Arquivo para 'Entrevistas'

Mar 12 2010

Entrevista: João Brasil

João Brasil é um dos maiores presentes que o Rio de Janeiro deu para a cena musical brasileira nos últimos anos. Fazendo os mashups mais loucos e inusitados ever, João espalhou sua genialidade aos sete ventos – sempre sem medo de ser brega demais – quando lançou Big Forbidden Dance, que trazia misturas como “Sensual Roll” (Snoop Dogg, Roberto Carlos e Madonna na mesma música) e “This Is How We Dance” (um mix com Sepultura, Digitalism e Britney Spears).

O talento do rapaz foi ganhando cada vez mais destaque com o passar dos anos, e a evolução foi clara: João Brasil já até ganhou aprendizes e “filhos ideológicos” como o capixaba André Paste, que se apaixonou pela arte dos mashups. O lord das pickups também já conquistou a Europa – Londres, inclusive, é a atual casa do músico. Mas, mesmo morando no exterior, João não esconde sua paixão pelo Brasil: Na terra da rainha, suas apresentações são regadas à funk music e a bandeira do nosso país sempre aparece no palco.

O mais novo projeto de João Brasil, 365 mashups, conquistou o público logo no seu primeiro mês. A idéia é publicar um mashup diferente a cada dia no espaço destinado ao trabalho: Um simples blog no wordpress. Pelo twitter (@joaobrasil), quem aprova o conceito ainda tem a liberdade de enviar dicas e sugestões de remixes, que são atendidos na maioria das vezes.

Em entrevista ao Move That Jukebox, João Brasil falou sobre a atual situação de sua carreira, sobre o 365 mashups e, claro, o que pretende fazer no 366º dia. Com a palavra, o rei nos mashups:

Não me lembro de ter visto a assinatura de um artista corresponder tanto à música feita por ele: João Brasil representa boa parte da atmosfera dos seus trabalhos – e isso é incrível. Isso foi premeditado, de alguma forma?

Muito obrigado, Alex. Sempre lutei por isso, mas achava que essa assinatura ainda estava meio nebulosa (risos). Você deixou meu dia mais feliz.

O 365 mashups, seu novo projeto, tem um conceito ótimo, mas parece trabalhoso. O que te levou até esse conceito e como você se motiva para não deixar um dia passar sem um mashup?

O projeto aconteceu de uma maneira muito espontânea. Queria fazer um disco de mashups em 2010 e estava pensando no que misturar, estava fritando. Três dias antes do ano novo minha mulher me sugeriu brincando a idéia de fazer um mashup por dia. Levei a brincadeira a sério. A minha maior motivação agora é o feedback das pessoas, acho que se as pessoas não tivessem se envolvido tanto com o projeto eu poderia até já ter parado. Muita gente me manda mensagens dando idéias, quando eu posto o mashup de noite eu recebo mensagens de: “UFA! Pensei que você não ia conseguir! ” (risos). Estou me divertindo com tudo isso.

O projeto começou soltando mashups que não tinham relação entre si, mas isso logo mudou. Algumas das músicas se juntaram e montaram o The Black Album Brasil, uma versão brazuca do disco do Jay-Z. Recentemente, também tivemos o Let It Baile, adaptação dos Beatles. Qual é o próximo alvo de João Brasil?

Agora estou fazendo o Ventura do Los Hermanos com o rapper De Leve. [O download já pode ser feito aqui]

Há algum tempo vemos você trabalhando apenas com a idéia de nacionalizar músicas gringas (Phoenix com Portinho, Radiohead com Olodum e etc.), mas foi um conceito diferente, com cara de Girl Talk, que te deu fama. O que te fez entrar nessa nova fase?

Primeiro porque estou morando em Londres, estou com uma necessidade enorme de trazer cada vez mais o Brasil para meu som. O formato Girl Talk de mashup é muito legal, mas ficaria muito exaustivo fazer com aquela forma todos os dias, acho que tanto para mim, quanto para o público. Se você amarra bem duas informações acho que fica mais digerível para todo mundo. Misturar Brasil com mundo é a minha grande diferença por aqui, mas não tenho muita regra não, agora estou misturando Brasil com Brasil. Vamos ver o que vai acontecer pela frente. (risos)

Existe a pretensão de voltar a produzir hits nos moldes do Big Forbidden Dance?

Sim, estou pensando em no último mês do ano fazer um Big Forbidden com meus 365 mashups.

Você parece ouvir e misturar artistas de absolutamente todos os gêneros, um cara eclético de verdade. Não há nada que você ouça e pense: “nossa, essa música é realmente uma merda”?

Eu sinto que todas as músicas podem ser aproveitadas para meu trabalho, por isso não consigo achar a música 100% uma merda. Mesmo que não goste do som, posso aproveitá-lo exatamente por não gostar e aí eu acabo gostando do resultado final.

Seu trabalho também é acompanhado nos Estados Unidos e na Europa – a página do 365 mashups, inclusive, é escrita em inglês. O que o João Brasil tem que os gringos gostam tanto?

Acho que é essa mistura de universos tão diferentes. Sou bicho exótico por aqui, tenho que aproveitar isso. (risos)

Qual é seu plano para o 366º dia?

Fazer um disco de voz e violão. Sério! Pensei nisso ontem vendo uma banda de folk na televisão, que paz. (risos)

Qual a combinação mais bizarra de mash-up que você já pensou em fazer, mas nunca teve coragem?

Se eu penso, eu faço.

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Sep 15 2009

Entrevista: Projeto Rain Down

Março de 2009. Depois de anos de espera, Thom Yorke, Ed O’Brien, Phil Selway e os irmãos Greenwood finalmente chegam ao Brasil para dar forma a primeira turnê do Radiohead no país, que fez um baita barulho em todos os cantos dessas terras,  mesmo com o Just a Fest – festival que, além dos ingleses, recebeu Kraftwerk e Los Hermanos – sendo realizado apenas no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Quem teve a oportunidade de assistir a banda sabe que a experiência foi inesquecível – e, pra nossa sorte, teve gente que resolveu eternizar essa lembrança em vídeo. O paulistano Andrews Guedis, empolgado com a sensação pós-show, colecionou as melhores gravações da passagem do Radiohead por São Paulo e as juntou, arquivo por arquivo, editando áudio e vídeo, num trabalho que levou cerca de quatro meses para ficar pronto. O resultado acabou sendo um “DVD de fãs para fãs”, onde diversos registros postados no YouTube foram aproveitados para fazer nascer o Alive 2007 do rock. Afinal, quem precisa de gravadoras e super produções? Yorke ficaria orgulhoso.

Os 4GB de projeto já estão na web para quem quiser baixar e, de quebra, você ainda pode mandar uma retribuição financeira pro cara pelo PagSeguro, In Rainbows style. Andrews já é quase uma celebridade: Seu trabalho foi divulgado em veículos como MTV, Folha de São Paulo, Estadão, Popload e Brainstorm #9. Pra acompanhar essa vibe de novidade, o Move That Jukebox entrevistou o garoto. Confira abaixo.

Projeto Rain Down

Pra começar, fale um pouco sobre você e sobre o porquê de fazer um projeto desse porte.

Bem, sou Andrews, um webdesigner e um aficionado por tecnologia e arte. Desde pequeno abrindo e destruindo aparelhos eletrônicos até ganhar meu violão e descobrir o que era música. Depois disso sempre descobrindo coisas novas até chegar à minha nova realização, que foi a edição de vídeos unida ao poder espantoso da internet.

O projeto não nasceu antes do show, mas sim poucos dias depois. Devo agradecer aos fãs que apoiaram e contribuíram para isso acontecer, se não fosse eles não tomaria a grandiosidade que tomou.

Você tem idéia de quantos downloads já foram feitos?

Não consigo estimar quantas pessoas conseguiram fazer o download até o final, mas se fosse fazer uma conta seriam mais ou menos umas 500 pessoas no mundo que já assistiram esse projeto. Olhando para o torrent neste momento, existem 100 pessoas semeando e 460 na fila de download. É muita gente, sem contar o formato de download direto que também é uma outra opção. E isso cresce a cada dia.

Existe um botão do pagseguro no site pra arrecadação de fundos. Tem bastante gente doando? Pode falar a quantia que conseguiu arrecadar até agora?

Sim, mas só recebi uma doação pelo pagseguro no valor de R$ 30,00. Que foi o valor referente ao domínio ww.raindown.com.br, da qual eu pedi uma ajuda no blog para adquirir este endereço. Foi apenas isso.

Foram quatro meses de projeto, né? Em algum momento você achou que não daria certo, pensou em desistir?

Mais ou menos isso. Uma semana após o show já comecei a me movimentar editando o primeiro vídeo de Paranoid Android. Claro, sem intenção nenhuma de fazer algo grandioso, era apenas uma ideia qualquer, que nasceu vendo os trechos dessa música no YouTube.

Você também tem uma banda chamada Refink, que arrumou espaço pra um pouco de divulgação na página do projeto. Houve um grande aumento de procura?

Sim, sou guitarrista e backing vocal nessa banda que tem muita importância em tudo que faço. Aprendi a editar vídeos utilizando o material de bastidores de shows e isso teve uma grande importância para o projeto Rain Down. Eu acredito que divulgar minha banda era uma forma de mostrar outro trabalho, que também tinha um grande valor. A procura cresceu um pouco, mas existe uma realidade muito triste no cenário que tocamos que impede qualquer banda como a nossa de crescer, ela é envolvida por modismo, falta de respeito com as bandas, interesses financeiros, grandes panelinhas e pessoas que não tocam pela música. Se não fosse por amor ao que faço, já teria desistido faz tempo.

No Brasil, você é um dos assuntos preferidos não só dos blogueiros, mas também de jornais e TV. Como você sente a repercussão internacional do Rain Down?

Acredito que por ter feito um projeto envolvendo uma banda tão revolucionária e criativa com o Radiohead, o conceito do projeto tomou um rumo de inovação. Não que eu tenha feito nada inédito, canso de ler que pessoas já fizeram o que eu fiz antes e não tiveram tanta repercussão. A questão é que eu mesmo não planejei isso, tomou corpo, aconteceu e ponto. Já a repercussão internacional não foi tão intensa como a brasileira, mas tenho acompanhado muita gente de fora dizendo que isso poderá chegar ao Radiohead se continuar assim. Eu já me sinto muito bem pelo reconhecimento que obtive até o momento.

Pra muita gente, é quase um castigo baixar 4.5GBs por torrent/rapidshare. Existe a idéia de fazer a distribuição em formato físico, mesmo que com uma edição bem básica, pra facilitar o acesso dessas pessoas?

É, com a internet que temos no Brasil, baixar 4.24 GB por torrent ou download direto é realmente duro. Eu sei por que baixo DVDs do mesmo tipo e chega a levar dias.

Sobre a distribuição em formato físico, eu deixei bem claro que não posso comercializar o DVD, mas me coloquei a disposição para enviar para quem precisasse desde que a pessoa banque os valores de frete, mídia, porque eu não tenho como fazer isso tirando do próprio bolso. Para isso a pessoa pode entrar em contato comigo via e-mail ou comentando no blog.

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Aug 23 2009

Entrevista: Zémaria

Pode-se dizer que, hoje, o Zémaria é uma das maiores bandas do Espírito Santo, senão a maior. Com cerca de meia década de carreira, NegoLéo, Sanny Lys, Marcel Dadalto e Michel Spon já têm um baita histórico: Além dos dois CDs e vários EPs lançados até agora, o grupo arquivou quatro turnês na Europa nesses últimos anos. Em Julho, inclusive, a banda embarcou em sua quinta visita aos palcos do continente, que se extende até o final do ano. A viagem ainda leva o quarteto ao Neutronix Stage do festival Electric Picnic, um dos maiores eventos culturais da Irlanda que, nesse ano, vai contar com um line-up maravilhoso.

Mas, claro, não é só isso que forma o Zémaria – e, por isso, fui atrás dos caras para descobrir mais.

zemaria

Onde vocês estão nesse exato momento?

Marcel: Estamos em Dublin, ótima cidade! Fizemos alguns shows na Irlanda, também fomos pra Cork, tocamos lá e o povo tava muito animado, cara! Não acredito em como eles se agitam. Tocamos aqui em Dublin muitas vezes, também, e depois vamos tocar em Berlim, aí vamos pra Londres e voltamos pra Dublin.

Quem compõe na banda?

Sanny: Eu e Marcel. A gente faz muita coisa junto. Não temos regras!

Marcel: É, a gente costumava tocar com uns amigos também, a Sanny trouxe muita coisa dos amigos dela, eu trouxe muita coisa dos meus. Compor pra gente é tipo uma festa.

Mas vocês são um quarteto, na verdade.

Marcel: Sim, temos o baterista, NegoLéo, que também compõe e já escreveu bastante coisa pro Zémaria e o Michel, que é o baixista.

Mais cedo você me falou que foi o dia de lavar a roupa do Zémaria. Não deveria ser um dia pra aproveitar, conhecer a cidade e tudo o mais?

Marcel: A gente gosta de conhecer os locais em que a gente toca, falar com as pessoas. Fazer turnê não é só tocar em clubes com luzes e flashes. A gente tem essas festas, também amamos tudo isso, mas…

Sanny: É sempre bom ver os castelos. Amo castelos. Acho incrível poder ver prédios tão velhos, as igrejas…

Marcel: Verdade! A gente não tem muitos castelos no Brasil… tipo, eu olho e penso: “nossa, esses castelos são mais velhos do que o meu país!”

*Nego Léo entra na sala*

Há quanto tempo vocês estão na Europa, nessa turnê?

Sanny: A gente ta completando a terceira semana hoje!

Mas não é a primeira vez do Zémaria aí, né?

Sanny: Não, já é a quinta vez!

E como é o esquema? Vocês pagam tudo por aí ou existe alguém pra dar uma força na parte financeira?

NegoLéo: A gente recebe um apoio cultural do governo do Espírito Santo, mas só para as passagens de avião. O esquema aqui é bem parecido com o do Brasil.

Marcel: Fazemos tudo como uma banda independente. Temos ajuda também de uns amigos por aqui, de umas casas de shows, mas é tudo bem indie, como sempre fizemos, e funciona muito bem!

Como anda o feedback do público europeu? Vocês vêem muita diferença do brasileiro?

Sanny: Na verdade, não. A gente já tem muita história no Brasil, então acompanhamos o crescimento do público. No início, a gente sentia que tinha um povo meio no “what the hell, isso é música eletrônica ou não? Não sei se eu gosto”. Aí, de repente, o electro ficou muito popular, e agora todo mundo acaba dançando nos shows. Aqui é um pouco diferente, as pessoas são mais rápidas.

Marcel: Aqui acho que ta todo mundo mais acostumado com isso tudo. Quando terminamos o show, sempre tem um pessoal que procura a gente pra bater um papo e eles aparecem com uma lista enorme de artistas pra compararem com a gente – e eles acertam! Eles realmente sabem do que estão falando! No Brasil temos uma resposta completamente diferente, nosso gênero não é muito popular.

Bem, vocês provavelmente ouvem muito electro. O que vocês têm pra recomendar pra gente?

Marcel: Eu tenho ouvido muita coisa antiga… Pixies, Fugazi, um dia desses eu tava ouvindo Metallica, as coisas antigas deles.

Sanny: Golden Filter, que ta com coisa nova…

E produto nacional?

Marcel: É difícil dizer, cara. Adoro todos os meus amigos de Vitória, todo o pessoal do Smoke Island. Controle Technique, F.U.E.L., Trepax, Joe.Zee, Mickey Gang. Recomendo todos eles!

Fala mais pra gente do Smoke Island.

Smoke Island é um grupo de caras malucos de Vitória que produzem música todos os dias. Esses caras só querem um jeito de espalhar suas canções pelo mundo. No site a gente tem um blog, notícias sobre a cena local, sobre a cena do Brasil… É nossa casa, é onde começamos, e de repente o negócio ficou muito grande.

E é tudo lançado por lá virtualmente, né?

Pois é, tudo online. Só fazemos alguns CDs fisicamente quando o Zémaria entra em turnê, por exemplo, pra vende-los nos shows e tal. Não acredito em venda de álbuns em lojas, não acredito nessa merda. Só queremos espalhar nossa música para podermos tocar mais

A gente não costuma ler muito sobre o Zémaria por aqui, tanto em blogs quanto na “grande mídia”. Porque vocês acham que isso acontece?

Sanny: Acho que a gente tem um pouco de culpa nisso. Temos trabalhado muito na Europa e tal. Quando a gente ta em Vitória, nos preocupamos em nos divertir lá, tocar e etc., aí acho que ficamos meio preguiçosos! Agora que o CD novo ficou pronto vamos tocar no Rio, São Paulo, Belo Horizonte, enfim, lugares que adoraremos tocar, já que estamos fora por algum tempo.

Quais artistas vocês acham que influenciaram e influenciam o som do Zémaria?

Sanny: Eu não sei… ouço muita coisa, adoro mulheres cantando. Ouço desde New Young Pony Club até Nina Simone, então eu meio que não sei dizer o que acaba influenciando.

NegoLéo: Acho que somos muito influenciados por nós mesmos. Passamos muito tempo produzindo, então acho que ficamos sem tempo pra pegar influência de outras bandas.

Vocês mudaram bastante do 11 Trax (2007) pro The Space Ahead, que saiu no mês passado. O que causou isso?

Marcel: Eu não sei… a gente é diferente. Coisas acontecem porque têm que acontecer e acreditamos nisso. Não tentamos forçar nada. Acho que a gente sofre influência das cidades, também. O 11 Trax foi feito em São Paulo, então a cidade levou bastante dessa vida 24 horas, de segunda-a-segunda, de boates e de música para dançar até o disco. Enquanto fazíamos o novo álbum estávamos tocando pela Europa, queríamos fazer boas canções e só.

Mas ele também se encaixa bem quando se quer dançar…

Marcel: É, o dancefloor ta no nosso sangue, eu acho. Não sei o que acontece. Eu, NegoLéo e Michel viemos da escola do rock, tocávamos em bandas de rock. Essas coisas acontecem naturalmente.

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Aug 18 2009

Entrevista: Venus Volts

Eles começaram a ficar íntimos do sucesso no ano passado, quando dividiram o palco do festival Motomix com os grandes Metric e The Go! Team. Sob o nome de Venus Volts, eles não lançaram nenhum álbum ou EP – todo o grande material do grupo chegou ao público pelo título de Fluid, como assinava a banda encabeçada por Trinity em tempos passados, antes de 2005 -, mas o reconhecimento não precisou de nada disso para bater na porta do quinteto paulista.

venus volts

Da esquerda pra direita: Dinho, Du, Trinity, Filipe e Pellê

Hoje, o “indie-grunge-punk-dancefloor” do VV, como eles mesmo denominam o gênero, é uma das principais peças da trilha sonora de Descolados, nova série da MTV. Em um único episódio, eles chegaram a ter quatro músicas reproduzidas. O destaque na emissora, inclusive, leva o grupo a dois de seus programas no final de agosto: Primeiro o Acesso MTV, no dia 26, e no dia seguinte o Sessões MTV. Pra saber mais sobre esse sucesso (que de forma alguma pode ser considerado súbito), conversei com Filipe Consoline, que entrou para o time do Venus no início de 2009 e já foi apresentado por aqui através do mono.tune no início de 2008.

Antes de começar, uma pergunta que anda correndo a web inteira: O que você achou do novo álbum do Arctic Monkeys?

Cara, quando eu ouvi pela primeira vez a ‘Crying Lightning’ achei estranha. Mas agora, depois de escutar várias vezes, eu to curtindo pra caramba. Esse disco não tá tão fácil quanto os outros, né.

Pois é, os meninos cresceram. Falando em crescer, você tem outros dois projetos com repercussão menor que a do Venus Volts. Como se faz pra conciliar isso tudo?

O mono.tune ta parado, esse ano não fizemos um show sequer. Acho que nem ensaiamos! Mas não acabou. Eu acho que volta com uma sonoridade diferente, mas volta – só não sei quando! Com o Lab (que agora é Labmusica), está igual. Até agora tive sorte de nenhuma agenda bater, mas funciona no estilo “quem marcar primeiro, leva”.

O Lab mudou de nome por causa do Less a Bullshit?

Na verdade, a gente sempre achou que, apesar da sonoridade, o nome Lab é batido pra caramba. Aproveitamos que conhecemos mais 2 Labs nesses tempos e colocamos o “musica” no final. Ele sempre esteve lá, mas nunca usamos.

E, voltando ao Venus Volts, a banda já tem algum tempo de estrada, mas você se juntou ao pessoal nesse ano. Como foi isso?

Eu conheci a banda na edição do Grito Rock em Maringá, no Paraná, quando eu fui tocar com o mono.tune. Rolou um interesse mútuo entre as bandas e a gente manteve contato. Em abril desse ano, a Venus tinha uma turnê pra fazer no Nordeste e o Dinho, baixista, não ia conseguir ir. Aí rolou o convite pra eu substituir ele somente nesses nove shows. Só que aí, depois da turnê, rolou o convite pra eu entrar como guitarrista e fazendo algumas programações com synths. Entrei na banda de vez no final de abril mesmo.

Você nunca tinha trabalhado com uma mulher, né? Como é com a Trinity?

Eu já toquei numa banda que tinha uma baixista mulher, mas na época ela era minha namorada, então não conta. Como só tem ela de mulher na banda, ela acaba precisando se acostumar com quatro caras falando todo o tipo de merda! As vezes eu tomo as dores dela, hahaha. Mas ela é bem tranqüila.

E a criação, como funciona? Quem é o compositor da banda?

O Pellê é o compositor e o fundador. Ele acaba trazendo as idéias e a gente trabalha em cima. As vezes ele já vem com uma idéia pronta sobre a bateria, a outra guitarra ou o baixo, mas todo mundo interfere na criação. Até mesmo eu, que acabei de entrar, me sinto 100% à vontade na hora da produção das músicas. Eu o considero um dos compositores mais criativos dessa leva da cena nacional, hoje em dia.

Pelo o que eu entendi, vocês têm um CD gravado e já estão na boca da mídia.

