28 dez 2010

2010 em um disco e uma música, por Fernando Corrêa

Por  @17:15

Disco: The Roots – How I Got Over

Não é nem meu preferido do ano, nem o que eu considero o melhor. Mas é o disco que conseguiu entrar entre os que mais me tocaram em 2010. E é um disco de hip hop. As duas últimas frases nunca haviam se somado nos anos anteriores de minha curta vida, e se muito disso tem a ver com a mistura de How I Got Over, que traz de volta pro hip hop um pouco do pop que o indie lhe tomou emprestado, grande parte se relaciona com o nome da banda: ROOTS. O Roots lançou um grande disco no mesmo ano em que a música negra de raiz (ou ao menos a que está na raiz do pop contemporâneo) invadiu o indie. Fez isso de forma completa, coesa, e o hip hop finalmente conquistou meus ouvidos, de mãos dadas com o “soul revival”. How I Got Over trata de soul, de groove, de beats, e me lembra que soul, groove e beat são metáforas para coisas do corpo.

Música: The Morning Benders – Promises

Para cá, o critério foi outro, mais simples: “Promises” é a música que, em 22 de dezembro de 2010, figura entra as mais executadas do iTunes, junto de faixas muito mais velhas por ali. Morning Benders tem melodias bonitas e instigantes, um vocalzinho levemente excêntrico e um quê de negritude motowniana. Mencionada pra não ser esquecida.

Se não for abusar do espaço, queria mencionar umas bandas da terrinha em um ano cheio de lançamentos nacionais brutais: Apanhador Só e Superguidis, cujos álbuns são excelentes e merecem mais essa menção. E a música “Frutos do Mar”, da Dingo Bells, que faz mais uma homenagem a “O Mar”, de Dorival Caymmi (a outra foi do Vanguart), para cair em um rock ‘n’ roll de primeiríssima e ensolarado de calor e originalidade – coisa rara pelas bandas do Rio Grande do Sul.

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Fernando Corrêa (@nandoco) é jornalista e editor da revista Noize.

27 dez 2010

2010 em um disco e uma música, por Thiago Piccoli

Por  @13:19

Disco: Kanye West – My Beautiful Dark Twisted Fantasy

Por que? Perfeccionismo + a hora certa de dar o bote = 2010 pra todas as bandas. Foi isso que o Kanye West fez na música dele, foi isso que muitas bandas fizeram na carreira delas. E o Kanye West representa tudo e todos neste ano rico, dourado e perfeito.

Música: Warpaint – Elephants

Por que? Eu sei que a música foi lançada em dezembro de 2009, porém, desde janeiro de 2010 ela não sai da minha cabeça. Esta música fez com que eu perdesse o foco em Montreal (no Festival Pop Montreal, no qual eu estava trabalhando), tentando achar as meninas da banda, pra, NÉ! Mas, não era a hora, eu entendo…

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Thiago Picc0li (ou Titi ou @tomatemaravilha) é produtor do Wannabe Jalva e tour manager do Holger.

23 dez 2010

2010 em um disco e uma música, por Paulo Terron

Por  @17:26

Disco: Tulipa Ruiz – Efêmera

É até difícil dizer o que é o bom no disco da Tulipa. Afinal, tem alguma coisa que não é boa nele? Uma voz linda cantando com emoção em músicas que ela mesma escreveu. Não dá para pedir muito mais.

Música: B.o.B. feat. Bruno Mars – “Nothin’ on You”

E a música é porque ela representa o que foi 2010 na gringa: uma dominação do Bruno Mars, que escreveu desde a música da Copa até “Fuck You” (do Cee Lo Green). E o B.o.B. é um rapper que não tem medo de divertir.

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Paulo Terron (@pterron) toca o With Lasers! e é editor da Rolling Stone.

22 dez 2010

2010 em um disco e uma música, por Tiago Agostini

Por  @15:01

Disco: Tulipa Ruiz – Efêmera

Nenhum artista consegue pagar tributo ao passado e ao mesmo tempo apontar o futuro da música brasileira como Tulipa. Ao contrário do que o título sugere, Efêmera é um álbum marcante, forte, difícil de esquecer. Tulipa injeta vitalidade na nova MPB. Uma cantora para prestar atenção nos próximos 15, 20, 30 anos.

Música: Cérebro Eletrônico – Cama

Balada como as baladas devem ser: pungente, doce, crescente, com um refrão simples e arrebatador. Para grudar na memória.

