14 mai 2013

Entrevista: Clarice Falcão

Por  @18:09

Clarice Falcão por Daryan Dornelles

Clarice Falcão tem uma longa carreira como atriz (que inclui até novela das 8), mas nos últimos meses está sob os holofotes principalmente por causa de seu trabalho no canal Porta dos Fundos e por suas composições compartilhadas no YouTube. Com o sucesso de seus vídeos musicais, Clarice gravou um EP no final do ano passado e acaba de lançar seu primeiro álbum completo, Monomania.

Em entrevista ao Move That Jukebox, a cantora falou sobre seu novo disco, seus shows e o papel da internet em sua carreira como cantora.

Move That Jukebox: Estamos acostumados a vê-la cantando acompanhada por apenas um violão. O que podemos esperar de diferente no seu disco?

Clarice Falcão: As músicas do disco têm um universo parecido, narrativamente falando, então foi incrível poder criar universos musicais distintos pra cada uma delas nos arranjos. Sou muito babona por instrumentos acústicos de corda, então temos vários violoncelos, alguns violinos, e muito contrabaixo acústico. Os violoncelos são do Jaques Morelenbaum e os violinos são do SILVA, que também cantou um dueto meu comigo no CD. Quem fez os arranjos comigo foram a Olivia Byington e o Ricco Viana. Fui muito sortuda nas parcerias que fiz.

Qual foi a sensação de ver os ingressos esgotados para seus primeiros shows?

Foi incrível, mas deu um frio na barriga. Na minha cabeça, ingressos esgotados queriam dizer mais gente vendo, mais gente vendo queria dizer mais gente vendo eu errar o show inteiro, mais gente vendo eu errar o show inteiro queria dizer que o desastre ia ser pior com o show lotado do que com o show vazio. Claro que depois que passou, e não foi um desastre (pelo menos não que eu saiba). Eu fiquei muito feliz de ter uma galera sentada na escada.

13 out 2012

Entrevista: Nino & The Otter

Por  @17:07

Já falamos da dupla carioca Nino & The Otter, enquanto eles preparavam o lançamento do primeiro disco. Forever Always Ends foi disponibilizado em streaming no Facebook da banda alguns meses atrás.

Conversamos com Leonardo e Beatriz, que contaram um pouco do processo de gravação, das suas inspirações e dos próximos passos da banda.

Quem são “Nino & The Otter”? E por que vocês escolheram uma lontra para batizar a banda?
Beatriz: O projeto é formado por Beatriz e Leonardo. A idéia para o nome da banda surgiu de uma brincadeira, na verdade. Queríamos usar um nome que remetesse à cumplicidade de uma dupla, mas que ao mesmo tempo, os elementos não fossem complementares. Lembrei então da vez que fui ao oceanário de Lisboa e, pela primeira vez, tive contato com lontras. Elas são realmente apaixonantes e doces!

27 set 2012

Entrevista: Câmera

Por  @22:04

O início da Câmera não é muito diferente de outras bandas por aí. Alguns conhecidos tocavam em bandas diferentes e no final das contas acabam tentando alguma coisa juntos. O grupo, no final das contas, é a soma de parte de Colorido Artificialmente, Moldest, Verona, Seu Garcia, Monno e Minimideia.

Se, por um lado, a origem não foge do comum, o resultado da nova banda não é nada ordinário. Com dois EPs no bolso — Invisible Houses e Not Tourist —, a banda já alcança um reconhecimento no cenário alternativo. O EP Invisible Houses, por exemplo, rendeu um ótimo 67º lugar entre os melhores álbuns nacionais na lista do Rockinpress. Se a posição já é de chamar atenção, que dirá o segundo lugar alcançado com a faixa “Isles”, que ficou atrás apenas de “Não Existe Amor em SP”, do Criolo, na lista de melhores músicas do ano.

Em entrevista ao Move, André Travassos falou sobre o início, as gravações e sobre como sobreviver de música no cenário alternativo brasileiro. O Câmera ainda é composto por Bruno Faleiro, Matheus Fleming, Gustavo Simoni e Henrique Cunha.