Na verdade, a banda como Venus Volts (antes era Fluid) não tem nenhum CD oficial. Isso que é o mais legal. Temos gravações de algumas músicas disponíveis lá no MySpace, mas algo físico com encarte e o caramba, não. As músicas estão abrindo as portas pra banda. Conseguimos esse lance da música tema dos Descolados, Acesso MTV, Sessões MTV, Bananada, Virada Cultural, Do Sol, Motomix, etc, só com essas músicas. O CD oficial está sendo gravado e produzido pelo Rodrigo Coelho e deve sair no ano que vem. O clipe da ‘In Gold We Trust’, música tema do seriado da MTV, sai agora no começo de setembro.

Legal! Vocês tiveram uma fase boa com a Trama, gravaram o Visitando a Cena e o 12 Horas no Estúdio. Aí agora, como você falou, estão numa vibe MTV. A banda não conta só com a internet, né?

Internet é mais uma ferramenta que ajuda pra caramba a divulgar shows, o som, clipes, etc. Mas TV tem um alcance muito maior e você pega milhares de pessoas ao mesmo tempo. As bandas devem ir atrás desse meio também.

Como a gente pode descrever o som de vocês? O VV tem uma pegada bem de indie rock, mas tem um quê de grunge e punk que aparece em todas as músicas.

Algo como indie-grunge-punk-dancefloor! Agora as músicas ainda estão com um ar mais “eletrônico” devido as programações, e uma batida mais dançante. Além do peso e dessa cara meio 90´s. Estamos puxando o som mais para o que está acontecendo agora, mas sem perder a identidade da banda que já foi construída ao longo desses anos.

Então pro próximo CD a gente deve esperar algo que encaixe bem numa pista de dança?

Com certeza! E num ipod dentro do metrô.

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Jul 15 2009

Entrevista: Marina and the Diamonds

Declarei meu amor por Marina Diamandis há pouco tempo, vocês lembram? Se já apagou isso da memória, aí vai um trechinho pra refrescar:

Marina and The Diamonds é meu novo vício. Mesmo. O pseudônimo foi criado pela lindíssima Marina Diamandis (o ‘Diamonds’ tá explicado?), cantora britânica que iniciou suas atividades no ano passado e, já em 2009, adicionou duas grandes apresentações em seu histórico de shows: O primeiro, em maio, no Big Weekend da BBC e, no mês seguinte, o gigantesco Glastonbury, onde foi escada para o Queen’s Head Stage, no mesmo dia de Dan Black, The Wombats e Noah and the Whale. Até o final do ano, Marina terá passado pelos maiores festivais do Reino Unido, com o iTunes Festival, Bestival, Latitude, Reading e Leeds em sua agenda.

Mas é claro que isso não é tudo que podemos saber sobre Marina, então corri atrás da cantora pra colher mais informações – e a mulher foi falando tudo, mesmo parecendo mais seca do que de costume. Você lê toda a nossa conversa aqui:

Você já está trabalhando em seu primeiro álbum de estúdio, não?
Estou fazendo isso com muito cuidado. Não posso dar mais detalhes.

Uma banda toca com você em seus shows, mas eles não parecem ser nada mais do que uma banda de apoio – você ainda é uma artista solo. Qual é o motivo disso?

Porque meu ego é muito grande, haha! Na verdade, nunca me imaginei numa banda. Não trabalho bem em conjunto. Não suporto a idéia de estar numa banda. Nunca pensei nisso como uma opção.

Como começou sua carreira? As primeiras letras, os primeiros acordes…
Eu me joguei nesse negócio de fazer música de repente – e muito mal. Eu escrevia poemas como uma criança e então tive uma vontade forte de me expressar através de palavras e, eventualmente, de canções.

Você já disse algo sobre nunca estar satisfeita com seus shows. Isso é falta de auto-estima ou você é muito dura consigo mesma?
Essas duas coisas não são iguais?

E essa tendência de “My Name and the Things”? Por que você acha que isso tá ficando tão popular, além de ser cool?
Uhn, não sei. Eu não fiz isso propositalmente ou com o objetivo de ser cool. O cool nunca dura muito. Eu só queria botar um pouco de fantasia nesse nome, acho, queria criar uma diferença entre ser uma garota e uma artista. Queria que funcionasse como um coletivo energético (soa estranho, mas…).

Sobre o que fala ‘I Am Not a Robot’, exatamente? Não sei dizer se é uma canção sobre amor ou raiva.
É sobre lembrar você da sua fraqueza, de que você não é perfeito. Você não pode ganhar sempre e no final do dia você tem que cuidar de si mesmo, porque isso é tudo que se tem: você mesmo.

E qual é a receita pra uma melodia tão grudenta?
Não há uma receita. Só cante o que você sente e a cor vai ser aparecer em sua melodia.

Em uma entrevista no Glastonbury, você disse que Patti Smith, Kate Bush, No Doubt e Madonna formariam o line-up perfeito pro festival. Essas são suas maiores influências?
Sim, com certeza.

No final do ano, você já terá tocado nos maiores festivais do Reino Unido, o que eu imagino ser um sonho pra todo mundo. Quais são suas expectativas par esses shows?
Eu nem penso nessas apresentações até chegar no lugar onde vou tocar. Não gosto de criar essas expectativas. Só quero fazer o meu melhor para que as pessoas fiquem felizes. Eu quero valer a pena.

O que você acha que estará fazendo nesse mesmo horário, em 2010?
Working my butt off.

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Jun 20 2009

Entrevista: Superpose

O Superpose está, sem dúvida, entre os cinco maiores booms nacionais desse ano. O duo de Florianópolis, formado pelo casal Isaac Varzim e Paula Fellito, já tinha músicas boas para dançar há anos – em 2006, foram parar no Motomix, com Franz Ferdinand e Art Brut – mas, com o lançamento do Aurora EP em abril, atingiu seu pico. Comentei o trabalho e apresentei a banda aqui, até. Agora, com um bebê na casa, Isaac falou sobre o desenvolvimento da banda, desde a época em que conheceu Paula até hoje, quando anima as pistas do Sul do país.

superpose

Antes de começar a entender o Superpose, seria legal descobrir como vocês se conheceram.

A gente trabalhava junto em Curitiba. A Paula é bailarina por formação, e eu músico, daí fizemos vários trabalhos juntos de dança contemporânea, teatro e talz. Eu fazia trilhas sonoras, muitas delas ao vivo, e a Paula dançava. Sempre tivemos vontade de fazer algo juntos efetivamente. Eu sempre pensava na área de dança, mas acabou que surgiu o Superpose e deu certo. Tive um outro projeto chamado Escafandro, que era meio house/abstract hip-hop, em que a Paula fazia umas performances durante o show. A gente até fez turnê pela Europa. O Superpose veio só depois, no começo de 2008.

E, antes de trabalharem juntos, já rolava um romance?

A gente ta junto desde 2006, mas nunca rolou o lance tipo “a banda do casal”, haha. [Formamos a banda] muito porque a gente se mudou pra Floripa e não conhecíamos ninguém, os únicos que tínhamos para trabalhar éramos nós mesmos – e foi o que fizemos! Depois sempre pensamos em botar mais gente tocando junto, já fizemos shows com guitarra, até, mas ainda não tornamos isso oficial.

É difícil manter um público animado como um duo? Digo, a responsabilidade de fazer um show fica mais leve quando há mais membros pra dividi-la?

É, realmente é muito diferente. Duas pessoas na frente do palco e o povo te olhando… seria tão mais fácil se fossemos uns cinco, haha. Mas a gente tem relação com música eletrônica, né? Aí muda tudo, porque as batidas, os synths e tudo o mais tornam a coisa envolvente, com uma pressão sonora que dificilmente uma banda normal teria. Prós e contras, né?

Como  foi a produção do Aurora? Vocês gravaram voz, instrumentos, produziram, fizeram a arte…?

Sim, tudo homemade, menos a capa que feio feita por um artista plástico gaúcho que tem um trampo incrível, Alexandre Lettnin. A capa foi feita com caneta Bic, achei incrível. Mas a parte da música foi toda feita aqui em casa mesmo.

E, antes do Aurora, vocês já tinham algumas músicas circulando pela web, né? Elas foram saindo pingadas ou também foram lançadas em um disco?

No começo saiu tudo pingado, umas quatro ou cinco faixas. Daí em setembro de 2008 lançamos um EP chamado Dance-Me, com quatro faixas. Em janeiro de 2009 lançamos pelo MySpace Nightlife um EP coletivo com outros projetos de Floripa, o Subtropics, que tinha Superpose, Discobot e Mottorama. Daí agora lançamos o Aurora, mas tenho a impressão de que só nesse EP chegamos numa sonoridade em que todos ficamos felizes. Ficou mais madura, redondinha mesmo. Além disso, lançamos alguns remixes, que estamos adorando fazer.

Falando nisso, a gente percebe uma camaradagem bem grande dentro do cenário electro-indie do Sul do país. As bandas tocam juntas, fazem remixes umas das outras e ajudam a divulgar o trabalho de grupos recém-formado. Parece até uma associação de bandas underground, né?

Haha, pode ser, mas acho que é meio natural, né? A gente acabou de remixar o Boss in Drama. A gente se conhece a um tempão, tocamos juntos no Motomix em 2006. Remixamos também o Copacabana Club, eles – mesmo eu tendo morado durante oito anos em Curitiba – só fui conhecer depois de me mudar pra Floripa. Tocamos juntos aqui já e ficamos bem próximos. Acho que o que aproxima o pessoal do Sul são as vezes que a gente se cruza. O circuito Curitiba/Floripa/Porto Alegre troca muitas figurinhas. A gente vai sempre pra essas cidades, e o povo de lá vem pra cá.

france-superpose

Há pouco tempo o Superpose ganhou um integrante novo e bem, digamos, jovial – e trabalhoso, ao mesmo tempo. Dá pra sentir uma vibração nova no Superpose com ele?

Cara, muda tudo, né? Mas dá ainda mais vontade de fazer a coisa acontecer. O Benjamin é um sarro, acho que ele teve uma gestação agitada (a Paula tava fazendo show e tocando na balada até três dias antes do nascimento – eu tive que sair correndo no meio de um DJ Set pra levar ela pro hospital, haha). Quanto mais música alta, movimentos, balanço, gente conversando, mais calminho ele fica. Tenho medo dele querer competir comigo quem faz mais barulho quando ficar mais velho.

E aí, quando o Benjamin vai virar música? Existem planos pra isso?

Isso soa tão bossa nova! Não conta pra ninguém, mas Button tem a ver com isso tudo [Button, do Aurora EP, relata a gestação de Paula].

Musicalmente, quem inspira vocês?

Putz, essa é difícil. Eu ouço de tudo – sem aquele papo de que tudo me inspira – mas eu adoro rock, música eletrônica, música brasileira, pop… Mas digamos que eu e a Paula temos alguns gostos em comum: Bjork, Goldfrapp, Madredeus, Chemical Brothers, Massive Attack, Prefuse 73, Piazzola… Atualmente Passion Pit toca o dia inteiro aqui, com Phoenix, Metric e DirtyProjectors. Não  sei dizer se essas coisas influenciam o som do Superpose, mas acho que essa tendência pro trip hop com cara de synth pop tem a ver com as coisas que a gente gosta.

Na edição de maio da Noize, o editor me pediu uma dica para a coluna “Bandas que você não conhece – mas deveria conhecer”. Citei o Superpose, já que haviam acabado de lançar o Aurora. Agora, invertendo os papéis, quais são as recomendações que vocês tem pra gente?

Eu não sou muito bom nessa coisa de indicar novidades. Tudo que ouço achando que é uma super novidade me dou conta de que o mundo inteiro já conhece, mas minha indicação é pra uma banda daqui de Floripa: o Discobot. Eles remixaram Beautiful, um dos remixes mais bacanas que já fizeram da gente até agora. As vezes acho que o remix deles é até mais legal que a versão original, haha.

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Jun 10 2009

Entrevista: Copacabana Club

A entrevista abaixo foi feita por mim para a edição de maio da Revista Noize. Com um pouco de atraso – cof -, posto ela pra vocês. Aproveitem.

copacabana-club

Pouco tempo depois do surgimento repentino, o Copacabana Club já é uma das bandas mais estouradas do Brasil. Foi só lançar o EP King of The Night, produzido e distribuído de forma completamente independente, que, num piscar de olhos, Curitiba ficou pequena demais para o quarteto. Conversamos com eles pela segunda vez, agora com Camlia e Tile (vocalista e baixista, respectivamente), para entender a nova fase da banda, em que os sinais da fama já borbulham.

Para começar, o que era o Copacabana Club no início de 2008 e o que é ele agora, depois de ter conquistado certa fama pelo país?

Caca V: Exatamente um ano atrás estávamos colocando o nosso EP para download no Myspace. E não imaginávamos de maneira alguma chegar até aqui. Um ano depois, temos um vídeo clipe na bagagem, e mais de 100.000 plays no Myspace. Isso é incrível.

T. Douglas: acho que o Copa está mais maduro como banda, temos mais músicas boas na bagagem também… Acho que todos estão levando mais a sério a banda.

No ano passado, vocês não tinham muita pretensão de lançar um álbum “completo”, pelo o que percebi na entrevista que fiz com vocês. Isso já mudou?

Caca V: Sim. Naquela época acho que o nosso repertório tinha 8 ou 9 músicas. Hoje temos 13, e mais algumas pra fechar. Não acho que o álbum sairia dessas 13, mas de qualquer maneira já pensamos em gravar um disco. Ainda queremos amadurecer algumas canções. Mas acho que até o início do ano que vem, sai.

T. Douglas: É bem o que a Caca falou, vamos fazer mais algumas músicas e deixar essas que temos agora mais redondas, lapidadas… Acho que o álbum seria pro início de 2010 mesmo.

O clipe de “Just do It” ajudou o Copacabana Club a rodar o mundo. Até o Kanye West assistiu (risos). Esse estouro foi muito súbito para vocês?

Caca V: Demais. O vídeo ficou com uma qualidade incrível. Não imaginava ter um primeiro video tão bom e tão bonito. É muito bom sentir que as pessoas estão curtindo. E o lance do Kanye West foi engraçado. Levei um susto quando vi o post.

T. Douglas: Para mim foi uma surpresa muito grande. Claro que quando vimos o clipe pela primeira vez a gente sabia que estávamos com um material muito bom nas mãos, mas toda a repercussão, inclusive o lance do Kanye West nos surpreendeu bastante. Sobre o processo criativo do clipe, bom, foi todo do Banzai [Studios, estúdio curitibano que trabalhou com o Coletivo Atalho no vídeo].

Vocês tocaram na MTV e têm feito shows cada vez mais freqüentes. Tem sido difícil aliar suas atividades pessoais com as da banda?

Caca V: Minha agenda de trabalho é um pouco mais flexível. As vezes fica mais difícil mesmo. Tenho trabalhado bastante. Para o Tile é um pouco mais complicado, porque ele tem um emprego normal, de escritório. Hora pra chegar e sair. E faltar por causa dos shows prejudica um pouco. Mas levamos até onde dá.

T. Douglas: Tem sido um pouco, sim… Tenho sorte do meu chefe até curtir a banda e notar que o lance é um pouco mais sério [risos]. Tenho conseguido negociar com ele umas faltas [risos].

E, com todo esse hype, tem aparecido muita tietagem?

Caca V: [Risos] Mais ou menos. Esses dias fui reconhecida, duas vezes. Foi engraçado. Inesperado. Não estou acostumada com isso. Ainda acho um pouco estranho.

T. Douglas: Sou o baixista, o que menos aparece [risos]. Mas assim, já me reconheceram na rua e tal, é legal…

Suas apresentações são bem animadas. Vocês são daqueles que acham que fazer ao vivo é mais importante do que a parte do estúdio?

Caca V: Acho que os dois são importantes, e bem distintos. Tem que haver dedicação no estúdio. E as apresentações são animadas, mas espontâneas. Tem que ser um processo natural… Eu me divirto muito nos shows.

T. Douglas: Acho que a gravação do estúdio é só uma versão da música, não a definitiva, apenas uma versão… Ao vivo tem que ser para valer, é ali que se faz a diferença.

Sobre o CSS, certa vez vocês disseram que o som das duas bandas não tem nada a ver. Quais foram as influências na composição do King of the Night?

Caca V: As faixas do King Of The Night são nossas primeiras de todas. E acho que elas têm uma levada bem semelhante. Mais disco. Depois delas fizemos umas novas, que acredito serem bem diferentes dessas. Mas ainda com a mesma proposta dançante.

T. Douglas: Cara, eu não sei te dizer por que foi o Alec quem escreveu toda a música, mas quando ele apresentou ela para a banda, pensamos em deixá-la dançante e pesada ao mesmo tempo. Acho que conseguimos o resultado.

O King of The Night foi lançado em formato físico, totalmente independente e por R$10. Esse esquema funciona bem no Brasil?

Caca V: Mais ou menos. Ele não é efetivo. Não temos distribuidor, então tem que ser da maneira mais lenta e complicada: depósito bancário e envio.

T. Douglas: É, não funciona, é apenas para divulgar um pouco mais e pagar o custo da prensagem.

Vocês estão gravando uma inédita, não?

Caca V: São duas! “Mrs. Melody” e “Sex Sex Sex”. Acho que finalizaremos elas neste mês. Ainda não temos previsão do formato em que vamos lançá-las. Mas queremos disponibilizá-las no Myspace o quanto antes.

T. Douglas: São duas músicas que eu gosto muito… Vai ser legal lançá-las, porque vai ajudar a dar uma outra imagem da banda, mais madura.

O Copa já passou por vários clubes do país, em diversos estados. Já dá pra vislumbrar a banda em palcos internacionais?

Caca V: Acho ainda um pouco cedo pra isso. Mas claro que se rolar vai ser demais. Queremos percorrer uns trechos pra cima do eixo Rio-SP que ainda não fizemos, e que deve ser bem legal.

T. Douglas: Acho importante tocarmos mais aqui no Brasil, o lance para fora vai ser conseqüência do que rolar aqui. Quero que as pessoas daqui conheçam a gente mais antes de sairmos do país.

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May 09 2009

Entrevista: Sweet Fanny Adams

Formado por pernambucanos que se conheceram na escola, o Sweet Fanny Adams gravou seu primeiro EP no ano passado, dentro de um quarto. O registro, que recebeu o nome de Fanny, You’re No Fun, encantou os olhos do selo independente Bazuca Discos, que já estava de olho nos shows do grupo e decidiu lançar o mini-álbum.

Bem recepcionado pela crítica blogueira, o SFA chegou a se apresentar em grandes festivais brasileiros, como o Abril Pro Rock e o MADA, dividindo palcos com grandes artistas de todo o país. Modesto, Hélder Bezerra (guitarrista) diz que não sabe se vai chegar a algum lugar fazendo música, escondendo o grande troféu que já tem nas mãos.

Influenciado por grandes nomes do rock, como Velvet Underground, Sonic Youth e Gang of Four, o quarteto já faz os preparativos para a gravação de um segundo EP, que começa a ser gravado no mês que vem. Para continuar conhecendo a banda, é só ler a entrevista que segue no post e, de background, usar as cinco músicas de Fanny… que estão em streaming no myspace.com/sweetfannyadamsmusic.

sweetfannyadams

Eu acho a cena indie do Recife muito forte, até mais do que a do Rio de Janeiro. Como funciona o espaço para as bandas independentes aí?

Apesar das inúmeras bandas de diversos estilos musicais e festivais de grande porte, a cena independente recifense ainda sofre com um grande problema na cidade: a ausência de uma casa de show para projetos autorais e que tenha programação fixa. Este fator faz com que a programação de shows e festas na cidade não seja frequente e, geralmente, ocorrem em locais de estrutura precária ou em dias não viáveis, já que as casas de shows de melhor estrutura apenas disponibilizam espaço para bandas autorais em dias de pouco movimento. Isso resulta num imenso desinteresse do público com a cena local e no comodismo de muitas bandas que não querem se arriscar de promover o próprio show  ou que não procuram meios de agendar datas em outras cidades ou que não possuem condições de um investimento inicial em algum tour. Nos últimos anos, várias bandas locais encerraram as atividades ou permancem tocando, apenas uma ou duas vezes , durante todo o ano.

Como surgiu o convite de lançar o EP pela Bazuca Discos e como foi o processo de criação do disco?

O selo Bazuka Discos (PE), do Coletivo Coquetel Molotov, fez o convite para lançar o nosso primeiro EP, após o recebimento do nosso material e no final de um show nosso, organizado pelo próprio coletivo, na Livraria Saraiva.

Dá para perceber um pouco de Strokes no som do SFA, principalmente em ‘Killing Spree’. Eles são uma influência direta pra vocês?

Influência direta? Com certeza não. No máximo, a gente pode ter algumas influências em comum com eles, como Guided By Voices, ou bandas de pós-punk e new wave do começo dos anos 80.

A parte visual da banda é muito importante, e a de vocês é muito bem feita. São os próprios integrantes que cuidam disso?

Sempre curtimos bastante sobre a parte visual. Nos preocupamos em criar uma identidade para os lançamentos dos EP´s e solicitamos para uma designer o desenvolvimento de todo o projeto.

Há quanto tempo surgiu a banda e quando vocês descobriam que podiam chegar a algum lugar fazendo música?

A banda surgiu em Agosto de 2006. Na verdade, ainda não descobrimos se vamos chegar em algum lugar. Estamos bem felizes de poder gravar e tocar nossas músicas do jeito que queremos. Estamos fazendo o possível para que muita gente possa ouvir, seja por meios de comunicação ou em shows. É ótimo receber um retorno sobre isso e saber que existem pessoas curtindo o que fazemos.

Vocês estudam, trabalham…?

Estudamos e trabalhamos, mas não gostamos de fazer nenhum dos dois. A gente queria mesmo era viver de música, um bom começo pra isso seria parar de tomar calote e aprender a mamar nas tetas do governo via editais.

O Sweet Fanny Adams já dividiu o palco com diversos artistas, desde Mallu Magalhães até Pata de Elefante e Superguidis. Como é a relação da banda com outros grupos?

O clima nos festivais é ótimo. Sempre existe uma boa relação entre bandas. Apesar de pouco tempo de permanência durante os festivais, geralmente, permanece o contato por MySpace ou e-mail. Com relação aos integrantes das bandas locais, sempre nos encontramos e nos divertimos pelas festas toscas da cidade.

Já existe algo sendo planejado pra um álbum de estúdio? Tanto os fãs quanto a imprensa e os blogs parecem ansiosos pra isso.

Recentemente, gravamos um single que vai entrar na trilha sonora de um novo seriado da MTV. A música ainda está em processo de mixagem. O início da gravação do novo EP está programado para Junho.

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Mar 27 2009

Coletiva de imprensa: Multishow Registro – Vanguart

“Cuidado com a menina de amarelo”, advertiu Helio Flanders, ao saber que eu representava o MTJ! na entrevista coletiva da última segunda feira, dia 23 de março. Tudo culpa de Alex Correa, que em agosto de 2008 entrevistou o vocalista do Vanguart e fez algumas “perguntas capciosas”.

Se na primeira vez as respostas vieram com uma certa dificuldade, nesta as coisas fluíram muito mais tranquilas. Influências musicais, internet, mercado fonográfico e a relação com os fãs foram alguns dos assuntos abordados por Helio.

O encontro aconteceu em razão do lançamento do CD e do DVD Multishow Registro – Vanguart (Gustavo Pelogia esteve nas gravações. Leia aqui.), que chegaram às lojas esta semana. Apesar de todos os integrantes estarem presentes na entrevista, quem sempre toma a palavra é o vocalista, como que assumindo a personificação do Vanguart – ainda que afirme enfaticamente “que são cinco sons que fazem a banda”.

Todos eles tinham projetos anteriores ao Vanguart. Acid Jazz, grunge, hard-core fazem parte do passado dos músicos. Flanders foi ainda mais longe: na adolescência, teve uma banda de glam chamada Valium. Apesar de os estilos parecerem totalmente distintos, a experiência de cada um mostrou-se essencial para chegarem ao som da banda hoje. “Tentamos ser mais conservadores, mas não deu muito certo”, diz Helio, que complementa: “quanto mais longe íamos nas ideias, melhor ficava”. O resultado? O som inusitado que conhecemos hoje.

É indiscutível o comando que Helio toma para si. Afinal, foi ele que trouxe CDs de folk após a viagem de auto-conhecimento (como diz o texto assinado pela apresentadora Lorena Calábria que acompanha o release) feita pela América do Sul. Além disso, o nome da banda foi escolha dele, tendo como referências Andy Warhol e o movimento beatnik. Questionado se ele é mesmo a alma do grupo, o vocalista vem com uma resposta politicamente correta: “se tirarmos um integrante, o arranjo fica diferente”. Quanto ao nome aparentemente pretensioso, eles admitem que pode dar a impressão de que são arrogantes ao se auto-intitularem “de vanguarda”. “Mas a gente fazia um som folk, em Cuiabá. Daí resolvemos abraçar essa aberração”, admite Flanders.

O discurso simpático continua. Falam sobre a necessidade de se relacionar bem com os fãs, estando disponíveis para os inevitáveis pedidos de autógrafo. No início da entrevista, resolvem não atacar os críticos musicais e repetem a velha história de que acreditam mais nas críticas negativas do que nas positivas. Um pouco mais tarde, porém, Helio demonstra sua insatisfação com o trabalho dos jornalistas, afirmando que alguns deles não conseguem entender o trabalho da banda. Cita o exemplo de uma crítica à letra de Semáforo (que diz: Só acredito no semáforo/Só acredito no avião/Eu acredito no relógio). No texto, o jornalista dizia não ver nenhum sentido nas palavras cantadas pelo vocalista. Flanders se exalta: “Isso é metafórico! Rimbaud já fazia isso há séculos”. (nota da redação: dá até pra engolir a história de que o nome da banda não tem a ver com o fato de eles se acharem vanguardistas; comparar-se com Rimbaud, no entanto, parece forçoso demais.)

vangs

As influência musicais são as óbvias: Bob Dylan e Beatles. A importância é tamanha que, para eles, um jovem não entenderá o som do Vanguart se não tivere um prévio conhecimento do quartento inglês. Sobre a versão de “O Mar”, de Dorival Caymmi, Flanders diz que a intenção é justamente fazer uma nova canção, como uma espécie de homenagem àqueles que os músicos admiram. “Estranho seria se tocássemos Dylan”, ele ri. Segundo o vocalista, eles pararam de ouvir música internacional produzida a partir dos anos 1990. Los Porongas, Ludovic, Móveis Coloniais de Acaju e Macaco Bong (também de Cuiabá, como o Vanguart) são algumas das bandas brasileiras presentes nas playlists da banda. O argentino Luis Alberto Spinetta, a música instrumental e o jazz também fazem parte do que eles consideram importante musicalmente.

A inevitável comparação com o Los Hermanos é rebatida. Sob o ponto de vista do quinteto cuiabano, o som das duas bandas é completamente diferente. Contudo, eles admitem que a banda de Marcelo Camelo abriu portas para uma nova cena musical. Os pontos de semelhança resumiriam-se, então, à sinceridade das letras e o bom relacionamento com os fãs.

Para honrar a fama do blog, a pergunta capciosa não pôde faltar. Flanders falava entusiasmado da internet, de como revolucionou o mundo da música e admitiu que eles jamais seriam conhecidos no eixo Rio-SP se não fosse o mundo virtual. Observou, ainda, que diversas bandas da cena rock de Cuiabá está trilhando o mesmo caminho. Se tudo são flores, por qual razão eles estão fazendo o percurso inverso? Em tempos que o Radiohead disponibiliza seu álbum online, em que usuários de P2P estão sendo presos por download ilegal de músicas, como uma banda dita independente pode assinar contrato com uma grande gravadora (no caso, a Universal)?

A resposta é uma só: dinheiro. A dificuldade para lançar produtos sem ter um lastro financeiro é o maior problema. “Material gráfico e promocional, assessoria de imprensa, figurino, equipamento… tudo isso tem um custo. Não era possível arcarmos sozinhos com estas coisas”, responde Helio. Ele explica: “O contrato foi totalmente oportuno. Precisávamos do apoio de uma gravadora, e ela nos deu toda a liberdade de continuarmos criando. Nosso sonho é continuar gravando e, daqui a um tempo, olhar para trás e vermos que fizemos bons discos e que tudo valeu a pena”.

Idealismos à parte, o vocalista concorda que a realidade de troca de arquivos online não tem mais volta. “O mercado tem que ser repensado”, afirma, apontando prováveis caminhos: “talvez a venda oficial de música pela internet seja uma saída”. Se um fã da banda for pego baixando músicas do Vanguart, Helio crê que o bom senso deve ser usado – resta saber se os executivos da gravadora concordam com isso.

O canal Multishow apresentou o show banda na quarta feira, 25 de março. A reprise acontecerá no domingo, dia 29, às 20h15. Apesar de ter sido anunciado o lançamento em lojas para o dia 26, as principais lojas online ainda não têm os produtos (CD e DVD) à venda.

Nádia Lapa

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Mar 13 2009

Entrevista: Pata de Elefante

Semana passada recebemos um e-mail do MySpace, nos convidando para apadrinhar uma banda, que ficaria em destaque na página do Musificando, o programa de ajudar bandas que o MySpace criou. A dúvida foi grande, de verdade. Várias bandas passaram por minha cabeça, até que um outro e-mail chegou. Era das meninas da Agência Alavanca, nos convidando para o show Zoo Instrumental, que aconteceria no Inferno Club (SP), onde tocariam Pata de Elefante e Macaco Bong.

Confesso nunca ter dado muita atenção a estas bandas, mas me interessei pelo convite e procurei mais sobre as duas, principalmente o Pata de Elefante. E o que encontrei foi uma grande e rica mistura de rock clássico, country, folk e surf music, em músicas instrumentais que não me deixaram sentir em momento algum a ausência de vocal. E pesquisando melhor, percebi que este é um dos grandes fortes da banda: agradar pessoas que estão acostumadas a ouvir apenas música com vocal. E então fui ouvindo aquilo, e gostando cada vez mais. Até que aquele problema de qual seria a banda apadrinhada sumiu. Logo indiquei o Pata de Elefante, e programei uma entrevista com a banda, mais precisamente com os guitarristas/baixistas Gabriel Guedes e Daniel Mossmann. E ela aconteceu um pouco antes do ótimo show que fizeram no Inferno, com aquele som marcante e viciante que eu estava cheio de ansiedade para ouvir ao vivo desde o início da semana, quando o último disco deles “Um olho no fósforo, outro na fagulha” entrou no meu iPod e que até agora teima em estar sempre entre os mais ouvidos.

A tal entrevista você confere logo abaixo. Se quiser ouvir um pouco antes pra se interar no assunto, é só acessar o MySpace deles. Em tempo, adicione a banda no Myspace. Se entre as bandas apadrinhadas o Pata de Elefante for a que conseguir o maior número de amigos, o blog que a apadrinhou ganha um banner na página inicial do MySpace. Ou seja, ajudando o Pata você também estará ajudando o Move.

MTJ!: No começo do ano, nós pedimos para várias bandas indicarem os 5 melhores álbuns de 2008, e o Marcos, do Walverdes, colocou como primeiro lugar o “Um olho no fósforo, outro na fagulha”. Uma coisa que eu acho bem interessante é essa união e troca de reconhecimento que existe entre as bandas do cenário independente brasileiro. Vocês acompanham de perto o trabalho das outras bandas daqui?

Daniel: No meu caso, não sei muito bem o que quer dizer com bastante, não conheço todas as bandas, mas tem algumas que eu curto..

Gabriel: É, a gente cruza bastante banda na estrada, tocamos juntos, trocamos CD. A gente faz parte da cena, então convive com elas. Algumas que eu gosto são Macaco Bong e algumas outras, poucas outras. (risos)

Daniel: É, massa tem o Walverdes também, o Chucrobillyman, uma banda de uma pessoa só, bem legal.

MTJ!: Vocês já tocaram em bandas com vocal, certo?

Daniel: Sim.

MTJ!: E num show, qual é a principal diferença que vocês sentem no público entre estar tocando uma música com vocal e uma apenas instrumental?

Daniel: No caso a guitarra é a voz nas nossas músicas. Na real a gente encara assim, tem a melodia principal, que a guitarra faz como se fosse a voz e tem as horas que é solo de guitarra, que é outra coisa, é um improviso. De repente as pessoas não identificam isso, acham que o cara tá fazendo solo o tempo inteiro mas não é assim, tem uma hora que é uma melodia definida, tem hora que é improviso.

Gabriel: Tem inclusive músicas nossas que se você pensar pode imaginar como se fosse uma música com voz, né. Tem música nossa no disco onde a guitarra faz a música inteira, e na hora do solo, propriamente dito, quem faz é um piano, pra ter aquela diferença. Não é comum o cantor fazer um solo, então é a mesma coisa, a guitarra está cantando e vem um outro instrumento pra fazer o solo.

MTJ!: Mas e no público, vocês sentem alguma diferença?

Daniel: É, a galera canta no assobio. (risos)

Gabriel: Já teve show que as pessoas até cantaram..

MTJ!: Acho que a que cantam mais é a ‘Hey!’, né?

Daniel: É, essa é sempre a mais cantada. (risos). No geral as pessoas gostam, mas não tem aquela coisa de cantar junto. È olhando, curtindo, dançando…

MTJ!: Qual vocês acham que é o principal motivo pelo qual muitas pessoas tem um pé atrás com música instrumental? E vocês ficaram surpresos ao agradar essas pessoas que estão acostumadas a ouvir apenas música com vocal?

Daniel: Acho que tem mais a ver com o gosto das pessoas, elas estão acostumadas a curtir um tipo de som que é um  instrumental tipo folk, country, rock clássico, de repente aí pegou no gosto das pessoas de soar bem né, de repente até então a banda que fizesse rock instrumental assim, esse tipo de som..

Gabriel: Acho que no nosso caso nós temos uma pegada mais popular, digamos, uma pegada de rock.

Daniel: É, nós temos músicas em um formato popular mesmo, com refrão, talvez isso ajude, um formato que fique na cabeça, mesmo sem letra.

Gustavo Telles, Daniel Mossmann e Gabriel Guedes

MTJ!: Vocês tem como influência algumas trilhas sonoras de filmes. Estas referências cinematográficas estão presentes em outros aspectos da banda também?

Daniel: Cinema? Acho que só pela trilha mesmo. Tem filmes que eu gosto de assistir que às vezes a trilha eu não curto tanto. Mas tem trilhas que gostamos bastante. Eu gosto muito da trilha do ‘Um Estranho no Ninho’, ‘Diabolique’, tocamos uma música do [Ennio] Morricone, tocamos a música da Pantera Cor de Rosa, músicas do [Henry] Mancini.

Gabriel: E nesse caso os filmes são bons também.

Daniel: Exatamente, às vezes tem filmes que nem são muito bons e tem trilhas maravilhosas.

MTJ!: Continuando nas influências, suas principais são bandas mais antigas. Tem alguma coisa atual que influencia vocês ou que os agrada bastante?

Gabriel: Tudo que é bom acaba influenciando de uma maneira ou outra, se o cara gosta… Existem várias bandas mais atuais que pegam influências antigas para fazer algo que soa mais moderno, e sempre mudando.

Daniel: E é o nosso caso, se for ouvir o que a gente faz, todo mundo já fez, mas a gente faz diferente, do nosso jeito.

Gabriel: Não é uma coisa pensadamente “retrô”, é o que sai.

MTJ!: E na música instrumental, tem algo atual que vocês gostam?

Gabriel: Tem o Macaco Bong…

Daniel: E tem os mascarados lá, Los Straitjackets.. uma banda de surf music moderna, a gente até toca algumas músicas deles..

MTJ!: Pra terminar, depois de álbum tão recebido pela crítica, o Pata de Elefante está sonhando alto? Quais são os planos para um futuro próximo?

Daniel: Nós temos três projetos.. Tem um disco de baladas todo gravado, só de baladas, tem algumas músicas novas que estamos trabalhando para um disco novo, aí mais rock, pegada. E tem um projeto de um filme..

Gabriel: Que aí até inclui aquela tua pergutna anterior sobre cinema né..

Daniel: Que é a idéia de um filme pornô, que a gente tá fazendo as músicas..

MTJ!: A trilha sonora do filme?

Gabriel: Não é isso, não encomendaram a trilha pra nós.

Daniel: Não, não, nós estamos fazendo as músicas e vamos montar o filme ao mesmo tempo.

Gabriel: O filme é pra ser um show, ele vai ser exibido durante um show, e a gente vai tocar no escuro, ao vivo, a trilha sonora. Que nem filme mudo antigamente, que tinha um pianista no cinema.

MTJ!: Ah, sim. Vocês vão tocar enquanto o filme passa.

Gabriel: A banda toca meio no escuro, entendeu? Ficamos numa posição que a gente enxerga a tela e tocando.

Daniel: A gente já fez isso uma vez, fizemos com o filme ‘O Gabinete do Dr. Caligari’, que é mudo né. A gente criou uma trilha inédita pro filme, teve a projeção e nós tocamos enquanto o filme passava. E é isso que faremos com o pornô, só que dessa vez vai ser tudo criado por nós, inclusive o filme.

Por Marçal Righi

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Jan 29 2009

Entrevista: Natalie Portman’s Shaved Head

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Atraindo boa parte de seus admiradores pelo caráter humorístico de seu nome, esse grupo de Washington te faz remexer ao som de Slow Motion Tag Team, Beard Lust, Hush Hush e de toda e qualquer faixa de seu primeiro – e único – disco, o Glistening Pleasure, lançado em meados de 2008. Com letras adolescentes e divertidas, o Natalie Portman’s Shaved Head já superou a fase da garagem e ultrapassa, cada vez mais, os espessos solos do cenário underground americano, ganhando certo destaque em terras tupiniquins com um electroclash dignissimo e recomendado expressamente pelos blogueiros mais descolados da cena.  Em 2009, o grupo faz suas primeiras turnês como headliners, e já ficou comprovado que esses jovens têm gás de sobra para agüentar a pressão que fica concentrada sobre tal cargo.

Usufruindo das vantagens que a internet tem a nos oferecer, conversei (naquele clima descontraído de sempre) com Luke Smith que, além de ser um dos vocalistas do grupo, ainda toca guitarra e teclado. É isso aí, povão: Natalie Portman’s Shaved Head de A a Z.

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Desde a formação da banda, vocês já devem ter respondido muitas perguntas sobre o nome que ela levou – e eu também não posso evitar perguntar sobre isso. Quando vocês optaram por nomear o grupo fazendo uma referência ao “penteado” de Natalie Portman em V for Vendetta, estavam tentando chamar mais atenção da mídia ou algo do tipo?

Não, nós definitivamente não tínhamos nada do tipo na cabeça… Nós nem sequer sabíamos de qual filme se tratava quando batizamos a banda. Tudo que tínhamos ouvido era que Natalie tinha raspado a cabeça pra interpretar algum personagem, e isso virou assunto no colégio durante o dia inteiro. Naquele dia estávamos fazendo um jogo na sala em que precisávamos de nomes para formar uns times, daí nós decidimos nos chamar “Natalie Portman’s Shaved Head”. As pessoas pareceram gostar, então nós resolvemos dar esse mesmo nome pra pequena banda que estávamos formando naquela hora. Naquele ponto, se tratava apenas de uma banda de piadas idiotas, mas aí nós progredimos e o nome ficou grudado!

Entendi. E depois da criação da banda, demorou muito para que o seu primeiro EP fosse lançado?

Gravar um EP era algo muito distante da nossa realidade naquele momento… Acho que demorou mais de um ano para lançarmos. A maioria das músicas que gravamos foi disponibilizada direto para download no MySpace para nosso amigos e tal. Até então, não existia demanda alguma para um EP de verdade, então só o fizemos para dizer que tínhamos lançado um. Queríamos algo para segurarmos em nossas mãos.

E quando vocês começaram a tocar ao vivo?

A Claire conseguiu nosso primeiro show na grande inauguração de um clube em Seattle. Acho que isso foi em dezembro de 2005. Como tinha uma penca de jornalistas lá, a gente foi meio que jogado instantaneamente sob os olhos do público de Seattle. No dia seguinte saíram uns três artigos sobre nós e ficamos completamente malucos com aquilo. Depois a gente se concentrou em terminar o colégio e tocar em pequenas festas e casas de shows quando éramos convidados. Chegamos a tocar com um cara chamado MC Vagina, que é completamente hilário…

(Risos). Nunca ouvi falar sobre esse MC.

É… Acho que ninguém jamais ouvirá. Era esse tipo de show que estávamos fazendo no começo. As pessoas queriam nos botar para tocar com um bando de coisa eletrônica, experimental e grosseira.

[youtube=http://br.youtube.com/watch?v=FDJc_l2Nf2I]

E quando foi que as pessoas começaram a perceber que vocês não faziam parte desse grupo de coisas eletrônicas, experimentais e grosseiras?

Deus, eu não tenho idéia. Talvez quando tocamos com o CSS em Seattle pela primeira vez?! Nós meio que ficamos amigos pela internet, então foi maravilhoso tocar com eles.

Esse com certeza foi um salto incrível.

Com certeza! Essa foi uma das maiores bandas para quem já abrimos. Os ingressos esgotaram e o local estava socado de gente. Um show completamente doido…

Seria ainda mais “doido” se vocês estendessem sua turnê com o CSS ao Brasil em 2009.

Sim! Isso seria incrível. Adorariamos faze-lo!

Em respostas de mensagens de Natal brasileiras, vocês diziam algo como “com sorte a gente vai se ver no Brasil em breve”. Existe algo sendo planejado?

(Risos). Ainda não, infelizmente. Nós ficamos surpresos com a quantidade de mensagens de gente do Brasil, então acho que seria legal descer aí eventualmente, mas nenhum plano mais concreto por enquanto. Ainda temos que ir à Europa! Sinto que vamos fazer uma penca de coisas em 2009…

As pessoas aqui estão quase vendendo suas almas para ver o CSS ao vivo mais uma vez.

(Risos). Eu ouvi dizer que há um tipo de rejeição começando. Adriano disse algo sobre os adolescentes brasileiros odiarem o CSS e nos odiarem também. Electro-rejeição?! Não sei…

Não tenha certeza disso. Na verdade ouve um episódio envolvendo uma sátira de bandas do gênero  (principalmente do próprio CSS) que deixou o Adriano realmente irritado…

(Risos). Ah! Eu definitivamente já vi (o vídeo) antes! Bem, tenho certeza que seria totalmente alucinante tocar aí de qualquer forma.

Então, voltando ao assunto… A gente pode perceber uma grande evolução na sonoridade da banda do Secret Crush EP para o Glistening Pleasure. Quem (ou o que) foi responsável por esse amadurecimento?

Bem, o Secret Crush foi montado bem rápido e nós não tínhamos idéia alguma do que estávamos fazendo. No Glistening Pleasure nós fomos mais a fundo e mapeamos o que queríamos fazer e como queríamos fazer. Queríamos fazê-lo digno e gravamos a maior parte dele da mesma forma. Éramos somente nós gravando em um porão usando meu laptop. Decidimos gravá-lo da melhor forma possível, daí trabalhamos em nossos vocais e tivemos o apoio de um produtor e de um excelente mixador. Com certeza esse processo levou tempo suficiente… Trabalhamos nele por quase um ano, mas porque ainda estávamos aprendendo enquanto íamos gravando, então acho que terminou bem para nossa primeira experiência.

Acho que isso significa que vocês soarão ainda melhores em um segundo álbum. Mas, ao mesmo tempo, me parece muito cedo para começar a pensar em material novo.

Não! Na verdade nós começamos a trabalhar nas primeiras fases de um próximo disco. Ainda é cedo, mas eu acho que ele vai ficar ótimo, de verdade. Vai ficar mais “badass” também.

[youtube=http://br.youtube.com/watch?v=rL3Xq1a8_wo]

Talvez essa seja uma pergunta meio injusta, mas entre CSS, Matt & Kim e The Go! Team, qual deles é a melhor companhia para uma turnê?

(Risos). Garoto… Vamos ver. A verdade é que todos são realmente legais. Essa última turnê foi insana. Ter quatro bandas tentando se encaixar no palco para fazer passagem de som e tudo mais parece muito, mas todo mundo foi super legal. Nós viramos amigos bem próximos de todos eles! Se eu tivesse que escolher entre um deles, acho que ficaria com o CSS, só porque ficamos ainda mais próximos deles. E eles sabem como se divertir! Acabo de me lembrar que em Boston nós encontramos a cabeça de uma galinha morta no chão e tiramos fotos com ela.

