SWU: a catarse barulhenta do QOTSA e a fofura indie do Pixies

Minhas atenções e expectativas no SWU estavam todas concentradas no último dia de festival, segundona pré-feriado, que contou com a trinca de shows iniciada com competência pelo Incubus e fechada com maestria pelo Pixies. Entre os dois, estava o grande Queens of the Stone Age e sua distorção no talo, ensurdecendo completamente a Pista Premium (sinceramente, não sei como estava o som nos outros setores da Maeda) e saindo consagrado do SWU.

Josh Homme e seus asseclas atrasaram por quase 1 hora a subida ao palco. O problema alegado pela produção, que só deu uma satisfação cerca de 40 minutos após o atraso, foi um delay técnico – e de fato, durante a apresentação, ouviam-se alguns chiados vindos dos instrumentos e do microfone do líder do QOTSA. Mas a euforia era tanta que os problemas e o atraso passaram praticamente despercebidos. Ainda mais quando se abre um show com “Feel Good Hit Of Summer” e “The Lost Art Of Keeping A Secret”. Depois disso, o jogo estava praticamente ganho.

Entre simpáticas intervenções com a plateia, Josh comandava uma das mais pesadas apresentações do festival – havia momentos em que o som ficava mais alto até que Cavalera Conspiracy e Avenged Sevenfold, principalmente por conta do baixo imponente de Michael Shuman, que, junto com Joey Castillo esmurrando seus pratos e caixas, faziam a parede ideal para que as guitarras distorcidas tomassem conta dos ouvidos – e sorrisos – de cada um. Quem estava ali sabe o quão surreal e intenso foi gritar a plenos pulmões “Go With The Flow” e “No One Knows”, entre outros clássicos do stoner rock.

Com a incrível “Misfit Love” deixada de fora por causa do atraso, o QOTSA fechou seu set com pouco mais de uma hora de duração, no qual não faltou testosterona, graves no volume máximo, hits cantados fervorosamente e uma espera de muitos anos compensada por uma banda que se saiu tão bem no palco, que nem um showzaço do Pixies foi capaz de apagar o rastro de euforia, rock n’ roll e satisfação deixados no Palco Ar.

E foi com a quase impossível missão de suceder a catarse roqueira proporcionada pelo Queens que Frank Black, Kim Deal, Joey Santiago e Dave Lovering ocuparam seus lugares no Palco Água, para fazer o que viria a ser um ótimo show com 24 (!) músicas (alguém sabe se teve alguma apresentação com mais músicas?). A média de idade entre os presentes era visivelmente contrastante com a molecada que esperava o Linkin Park a poucos metros dali. Dava gosto ver os tiozinhos pulando loucamente enquanto um só-um-pouquinho-acima-do-peso Frank Black, ou Black Francis, abria a maratona com o hit “Bone Machine”. E os anos 90 e parte da história do rock alternativo iam passando diante dos presentes – nessa hora, o frio já não incomodava e tudo o que valia a pena era tentar adivinhar qual seria a próxima música. E assim vieram “Gouge Away”, “Hey”, “Dig For Fire”, “La La Love You” e, obviamente, “Here Comes Your Man”, numa versão um tanto quanto preguiçosa.

21 números e a banda se despedia. Anh? Como assim? Ainda falta A música. E ela veio – num bis que ainda contou com a explosiva “Planet Of Sound” e “Gigantic”, cantada com entusiasmo por Kim Deal, “Where Is My Mind?” apareceu e só o que se via na plateia eram braços para cima, abraços de felicidade e a sensação de que não teria Linkin Park e Tiesto o suficiente pra superar tudo aquilo – e nem precisava. Com dois shows, em sequência, como Queens of the Stone Age e Pixies, o SWU acabava ali, com a impressão de que, pelo menos em matéria de shows, o festival se saiu bem.

Agora, é trabalho – e obrigação – dos organizadores e produção correrem atrás dos inúmeros erros e equívocos cometidos na primeira edição do festival. O SWU 2011, pra ser de um fato um movimento que visa à sustentabilidade, precisar melhorar – e muito – sua logística, produção, equipe organizadora, alimentação, transporte, etc. Reconhecer os equívocos e tentar melhorá-los é o primeiro passo para uma segunda edição com menos falhas – e potencial para isso, a Fazenda Maeda e o próprio SWU mostraram que tem. Só falta consciência e bom senso para não ter, como única opção de alimentação na madrugada fria de Itu, pizza de calabresa crua. Por 8 reais. Isso sim diminui a empolgação até de uma dobradinha de QOTSA + Pixies.

Fotos: Carol Zaine

4 Comentários para "SWU: a catarse barulhenta do QOTSA e a fofura indie do Pixies"

  1. Cara, o show do QOTSA só não foi perfeito por um motivo (além dos problemas técnicos): não tocaram Turnin’ On The Screw. E não tem justificativa: ela tá no set dos últimos shows, tá no último disco, é uma puta duma música foda… por que não tocaram aqui?? Fiquei frustrado…
    Mas fora isso, foi lindo!

  2. Show do QOTSA foi o show mais “pegado” que vi no festival e o único que me satisfez completamente, 100%.

    Melhor show do Festival pra mim!

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