Eu não sabia exatamente o que esperar. Há tempo o cenário alternativo carioca anda cheio de muletas. Pra se ter uma idéia (você que não mora no Hell de Janeiro), o Teatro Odisséia, que costumava lotar com shows de bandas independentes (lembro de uma apresentação histórica da Gram) no início da década, agora se estabeleceu na Lapa como uma casa de samba e ”música brasileira”.
O interesse do público e dos produtores, consequentemente, se distanciou desse universo. As intermináveis reclamações dos remanescentes dessa cultura que moram na cidade refletem isso. Contudo, tivemos recentemente um alento de esperança por aqui após a confirmação do show da banda sueca Miike Snow, trazida por iniciativa desse mesmo público e capitaneada pelo blog URBe, do Bruno Natal.

E eis que, ao chegar na Lapa nessa quarta-feira, 25 de agosto, me deparo com uma fila enorme em frente ao Odisséia -como aquelas de 2004, chegando até a esquina do Circo Voador. Mas como assim? Show no meio de semana de uma banda que, apesar de ter despontado en grandes festivais da Inglaterra, não ecoou tanto por aqui… Muito estranho. É verdade que os preços ultra atrativos (15 reais a meia!) fazem toda a diferença. Mas e o tão falado “interesse do público”? Eram apenas 21h quando cheguei e a fila já estava dessa forma. O show atrasou para comportar a entrada de todos, lógico. Mas, mesmo assim, começou num horário totalmente aceitável para um dia de semana. Lembro do show do We Have Band no Hot Hot em São Paulo, quando tive que esperar até as 02h00 da manhã pra banda subir ao palco.
Mas vamos ao que interessa. Casa cheia, cervejinha pós trabalho, cerca de 400 pessoas enchendo o agradável espaço do Teatro.
E a banda? Subiu ao palco por volta das 22h40 cheia de sorrisos. Abriram direto com “Magnet”, do ótimo disco de estréia I Had The Blues But I Shook Them Loose, que projetou os ingleses na cena. Aliás, das onze músicas executadas em sequência (o show durou cerca de uma hora), sete eram do primeiro álbum – e, como de praxe, foram estas as mais cantadas pelo público, incluindo “Cancel on me”, “Lamplight” e “Evening/Morning”.

Toda a banda demostrou muita energia no palco, especialmente o vocalista, Jack Steadman. Ele se movimentava pra todo lado pouco espaço que havia no palco. Sua voz é marcante ao vivo e valoriza mais ainda os belos desenhos melódicos das canções da banda.
O Bombay optou por uma apresentação mais energética e, por isso, poupou as músicas do seu recente lançamento, Flaws. Excelente escolha.
Pra encerrar o show, voltaram pro bis com a bateria carioca do Empolga às Nove – que tem uma noite fixa de apresentações no Teatro Odisséia – para cantar “Always Like This”, assim como fizeram na véspera, durante o Prêmio Multishow.
Saí de lá antes da meia noite. Voltei pra casa em crise. O que foi aquilo? Eu ainda tava no Rio? Show cedo, cheio, no meio de semana, banda gringa boa, lugar pequeno… Ainda tô me recuperando do baque. Mas feliz.