Me parece que esses after-shows são bebedeiras puras…

(Risos). A gente não estava ficando tão bêbado porque, na verdade, é meio ilegal sair bebendo por aí na nossa idade. De todos nós, o Shaun é o único que tem idade para beber, e as leis são muito especificas sobre isso. Mas você sabe, nós fazemos o que conseguimos. Somos bem punk rock.

Falando assim, vocês parecem ainda mais novos do que eu imaginava que fossem. De qualquer forma, suas músicas são completamente conectadas com essa juventude de vocês. Quem as compõe?

Eu componho bastante, mas Shaun e eu geralmente trabalhamos juntos nas letras. Nós simplesmente escrevemos sobre o que sabemos da vida. Se sentir novo, fresco. Sobre nossos amigos e nossos primeiros fios de barba… É mais genuino do que parece.

Falando sobre se sentir “novo e fresco”, a fama já está influenciando na sua vida, uhn… amorosa?

(Risos)…. Eu não sei se eu posso falar sobre isso. Certamente não deixa feridas, vamos pôr dessa forma. Mas eu diria que precisamos de um pouco mais de fama para entrar em um nível romântico mais alto. Precisamos estar nos encontrando com supermodelos e tudo mais…

Então eu acho que já estamos acabando. O que você pode me falar sobre seus planos para esse ano?

Existem alguns grandes planos pra 2009. Nós já temos praticamente o ano inteiro planejado (até onde se pode planejar nesse trabalho maluco). Um monte de coisas que eu ainda não posso falar sobre. Mas nós vamos tocar em vários lugares diferentes, espalhando o gospel do NPSH pelo mundo. Teremos algumas grandes turnês, e estamos particularmente animados para tocar no SXSW em Austin (Texas). Também teremos um clipe novo em breve!

Lançar esse tal segundo disco, fazer shows com algumas bandas em particular…

Ahhhh, ainda não posso falar quais são as bandas. Ainda não sei mais sobre esse segundo álbum. A gente vai gravar da forma que fluir, naturalmente. Provavelmente teremos músicas novas no ano que vem. Talvez um novo disco, quem sabe? Mas com certeza seremos headliners de algumas turnês. Estou animado para ver muita gente diferente em cidades diferentes. Todos os lugares têm uma vibe diferente, e todas as pessoas são divertidas e estranhas do seu jeito. É divertido explorar. E David, Liam e eu faremos 21 anos, então poderemos beber.

Aquele papo de “live fast and die young”… entendi.

(Risos) Pois é! As coisas vão ficar insanas. Punk Rock… vamos comprar umas jaquetas de couro e tudo mais.

Totalmente badass. Então é isso. Alguma mensagem para o Brasil?

Fiquem tranqüilos! Sejam pacientes, nós chegaremos ao Brasil o mais rápido possível! Temos procurando umas viagens para o Brasil, queremos explorar!

Por Alex Correa

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Jan 19 2009

Entrevista: The Outs!

Dois cariocas garantem vaga entre multidão que lota o Wembley Stadium em Julho. Motivo? Eles ganharam um concurso disputadíssimo e, como prêmio, vão ver o Oasis ao vivo com tudo pago.

Atualmente, o The Outs! conta com quatro integrantes, mas foram apenas dois deles que se inscreveram em um concurso do Oasis promovido pelo semanário britânico NME. Como um dueto, Dennis Guedes e Tiago Carneiro fizeram uma gravação impecável de Bag It Up,música que abre o último álbum de estúdio do histórico grupo inglês,e assim não agradaram somente ao editor da revista, mas até aos próprios irmãos Gallagher.

A qualidade do cover rendeu aos meninos (sim, meninos! Ambos ainda não atingiram a maior idade) viagens para a Inglaterra com despesas pagas para visitar o Wembley Stadium em julho, quando o Oasis passa por lá.

[youtube=http://br.youtube.com/watch?v=nFJ2OuPTlR4]

O melhor ano da vida dos rapazes acaba de começar e, ao passo em que ele se adianta, dúzias de portas devem se abrir. Conversando com o Move That Jukebox!, Dennis (que, conforme conta na entrevista, já terá completado 18 anos até a data do show) contou das boas risadas que tem dado com o fato fato de se tornar o responsável legal de Thiago durante essa viagem e não poupou detalhes ao relatar desde os anos inicias da banda até a grande ansiedade para assistir o show de suas vidas.

Com vocês, The Outs!

Pra começarmos, falem um pouco sobre o The Outs!.

Bom, tudo começou quando éramos pequenos, na realidade. Nossa família sempre foi ligada com música, tanto que minha mãe é cantora. Então, eu e o Tiago sempre ouvimos coisas que nos influenciaram muito, principalmente rock inglês, como Beatles, Elton John, Carpenters, Sting, All About Eve…

E Oasis, claro.

Então… o Oasis veio depois! Ainda antes passamos a ouvir muito o U2, foi quando começamos a nos interessar realmente em tocar. Devíamos ter aproximadamente 12 ou 13 anos, então começamos a procurar bandas inglesas relacionadas. Acabou que achamos o The Verve com Bittersweet Symphony e falamos: Cara, esse é o estilo da gente! Depois disso conhecemos o Oasis, daí vimos que esse era realmente o estilo que nós gostávamos.

E por que essa busca foi dedicada exclusivamente a bandas inglesas?

No início, nós ouvíamos uma quantidade considerável de músicas brasileiras. Por minha mãe ser cantora de MPB, eu sempre tive uma ligação direta com isso. Mas nós não sentíamos grande coisa em tocar em português, até que paramos para tocar em inglês. A partir daí vimos que era o que realmente nos agradava. A gente gosta bastante de música brasileira, não temos nada contra! Porém, se é pra fazer algo de qualidade, só conseguimos fazer em inglês. Enfim, por vermos que nosso melhor desempenho era tocando em inglês, começou nossa “busca” por bandas inglesas e, como nós já ouvíamos rock inglês desde pequenos, não foi algo tão difícil!

outs

Dennis e Tiago, respectivamente

E, até agora, como havia sido a divulgação do The Outs? Total web 2.0?

(Risos) Total Web! Os poucos momentos em que a divulgação não foi através da web era quando íamos em alguns bares que minha mãe toca e, nos intervalos dela, a gente aproveitava pra divulgar o nosso trabalho. Aproveitávamos para tocar composições próprias, pois é interessante a opinião do público nessa hora.

Então a experiência de vocês no palco é muito pouca, não?

Realmente, bem pouca, mas é a necessária! Ainda temos um pouco de timidez, mas vamos adaptando com o tempo. Quando o público “entra no clima”, nós entramos juntos.

E, mesmo com pouca bagagem, vocês pareceram confiantes ao entrar na competição da NME.

Como o próprio Noel disse, atingimos o coração da música. Acreditamos, isso foi importante! Sempre gostamos de tocar Oasis, e isso foi feito como uma brincadeira e não como um meio de aparecer nem nada do tipo! Mas acreditávamos que tínhamos mais chances de ganhar o prêmio com a nossa versão da “(Get Off Your) High Horse Lady”, pois tínhamos feito nossa própria versão.

E essa não foi a única surpresa, né? Falo por mim mesmo. Quando descobri que garotos cariocas haviam ganhado a promoção, fiquei em choque. E quando descobri que ainda foram indicados pelo Oasis e pela NME…

Também foi um choque pra gente! Ter ganho o primeiro lugar foi muito interessante, mas no primeiro momento nem acreditávamos no que estava acontecendo! Só de pensar “Nossa, Noel Gallagher escolheu a gente??”… A ficha só caiu realmente quando teve a divulgação no site oficial do Oasis, e vimos o que o Noel tinha falado a respeito. E, para a nossa surpresa, não tinham falado nada sobre o terceiro lugar! Estávamos ansiosos para saber quem havia ganho ele. E então vimos lá, “The Outs!”, de novo… realmente, isso foi quase um “shock of the lightning”…

E – mudando de assunto -, quem é a Rosi, que tanto troca mensagens com você sobre a competição?

(Risos)… A Rosi! Ela é realmente uma boa pessoa! Ela já vinha acompanhando nossos vídeos há algum tempo, e quando lançamos os vídeos para a competição ela veio falar com a gente para elogiar. Ela é brasileira, mas mora nos Estados Unidos há uns 23 anos. Ela e o marido dela (Harry) realmente nos motivaram. Eles diziam que, aos olhos deles, nós já éramos os vencedores e que, mesmo se não ganhássemos o concurso, teríamos conquistado eles.

Que simpáticos!

Sim, sim! Eles são ligados com essas coisas e apreciam o rock!

Então eles foram uns dos maiores motivadores, não?

Nesse momento, sim. Mas eu acredito que todos que viram nossos vídeos foram motivadores! Sempre que víamos um novo comentário dizendo que tínhamos ido bem, ficávamos mais confiantes.

E, além da oportunidade de ver qualquer show do Oasis, vocês ganham algo extra por terem ocupado duas posições?

Até o momento, não! O que sabemos até então é que temos o direito do show (escolhemos o Wembley) e que temos dois dias de hotel e as passagens, assim como dizia o regulamento do concurso. E também o prêmio do terceiro lugar, que era o Box especial do Oasis.

Nossa, isso é bastante coisa pra quem tentava arrumar um espaço entre os shows da mãe há pouquíssimo tempo atrás.

Realmente. É difícil acreditar que isso ta acontecendo!

outs-2

E o Wembley foi uma ótima escolha. O que fez vocês escolherem o estádio?

Bom, Wembley é clássico, não é? O primeiro DVD de show que eu vi do Oasis (Familiar to Millions, 2000) foi gravado no Wembley! Além de shows como o do Led Zeppelin e de muitas outras bandas importantes! Só de pensar que estamos pisando num lugar consagrado já da frio na barriga. E, para completar, é LONDRES! Me diz que banda não tem o sonho de conhecer o berço do bom e velho rock??

Verdade. Meio mundo sente inveja de vocês nesse exato momento.

É! Dizem isso, mas dizem que é uma inveja boa! Espero que seja! (Risos)

(Risos) Acredite que sim! Mas o show é só em julho, se agüentam de ansiedade até lá?

(Risos) É a mesma pergunta que me faço. Espero não ficar parado até lá!

E de quebra ainda têm os boatos do Oasis no Brasil em 2009. Já pensou na dobradinha?

Já sim! Essa é a idéia. Perder o Oasis no Brasil a gente definitivamente não perde.

Bem, então boa sorte pra vocês e sucesso pro The Outs!

Ahh! Eu só quero falar umas coisas antes (de finalizar)!

Pode falar!

Nessas férias estamos aproveitando para gravar um EP com três músicas nossas para divulgação. Eu, o Tiago, o Gabriel (baixista do The Outs!) e o Rodrigo (baterista novo que está nos acompanhando) gravaremos isso no estúdio, e em breve divulgaremos no nosso MySpace. Queremos deixar explícito que o The Outs! Não é apenas formado por mim e pelo Tiago, mas também pela GRANDE contribuição do Gabriel. Nós quatro, do The Outs!, queremos agradecer a oportunidade da entrevista, e também desejamos prosperidade na nova revista!

Por Alex Correa

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Nov 03 2008

Entrevista: Bonde do Rolê

E quem não conhece o Bonde do Rolê? A hilária mistura de funk, riffs de rock e muita sacanagem já deu muito o que falar, e continua dando, ao redor do planeta. Se atualmente o baile funk é febre nas festas lá de fora, muito disso se deve ao Bonde, que descobertos pelo produtor Diplo, saíram por aí tocando seu som cara de pau e sem escrúpulos.

Hoje eles são uma referência do ‘baile funk’ fora das terras tupiniquins, embora nem os próprios se achem merecedores de tanto nome. Para os integrantes, tudo sempre foi uma brincadeira. Mas a brincadeira deu certo, e o Bonde está aí, relembrando, mesmo sem querer, um preceito do punk rock, que para se fazer música não é necessário conceitos e grandes músicos, e sim, idéias na cabeça e uma imensa vontade de se divertir.

Abaixo você confere minha conversa animada com Rodrigo Gorky, um dos fundadores do grupo, que falou mais sobre a nova fase do Bonde do Rolê e o segundo disco que será lançado em breve.

novobondedorole

Vocês riram bastante no processo de seleção das vocalistas?

Gorky: Nossa, a gente riu bastante, mas muito mais pelas bostas que a gente estava se fazendo passar. Tá, minto, a gente se divertiu pencas, por exemplo, de se vestir de porquinho e se jogar na lama. (risos)

As meninas tiveram que fazer isso?

Gorky: Sim, todas caíram na lama. E com eu e o Pedro vestidos de porco.

E como vocês chegaram à Laura e à Ana?

Gorky: A gente no fim chegou porque uma é completamente o oposto da outra. Ambas com muito talento, mas completamente opostas uma da outra. Como a Ana mesma disse, “se complementam como arroz e feijão”

Mudando para o assunto VMB, de onde vocês tiraram a idéia de colocar aqueles bombados no show?

Gorky: A idéia dos bombados foi da Laura, a gente tinha todo um conceito atrás.

Que conceito era esse?

Gorky: Que era Miami: Bichas velhas e dondocas

É, acho que só vocês mesmo captaram a mensagem (risos)

Gorky: (risos) Assim, foi pego em partes. Tipo “as meninas estavam meio dondocas, né?”, ou.. “você e o Pedro tavam todo engomadinhos”.

E como vocês reagiram quando a Ana foi lá reivindicar o prêmio?

Gorky: Nossa, tem até no YouTube minha reação, acho que nunca ri tanto na minha vida.

Mas isso tava meio premeditado ou na hora deu a louca e ela decidiu subir no palco?

Gorky: Tipo, a Laura virou pra Ana e falou “vai lá buscar seu prêmio, Ana!”. As duas tavam uma mais bêbada que a outra.

Saindo do assunto VMB, o novo álbum do Bonde sai ano que vem mesmo?

Gorky: Sim, o disco novo sai ano que vem, comecei a gravar hoje [21/10] as primeiras.

E como estão as músicas novas? Na mesma linha do primeiro disco ou deram uma mudada geral?

Gorky: Então.. nós, mesmo com as músicas do disco, temos mudado bastante para tocá-las ao vivo. Acho que ainda vai ser cara de pau, mas acho que vai ter um pouco mais de qualidade. (risos)

E já estão tocando alguma música nova nos shows?

Gorky: Ainda não.

Vocês estão pensando em lançar umas músicas antes do CD ficar pronto ou o suspense vai durar até o lançamento?

Gorky: Ah, claro. Na verdade, a gente quer lançar um disco inteiro de coisas antes do disco de verdade.

E quais serão essas coisas?

Gorky: Hum.. algumas surpresas. Covers, remixes, etc.

Coisas como o “Mais Uma Vez” do VMB?

Gorky: (risos) Aquilo é vergonhoso até demais!

Pra finalizar. É engraçado o modo como o funk carioca é visto dentro e fora do Brasil. Enquanto aqui é considerado algo como “anti-música”, em muitos lugares lá fora baile funk é tendência. Como vocês, que são um tanto responsáveis por esse sucesso do funk em outros países, encaram isto?

Gorky: Ah, a gente acha… Sério, realmente não sei o que a gente acha (risos).

Por exemplo, aqui você nunca vê uma propaganda de TV tocando funk, e lá fora tem isso, inclusive com músicas do Bonde.

Gorky: É, mas aqui a gente ouve Fábio Jr. nas propagandas, ouve axéééé. Que também é tão incrível! Mas acho que com o tempo o povo vai aceitar mais.

Por Marçal Righi

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Oct 20 2008

Entrevista: Ecos Falsos

Ecos Falsos – formada em São Paulo, difundida por [quase] todo o país. Foi no ano passado que a banda lançou seu primeiro álbum, Descartável Longa Vida que, segundo Gustavo Martins (guitarra e voz), é um álbum muito pop e que “ainda tem que ser ouvido por muita gente”. Concordo plenamente – exceto com a primeira afirmação, que se mostra contraditória assim que fazemos uma visita ao MySpace. De qualquer forma, os fãs do grupo preferem inclui-los em suas playlists de música alternativa nacional ou, mais resumidamente, indie rock.

Daniel Akashi, Davi Rodriguez e Felipe Daros dão fim à formação da banda que, no início da carreira, contava com mais um membro. A saída deste foi conturbada, e fez com que o poder de três guitarras no mesmo palco chegasse ao fim, ocasionando em adaptações ao vivo das músicas que haviam sido gravadas em estúdio com quatro instrumentos de corda.

Ambicioso, o quarteto sustenta o sonho de viver só da arte que fazem, que certamente estaria mais parte, não fosse a língua afiada que cada um tem. Enquanto aquecíamos para dar início a entrevista, Gustavo reconheceu que seu “mau-hábito de falar demais em entrevistas e arrumar confusão” mata, aos poucos, a carreira que podia ter no mainstream – “não que eu ache que teremos uma carreira no mainstream”, se adianta. É claro que eu adoro publicar uma bomba (e quem não gosta?), e é claro que tentei alongar ainda mais a língua do rapaz, numa tentativa frustrada. Bem ou mal, prolongamos nossa fama de bons moços e estabelecemos laços amigáveis com mais uma banda, o que no fundo é o que importa.

Recentemente, o hábito pouco conveniente de Gustavo fez com que surgisse uma grande reprovação da parte de alguns produtores a respeito de uma declaração dada à Rolling Stone pelo músico.

Com ou sem declarações prejudiciais à integridade de qualquer pessoa, a entrevista ficou bem divertida. Para ler, é só rolar a página.

MTJ: No início do clipe de Nada Não, você dá um recado dizendo que deve-se desistir do rock enquanto há tempo. Qual é o motivo disso?

Gustavo: Na verdade, a idéia é fazer as pessoas pensarem, tomarem um susto mesmo. De vez em quando, a gente gosta de causar um estranhamento, e achamos que botar isso no começo do clipe pareceu uma maneira interessante. O povo recebe informação de maneira tão acrítica ultimamente, até mesmo no imprensa que, para você ter uma idéia, é o primeiro que me pergunta isso (risos). É uma espécie de conselho paradoxal, já que a gente não desistiu do rock, mas é também uma ironia com toda dificuldade que existe em ter uma banda, fazer as coisas por conta própria, do seu jeito, em um país que, convenhamos, não é muito fã de rock (pelo menos não do tipo que achamos interessante). Então fica como um presságio: Se você não está a fim de sofrer, desista logo do rock, porque depois vicia e não tem volta (risos).

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=YsdRvuTCsZE]

Nada Não

MTJ: Depois de toda aquela confusão que rendeu a piada sobre o Acre, você pretende parar de fazer humor com os destinos da banda?

Gustavo: (Risos). Primeiro, quero deixar bem claro que nem eu, nem ninguém da banda fizemos piada com o Acre – foi o povo da nossa comunidade, que é muito ativo e brincalhão, que começou uma piada. Como eles fazem com qualquer cidade, aliás. Por essas maravilhas da inclusão digital, a coisa tomou uma proporção bizarra, a ponto de ter metaleiros nos jurando de morte na nossa própria comunidade. Mas no fim foi tudo ótimo lá, a organização foi super gentil, o público aplaudiu e comprou um monte de coisa, fomos muito bem tratados e gostamos muito de Rio Branco. Agora, respondendo a sua pergunta, eu já evito fazer piadas desde que chamei Natal de João Pessoa sem querer, em 2006 (risos). Foi o suficiente para me jogarem uma lata de cerveja (risos).

MTJ: E, com o Acre, vocês estão cada vez mais perto de ter passado por todos os Estados do país. Quais faltam?

Gustavo: Tem Tocantins, Ceará e Pará, que têm gente interessada e de 2009 não devem passar. Daí vão ficar faltando os muitos difíceis: Espírito Santo, Maranhão, Amapá, Piauí e Roraima, que eu nem sei com quem devo falar pra tocar (se você que está lendo conhece alguém, fale pra gente!)

MTJ: Com tantos shows por aí, o saldo do Ecos deve estar positivo. Você pode contar pra gente quanto a banda está rendendo?

Gustavo: (Risos). Não posso, segredo comercial. Eu que controlo o fluxo de caixa da banda, e posso te dizer que está no azul, em grande parte por um milagre do Bom Amigo Inibié que eu não posso contar em muitos detalhes por impedimento jurídico (risos). Dá uma graninha, mas ainda não é o suficiente pra nos sustentar sem empregos paralelos. A gente gasta o que sobra com brinquedinhos novas, guitarra, samplers, pedais e coisas do gênero. E viajar pelo Brasil é muito caro, também, raramente a gente ganha nessas turnês pelo Norte e Nordeste, é mais uma luta pra empatar os gastos e divulgar o disco no processo. O bom é que viajamos o país todo de graça!

MTJ: Com certeza isso já é uma grande vantagem. Falando nisso, quais são seus empregos paralelos?

Gustavo: Eu sou jornalista, o Daniel é designer, o Felipe é publicitário/designer e o Davi trabalha com vídeos.

MTJ: E as economias para gravar mais material já começaram?

Gustavo: Ah já. Não queremos que demore tanto para gravar como o primeiro, que foi no esquema faz uns shows, gasta gravando, faz mais shows, gasta de novo… A gente fez uma reserva pra poder se internar no estúdio.

MTJ: E essa internação tem data pra acontecer?

Gustavo: Bom, a gente vai se reunir amanhã pra fechar um cronograma, mas a intenção é passar janeiro e fevereiro gravando o disco. E, se der, já fazer umas prés esse ano ainda, no estúdio-caverna do Davi.

MTJ: Por ora, vocês estão cogitando a participação de outros músicos nesse próximo trabalho?

Gustavo: Não, não temos nada em mente. Ao mesmo tempo, tem uma música que talvez precise de um coral gigante, então existe a possibilidade de chamarmos todas as pessoas que conhecemos (risos). Pode ser que role também, no primeiro disco tiveram três participações e foi muito legal, mas por incrível que pareça foi coincidência, cada uma rolou por um motivo.

MTJ: O Tom Zé, que participou, foi convidado por ser fã de vocês. E como foi com a Fernanda Takai e com o Sérgio Serra?

