Sep 01 2010
Arcade Fire – The Suburbs
Não é fácil se tornar um gênio hoje em dia – quanto maior a oferta de bandas, maior a competitividade pelo posto de “godlike genious” que as revistas britânicas gostam de oferecer em suas premiações anuais. Mas quem são esses gênios, afinal? Se a gente seguir à risca o manual da NME, semanário que defende o incentivo ao “novo”, o tal troféu sempre vai parar, com contradição, nas mãos dos coroas – The Cure, Manic Street Preachers e até Joy Division. Sim, Ian Curtis foi um gênio, mas porque lembrar disso em 2005, mais de duas décadas depois do cara se enforcar na sala de casa?
Os gênios estão aqui, agora e na frente dos nossos narizes.
Com três discos lançados, o Arcade Fire se comporta com uma banda que tem muito mais história. Funeral, de 2004, é um dos melhores debuts da década passada; o conceitual (e mais difícil) Neon Bible, gravado durante 2006 em uma igreja condenada no Quebec, passou longe da popular “crise do segundo disco” – e, de quebra, apareceu com um dos projetos gráficos mais incríveis dos últimos anos.
Se houvesse uma crise do terceiro disco, o septeto canadense também não se sentiria ameaçado.

Não, The Suburbs não é o Ok Computer, como a BBC especulou. The Suburbs não é um clássico, mas simplesmente porque os clássicos são definidos pelo tempo. Que tal a gente voltar nessa conversa daqui a dez anos? Quando o momento chegar, não duvide da presença do disco no ranking dos melhores da história.
Mais versos de Régine Chassagne e uma maior participação de Owen Pallett (vulgo Final Fantasy, responsável pelos arranjos de cordas do Arcade) não fariam mal a ninguém – mas, quando os dois aparecem, HAJA CORAÇÃO. Os violinos frenéticos abafam a guitarra distorcida e o rock jovial de “Empty Room”, em que Régine, com versos tímidos em francês, consegue conquistar qualquer um (“Toda minha vida é com você”, repete).
Aos 30 anos, Win Butler soa saudosista em algumas faixas. Aliás, essa é a primeira impressão que o disco passa com “The Suburbs”, música carregada por uma baladinha no piano com cara de anos 60. O mesmo piano eficiente – e, dessa vez, monotônico – reaparece em “We Used To Wait”, mais uma composição que dá gosto cantar junto. Não pela primeira vez, o Arcade Fire se destaca como um grupo de letristas praticamente impecáveis.
The Suburbs não tem uma música mediana sequer – a única coisa que você vai ouvir nele são hinos ainda não descobertos (e, para te ajudar a descobrir isso, nada melhor do que ouvir o disco no shuffle/random algumas vezes). Em alguns casos, como “Rococo”, o termo “hino” pode ser levado ao pé da letra: não há como não pensar em um estádio (“estádio” e “Arcade Fire” são palavras que finalmente começam a combinar, como dá pra notar logo abaixo) lotado por pessoas brandando o título da música, só com a base de cordas para sustentá-las.
As melhores composições não se concentram em um único pólo do disco. “Ready To Start”, que aparece logo no início, só encontra uma faixa à sua altura na segunda metade do álbum – essa seria “Month of May”, primeira vez em que os canadenses se aventuram (e marcam ponto) fazendo rock cru, chiado e quase punk.
As investidas do septeto em uma pegada mais leve e doce, como a da inesquecível “Crown of Love” (Funeral, 2004), não falham.“Half Light” não é o ápice do disco, mas “Suburban War” compensa o que ela fica devendo. Alguns versos de “The Suburbs” reaparecem aqui, com uma nova melodia, acompanhados por notas de guitarra que podem te lembrar daquela música do Blink 182 (!).
Régine chega a seu momento de glória com “Sprawl II (Moutains Beyond Mountains)”, em que lidera os vocais sobre uma balada totalmente inusitada, com cara de pop oitentista, mas que não chega a se encaixar nas pistas.
Os subúrbios vão indo embora em baixo tom com o segundo round de “The Suburbs”, mais curto e dramático, parecendo um desabafo choroso de um Win Butler mais nostálgico e criativo do que nunca: “Se eu pudesse ter de volta o tempo que desperdiçamos, sei que eu adoraria desperdiçá-lo novamente”.
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O cara é fundador e editor do blog que dá nome a uma das baladas roqueiras (?) mais divertidas e antenadas deste Brasilzão. Junior Passini (@
Membro do clã “Dias Brothers”, Cirilo Dias (@


Você com certeza já ouviu algum trabalho de Rafael Ramos (@






Vai tá de bobeira em julho? Vai tá de bobeira na IRLANDA em julho? Se a resposta for positiva, saiba que eu te invejo profundamente, colega. Isso porque o Oxegen Festival, que acontecerá entre os dias 8 e 11 de julho, acaba de confirmar em seu line-up a presença do Arcade Fire.






















