogios por aí de pessoas endeusando tanto a nova banda de Billy Corgan, quanto sua postura de não ceder seu show totalmente aos clássicos e inserir material novo. Até aí, tudo bem. Afinal, Billy, digo, o Smashing Pumpkins está lançando, de tempos em tempos, faixas novas e que integrarão o disco Teargarden by Kaleidyscope, que sairá com 44 músicas. O problema é que, depois de horas em pé, quase às 2 da manhã, vindo de uma sequência matadora com Phoenix e Pavement, eu estava guardando minhas últimas energias para pular e cantar  hits como “1979”, “Stand Inside Your Love”, “Perfect” e “Bullet With Butterfly Wings”, entre alguns outros. Algumas delas até que vieram, mas o desânimo já era maior que a vontade de dar alguma importância à chatice que tomava conta do palco.

Foto: Mahê Ferreira

Depois dos primeiros sinais de que a noite teria muitas das novas músicas – que são, no máximo, ok -, alguns hits-não-tão-hits-assim e experimentações intermináveis dos membros da banda, bastava uma olhada rápida ao redor (pelo menos de onde eu estava) para reparar numa considerável debandada, com muita gente de cabeça baixa e trajando a icônica camiseta de “Zero”. Nem “Bullet With Butter Wings”, em uma versão acelerada e inferior à original, conseguiu reativar os ânimos do pessoal – mas, obviamente, teve quem aplaudisse tudo, desde o solo do baterista, que pareceu durar mais tempo que um discurso do Fidel Castro, até Billy tocando o hino dos EUA em sua guitarra. Pra ser fã, não precisa aturar tudo o que o artista faz com cara boa e fingir que está tudo bem e que tudo é genial. O Smashing Pumpkins perdeu a chance de fazer o grande momento do festival, mas preferiu agradar a poucos e privilegiar um setlist que só engrenou no final, com “Cherub Rock”, “Zero” e “Stand Inside Your Love”. Pena que já era tarde demais.

O cansaço de uma tarde e noite inteira de ótimos shows havia pesado enquanto Billy arrebentava as cordas de sua guitarra, tocava a chatérrima “Astral Planes” e o baterista, que fazia pose de “eu sou o cara” pra quem quisesse ver, batia em um gongo. A essa hora, eu já estava não só pensando que tinha presenciado “Gold Soundz”, “Stereo” (eu sabia que havia algo naquele sorrisinho sarcástico de Stephen Malkmum ao anunciar, ao fim da apresentação do Pavement, “Enjoy The Smashing Pumpkins. Thank You”) e “Lisztomania” ao vivo, como também já estava com a cabeça em um certo show que aconteceria em algumas horas. O show de um certo Sir. Mas isso é papo pra outra hora.

  • Shows em países em desenvolvimentos não é muito a praia de alguns gringos.

  • “…preferiu agradar a poucos…” = EU. Curti MUITO. Aquele show não foi pros fãs com a camisa ZERO (que ele mesmo não usa há 15 anos), malz aê.

  • Diego

    O experimentalismo naquele momento com o solo de bateria e o hino, eram apenas ‘United States’ do album Zeitgeist.. a música é cumprida mesmo e mudaram bastante ao vivo. Mas eu achei perfeito o show e gosto muito dessa musica em especial. Só acho que o Billy peca em não levar os arranjos de estudio para o palco.

  • Milton

    Aquele show não foi pros fãs com a camisa ZERO (que ele mesmo não usa há 15 anos), malz aê.[2]

    E tb não foi para aqueles que foram ao festival simplesmente por ir ao festival. Acho q o show dos Smashing Pumpkins foi para aqueles que gostam dos Smashing Pumpkins. Simples assim. Não só de “Cherub Rock”, “Zero” e “Stand Inside Your Love”. Para estes o show do Pavement serve.

  • Bruno Holanda

    Billy Corgan nunca foi um músico de querer agradar a todos. Não adianta esse saudosismo com os anos 90, ele não vai mais aparecer no palco tocando só as melhores do Siamese Dream e MCIS. É um outro momento da banda, e ele fez um show para quem está acompanhando esse novo momento, não para um monte de indies que curtiram o Phoenix e o Pavement desfilarem seus hits. Ponto para o novo Smashing Pumpkins!