Gustavo: O caso da Fernanda foi que a música era um dueto, e precisávamos de uma voz feminina “tipo Fernanda Takai”. Só que a gente não conhecia ninguém disponível no perfil, então resolvemos mandar email pra ela mesmo (risos). Ela, que é absurdamente gentil, pediu pra ver a letra e topou, gravou no estúdio deles em Belo Horizonte mesmo. já o Sérgio Serra, guitarrista do Ultraje que toca em “Isso Me Cansa”, tinha visto um show nosso e participado de um tributo ao Ultraje que a gente fez com o Rock Rocket. Ele pediu pra tocar uma música nossa nesse show, e foi essa daí. Ficou tão bom que a gente resolveu gravar com ele.

MTJ: Ainda sobre esse futuro álbum, vocês já tem composições prontas, semi-prontas ou quase semi-prontas?

Gustavo: Temos em todos esses estados (risos). Eu diria que umas duas prontas, seis semi-prontas e umas trinta quase semi-prontas. Ainda temos um bom trabalho pela frente, eu diria. Mas tá ficando legal, bem mais… irreverente musicalmente, eu diria. Eu diria, eu diria…

MTJ: Ahn… Consegue definir “mais irreverente musicalmente”?

Gustavo: Droga, eu odiava quando lia esses termos vagos nas entrevistas, mas eles são tão bons pra explicar (risos). Digamos que não é mais uma coisa tão baseada em riff de guitarra como foi o primeiro disco. Tem mais experimentação com tempo, com outros instrumentos, com mudanças de andamento dentro da música. É meio clichê dizer isso, mas acho que estamos compondo coisas mais para conjunto mesmo, todo mundo junto. Antes um chegava com uma música pronta e os outros tinham que tentar arranjar seu lugar na estrutura. Além do mais, nesse nosso primeiro disco são músicas compostas para três guitarras, que tivemos que adaptar ao vivo, porque saiu um integrante durante a gravação (pra ver como foi demorada (risos). Mas é bizarro porque, ao mesmo tempo em que está ficando mais complexo, eu tenho composto coisas cada vez mais simples, até pra dar espaço pra todo mundo criar em cima também… Coisas bem cantáveis. Não estou ajudando muito com essa explicação, estou?

MTJ: Por “Coisas bem cantáveis”, entendi que o Ecos está experimentando algo de pop. Errei?

Gustavo: Não, não, acho que é certo dizer isso. Mas não quero criar falsas expectativas nas pessoas, porque sem dúvida vai acabar saindo com o “twist” Ecos Falsos, ou seja, vai sair tudo meio estranho (risos). Mas se for um estranho que as pessoas cantem junto, acho que teremos chegado ao nosso objetivo.

MTJ: É, o Descartável Longa Vida não é exatamente normal.

Gustavo: (risos). Pois é, já ouvi várias opiniões sobre isso. Pra mim ele é super pop (risos), mas acho que ainda falta essa questão do “cantabile”, como dizem os italianos. A gente se concentrou muito nas letras e nas guitarras. Apesar de que tem coisas como “Nada Não”, que me parecem super pops, sei lá… (risos). As vezes eu acho que o problema é que a gente quer que o ouvinte preste atenção nas letras, e isso não é exatamente pop. Pop é você falar uma coisa imbecil tipo “under my umbrella”, mas com uma melodia muito boa.

MTJ: (Risos). Nunca tinha pensado dessa forma…

Gustavo: É uma teoria, (risos). Enfim, é uma discussão quase técnica, mas mais no sentido de que você tem que pesar o que tem mais importância numa música, letra, melodia, ritmo… tipo Marcelo D2, tá cantando a mesma coisa praticamente desde 1994: “eu sou o D2, eu tenho o microfone, agora eu vou falar, você sabe meu nome”. Acho muito pop. Inclusive a gente pensou em fazer um rap estilo D2 no disco, mas acho que a idéia foi descartada (risos).

MTJ: Esse negócio de hip hop com indie está na moda. Poderia render…

Gustavo: (Risos). É, vamos chamar o Pharrell [Williams, do N*E*R*D] pra participar, ele participa de tudo mesmo… Vou ligar pro Rent a Rapper e pedir um daqueles gordos, “Ecos Falsos feat. Daddy Yo-Yo”, aí o cara entra e faz uma rima merda qualquer no meio. Se eu morasse nos EUA eu tinha patenteado o Rent a Rapper, ia ficar rico.

MTJ: Poderia dar certo. Passando pra próxima pergunta… O Paulo Terron, que fez um ótimo texto sobre vocês, incluiu o Ecos Falsos na “nova geração do rock autoral brasileiro”. O Vanguart, que supostamente estaria nessa tal geração, embarcou em sua primeira mini-turnê européia há uns dias. Dá pra ter uma idéia de quando chegará a vez do Ecos?

Gustavo: Você diz o texto do nosso release?

MTJ: Esse mesmo!

Gustavo: (Risos). Vou falar pra ele… Olha, eu fiquei muito contente pelo Vanguart, acho que os caras merecem mesmo, e conseguiram isso com o apoio da Prefeitura de Cuiabá e da própria produtora deles, a Barravento, que já tem um trabalho de uns anos com essas feiras de música e tal. Então é uma questão de talento + oportunidade + apoio, e eu ainda não sei dizer quando esses três fatores conjuminarão para nós (risos). Mas eu diria que, bem ao estilo Ecos Falsos, estamos planejando uma turnê internacional também. Não vou ficar cantando de galo porque pode muito bem não dar em nada, mas seria um lance totalmente insano, DIY [“do it yourself”, ou “faça você mesmo”], milhares de quilômetros de van, algo que provavelmente vai custar os empregos e a vida pessoal de todo mundo (risos). Mas se der certo, vai ser tipo fora do comum. Estilo Ecos Falsos (risos). Pensando bem, pra quem já foi do Acre a São Leopoldo [Rio Grande do Sul], uma turnê internacional não é tão insana.

MTJ: (Risos). Não muito…

Gustavo: É que a gente, por bem e por mal, tem essa coisa de fazer tudo sozinho. Somos super-controladores (risos). Então só mês passado que finalmente concordamos em ter um produtor. Até hoje fui eu quem marcou todos os shows, itinerários, turnês, entrevistas… O Daniel que fez todas as capas, o Davi que fez os clipes, e o Felipe que atraiu as garotas, mas no futuro teremos tudo isso terceirizado. Acho que até a música, vamos ser como o Bloc Party.

MTJ: Cara, terminamos por aqui. Alguma coisa que você jamais teve a oportunidade de falar mas que adoraria comentar?

Gustavo: Deixe-me ver… Bom, vamos lançar um novo clipe dia 7 de novembro, com um show no Outs, com o Rockz. E começamos a colocar teasers no YouTube, é o clipe de Bolero Matador, que envolve dança, multimídia, traição e cenas chocantes de liberação sexual. Que mais… Gostaria de deixar registrado que estou muito feliz de dar entrevista para o MTJ, porque em geral os indies não levam a gente a sério por causa desse papo de boyband (risos). A gente é super sério, super indie, eu ouvia Vampire Weekend na demo.

MTJ: (Risos). Conquistaram os indies agora.

Gustavo: Torçamos. Eu acho que esse disco ainda merece ser ouvido por muita gente. Mas enfim, o Sílvio Santos também acha que todo mundo deveria assistir à novela da filha dele. Podemos estar os dois completamente errados.

Por Alex Correa

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Sep 23 2008

Entrevista: Final Fantasy

Não, não entrevistei um jogo de videogame. Este Final Fantasy é um projeto do músico Owen Pallet. Talvez pouquíssima gente aqui saiba quem o cara é, então vou falar um pouco sobre seus trabalhos para entenderem melhor. Ele simplesmente compôs os arranjos de cordas para os discos de Arcade Fire e Beirut e regeu a orquestra que tocou no disco de estréia do The Last Shadow Puppets. Pouca coisa, não?

Owen também é caridoso, visto que doou todos os lucros de sua música ‘Adventure.exe’ para a ONG ‘Médecins Sans Frontiéres’, além de repassar o dinheiro ganho com o ‘Polaris Music Prize’, um dos principais prêmios do Canadá, à bandas que ele gosta e que possuem necessidades financeiras. Porém ele não gosta de falar sobre estes assuntos. Na entrevista, feita por e-mail, Pallett se esquivou de perguntas sobre eles, com respostas irônicas, falando sobre outras coisas.

Na última quinta-feira (18), ele se apresentou juntamente com a francesa Colleen no SESC Santana (SP), onde conversamos um pouco e fiquei sabendo o porquê de algumas respostas sem concordância com a pergunta. Owen não quer utilizar suas doações, seus trabalhos com bandas famosas e o fato de ser homossexual como marketing pessoal. Para ele, o que importa é sua música e o modo como ela é produzida e tocada.

E o modo como ela é tocada é um tanto peculiar. Ele se apresenta com alguns pedais, nos quais são gravados samples do que está tocando. Assim ele pode tocar por cima de um trecho que acabou de gravar, o que dá a impressão de que há vários violinos, enquanto é somente Pallet que está lá. Na apresentação em São Paulo, ele foi simpático, chamando todos para assistir de cima do palco. Isso mesmo, grande parte da platéia se sentou aos seus pés e o viu tocar como quem participava de um luau entre amigos.

Sem mais delongas, vamos à entrevista. Para baixar os dois àlbuns e os EPs do Final Fantasy, é só ir até a comunidade de downloads.

Suas músicas fazem uma mistura do clássico com alguns outros estilos musicais. Quais são suas influências em cada gênero?

Eu realmente não sei responder essa pergunta. Meu violino significa que faço música clássica. Meu computador significa que faço música eletrônica. Meus amplificadores de guitarra significam que faço rock. Eu não sei. Acho que não faço coisa alguma.

Certa vez você disse que sua sexualidade influencia na sua música. De que modo?

Considere que todas as canções falam sobre o maravilhoso tema de “Smash the State” (“quebrar” o Estado). “Smash The State” pelo [grupo] Naked Agression, que faz uma proclamação pública de ódio. “Smash The Stata” pelo D.O.A., que pede especificamente para o ouvinte matar alguns políticos e lista as coisas pelas quais “o estuprador fascista” é responsável… Tanques, forcas… É um hino convincente, cômico e anarquista. Ou “The State Was Bad”, do US Maple, na qual o cantor Al Johnson fala muito especificamente sobre um “estado quebrado”, onde ele olhava para as luzes e todas as mulheres estavam casadas e todos os homens se pareciam com o pai dele. Para mim, essas três músicas formam um tripé da quebra do Estado. A primeira é uma fúria com uma ambigüidade desconhecida. A segunda é um convite para agir. A terceira é um marco pós-morte para um governo que já foi quebrado. Três canções sobre a quebra do Estado, mas com motivações políticas e resultados muito diferentes.

A música do Naked Agression é sobre a quebra do Estado, mas a fúria juvenil sugere uma convicção temporária do cantor. Eu acho que eles venderam alguns discos e ele acabou comprando uma casa, aí parou de pensar em quebrar o Estado.

A música do D.O.A. é sobre matar políticos, o que é uma coisa bem interessante de se escrever. Eles pareciam estar reagindo à Guerra das Ilhas Malvinas ou algo assim, não sei. Bem, a ironia de músicas politicas que tratam de coisas específicas é que Reagan está morto, Trudeau está morto, Thatcher está fora (mas seu espectro continua aqui)…mesmo assim a canção exibe sua cabeça em defesa. Nenhum estado foi massacrado, sabe. Essas pessoas não foram para a guilhotina…de fato, ambos Trudeau e Reagan viraram nomes de aeroportos. D.O.A. pode não ter seguido o seu lema “Palavras sem ações = nada”, mas tudo bem. Eles ainda se esforçam para serem anarquistas.

Assim como para US Maple, a melhor banda de todos os tempos, sua versão de “The State Is Bad” é maravilhosa. Veja bem, esta é uma verdadeira música anarquista. Eles pegaram a idéia ambígua de “Estado” e aplicaram no processo de crescimento como um adolescente. Pode ser, talvez? Essa música aponta que qualquer desejo de “esmagar o Estado” é sem sentido, que qualquer um pode muito bem existir fora dele. Essa é a beleza da anarquia.

O que eu realmente estou querendo dizer é: eu posso não cantar sobre pênis, mas minhas músicas soarão como pênis, entendeu?

O que seus trabalhos com Arcade Fire, Beirut e The Last Shadow Puppets acrescentaram ao Final Fantasy e à sua vida pessoal?

Falando do “Estado”, eu não acredito que você brasileiros votam por mensagens de texto! O que acontece com as pessoas que não têm celular? É muito estranho e pós-moderno, amei. Vou votar em alguém antes de ir embora.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=1p03f747fug]

Owen Pallett em São Paulo. Sim, estávamos sentados no palco.

Você nomeou seu projeto como Final Fantasy por ser um fã do game?

Eu não jogo Final Fantasy desde os meus 17 anos, mas eu me lembro que era longo e não fazia sentido algum.

A caridade é algo presente em sua carreira, e isto não se vê muito entre artistas pouco conhecidos. Por que este desejo de estar sempre ajudando quem precisa?

Eu não sei sobre o que você está falando. Eu gosto de música, então eu dou dinheiro aos músicos que eu gosto para que eles possam gravar discos. Eu não estou ajudando os necessitados.

Ainda no assunto dinheiro, qual a sua opinião sobre a guerra das gravadoras contra os downloads? Você é a favor da liberdade de compartilhar música pela Internet ou acha que cada um deve pagar pelo que quer ouvir?

Ah, é a mesma diferença entre ver um filme no cinema e ver em DVD. Eu gosto de CDs, eu gosto da capa e da parte de botá-lo no CD Player e tudo mais. Está bem se você quer pegar meu disco no iTunes, mas tenho certeza que você vai gostar muito mais se comprá-lo na loja de discos. Eu sou completamente a favor do download gratuito, da mesma forma que acho que as pessoas deveriam poder pagar por sexo. Mas será sexo, não será amor.

Existe algum músico ou compositor brasileiro que já tenha te influenciado?

Com certeza, dois dos meus álbuns preferidos são brasileiros. Recital Na Noite Barroco, da Maria Bethânia, e (estou com vergonha de admitir) Voz e Violão, do João Gilberto.

Seu terceiro álbum foi prometido para o meio deste ano e ainda não foi lançado. Quando sai?

Nunca. Decidi que não vou lançá-lo. Vou guardá-lo pra mim.

O que você conhece do trabalho da Colleen? Já tocou com ela antes?

Eu já toquei com ela duas vezes. Ela não faz nada no palco. Ela senta e as vezes toca uma pequena caixa de música ou alguns sinos. Então ela toca sua Viola de Gamba um pouco. Aí ela senta e faz silêncio por mais um tempo. É completamente hipnotizante, você não pode perder.

Autor: Marçal Righi

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Sep 17 2008

Entrevista: The Long Winters

Por Neto

O entrevistado da semana é o carismático John Roderick, um recém-chegado quarentão e formador do grupo americano The Long Winters. Conheci a música de Roderick por volta de 2006, quando virei um fanático por The O.C. e, junto com a coletânea de Natal do seriado, veio a ótima Christmas With You Is The Beast. Entretanto, fui conhecer a maior parte do trabalho do grupo apenas em 2008, dois anos depois, quando fui apresentado ao Putting The Days To Bed, de 2006. Não me decepcionei, e logo estava buscando mais e mais músicas. Havia entrado em um círculo vicioso.

Além do Putting The Days To Bed, a banda lançou mais três trabalhos: The Worst You Can Do Is Harm (2002), When I Pretend To Fall (2003) e Ultimatum EP (2005). Passando por conturbadas mudanças em seu line-up oficial, o The Long Winters chegou a contar com a participação de Chris Walla, Michael Schorr e Sean Nelson em seu estágio inicial. Numa relação extremamente amigável com outras bandas americanas, o LW também já teve participações de Blake Wescott (Pedro The Lion), Ken Stringfellow, Scott McCaughey, Peter Buck (sendo esses últimos formadores e colaboradores do R.E.M.) e Jon Auer (The Poesis).

Com tantas misturas, influências e diferentes essências, o The Long Winters faz um som que, para Roderick, é único. Se você ainda não teve a oportunidade de conhecer os longos invernos, visite o MySpace. Não há duvidas de que eles merecem ao menos um pouco da sua atenção.

MTJ: Como foi trabalhar com Chris Walla (Death Cab For Cutie), Michael Schorr (ex-Death Cab) e Sean Nelson (Harvey Danger) no primeiro estágio de sua carreira?

JR: Bem, trabalhar e tocar com esses caras foi um grande aprendizado e uma ótima experiência para mim, e realmente me ajudou a formar a música que faço a mais de 10 anos, mas esse não foi o primeiro estágio da minha carreira. Quando conheci Chris Walla ele tinha apenas 23 anos, mas eu já tinha 29. Quando isso aconteceu, eu já estava tocando há anos e já havia visto muitas bandas irem e virem durante a época Grunge. Muitos músicos desistem de fazer música quando eles fazem 30 anos, porque acham que essa é a hora de começar a encarar a vida a sério e começar a trabalhar na Microsoft. Eu me relacionei bem com essas jovens bandas, como o Death Cab e o Harvey Danger, e eles me inspiraram a continuar tocando.

MTJ: O que você está planejando para o seu aniversário? (A entrevista foi feita antes do aniversário de 40 anos de John, que aconteceu no dia 13 de setembro).

JR: Eu provavelmente estarei no estúdio, gravando. Estávamos rindo por isos um dia desses, porque no meu 30º aniversário o Death Cab For Cutie fez um show particular no meu apartamento, em Seattle. Esses foram outros tempos… Eles se ofereceram para tocar no meu aniversário de 40 anos também, mas agora isso seria uma cena meio estranha. Eu geralmente faço comemorações quietas, e nesse ano eu me manterei minimalista. Mas eu tenho uma tradição que me faz viajar sempre quando comemoro uma idade que termine com 1. Quando fiz 21 eu fui para Marrocos, aos 31 fui a Bulgária, então quando eu fizer 41 devo estar em algum lugar novo e empolgante. Talvez Brasil!

MTJ: As pessoas dizem que, quando chegam aos 40, começam a pensar em trabalhar menos e passar mais tempo com a família. Você já começou a pensar nisso?

JR: Eu comprei uma pequena casa de campo no ano passado e eu gosto muito de ter meu próprio canto, mas acho que comecei de trás para frente. Se deve achar uma garota e fazer um bebê, AÍ se compra uma pequena casa de campo. Eu realmente tenho pensado mais no futuro nesses dias, mas acho que aos 40 se é muito cedo para pensar numa aposentadoria. Eu gostaria de ter filhos e construir uma família, e é difícil fazer isso quando se está em turnê o tempo todo. Os próximos anos serão interessantes de se acompanhar, porque minha vida pode tomar vários rumos diferentes. Me deseje sorte!

MTJ: A essência do Long Winters mudou com tantas alterações na formação do grupo?

JR: Como eu estive em muitas bandas antes de formar o Long Winters, eu trouxe minha experiência para essa banda. É difícil manter um grupo reunido, realmente é. Muitos músicos têm vidas complicadas. The Long Winters começou como um projeto para diversão, só comigo, Walla e Nelson, mas quando viramos uma banda de trabalho eu a estruturei para que as pessoas pudessem ir e vir. Sean Nelson saiu e voltou da banda muitas vezes durante todos esses anos por causa de acontecimentos em sua vida pessoal. Eu não queria que a banda começasse um hiato todas as vezes que um dos membros decidisse sair para estudar ballet ou algo assim. Então, originalmente, jamais houve uma essência da banda como um todo, apenas a minha.

Durante esses anos a banda evoluiu no que é agora, uma banda apropriadamente formada por quatro caras que se identificam com a banda e são comprometidos com a mesma. Isso começou com Eric Corson, que já está comigo desde 2001, e aí apareceram Nabil Ayers e Jonathan Rothman para completar a figura.

MTJ: Agora vocês estão gravando seu quarto álbum. Você pode nos contar algo sobre esse trabalho? Como está soando, quando deve ser lançado…

JR: Estamos desenvolvendo esse disco de uma forma bem diferente. Eu escrevi vários pedaços de músicas e só começamos a juntá-los no estúdio de gravação. Estamos no meio das gravações agora e eu ainda não botei letras nas canções ou gravei vocais. Estamos focando na música em si sem se preocupar com as palavras. É bem diferente pra nós, e eu ainda não tenho idéia se isso vai ou não funcionar, mas é algo bem excitante. Um projeto que tem que ser feito devagar e com cuidado.

MTJ: Vocês cometeram algum erro no último disco que estão tentando reparar ou evitar nesse próximo?

JR: Todos os discos que eu fiz me levaram a diversas mensagens de conhecimento sobre o que eu estou fazendo de errado ou o que eu não consigo entender. O primeiro disco me ensinou a dar importância ao tempo, o segundo me ensinou a manter as coisas simplificadas, e o Ultimatum EP me ensinou a administrar um projeto. Nosso último disco foi o resultado da preocupação com o tempo, da idéia de manter as coisas simples e de uma boa administração de um projeto. O que pude aprender com isso é que não se pode planejar tudo. Esse novo disco está completamente fora da linha.

MTJ: O MySpace de vocês diz: “The Long Winters é a melhor banda de indie rock das Américas”. Onde forão parar seus colegas do Death Cab, do Nada Surf e do The Decemberists?

JR: Esses caras são muito metaleiros para serem considerados “indie rock”. *piscadinha de olho*

MTJ: Existe alguma banda menos metaleira que você gostaria de nos recomendar?

JR: O novo CD do Sea Navy está ficando excelente, mas ainda não foi mixado.

MTJ: Você já pensou em mudar para uma gravadora maior? Quero dizer, deve ser muito bom gozar da liberdade que a Barsuk lhes dá, mas também imagino que seja ótimo tirar proveito da popularidade que um selo mais famoso pode dar a você.