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Tiago Agostini (@tiagoagostini) é colaborador de cultura do IG. Além disso, escreve também para a Popload, Scream & Yell e Rolling Stone.

21 dez 2010

2010 em um disco e uma música, por Hick Duarte

Por  @15:01

Disco: Kanye West – My Beautiful Dark Twisted Fantasy

Certamente o lançamento mais interessante e “years ahead” de 2010, o novo do Kanye West tem no mínimo cinco fatores para justificar todo o seu barulho no mundo do hip hop (ou ainda da arte urbana contemporânea, para os mais empolgados): 1) A participação de convidados do calibre de Jay-Z, Rihanna, Kid Cudi e John Legend; 2) Um curta-metragem hipnotizante fazendo as vezes de videoclipe para “Runaway”; 3) A polêmica (que surpresa, Kanye!) em torno da capa censurada nos EUA; 4) A famigerada nota 10 que o álbum levou da Pitchfork; 5) E o tom poético-agressivo que permeia as letras de toda a tracklist, coroado pela já globalmente aclamada citação do rapper na segunda faixa, “Gorgeous”: “Is hip hop just a euphemism for a new religion, the soul music for the slaves that the youth is missing”.

Música: Breakbot – Baby I’m Yours (feat. Irfane)

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Hick Duarte (@hickduarte), além de ser colaborador aqui da casa, também é uma das cabeças por trás do projeto uberlandense Fiesta Intruders.

20 dez 2010

2010 em um disco e uma música, por Alexandre Inagaki

Por  @16:04

Disco: Arcade Fire – The Suburbs

Até os executivos gagás da indústria fonográfica reconheceram The Suburbs, indicando-o à categoria de Álbum do Ano nos Grammys. Pudera: trata-se de um baita disco, melancolicamente épico (ou epicamente melancólico) e bonito de doer. Eu, que normalmente preciso ouvir um álbum quatro ou cinco vezes antes de poder tecer uma opinião sobre ele, desta vez fui arrebatado logo na primeira audição. E estou mais do que certo de que, se eu pudesse voltar no tempo, todas as horas que eu não desperdicei neste ano de 2010 ouvindo The Suburbs em loop seriam gastas com o mesmo prazer de reconhecer novamente cada música de mais um belo trabalho do Arcade Fire.

Música: Adele – Rolling in the Deep

Clássico instantâneo, um soul hipnoticamente contagiante capaz de fazer Berry Gordy Jr. salivar de inveja e admiração, inclusive porque foi gravado por uma inglesa de 22 anos que canta com a autoridade das divas incontestáveis da Motown. A julgar por esse petardo e por “Someone Like You”, as duas únicas músicas disponibilizadas até agora de 21, seu novo álbum que será lançado só em janeiro de 2011, Adele enfrentou o desafio do segundo disco com um pé nas costas e o gogó mais afiado do que nunca. Sei não, mas tô achando que o melhor álbum de 2011 já apareceu na área.

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Alexandre Inagaki (@inagaki) está à frente do ótimo Pensar Enlouquece, Pense Nisso.

17 dez 2010

2010 em um disco e uma música, por Marcelo Costa

Por  @15:15

Disco: Arcade Fire – The Suburbs

Vivemos uma época difícil para álbuns marcantes, aquele tipo de disco que do começo ao fim deixa você sem respirar. Geralmente nos apaixonamos por uma música aqui, bocejamos outras duas, esquecemos uma terceira e, quando percebemos, o disco chegou ao fim. Não é o caso deste terceiro disco do Arcade Fire. Eles conseguiram algo importante com “The Suburbs”: amolecerem o som sem perder a dignidade. “The Suburbs” é um daqueles discos com coisas a dizer, raro em tempos atuais. Meu disco do ano.

Música: Os Pontos Negros – Amor, É só Febre

Descoberta mais bacana do ano: descobrir esta banda portuguesa cujo nome é uma tiração com o White Stripes e o som namora o Strokes. Eles são de Queluz, arredores de Lisboa, e essa música é do segundo disco deles, “Pequeno Almoço Continental”, lançado pela major Universal portuguesa. É um rock apaixonado, uma declaração de amor adolescente, uma canção daquelas que grudam na cabeça da gente. É quase uma febre (amor). Hehe.

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Marcelo Costa (@screamyell) é editor e fundador do site Scream & Yell e colabora com seus textos sobre cultura pop para várias publicações nacionais.