  • Victor

    Os Smashing Pumpkins acabaram faz anos. Quem tocou foi uma banda cover que possui o trunfo de ter um integrante original. E essa banda nova é um porre.

    Tudo bem que eles não queiram viver do passado e toquem muitas músicas novas. O problema é que os Smashing Pumpkins antigos, os verdadeiros, eram brilhantes e muito melhores que esse grupo novo do Corgan. Por isso, o show não engrena. Você vai ao show esperando aquele feeling dos bons tempos, mas isso não existe mais. Ficou tudo pra trás pra dar espaço ao novo, chato e irrelevante Smashing Pumpkins.

  • Guilherme Fonseca

    Não foi um puta show (comparado com o do Hollywood Rock) mas fiquei longe de ficar chateado. Aliás fiquei muito feliz. Queria muito ouvir as músicas do Zeitgeist ao vivo, gostei das do TBK ao vivo também… No final das contas saí muito contente com o que vi do SP…

    E estava com a tal camiseta Zero… assim como em 96 em 98…
    Comentariozinho besta esse hein… Agora a camiseta que a pessoa está usando diz alguma coisa…
    Mania de querer parecer melhor porque gosta de coisa diferente…

  • Rafael

    Bom, eu fui ao festival apenas para assistir Smashing Pumpkins. Exclusivamente Smashing Pumpkins. Todo o resto foi um bônus, até o excelente show do Pavement, que por acaso foi o outro único show que prestei atenção. Dizem que o Phoenix fez um showzasso também, mas não é minha onda, então não prestei atenção e não posso tecer maiores comentários.

    Pois bem. Vamos lá, show do Pumpkins. Tirando um detalhe ou outro, acho que concordo na íntegra com o que o Neto escreveu. Ok, fui um dos únicos da minha turma de amigos (viajamos em excursão de BH) que não curtiu. Claro, vi o Billy Corgan ao vivo, escutei e berrei aos pulmões abertos Zero, me emocionei com Stand Inside Your Love, mas no geral, foi frustrante pra mim. Fiquei desanimado durante o show, e nem estava cansado assim. Cheguei cedo em SP, visitei um pouco a cidade como de praxe, dormi bem no hotel pela tarde, enfim, tava preparado. Eu já sabia que o Billy ia meter um cacete de música nova, eu já sabia que seria um show do Billy Corgan and Band e (não do Pumpkins de formação original, ou com pelo menos algum outro integrante), e mesmo assim consegui me decepcionar.

    Uma das coisas que discuti depois com meus amigos também fãs, e acho, talvez, ter sido o erro principal de todo o show, foi a montagem do setlist. Nada contra eles mandarem o trabalho novo ao vivo, até porque sei que tocar coisa nova dá um gás pra banda, respeito isso, mas fato é: as músicas realmente são apenas ok e muita gente ainda não conhece, ou escutou pouco pra chegar em um show já pulando e cantando-as com empolgação. Se tivessem metido um petardo de cara, seguido por um ou mais dois clássicos, incendiava a galera e depois podia mandar umas três músicas novas que ninguém ia se importar, pelo contrário, é bom esses momentos de descanso no show pra poder a voltar a gritar, pular e esgoelar feito louco nas suas preferidas. Creio que se houvesse uma mescla de clássicos+novas+mais clássicos+novas e assim por diante, o resultado teria sido bem mais satisfatório.

    Houve quem amasse os momentos de psicodelia e fritação distorsiva das guitarras do Billy. Eu achei muita masturbação musical. Até um certo ponto achava até bacana; porém, com o passar dos minutos pensava “putz, acaba logo”. Sério. Eu, no show do Smashing Pumpkins, com o Billy Corgan solando na minha cara, e eu querendo que acabasse logo. Nem eu acreditei. Com relação aos outros solos, sei lá… não engoli. Me transpareceu pra caralho que o Billy tava fazendo do tipo “olha aí a galera que chamei pra tocar comigo, não vacilei, ainda tenho a manha, todo mundo toca muito”. Não senti feeling nos solos, pelo contrário, senti uma certa tensão de tocar tudo muito bacaninha e redondinho pra não dar margem a críticas posteriores. Como disse, teve quem amou. Não achei ruim, apenas tudo muito encenado. Sei lá.