JR: A verdade é que o cemitério de bandas está cheio de bandas que mudaram para um selo maior por esse motivo. As maiores [gravadoras] trabalham promovendo dez bandas diferentes esperando que uma tenha sucesso, e essa que consegue o sucesso quase nunca é aquela que eu ou você torcemos. As outras nove bandas são jogadas na pilha de lixo. Devo dizer que uma parte de ser artista ou de viver da arte envolve aprender a controlar suas expectativas. Eu gostaria que as pessoas ouvissem mais o Long Winters por pensar que oferecemos algo único, mas a Barsuk não tem o poder financeiro para nos botar em capas de revistas ou em caixas de cereal, especialmente no Brasil. Uma solução seria pegar minha banda e sair a procura de alguém para nos fazer famosos, mas uma outra coisa que se deve aprender é admirar o quão bem você está sendo tratado, o quão sortudo você é, o quão devotados seus fãs são, e o quão gratificante é ter parceiros de negócios que gostam do que você faz. Verdadeiros fãs de música descobrem boa música, e você é um exemplo perfeito disso. Nossos fãs brasileiros tiveram que descobrir nossa música sozinhos, e de certa forma isso significa que eles nos apreciam mais.

MTJ: Você gostaria de dizer algo aos seus fãs brasileiros?

JR: Para falar a verdade, eu adoraria dizer algo PESSOALMENTE aos meus fãs brasileiros, então precisamos arrumar um jeito de ir ao Brasil para tocar. Eu sei que os fãs de música do Brasil são uns dos mais dedicados amantes de boa música do mundo, e eu fico feliz ao saber que alguns já ouviram Long Winters e apreciam o que fazemos. Eu já fui a América do Sul caçar uma garota pelo Chile, Argentina e Uruguai, mas eu nunca fui ao Brasil. Todos os músicos que eu conheço que já visitaram o país, como os meus amigos do Keane ou Duff McKagan (Guns N’ Roses / Velvet Revolver) ou os caras do R.E.M., falam que o Brasil é o melhor. Pelo menos eu já fui à Portugal uma vez, e eu amei. Muito Obrigado! (essa última frase foi dita em português, juro).

Autor: Alex Correa

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Sep 10 2008

Entrevista: The Hives

Nesta última quinta-feira (04), os suecos do The Hives concederam uma entrevista coletiva na Fnac Paulista, em que estiveram presentes jornalistas de diversos grandes veículos da imprensa, e o Move também marcou presença. Simpaticíssimos, eles responderam a todas as perguntas de modo bem descontraído, mostrando que mesmo sendo celebridades, eles são humildes. Após a coletiva, ainda rolou uma sessão de autógrafos com os fãs, que compareceram em peso levando desde CDs da banda até guitarras para serem autografadas. Confira como foi a entrevista, e fique sabendo um pouco mais sobre esses suecos, que sabem fazer um show como poucas bandas.

O que vocês conhecem do Brasil e das bandas brasileiras?

Pelle: Sepultura é banda que mais gostamos do Brasil, é uma banda tradicional, inclusive os vimos na televisão hoje. Acho que a única que gostamos é o Sepultura mesmo. Tem também o Bonde do Rolê e o CSS. Eles são brasileiros né? É, são essas as três bandas brasileiras mesmo que eu gosto, ou melhor, que eu conheço.

O que vocês, que já tem uma carreira longa, acham das bandas que fazem sucesso muito rápido pela Internet, através do MySpace?

Nicholaus: Eu acho isso bom, porque quando éramos jovens e queríamos achar mais algumas coisas sobre alguma banda nova, tínhamos que sair pesquisando coisas sobre eles, procurar discos em várias lojas. Hoje isto é muito mais fácil, é só entrar na Internet e baixar as músicas, é muito bom principalmente para as bandas novas. Hoje em dia uma banda pode fazer uma turnê inteira sem ter disco lançado, antigamente isso era impossível.

Pelle: Porém as bandas que conseguem muito sucesso rapidamente, tendem a cair no esquecimento mais rápido também.

Nicholaus: Eu acho que seria ótimo se as bandas ruins saíssem do MySpace, porque elas estão ocupando espaço, escondendo as bandas boas.

Três dias atrás, a música nova de vocês estava na trilha sonora na estréia da série Beverly Hills 90210. Logo depois que a série foi exibida, você já podia entrar no site da série e tinha lá o nome da banda, o nome do disco, o nome da música e você podia comprar direto. Queria saber o quanto esse tipo de marketing depende de vocês e o quanto vocês ligam pra esse tipo de associação da banda com alguns produtos.

Pelle: Obviamente nós sabíamos da música na trilha sonora. O nosso último disco, o Black and White Album, foi muito caro. A produção dele foi muito cara, tivemos de trocar os produtores e tal. E resolvemos que iríamos botar a nossa música no maior número possível de meios. Onde nós pudéssemos colocar a música do Hives, a gente colocaria. E pra esse álbum aceitamos coisas que não tínhamos aceitado antes, como trilha sonora de seriados, filmes e etc. Sempre diziamos ‘não, não, não, não’, mas decidimos mudar dessa vez. Temos controle completo sobre a nossa música, pra onde ela vai.

Nicholaus: Da mesma maneira, antigamente aceitávamos tocar em qualquer lugar. Qualquer convite que era feito, íamos lá e tocávamos. O problema foi que entramos em muita roubada, tocamos em muitos lugares ruins. Mas também foi bom, porque pudemos desenvolver a banda ao vivo e hoje nos consideramos uma banda muito boa ao vivo.

Pelle: A nossa idéia era a de que iríamos pra lugares novos dessa vez. Se alguém quiser ouvir a nossa música, a gente vai tocar a nossa música onde for possível, pra que o maior número de pessoas ouça. Isso que é rock ‘n roll.

Suas referências para se vestir são da década 40, 50, 60. Dentro da banda quais são as referências para se vestir, por que vocês se vestem todos iguais, se têm algum consultor de moda ou se vocês mesmos que idealizam todo o visual da banda.

Pelle: Quando começamos a ouvir rock como fãs mesmo, íamos em shows e víamos bandas vestidas como eles andavam na rua, e a gente não achava isso divertido. A gente acha muito preguiçoso as bandas se vestirem dessa maneira. E achávamos desde o início que, quando a gente formasse uma banda, era importante ter um visual único, criar um visual diferente para a banda. Até pra escapar da pobreza da nossa vida – nós não tínhamos muito dinheiro. A gente achou que era legal nos vestirmos bem e em cima do palco, porque é a hora que o pessoal pagou o ingresso, pagou o show e que a gente precisa mostrar algo realmente diferente do que o cara já vê na rua normalmente.

Quando subimos no palco, queremos parecer como se fôssemos de outro planeta, uma banda que surgiu de um lugar que ninguém sabe direito da onde é. É por isso que criamos essas roupas. Não fazemos uma pesquisa. Só nos reunimos e cada um fala mais ou menos do que gosta. E não temos um estilista próprio, fazemos com os próprios estilistas suecos. Damos uma idéia de como queremos nos vestir na próxima temporada, no próximo disco e ai temos as roupas feitas sob encomenda pra nós.

Chris: Sobre o porquê do branco e do preto, quando começamos a enriquecer em 97, usávamos uma roupa preta e branca exatamente porque queríamos nos destacar das outras bandas. Porque na Suécia todo mundo vestia a mesma roupa das ruas e achávamos que era muito importante a banda ter um visual próprio.

Pelle: As bandas que a gente gosta são todas velhas e só víamos em fotos preto e branco. Talvez seja por causa disso.

Na época em que estouraram, no início dos anos 2000, vocês foram chamados de “salvação do rock”. Como vocês encararam essa classificação?

Pelle: Na verdade nós nos decepcionamos. Nós achávamos que éramos muito mais importantes do que isso.

Qual a opinião de vocês sobre bandas como Strokes, White Stripes e Interpol, que também já foram chamadas da salvações do rock?

Pelle: Gostamos muito de bandas como Strokes e White Stripes, já tocamos muitas vezes com eles, nos identificamos muito com o som, achamos essas bandas muito boas.

O que vocês conhecem das outras bandas que irão tocar no festival?

Pelle: Nós nos conhecemos, estamos todos no mesmo hotel. Os Melvins já conhecíamos pois o nosso produtor, Pelle Gunnerfeldt, que já os produziu no ínico da carreira deles, sempre nos fala bem da banda. As Plasticines conhecemos por elas já terem aberto alguns shows nossos. O Vanguart nós não conhecemos, mas só por tocar no mesmo festival que nós, já têm nossa aprovação.

Aqui no Brasil vocês são mais conhecidos pelo público que curte música mais alternativa. E na Suécia, vocês são tratados como celebridades?

Pelle: Na Suécia, se você faz sucesso fora do país, você automaticamente vira uma celebridade dentro dele, e somos bem famosos, assim como outras bandas de lá que também fazem sucesso internacional. Nós não éramos conhecidos na Suécia até fazermos sucesso fora. E agora somos conhecidos por todos os tipos do pessoas, digo, não apenas os fãs de rock. Nós gostamos bastante de tocar por lá, inclusive acabamos de tocar no 125º aniversário do parque de diversões mais antigo da Suécia, e tocamos para um público bem eclético, desde crianças de 5 anos até velhinhas de 70, incluindo nossa avó de 78 anos que foi nos assistir.

Vocês disseram que eram pobres antes de começar a banda. Como é ser pobre na Suécia?

Pelle: Bem, o pobre da Suécia não é realmente pobre. Não é que nem ser pobre no Brasil. Nós podíamos comprar instrumentos, mas não podíamos comprar ternos.

Como vocês foram descobertos para chegar à fama?

Pelle: Nós ensaiávamos ao lado do prédio da gravadora que acabou nos contratando, então eles sempre nos ouviam e sabiam que nós existíamos. Como nós tocávamos bastante pela Suécia, acabamos sendo contratados. Mas eles criaram um sub-selo, caso o nosso disco fosse ruim e pouco vendido, não mancharia o nome da gravadora. Mas tudo correu bem, e agora estamos aqui.

Autor: Marçal Righi

Ajuda na transcrição: Carol Jojo e Bia Corazza

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Sep 06 2008

Entrevista: Copacabana Club

Os meus leitores mais antigos já conheceram o Copacabana Club em junho, quando fiz um artigo sobre eles aqui no Move That Jukebox. Desde então, a banda curitibana não para de fazer shows, ganhar fãs e ficar cada fez mais íntima do sucesso.

Com menos de um ano de formação, o Copa fez seu primeiro show fora do Estado na semana passada, no Rio de Janeiro. O público adorou, e a banda não fez por menos.

Bang Bang

Por MSN, conversei com as meninas de Copacabana: Claudinha (baterista) e Cami (vocalista e semi-tecladista), que falaram por Alec, Luli e Tile sobre passado, presente e futuro . O resultado quilométrico dessa divertida conversa você confere abaixo e, insisto, caso ainda não conheça o Copacabana Club, corra no MySpace e escute as primeiras gravações da banda, lançadas em formato digital e físico pelo EP King of The Night.

MTJ: Pra começar, queria saber quantos anos vocês tem…

Claudinha: Eu tenho 27.

Cami: E eu tenho 25. Os meninos estão na faixa dos 30. Não sei certinho a idade cada um.

MTJ: Alguns de vocês são casados, não?

Cami: Eu sou casada!

Claudinha: Eu sou solteira. Alec e Luli também. O Tile tem namorada.

Cami: Os três meninos já tinham uma banda antes, o ESS. A Claudinha tinha uma outra banda com o Luciano, o Autobahn. Eu era a única que nunca tinha tido banda. Não sabia tocar nada, nenhum instrumento, nem sabia cantar. Meio que me convidei pra entrar na banda…. Quando o Luli, Alec e Claudinha conversavam sobre começar a ensaiar e fazer outra banda foi bem assim: “Poxa, nunca tive uma banda, sempre quis ter uma” – e eles disseram: “Beleza, vem ai!”. O Tile entrou uns meses depois, porque o Alec e Luli ficavam revezando o baixo, e estávamos sentindo falta de alguém que tocasse bem o baixo. No primeiro email de divulgação, não sabíamos mesmo o que colocar, porque eu só tocava instrumentos fáceis.

Claudinha: É verdade. A gente não sabia muito bem o que a Cami ia fazer… Provavelmente cantar. Tivemos a idéia de que ela poderia tocar “instrumentos de percussão portáteis” (cowbell [sino de vaca], meia lua [um tipo de pandeiro]…). Só que como a gente não tinha nada disso eu peguei um teclado muuuuuuuito antigo que tava jogado lá em casa só pra ela usar o som dos instrumentos de percussão, mas ela se empolgou e resolveu tocar teclado também.

Cami: Duas notas no teclado, cowbell, e meia lua. até hoje eu só sei duas notas. Mas eu finjo bem, no show do Rio um menino pediu pra conhecer a tecladista! O Alec [também] toca teclado.. Queremos, a partir de agora, inserir mais teclado nas músicas. Essa semana vai chegar um sintetizador que compramos, então poderemos trazer alguns elementos que tem na gravação para o show ao vivo. Vai ser demais!

MTJ: Esse sintetizador foi comprado com as economias pessoais de vocês ou com o dinheiro que a banda está rendendo?

Cami: Cada um ajuda como pode, claro. Ainda estamos usando o dinheiro de shows pra gravar, imprimir CDs, pagar nossa viagem pro Rio, essas coisas. Aliás, lançamos o EP físico ai no Rio. Quem quiser comprar, está a venda. A Claudinha já tinha a própria bateria. Os meninos tinham as guitarras e os baixos. Eu era a única que não tinha nada, afinal, como disse, nunca toquei nada. Comprei meu próprio microfone, para os shows, e agora comprei o sintetizador, mas tudo pelo bem da banda!

Claudinha: O Luli comprou um amplificador de guitarra recentemente, o Alec tem guitarra, o Tile baixo, eu dei um upgrade nos pratos da bateria dois meses atrás. Agora vem o mesmo bla bla bla de sempre: Não é fácil ser musico independente no Brasil – nem em nenhum lugar do mundo (risos).

MTJ: Saindo do assunto, por que uma banda curitibana recebeu o nome de um bairro carioca?

Cami: A história do nome começou com uma votação (!). Ficamos meses ensaiando sem pensar num nome para a banda. Combinamos por email uma lista gigante com nomes horrendos, mas depois de um tempão ficamos de saco cheio da lista sem fim. Durante um ensaio ficamos conversando sobre o nome, e eu achava que por causa das coisas que a gente gostava e pela nossa origem (Brasil, não Sul), o nome devia ter um aspecto tropical. Algo que qualquer pessoa no mundo identificasse que somos do Brasil. Aí comecei a soltar palavras tropicais: abacaxi, Ipanema, havaianas, Copacabana, banana. Quando falei Copacabana, pensei em Copacabana Boys. Ninguém gostou do “boys”, todo mundo achou um nome meio pedófilo (risos), mas gostaram da primeira palavra. Daí o Tile soltou “Copacabana Club”, todo mundo gostou na mesma hora. Foi o único nome que foi unânime.

“Já pensou? O nome poderia ter sido Clube do Abacaxi…”, brincou Claudinha.

MTJ: Ah, e o que aconteceu com o show que vocês fariam em São Paulo nessa vinda ao Sudeste?

Cami: Quando marcamos o Rio de Janeiro, pensamos em marcar em São Paulo porque já era metade do caminho, mas as baladas em SP têm que ser marcadas com muuuuita antecedência.

Claudinha: E a gravação do Poploaded já estava confirmada, então, como estaríamos em SP sexta de manhã, queríamos agendar um show quinta ou sexta.

Cami: o Lúcio Ribeiro, que é nosso amigo, tentou marcar no Vegas [Clube, boate paulista] na noite que ele toca, mas ele ia viajar e já tinha outra festa marcada no Vegas, então não rolou. Mas ele marcou a gente no programa dele, o Poploaded! Então fomos pra SP gravar no estúdio do IG, quatro músicas – que vão ao ar (em vídeo) no mês que vem, quando ele voltar. dessas quatro uma é inédita no MySpace!

Cami: A gente já tinha tentado filmar um show, mas é díficil. Em show normalmente tem pouca luz, ou muuuuita luz, fumaça, captação de áudio ruim. Vai ser nossa primeira boa imagem em vídeo.

Claudinha: Pois é, o que é bacana num show ao vivo as vezes fica muito confuso e poluído em vídeo. A captação de som também é sempre complicada, ainda mais em bares com todo mundo gritando junto.

MTJ: Falando em gritaria, uma vez a Cami me contou que, pelo menos aí em Curitiba, as pessoas que vão ao show já têm as letras das músicas na ponta da língua. Então vocês já estão caminhando pro trono de sensação indie nacional, não?

Claudinha: (Risos). Difícil dizer.

Cami: Nossa, tomara (risos)! Também não sei…

Claudinha: O que eu sei é que, aqui em Curitiba, temos visto um grupo que sempre está nos shows. Começamos a perceber que o pessoal tem cantado em coro, pra nossa surpresa e alegria.

Cami: É muito bom e ao mesmo tempo estranho que as pessoas saibam as músicas. Quando começamos, não esperávamos que as coisas ficassem assim.

Claudinha: Como a gente tem tocado bastante, os shows estão cada vez mais animados – por isso estávamos ansiosos pra ver a reação no show do Rio. Eu não sei dizer se as pessoas conheciam ou não a gente através do MySpace, mas eu sei que o público estava super animado e várias pessoas faziam coro com a Cami. Isso foi bem bacana, ver que os shows com um público novo podem ser tão animados quanto (senão ainda mais animados) do que com o público de Curitiba, que assiste o Copacabana ao vivo com mais frequência.

MTJ: Então o show fora foi parecido com os de Curitiba?

Cami: É verdade. Eu sou bem realista em relação a banda, então minhas expectativas são sempre mais baixas. Eu achei que o show ia ser menos animado, normal, e foi muito legal. Ou seja, sim e não (risos). Em Curitiba temos um público legal e fiel, são sempre as mesmas carinhas, o que nos deixa confiantes – é fácil!

Claudinha: Eu acho que tocar pra um público novo sempre deixa você mais apreensivo… em Curitiba a gente tem a impressão que pelo menos aquele grupo de pessoas que sempre vai aos shows vai segurar a onda de qualquer jeito.

Cami: E ir pro rio, ver gente estranha, que pode gostar ou não, faz com que a gente tente se superar pra cativar esse público!

Claudinha: A gente não tinha a menor idéia do que esperar, mas acho que depois da ótima recepção vamos estar ainda mais seguros nos próximos shows fora de Curitiba.

MTJ: O setlist de vocês tem quantas músicas?

Cami: Agora, finalmente, dez! Temos algumas pra terminar.

MTJ: Mais perto de gravar um disco completo então?

Cami: não tem como, infelizmente.

MTJ: Por quê?

Cami: as horas de estudio são caras. Temos que fazer de pouco a pouco, em breve gravaremos mais três!

Claudinha: Mas um dia o disco completo chega…

MTJ: Pode entrar para a lista “promessas para 2009″.

Claudinha: (Risos). Quem sabe, quem sabe… Olha, pelo menos mais uma música inédita podemos garantir!

Na entrevista, Cami criou o MPB – “Movimento pro-blog”. Continue lendo e entenda o porquê.

MTJ: Muitos dos fãs que vocês ganharam chegaram ao Copacabana por meio de blogs de música. O que vocês acham da idéia de serem promovidos por um grupo que é majoritariamente formado por pseudo-jornalistas?

Claudinha: Eu acho genial. Boa parte das bandas que eu descobri nos últimos anos foi através de blogs. Acho que é um dos meios de divulgação mais significativos, seja para bandas do Brasil ou de fora.

Cami: Bom, eu tenho um programa de rádio aqui em Curitiba. Se não fossem os blogs eu estava morta.

Claudinha: não temos muitas revistas de música no Brasil. a Bizz foi pro pau, a Rolling Stone tem feito um trabalho ok nos últimos tempos, mas é pouco. Sem os blogs as bandas novas estariam no escuro e o pessoal que se interessa por música completamente perdido.

Cami: É até estranho, porque as vezes acho que uma banda está ficando grande, de tanto ver em blogs, e de repente você começa a ler notícias em mídias mais expressivas, aí você tem certeza: Os blogs meio que prevêem o que vai dar certo.

Claudinha: Outra coisa bacana é que o fato de ser “pseudo-jornalismo”. Isso dá liberdade pra você falar o que realmente acha da banda (e os comentários do pessoal que lê pra concordar ou discordar de você). Geralmente quem escreve nos blogs pode dar sua opinião real e não fica medindo palavras, ou simplesmente ignorar a existência de uma banda que não gosta. Por isso é tão bacana ver o Copacabana sendo citado (geralmente com ótimas críticas) em tantos blogs.

MTJ: O Copa realmente está tendo um ótimo destaque em blogs…

Cami:Nós agradecemos!

Claudinha: pois é, e afinal, não são só os jornalistas que entendem de música, certo? É bacana ter esse espaço para o pessoal que se interessa por bandas discutir, independente de ser jornalista ou não, ou de colocar todos os acentos no lugar certo (risos).

MTJ: E, gente, como andam as vendas do formato físico do EP e das camisetas?

Claudinha: Ainda está muito no começo. Nosso primeiro dia de vendas foi sábado no Rio. Aos poucos algumas pessoas que viram o show e não nos procuraram na hora têm mandado emails ou scraps pedindo informações e vendo o custo do SEDEX. Acho que teremos uma idéia melhor depois da festa de lançamento do EP aqui em Curitiba, no domingo, e no dia 13 de setembro em Floripa. Mas acho que a venda de CDs, de um modo geral, diminuiu bastante. Eu pessoalmente não tenho grandes expectativas de venda. Mas tem pessoas que gostam de fazer o download, tem pessoas que gostam de ter o CD pela capa, tem pessoas que tem preguiça de internet. Nossa idéia é conseguir atingir todo mundo, por isso acho importante o EP físico.

Cami: Gente, vou dar um intervalo… maridinho fez macarrão bolonhesa, já volto!

MTJ: Muito se fala sobre a ligação de vocês com o bar James, onde rola “uma das melhores baladas de Curitiba”, segundo muita gente. Afinal, qual é a real relação Copa-James?

Claudinha: O Luli é dono do James. Nós nos conhecemos há dez anos atrás, quando ele ainda trabalhava no balcão do bar e eu era “cliente-frequente”. Sempre falamos de música, e eu virei DJ do bar. Toco lá já fazem 5 anos, e o DJ que tocava comigo (Alexandre) um dia apareceu com uma namorada nova e ficamos amigas, era a Camila. Na época eu tinha uma banda cover do White Stripes (o nome da banda era white strippers [risos]) e o luli tocava no ESS.

MTJ: Eu nunca perguntei das influências de vocês. Conte.

