Stephen Malkmus and The Jicks no Beco 203 (SP – 30/04/2013)

Stephen Malkmus and the Jicks no Beco 203 SP
(Foto por Juliana Regiolli)

O segredo de Stephen Malkmus parece ser não envelhecer – o “senhor” de quase 50 anos (47 anos fará em breve) no palco do Beco 203, na noite de terça-feira, mais parecia um jovem integrante de banda com 20 e poucos anos. Se movimentando como um garoto pelo palco, empunhando de sua guitarra, Malkmus, com comportamento (talvez) levemente alterado pelo álcool (talvez, também), exibia todo seu charmoso  desleixo ao tocar suas canções, ao cantar sua poesia distorcida com cinismo, e até ao conversar com o público querendo saber o que fariam no feriado do dia seguinte.

A verdade que até mesmo esse desleixo fica fácil de ser praticado nas mãos desse experiente artista – abusou do seu incrível talento com a guitarra nas mãos, criando e mudando suas linhas de execução com a facilidade de usar, quase o tempo todo, apenas dois dedos da mão direita (e não para segurar uma palheta); e abusou também da paixão do público por ele e todo seu carisma. O ex-integrante do Pavement sabia que a noite era dele e ele a comandaria como desejasse – nem o atraso de uma hora para subir ao palco, segundo o horário divulgado pela casa, interferiu nisso.

Stephen Malkmus and the Jicks no Beco 203 SP
(Foto por Juliana Regiolli)

Ao lado do The Jicks, Malkmus jogou um jogo limpo e priorizou músicas de seu novo álbum, que animavam o público como as mais clássicas faziam. Apenas “In The Mouth a Desert” mobilizou mais o público que as outras, mas essa porque mobilizou DEMAIS – tocar Pavement foi como explodir a bomba daquele pavio já aceso por canções que brilharam na noite, como as mais novas “Forever 28”, “Senator” e “Tigers” (com direito a Malkmus se perdendo todo na letra), e as mais antigas “Baby C’mon”, a linda “Jenny & The Ess-Dog” ao piano e a viajante “Real Emotional Trash”. E o time formado por Joanna Bolme no contra-baixo, pelo versátil Mike Clark na guitarra base, piano e mergulho na plateia, e pelo baterista “novato” e empolgado Jake Morris, acompanhava muito bem e dava a base perfeita para o líder brilhar, mesmo nos momentos em que até parecia que ele queria fazer a banda se perder na suas quebras de andamento inesperadas ou improvisos não combinados.

Stephen Malkmus and the Jicks no Beco 203 SP
(Foto por Juliana Regiolli)

Muita gente na plateia esperava até mais de Pavement – isso era perceptível pelos pedidos de canções ou pelas estampas das camisetas -, mas todos sabiam que aquela era a noite de Malkmus e o The Jicks, e já foi o suficiente pra cada um ali se sentir mais jovem ao lado daquele rapaz de ótimo cabelo (e poucos brancos) que agitava a plateia naquela festa. Stephen Malkmus nos contou, um pouco, como funciona sua fórmula da juventude, e ela está ali, emaranhada com o rock despretensioso e brilhante que ele vem fazendo desde 1992.