    Enfim, se eu gostei do show? Claro que gostei, Smashing Pumpkins (ainda que eu insista em chamar de Billy Corgan and band, ou Billy Corgan and friends, ou ainda SmashJam Pumpkins) é e continuará sendo um das bandas que mais amo na vida. O problema talvez esteja mesmo comigo, que elevei à estratosfera minhas expectativas de depois de uma espera de14 anos vê-los pela primeira vez ao vivo. Talvez seja isso, talvez seja o fato de o Smashing Pumpkins que tanto amo já não existir mais mesmo, ou talvez, mais provável, sejam esses dois fatores em conjunto.

  • GUERRA

    O melhor do SP foi a baixista…..

    E poderia ter acabado com 1979 ou desarm, em vez de heavy metal machine.

  • Só iria ao Planeta Terra pelo Pavement, como esgotou antes da hora, não fico nem um pouco pasmo ao saber que o Smashing Pumpkins decepcionou de alguma forma…

  • Thiago

    Achei chato pra caralho. Fui embora na metade e perguntei no dia seguinte pro pessoal que tb tinha ido no Terra o que eles acharam. Resposta padrão: não sei, fui embora antes de acabar. tava chato pra caralho.

    Enfim, pode tocar música nova, mas podia ter feito música nova boa. Prefiro até o zwan.

  • Amigo Bruno Holanda, 80% do show do Phoenix foi do disco novo, deixaram uma penca de hits mais antigos de fora.

  • Felipe Thomaz

    Entendo que não tenham gostado do show. Mas comparar com Phoenix em pleno Lisztomania ou com o Pavement é descabido. Uma é banda em pleno auge de sucesso, outra é abertamente um desafeto.

    E acho que a apresentação dá muito o que discutir. O set list foi, se alguns acham errado, outros diriam para bons fãs que espelham o experimentalismo da banda. Deu conta de clássicos e trouxe antigas um tanto desconhecidas.

    Fiquei feliz da banda poder respirar com o repertório e lembrar das excelentes Cherub Rock, Shame e Heavy Metal Machine. O único erro foi a United States. Não pelo solo do baterista, que foi incrivel, mas o nitido patrocinio over da batera.

    Achei que o Smashing, por ser uma banda já antiga, ia ou tocar só novidades e afundar o show, ou tocar só as antigas e dar o que o publico queria. Nem tanto o céu nem a terra. E assim ela fez o que gosta de fazer. experimentou. Mostrou como o conteúdo novo é novo, como algumas musicas antigas podem também ser novas e trouxe o metal e o rock pro festival.

    Em tempos indiepop new beatles – e ai sim Lisztomania é uma comparação válida – não fiquei só orgulhoso de ver o Smashing ao vivo, mas da banda subir ao palco como realmente é: sem medo de experimentar, de não agradar e suscitar aos fãs novas apreciações de suas músicas, sejam antigas ou não.

  • esses fanzinhos cegos e surdos q nao admitem q o show nao foi ESPETACULAR… tsc tsc. Foi ok, tambem nao foi uma merda, mas esta longe de ser espetacular, como falaram ai, ter aquele feeling. Os “indiezinhos” dos Phoenix, e o colorido do Mika, deram de 1000 a 0 no “genial” Billy Corgan hahaha.

  • Mike

    haha dou graças a deus que eu pressenti essa monotonia… sequelas de um kings of leon no swu.
    corri pro girl talk endoidar geral com papéis higiênicos e retalhos alucinantes de diversas músicas.
    não me arrependo nem um pouco de perder este histórico show.

  • Smashing Pumpkins é Billy Corgan + James Iha + Jimmy Chamberlin + [insira qualquer baixista sex aqui]. O resto é imitação.

  • Baterista novato. Parecia um moleque de 14 anos tocando num showzinho de bar.