Claudinha: Olha, cada um que você perguntar vai te falar uma coisa completamente diferente e discordar dos outros quatro (risos). Então, acho que antes de tudo, é legal lembrar que o Copacabana surgiu principalmente porque nós queríamos nos divertir. O Alec queria uma banda com músicas dançantes, o Luli ficou empolgado e eu, como tocava direto como DJ, acabava querendo fazer coisas que agitassem a pista. A Cami também ja teve projetos como DJ e se encaixou perfeitamente nessa linha, e quando o Tile se juntou a banda trouxe linhas de baixo sensacionais.

Cami: Bom, eu já passei por todas as fases. Começando pelos meus pais, que sempre escutaram muita música. Eu nasci e cresci ouvindo música, da minha infância o que mais me lembro é The Cure, The Clash, The Police, The Smiths… 70’s e 80’s em geral. Depois tive uma fase muito MPB, tem muita música que eu sei de cor por osmose – acho! Mas não durei muito… Quando adolescente, por causa de amigos e namorados, escutei muito hardcore, mas indo ao James comecei a gostar mais de indie. Sempre adorei pesquisar som, meio que por isso comecei a fazer esse programa na rádio. Já faz um ano que tá no ar, e eu adoro fazê-lo.

MTJ: Finalizando, o espaço é de vocês.

Claudinha: Uia, essa é a parte mais difícil. Deixo pra Camila, que ela é melhor do que eu nisso (risos). Saída pela tangente.

Cami: Just do it ’cause you want it, not because you saw it!

Autor: Alex Correa

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Aug 24 2008

Entrevista: Bell X1

Por Neto

Formada na década passada com o nome de Juniper e com Damien Rice como vocalista, o Bell X1 só se tornou Bell X1 em 1999, quando Damien saiu da banda para dar origem a sua carreira solo. Cheio de autoconfiança, o atual vocalista da banda garante que o Bell Eleven (como já foram erroneamente introduzidos em um talk show) é a segunda maior banda de toda a Irlanda, empatada com o Snow Patrol e apenas atrás do U2, obviamente. Talvez você não concorde com isso, mas Paul Noonan certamente tem motivos para acreditar na grandeza de sua banda.

O primeiro álbum de estúdio do Bell, Neither Am I, deu origem aos singles de sucesso Pinball Machine e Man on Mir, mas só chegou em trigésimo na lista de álbuns mais vendidos da Irlanda. Três anos depois saiu o Music in Mouth, produzido pelo jovem e brilhante Jamie Cullum. A décima quinta posição na Billboard chamou a atenção de gente de fora, o que valeu uma vaga em The O.C. e One Tree Hill à Eve, The Apple Of My Eye, um dos singles de maior destaque desse trabalho. O registro mais recente da banda foi gravado e lançado na Irlanda em 2005. Flock ainda chegou em primeiro lugar no ranking de álbuns irlandês, o que rendeu um lançamento tardio em toda a Europa e nos Estados Unidos, que veio a acontecer apenas em 2008.

Atualmente fazendo sua primeira turnê norte-americana, o Bell X1já está preparando canções para um quarto álbum, como conta o bem humorado Paul Noonan na entrevista que você confere abaixo.

Antes de receber o nome de Bell X1, vocês eram chamados de Juniper e a formação da banda contava com Damien Rice, mas com esse grupo vocês não chegaram a lançar um álbum de estúdio. Nós podemos esperar uma reunião da banda para gravar o primeiro e único álbum completo do Juniper?

Você sabe… talvez sim, talvez não. Damien, Dalai Lama, Condoleezza Rice – quem sabe com quem nós vamos gravar?

Vocês também tiveram muitos problemas com a então gravadora de vocês, a Polygram. Esse foi o principal motivo para o término da banda?

Sim, o ronco do Dave [Gheraghty, guitarrista]… espere um minuto, nós tiramos o cara errado!

Porque você acha que seu último álbum demorou tanto tempo para ser lançado nos Estados Unidos? Há cerca de três anos entre o lançamento oficial e o americano…

Só demorou tanto tempo assim para arrumarmos uma boa maneira de lançá-lo nos Estados Unidos. Nós não queríamos simplesmente jogar o Flock nas lojas sem nada mais, queríamos ir lá e fazer várias turnês, participar de programas de TV, dar entrevistas para rádios e tudo mais, então tivemos que achar as pessoas certas para juntar tudo isso.

Nessa turnê norte-americana, que começou nesse ano, vocês não tiveram muita sorte: O ônibus de viagem da banda pegou fogo, dando um prejuízo de cerca de 50 mil dólares. Com esse desastre, vocês chegaram a pensar em desistir?

Eu acho que toda banda tem que ter seu ônibus queimado, está no livro de regras, não? Foi um tipo de oferenda aos deuses, por termos feito um show ruim e irritado eles. Depois disso, tudo correu bem…

Vocês já tocaram algumas vezes em talk shows britânicos, nos quais os apresentadores trocaram o nome da banda algumas vezes. Você tem alguma idéia de onde eles tiram nomes como Bell Life e Bell Eleven?

De suas mentes fechadas que estão cheias de baba, e não de coisas importantes como o nome da nossa banda. Nós também já fomos chamados de Bellend One.

De 0 a 10, o quão surpresos vocês ficaram quando receberam a proposta de botar suas músicas em séries de TV tão famosas?
Nossa surpresa teria registrado um 9 da primeira vez, mas da segunda não ficamos tão surpresos. Um 5, digamos…

Alguma outra proposta de filmes ou séries foi feita recentemente?

Sim, nós fomos cotados para a trilha do último filme do Batman quando ela ainda estava sendo desenvolvida. Quando a ênfase estava no Batman como um ícone gay, eles queriam usar músicas do nosso pouco conhecido disco Sodom and Begorrah. Depois disso tudo mudou, e o resto da história vocês já sabem… (Sodom and Begororrah, como conta a Bíblia, foram duas cidades destruídas por Deus, que as condenou pelo comportamento sexual chocante de sua população).

Vocês andam ocupados com essa turnê norte-americana mas agora estão tirado umas férias curtas. Esse tempo livre está sendo usado para a produção de um novo álbum?

Sim, estamos trabalhando em um novo disco no momento, estamos acabando de passar a segunda demão agora! Esperamos que ele fique pronto no outono (que, na Irlanda, termina em 31 de outubro) e seja lançado no início do ano que vem.

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Aug 03 2008

Entrevista: Todosantos

Festa, Festa! Isso é o que esse trio vindo da Venezuela prega. Suas músicas, cheias de samples e batidas que convidam pra pista, garantem a alegria de qualquer pessoa, até as mais depressivas. Mas as coisas não foram sempre assim.

Na época de sua formação, em 2003, eles eram indies roqueiros, e isso permaneceu até depois do lançamento do primeiro disco, ‘Aeropuerto’, em 2005, que foi muito bem recebido pela crítica. Felizes com os elogios, ao invés de continuarem apostando na mesma fórmula, eles resolveram inovar. Transformação total. Mudou o som, o estilo, a cidade e a formação. E o que eles ganharam com isso? Mais elogios.

Guitarra e bateria saíram de cena, dando lugar a bases completamente eletrônicas. Os sintetizadores, que viviam escondidos na época de ‘Aeropuerto’, saíram de suas tocas para tomar a frente na parte istrumental dos novos Todosantos. As roupas comportadas voltaram para seus respectivos armários, sendo substituídas por peças coloridas, extravagantes. Os integrantes migraram de Caracas para o Brooklyn. E o novo som foi chamado de ‘Tukky Bass’. A festa estava pronta.

Já na nova fase, no ano passado, eles lançaram um EP, chamado ‘Acid Girlzzz’, que não é simplesmente um CD com músicas. O desafio era inovar em tudo, e com este disco não foi diferente. O kit Acid Girlzzz vem com um vinil colorido e óculos 3D, para melhor visualizar toda a arte da capa e encarte. Além disso, cada faixa tem o seu vídeo, que é chamado de pod, e é projetado nos shows para completar a música, trabalho de VJ. O DVD com estes vídeos também está incluído no pacote. Dá pra perceber que se preocupam com quem está prestigiando o trabalho deles.

Na entrevista dessa semana, Mariana Martin, a.k.a. Peach, falou com o Move That Jukebox!, e deu mais detalhes sobre essa nova fase da banda e como está sendo viver fora de casa. Confira logo abaixo.

O nome da banda tem alguma relação com a girl band inglesa All Saints ou é só uma coincidência na tradução?

É só uma coincidência. Na verdade, o nome tem relação com as grandes ondas da América Latina.

Expliquem melhor o que é o ‘tukky bass’

‘Tukky’ é um tipo de hard techno que mais vem tocando nas festas nos guetos da Venezuela nos últimos anos. Na verdade, mesmo nossa música não sendo como o ‘tukky’ original, nós nos identificamos bastante com o gênero, e da sua estética tiramos inspiração para formar nosso próprio som, que chamamos de ‘tukky bass’.

De onde vocês tiraram a idéia de fazer um EP tão rico, cheio de coisas, como o vinil colorido, os videoclipes, e os óculos 3D para ver os desenhos do encarte?

Nós sempre fomos fãs daqueles discos bonitos, cheios de surpresas… é legal quando você compra um disco que faz você sentir que o artista realmente se importou com a sua experiência. Um encarte legal pode mudar totalmente o modo de interagir com a música. Além disso, com esse grande aumento do mercado digital de música, a mídia física está tendo que ser feita com mais carinho, como peças de colecionador para os fãs guardarem.

Todosantos de ‘Aeropuerto’

O MySpace da banda está sem atualizações desde o lançamento do EP. Vocês estão preparando alguma surpresa ou apenas deram uma pausa de músicas novas?

Nós demos uma pequena parada depois da turnê do EP, mas coisas boas estão para sair… de verdade, mais cedo do que você imagina.

Quando vocês notaram que faziam algum sucesso nos Estados Unidos?

Bem… nós não acreditamos que sejamos um sucesso total, nós ainda somos uma banda que está crescendo, mas é sempre excitante ver como as portas se abrem conforme você vai seguindo seu caminho.

E como foi a decisão de mudar de Caracas para Nova York? Quais foram as diferenças que vocês sentiram, pessoal e profissionalmente falando?

É sempre bom andar pra frente, nós mudamos de uma cena muito pequena como a de Caracas para uma cidade enorme com infinitas possibilidades como Nova York na busca por chances maiores, foi um processo excitante… em Caracas nós éramos bem conhecidos no underground, então mudar para NY representou um novo começo, nós tivemos que provar o que nós tínhamos conseguido do zero, mas desta vez nós estávamos encarando um público totalmente diferente, em um cenário de nossas vidas totalmente diferente. E nós estamos conseguindo fazer isso bem! E está sendo uma jornada cheia de experiências felizes e insanas para serem lembradas.

Todosantos de ‘Acid Girlzzz’

Vocês não se preocupam com a possibilidade de afetar a sanidade mental das pessoas que acessam seu site?

É isso que a gente quer! Se você se sentiu afetado, nós conseguimos o que queríamos!

Vocês já conheceram alguma banda brasileira que participa da mesma cena musical que o Todosantos? Há alguma chance de tocarem junto com eles aqui no Brasil?

Nós gostamos bastante do Bo$$ in Drama, e a namorada do Alberto é brasileira, então alguma hora em breve nós podemos aparecer por aí! Isso seria ótimo!

MySpace | Site Oficial

Autor: Marçal Righi

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Jul 27 2008

Entrevista: Móveis Coloniais de Acaju

Por Gabriel

Com dez anos de carreira e milhares de cópias vendidas no seu primeiro disco, Móveis Coloniais de Acaju já é destaque em Brasília e dispensa apresentações. Além de proporcionar boa música e ser reconhecida no cenário alternativo brasileiro, a banda também se apresenta ao lado de grandes nomes internacionais, consolidando-se como um dos principais nomes brasileiros da atualidade.

Depois de tantos anos na estrada, eles se preparam agora para o gravação do segundo disco, com produção a cargo de Carlos Eduardo Miranda. Antes disso, apresentam-se no festival belgo Pukkelpop, ao lado de Sigur Rós e The Killers.

Para saber mais sobre essa feijoada búlgara, disco novo, porão do rock e espectativas para o Pukkelpop, confira abaixo a entrevista realizada com Paulo e Esdras, saxofonistas do grupo.

Como vocês reuniram essa “feijoada búlgara” humana que é o Móveis? E nesse tempo todo, nunca rolou briga?

Esdras: A Feijoada veio da mistura, aconteceu naturalmente de nos encontrarmos e pintar a afinidade musical, se não fosse pela música acho que nunca nos trombaríamos, somos muito diferentes. Briga rola, mas o amor é maior.

Paulo: Não muitas [brigas], geralmente rola morte mesmo, inclusive tem alguns corpos escondidos por ai!

Na lista de influências da banda constam nomes como Elvis Costello, Franz Ferdinand e Jorge Ben. Além desses, o que os integrantes gostam de ouvir?

Esdras: Eu gosto muito de música brasileira instrumental, choro, Hamilton de Holanda, tem os Chicos, coisas de sopro, e as bandas que a gente conhece na estrada, Pata de Elefante, Los Hermanos, Ronei Jorge, Proto, cada um chega com um disco diferente por ensaio, é quase isso.. Descontrolados..

Paulo: Eu adoro Nelson Gonçalves.

Qual é a sensação de ver uma grande platéia cantando suas músicas?

Esdras: É a melhor possível, mais que lindo.

Paulo: É o sonho de qualquer artista, exceto BBB’s.

O sucesso em Brasília é inquestionável. Qual a principal diferença entre o público brasiliense e do restante do país, se é que existe?

Esdras: Aqui estamos literalmente em casa, nossa família vai aos nossos shows por aqui, isso é uma grande motivação, começamos por aqui, crescemos aqui né? MAs em todos os lugares os shows tem sido bem maneiros..

Paulo: Cada um tem sua característica, mas em geral o carinho é o mesmo.

Em agosto vocês tocam no festival belga Pukkelpop, junto com The Killers, Bloc Party, Sigur rós e muitos outros. Como rolou o convite para o Móveis e quais são as expectativas da banda para esse show?

Paulo: Cara, foi atrás de uma apresentação da Abrafin [Associação Brasileiras de Festivais Independentes].

Esdras: O produtor do Pukkel nos chamou depois de assistir nosso show em Goiânia. Simples né? é até engraçado, como as coisas acontecem.

No mesmo mês, a banda promoverá 3 dias de Móveis Convida, com 10 diferentes bandas. Como é o processo de escolha das bandas que irão participar do evento? Exitem planos de extender o Móveis Convida para outros estados brasileiros?

Esdras: Pode ser né? Por enquanto estamos pensando em crescer o festival em Brasília. O Convida é nossa menina dos olhos, as bandas a gente que escolhe, por afinidade sonora, geralmente temos uma grande Jam Session nos finais, é uma maravilha..

Paulo: Sempre nosso plano é conquistar o mundo, inclusive outras galaxias também.

Ano passado vocês lançaram um EP ao lado de Gabriel Thomaz (guitarrista do Autoramas), chamado ‘Vai Thomaz do Acaju’. Agora no mês que vem vocês se apresentam no Porão do Rock ao lado do músico. Quais são as diferenças do ‘Vai Thomaz do Acaju’ para o Móveis, além da presença de mais um músico?

Esdras: É uma homenagem à música de Brasília que a gente gosta de escutar, sempre perguntam por Capital, Legião, Plebe, a gente respeita e até curte, mas não era fà como de Little Quail, Maskavo roots, Raimundos., Além do Gabriel, nesse show teremos o Pinduca(guita), Txotxa(batera), MArcelo Vourakis(voz), da primeira formação do Maskavo Roots, aquele disco é demais! e Rafinha( guita do Bois de Gerião). Vai ser uma farra boa..

Paulo: Acho que tentamos fazer uma coisa mais sedimentada e com características mais próximas das outras bandas tocadas no vinil [O Vai Tomaz No Acaju foi lançado apenas em vinil] com pitadas movelísticas.

A roda de Copacabana é um dos pontos fortes do show. De onde surgiu a idéia de realizá-la?

Paulo: O Esdras explica.

Esdras: A gente tava tocando em Goiânia, num show muito vazio, tínhamos terminado de comprar nossos mic com transmissores e resolvemos descer ali naquela hora. Colou, hoje é um dos pontos altos do show..

Belo Horizonte – 11 de Abril

O contato da banda com o público é muito intenso. Além do laboratório de testes que são os shows, alguns integrantes chegam até a interagir com os fãs por meio do orkut. Como isso interfere no processo de criação?

Esdras: A gente participa com o público do show, tem que ser natural. É tudo uma troca de boas vibes né?

Paulo: É sempre bom saber a opinião de quem gosta e até de quem não gosta… você já viu o “eu odeio móveis” no orkut? Muito bom… (risos)

O produtor do segundo disco de vocês, Carlos Eduardo Miranda, é conhecido como um dos melhores do país. Como está sendo trabalhar com ele e a quantas anda o disco novo? Já estão pensando em um nome ou mês de lançamento?

Esdras: Deve sair no final do ano, com ele a vibe é boa e natural. Ele é bom mesmo, tem ajudado bastante a gente nesse processo. Ainda não temos um nome para o disco, alguma sugestão? (risos)

Paulo: Bom papo, boas músicas e bons pratos: só podemos esperar coisas boas.

Autor: Gabriel Zorzo

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Jul 21 2008

Entrevista: The Octopus Project

Por Neto

Experimental. A palavra que melhor define o The Octopus Project. A banda, que vem de Austin, no Texas, nasceu em 1999 e faz música quase totalmente instrumental, sem medo de experimentar novos sons, sejam eles comuns ou não.

A mistura musical está presente em toda a parte sonora da banda. Não há apenas a mistura de sons. Diversos estilos se cruzam, se juntam e se completam, fazendo dos discos uma viagem pela criatividade e ousadia destes quatro jovens norte-americanos. Um grande exemplo disso é o álbum mais recente, ‘Hello, Avalanche!’, lançado em 2007, que tem de tudo um pouco: tecladinhos 8-bit, post-rock, guitarras distorcidas, bateria pesada contracenando com batidas eletrônicas, pianos que se completam com sintetizadores, experimentando, sempre experimentando.

E eles acertam. Mas nem por isso deixam de experimentar e sempre aparecer com coisas novas. Esse ano lançaram o single ‘Wet Gold/Moon Boil’, e surpreendendo mais uma vez, ele contém duas faixas cantadas, por inteiro. Para uma banda que conseguiu seu nome e visibilidade (já tocaram no Coachella e este ano estão escalados para o Lollapalooza) só com instrumentais, isto é mais uma ousadia.

Mas não vou me extender muito mais, deixo que o entrevistado da semana, Toto Miranda, guitarrista/baixista/baterista (todos se revezam nas gravações e shows) do “projeto polvo” dê os maiores detalhes sobre sua banda. Confira a entrevista logo abaixo.

The Octopus Project é um nome bem diferente. De onde vocês tiraram tal nome?

O nome na verdade apareceu antes mesmo da banda começar e nasceu de um jogo de associação de palavras que Josh estava jogando com um amigo nosso enquanto tentava criar um nome para uma outra banda. Então um deles disse “Octopus” e, o outro, “Project”. Não funcionou como um nome para a banda em questão, mas quando começamos nossa banda o nome pareceu se encaixar. Não tem nenhum significado, mas é fácil de gravar e todas essas consoantes juntas parecem legais.

O som de vocês é bem experimental, com misturas de elementos eletrônicos, violões, bateria pesada e vários instrumentos pouco convencionais. Como é o processo de criação de tudo isso?

Gostamos de expandir a nós mesmos com todos os tipos de instrumentos e coisas que façam barulho, e nossas composições geralmente começam de uma idéia simples ou de um som que bate em nossos ouvidos. Se a idéia for boa, o resto da canção meio que se compõe sozinho com sons e camadas que complementam a idéia original. Não é fácil criar canções dessa forma com muita frequência, mas geralmente todos nós concordamos quando elas parecem boas. É bom ter uma grande variedade de instrumentos para que possamos achar os elementos exatos para construirmos nossas músicas. Acho que nosso processo de criação resume-se a testar a maior variedade de idéias que pudermos para que possamos ver qual funciona melhor.

Além de toda a crítica musical, vocês também admitem que seu álbum mais recente, Hello, Avalanche (2007), é o melhor de todos os quatro que já lançaram. A maturidade da banda foi a principal razão dessa melhora de qualidade?
Acho que a principal razão foi que estamos melhorando em fazer as coisas soarem exatamente do jeito que nós queriamos que soassem. Não sei se nossas idéias estão melhores, mas a execução delas ficou bem mais forte, o que faz com que todo o processo seja muito mais divertido!

O clipe de Truck foi gravado em uma exibição de aviões militares. Como surgiu a idéia de botar cabeças meiguinhas no corpo das pessoas que assistiam os aviões soltarem suas bombas?

A idéia saiu dos nossos amigos David e Nathan Zellner, que dirigiram o vídeo. Eles gravaram o material em um show aéreo e depois pediram para que desenhássemos umas cabeças estranhas, que são as usadas no vídeo. Acho que terminamos com uma excelente combinação de beleza com agitação… esses caras fazem bons trabalhos!

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=SDeTv12mulo]

Vídeo da música ‘Truck’

Como é a sensação de tocar em festivais grandes, como o Coachella? E qual é a expectativa para o show no Lollapalooza?

Tocar em grandes festivais é ótimo! A oportunidade de tocar para uma platéia nova em folha é uma das melhores partes de fazer turnês, e esses festivais geralmente apresentam a chance de tocar para um público novo. O Coachella foi ótimo nesse sentido – o público estava ótimo, a equipe estava ótima e a sensação de fazer parte de toda essa grande produção é ótima. O Lollapalooza está chegando rápido – é daqui a duas semanas! – e todos estamos extremamente animados para ele… é dificil saber o que esperar, mas acho que nós estamos apenas ansiosos para fazer um show divertido. Um show GRANDE e divertido!

Vocês acabaram de voltar do primeiro tour pela Europa. Como foi tocar por lá, em países que o público está bem acostumado com grandes shows e festivais?

[Tocar na] Europa foi uma experiência fantastica… fizemos muitos shows pequenos, muitos médios e alguns shows bem grandinhos. A reação das pessoas de todos os lugares que fomos foi ótima. Particularmente, meus favoritos foram o show em um pequeno festival em Padova (Itália) e o gigante que fizemos no All Tomorrow’s Parties, em Minehead (Inglaterra)… ambos foram shows bem empolgantes, e nos sentimos realmente honrados em tocar neles! Enfim, todas as cidades européias em que tocamos foram ótimas, fizemos muitos amigos e mal podemos esperar para tocar lá.

Por falar em shows e festivais, o Brasil está começando a ficar cada vez mais visível entre as bandas em turnê. O Octopus Project também está com os olhos abertos para o Brasil? Alguma chance de os vermos ao vivo?

Ficaríamos absolutamente contentes em tocar no Brasil! Nenhum de nós já foi à América do Sul, mas nós definitivamente daríamos um pulo por aí para tocar para vocês, se tivéssemos a chance. Se vocês ou algum de seus leitores têm alguma idéia de como poderíamos fazer isso acontecer, por favor, nos escreva um e-mail. Esses shows no exterior que planejamos até agora (na Europa e em Taiwan) foram incriveis, além de terem expandido muito nossas mentes, e nós também queremos ir à novos paises com a maior frequência possível, especialmente para algum lugar tão empolgante quanto o Brasil!

Ryan Figg, Toto Miranda, Yvonne Lambert e Josh Lambert

No final do ano passado, em seu site oficial, vocês prometeram novidades para 2008, e cumpriram, com o lançamento do single ‘Wet Gold/Moon Boil’. Alguma promessa de disco novo?

Estamos concentrando muita energia na composição de novas canções – seria ótimo completar um disco novo no final do ano, e queremos nos concentrar nisso assim que nossa turnê de outono terminar. Então talvez podemos ter algo novo no início de 2009? Pra falar a verdade, ainda nem temos novas músicas finalizadas, mas esse parece um bom objetivo para ser trabalhado. Estamos bem animados para compor novos sons – acho que coisas esquisitas, cativantes e dançantes serão nossos objetivos…

A maioria de suas músicas são instrumentais e, nesse novo single, duas faixas contém vocais. Seria esse o início de um novo Octopus Project, com mais partes vocais e menos instrumentais?

Eu gosto de pensar que estamos sempre trazendo novos elementos [para o Octopus Project], mas acho que acrescentar vocais parece uma mudança bem grande… certamente estamos abertos para usar mais vozes no futuro, mas acho que isso não significa tirar o foco dos instrumentos. Só depende da música – as vezes uma canção precisa de toques vocais para parecer completa, e as vezes os instrumentos dizem tudo por si só.

MySpace | Site Oficial | Comunidade

Autor: Marçal Righi

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Jul 13 2008

Entrevista: We Are The Physics

Por Neto

Antes de tudo, caso você ainda não conheça o We Are the Physics, clique aqui e escute as músicas no MySpace do quarteto. Demorou pra carregar? Então economize alguns minutos e assista ao clipe de You Can do Athletics, BTW que é, de longe, o meu preferido. Pin-ups, Glasgow, vilãs gigantes, inspiração em filmes cults e, é claro, físicos: Voltamos a nos ver assim que você conferir todos esses elementos no clipe abaixo.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=ClKYc3rQzms]

Eles são da Escócia e três dos quatro membros receberam o nome de Michael no berço – o que, por diversas vezes, faz com que o guitarrista Chris caia um pouco no esquecimento. As influências são incrivelmente variadas e vão do rock cinquentista de Elvis Presley ao post-punk revival do Futureheads – e dando uma passada por Devo, um alô pro Hives e pegando alguns toques de Art Brut, se formou um math rock não tão experimental que acaba se confundindo com um new wave com mais ruídos do que de costume.

O grupo se juntou há apenas três anos, em 2005, e mesmo recebendo pouquíssima atenção da imprensa britânica mantém a mesma formação – formação essa que já levou Michael’s e Chris ao palco com bandas de destaque como 30 Seconds To Mars e Art Brut (que passou de uma simples influência para colega de backstage).

De todas essas vitórias, duas definitivamente não podem me escapar: A primeira foi em 2007, em sua terra natal, quando foram convidados a tocar no gigante T In The Park – e lá, na tenda da NME, deram início à tarde que receberia, mais tarde, Kasabian, Gossip, Interpol e Maxïmo Park. A segunda experiência é bem mais recente, e acontece exatamente hoje (13): Voltando ao T In The Park, nesse ano o grupo toca com Black Kids e Ida Maria no Futures Stage – e o show promete.

Conversando comigo, os físicos mais legais que conheço falaram sobre T In The Park, novo disco, show no Brasil e muito mais – tudo no mais velho estilo Zé graça, com piadas e ironias que não chegam nem perto de ser tão irreverentes quando a própria banda.

Vamos começar com uma pergunta que deve ser muito comum a vocês: Quando escolheram o nome da banda houve alguma intenção de fazer algum tipo de paródia com a banda californiana We Are Scientists?

O QUE? Existe uma banda chamada We Are Scientists? Na verdade, você é a primeira pessoa a apontar a similaridade, para ser honesto, nós não notamos isso antes! Enquanto eles buscam o termo geral da ciência, estamos definindo detalhadamente a física, particularmente como a nossa área de conhecimento musical. O fato é que éramos chamados de We Are The Physics Club And Therefore Everything We Say Is Fact, mas reduzimos [o nome] para caber em todas as etiquetas… pegue essa, California!

Antes mesmo de lançar seu debut, a banda já havia tocado com alguns grandes grupos e em grandes festivais britânicos. Vocês acreditam que, em algum momento, a sorte falou mais alto do que o talento?

Eu não sei se foi sorte, acho que o caso é que somos uns bastardos muito persistentes. Definitivamente, não é talento. Basicamente, nós orquestramos uns gritos por meia hora.

Em outra entrevista, que foi feita antes do lançamento do We Are The Physics Are OK At Music, vocês disseram que “um dia fariam uma gravadora crer que vocês são uma banda de verdade e suas mães finalmente poderiam comprar seus discos na HMV” [uma grande rede de loja de discos no Reino Unido]. Vocês acham que esse dia finalmente chegou?

Chegou! Já podemos morrer confortavelmente porque nossas mães estão realmente disponíveis para comprar nosso álbum na HMV, o que é uma sensação meio estranha.

No ano passado vocês tocaram no T In The Park, e em 2008 vocês estão novamente no line-up do festival. É possível descrever a experiência de tocar num festival de tamanha importância?

É foda de matar! T in The Park é um daqueles festivais lendários, principalmente para os fãs de música escoceses. Nós crescemos indo ver diversas bandas nesse festival, e você nunca pensa que tocará lá em toda a sua vida. Então você toca lá e passa a ter algo legal para impressionar seus futuros colegas de escritório, quando se separar da sua banda e tiver que arrumar empregos de verdade. Tocar em festivais é sempre estranho. No ano passado fomos a primeira banda do NME Stage no domingo, então basicamente estávamos fazendo barulho nos ouvidos de um público com muita ressaca [já que domingo é o segundo dia de evento]. Não melhoramos muito desde então.

As opiniões dos jornalistas sobre seu debut são muito diferentes: Alguns dizem que ele é “o mais vagamente estranho possível” enquanto outros preferem dizer que ouvir ao seu CD é “meia hora de uma satisfação imensa”. Você poderia descrever Are OK At Music com suas próprias palavras?

Um [álbum] vagamente estranho de meia hora de satisfação! Tudo depende do que você procura em um álbum. Para nós, nosso álbum é o tipo de coisa que QUEREMOS ouvir, e se ele agradasse a todos não pareceria nosso porque, obviamente, nem todo mundo vai gostar de nós. Infelizmente nós não temos a qualidade inquestionável do Coldplay. Em nossas palavras – “é como ter o rosto atingido por um galho fora de controle”.

E como vocês lidam com resenhas tão negativas como aquela feita pela The Music Magazine?

É como se fosse um soco no queixo! Resenhas negativas são coisas que nós sempre tivemos e sempre teremos, seria bem assustador se não tivéssemos nenhuma depois de tanto tempo. Nós não podemos argumentar contra a maioria das opiniões negativas porque elas são exatas – a diferença é que as coisas que elas dizem ser negativas parecem ser positivas para nós. Repito, tudo depende do que você procura em um álbum.

Quando começamos, botamos o link para uma resenha positiva e outra negativa em nosso MySpace, para que todos pudessem ler as duas. As pessoas podem formar sua própria opinião, se gostam ou não. Se os pontos negativas são legítimos, então o gosto do leitor deve determinar se ele quer escutar nossa música. Eu ficaria desapontado se não houvessem opiniões negativas! Entretanto, eu provavelmente teria mais dinheiro.

Uma curiosidade pessoal: De onde vocês tiraram a surpreendente idéia de usar uma vilã gigante de pin-up no clipe de You Can do Athetlics, BTW?

Essa foi uma idéia que tivemos com o diretor Colin Kennedy, como um tipo de homenagem a filmes como 15 Metros de Mulher [Attack Of The 50ft Woman, em inglês] e ao diretor Russ Meyer. Nós queríamos que ela pisasse em pontos notáveis de Glasgow, mas infelizmente não podemos usar as padarias do Greggs [a maior rede de lojas especializadas em padaria do Reino Unido]. A mulher gigante foi uma mulher de verdade – mas ela não era gigante. Esses são só os efeitos especiais.

Agora, a última pergunta e a mais esperada pelos fãs brasileiros: Existe alguma proposta de vir ao Brasil sendo estudada no momento ou algo assim?

Nós desejamos que sim. Assim que alguém nos convidar para tocar no Brasil, nós estaremos ai em uma batida de coração. Infelizmente, nosso disco foi lançado apenas no Reino Unido por enquanto, então teriamos que tentar convencer as pessoas de outros paises de que somos uma banda de verdade e – com sorte – ELES lançaram nosso álbum! Esse é o primeiro passo…

Acesse: MySpace | Site Oficial | Comunidade

Autor: Alex Correa

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Jul 06 2008

Entrevista: Bidê ou Balde

Por Neto

O entrevistado da semana é Carlinhos Carneiro, um gaúcho que ficou conhecido no país inteiro por ser vocalista de uma das maiores bandas de rock alternativo do Brasil: a Bidê ou Balde.

Formado no final da década passada, o grupo porto alegrense é, sem dúvida, uma das bandas de maior sucesso no cenário alternativo nacional – em 2001, o rock escrito para ‘Melissa‘ (de seu primeiro álbum de estúdio, lançado um ano antes) lhes rendeu o título de Revelação do Ano no prêmio VMB, da MTV.

‘Se sexo é o que importa, só o rock é sobre amor!” também contou com a canção ‘E Por Que Não?‘, que cinco anos mais tarde, quando foi regravada no Acústico MTV Bandas Gaúchas, causou à Carlinhos e seu grupo alguns problemas judiciais – que foram logo esquecidos entre turnês de sucesso e composições de novas músicas, que devem ser lançadas ainda nesse ano – em um CD que, como Carlinhos contou nessa entrevista, adquiriu um certo charme devido a demora para o mesmo ser lançado.

Em seu longo tempo de estrada (agora em 2008 o grupo comemora os 10 primeiros anos de carreira), outros dois discos foram lançados: ‘Outubro Ou Nada’, em 2002, e ‘É Preciso Dar Vazão Aos Sentimentos’, em 2004, sendo o último trabalho de estúdio gravado pelos gaúchos. Esse segundo contou com a participação de Marcelo Nova (que, além de pai da apresentadora Penélope, é o vocalista do baiano Camisa de Vênus) em um cover de ‘Hoje’, que inclusive ganhou uma animação ao estilo mangá como videoclipe.

No final do mês passado, o BoB foi escalado para homenagear Cazuza no programa ‘Som Brasil’, da rede Globo, ao lado de Toni Platão, Ana Cañas e Ney Matogrosso – e esse é um dos assuntos da entrevista, que você confere logo abaixo.

Vocês costumam inventar histórias sem nexo quando perguntam o sentido do nome da banda. Conseguem lembrar da pior que já inventaram?

Não, após um acidente de moto eu tive que ser submetido a uma delicada cirurgia no cérebro que teve como efeito colateral uma substancial perda de memória, que está sendo revertida aos poucos com muita fisioterapia. Mas, infelizmente, ainda não cheguei na parte de lembrar das respostas de entrevistas antigas.

Nesse ano o Bidê ou Balde completa sua primeira década de carreira. Quais são os planos do grupo para esse ano de comemoração?

Shows especialíssimos, disco novo, dvd, ilha de caras, tudo aquilo… Como diria Carla Perez: Não é todo ano que se faz dez anos!

Em todo esse tempo, o Bidê lançou três CDs. Existe algum que foi produzido com mais dedicação?

Não, os três discos foram com muita dedicação e tempo. Dedicação diferente em cada disco, é verdade, porque cada disco tem sua pilha, momento e coisetal, mas nenhum tem ‘mais’ dedicação. Não que eu me lembre.

Recentemente, a banda se apresentou no ‘Som Brasil: Cazuza’, da Rede Globo. Como vocês reagiram ao convite, e como foram os ensaios e a gravação do programa?

Pô, pulamos de alegria! É um programa muito massa e uma oportunidade muito boa! Resolvemos usar um formato diferente no programa, sem baixo, com o Leo Boff (que tocou com a gente no Acústico e fez os arranjos de orquestra do “Outubro ou nada!”) fazendo os baixos no teclado e com o Rodrigo Siervo (que tocou no “Outubro ou nada!” também) tocando um sax barítono. Então os ensaios foram muito legais e deu pra brincarmos bastante nas versões. Ficamos muito satisfeitos com o resultado final! E a Vivi ficou ainda mais bonita de rosa na Globo.

Nos dois primeiros discos do Bidê algumas músicas ganharam nomes de pessoas: Melissa, Lucinda e Gerson, por exemplo. Essas personagens foram inspiradas em alguém?

Sim, mas não são exatamente como aparecem. ‘Lucinda’, por exemplo, é inspirada num cara, um amigo meu (inclusive faleceu recentemente), que era garoto de programa. Na letra, ele é o “eu” e a Lucinda é o nome que imaginei que ele criava para os seus clientes… E “Gerson” é o nome do garçom dum bar que eu vou sempre e usei para dar ao filho imaginário cantado na música, o que dá ao lance uma coisa engraçada (principalmente se tu conhece o Gerson mesmo e depois imagina que a letra fala “olho pro gerson e vejo você”)

Depois de quatro anos sem um novo disco, existem planos para o sucessor de “É Preciso dar Vazão Aos Sentimentos”? Há algo sendo produzido, ensaiado…? Existe alguma razão para este longo período sem novos lançamentos?

A gente já compôs uma cassetada de música, uns três discos praticamente. Estamos escolhendo o repertório e fechando os arranjos para entrar em estúdio e gravar.
Demoramos por diversas razões… Rolou o Acústico MTV Bandas Gaúchas nesse meio tempo, o relançamento do “Vazão” na revista Outracoisa, a saída do André, turnê com montes de shows em lugares que nunca tínhamos tocado… Mas acho que também demoramos porque tem o seu charme demorar pra lançar disco novo. Vai dizer?!

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Autor: Alex Correa

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Jun 29 2008

Entrevista: Subburbia

Após a saga de entrevistas do Motomix (vem resenha por aí minha gente), voltamos com as entrevistas de bandas independentes nacionais. A banda entrevistada desta semana foi a Subburbia, paranaenses de Curitiba, que fazem um ótimo som mais puxado para o new wave oitentista com pitadas de rock e disco. A banda surgiu no fim do ano passado e é formada por 5 integrantes: E1000 nos vocais, Ale na guitarra/vocais, Daniel no sintetizador, Mel na bateria e Lis no baixo/backin’ vocals. Além de incorporarem a vida noturna do Curitiba, o Subburbia organiza uma festa bimestral que reúne outros nomes independentes da região e fora dela.

Rolou um papo por MSN com o E1000 e a Ale. Eles contaram como se conheceram, suas opiniões sobre alguns assuntos e planos para o futuro. Veja o resultado a seguir:

Move That Jukebox!: A pergunta básica como pontapé inicial: Como começou a banda e aonde vocês se conheceram? Foi sempre esta formação?
E1000: Na real quem começou fui eu, a Ale, a Mel e o Luiz, que hoje não está mais. A formação mudou algumas vezes…no começo não tinha baixo e tal. No fundo eram sempre as mesmas pessoas, só mudavam as posições. (por exemplo, a Mel era inicialmente a baterista, depois foi pro baixo, teclado e voltou para a bateria). O Luiz era meu amigo de infância. A Ale é minha companheira a algum tempo (o E1000 e a Ale moram juntos). O Daniel é irmão do Luiz. Só a Mel e a Lis que são ‘novatas’ nas nossas vidas.
Ale: Eu conheci a Mel em 2006 em um cházinho de amigas da faculdade. Ela era a intrusa por sinal…
E1000: A gente já tocou em outros projetos daqui…só que só nesse mesmo que nós acreditamos.


MTJ!: Vocês consideram um privilégio participar de uma cena musical tão rica como a de Curitiba?
E1000: Você acha isso?

MTJ!: Claro, a maioria das bandas nacionais que eu gosto são daí. Que muita gente gosta, aliás.
E1000: (risos) Então talvez seja mesmo….santo de casa!

MTJ!: Vocês mantêm relações com outras bandas daí?
E1000: Gosto do Charme Chulo, Chucrobilly, da Pleiade. Tem uma banda do ex-ESS, o Our Gang, que é boa também.

MTJ!: Você conhece o Copacabana Club? Eles são os queridinhos de outro membro do blog.
E1000: Essa também é de ex-ESS, do Luciano. Vi só no MySpace, nunca vi um show. A banda é meio nova, então ainda não pude pegar por aqui.

MTJ!: Eu lembro que você me disse um dia que o Subburbia organiza uma festa mensal. Conte um pouco sobre ela.
E1000: Pois é, o Music Non-Stop. Agora ela é bimestral, porque a agenda apertou um pouco. Nós achamos mais fácil fazer uma festa com bandas que só tocam música própria e organizar da maneira que a gente queria (preço, banda, local, etc)
Ale: É complicado juntar bandas cover e de som próprio numa mesma noite. O público é diferente. Além disso, achamos bacana poder divulgar o som das bandas que curtimos.

Cartaz do Music Non-Stop

MTJ!: Nossa, precisava de uma iniciativa dessas na minha cidade. (risos)
E1000: Ué, podemos estender a festa até aí. (risos)

MTJ!: Pode citar algumas bandas que já tocaram nela?
E1000: Chucrobilly, Fotograma (SP), Texas Tornado.… e uma banda que me amarro daqui: Lades. Essas são as mais recentes.

MTJ!: Vocês pretendem tocar em São Paulo em agosto. É a primeira experiência da banda fora de seu estado de origem?
E1000: Não, a gente acabou de tocar em Campinas este fim de semana.

MTJ!: Como foi?
E1000: É sempre muito bom tocar fora de casa. Ver como é a reação das pessoas…conheci muita gente de lá e de Sorocaba também.
Ale: O show foi bem legal, o som tava perfeito e as pessoas são muito simpáticas.
E1000: Tocamos com o The Name lá.

MTJ!: Ah! E agora vocês pretendem partir pra mais show no eixo Rio-São Paulo?
E1000: Acho que sim, é o natural né. Vai ser massa manter a festa aqui e mostrar o trabalho em outros lugares. Uma porque eu acho que o show fecha o ciclo da banda…várias bandas que vi ao vivo me fizeram gostar ainda mais delas.
Ale: E não só no eixo Rio-São Paulo. (risos)

MTJ!: Como é a estrutura dos bares e casas de show aí de Curitiba? Rola alguma dificuldade em relação a isso?
E1000: Sabe que não acho. Existem várias casas que dão oportunidade aqui….disso não podemos reclamar. Já recebemos convite até para tocar em uma academia (risos). Mas acabamos não fazendo.

MTJ!: A influência principal da banda é o new wave dos anos oitenta, certo?
E1000: Sabe que nem tanto? Sempre fui um grande fã do Prince, desde os anos 90. Naquela época pegava meio mal gostar do cara, mas nem ligava não. Hoje é até bacana gostar dele. Mas enfim, acho que tem um lado 80’s tipo Pet Shop Boys, The Cure, Laurie Anderson. Eu também ouço bastante Kanye West, Fleetwood Mac.
Ale: Cada integrante tem as suas influências, nunca chegamos a sentar e planejar “vamos fazer uma banda de new wave”. Acho que é essa mistura que agrada diversas “tribos”.

MTJ!: Atualmente, surgiu aquele termo “new rave” para rotular bandas inspiradas nesse gênero musical. O que vocês acham disso? Vocês têm medo do Subburbia cair em algum rótulo destes?
E1000: Não sei se é saudável você rotular o próprio som, até porque quando o Klaxons criou o termo, estava de brincadeira.

MTJ!: Pois é, mas a mídia se apossou do termo e passou a usá-lo de um modo distorcido.
E1000: É isso aí…Eles mesmos renegam o termo, assim como aconteceu com o Grunge. Acho normal as pessoas rotularem bandas, mas a própria banda se rotular não.

MTJ!: E aquele lance de se enrolar no cabo do microfone? (sobre um vídeo em que o Subburbia é entrevistado e mostra E1000 se enrolando no cabo do microfone)
E1000: (risos) É o seguinte. A entrevistas era sobre bandas performáticas. E eu falei “Olha, se se enrolar no cabo do microfone é performático, então talvez nós sejamos”. Mas começou porque eu não tinha muito o que fazer quando rolava uma parte instrumenta da música. Como eu não sou o Justin [Timberlake], comecei a me enrolar.

MTJ!: Indiquem um livro, um disco e um filme.
E1000 e Ale: Disco: Laurie Anderson – Big Science. Em vez de um filme posso indicar uma série? Arrested Development. E um livro: Fante – 1933 foi um ano ruim (E1000) e Memórias do subsolo do Dostoiévsky.

MTJ!: Pra fechar, planos para o futuro?
Ale: Desbravar o Brasil!
E1000: Gostamos de tocar ao vivo, acho que somos uma banda de show.

MTJ!: Algo que querem acrescentar?
E1000: Foi muito massa ter tocado com o The Name, eles são a melhor banda de São Paulo que já vi. E quanto ao Copacabana Club, essa entrevista me deu a idéia de tocar com os caras logo.

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Autor: Cédric Fanti

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