A resenha que você lê a seguir, como sugere o título, é sobre o álbum The Shine Of Dried Electric Leaves, da cantora Cibelle. O disco foi lançado em 2006 mas, como fiz a resenha para um trabalho de escola, aproveito e publico aqui.

Cibelle: Nascida no Brasil, criada na Inglaterra. Mesmo tendo crescido cercada pela cultura inglesa, a jovem paulista não só resgata suas origens como faz questão de exibi-las em seus trabalhos para todos que quiserem ouvir, em português, inglês e até francês – para atingir um maior público, talvez.
Seu primeiro álbum solo, um homônimo lançado em 2003 e com perceptíveis influências de Tom Jobim, Jackson do Pandeiro e da notável islandesa Björk, revelou a cantora como uma das novas representantes da Bossa Nova e do Tropicalismo, ritmos que foram levados por ela a diversos cantos da Europa, da Irlanda à Rússia.
Entretanto, foi seu segundo trabalho de estúdio que mais chamou a atenção da imprensa européia. Diferentemente do primeiro disco de Cibelle, The Shine Of Dried Electric Leaves (O Brilho das Folhas Elétricas Secas, em português) chegou às lojas carregado de covers e duetos, ainda com a mesma doce e apaixonante essência electro-samba-tropical de seu disco de estréia. O disco é introduzido por Green Grass, faixa originalmente escrita pelo californiano Tom Waits, que certamente é o melhor cartão de visitas que o álbum em questão poderia ter.
Cantando em sua língua nativa, Cibelle consegue ser suave e inspiradora na amorosa Instante de Dois e nas igualmente cativantes Lembra e Cajuína, que fecham o álbum. O ecletismo da multiétnica cantora explora a sonoridade relativamente selvagem de instrumentos africanos, mais uma vez fazendo uma mistura inusitada com suas resguardadas influências eletrônicas, dando um toque à lá Portishead a Minha Neguinha e Arretê La, Menina. Nessa segunda, Seu Jorge completa a melodia dando a virilidade que certamente a faltaria com apenas uma voz feminina.
Em The Shine Of Dried Electric Leaves, Cibelle também mostra que pode suportar a responsabilidade de encarar um vasto público apenas com sua guitarra e um banco, como fazem grande parte de suas colegas de gênero. Tal fato fica em evidência nas ótimas Phoenix e City People, composições próprias da musicista.
Uma aparição de muito destaque é a do latino-americano Devendra Banhart, um músico considerado louco por muita gente – também, não é por menos, o rapaz faz uma espécie de folk psicodélico muito difícil de se entender ou explicar. A faixa é London, London, que você certamente conhece na voz de Caetano Veloso. O protesto gerou um dos mais maravilhosos duetos que já tive notícias, entrando para a lista que inclui Valerie (da problemática e genial Amy Winehouse com o guitarrista e produtor Mark Ronson), Love Cats (dos jovens cantores Katie Melua e Jamie Cullum), Tranquilize (do americano The Killers com a lenda-viva Lou Reed) e What Can I Do? <(do Anthony and the Johnsons com o cantor folk canadense Rufus Wainwright).
Os suspiros, o estilo vocal arrastado e a sonoridade leve das folhas secas e elétricas de Cibelle vão continuar te acompanhando mesmo depois do fim da última faixa do CD. Falo por experiência própria.
Autor: Alex Correa