Sobre “Super Duper Alice Cooper”, mais um doc do In-Edit Brasil 2015

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Este ano, os filmes que estão na mostra principal no In-Edit e os nacionais que estão na mostra competitiva não chamam tanta atenção como no ano passado.  Documentários como A Um Passo do Estrelato, de Morgan Neville, que na época concorria ao Oscar e ganhou, ou os 20 Mil Dias na Terra, sobre o estranho mundo de Nick Cave, criaram filas gigantescas no Cine Sesc (Rua Augusta, 2075), principal cinema da mostra. Até agora, o que vimos foram sessões tranquilas e sem guerras por ingressos. Exemplo disso foi a sessão de Super Dupper Alice Cooper, dos diretores Reginald Harkema, Scot McFadyen e Sam Dumm sobre este grande astro do rock. Alice Cooper, como Paul McCartney, os Rolling Stones e Bob Dylan, está entre as lendas vivas do estilo. Mesmo assim, muitas cadeiras estavam disponíveis. Confesso que não entendi.

Se você é fã de rock, deve assistir a este documentário. O modo como a história é contada é muito interessante. Nenhum dos entrevistados aparece; em vez disso, os diretores utilizam imagens, colagens, muitas fotos, entrevistas antigas e shows. No começo, acho que fica uma sensação de: “Quando eu vou ver o Alice?”, e se você não prestar atenção, pode se perder no “Quem está falando agora?” Isso aconteceu comigo uma vez.

O filme conta a história de Alice Cooper desde muito antes, quando ele ainda era um pequeno garoto com problemas respiratórios, que teve que fazer uma difícil cirurgia e teve, ali, seu primeiro renascimento. Ainda chamado de Vincent Furnier, filho de pai pastor e que frequentava a igreja, Vincent se envolveu com a música a partir da Beatlemania. Ele e o amigo Dennis Dunway montaram uma banda na escola sem nem saberem tocar. Nascia o The Spiders. Tempos depois a banda resolveu trocar de nome, e foi num tabuleiro ouija que ele apareceu. Segundo o jogo, Vincent havia sido uma mulher, que foi queimada viva acusada de bruxaria na Inglaterra e que se chamava Alice Cooper, e este foi o nome escolhido para a banda. Como não tocavam muito bem ainda, eles passaram a utilizar roupas extravagantes e fazer um pouco de teatro no palco. Veio não só a banda, como também o personagem Alice Cooper.

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Um dos pontos altos do filme é a história da galinha morta, que é esclarecida. Não vou contar, porque se você não sabe dessa história clássica do mundo do rock, é só mais um motivo para ir ao cinema.

Em seguida, vieram as confusões, brigas, o alcoolismo, o nascimento de um mito e de um ídolo. Comparado no documentário com o clássico O Médico e o Monstro (1941), de Victor Fleming, onde o médico luta contra o seu próprio demônio, Vincent passou pelo mesmo problema. Tinha que domar seus desejos malignos de forma saudável, para que um não matasse o outro. E ele sentiu a morte mais uma vez, quando o álcool e as drogas o afastaram da família, da mulher e dos companheiros de banda. Foi o fundo do poço.

Seu retorno aos palcos em 1986 (ele estava há cinco anos parado para a reabilitação) foi em um festival da MTV e triunfal. Nem mesmo Vincent sabia como Alice iria se comportar. Será que o personagem tomaria conta mais uma vez de seu ator? Como todos sabem, não foi o caso, Alice Cooper e Vincent vivem juntos e fazem muito sucesso, obrigada!

Super Duper Alice Cooper só estará na programação do In-Edit mais uma vez, às 15h, no Cine Olido, no dia 11 de julho. O ingresso custa apenas R$ 1. Confira a programação completa do festival no site.

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