Sobre o amor: Gregório Duduvier, Clarice Falcão e Rafinha Bastos

gregório e clarice - filme

Gregório e Clarice em cena em “Desculpe o Transtorno”. Foto: Reprodução/Youtube

Todo mundo sabe que segunda é dia de coluna na Folha de S. Paulo. A coluna do Gregório. Sei que você lê. Eu também. Sou assinante do jornal ainda por cima. Na última, ele escreveu o quanto tinha amado e aprendido um monte de coisas com a Clarice Falcão, com quem se relacionou por cerca de 5 anos. O texto “Desculpe o Transtorno, preciso falar de Clarice” foi bem polêmico. Teve gente que ficou se derretendo, gente que disse que o relacionamento era abusivo, gente que foi na página da cantora (!!!) falar para ela voltar para ele, gente que ficou chocado com a exposição que ele fez a moça sofrer, gente que falou que era só um comercial do filme que eles gravaram juntos (ainda casados) e acabam de lançar.

Eu li alguns posts, vi alguns textos, discuti com um amigo, mas não consegui achar que o texto foi tão mal assim como algumas pessoas defenderam. Quando li o texto achei até bonito, vi alguns erros, mas me deu uma coisa de: “Mas gente, como ele fala esse tipo de coisa no jornal?”. Numa entrevista, ok! Num post na internet, vá lá! Mas na sua coluna no jornal de maior circulação do país? Gregório errou.

Errou quando citou que eles poderiam ter um filho (cabeça de hétero) e errou de novo quando achou que o texto não teria uma grande repercussão. Mas na verdade, disse apenas o que sentiu ao dividir a vida com uma pessoa, que pelo visto, ele considera maravilhosa. E daí, eu pergunto: “O que há de mal nisso?”.

Lá no texto, ele diz que achou que iria ver o filme e se sentir mal, relembrar tudo e a gente sabe, que quando a gente ama alguém a gente às vezes, mesmo depois de muito tempo, sente uma dorzinha, mesmo que não queira a pessoa de volta. Às vezes. Às vezes, a gente vira amigo, às vezes, deixa a pessoa ir embora mesmo gostando (não tem o que fazer, né?), às vezes desiste mesmo (às vezes, não tem o que fazer). E quando a pessoa ainda fica na nossa vida, tem sempre alguém para falar e ficar abismado: “Vocês eram ex-namorados?”. Como diz um amigo: “O amor não morre, ele muda de cor”.

Foi o que aconteceu com Gregório. O amor por Clarice continua lá, mas virou amizade, consideração, respeito. Pelo menos, foi o que eu tirei daquele texto. E que ele afirmou em entrevista ao site de fofocas Ego: “(…) Mais do que querer agradar todo mundo, era uma coisa sincera para celebrar o fim. Tanto eu quanto Clarice fomos felizes”, afirma ele.

Tentei contato com a Clarice Falcão, mas ela não retornou. Acho que preferiu não se pronunciar. Também para dizer o que? Que achou uma loucura o pessoal ir à página dela dizer para ela voltar com um cara que ela terminou há dois anos? Gente, isso sim foi bem sem noção. Clarice está namorando com outra pessoa e pelo o que sei, é um cara muito bacana e eles estão muito bem, obrigada! Para que expor a menina a isso? Foi o Gregório quem desencadeou isso, é verdade, mas não acredito que era o que ele queria. Sabemos que para ele a separação doeu, mas para ela também. E os dois mostraram isso. Ele com um vídeo no Porta dos Fundos ela com seu novo disco Problema Meu.

Daí, vem o Rafinha Bastos. Ô, meu Baco! O Rafinha parece que não perde uma oportunidade de ficar calado. Fala que o amor dele é que é bonito, porque ele foi fazer um risoto, brigou com a mulher e foi comer Yakissoba e ainda devorou o hambúrguer que ela pediu para ele comprar, porque ela estava com fome. E que ele é apaixonado pela mulher depois de 13 anos juntos. Porque ele briga pelo lençol e fica puto porque ela não atendeu o telefone. Uma maneira infantil de querer descaracterizar o sentimento do outro. Para quê?

O amor de Rafinha e tantos outros casais que estão aí há dois, três, cinco, dez, vinte, quarenta anos juntos, é um amor diferente daquele que se rompeu, mas todo mundo ama de um jeito, ama como pode, ama como quer. O amor não é mais ou menos legítimo, porque o relacionamento durou seis meses, um ano, dois anos, dez anos, 13 anos ou mais! Amor é legítimo porque ele aconteceu, construiu, ensinou.

Como diz bem O Terno em seu novo disco Melhor do que parece: “O que a gente quer é gostar de alguém, é quer que alguém goste da gente também”. Finalizo, com um vídeo que achei fofo do Ricard Hawley, “I Still Want You”, citado na entrevista que acaba de sair com o Retrofoguetes e mostra casais felizes mesmo depois de tanto tempo juntos. E também com as fotos de um casamento não muito usual, de um casal de australianos, que depois de cinco anos juntos, filhos de outros relacionamentos, resolveram fazer uma cerimônia em Las Vegas.

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