Os 41 anos de Sticky Fingers, outro álbum clássico dos Rolling Stones

O dia 23 de abril de 1971 marca o lançamento de um dos álbuns mais importantes da longa trajetório da melhor banda de rock do mundo, os Rolling Stones. Sticky Fingers saiu através da gravadora da banda, chamada Rolling Stones Records. É também o primeiro disco a contar inteiramente com Mick Taylor dividindo as guitarras com Keith Richards. A capa (que possui um zíper que se abre para revelar um homem com cuecas de algodão) foi concebida por Andy Warhol, fotografada por Billy Name e projetada por John Pasche. A imagem da virilha do modelo Joe Dallesandro vestindo uma calça jeans apertada foi durante muito tempo foi tida pelos fãs como uma imagem de Mick Jagger, porém as pessoas envolvidas nas sessões fotográficas revelaram que vários homens diferentes posaram e Jagger não estava entre eles.

Separei as três primeiras faixas do lado A do LP mais algumas curiosidades pra vocês se divertirem. Vamos lá.

Brown Sugar

Mick Jagger escreveu essa letra inspirado em Claudia Lennear, uma das Ikettes (cantoras de apoio do grupo de Ike Turner). Jagger e Claudia tiveram um caso durante a turnê conjunta das duas bandas em 1969. Originalmente o nome da canção era “Black Pussy”, mas Mick percebeu que o título poderia soar direto demais, então acabou mudando para “Brown Sugar”. O famoso riff inicial da música também é de autoria de Jager. E você aí achando que Keith Richards era o dono das seis cordas na banda. Até o mestre Bob Dylan se rendeu ao charme de “Brown Sugar” e a incluiu no repertório de sua turnê estadunidense feita em 2002. Sabia? Pois é, comprove:

Existe uma gravação de “Brown Sugar” com Eric Clapton liderando a guitarra slide e Al Kooper nos teclados. Para os fãs mais curiosos, essa versão saiu somente no formato single, mas pode ser ouvida aí embaixo.

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Sway

Essa foi a primeira canção gravada no Stargroves, um estúdio móvel construído no quintal da casa de Mick Jagger, na Inglaterra (o Led Zeppelin faria muito uso do Stargroves ao longo de sua curta carreira). Quem assina o arranjo de cordas é Paul Buckmaster, famoso por vários trabalhos bem sucedidos ao lado de Elton John. Novamente as guitarras foram lideradas pelo vocalista Mick (que já demonstrava grande evolução na técnica de compor e tocar suas próprias músicas). Pete Townshend (The Who), Ronnie Lane (Small Faces) e o cantor Billy Nichols são os responsáveis pelos backing vocals de “Sway” (Townshend voltaria a fazer backing vocals para os Stones em 1981 na faixa “Slave”, do álbum Tatoo You). Nunca entendi porque a banda só resolveu tocar esse puta som pela primeira vez em 2006. Mas antes tarde do que nunca.

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Wild Horses

Essa aqui começou a ser escrita por Keith Richards em 1969, dedicada a Marlon, seu filho recém nascido. Infelizmente até para Keef, a composição teve que ser abandonada devido à turnê dos Stones daquele ano. Mick Jagger reescreveu a letra da canção, mantendo apenas a frase “Wild horses couldn’t drag me away”. O motivo seria o começo do fim de seu relacionamento com Marianne Faithfull. Uma fato quase poético envolvendo “Wild Horses” foi quando Marianne entrou em coma (por excesso de drogas). Ao acordar, a primeira coisa que Jagger teria dito a ela foi essa frase, “Wild horses couldn’t drag me away”. Outra história interessante envolve Ian Stewart, pianista dos Stones na época. Por odiar acordes menores (que inclusive iniciam a música), Stewart se recusou a participar das gravações. Sendo assim, Jim Dickinson foi trazido para as sessões de piano. Após tocar com os Rolling Stones, Dickinson trabalhou como músico e produtor de nomes como Aretha Franklin, Big Star e The Replacements, além de fazer um monte de trilhas sonoras em parceria com Ry Cooder. Quem disse que os Stones não dão futuro, não é mesmo? Vale mencionar também que “Wild Horses” foi lançada primeiro pelo Flying Burrito Brothers (de Gram Parsons), em 1970.

Essa aqui é a melhor performance ao vivo que eu já vi desse clássico. Ron Wood simplesmente destrói nos solos de guitarra. Vejam se estou errado: