Surfer Blood - Pythons

Surfer Blood
Pythons

Sire Records

Lançamento: 11/06/13

Ao ouvir Pythons, o novo lançamento do Surfer Blood, eu só lamento uma coisa: talvez eu nunca consiga assistir a um show dos caras. Ok, talvez consiga, mas parece bem improvável que isso role no Brasil, onde recentemente aconteceu justamente uma apresentação deles (em janeiro deste ano, que perdi). A má escolha da casa, a má divulgação e o péssimo timing fizeram o local ficar praticamente vazio e a banda parecer uma aposta ruim para shows que podem trazer algum retorno para a produtora que resolver trazê-la novamente. E repito: ao ouvir o novo álbum, eu lamento ainda mais que eles possam não voltar, pois Pythons é um registro saboroso e carismático – tudo que se pede para se ter em um pequeno show, em uma pequena casa, de forma intimista, com clima agradável e muita diversão no ar. Ainda há tempo de reverter a situação?

O Surfer Blood passou boa parte de 2012 compondo seu novo disco e gravando. Ele deveria ter sido lançado ainda no ano passado, mas o contrato com a grande gravadora Warner segurou um pouco sua publicação e isso pode até ter prejudicado ligeiramente a banda: o furor causado por sua estreia de 2010 já passou há tempos, e o segundo trabalho chega quase como uma nova estreia. Porém, integrar o catálogo de uma grande gravadora não foi tão prejudicial de forma geral, e dois pontos positivos se destacam, fazendo toda a diferença nesse novo momento: uma sonoridade mais brilhante, com o vigor de grandes gravações noventistas, devido ao bom orçamento e a qualidade dos equipamentos que isso traz; outro ponto importantíssimo (talvez até mais que o primeiro) é a possibilidade de trabalhar com um produtor experiente, visto que o primeiro álbum do grupo foi produzido pelo seu próprio líder, John Paul Pitts. E a escolha desse produtor de renome não poderia ter sido melhor: o lendário Gil Norton, que é o responsável por clássicos como Doolitle e The Colour and the Shape, que com certeza influenciaram diretamente ou indiretamente a carreira do Surfer Blood (principalmente os lançamentos do Pixies produzidos por Norton).

Os ecos de Frank Black que se faziam tão presentes na estreia da banda, ainda ressoam nas dez faixas recém-lançadas. Porém, com mais sensibilidade, menos praia (apesar do disco marcar a mudança do grupo da Flórida para Califórnia) e pitadas de Rivers Cuomo, Pythons se mostra um disco mais competente do que Astro Coast – as melodias pop e charmosas, de arranjos guitarrísticos e menos ruidosos, de vocal linear que se mistura com breves gritos, desenham a borda desse momento mais sentimental de Pitts, que recentemente se envolveu com a justiça em um caso de violência doméstica com sua namorada (o caso não foi pra frente) e passou por problemas com álcool, também.

É às vezes com metáforas doces como “You and me are apples in trees/Don’t fall far from me” ou “Gravity will bring our orbits together” que a banda vai desenvolvendo com competência e doçura o álbum. “Demon Dance”, “Gravity”, “Weird Shapes” e “I Was Wrong” é a sequência inicial de quatro faixas diretas e fortes que já te conquistam de cara. A tropical “Squeezing Blood” traz um clima mais ameno para o meio do álbum, deixando para “Say Yes to Me” abrir a segunda parte do disco com vigor, rumando para canções mais tranquilas, com destaque para “Needles and Pins”, com sua melodia caprichada, lembrando baladas Beach Boys, e a suave “Prom Song”, que fecha o trabalho com primor.

As músicas são de fácil assimilação, juvenis, grudam na cabeça e trazem ótimos sentimentos de nostalgia, junto com uma vontade grande de colocá-las pra tocar bem alto pra cantá-las junto. O formato básico e redondo das canções com grandes refrões pedem por isso, como eu peço por um novo show da banda por aqui – e que ainda haja tempo para isso, assim como há tempo o suficiente para você poder apreciar a ótima peça Pythons. Aproveite.

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