Stricken City – Songs About People I Know

É engraçado como as coisas acontecem. Há um ano, mais ou menos, esbarrei com o clipe minimalista de uma música chamada “Lost Art”. Foi amor à primeira vista (/brega). A banda se chamava Stricken City e, por ter uma vocalista tão parecida com a Leslie Feist (tanto estética quanto vocalmente), merecia mais investigação. Naquela mesma semana encontrei na web o “Factory Sessions”, EP de um pop simples e intimista que abrigava apenas três músicas: “Tak o Tak”, que privilegia as notas do baixista Mike Hayland; “Bardou”, uma balada de final de noite que se divide entre percussão e guitarras e, por último, “Five Meters Apart”, a única que sobreviveu para contar história no recém-lançado Songs About People I Know.

Stricken City - Songs About People I Know

Totalmente remasterizada, “Five Meters Apart” abandonou as guitarras de indie rock e apareceu de cara nova, com mixagem profissional e refrão menos pegajoso. Por mais que as influências do quarteto londrino passem por nomes pouco conhecidos (os mais citados por eles são The Slits, Life Without Buildings e Young Marble Giants), não é difícil fazer comparações a um Belle & Sebastian menos deprê ou um The Shins mais amador. “Killing Time”, por exemplo, funciona exatamente como a mistura desses dois.

Mesmo com a voz meiguinha de Rebekah Raa, não é para ela que os holofotes apontam durante Songs About People We Know: São as pitadas instrumentais dos anos de ouro, com um pouquinho da essência de Velvet Underground e Sugarcubes, que dão um ar especial à obra. “Terrible Things” é uma prova disso, funcionando quase como um tributo a Björk, mas poupando os ouvintes de seu experimentalismo cansativo e democratizando a cantora.

Versão acústica de “Gifted”, música lo-fi que abre o álbum

Indo do pop ao cult em um disco rapidíssimo (são apenas oito faixas que somam pouco mais de vinte minutos de duração ao todo), o Stricken City também faz uma visita aos Bálcãs na auto-questionadora “Sometimes I Love You / Sometimes I Hate You”, que usa um acordeão como base para as letras mais românticas do álbum.

Songs About People We Know é um disco bonito, bem elaborado, mas pouco memorável – eu diria descartável, até. Acho uma pena, mas ainda aposto num futuro promissor para os meninos – afinal, em Londres tudo pode dar certo.

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