  • Simone

    Logo no começo do show, quando ele tava com a guitarra empunhada, mão na cintura, barriga estufada e dando aquela coçada de tédio no pouco de barba que tinha, eu já não pressenti boa coisa desse show. Faço do seu texto o meu, cara. Primeiro por que eu estava lá desde às 19, mas a primeira coisa que fiz quando cheguei foi falar que eu iria me poupar para o tal Sir ( =D ). O contraste dos shows foi incrível, maior seria difícil. O do Billy C. foi burocrático, tedioso, com um set list terrível e uma banda que não digo que se achava mais do que ele pq é difícil. Fiquei até o final pela esperança de ouvir Disarm, pelo tempo e energia que eu tinha gastado para estar lá, e por não ter como voltar pra casa. Dava pra perceber que ele não estava nem aí pro show, todo carrancudo. No único momento que ele tentou descontrair insinou que iríamos pra praia.. QUE PRAIA? Já o show do Paul McCartney, e já vou avisando que sou suspeita pra falar pq sou fã de carteirinha (apesar de gostar de acreditar que estou analisando friamente o show), foi o oposto. Calculado, sim, com um roteiro bem parecido o dos outros shows, mas sem ser burocrático. Dava pra ver o velho dando tudo de si nas músicas, cada uma um show a parte. Ele tocou o que o povo queria e o que nem sabia que queria, com surpresas ótimas (como bluebird). Falou em português uma paulada de coisas, devidamente escritas em um papelzinho que ficava ao seu lado esquerdo, e quando não sabia falar em português falava num inglês bem pausado, e ainda assim tentando falar o que sabia na nossa língua (adorei quando ele falou “i don’t know how to say this in PORTUGUÊIS”). O resumo da ópera pode ser descrito pelo comportamento do meu amigo, fã de Smashing Pumpkins e que não ligava pra Beatles nem pra Paul McCartney, e que empurrei pros dois shows. Ele saiu do Terra menos fã de SM, e do Morumbi fã do PMc. E eu, de alguma forma, também.

  • Chaves

    Teria sido melhor ir ver o filme do Pelé!!!

  • Herbert

    Ninguém vê que o momento da banda é outro? O velho Smashing, aquele da MTV, do videloclip colorido de Today e 1979, já foi. Os hits foram junto. Era bom? Sim, mas a banda amadureceu, está em outra pegada. Saíram da fase garagem, passarem pela fase rock star, caíram em estilo gótico esquisito e agora estão mais experimentais. Foi o meu terceiro show do samashing. Gostei muito, não esperava e nem queria ver o Pumpkins como o AC/DC, como uma banda que faz as mesmas músicas com a mesma receita há mais de 30 anos.

    Esperar os hits? Ah, era só acompanhar um pouco os shows anteriores deles que dava pra saber que haveria uma mescla de tudo. Não sei até que ponto a banda precisa ir lá ficar puxando o saco do público, como o Bono Vox que já falou “amamos vocês” em 59 idiomas diferentes a cada show que faz. Quero ir lá ver o som dos caras, não preciso ficar escutando o cara tentando falar em português. Billy, foi autêntico, foi ele mesmo.

    Quanto a nova formação… D´arcy e James são membros históricos e eternos, mas Nicole e Jeff – musicalmente – são muito melhores. Não demonstraram feeling? Não estamos vendo uma banda latina, são norte americanos icebergs tocando, vocês queriam ver os caras pedindo pra platéia “tirar os pés do chão”? Quem faz falta mesmo é o batera Jimmy. Mike é muito competente, mas a batida de Jimmy tinha a identificação do SP, assim como a guitarra do The Edge é pro U2.

    Vocês estão muito críticos. Criaram uma expectativa mas não perceberam que a banda está em outra pegada. O velho e bom SP mudou, para mim continua uma banda sensacional, mas diferente do que era. Não fui lá para escutar Disarm, queria ver o que os caras conseguiriam fazer de novo e criativo no palco. Dos 3 shows deles que assisti, foi o que mais me agradou.

  • Ézio

    Nosso amigo aqui de cima disse tudo. Quem conhece a fundo a história dos Pumpkins sabe que 90% da produção de estúdio era do Billy e do Jimmy. Eram eles que compunham as músicas. A banda só se desfez de sua formação original porque o James Iha mostrou que também tinha um ego a alimentar, mas sinceramente isso não significa bosta nenhuma já que no fim das contas quem compunha as linhas de guitarra era Billy. Simples assim: Smashing Pumpkins = Billy. Se ele estava lá, todo o resto estava.
    O show foi lindo, apavorantemente lindo.