Stephen Malkmus and the Jicks - Wig Out at Jagbags

Stephen Malkmus and the Jicks
Wig Out at Jagbags

Matador

Lançamento: 07/01/14

Há pouco mais de um ano, escrevia sobre o show de Stephen Malkmus and The Jicks que aconteceu em São Paulo. Foi a segunda vez que pude assistir ao ídolo da geração indie 90’s nos palcos – a primeira foi na reunião do Pavement, também na mesma cidade, em 2010. A sensação, em ambas as apresentações, foi a mesma: Malkmus não envelhece. Ok, não preciso começar mais um texto com essa observação, mas Wig Out at Jagbags, novo lançamento do nosso herói e primeiro grande lançamento  do ano, pede isso. Veja bem, não significa que o senhor de 47 anos não tenha amadurecido ou ganhado muita experiência ao longo de todo esse tempo. Pelo contrário. E é por isso que é preciso reforçar o argumento de que ele não envelheceu, porque preciso contradizê-lo!

A ironia dessa situação não é proposital, apesar de ironia e Stephen Malkmus serem tão bem relacionadas. Trata-se mais de tentar sintetizar o efeito dos anos na vida de uma pessoa – no caso, um pessoa-artista. Normalmente, o amadurecimento do artista envolve seriedade e eficácia, são os pontos altos para afirmar: “veja bem, o garoto amadureceu”. É aí que se torna tão confusa essa afirmação de “envelhecimento” ao nosso “velho” amigo californiano.

Digamos que, à primeira vista, ele não possua tanta seriedade. Ainda bem, já que isso parece ser umas das coisas mais chatas a se ter na música, e nem tanta eficácia, visto que Malkmus sempre transita entre o direto/simples/grudento ao complexo/viajante/pretensioso, mas ainda assim é evidente que ele amadureceu. As letras sarcásticas e o jeito de garoto de empunhar uma guitarra pra fazer rock divertido continuam vivos nesse que já possui, ainda que nem tantos, cabelos brancos. Porém, é cada vez mais visível sua coerência e concisão em compor – as letras cheias de referência se encaixam cada vez melhor com as melodias agora mais diretas e práticas. No fim, ele acaba tendo a seriedade de não se envolver em longas sessions de guitarra, e a eficácia de tornar a maior parte de suas 12 faixas mais acessível. Amadureceu e envelheceu, e continua acertando da melhor forma, como já havia feito em Mirror Traffic.

Wig Out at Jagbags é, esperadamente, costurado de ponta a ponta pelas linhas de guitarras criativas de Malkmus. É exatamente nas extremidades dessa costura que ficam as pontas mais soltas: a quebrada e bem timbrada “Planetary Motion”, primeira faixa, e a climática “Surreal Teenagers”, última faixa, são os momentos mais excêntricos do álbum, e nem são tanto assim. A definição fica mais por conta dos nós bem dados em cada um dos 10 pontos restantes. “The Janitor Revealed” é algo que Rivers Cuomo adoraria ainda conseguir fazer e não faz mais. “Rumble at the Rainbo” também pode se encaixar nisso. As ensolaradas “Lariat” e “Houston Hades” lembrarão os momentos mais radiofônicos e enérgicos do Pavement. Já a sensível “J Smoov” é o contraponto: preguiçosa e emotiva, a faixa é a mais bela do álbum, acertando no solo sensitivo aos metais.

Aliás, os metais fazem muito bem outra faixa do álbum: “Chartjunk”, o momento mais Paul McCartney ou Glam ou Queen da carreira de Malkmus. O tipo de música que pode ser acompanhada nas palminhas – e isso pode não se parecer nada com o californiano que conhecemos, mas soa tão ele que parece incrível não ter sido antes. É revigorante.

Com o ar revitalizado por todos esses momentos, somados às gostosas baladas “Independence Street” e “Cinnamon and Lesbians”, percebemos que é mais sobre ainda ser relevante e menos sobre amadurecer, envelhecer, etc. Wig Out at Jagbags é o tipo de trabalho substancial para carreira, evolução e permanência do jovem senhor, ou senhor jovem, Stephen. E Malkmus ainda se faz indispensável para nosso amadurecimento, envelhecimento, ou seja lá como vamos chamar isso. Só queremos ele assim por perto, fazendo o que faz e fazendo o tempo passar da melhor forma.

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