24 abr 2012

Entrevista: o novo disco e os novos riscos do Holger

Por  @14:13

Um ano e meio se passou desde o último disco do Holger. Sunga posicionou os cinco garotos de São Paulo como uma das novidades mais autênticas e efervescentes da música brasileira nos últimos anos. Uma dezena de shows, uma centena de novas descobertas sonoras e 34 mil quilômetros rodados em turnê depois, o Holger é outra banda. Vestiu de vez a camisa verde e amarela, passou a compôr em português, deixou de querer ser o Pavement brasileiro e voltou a escutar axé – não num contexto tosco, debochado, ou coisa parecida.

Em entrevista ao Move That Jukebox, quatro dos cinco caras falaram sobre o processo de criação e gravação do novo álbum, que viagens de carro e experiências praianas foram fundamentais para o novo trabalho e que “o melhor grupo indie é aquele que surge sem a pretensão de ser propriamente indie”. Além de escancarar uma certa falta de afinidade com o Foster the People.

A entrevista abaixo aconteceu na varanda da casa do Pata, vocalista do Holger, enquanto o Move ouvia com exclusividade à versão demo do próximo disco, que será lançado em agosto deste ano. É a primeira vez que a banda fala abertamente sobre o novo trabalho após o término das gravações, nos estúdios da Trama. É também a segunda entrevista deste blog com o Holger – a primeira foi em setembro de 2010, dois meses antes do Sunga. Uma avalanche de coisas mudaram desde então – mas os anseios, a ginga e o espírito de moleque tropical do grupo continuam exatamente os mesmos.

- – - – -

Não dá pra começar a entrevista sendo menos direto: o que vocês querem com o disco novo?

Pata: A gente só quer ser livre. Estamos nos arriscando de várias formas, trabalhando com um monte de gente diferente, caminhando pra lados que a gente nunca imaginou antes. Esse disco chega junto com um novo contexto pro Holger, nós mudamos pra caramba como pessoas e como músicos desde então e o Sunga não é exatamente o trabalho mais coerente com que a gente tá vivendo como banda agora…

5 abr 2012

Baterista do Band of Horses revela, em entrevista exclusiva, que novo disco chega em setembro

Por  @18:10

A caminho do Brasil e uma das principais atrações deste sábado do Lollapalooza BR, o Band of Horses traz na bagagem 3 discos com misturas belíssimas de rock, folk, indie e influências de alt. country.

Creighton Barrett (primeiro à esquerda) e o Band of Horses

Antes de embarcar para São Paulo, Creighton Barrett, homem das baquetas do quinteto de Seattle, separou uns minutinhos para falar por telefone com o Move That Jukebox, cortesia da Som Livre – que, aliás, já colocou Infinite Arms, trabalho mais recente do BoH, nas lojas do país. Se você ainda não conhece o disco, comece agora pelo ótimo single “Laredo”, disponibilizado para download gratuito como Single da Semana no iTunes.

Barrett, de bom humor e bem comunicativo, explicou por que o grupo tem deixado de lado as músicas de seu terceiro álbum. De acordo com o baterista, a maioria das faixas de Infinite Arms são mais elaboradas, cheias de camadas de som e não seriam adequadas para a primeira visita da banda à América Latina, principalmente participando de um festival cheio de bandas bem roqueiras como Foo Fighters e Cage The Elephant.

Sobre a banda de Dave Grohl, Creighton revela que se dá bem com os integrantes e que já tocaram juntos algumas vezes – o Band of Horses, aliás, chegou a abrir shows do Foo Fighters na Wembley Arena no começo de 2011.

Assista à banda apresentando “Laredo” no palco de David Letterman

Questionado sobre como é tocar em uma banda que já tem 10 ex-integrantes, Barrett foi político. “Às vezes leva tempo até chegar na formação ideal, com pessoas com as quais você se dá bem e gosta de tocar junto”, esclarece. Apesar das várias mudanças no line-up do grupo, Chreighton é o segundo membro mais antigo, ficando atrás apenas do vocalista e fundador Ben Bridwell.

E pra quem está curioso pra saber quando o quarto disco de estúdio do Band of Horses irá sair, boas notícias. De acordo com Barrett, a banda já tem bastante material pronto e irá retomar as sessões e a produção, em Los Angeles, logo após os shows latinos. A previsão é que o novo trabalho seja lançado em setembro, novamente pela Columbia Records.

Sobre influências recentes e novidades em seu iPod, o baterista deu algumas sugestões. O cantor americano A. A. Bondy, o músico Andrew Bird e seu belíssimo novo disco, e St. Vincent, banda liderada por Annie Clark, são alguns dos sons que têm mais mexido com a cabeça do carismático músico, e são também as recomendações dele pros leitores do Move That Jukebox. Se fosse vocês, seguiria as dicas.

O Band of Horses se apresenta às 17h deste sábado (07), no palco Butantã da primeira edição brasileira do Lollapalooza.

(Não conte pra ninguém, mas Barrett revelou a POSSIBILIDADE de um jam session acústica da banda no palco Kidzapalooza em algum dos dois dias. Então, fique esperto!)

5 mar 2012

Entrevista: Francisca Valenzuela

Por  @20:34

Francisca Valenzuela nasceu em San Francisco, Califórnia, mas se mudou para Santiago, Chile, aos treze. Já tem dois discos na bagagem e atualmente divulga o independente Buen Soldado. Ano passado ela foi atração do palco principal do Lollapalooza Chile e nos próximos dias se apresentará no SXSW, no Texas, onde tocou também em 2011.

Seu som vai do pop ao rock alternativo, com influências de jazz e folk. O piano é seu principal instrumento, mas ela também se aventura pelo violão, sempre acompanhada por uma banda completa nos shows. Antes de ser uma cantora profissional, publicou 2 livros, um em inglês e outro em espanhol. Conversamos com ela via e-mail e você confere a entrevista a seguir.

Move That Jukebox: Qual é a melhor coisa em ser uma artista?

Francisca Valenzuela: Fazer coisas tão diversas; ser criativa, criar conteúdo, o desafio de ter uma carreira independente tão dinâmica e com tantas mudanças; liberdade.

MTJ: Você é conhecida como a princesa do rock chileno. Você concorda com esse título?

FV: Esse título veio de um artigo da Rolling Stone depois que eu participei de um grande festival chamado Vive Latino. Eu acho que se o título vem numa situação de reconhecimento, à capacidade de compor e executar, feminilidade e humor, está ok ;) . Eu realmente não me apoio no que eles me chamam, apenas me sinto sortuda o suficiente por haver interesse em minhas músicas, minhas palavras, meu projeto.

27 out 2011

Entrevista: SILVA

Por  @18:04

Quem diria: um músico brasileiro acaba de ter o seu EP de estreia masterizado pelo mesmo produtor que finalizou os discos do James Blake. Descobrimos há vinte dias que o convite a Matt Colton foi feito por Lúcio SILVA Souza, um capixaba inspirado de 23 anos, de quem você deve ouvir falar bastante nos próximos meses.

Se já não está ouvindo. Desde que SILVA disponibilizou seu EP homônimo para download, comentários tão empolgados quanto consistentes não páram de aparecer por aí. Seja via blogs, grande mídia, fãs (acredite, já rola) ou via gente descrente com a música nacional. O Globo chamou de “música contemplativa para espreguiçar”, o Party Busters falou em “meio chillwave, meio brazuca”, o Miojo Indie comemorou como “um dos mais cuidadosos trabalhos que surgiram ao longo do ano em solo tupiniquim” e a gente, pra entender melhor o fenômeno (experimental? sinestésico? submerso? indie-regionalista?), preferiu conversar diretamente com o rapaz e debulhar o contexto estético que pariu SILVA. O papo rendeu: