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	<title>Move That Jukebox &#187; Entrevistas</title>
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		<title>Entrevista: o novo disco e os novos riscos do Holger</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Apr 2012 17:13:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hick Duarte</dc:creator>
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		<category><![CDATA[avalanche tropical]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Holger]]></category>
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										</div><p><img class="aligncenter size-full wp-image-45802" title="Holger" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/holger1.jpg" alt="" width="680" height="383" /></p>
<p style="text-align: justify;">Um ano e meio se passou desde o último disco do Holger. S<em>unga</em> posicionou os cinco garotos de São Paulo como uma das novidades mais autênticas e efervescentes da música brasileira nos últimos anos. Uma dezena de shows, uma centena de novas descobertas sonoras e 34 mil quilômetros rodados em turnê depois, o Holger é outra banda. Vestiu de vez a camisa verde e amarela, passou a compôr em português, deixou de querer ser o Pavement brasileiro e voltou a escutar axé &#8211; não num contexto tosco, debochado, ou coisa parecida.</p>
<p style="text-align: justify;">Em entrevista ao Move That Jukebox, quatro dos cinco caras falaram sobre o processo de criação e gravação do novo álbum, que viagens de carro e experiências praianas foram fundamentais para o novo trabalho e que &#8220;o melhor grupo indie é aquele que surge sem a pretensão de ser propriamente indie&#8221;. Além de escancarar uma certa falta de afinidade com o Foster the People.</p>
<p style="text-align: justify;">A entrevista abaixo aconteceu na varanda da casa do Pata, vocalista do Holger, enquanto o Move ouvia com exclusividade à versão demo do próximo disco, que será lançado em agosto deste ano. É a primeira vez que a banda fala abertamente sobre o novo trabalho após o término das gravações, nos estúdios da Trama. É também a segunda entrevista deste blog com o Holger &#8211; <a href="http://movethatjukebox.com/entrevista-holger/" target="_blank">a primeira foi em setembro de 2010</a>, dois meses antes do <em>Sunga</em>. Uma <em>avalanche</em> de coisas mudaram desde então &#8211; mas os anseios, a ginga e o espírito de moleque tropical do grupo continuam exatamente os mesmos.</p>
<p style="text-align: justify;">- &#8211; - &#8211; -</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Não dá pra começar a entrevista sendo menos direto: o que vocês querem com o disco novo?<br />
</strong><br />
Pata: A gente só quer ser livre. Estamos nos arriscando de várias formas, trabalhando com um monte de gente diferente, caminhando pra lados que a gente nunca imaginou antes. Esse disco chega junto com um novo contexto pro Holger, nós mudamos pra caramba como pessoas e como músicos desde então e o <em>Sunga</em> não é exatamente o trabalho mais coerente com que a gente tá vivendo como banda agora&#8230;<span id="more-45647"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Interessante esse lance de vocês dizerem que sempre quiseram ser livres. Não era assim na época do <em>Sunga</em>?<br />
</strong><br />
Pata: Óbvio que eu sou satisfeito com o <em>Sunga</em> e agradecido por tudo o que ele deu pra gente. Mas logo depois do disco, eu percebi que aquele não seria um som que eu ouviria, apesar de achar que tava numa qualidade legal.</p>
<p style="text-align: justify;">Tché: É um lance de timing, coisa que foi muito diferente desse próximo. A música mais antiga do <em>Sunga</em> tinha um ano e meio quando a gente lançou o disco. Nesse a música mais antiga tem só seis meses.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>É tudo mais fresco, então?<br />
</strong><br />
Tché: É tudo mais fresco, e acho que por isso estamos mais empolgados pra mostrar o disco, porque é algo que estamos vivendo agora. Talvez daqui a um tempo a gente ache que&#8230; bom, a gente nunca cospe no prato que comeu, mas definitivamente queremos seguir outros caminhos.</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: Rolou um longo processo entre um disco e outro. Muita turnê, muito show e muita viagem de carro. Isso mudou tudo. Foram catorze mil quilômetros na gringa e só no Brasil a gente deve ter rodado mais de vinte mil, fomos pra tudo quanto é lugar. E viagens de carro têm algumas particularidades. Você não tá em lugar nenhum, você não tem o que fazer, tá com as mesmas pessoas sempre, então tudo o que você tem que fazer é fumar um, ouvir música e trocar ideia. Tinha hora que a gente se pegava ouvindo coletânea de música dos anos 90, coisa que não pegaríamos pra ouvir sóbrios. Aquilo fazia a gente dar risada, e no momento da risada você percebe &#8220;porra, tem um elemento legal nessa música&#8221;. E então você começa a se ligar numa parada maior, começa a se aprofundar. A gente começou a discotecar mais também, a música eletrônica foi ficando cada vez mais presente. Ouvimos muita mixtape durante as viagens.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Podem especificar melhor que discos e mixtapes vocês mais ouviram durante as viagens?<br />
</strong><br />
Pata: Acho que o primeiro disco que temos que citar é o <em>A Tábua de Esmeralda</em>, do Jorge Ben. A gente ouviu esse disco algumas milhões de vezes. Ouvimos muito Novos Baianos, Tom Zé, Caetano. Muito Paralamas, Sting pra caramba. A maioria das coisas que a gente tava ouvindo era em português. Que sentido tava fazendo cantar em inglês agora? Começamos a nos perguntar, &#8220;por que a gente canta em inglês&#8221;? Foi uma pergunta que a gente já respondeu um milhão de vezes, dando os mais diferentes tons de resposta. Mas o motivo principal é que é muito mais fácil compôr em inglês.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-45804" title="Jorge Ben" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/jorgeben.jpg" alt="" width="680" height="681" /><em>Capa de </em>A Tábua de Esmeralda<em>, do Jorge Ben, um dos discos mais ouvidos pelo Holger em turnê</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Compôr em inglês é mais sonoro?<br />
</strong><br />
Tché: É mais fácil, pelo simples motivo de não ser a nossa língua. Você está usando uma máscara, está se arriscando menos. Mas, cara, dá pra compôr em português e ficar legal. Olha o Do Amor, olha o Mundo Livre S/A&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Hmmm&#8230; Vocês acabaram de citar um monte de referências &#8220;fora do espectro indie&#8221; para este próximo disco. Certa vez o Pata me disse que &#8220;as bandas indies mais bacanas de se ouvir são aquelas que não se inspiram só no que é necessariamente indie&#8221;. Talvez seja o caso de terceirizar fonte de inspiração, né? Beber na fonte de quem já bebeu de uma outra fonte e etc&#8230;<br />
</strong><br />
Pata: Que é a impressão que dá quando você ouve tipo o Foster the People. Os caras ouviram Passion Pit e Peter Bjorn &amp; John&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Rola: E no palco soam como o James Blunt (risos)!</p>
<p style="text-align: justify;">Pedro: Falando sério, a gente caiu na geração Napster e sempre baixou muita música. São cinco caras na banda, todo mundo sempre ouviu muita música de muitos estilos diferentes e mesmo assim cada um tem um lado mais forte, fases mais fortes. Isso no final ajudou muito a gente a sair desse meio &#8220;indie&#8221; e procurar fontes mais lá embaixo.</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: Foi tipo &#8220;se a gente tá indo pra esse lado, vamos assumir o que a gente tá fazendo de uma vez&#8221;? E aí os nossos encontros pra fazer música era basicamente ficar sentado aqui nessa varanda, fumando um, ouvindo coletânea de axé, prestando atenção na batida&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Um brainstorm e um momento de pesquisa confortável faz toda a diferença, então?<br />
</strong><br />
Tché: Certa vez a gente pegou a bateria do início de um axé, deu um loop, sampleamos aquilo, ficou impressionante&#8230; não entrou no disco, mas aí veio a sacada de olhar o axé com outros olhos, como o ritmo foda que ele é de verdade. Escuta aí, Timbalada, &#8220;Beija-Flor&#8221;. Puta música foda, com um arranjo de percussão maravilhoso, uma melodia doce&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Rola: Axé é foda. É doce, é aquela música que te dá vontade de levantar os braços e ir atrás de todo mundo, tá ligado? É muita vibração.</p>
<p style="text-align: justify;">Tché: Como a gente viajou muito, foi em muito festival, viu muito show, nos aproximamos de sons de um jeito que talvez não rolaria se só estivéssemos ouvindo um disco, sabe?</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: Fizemos setenta e sete shows no ano passado. Sem falar em ensaio, participação em rádio, TV&#8230; a gente tava tocando tanto que estávamos nos tornando melhores músicos, numa sintonia muito grande entre a gente. Eu conhecia minha guitarra mais do que nunca, pesquisei o efeito que queria com ela pra buscar uma nova sonoridade. Acho que eu tô no meu auge como músico.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Viajando em turnê, acredito que vocês puderam perceber como o nosso país é rico pra caramba, né? O que de mais legal vocês descobriram cruzando o Brasil?<br />
</strong><br />
Tché: Teve uma vez que a gente foi pra Porto Velho e aí resolvemos sair à noite. Vimos uma bandinha tocando lá, da cidade mesmo, foi foda. Era um repertório de covers, coisa simples, mas essa experiência do &#8220;som local&#8221; pode ser comparada a quando você está em Austin, no Texas, e vê uma banda fudida de lá também&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Essa pegada regionalista no som das bandas de hoje tá assumindo proporção de tendência, né? Bandas brasileiras querendo fazer som brasileiro de verdade, ao contrário do que a gente viu há alguns anos, quando as produções do indie rock nacional eram bem semelhantes, mais pasteurizadas e tal&#8230; isso tem tudo a ver com o Holger, né?<br />
</strong><br />
Rola: É exatamente isso. A gente quer pegar esse tom regionalista e transformar em música pop coerente com a nossa proposta como banda.</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: Cara, o Brasil é o lugar mais legal do mundo e isso anda muito óbvio pra qualquer um agora. É muito rico culturalmente&#8230; é muito foda, tá ligado? Eu não quero parecer uma banda indie americana. Eu quero parecer uma banda de São Paulo.</p>
<p style="text-align: justify;">Rola: É, uns malucos de São Paulo, (risos)!</p>
<p style="text-align: justify;">Tché: Isso de parecer americano vicia as bandas, é natural, porque é lógico que tem música de qualidade nos Estados Unidos e chega muita coisa pra nossa geração. Não tem como fugir dessa influência. Mas a gente tá falando de uma questão de identidade e aí vem esse lance do auge. Nesse disco conseguimos nos encontrar melhor e talvez a gente ainda vá além. O <em>Sunga</em> tem muito dessa influência indie gringo, o <em>Green Valey</em> então&#8230; cara, a gente queria ser o Pavement, o Wilco&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: Dessa vez a gente só quer ser a gente.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-45823" title="Holger" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/holger21.jpg" alt="" width="650" height="655" /><em>Nos intervalos das gravações do novo disco&#8230;</em> | Fotos: Reprodução</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Pensando numa perspectiva além de música, o que mais influenciou vocês na gravação desse disco? Mulher, sol, praia, Brasil, calor?<br />
</strong><br />
Pata: A vida, cara (risos)! Bom, eu tranquei minha faculdade, o Rola também, o Che largou o trampo dele&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Pedro: É por aí, todo mundo parou pra fazer esse disco mesmo. E isso influenciou em várias coisas. O Tché falou uma vez uma parada que fez todo sentido: &#8220;cara, como a vida à tarde é gostosa&#8221;. E como todo mundo estudava e trabalhava, a gente não vivia a tarde de forma livre. Decidimos começar a ter isso. Eu acordava, vinha de metrô pra cá, a gente ia a pé pro Mancha, de tarde, ficava ouvindo o barulho da rua&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Tché: O lance com o Mancha foi muito importante, foi decisivo. A gente fez um esquema com ele pra compôr o disco lá na casa dele, que é um lugar muito aconchegante&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Rola: A Casa do Mancha é mesmo uma casa no final das contas, né? Uma casa que na verdade não é de ninguém, porque ninguém passava o dia lá, então acabou sendo a nossa segunda casa durante a gravação do disco&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: As pessoas que trabalham lá são demais. Eu já trabalhei no bar&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>No bar do Mancha?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Tché: Porque ele quis, ele pediu (risos)!</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-45806" title="manchaedago" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/manchaedago.jpg" alt="" width="650" height="325" /><em>Mancha (Casa do Mancha) e Dago (Neu Club/Avalanche Tropical) | </em>Fotos: Reprodução</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: A gente fez tudo sem pressão durante o processo de composição. Tudo o que a gente fazia era tipo uma jam de algumas horas. Gravando no iPhone mesmo. Chegava lá, sentava e ficava tocando, quieto, durante uma hora, duas&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Rola: Aí parava, fumava um cigarro, começava a ouvir um som&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: Depois a gente mandava pro e-mail de cada um e falava: &#8220;porra, cara, essa guitara aqui ficou legal!&#8221; A gente dava uma editada em tudo e assim fomos construindo o esqueleto das músicas. Fomos pro estúdio com menos de metade das letras prontas, mas com todas as estruturas delas prontas.</p>
<p style="text-align: justify;">Pedro: O que influenciou na gravação do disco foi isso, a gente ter chegado no estúdio com muitas ideias. Com quase músicas. E não dá pra não falar do Alex, que foi o produtor certo na hora certa&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quando eu fiquei sabendo que era o Alex do <a href="http://myspace.com/bananasandecstasy" target="_blank">Lemonade</a> quem ia produzir o disco de vocês foi muito complicado segurar pra não soltar.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Pata: Você foi o primeiro a saber!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Falem um pouco do trabalho com ele. É um cara muito talentoso, né?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Pata: Ele é muito! Muito! Ele é um gênio, cara.</p>
<p style="text-align: justify;">Pedro: E a gente nem sabia o quanto! O Alex é um gênio, ele é foda. Quando ele chegou a gente não sabia quantas habilidades ele tinha.</p>
<p style="text-align: justify;">Rola: Ele é formado em Música e, o mais legal de tudo, vem da música eletrônica.</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: Tanto é que ele chegou no estúdio com um Manual de Gravação, porque ele falou: &#8220;cara, faz um tempo que eu não gravo uma banda, então eu trouxe esse livro pra ajudar e tal&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Rola: Ele deve fazer tudo em live, né, cara? Vai pro estúdio e usa só Protunes e Logiq.</p>
<p style="text-align: justify;">Tché: Tipo aqui, ó: <em>(Pata aumenta o som da varanda e todos param pra escutar a demo de uma das faixas do novo disco)</em> Tudo isso aqui são instrumentos eletrônicos, tudo feito em live. Foi assim que a gente começou a construir o álbum. Essa música foi a que a gente fez com o Bonde, e ela mudou muito com o Alex. Ela era bem mais indie e ficou bem mais pancadão, mais suingada.</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: O Alex chegou aqui em dia 7 de janeiro. No dia 9 de janeiro a gente começou a trabalhar, a gente gravou todas as bases das músicas. Conforme ele ia trabalhando as bases e nos passando, a gente ia fazendo as letras. No dia 12 de janeiro, a gente entrou em estúdio e saímos lá pelo dia 20.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-45807" title="Alex" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/alex.jpg" alt="" width="650" height="433" /><em>Alex Pasternark, do Lemonade, produtor do novo disco do Holger</em> | Foto: Karla Gironda</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E vocês contaram com muitas parcerias pra gravação em estúdio, né? Conta aí pra gente quem colaborou.<br />
</strong><br />
Tché: Teve o João Paraíba, a participação mais sinistra do mundo. Ele é o percussionista do Trio Mocotó. Um monstro, já tocou com o mundo inteiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: O João Paraíba, junto com o Jorge Ben, inventou o samba-rock.</p>
<p style="text-align: justify;">Pedro: É, eles gravaram vários discos juntos. Cara, ele é um dos maiores percussionistas da música nacional e, como a gente tem essa pegada de percussão, foi a participação ideal.</p>
<p style="text-align: justify;">Tché: Foi animal! Foi do caralho ver ele tocando, gravando sobre as nossas bases.</p>
<p style="text-align: justify;">Pedro: E ele é uma figuraça! A gente ficou trocando ideia com ele e ele é demais. Tem história com todo mundo. Acabou de fazer uma turnê com o Madlib&#8230; Comanche&#8230; Ele é conhecido como Comanche e segundo a lenda foi o Santana quem deu esse apelido pra ele.</p>
<p style="text-align: justify;">Pedro: Fora ele, teve a participação da Irina, do <a href="http://bandagarotassuecas.com.br" target="_blank">Garotas Suecas</a>, que gravou uns vocais com a gente. Teve a Camila, uma amiga, e a Luisa, que já trabalhou com o Garotas também.</p>
<p style="text-align: justify;">Rola: Com o <a href="http://myspace.com/bondedorole" target="_blank">Bonde do Role</a> foi mais no início, não foi bem uma participação. A gente gravou algumas músicas que iam sair num EP especial, mas acabamos incorporando pro disco.</p>
<p style="text-align: justify;">Pedro: Teve participação do <a href="http://myspace.com/bombaestereo" target="_blank">Bomba Estéreo</a>, da Colômbia; do Vinão, que é saxofonista&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: E, claro, o DW. O DW é amigo nosso há muito tempo. É o cara mais louco do mundo, e um compositor de primeira. Ele é foda. Faz melodia como ninguém. Letra, então&#8230; Eu fiz uma música com ele um dia. Ele ouviu nossas demos, deu ideia de uma letra&#8230; E teve um dia no estúdio que a gente tava com a corda no pescoço.</p>
<p style="text-align: justify;">Rola: &#8220;DW, cola aqui, mano!&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: É, a gente tava num dilema foda, tava pra tirar a música do disco, o instrumental tava animal, mas a gente não conseguia chegar numa letra. Toda letra que a gente fazia ficava ruim. Não sabíamos mais o que fazer. Aí a gente chamou o DW, e além de fazer uma puta letra ele ainda gravou o vocal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Que música é essa?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Tché: Os nomes ainda não são oficiais, mas essa deve ser &#8220;Me Leva pra Nadar&#8221;.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-45808" title="holger_casagrande" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/holger_casagrande.jpg" alt="" width="650" height="476" /><em>Holger x Casagrande </em>| Foto: Reprodução<em><br />
</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mudando de assunto, uma vez vocês disseram no <a href="http://twitter.com/myholger" target="_blank">Twitter do Holger</a> que o disco novo iria levá-los pro Faustão. E brincadeiras à parte, dá pra entender agora que isso tem uma ligação forte com o caminho pro qual vocês estão rumando, não tem?<br />
</strong><br />
Pedro: A grande questão é: se a gente chegar ao ponto de ser convidado pra tocar no Faustão, a gente vai achar mó maneiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: Eu te explico aquilo (risos). Na páscoa do ano passado a gente tinha ido tocar em Ilhabela. E aí um dia a gente foi pra praia, tomou um ácido e ficou vendo uma banda tocar na praia. E a banda tocava cover de Tim Maia, cover de Lulu Santos, Natiruts. Tava um puta pôr-do-sol lindo, a gente tava se divertindo horrores. Aí eu pensei: &#8220;cara, eu preciso fazer um som que seja acessível a ponto de um cara tocar na praia pras pessoas e as pessoas entenderem aquilo&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Rola: Isso tem muito a ver com a gente ter começado a fazer música em português. É acessível, qualquer pessoa por aqui vai entender. Por mais que não entenda o som, vai saber o que eu tô falando, vai entender o que eu tô querendo passar, vai conseguir cantar junto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quando eu falei do tweet do Faustão eu também pensei na posição de vocês sobre aquele papo furado todo de popularização do indie, sabem?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Tché: Tipo &#8220;trair o movimento&#8221;, né?</p>
<p style="text-align: justify;">Rola: O movimento é divulgar nosso som, mano!</p>
<p style="text-align: justify;">Pedro: O que a gente quer com o Holger, e isso é natural quando se tem uma banda por por prazer, é que o máximo de pessoas conheçam e escutem sua música. Não faz sentido você fazer uma música e dizer &#8220;ah, não quero que essa pessoa escute&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">Rola: Para qualquer coisa que você tenta fazer na vida, você dá o melhor que conseguir, certo? Então o melhor que eu conseguir vai ser, sei lá, as pessoas gostarem do meu som a ponto de eu ficar do tamanho do U2, sabe?</p>
<p style="text-align: justify;">Tché: Esse lance de preconceito é absurdo. Por que é errado tocar no Faustão? É um programa que passa no domingo e tem uma audiência muito grande. Não tem problema.</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: Sem falar que o Faustão é mó boa praça, vai!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vocês hoje fazem parte da <a href="http://avalanchetropical.com" target="_blank">Avalanche Tropical</a> e eu acredito que o projeto é uma das paradas mais autênticas e divertidas que surgiram na música brasileira nos últimos anos. Como é estar ali no meio? Qual foi a influência de fazer parte de um lance como este para o próximo disco do Holger?<br />
</strong><br />
Pata: A Avalanche Tropical foi definitiva, principalmente, para a pesquisa musical que a gente fez pro disco. Posso falar que a gente usou a Avalanche Tropical a nosso favor, por ver as coisas que a galera tava postando no blog e a gente também se sentindo forçado a pesquisar conteúdo bacana. Dá um salto criativo você estar num grupo de artistas criativos. Um estimulando o outro, aglomerando parcerias, todo mundo acreditando numa coisa. Sem contar que três dos seis artistas vão lançar discos este ano.</p>
<p style="text-align: justify;">Pedro: E um deles não vai lançar disco, <a href="http://www.avalanchetropical.com/post/17316213526/dago-no-sonar-barTchéna-2012" target="_blank">mas vai tocar no Sónar Barcelona</a>!</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: É um clima efervescente, um ambiente muito bom pra criar. A gente se sente mais forte juntos do que separado.</p>
<p style="text-align: justify;">Pedro: As pessoas nas quais a gente se influenciou para criar a Avalanche foi a <a href="http://zzkrecords.com" target="_blank">ZZK</a> na Argentina, a <a href="http://maddecent.com/" target="_blank">MAD Decent</a>&#8230; turmas que viraram um selo e começaram a exportar um certo tipo de música &#8211; no nosso caso, a música brasileira. A gente sempre achou isso muito legal. A ZZK, por exemplo, exportou a cumbia digital pro mundo inteiro.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-45809" title="Avalanche Tropical" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/avalanchetropical.jpg" alt="" width="650" height="434" /><em>Banda Uó, André Paste, Dago, Drunk Disco e Holger formam a Avalanche Tropical | </em>Foto: Sérgio Takahata</p>
<p><strong>Sim, e é também um movimento inédito, porque, por exemplo, dá pra imaginar que as pessoas que escutavam Holger há dois, três anos estariam se identificando com o tecnobrega hoje?<br />
</strong><br />
Pata: Ao mesmo tempo que eu acho que isso atraiu gente, acho que a gente também perdeu. Obviamente deve ter gente que deve adorar, achar do caralho, como também gente que deve falar: &#8220;meu, os caras viraram uns palhaços, começaram a entrar numa pilha de querer ser brasileiro&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Tem os dois lados, né? E dos quase oitenta shows que vocês fizeram ano passado, vocês conseguem citar os momentos mais legais?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Pata: O <a href="http://sxsw.com" target="_blank">South by Southwest</a> de 2011 foi extremamente importante.</p>
<p style="text-align: justify;">Tché: Foi meio mágico, eu diria. A gente tinha um showcase só. Isso no South by Southwest é pouquíssimo, tem banda que toca 14 vezes em 4 dias. Conseguimos apenas um oficial e nenhum outro extra. É aleatório, né, eles colocam você numa casa X&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Rola: Colocaram a gente num showcase sulamericano, sei lá, latino. Bandas de rock de países latinos.</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: Rolou cover de The Doors antes da gente, pra você ter noção. Era um lugar muito bom, tava mais ou menos movimentado, mas cabia 100 pessoas no máximo&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Pedro: A gente começou a tocar e foi enchendo a casa. Só fizemos esse show e tinham três pessoas muito certas que calharam de estar ali. A mina da BBC de Londres, o cara da NPR&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: A NPR hoje em dia é uma das maiores influências da imprensa musical, o jornalista de lá viu nosso show e <a href="http://www.npr.org/2011/03/23/134798853/discoveries-at-sxsw-2011" target="_blank">listou o Holger como uma das maiores descobertas do South by Southwest</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Rola: E eu lembro da gente nem achar o show tão bom!</p>
<p style="text-align: justify;">Tché: É, a gente ficou na bad depois. Só que todo mundo gostou muito!</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: Outro show muito bom foi <a href="http://www.noisey.com/pt_br/watch/meet-holger" target="_blank">o de Realengo, no Rio, pela Noisey</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Pedro: Esse dia foi muito foda! A gente nunca imaginou que tocaria em Realengo um dia. Não sabíamos o que esperar!</p>
<p style="text-align: justify;">Rola: Acordamos, o cara já levou a gente pra Lagoa. Tomamos um choppinho ali, uma água de côco, ficamos trocando ideia com a Vice. Depois pegamos a van e fomos pra Realengo. Chegou lá, mano&#8230; uma tenda no meio do nada, tenda Gilberto Gil.</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: O <a href="http://dorgas.bandcamp.com/" target="_blank">Dorgas</a> tocou antes e fez um show mágico! Todo mundo já tava feliz de estar ali. Tínhamos acabados de voltar de turnê, todo mundo amigo, e o Dorgas&#8230; a gente é apaixonado por eles &#8211; inclusive me lembra de falar deles em entrevista se não o Guerra me xinga&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Tché: (risos) Mas era isso. A gente já tava numa vibração muito intensa, e aí subimos no palco sem esperar qual seria a reação do público. O show foi indo e o pessoal começou a responder de uma forma muito foda. Fomos nos empolgando até que culminou num momento em que a galera toda subiu no palco, a gente ficou meia hora cantando funk. O Guerra de cueca em cima do Rola, e aí uma hora alguém falou assim: &#8220;E aí, quem quer vir aqui pra cima cantar um funk?&#8221; Aí um moleque foi lá e disse: &#8220;Eu, eu tenho um funk que eu fiz e eu quero cantar&#8221;</p>
<p style="text-align: justify;">Pedro: Na frente de todo mundo que tava em cima do palco ele chegou e começou a mandar o &#8220;Funk do Pau Molão&#8221;, fazendo a dança do Pau Molão! Foi todo mundo à loucura!</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-45811" title="Holger em Realengo" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/realengo.jpg" alt="" width="650" height="434" /><em>Holger em Realengo | </em>Foto: Noisey</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: Outro show foda foi em Floripa, com o <a href="http://soundcloud.com/drunkdisco" target="_blank">Drunk Disco</a>, o <a href="http://myspace.com/copacabanaclubmusic" target="_blank">Copacabana Club</a> e uma escola de samba. Nesse dia a gente tava numa onda muito boa porque ia tocar com o Copacana Club e exatamente nessa noite a gente tinha ganhado o Prêmio Multishow juntos, o Copacabana e o Holger. Então foi uma puta festa!</p>
<p style="text-align: justify;">Tché: E ainda tinha a escola de samba, Unidos da Ilha, campeã do carnaval de Floripa. Foi demais porque esses shows que funcionam como uma celebração são sempre diferentes.</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: Teve a Turnê Positivo que a gente fez, tocando nas escolas. Era um evento pra turma do colegial, com um público de 15 a 17 anos, cerca de 5000 adolescentes por dia. Dava 8h30 da manhã e a gente subia no palco. Tocava uma música, parava, entrava um cara, fazia tipo uma palestra, aí a gente entrava de novo, tocava, dava uma entrevista, falava com a galera, rolava outra palestra, e depois de 1h30 o pessoal afastava as cadeiras e a gente fazia um show completo.</p>
<p style="text-align: justify;">Tché: A gente nunca tinha tocado pra adolescente antes e o pessoal respondeu muito bem! Chegamos a tocar até em Porto Velho, Rondônia, Amazonas!</p>
<p style="text-align: justify;">Rola: E o curioso com o adolescente é que eles não compram muito a música em si. É muito mais o lifestyle, a imagem, o contexto. Sei lá, a gente foi pra Porto Velho, chegamos lá como uma simples banda de São Paulo, e o público do ensino colegial de uma escola pública não tem muito acesso a isso, sabe? Você chega lá, toca o seu som e a galera pilha, não tem jeito! Teve uma vez que chegou um moleque de 12, 13 anos e perguntou se íamos tocar, disse que gostava de música, mas queria saber como fazer porque não tinha dinheiro pra pagar.</p>
<p style="text-align: justify;">Pedro: A grande questão é que a galera curtiu muito. Depois de todo show a gente ficava uma hora e meia dando autógrafo, conversando, tirando fotos, tinha fila pra tirar foto com a gente. Era uma coisa que a gente nunca tinha vivido assim. E eu nem acho que a gente vá viver muito (risos).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Era aonde eu queria chegar: isso tudo é formação de público.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Pedro: Sim. Essas pessoas depois nos adicionaram no Facebook, no Twitter, criaram fã-clubes, ficam perguntando quando vai ter show de novo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Falando em bandas amigas e indicações, quais foram os projetos mais legais que vocês viram surgir no Brasil nos últimos anos?<br />
</strong><br />
Tché: Eu gosto do Garotas Suecas e &#8211; pode parecer suspeito porque eu tô na Avalanche &#8211; do <a href="http://soundcloud.com/andrepaste" target="_blank">André Paste</a>. Acho o André um moleque genial. Toda vez que eu vi ele tocando foi sempre muito foda. É surpreendente. Ele tem uma musicalidade, uma sensibilidade que é muito pesada. O Dorgas eu acho muito louco por causa desse lance da originalidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Pedro: Tem o <a href="http://myspace.com/doamor" target="_blank">Do Amor</a> também, mas o Do Amor não faz show, carái (risos)!</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: O Do Amor é sem dúvida uma das maiores influências nossas.</p>
<p style="text-align: justify;">Rola: Esse aí foi sem dúvida outro show mágico, que a gente fez com o Do Amor! Foram dois shows, um em Maringá e outro em Londrina. Foi no começo de 2011, com o Do Amor abrindo pro Holger, o que a gente achou muito retardado.</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: (risos) Isso não fez o menor sentido pra gente.</p>
<p style="text-align: justify;">Rola: Foi tipo, os caras tocaram e a gente: &#8220;ah, então tá bom. Vamo lá passar vergonha agora&#8221;. Foi inacreditável.</p>
<p style="text-align: justify;">Tché: Os caras são muito bons, muito bons músicos, têm muito carisma no palco também.</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: E a gente é amigo dos Garotas Suecas desde antes da banda existir. Vimos eles evoluindo e é outra banda que também destrói ao vivo.</p>
<p style="text-align: justify;">Pedro: O Perdido é um puta baixista, talvez um dos melhores que existam hoje em dia! Ele toca baixo pra caralho!</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-45813" title="Do Amor e Garotas Suecas" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/doamor_garotas.jpg" alt="" width="649" height="264" /><em>Do Amor e Garotas Suecas, duas indicações de bandas nacionais do Holger | </em>Fotos: Reprodução</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: Tem a <a href="http://bandauo.com" target="_blank">Banda Uó</a>, o <a href="http://myspace.com/bondedorole" target="_blank">Bonde do Role</a>, o <a href="http://myspace.com/blackdrawingchalks" target="_blank">Black Drawing Chalks</a> também, que a gente curte muito. DW, <a href="http://myspace.com/contraflux" target="_blank">Contra Fluxo</a>, Karol Konká, Debate &#8211; que é a banda do Sérgio Ueda -, <a href="http://myspace.com/thedeadloverstwistedheart" target="_blank">Dead Lovers Twisted Heart</a>&#8230; cara, sei lá, eu poderia passar algumas horas citando bandas que eu adoro e nas quais acredito aqui.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ouvindo o disco novo em segundo plano aqui agora, dá pra perceber que a influência de música eletrônica é grande mesmo. Tá tudo bem dançante.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Pedro: O disco faz parte dessa fase em que a gente começou a ouvir música eletrônica. E aí veio o Alex, que é produtor de eletrônico, e tudo casou no momento certo.</p>
<p style="text-align: justify;">Tché: A influência foi muito mais do Alex. Ele é um cara muito rítmico.</p>
<p style="text-align: justify;">Rola: A gente fez um processo diferente, porque uma banda normalmente vai do metrônomo, começa a gravar a bateria, aí vem o baixo e todas as outras coisas. O Alex fez diferente, ele ouviu as nossas demos, sacou o BPM, construiu a batida e falou: &#8220;é isso&#8221;. Então a gente não gravou em cima de metrônomo, a gente começou com guitarra e baixo, foi bem diferente. E isso deu essa cara mais eletrônica, porque a gente não ficou preso à bateria, nem nada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O mais legal é que isso deve contribuir pra uma atmosfera bem diferente pro show novo, certo? Esse background eletrônico faz a apresentação parecer mais festiva?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Tché: Sim, e as composições também estão mais soltas, mais quebradas, são mais acordes e tal. O <em>Sunga</em> era mais rock, e lógico que ainda tem rock aqui. Oouquíssimo, mas&#8230; sei lá, nem sei o que é rock mais. O que é rock? Quem sabe?</p>
<p style="text-align: justify;">Rola: Pois é, é aquela história&#8230; eu só acho que a gente é indie porque a gente não fez muito sucesso, tá ligado? Se não a gente não seria. Porque o &#8220;indie&#8221; ao mesmo tempo é tudo e não é nada, qualquer coisa pode ser indie. A gente é indie e a Mallu Magalhães também é indie, viu o contraste?</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: E a Mallu Magalhães é uma gata.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Querem acrescentar algo à entrevista, que talvez eu não tenha perguntado?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Pata: Esse álbum tinha que ser a melhor coisa que fizemos, ou não valeria mais a pena fazer música. A gente tinha isso na cabeça, poderíamos fazer alguma coisa que ficasse no mesmo nível ou atrás do <em>Sunga</em>, ou produzir algo muito melhor e ter ainda mais tesão de tocar. A gente se arriscou no português, arriscou colocar sopros, meninas cantando, flertamos com o eletrônico&#8230; quisemos nos arriscar e ser sincero no que a gente tá arriscando. Vamos trabalhar pra lançar entre junho e agosto e não sabemos como a galera vai receber, porque ele é mesmo muito diferente. Espero que recebam bem, mas se não for a gente já tá bem feliz e orgulhoso de ter feito ele.</p>
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		<title>Baterista do Band of Horses revela, em entrevista exclusiva, que novo disco chega em setembro</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Apr 2012 21:10:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Neto Rodrigues</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[band of horses]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Lollapalooza]]></category>

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										</div><p style="text-align: justify;">A caminho do Brasil e uma das principais atrações deste sábado do Lollapalooza BR, o <strong>Band of Horses</strong> traz na bagagem 3 discos com misturas belíssimas de rock, folk, indie e influências de alt. country.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-44580" title="Band of Horses" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/Band-of-Horses1.jpg" alt="" width="648" height="432" /></p>
<p style="text-align: center;"><em>Creighton Barrett (primeiro à esquerda) e o Band of Horses</em></p>
<p style="text-align: justify;">Antes de embarcar para São Paulo, <strong>Creighton Barrett</strong>, homem das baquetas do quinteto de Seattle, separou uns minutinhos para falar por telefone com o <strong>Move That Jukebox</strong>, cortesia da Som Livre &#8211; que, aliás, já colocou <em>Infinite Arms</em>, trabalho mais recente do BoH, nas lojas do país. Se você ainda não conhece o disco, comece agora pelo ótimo single &#8220;Laredo&#8221;, disponibilizado para download gratuito como <a href="http://itunes.apple.com/br/album/laredo-single-da-semana/id515569185" target="_blank">Single da Semana no iTunes</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Barrett, de bom humor e bem comunicativo, explicou por que o grupo tem deixado de lado as músicas de seu terceiro álbum. De acordo com o baterista, a maioria das faixas de <em>Infinite Arms</em> são mais elaboradas, cheias de camadas de som e não seriam adequadas para a primeira visita da banda à América Latina, principalmente participando de um festival cheio de bandas bem roqueiras como Foo Fighters e Cage The Elephant.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre a banda de Dave Grohl, Creighton revela que se dá bem com os integrantes e que já tocaram juntos algumas vezes &#8211; o Band of Horses, aliás, chegou a abrir shows do Foo Fighters na Wembley Arena no começo de 2011.</p>
<p><object width="560" height="395" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/HHRx7pO4hQY?version=3&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed width="560" height="395" type="application/x-shockwave-flash" src="http://www.youtube.com/v/HHRx7pO4hQY?version=3&amp;hl=pt_BR" allowFullScreen="true" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" /></object></p>
<p style="text-align: center;"><em>Assista à banda apresentando &#8220;Laredo&#8221; no palco de David Letterman</em></p>
<p style="text-align: justify;">Questionado sobre como é tocar em uma banda que já tem 10 ex-integrantes, Barrett foi político. &#8220;Às vezes leva tempo até chegar na formação ideal, com pessoas com as quais você se dá bem e gosta de tocar junto&#8221;, esclarece. Apesar das várias mudanças no line-up do grupo, Chreighton é o segundo membro mais antigo, ficando atrás apenas do vocalista e fundador Ben Bridwell.</p>
<p style="text-align: justify;">E pra quem está curioso pra saber quando o quarto disco de estúdio do Band of Horses irá sair, boas notícias. De acordo com Barrett, a banda já tem bastante material pronto e irá retomar as sessões e a produção, em Los Angeles, logo após os shows latinos. A previsão é que o novo trabalho seja lançado em setembro, novamente pela Columbia Records.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre influências recentes e novidades em seu iPod, o baterista deu algumas sugestões. O cantor americano <a href="http://www.fatpossum.com/artists/aa-bondy" target="_blank">A. A. Bondy</a>, o músico <a href="http://breakityourself.andrewbird.net/" target="_blank">Andrew Bird e seu belíssimo novo disco</a>, e <a href="http://www.ilovestvincent.com/" target="_blank">St. Vincent</a>, banda liderada por Annie Clark, são alguns dos sons que têm mais mexido com a cabeça do carismático músico, e são também as recomendações dele pros leitores do Move That Jukebox. Se fosse vocês, seguiria as dicas.</p>
<p style="text-align: justify;">O Band of Horses se apresenta às 17h deste sábado (07), no <a href="http://lineup.lollapaloozabr.com/events/2012/04/08/" target="_blank">palco Butantã</a> da primeira edição brasileira do Lollapalooza.</p>
<p style="text-align: justify;">(Não conte pra ninguém, mas Barrett revelou a POSSIBILIDADE de um jam session acústica da banda no palco Kidzapalooza em algum dos dois dias. Então, fique esperto!)</p>
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		<title>Entrevista: Francisca Valenzuela</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Mar 2012 23:34:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gregório Fonseca</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Francisca Valenzuela]]></category>

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										</div><p><img class="aligncenter size-medium wp-image-42841" title="Francisca Valenzuela" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/Francisca-Valenzuela-648x432.jpg" alt="" width="648" height="432" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Francisca Valenzuela</strong> nasceu em San Francisco, Califórnia, mas se mudou para Santiago, Chile, aos treze. Já tem dois discos na bagagem e atualmente divulga o independente Buen Soldado. Ano passado ela foi atração do palco principal do Lollapalooza Chile e nos próximos dias se apresentará no SXSW, no Texas, onde tocou também em 2011.</p>
<p style="text-align: justify;">Seu som vai do pop ao rock alternativo, com influências de jazz e folk. O piano é seu principal instrumento, mas ela também se aventura pelo violão, sempre acompanhada por uma banda completa nos shows. Antes de ser uma cantora profissional, publicou 2 livros, um em inglês e outro em espanhol. Conversamos com ela via e-mail e você confere a entrevista a seguir.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-42840" title="Francisca Valenzuela por Tony Solis" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/Francisca-Valenzuela-por-Tony-Solis.jpg" alt="" width="648" height="442" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move That Jukebox: Qual é a melhor coisa em ser uma artista?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Francisca Valenzuela: Fazer coisas tão diversas; ser criativa, criar conteúdo, o desafio de ter uma carreira independente tão dinâmica e com tantas mudanças; liberdade.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: Você é conhecida como a princesa do rock chileno. Você concorda com esse título?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">FV: Esse título veio de um artigo da Rolling Stone depois que eu participei de um grande festival chamado Vive Latino. Eu acho que se o título vem numa situação de reconhecimento, à capacidade de compor e executar, feminilidade e humor, está ok <img src='http://movethatjukebox.com/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';)' class='wp-smiley' /> . Eu realmente não me apoio no que eles me chamam, apenas me sinto sortuda o suficiente por haver interesse em minhas músicas, minhas palavras, meu projeto.<span id="more-42837"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-42839" title="Francisca Valenzuela por Cristián Valenzuela" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/Francisca-Valenzuela-por-Cristián-Valenzuela-648x433.jpg" alt="" width="648" height="433" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: Artistas latino-americanos usualmente tem dificuldades em alcançar os Estados Unidos, algumas bandas até mesmo cantam em inglês como forma de alavancar suas carreiras internacionais, mas você já fez diversos shows por lá. Quais são os principais obstáculos ao se tocar nos Estados Unidos?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">FV: Eu sempre escrevi e cantei em inglês e espanhol, e continuarei a fazer isso &#8211; eu acho que tenho me apresentado e cantado mais em espanhol devido ao fato de viver num país que fala espanhol, e quero que as pessoas me entendam. Letras e comunicação são importantes!!! Creio que atingir os EUA é importante e, sem dúvida, difícil, mas se você fizer músicas interessantes e um bom show ao vivo &#8211; e no meu caso eu me apresento em ambas as línguas &#8211; é o suficiente para explorar apresentações por lá.</p>
<p><strong>MTJ: Recentemente, os seus instrumentos foram roubados no estúdio. Como você se sentiu quando isso aconteceu?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">FV: Foi terrível, eles roubaram TUDO. Todo o nosso patrimônio de equipamentos e instrumentos, meu e de meus músicos. Felizmente, fizemos uma grande campanha online e na imprensa para evitar a revenda desses equipamentos, e nós surpreendentemente recuperamos um terço de tudo. Foi uma grande perda e me senti muito desconfortável e vulnerável, mas é uma coisa horrível que acontece com as pessoas comuns e é preciso simplesmente continuar a trabalhar, e ser grato por nada ter acontecido a seus entes queridos.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-42838" title="Francisca Valenzuela por Carlos Muller" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/Francisca-Valenzuela-por-Carlos-Muller-648x432.jpg" alt="" width="648" height="432" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: No ano passado você veio ao Brasil pra tocar com a Ana Cañas. Quais foram as suas impressões do público daqui?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">FV: Eu estava em turnê com o Paulinho Moska e a Ana no festival <em>Soy Loko Por Ti America</em>, em São Paulo e Brasília, e foi EXTRAORDINÁRIO. &#8220;Eu tenho saudade do Brasil!” Hahaha. “Eu tenho saudade do Açaí!” Hahaha <em>(Nota: as duas últimas frases foram em português)</em>. A música e a cultura brasileira são absolutamente maravilhosas e minhas experiências tocando lá foram extraordinárias. A plateia estava atenta, tinha um humor excelente, estavam relaxados e tinham um ritmo perfeito quando batiam palmas acompanhando a música!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: <em>Buen Soldado</em> acabou de ser lançado na Espanha esse ano, quase um ano depois do lançamento original. Você está longe de um novo álbum, ou já está trabalhando em novas composições?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">FV: Estou trabalhando lentamente em novas canções em espanhol e inglês. Esse é um álbum independente, por isso tem sido um trabalho duro lançá-lo por todos os EUA, América Latina e mais, bem como promovê-lo e tocá-lo. Mas agora ele está lançado, crescendo, e novos videoclipes e singles vem por aí. Estou animada em continuar promovendo-o e tocando-o para em breve começar a imaginar e criar um novo álbum!</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Todas as fotos foram retiradas dos álbuns da cantora no <a href="https://www.facebook.com/media/albums/?id=71871984800">Facebook</a>.</em></p>
<p style="text-align: justify;">Pra conhecer o som da moça, <a href="http://soundcloud.com/franciscavalenzuelamusic/" target="_blank">visite sua página no Soundcloud</a>.</p>
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		<title>Entrevista: SILVA</title>
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		<comments>http://movethatjukebox.com/entrevista-silva/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 27 Oct 2011 20:04:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hick Duarte</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[silva]]></category>

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		<description><![CDATA[<div style="padding-top:3px;padding-right:0px;padding-bottom:3px;padding-left:0px;;">
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										</div>Quem diria: um músico brasileiro acaba de ter o seu EP de estreia masterizado pelo mesmo produtor que finalizou os discos do James Blake. Descobrimos há vinte dias que o convite a Matt Colton foi feito por Lúcio SILVA Souza, um capixaba inspirado de 23 anos, de quem você deve ouvir falar bastante nos próximos [...]]]></description>
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										</div><p style="text-align: justify;">Quem diria: um músico brasileiro acaba de ter o seu EP de estreia masterizado pelo mesmo produtor que finalizou os discos do <a href="http://myspace.com/jamesblakeproduction" target="_blank">James Blake</a>. Descobrimos há vinte dias que o convite a <a href="http://www.airstudios.com/studios/mastering/matt-colton.aspx" target="_blank">Matt Colton</a> foi feito por Lúcio<strong> <em>SILVA</em> </strong>Souza, um capixaba inspirado de 23 anos, de quem você deve ouvir falar bastante nos próximos meses.</p>
<p style="text-align: justify;"><img src="http://www.fiestaintruders.com/news/files/2011/10/silva1.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">Se já não está ouvindo. Desde que SILVA disponibilizou seu <a href="http://www.mediafire.com/?c1yjzotpb0b5qdi" target="_blank">EP homônimo para download</a>, comentários tão empolgados quanto consistentes não páram de aparecer por aí. Seja via blogs, grande mídia, fãs (acredite, já rola) ou via gente descrente com a música nacional. <a href="http://www.oesquema.com.br/urbe/2011/10/24/transcultura-063-silva-wado.htm" target="_blank">O Globo chamou de &#8220;música contemplativa para espreguiçar&#8221;</a>, <a href="http://partybusters.virgula.uol.com.br/2011/silva-silva-2011/" target="_blank">o Party Busters falou em &#8220;meio chillwave, meio brazuca&#8221;</a>, <a href="http://miojoindie.com/2011/10/25/disco-silva-ep-silva/" target="_blank">o Miojo Indie comemorou como &#8220;um dos mais cuidadosos trabalhos que surgiram ao longo do ano em solo tupiniquim&#8221;</a> e a gente, pra entender melhor o fenômeno (experimental? sinestésico? submerso? indie-regionalista?), preferiu conversar diretamente com o rapaz e debulhar o contexto estético que pariu SILVA. O papo rendeu:<span id="more-36650"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move That Jukebox: Lúcio, de onde você é e o que faz? De onde vem a sua relação com a música?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SILVA:</strong> Sou de Vitória e sou um estudante de música, acho que tenho feito isso a maior parte do meu tempo. Minha família, por parte de mãe, tem uma certa tradição musical e acabei tendendo para isso. Fui musicalizado cedo e tive a sorte de ter um tio pianista, irmão mais novo da minha mãe, que me colocava para escutar música o dia todo, quando ele mesmo não estava estudando. Eu e meus irmãos quase que não tivemos escolha.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: Vitória? Você é conterrâneo do <a href="http://andrepaste.com" target="_blank">André Paste</a>, certo? Já pensaram em produzir juntos?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SILVA:</strong> Sou sim. O André foi o cara que me fez acreditar que eu deveria mostrar meu trabalho para as pessoas. Pensamos em produzir juntos sim e já fizemos alguns esboços. Uma hora vai rolar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: Como surgiu a ideia de criar o SILVA? Quais foram as suas principais referências?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SILVA:</strong> Eu queria lançar minhas músicas como um projeto, banda, mesmo tendo trabalhado sozinho a maior parte do tempo. Silva é meu nome do meio e o nome que herdei do meu avô materno, que sempre incentivou os músicos da família a acreditarem no que fazem. Inclusive, o violino que eu uso há alguns anos foi ele que me deu. O nome não deixa de ser uma homenagem.</p>
<p style="text-align: justify;">Sobre as referências, tenho um número grande e variado. Embora violinista de formação, eu aprendi a gostar mais das obras pra piano. Schumann é um dos que mais gosto. Adoro Ernesto Nazareth. Por ter sido criado num meio erudito, fica difícil não citar aqueles compositores todos, mas sempre gosto de saber o que meus amigos costumam ouvir, penso que é por isso que eu consegui me desprender um pouco do quadrado acadêmico. Ouço de tudo, quase tudo.</p>
<p style="text-align: justify;"><img src="http://www.fiestaintruders.com/news/files/2011/10/silva2.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: O seu EP de estreia é incrível. Inventivo, minimalista em alguns momentos, cheio de detalhes grandiosos em outros. Uma salada de instrumentos clássicos e de elementos eletrônicos que soa incrivelmente harmônica o tempo todo. Pode falar um pouco do processo de produção? Quem trabalhou com você nesse processo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SILVA:</strong> Eu escolhi as músicas que mais gostava e deixei os arranjos todos prontos, com exceção de &#8220;Acidental&#8221;, que foi feita em parceria com meu amigo Lucas de Paiva, que co-produziu e mixou o trabalho. Gravei duas faixas no Visom, &#8220;Imergir&#8221; e &#8220;A visita&#8221;. &#8220;12 de Maio&#8221; e &#8220;Cansei&#8221; foram gravadas na minha casa em Vitória e &#8220;Acidental&#8221; na casa do Paiva aqui no Rio.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: Foi você quem escreveu todas as letras?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SILVA:</strong> Não todas. Tenho um irmão bem talentoso para as letras, o Lucas. Ele é meu parceiro de composição. Quando ouviu &#8220;Imergir&#8221;, já produzida, pela primeira vez, sentou ao meu lado e escreveu a letra em 30 minutos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: É sério que o seu EP foi masterizado pelo <a href="http://www.airstudios.com/studios/mastering/matt-colton.aspx" target="_blank">Matt Colton</a>, o mesmo produtor que trabalhou nos discos do Jame Blake? Como você chegou até esse cara e o quão importante foi a participação dele no produto final?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SILVA:</strong> Eu queria masterizar o trabalho com alguém que entendesse o som. O Paiva me ajudou e escolhemos o Matt Colton, que tem feito trabalhos interessantes com o Sandwell District, <a href="http://myspace.com/jamesblakeproduction" target="_blank">James Blake</a> e outros artistas, geralmente da música eletrônica. O trabalho do Matt deu uma refinada na sonoridade final do EP.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: A encorpada base sonora das suas músicas poderia facilmente vir como plano de fundo para uma letra em inglês (consigo inclusive imaginar um coro em francês sob &#8220;A Visita&#8221;), mas você preferiu cantar em português. Isso é louvável, mas por que a escolha?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SILVA:</strong> Que bom que pensa assim. Eu escolhi o português porque tenho mais facilidade para compor e também porque gosto de cantar na língua, acho que soa bem pro meu timbre vocal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: Além da letra em português, identificamos com frequência alguns elementos regionalistas nas suas músicas. Quais foram as suas influências nesse sentido?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SILVA:</strong> Isso veio de um professor da faculdade que me apresentou alguns trabalhos do meu estado que até então eu nunca tinha ouvido falar. Uns discos com cantos de lavadeira, ritmos locais e acho que foi isso que me inspirou para criar o clima de &#8220;12 de Maio&#8221;. Tentei equilibrar e contextualizar as idéias pra que o som fizesse sentido em outros lugares.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: Há dois meses, viajando com o <a href="http://andrepaste.com" target="_blank">Paste</a>, ele me mostrou um experimento no laptop dele. Achei muito legal e descobri há pouco que era a demo de &#8220;Imergir&#8221;. Estávamos comentando sobre essa questão de você vir da música erudita, mas estar produzindo um som tão autêntico e fresco. Você se liga nas novidades musicais do nosso tempo? Costuma se manter atualizado sobre bandas, tendências artísticas, eventos? Como é o seu dia-a-dia de informação sobre música?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SILVA:</strong> Não me considero tão ligado e faço um certo esforço pra ficar por dentro do que acontece nesse mundo musical que não pára. Já meus amigos mais próximos são muito ligados e sempre aparecem com alguma coisa interessante para mostrar. Gosto muito de ouvir trabalhos novos, principalmente quando os timbres são autênticos e trabalhados. Quando estou livre, gosto de ler algumas críticas pra ver se descubro coisas boas.</p>
<p style="text-align: justify;"><img src="http://www.fiestaintruders.com/news/files/2011/10/silva3.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: Quais artistas/bandas novas mais te chamam a atenção hoje? Se puder, mencione nomes internacionais e brasileiros.</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SILVA:</strong> Do Brasil, eu diria que o som de hoje que mais gosto é o da <a href="http://www.myspace.com/ceuambulante" target="_blank">Céu</a>, ela tem bom gosto e a banda dela é uma das melhores. Dos gringos, eu gosto demais do <a href="http://kanyewest.com" target="_blank">Kanye West</a>, <a href="http://myspace.com/gonzpiration" target="_blank">Chilly Gonzales</a>, <a href="http://andrewbird.net/" target="_blank">Andrew Bird</a>, <a href="http://myspace.com/elguincho" target="_blank">El Guincho</a>, <a href="http://myspace.com/thexx" target="_blank">The XX</a>, <a href="http://markronson.co.uk" target="_blank">Mark Ronson</a>&#8230; ah, tem muita coisa boa acontecendo por aí. <a href="http://telebossa.com" target="_blank">Telebossa</a> é um dos melhores trabalhos que eu ouvi ultimamente, um brasileiro e um alemão fazendo mpb do futuro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: O SILVA já tem algum show agendado? Algum clipe? Algum remix para produzir? Quais são seus próximos planos de carreira?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>SILVA:</strong> Já apareceram convites, mas ainda estou terminando de fechar a banda que vai tocar comigo. Não é fácil fazer aqueles arranjos todos com poucos músicos no palco. Já me falaram sobre clipe, mas ainda não apareceu uma proposta firme. Remixar não é uma tarefa das mais fáceis, mas quero fazer. Sobre os planos, agora é terminar logo a faculdade e depois tenho vontade de estudar áudio em algum outro país, aprender de outras fontes. Só não sei  se vou fazer isso antes ou depois de gravar o disco.</p>
<p style="text-align: justify;">- &#8211; -</p>
<p style="text-align: justify;">Ouça &#8220;SILVA&#8221;:</p>
<p style="text-align: justify;"><object width="100%" height="225"><param name="movie" value="http://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Fplaylists%2F1167387&amp;show_comments=true&amp;auto_play=false&amp;show_playcount=true&amp;show_artwork=true&amp;color=ffa200" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="100%" height="225" src="http://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Fplaylists%2F1167387&amp;show_comments=true&amp;auto_play=false&amp;show_playcount=true&amp;show_artwork=true&amp;color=ffa200" allowscriptaccess="always"></embed></object></p>
<p>Acompanhe os próximos passos do cara na diariamente atualizada <strong><a href="http://www.facebook.com/listentosilva" target="_blank">página do Facebook</a></strong>.</p>
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		<title>Entrevista &#8211; John Ulhoa (Pato Fu)</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Oct 2011 20:44:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gregório Fonseca</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[pato fu]]></category>

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										</div>O Pato Fu surpreendeu o público e a crítica com o álbum Música de Brinquedo, de 2010. Totalmente gravado com instrumentos de brinquedo ou em miniatura, o disco foi um sucesso de vendas. A banda saiu em turnê com todas essas traquitanas  e acaba de lançar um registro do show, o álbum Música de Brinquedo [...]]]></description>
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										</div><p style="text-align: justify;">O <strong>Pato Fu</strong> surpreendeu o público e a crítica com o álbum <em>Música de Brinquedo</em>, de 2010. Totalmente gravado com instrumentos de brinquedo ou em miniatura, o disco foi um sucesso de vendas. A banda saiu em turnê com todas essas traquitanas  e acaba de lançar um registro do show, o álbum <em>Música de Brinquedo Ao Vivo.</em> Conversamos com o guitarrista <strong>John Ulhoa</strong> que, além de ser o principal compositor do <strong>Pato Fu</strong>, também é o produtor dos álbuns da banda.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-36140" title="John Ulhoa - Por Gabi Lima 2" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/John-Ulhoa-Por-Gabi-Lima-2-648x511.jpg" alt="" width="648" height="511" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move That Jukebox: Quando vocês gravaram o <em>MTV Ao Vivo</em>, quase todos os arranjos foram refeitos, e quatro músicas inéditas foram incluídas no repertório. Com o <em>Música de Brinquedo Ao Vivo</em> foi diferente, pois a gravação foi um retrato fiel dos shows da turnê. Qual foi a motivação para gravar os novos CD e DVD ao vivo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">John Ulhoa: O <em>MTV Ao Vivo</em> é aquele tipo de registro ao vivo especialmente ensaiado e montado pra ser gravado, pra virar um disco de carreira, com &#8220;musica de trabalho&#8221;, etc&#8230; É como são feitos a maioria dos disco ao vivo hoje em dia. O <em>Música de Brinquedo Ao Vivo</em> é feito no estilo mais &#8220;old school&#8221;: um registro de uma turnê no seu auge. Eu gosto muito mais assim. Não sou um grande fã de discos ao vivo, mas acho que eles fazem mais sentido desse jeito. No caso desse disco, o aspecto visual é muito forte. Assim que fizemos os primeiros shows percebemos que era quase que uma obrigação nossa fazer um DVD, não podíamos deixar passar. E realmente não fizemos nada de diferente, mostramos o show como ele é. Ele já é bizarro o suficiente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: As plateias dos shows do <em>Música de Brinquedo</em> sempre estavam repletas de crianças, com seus pais. Como você sente a mudança do público do Pato Fu?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">John: É engraçado, porque dependendo do horário e local, praticamente só vão adultos! O que prova que realmente dessa vez bagunçamos o coreto&#8230; Percebemos também que estamos atraindo um tanto de músicos curiosos com o aspecto técnico do show. De toda forma, tocar pra essa platéia misturada de todas as idades é muito bom, o clima é muito feliz. E ao mesmo tempo continuamos fazendo nossos shows &#8220;adultos&#8221; normais também. Acho que agora estamos atingindo uma geração anterior à nossa, e umas duas gerações posteriores!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: Quais foram as principais dificuldades e desafios de sair em turnê com instrumentos de brinquedo ou em miniatura?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">John: Eles se quebram, param de funcionar do nada, disparam na hora errada&#8230; Além de serem mesmo difíceis de se tocar. E também de se captar o som, pois têm um volume muito baixo. Fizemos um monte de gambiarras e testes com microfones pra aprender como fazer isso, e o resultado é espetacular, pois o que estes instrumentos têm de deficiência, eles têm em dobro em personalidade. E ao mesmo tempo, é um show que tem uma tolerância maior ao erro e à desafinação, não precisa ser perfeito, afinal é uma turnê de brinquedo. Mas quase toda passagem de som tem brinquedo sendo consertado&#8230;<span id="more-36130"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: O <em>padman </em>não aparece desde a turnê <em>Televisão de Cachorro</em>, e ele seria um instrumento interessante para os shows do &#8220;Música de Brinquedo&#8221;. O <em>padman</em> está de férias ou foi aposentado definitivamente? <strong>(Nota: o <em>padman </em>era uma espécie de bateria eletrônica acoplada ao corpo do usuário, que John tocava nos shows do Pato Fu antigamente. Você pode conferir um vídeo com o &#8220;instrumento&#8221; no <a href="http://www.youtube.com/watch?v=y4kvM64FgFA">Youtube</a>).</strong></strong></p>
<p style="text-align: justify;">John: Ah, eu teria que remontá-lo, já virou sucata. É um treco relativamente simples, mas envolve uma parte eletrônica, triggers, módulos de som&#8230; coisas que não usamos no <em>Música de Brinquedo</em> &#8211; prefiro as coisas que funcionem &#8220;na mão&#8221;, e não coisas que tem que ser ligadas a algo &#8220;invisível&#8221;, entende? Você tem que ver de onde vem o som.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-36144" title="John Ulhoa - Por Gabi Lima" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/John-Ulhoa-Por-Gabi-Lima-648x880.jpg" alt="" width="648" height="880" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: Quando quase ninguém sabia o que era MP3, o Pato Fu já disponibilizava algumas canções gratuitamente em seu website. Hoje o download pago representa uma parcela relativamente significativa das vendas de música no mundo. Qual é a importância do lançamento de um CD físico para a banda e para o mercado nos dias de hoje?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">John: Em primeiro lugar, um álbum é o sonho de consumo das bandas. Ainda é. Todo mundo quer fazer a capa, aquele conjunto de músicas e tal&#8230; E lançar aquilo num momento &#8220;chave&#8221;. Por isso as bandas continuam gravando CDs. O problema está em vender o danado. O <em>Música de Brinquedo</em> foi &#8220;Disco de Ouro&#8221; (mais de 40.000 cópias vendidas), um verdadeiro feito heróico nos dias de hoje. Acho que é porque ele é um bom presente. Tem uma capinha especial, e é o tipo do disco que vc quer dar pra pais e crianças, e não mandar um link pra baixar. Mas é claro que ele é baixado por aí, e também vendido por download pago. O fato é que pra um disco físico hoje em dia vender razoavelmente ele tem que gerar uma relevância que é difícil ser atingida por um lançamento comum de uma banda. E ao mesmo tempo, o download pago no Brasil é, com todo respeito, uma migalha. E se a venda de CD também é, então como ficamos? A conta tá lá, pendurada. &#8220;Façam shows&#8221;, dizem alguns. Só que show é OUTRO negócio. Se eu for recomendar às bandas novas que &#8220;façam shows pra ganhar grana&#8221;, vou tomar pedrada, elas estão é ralando pra tocar em festivais tomando o mínimo de prejuízo possivel. A vida é dura pra quem tá começando agora. Nesses tempos de oba-oba da musica grátis, tudo é muito divertido, é ótimo ficar contando views no YouTube, mas sair do amadorismo e transformar um trabalho autoral em profissão é tarefa inglória.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: Poucas bandas circulam naturalmente entre o indie e o mainstream como o Pato Fu (que teve seu primeiro álbum lançado por uma gravadora de metal, diga-se de passagem). Hora classificado como pop, hora como rock, eventualmente ainda aparece na seção infantil das lojas de discos. Diferentes rótulos incomodam?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não é a melhor opção comercial, mas não sabemos fazer de outro jeito, não é uma opção. E agora piorou, estamos bagunçando as idades também!!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: A cada álbum o Pato Fu se reinventa, e nenhum disco soa como um dos anteriores. O que podemos esperar do próximo trabalho de inéditas da banda?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">John: Já tenho composições e umas pré-produções mas sem data marcada ainda. Veremos, a gente tomou gosto por lançar um disco só quando achamos que temos algo interessante pra mostrar, sem pressa. E tenho idéias de maneiras diferentes de gravar, tomara que se realizem.</p>
<p style="text-align: right;"><em>Fotos por Gabi Lima</em></p>
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		<title>Entrevista: Database</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Oct 2011 13:02:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hick Duarte</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Database]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[música eletrônica]]></category>

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										</div>Já prestou atenção nos novos amigos do Database? Além dos novos trabalhos com o French Horn Rebellion, o duo brasileiro apresentou nos últimos meses o remix oficial que produziu para o novo single do Mark Ronson e outro para o hypado Is Tropical, fora a coletânea da Kitsunè em que apareceram ao lado do The [...]]]></description>
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										</div><p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-35711" title="database" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/database.jpg" alt="" width="650" height="432" /></p>
<p style="text-align: justify;">Já prestou atenção nos novos amigos do <strong><a href="http://soundcloud.com/database" target="_blank">Database</a></strong>? Além dos <a href="http://soundcloud.com/database/french-horn-rebellion-broken" target="_blank">novos trabalhos com o <strong>French Horn Rebellion</strong></a>, o duo brasileiro apresentou nos últimos meses <a href="http://soundcloud.com/database/mark-ronson-the-business-intl" target="_blank">o remix oficial que produziu para o novo single do <strong>Mark Ronson</strong></a> e <a href="http://soundcloud.com/database/is-tropical-south-pacific-database-remix" target="_blank">outro para o hypado <strong>Is Tropical</strong></a>, fora a coletânea da <strong><a href="http://kitsune.fr" target="_blank">Kitsunè</a></strong> em que apareceram ao lado do <strong><a href="http://myspace.com/thetwelves" target="_blank">The Twelves</a></strong> e da <strong><a href="http://myspace.com/iconapop" target="_blank">Icona Pop</a></strong>. Fato é que o Database está decolando e, entre uma e outra festa pra promover o EP <em><a href="http://movethatjukebox.com/databa-se-lanca-o-ep-new-disco-pela-kitsune/" target="_blank">New Disco</a></em>, parou para conversar com o Move That Jukebox. Vê só:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move That Jukebox: O Database está certamente vivendo o melhor momento de sua carreira agora. Como surgiu a oportunidade de lançar o EP &#8220;New Disco&#8221; pela Kitsunè?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Database: Depois do convite para remixar o Is Tropical, foi tudo muito rápido, mandamos as demos e eles já curtiram. Logo depois nos chamaram pra fazer o remix do Mark Ronson.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: Esteticamente, o que o EP significa para vocês? Quais as principais referências e quais as intenções do Database com &#8220;New Disco&#8221;? Se vocês pudessem escolher um featuring para a música, qual seria o ideal?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">D: Foi uma longa jornada. A &#8220;New Disco&#8221;, em si, teve 9 versões diferentes. Foi trabalhoso e muito prazeroso chegar à versão final. A intenção foi juntar elementos de disco com eletrônico. Se pegar para ouvir, o baixo fica dançando, ele não é preciso. Para um featuring nós convidaríamos o Gilberto Gil. Consigo imaginar como seria.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: A música eletrônica parece estar vivendo um momento nostálgico interessante. A cada dia mais produtores incorporam elementos da disco, da dance music e do R&amp;B dos anos 90 aos seus trabalhos atuais. Vocês curtem esse resgate estético?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">D: O resgate é sempre bom, faz com que tudo saia um pouco da mesmice, mas também faz com que alguns produtores sigam muito a mesma linha, o que acaba ficando chato. Ultimamente vejo muitos produtores bebendo do house 90&#8242;s&#8230; e já tá começando a encher! Hahaha!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: Como é viajar pra tocar pelo mundo? Qual a diferença (a experiência pra vcs, a reação das pessoas) desses lugares mundo afora com as cidades em que vocês se apresentam no Brasil?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">D: Uma das melhores coisas de trabalhar com musica é viajar e poder conhecer pessoas novas e lugares novos, mas vai de cada lugar. O público brasileiro está acostumado a chegar na balada a 1h da manhã e ir embora às 6h. O americano das 23h às 2h, eles têm menos tempo de balada e acabam querendo aproveitar até o último segundo. Qualquer coisa que você faça no set eles vão gritar, pular e etc. Aqui já é algo diferente, dá pra notar que a pegada é outra, você não vê o público se esguelando, mas sabemos que o público está gostando porque a pista continua cheia. Bom, é diferente de lugar pra lugar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: A segunda parte do clipe que vocês produziram para &#8220;New Disco&#8221; lembra o de <a href="http://movethatjukebox.com/clipe-duck-sauce-barbra-streisand/" target="_blank">&#8220;Barbra Streisand&#8221;</a>, do Duck Sauce, mostrando registros de festas e estrelandos algumas figuras da noite paulistana. Inclusive o vovô dançante. Parece ter sido bem divertido gravar aquilo. De onde surgiram as ideias?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">D: A idéia surgiu em um bar, os meninos da Granada Filmes e do Coletivo FilmeFácil lembraram do Dunzan na balada, fizeram o roteiro e produziram tudo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: Sobre <em><a href="http://movethatjukebox.com/proximo-single-do-mark-ronson-contara-com-remixes-de-css-database-e-mais/" target="_blank">Record Collection 2012</a></em>. Como foi produzir um remix oficial para o Mark Ronson? Eles procuraram vocês ou foi o contrário? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">D: Eles nos procuraram, foi tudo muito rápido e acabou sendo super legal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: Entre os novos produtores de eletrônica no Brasil, em quem vocês mais apostam hoje? E no resto do mundo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong></strong>D: Bom, o Brasil está no melhor momento na safra de música eletrônica. Temos EP novo do <a href="http://soundcloud.com/sirsirmusic" target="_blank">SirSir</a>, EP novo do <a href="http://myspace.com/clubsodaindahouse" target="_blank">Club Soda</a> pela <a href="http://myspace.com/workitbabyrecords" target="_blank">Work it Baby</a> (selo do <a href="http://myspace.com/krismenace" target="_blank">Kris Menace</a>), coisas novas do <a href="http://myspace.com/thetwelves" target="_blank">The Twelves</a>, <a href="http://soundcloud.com/rootsrockrevolution" target="_blank">Roots Rock Revolution</a>, <a href="http://soundcloud.com/lucaskamei" target="_blank">Kamei</a> (produtor que tem uns 17 anos), álbum novo do <a href="http://myspace.com/killeronthedancefloorbr" target="_blank">Killer on The Dancefloor</a> e muito mais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: Não é o caminho que vocês seguem, mas o que pensam sobre essa &#8220;tropicalização&#8221; da música indie nacional?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">D: Achamos que, independente de tropicalização ou indie brasileiro, só queremos que todos continuem produzindo e mantendo as pessoas prestando atenção na música, com isso deixando o mercado aquecido.</p>
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		<title>Entrevista: A contribuição dourada de Boss in Drama para a música pop brasileira</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Oct 2011 12:46:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hick Duarte</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Boss in Drama]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[pure gold]]></category>
		<category><![CDATA[vigilante]]></category>

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										</div><p><img class="aligncenter size-full wp-image-35237" title="Boss in Drama" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/bossindrama11.jpg" alt="" width="648" height="486" /></p>
<p style="text-align: justify;">Você consegue entender o tamanho do <strong><a href="http://soundcloud.com/bossindrama" target="_blank">Boss in Drama</a></strong>? O jovem Péricles Martins, produtor por trás de todo o projeto, precisa ser reconhecido pelo mérito de ter criado um disco divertido, conciso e, com o perdão do trocadilho, realmente precioso na história da música brasileira. Pioneiro nacional numa sonoridade que vem conquistando clubes no mundo inteiro, Boss in Drama lança o seu álbum de estreia posicionando o Brasil na rota produtiva de nu-disco, electro-funky, electro-pop ou algo que vague nesse universo &#8211; e soe como uma autêntica lembrança de Daft Punk, Chromeo ou Breakbot em poucos segundos. Pode parecer que estamos a frente de mais uma trilha praquela festa ensolarada na piscina, mas foi por acreditar que &#8220;Pure Gold&#8221; é muito maior que o Move bateu um segundo papo sério (<a href="http://movethatjukebox.com/entrevista-boss-in-drama/" target="_blank">lembra do primeiro?</a>) com o cara. Acompanhe.<span id="more-35232"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move That Jukebox: Disco lançado, Boss! Receba os nossos parabéns! Como você se sente agora? <em>Pure Gold</em> é um produto fiel ao Boss in Drama? Ficou tudo do jeito que você planejou?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Boss in Drama: Quando comecei a escrever <em>Pure Gold</em>, não quis fazer só mais um disco de festa &#8211; mas sim um trabalho homogêneo, animado e pop, que contasse uma história e fizesse sentido no conjunto da obra &#8220;Boss in Drama&#8221;. Acho que isso faz toda a diferença, pois hoje em dia tem tanta música, estilos e artistas diferentes que você tem que abraçar sua originalidade e tentar fazer um trabalho mais honesto e verdadeiro possível.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: Quem esteve com você no processo de produção?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">BnD: A <a href="http://imyouare.com" target="_blank">Christel Escosa</a> participou do processo criativo, co-escrevendo e cantando em algumas faixas no disco. Teve featuring da Laura Taylor, do <a href="http://myspace.com/bondedorole" target="_blank">Bonde do Role</a>, na faixa &#8220;Let Me Be&#8221;, a mixagem foi feita por mim e pelo Rafael Ramos e a produção musical e direção artística foi toda minha. Durante o processo de produção, vários amigos ouviram e deram palpites. Isso é importante porque, quando se trabalha sozinho, você precisa de uma voz guia ou alguém pra falar &#8220;Chega, isso já esta bom&#8221;. Hahahaha!</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-35243" title="Boss in Drama" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/bossindrama5.jpg" alt="" width="648" height="435" /><em>Boss in Drama no estúdio</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: Uma das faixas que mais nos chamou a atenção em <em>Pure Gold</em> é &#8220;Disco Karma&#8221;. A voz da Christel é incrível! Ela tem algum projeto solo? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">BnD: A Christel já teve projeto de música, mas que nunca foi oficialmente lancado. O <em>Pure Gold</em> foi o primeiro trabalho oficial em que ela participou, e eu fiquei muito orgulhoso do resultado. Ela é uma das pessoas mais talentosas com quem já trabalhei.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: Como é trabalhar com o selo <a href="http://www.semprevigilante.com.br/" target="_blank">Vigilante</a> e a Deckdisc? A experiência tem sido proveitosa pra você?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">BnD: É muito bom trabalhar com pessoas que confiam no seu gosto e acreditam no que você faz. Eu sempre tive total direção criativa trabalhando junto com eles, e isso é o mais importante &#8211; ter pessoas do seu lado que acreditam na sua visão e estão dispostas a crescer junto com você.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: Durante o <a href="http://movethatjukebox.com/jukeboxfestival/" target="_blank">Jukebox Festival</a>, você fez o seu primeiro show com banda. Como frontman, qual a diferença em se apresentar assim e no seu live solo? Em que caso o público reage melhor?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">BnD: O live solo eu fazia no começo do Boss in Drama, e chegou um momento em que precisava evoluir. Não fazia mais sentido fazer aquilo. O live com banda é muito mais interessante, pois tem toda uma estrutura e profissionalismo por trás &#8211; não sou só eu cantando com um microfone sobre uma base pré-programada.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-35247" title="Boss in Drama" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/bossindrama6.jpg" alt="" width="648" height="429" /><em>Boss in Drama no Jukebox Festival</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: Você curte disco music e gravou um disco repleto de referências desse universo. Vemos essa sonoridade contagiando o trabalho de uma série de outros artistas hoje, principalmente lá fora. Você acha que essa definitivamente é a era do nu-disco?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">BnD: Sei que existe essa tendência, mas acho que chamar de &#8220;era nu-disco&#8221; é um exagero. Sempre têm hits e músicas ótimas que aparecem e que têm influências da disco, tanto no pop quanto no eletrônico. Não creio que existe um grande movimento da &#8220;volta da disco music&#8221;, mas sim as influências que sempre estiveram ali &#8211; só esperando alguém se inspirar e fazer um trabalho legal, inspirado no groove e no funk!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: Existe mais gente nova compondo disco/funky music de forma autoral no Brasil?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">BnD: Não diria compondo disco ou funky no sentido duro da palavra, mas tem bastante gente que coloca essas influências no próprio trabalho pra criar algo novo! <a href="http://myspace.com/thetwelves" target="_blank">Twelves</a> e <a href="http://myspace.com/databasetrax" target="_blank">Database</a> tão fazendo um ótimo trabalho ultimamente, inspirado nos grooves.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: Essa ode ao universo estético da década de 70 e 80 é clara no seu disco e compõe uma tendência mais abrangente, que é a valorização do universo retrô. Quando tudo já tiver sido reciclado, o que você acha que os artistas começarão a fazer? Essa paranóia de tentar se antecipar e pensar no próximo passo sempre é uma constante no seu trabalho?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">BnD: Acredito que quase tudo na música já foi criado e reciclado. Os artistas do nosso tempo estão mixando cada vez mais referências, e isso vai continuar acontecendo &#8211; a não ser que algo completamente novo e revolucionário apareça, como quando o punk ou a música eletrônica surgiram. Não creio que possa acontecer algo tão revolucionário pra história da música nos próximos anos, mas se rolar, espero estar vivo para acompanhar! Hahaha!</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-35250" title="Boss in Drama" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/bossindrama2.jpg" alt="" width="648" height="648" /><em>Péricles fazendo uma boquinha com o <a href="http://myspace.com/herculesandloveaffair" target="_blank">Hercules &amp; Love Affair</a></em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: O <a href="http://movethatjukebox.com/clipe-boss-in-drama-i-dont-want-money-tonight/" target="_blank">clipe de &#8220;I Don&#8217;t Want Money Tonight&#8221;</a> foi lançado recentemente. Você toca com uma banda composta integralmente por garotas no vídeo. Era essa a sua ideia inicial para a formação da banda?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">BnD: Sim, mas é raro encontrar meninas estilosas, que toquem bem e curtam esse som. Por isso escolhi uma banda fake de modelos pro clipe.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: Eu mostraria fácil o seu disco para a minha mãe e não me surpreenderia se ela curtisse muito. Acho que pra essa geração que viveu os tempos de discoteca, paetê e globo espelhado o <em>Pure Gold</em> pode soar bastante familiar. Isso é interessante porque, de certa forma, torna a sua música mais acessível. Você tinha essa intenção? Seus pais, seus tios ou pessoas mais velhas já tiveram alguma reação parecida?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">BnD: Eu misturo muitas referências dos anos 70, 80 e 90 que acabam soando familiar pra quem viveu a época. É essa a graça de tudo &#8211; trazer o groove para a nova geração, não de uma forma retrô e antiga, mas sim de uma forma nova, fresca e cheia de referências.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: As suas músicas, as suas fotos e a forma como você se promove têm um aspecto gringo muito caprichado. Mas alguns detalhes estéticos evidenciam que Boss in Drama é de fato um artista brasileiro. Um exemplo é a suave levada bossa de &#8220;I Don&#8217;t Want Money Tonight&#8221;. Essa preocupação da identidade nacional, da sonoridade levemente &#8220;abrasileirada&#8221;, realmente existe para você?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">BnD: O groove da bossa nova e os metais do Tim Maia foram grandes influências pro disco. Com o <em>Pure Gold</em> eu tentei misturar influências que não estão muito presentes na música eletrônica atual &#8211; algo que soe familiar mas ao mesmo tempo super fresh aos ouvidos!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: Quem seria o featuring ideal para alguma faixa do seu disco?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">BnD: Prince, Ru Paul ou Janet Jackson!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>MTJ: Quais seus próximos planos para promover <em>Pure Gold</em>? Algum novo single ou videoclipe no forno?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">BnD: O próximo single será <a href="http://soundcloud.com/bossindrama/disco-karma/" target="_blank">Disco Karma</a>!</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-35256" title="Boss in Drama" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/bossindrama3.jpg" alt="" width="612" height="612" /><br />
<em>Tenda eletrônica do Rock in Rio no momento do live do Boss in Drama</em></p>
<p>- &#8211; -</p>
<p>Ainda não ouviu <em>Pure Gold</em>? Corrija esse erro agora e escute o disco na íntegra:</p>
<p><object width="100%" height="325"><param name="movie" value="http://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Fplaylists%2F1039380" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="100%" height="325" src="http://player.soundcloud.com/player.swf?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Fplaylists%2F1039380" allowscriptaccess="always"></embed></object></p>
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		<title>Entrevista: Dave Monks, do Tokyo Police Club</title>
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		<pubDate>Thu, 06 Oct 2011 15:34:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Victor Bianchin</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Tokyo Police Club]]></category>

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										</div><p style="text-align: justify;">Antes do animado show do <strong>Tokyo Police Club </strong>no dia 28/09 em São Paulo, o vocalista <strong>David Monks</strong> recebeu o repórter do <strong>Move That Jukebox</strong> no backstage para esta entrevista. Enquanto Monks falava sobre cabelo, rua Augusta e Miley Cyrus, a banda e os roadies improvisavam um esporte que consistia em arremessar uma bolinha de borracha na parede e rebatê-la antes dela quicar pela segunda vez. David parecia ansioso para voltar ao jogo, mas foi bem simpático com a gente. Confira.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-35344" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/tokyopoliceclub2.jpg" alt="" width="648" height="864" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move That Jukebox</strong> &#8211; Por que você cortou seu cabelo?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>David Monks</strong> &#8211; Um amigo meu raspou minha cabeça. Eu estava pensando em coisas às quais você dá muito valor. Às vezes você ama muito onde você mora, ou ama muito…  às vezes eu amo muito uma música em que estou trabalhando, e acabo gastando muito tempo com ela. E é tipo “nunca vai dar certo”, mas eu continuo trabalhando, “eu consigo, eu vou fazer funcionar”. Você começa a se apegar muito às coisas e elas começam a te segurar um pouco. É como se você estivesse tão acomodado em algum lugar que não quisesse se aventurar e ir para outro. É como se eu dissesse “oh, eu gosto muito do meu cabelo”, mas se eu realmente sou aventureiro, eu poderia simplesmente cortá-lo fora, certo? E meus amigos ficaram falando “é, você poderia”, e aí eu não queria falar uma coisa e não fazê-la. E também estava ficando muito quente, então…</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move</strong> &#8211; É como Jimi Hendrix, que dizia queimar sua guitarra porque a amava.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>David</strong> &#8211; Quem me dera ser tão cool. Eu cortei meu cabelo porque eu gosto do Jimi Hendrix (<em>risos</em>).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move</strong> &#8211; A última vez em que vocês estiveram aqui foi em 2007. Vocês nem tinham lançado seu primeiro álbum. Era muito diferente de agora?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>David</strong> &#8211; Foi tão maluco. Eu me lembro de tocar algumas músicas no palco, músicas novas que estariam em <em>Elephant Shell</em>, e estar animado por está-las tocando. E foi maluco estar aqui. É sempre maluco pra gente vir pro Brasil. É bem divertido. Mas nós nos divertimos tanto com aquele show. Éramos uma banda diferente. Éramos mais crus. Sinto que estamos mais focados agora, juntos.<span id="more-35214"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move</strong> &#8211; Aonde vocês vão quando vêm para o Brasil?</p>
<p><strong>David</strong> &#8211; Ontem nós fomos ao Caos, na rua Augusta. Fomos a alguns ótimos restaurantes, tinha um chamado… esqueci o nome, mas fomos a ótimos restaurantes. Estivemos nos dois lados da Augusta, a parte de cima e a de baixo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move</strong> &#8211; Essa é uma rua importante para o público indie do Brasil, porque costumava ter muito crime e prostituição e…</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>David</strong> &#8211; Ainda tem bastante prostituição (<em>risos</em>).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move</strong> &#8211; Sim, mas nos últimos quinze anos, ela foi ocupada com casas noturnas s e lugares para música ao vivo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>David</strong> &#8211; Eu senti uma vibe muito legal lá.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move</strong> &#8211; Vocês costumam tocar sets curtos, por quê?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>David</strong> &#8211; Nós costumávamos tocar shows bem curtinhos, de vinte, trinta minutos. Mas isso era quando éramos bem jovens. A gente tinha tipo dez músicas e ficávamos nervosos e só queríamos acabar logo com aquilo. Nosso show agora tem mais ou menos uma hora de duração, então não é muito curto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move</strong> &#8211; Vocês recentemente lançaram uma compilação de dez covers na internet. Qual foi a motivação?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>David</strong> &#8211; Eu acho que nós queríamos fazer algo legal que fizesse uma ponte entre os dois discos. Era legal, era fácil, era grátis… a gente podia colocar as músicas online diretamente. Foi bem divertido.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move</strong> &#8211; Por que “Party In the USA”, da Miley Cyrus?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>David</strong> &#8211; É uma ótima música! Acho que há uma maneira de que você pode gostar dessas músicas, quando você pensa no jeito como elas foram escritas e no poder cerebral que foi colocado nelas. A Miley com certeza não as compôs, mas alguém estava pensando “ok, o que as pessoas querem agora?”. E é interessante estudar isso e ver como… sabe, eu ouvi mil músicas antes dessa, e nunca seria minha favorita. Mas é a dedução de alguém sobre o que a música favorita de outra pessoa seria, o que torna interessante de tocar. “Party In The USA” é como alguém acha que música deveria ser. Porque eles compuseram para ser um hit.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-35356" title="tokyo-police-club" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/tokyo-police-club5-648x430.jpg" alt="" width="648" height="430" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move</strong> &#8211; Como vocês se sentem tocando numa festa privada? É estranho?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>David</strong> &#8211; Às vezes. Bandas e empresas fazem mais parcerias agora. E nós já trabalhamos com a Jack Daniel’s antes. E eles nos deixam fazer o que quisermos. Por exemplo: “vocês querem ir para o Brasil?”. E nós: “ei, nós vamos pra lá e tocar, porque nós queremos ir pro Brasil”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move</strong> &#8211; Muita gente arranjou um jeito de vir só pra ver vocês.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>David</strong> &#8211; Mesmo? Porque não dava pra comprar ingressos…</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move</strong> &#8211; Não. Era preciso arranjar um convite em algum lugar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>David</strong> &#8211; Eu quero que as pessoas possam nos ver. Eu gostaria que isso pudesse acontecer. Porque é tão caro vir pra cá. E quando nós podemos, a gente simplesmente toca onde der. Mas um dia nós voltaremos e iremos tocar um ótimo show na rua Augusta.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move</strong> &#8211; Ao mesmo tempo em que vocês estão tocando aqui, o Rock In Rio está acontecendo. O que você acha disso?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>David</strong> &#8211; Se eu fosse do Brasil, eu pensaria “ah, a festa de verdade está aqui”. Mas, como isso é tudo que eu conheço do Brasil, então eu diria que a festa de verdade <em>está</em> aqui (risos).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move</strong> &#8211; Vocês lançaram um disco em 2010. Quais são os planos agora?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>David</strong> &#8211; Nós vamos trabalhar no novo disco e nós temos agora um monte de músicas bebês que vão crescer. Mas é bom, sabe. Este é nosso ultimo show até o Natal. Depois disto, vai ser “preparar, apontar…”</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move</strong> &#8211; O que vocês irão fazer?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>David</strong> &#8211; Vai ser tipo, morar em Toronto e ensaiar de segunda e terça. E aí, depois de algumas semanas, na quarta também. E em novembro vai ser de segunda a sexta. Vamos começar a trabalhar mais, mas vamos levar aos poucos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move</strong> &#8211; Vocês conhecem alguma coisa de música brasileira?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>David</strong> &#8211; Conhecemos o CSS, todo mundo conhece. E música tradicional brasileira, que é bem boa. Eu definitivamente me divirto muito em shows do CSS. O que mais é brasileiro?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move</strong> &#8211; Os Mutantes?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>David</strong> &#8211; Não conheço…</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move</strong> &#8211; Tom Jobim?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>David</strong> &#8211; Nope…</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move</strong> &#8211; Ok, esses são os mais internacionais que eu consigo pensar agora.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>David</strong> &#8211; É uma pena, eu gostaria que a música brasileira se espalhasse mais.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move</strong> &#8211; O que você diria para bandas pequenas?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>David</strong> &#8211; Você tem o poder. Você está na internet. Não espere ninguém chegar e dizer “ok, agora nós vamos te dar dinheiro pra fazer um disco”. Faça seu disco no seu quarto e veja como soa. Nós mesmos mudamos nosso jeito de trabalhar. Nós precisamos da nossa gravadora pra começar. Mas agora nossa gravadora faz um bom trabalho, e nós precisamos deles, mas o poder está em nossas mãos também.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move</strong> &#8211; Você poderia mandar uma mensagem para o público do Move That Jukebox?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>David</strong> &#8211; Music box?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move</strong> &#8211; Move That Jukebox.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>David</strong> &#8211; Move That Juky Box.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Move</strong> &#8211; Jukebox.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>David</strong> &#8211; Jukebox. E aí, todo mundo lendo o Move That Jukebox, aqui é o Dave do Tokyo Police Club, e espero poder vê-los um dia no Brasil.</p>
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		<title>Entrevista: Emicida</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Aug 2011 17:33:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raul Ramone</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[emicida]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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										</div><p><img class="aligncenter size-medium wp-image-32375" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/emi-0232-copy1-648x444.jpg" alt="" width="648" height="444" /></p>
<p style="text-align: justify;">Na última quarta-feira, <strong>Emicida</strong>, <strong>Projota</strong> e <strong>Rashid</strong> tocaram no <strong>Estúdio Emme</strong>, em São Paulo. O show, nomeado <em>Três Tenores da Z/N In Concert</em>, deu início à série de apresentações que terá vários convidados pra lá de especiais, sempre dividindo o palco com <strong>Emicida</strong>. Antes de rolar o som, trocamos uma ideia rápida com o rapper, que, mesmo correndo e mega ocupado, nos recebeu muito bem.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi mais ou menos assim:</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-32297"></span> <strong>Eu sei que você já falou bastante sobre o episódio da viagem pro Coachella, mas eu queria saber o que você aprendeu com isso e o que você não faria novamente, pra talvez não errar de novo.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Emicida: Na verdade eu aprendi que a viação dos Estados Unidos é um bando de filho da p#t@.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mas foi treta dos caras lá mesmo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Emicida: Os caras pediram todas as entrevistas que eu já fiz na minha vida. Muita coisa. Tipo, em uma senama, juntar todas as entrevistas que eu já fiz na minha vida. Puro ódio, puro ódio.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Outra coisa que andam comentando é o lance seu e do Criolo. Vocês estão aparecendo bastante por aí, se destancando. Você acha que isso envolve a cena do rap nacional como um todo ou é um bagulho mais pontual?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Emicida: Eu acho que algumas coisas estão começando a ebulir.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Você acha que envolve a cena mesmo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Emicida: Sim. Muita coisa tá começando a aparecer. E a gente tá&#8230; Eu tô há alguns anos assim mesmo, aparecendo. E o Criolo, pelo trampo que o cara já fez ali no disco também tá dando uma levantada, tipo, o Criolo tá com uma equipe muito boa, colocando o trabalho dele nos lugares, e isso aí é fundamental. Então, eu acho que é o sinal de uma cena que tem aparecido.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>É que, infelizmente, fica meio restrito, não é? No sentido de ter espaço na mídia.<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Emicida: É, na real a gente aparece na mídia mais especializada, a gente não aparece na &#8220;grande&#8221; mídia. Vez ou outra a gente tá na <strong>Folha</strong>. A gente não tá na, sei lá, vamos ver&#8230; pegar a capa da <strong>Rolling Stone</strong>. Tipo, a gente tá numa notinha ali, às vezes, mas não é uma parada que é foda, com frequência. É como você falou, é pontual, não tem nada marcado, frequente. Mas comigo, às vezes, tem semana que a gente faz <strong>Jô Soares</strong>, <strong>Altas Horas</strong>, <strong>Veja</strong>, <strong>Billboard</strong>, a porra toda. Tem semana que ninguém lembra o que a gente fez. Mas é isso aí mesmo.</p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-32376" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/no-camarim-648x424.jpg" alt="" width="648" height="424" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Eu queria perguntar sobre as letras. Eu não sei rimar, não sei fazer nada, mas queria ouvir de você o que você acha sobre o perigo de cair em repetição.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Emicida: Ah, quem fala mais tá mais sujeito a se tornar redundante.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E você já percebeu alguma escorregada sua? No seu som?</strong></p>
<p>Emicida: Não que não seja proposital. Eu sou bem analítico com isso aí. Eu sei dos momentos em que eu repeti algumas coisas, mas são coisas que eu considerei que podiam ser repetidas, sabe? Por exemplo, eu tenho bastante música que fala de rap, faz alusão a isso. Mas o rap dentro da minha música se torna uma metáfora da vida das pessoas, sabe? É como se o pedreiro contasse a vida dele, e aquilo servisse pra mim. Da mesma maneira que eu falo que eu faço música e aquilo serve pra vários pedreiros. Então, às vezes parece que a gente se torna reduntante, mas é uma questão das pessoas que buscam essa redundância, não das pessoas comuns que ouvem, as pessoas comuns que ouvem se encontram ali dentro. Tipo, &#8220;Triunfo&#8221; &#8211; ela começa falando &#8220;<em>não escolhi fazer rap</em>&#8220;, tá ligado?  Se ela fosse uma música restrita ao rap, ela tinha morrido. Porque, tipo, a primeira frase dela seria para as &#8220;pessoas do rap&#8221;, mas não, as pessoas assimilam perfeitamente isso aí. É a questão de você ter uma causa, né mano?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Cara, eu nunca vi tudo isso mas, tão falando bastante que nesse novo EP você faz umas críticas nervosas aos caras que criticam seu trabalho.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Emicida: Não.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>É esse lance da fama de &#8220;bonzinho&#8221;?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Emicida: Na verdade os caras se acham importante pra caralho, acham que estão sendo citados mas, mano, eu tô falando de mim. Agora, dói nos caras mas, tipo, nem é. Tem um bagulho ou outro. Mas é que é pra tirar uma onda mesmo da cara dos caras, eles fazem uma par de bagulho, fazem música pra caralho e nenhuma dá certo, nenhuma faz barulho. Aí eu faço mesmo, tirando uma onda mesmo, tipo, o melhor dos caras que eles podiam fazer não dá em nada, tá ligado? Aí eu falo isso aí mesmo. Mas não fico falando dos outros. São meus erros e meus acertos só, não tem essa parada não.</p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-32377" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/preparacao-648x435.jpg" alt="" width="648" height="435" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que você acha desses festivais que tão rolando por aí, tipo o Urban Fest e o Black na Cena? Você acha que isso ajuda de alguma maneira?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Emicida: Acho que esses caras se precipitaram, na ganância, às vezes. No sentido de&#8230; Esse não é o momento do rap pensar &#8220;mega&#8221;, esse é o momento de se pensar a médio, longo prazo, é o momento da gente trabalhar médio. A gente foi pequeno pra caralho, a gente é pequeno ainda, mas já é um bom momento pra gente pensar médio. Saber fazer&#8230; tipo, é melhor você ter um espaço pra três mil pessoas e  deixar oitocentas pra fora, do que ter espaço pra trinta mil, e irem sete, tá ligado? Foi o que aconteceu nesses festivais aí, cara. Tipo, os caras meteram o <strong>Urban</strong> e todo mundo botou uma fé na parada, só que quando viram, o bagulho não rolou, tá ligado? Também, os caras meteram <strong>Ja Rule</strong> no barato, pra afastar o resto do público que não ia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E ainda teve aquela presepada dele.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Emicida: E o Black na Cena, cara, vou te falar que fiquei chateado, mano. Eu fui em um dia. Fui no sábado, no dia do Public Enemy. Eu fui no show do Public Enemy e fiquei decepcionado com a quantidade de malucos, porque eu achava que ia estar assim, lotado. Jorge Ben, Public Enemy, Black Rio, ia ter o Criolo participando e tal, só que não rolou. Aí eu voltei pra casa pensando nisso, tipo, a gente tá fazendo o caminho inverso da coisa, sabe? A gente não pode olhar isso aí agora e &#8220;ah, essa aí é a parada&#8221;, saca? E meter um festival pra trinta mil pessoas. Fora que eu acho que o Urban teve um vacilo de não dialogar mais com essa cultura da música urbana nacional, sabe? O Black na Cena tinha o Criolo fazendo uma participação com o Black Rio, mas também faltou uma coisa mais nesse sentido, saca? Nem precisava ser eu. O Pentágono ali já teria feito um estrago e talvez tivesse dialogado legal com essa geração também, tá ligado? Então, acho que os caras pensaram gigantescamente, tipo: &#8220;ah, agora é só a gente divulgar pra caralho que os eventos de rap vão lotar&#8221;. Mas não, cara, tipo, a música, ela precisa se enraizar mais em outros pontos ainda, pra gente poder colocar vinte mil pessoas em um festival. Vai acontecer, involuntariamente, mas ainda não é hoje.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Outra coisa, que acho que é até meio óbvio, mas você acha que o lance da pista VIP ali dá uma esfriada?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Emicida: Esse bagulho é foda porque é uma faca de dois gumes, né. Tipo, no show internacional, os contratantes falam que é caro pra caralho e a pista VIP pra pagar o show mesmo e tal. Só que, mano, é bizarro, né? Eu não sou a favor desse bagulho não, porque na pista VIP não vai quem curte o som, vai quem quer aparecer. Aí fica tudo ali, fazendo pose, de costas pro palco, isso é foda, é deprimente. Tipo, as pessoas que gostam da música, lá no fundo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Pra acabar, você acha que rola machismo no rap ou falta uma participação maior das mulheres?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Emicida: Sinceramente, existe um machismo na sociedade. E o hip hop é um elemento que existe dentro da sociedade machista. São dois mil anos de machismo, tá ligado? O hip hop é feito pelas mesmas pessoas que integram essa sociedade podre que a gente vive. São as mesmas pessoas que estão aí, pagando ônibus, McDonalds e, tipo&#8230; sonhando ou não com um mundo melhor mas, tipo, eu vejo que ultimamente a manifestação das minas tem sido mais efetiva, e um bagulho que eu acho que foi o maior avanço foi as minas pararem de dizer que são minas e começarem a fazer música como MC, tá ligado? Não é tipo: &#8220;ah, eu sou uma mina, preciso de espaço, porque falta hip hop feminino&#8221;. Não, foda-se essa ideia aí, tio. Vai chorar pro bispo. O barato é tipo &#8220;Foda-se. Se esses malucos não abrirem as portas, a gente vai derrubar&#8221;. Acho que é isso que as minas tem que ter na intenção delas ali, o bagulho de chegar como se tivesse pedindo um favor é foda, eu sou contra essa parada aí também. Acho que as minas têm que meter o pé no bagulho e mandar todo mundo tomar no cú, se foder. E fazer a música delas.</p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-32396" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/montagem-finalissima-648x432.jpg" alt="" width="648" height="432" /></p>
<p style="text-align: justify;">Algumas horas depois, o som comeu solto no Estúdio Emme, começando com a discotegem nervosa de KL Jay e DJ Marco. Os DJs Ksalaam e Nyack completaram o time, que teve os três tenores do rap se apresentando de smoking e sapatos brancos. Teve espaço até pra comemorar o aniversário do Emicida, que estava completando 26 anos de idade. Enfim, uma noite memorável.</p>
<p style="text-align: justify;">Contribuições fotográficas são creditadas à <a href="http://www.flickr.com/photos/raquelsantos/" target="_blank">Raquel Santos</a>.</p>
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		<title>Entrevista: 8bit Pipe</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jul 2011 21:58:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gregório Fonseca</dc:creator>
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		<category><![CDATA[8bit pipe]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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										</div>O 8bit Pipe é uma banda paulistana de electrorock que mistura guitarras e sintetizadores aos barulhinhos típicos de videogame. Recentemente a banda lançou um álbum homônimo, e teve uma música produzida pelo Zegon (N.A.S.A., Planet Hemp) como parte do projeto Garage Project. A festa de lançamento do desse projeto no mês passado teve um intenso show do [...]]]></description>
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										</div><p>O <strong>8bit Pipe</strong> é uma banda paulistana de electrorock que mistura guitarras e sintetizadores aos barulhinhos típicos de videogame. Recentemente a banda lançou um álbum homônimo, e teve uma música produzida pelo Zegon (N.A.S.A., Planet Hemp) como parte do projeto <a href="http://movethatjukebox.com/garage-project-leva-producao-de-primeira-a-bandas-promissoras-e-inovadoras/">Garage Project</a>. A festa de lançamento do desse projeto no mês passado teve um intenso show do <strong>The Cribs</strong> que, inclusive, <a href="http://movethatjukebox.com/entrevista-the-cribs/">foi entrevistado</a> pelo Move That Jukebox. O <strong>8bit Pipe</strong> fez o show de abertura e resolvemos bater uma papo com os guitarristas Guile e Thithio.</p>
<p><img class="alignnone size-full wp-image-29519" title="8bit pipe" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/8bit-pipe.jpg" alt="" width="648" height="432" /></p>
<p><strong>Como surgiu a banda?</strong></p>
<p>A gente surgiu em 2007. Começamos com três músicas feitas no porão de casa mesmo e na hora de transformar isso num show ao vivo começamos a pensar numa dinâmica de banda. Chamamos o pessoal com quem já tocávamos juntos, do selo da Elvira Records e formamos o 8bit Pipe a partir dessas 3 músicas.</p>
<p><strong>Quando vocês gravaram o primeiro CD e quanto tempo levou até ele sair?</strong></p>
<p>A gravação foi concluída em 2009, mas o disco saiu só agora por problemas financeiros etc.</p>
<p><strong>Vocês já estão preparando um próximo disco?</strong></p>
<p>Sim. Esse a gente vai lançar por módulos, por etapas. Vamos lançar 3 ou 4 singles, e depois um EP, compilar tudo isso e masterizar no próximo disco. A gente vai com calma, porque o último disco a gente acabou fazendo muito rápido.</p>
<p><strong>Como vocês se sentem sendo a banda de abertura do The Cribs?</strong></p>
<p>A gente acabou dando uma sorte grande de cair num projeto como o Garage Project. Fizeram vários trabalhos com gente, no estúdio, colocando a gente pra tocar aqui, divulgando a banda.</p>
<p><strong>E sobre trabalhar com o Zegon?</strong></p>
<p>Ele é tranquilo pra ca***. Foi do ca**, ele é do ca**. Ele é um cara tranquilão, que conseguiu pegar muito bem o nosso clima e aplicar no som que a gente tinha. Fazer um som mais garagista, rock and roll.</p>
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		<title>Entrevista: The Cribs</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Jun 2011 02:38:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gregório Fonseca</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[the cribs]]></category>

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										</div>Na última semana, o trio inglês The Cribs tocou em dois disputados shows no Beco 203, em São Paulo. No primeiro dia se apresentaram na festa do Garage Project, e o Move That Jukebox, juntamente com o Vitroleiros, o Rock’n Beats e a revista Playboy, teve a oportunidade de conversar com a família Jarman e explorar [...]]]></description>
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										</div><p>Na última semana, o trio inglês <strong>The Cribs</strong> tocou em dois disputados shows no Beco 203, em São Paulo. No primeiro dia se apresentaram na festa do <a href="http://garageproject.com.br/">Garage Project</a>, e o <strong>Move That Jukebox</strong>, juntamente com o <a href="http://vitroleiros.org/">Vitroleiros</a>, o <a href="http://www.rocknbeats.com.br/">Rock’n Beats</a> e a revista <a href="http://playboy.abril.com.br/">Playboy</a>, teve a oportunidade de conversar com a família <strong>Jarman </strong>e explorar um pouco da história da banda.</p>
<p>Quando perguntado sobre o desafio de manter uma banda com pessoas que vivem juntas desde que nasceram, Ryan respondeu de bate-pronto: <em>&#8220;É fácil, pois não temos que lidar uns com os outros o tempo todo. Você ouve falar de bandas onde todos são impacientes e discutem e brigam bastante. Nós somos um grupo mas não brigamos, temos as mesmas opiniões, gostamos do mesmo tipo de música. Como Gary vive nos Estados Unidos, eu em Londres e Ross em Wakefield, não ficamos juntos sempre.” </em>No único momento em que o baterista e irmão mais novo Ross falou durante a entrevista, disse que eles se conhecem o suficiente para não se pressionarem.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-28384" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/The-Cribs-648x6031.jpg" alt="" width="648" height="603" /></p>
<p>O ex-guitarrista dos<strong> Smiths</strong>, <strong>Johnny Marr</strong>, fez parte da banda até pouco tempo. Numa inusitada saia-justa, tiveram que responder se eles têm a intenção de tocar com <strong>Morrissey</strong>. Gary deu um sorriso amarelo mas respondeu de maneira firme:<em> “Não. Isso parece ser um trabalho difícil. Johnny é realmente um cara legal e isso poderia desagradá-lo.”</em></p>
<p>O <strong>The Cribs</strong> já foi <em>headliner </em>de festivais europeus e tem um público considerável na Europa. No entanto, isso não quer dizer que não gostem de tocar em locais pequenos, como o Beco 203.<em> “Quando tocamos em grandes locais por um longo tempo, no Reino Unido ou mesmo nos Estados Unidos para alguns milhares de pessoas a mais que o de costume, depois de um tempo você sente algo em locais pequenos que não consigo explicar”</em> &#8211; Ryan tenta esclarecer até ser interrompido por Gary: <em>“Nós nos conectamos melhor às pessoas em clubes pequenos, que é de onde viemos originalmente, quando a banda foi formada há dez anos.” </em>e finaliza seu raciocínio:<em> “Fizemos inúmeras apresentações em pequenos bares, fazíamos shows por toda parte, mas não tocávamos nas rádios. Por esse motivo, nos apresentávamos em todo tipo de lugar e acabamos nos acostumando a isso. Quando você passa a tocar em grandes locais fica muito mais fácil. É bom voltar a tocar em locais pequenos, pois você não pode se esconder no meio da  multidão.”</em> E Gary completou<em> “Fizemos muitos shows em grandes locais e legal tocar para um público menor, onde você extrai mais energia da plateia. Há bandas que param de tocar em lugares pequenos e nunca querem voltar a fazer shows assim, e não entendo o motivo.”<span id="more-28363"></span></em></p>
<p>Um ponto interessante foi a discussão sobre como o termo “indie” perdeu seu significado original para a banda. Gary acha que isso  <em>“não é necessariamente um problema, mas o que está associado ao indie são as coisas que tentamos que não se encaixam nos padrões das grandes gravadoras. Há bandas</em> “indie”<em> que torram dinheiro em ônibus próprios, em grandes hotéis, num grupo de funcionários que faz todo o trabalho. O que seria a independência acaba se tornando o contrário. Não queremos tratamento diferenciado. Há outras bandas que têm muito mais dinheiro por trás delas que a gente, mas não nos preocupamos com isso, não fazemos parte do mesmo círculo.”</em> Ryan segue a mesma linha de raciocínio: <em>“Há varias bandas que você considera “</em>indie<em>” e são dependentes de suas gravadoras, de tocar nas rádios, de seus jogos de luzes bonitos e toda a sua trupe de funcionários, que não existiria sem tudo isso. O termo não significa mais nada. Eu nem gosto desse termo, na verdade eu odeio a palavra</em> “indie”<em>, chega a ser uma terminologia constrangedora. Isso é só um termo para um estilo, que pode ser até </em>mainstream<em>, não quer dizer mais </em>“banda independente”<em>”</em> Por fim, Gary compara o “indie” ao “grunge”, que <em>“em algum momento da história isso era uma coisa válida, mas agora não é mais, como o “</em>grunge<em>” já foi e hoje também não significa nada.”</em></p>
<p>Na pergunta mais nacionalista da entrevista, o conhecimento sobre música brasileira da banda foi questionado. Ryan contou que o engenheiro de som que gravou o terceiro disco da banda é brasileiro, e vive em São Paulo e acabou mostrando muitas coisas de bandas brasileiras que ele gravou, mas nada que os influenciasse. Gary se esforçou pra lembrar de alguma banda brasileira de sucesso na Inglaterra e citou o <strong>CSS</strong>. Reconheceu que deve haver outras bandas que ele não conhece, e que realmente não sabe muito sobre música brasileira. <em>“Tem uma banda de guitarra psicodélica de uns anos atrás&#8230;” “</em><strong>Mutantes</strong><em>?” “Sim, sim&#8230;”</em></p>
<p><em><img class="alignnone size-medium wp-image-28370" title="The Cribs por Gregório Fonseca (1)" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/The-Cribs-por-Gregório-Fonseca-1-648x517.jpg" alt="" width="648" height="517" /><br />
</em></p>
<p>A banda fica feliz por ter sido eleita pela revista <strong>Q</strong> a maior banda do Reino Unido. Ryan acha que a razão principal disso tudo é que não eram uma banda que tocava nas rádios. Gary concorda: <em>“Não éramos </em>mainstream<em>, estávamos comercialmente bem e disco estava tendo um resultado realmente bom. Não surgimos por meios comerciais. Foi realmente legal pra gente. Temos uma base fãs extremamente leal e somos gratos por isso tudo.”</em></p>
<p><strong>Edwyn Collins</strong> produziu o segundo álbum da banda, em 2005, e até hoje esse tempo traz boas lembranças, como explica Ryan: <em>“Foi realmente muito bom. O nosso segundo álbum foi muito divertido de fazer. Na indústria você pode se relacionar com os melhores, que muitas vezes tem estilos parecidos. Ele foi realmente bom, pois incluiu o que queríamos, da maneira que queríamos. Eu escrevi algumas canções, queríamos gravá-las e foi bem fácil. Tínhamos um relacionamento muito bom”</em>. Gary completou: <em>“Ele nos encorajou bastante e foi uma boa influência pra nós. Trabalhamos realmente bem. Ele nos ajudou a dar sentido ao que pensávamos. Simplesmente dizia: “Façam o que quiserem. Não escutem o que dizem que o disco que deve ser, não escutem o que a gravadora fala”. Realmente nos influenciou. Foi como uma alma gêmea para a banda.”</em></p>
<p>Ryan justificou o fato deles trabalharem com produtores diferentes a cada novo álbum:<em> “Eu me diverti muito no segundo álbum e realmente gostei de trabalhar com</em><strong> Alex Kapranos</strong><em> (no terceiro álbum), mas eu não me sentiria empolgado para ir ao estúdio sempre com a mesma pessoa. Há muita gente boa lá fora, com quem você pode fazer trabalhos animadores.”</em> Sobre um eventual membro da banda, Gary cita o ex-guitarrista do <strong>Queen</strong>, <strong>Brian May</strong>: <em>“Seria fantástico, e ele não está fazendo nada no momento mesmo&#8230;”</em></p>
<p>Estar em uma banda é um sonho pra muita gente, mas além de sonho é o ganha pão de pessoas como os irmãos Jarman. Claro, é uma carreira atípica como disse Ryan:<em> “O melhor é poder viajar para lugares diferentes. É a primeira vez que viemos pra cá e é muito legal. Se trabalhássemos numa fábrica de 8 da manhã às 5 da tarde, teriam passado 10 anos como se não tivéssemos feito nada de interessante.”</em> Gary também expôs seu ponto de vista: <em>“No começa da banda, não saímos muito de nossa cidade e quando saíamos era por um período muito curto. O melhor de estar numa banda é conhecer esse vasto mundo, e conhecer pessoas por todo o caminho.”</em></p>
<p><em><img class="alignnone size-medium wp-image-28369" title="The Cribs por Gregório Fonseca (2)" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/The-Cribs-por-Gregório-Fonseca-2-648x536.jpg" alt="" width="648" height="536" /><br />
</em></p>
<p>Pela primeira vez, os entrevistadores citaram diretamente Johnny Marr, e os gêmeos Ryan e Gary mostraram que ainda sentem a saída do ex-<strong>Smiths</strong>, ex-<strong>Cribs</strong>, ex-<strong>Pretenders</strong>, mas não ex-amigo. <em>“Sentimos falta de sair com ele. A primeira vez que ele nos contou que ia sair da banda foi uma surpresa muito grande. As coisas aconteceram muito rapidamente e tínhamos planos. Não pensamos muito na situação de que Johnny estava saindo porque estávamos muito animados com as coisas que escrevíamos. Mas sinto falta de sair com ele, nos tornamos amigos muito próximos. É uma pena que ele não faça mais parte da banda e esteja envolvido com seus projetos. Nos víamos diariamente e agora ficamos semanas sem nos encontrar, o que é triste. Continuamos amigos, é claro, mas é realmente uma pena”</em> diz Ryan. Gary vai além:<em> “Ele é um cara brilhante. Obviamente, nos conectamos num nível em que éramos grandes amigos. Somos uma banda familiar, somos três irmãos, e quando alguém se insere na nossa rotina, se torna parte da família. Claro que sentimos falta dele, mas estamos muito animados com o que fazemos no momento, é bom ter essa união novamente.”</em></p>
<p>Ao serem perguntados sobre o que os fãs fazem por eles, ou com eles, Gary ironiza:<em> “Gostamos de bagunçar com a música, algumas fãs são bem malucas e gostamos de desorganizar um pouco as coisas.”</em> Ryan se incomoda com a visão estereotipada sobre as bandas de rock:<em> “A indústria procura saber o que você quer e o que você quer saber e há muita falsidade por aí. As pessoas tem uma opinião completamente errada sobre estar numa banda. Ao contrário do que dizem, é muito bom e é o nosso trabalho. Não somos sarcásticos ou negativos, apenas achamos fácil escrever canções assim.” </em>Gary encerra: <em>“Acho que isso vem dos primeiros anos, pois não vemos esse fogo por um bom tempo. Eu acho que os fãs, como você estava dizendo, apreciam o que fazemos. às vezes eles tem uma visão meio glamourizada de tudo isso, o que meio é tolice. O melhor é estar na estrada.” </em>E o The Cribs, na estrada, realmente mostra o que sabe fazer de melhor.</p>
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		<title>Entrevista: DJ Chernobyl</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Jan 2011 15:10:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hick Duarte</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Chernobyl]]></category>
		<category><![CDATA[dj chernobyl]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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		<category><![CDATA[invasão]]></category>

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										</div><p style="text-align: justify;"><strong><a href="http://myspace.com/djchernobyl" target="_blank">Chernobyl</a></strong> nasceu no Rio Grande do Sul mas, confessa sem medo, é completamente aficcionado pelo baile funk. Mais do que isso, é essa afinidade com o movimento cultural do gueto que dá identidade ao seu trabalho como DJ e produtor, hoje de renome internacional. Assinando trabalhos como o álbum <em>With Lasers</em> do <a href="http://myspace.com/bondedorole" target="_blank">Bonde do Role</a>, o EP<em> Gatas Gatas Gatas </em>do <a href="http://myspace.com/edukfrenetiko" target="_blank">Edu K</a> e, como não podia deixar de ser, o álbum mais recente de sua banda <a href="http://myspace.com/comunidadeninjitsu" target="_blank">Comunidade Nin-Jitsu</a>, Chernobyl hoje precisa conciliar o seu tempo entregando remixes para um monte de gente grande, mantendo a sua residência na <a href="http://twitter.com/festacrew" target="_blank">Festa Crew</a> em São Paulo e trabalhando nas suas próprias composições.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-20889"></span></p>
<p style="text-align: justify;">No meio disso tudo, sugerimos que ele parasse um pouco para respirar e batesse um papo rápido com o Move. O cara apresentará pela primeira vez no Brasil o seu live junto com a <a href="http://marinagasolina.com" target="_blank">Marina Gasolina</a> na festa <a href="http://movethatjukebox.com/dj-chernobyl-e-marina-gasolina-encerram-a-invasao-do-fiesta-intruders/" target="_blank">Invasão</a>, dos parceiros <a href="http://fiestaintruders.com" target="_blank">Fiesta Intruders</a>, em Uberlândia (MG).  Este post fecha uma série de entrevistas com expoentes do eletrônico nacional que realizamos em janeiro, da qual também participaram o <a href="http://movethatjukebox.com/entrevista-boss-in-drama/" target="_blank">Boss in Drama</a>, o <a href="http://movethatjukebox.com/entrevista-mix-hell/" target="_blank">MIX HELL</a> e o <a href="http://movethatjukebox.com/entrevista-bonde-do-role-2/" target="_blank">Bonde do Role</a>. Com a palavra, DJ Chernobyl.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignnone size-full wp-image-20898" title="djchernobyl" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/djchernobyl.jpg" alt="" width="680" height="453" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Você é um dos caras responsáveis pela explosão do movimento baile-funk/ghettotech nas pistas do mundo todo. De onde vem a sua obsessão pelo ritmo? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu sempre ouvi <em>miamibass</em> desde os anos 80, e esse tipo de hip hop mais &#8220;booty&#8221; e sensual da Flórida foi o que deu origem ao &#8220;baile-funk&#8221; no Rio. Achei genial a adaptação feita pelos brasileiros e, quando comecei a produzir nos anos 90, já mandei ver em vários beats do gênero na minha banda <a href="http://www.myspace.com/comunidadeninjitsu" target="_blank">Comunidade Nin-Jitsu</a>. Acho que a música de gueto é algo verdadeiro e respeitável, gosto de misturar as tendências de gueto do terceiro mundo com as coisas mais modernas que acontecem na Europa. Faço um baile-cosmopolita.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vimos que você fez um remix oficial para </strong><strong><a href="http://www.youtube.com/watch?v=PityurWHMNE" target="_blank">&#8220;We no Speak Americano&#8221;</a></strong><strong>, um dos maiores hits do eletrônico mainstream em 2010. Como foi trabalhar com o <a href="http://myspace.com/yolandabecool " target="_blank">Yolanda be Cool</a>? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Fazia pouco tempo que eles haviam remixado minha faixa &#8220;Le Cheval&#8221;, que foi lançada pela Exploited Records (Berlin). Ficamos amigos, fiz o remix para eles e até nos encontramos em SP no D-Edge esses dias no rolê.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Outro trabalho curioso seu é com os russos do <a href="http://myspace.com/bazookaboom3000" target="_blank">Bazooka Boom</a>, que incorporaram sem medo o ritmo baile funk à música &#8220;Hooli-Gun-Yo&#8221;. Você até aparece no clipe, hahaha!</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Na verdade foram os russos que participaram da minha música, e não eu da música deles. É DJ Chernobyl featuring Bazooka Boom. Eu os conheci porque o Max, MC deles, tinha um selo que me solicitava remixes, etc&#8230; chamei eles para uma rima em cima de um track meu que tava pronto, depois o track entrou no EP <em><a href="http://soundcloud.com/chernobyl/chernobyl-le-cheval-ep-exploited-records" target="_blank">Le Cheval</a></em>. Fui tocar em Moscou e agitamos a fita do clipe por lá mesmo, na semana da minha gig. Amo aquela cidade e aquela galera, tenho ido tocar todo ano por lá. A equipe do clipe do é de primeira, só gente consagrada no meio artístico e publicitário de lá, e o estilista que forneceu as roupas foi o <a href="http://www.denissimachev.com/" target="_blank">Denis Simachev</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="679" height="407" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/Yb6d8r2GF64?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="679" height="407" src="http://www.youtube.com/v/Yb6d8r2GF64?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Em 2007, você foi a única atração nacional do Fuji Rock Festival, no Japão, e se apresentou ao lado de gente como <a href="http://myspace.com/simianmobiledisco" target="_blank">Simian Mobile Disco</a>, <a href="http://myspace.com/etjusticepourtous" target="_blank">Justice</a> e <a href="http://myspace.com/groovearmada" target="_blank">Groove Armada</a>. Foi foda? Alguma história engraçada para compartilhar?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Foi incrível! Melhor experiência da minha vida fazer parte de algo tão gradionso em um país tão diferente. Uma parada engraçada foi que o produtor do meu stage me pediu pra trazer cachaça do Brasil. Eu trouxe duas garrafas de Velho Barreiro Gold, eles compraram limão e açúcar, fiz milhares de caipirinhas no camarim e o povo todo ficava tomando em cima do palco, ao lado do show do&#8230; JUSTICE!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como residente, qual é a melhor parte de tocar na nacionalmente conhecida </strong><strong><a href="http://twitter.com/festacrew" target="_blank">Festa Crew</a></strong><strong>?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Gosto muito da amizade com os DJs residentes, que são pessoas divertidíssimas; e a reação do povo frequentador que se joga no meu tipo de som.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ourindo do Rio Grande do Sul, mas hoje morando em São Paulo, como você avalia a noite e o circuito de festas da cidade?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">São Paulo é a quinta maior cidade do mundo e é a capital cultural da América Latina. Isso faz que todos os tipos de cena sejam fortes, inclusive a que eu vivo. Consequentemente tenho mais trabalho morando aqui do que eu tinha em Porto Alegre. Além de ficar no centro do país para a facilidade das pontes aéreas que hoje em dia fazem com que eu toque por todo Brasil. A cena de SP é mega fervida, tem muita gente que entende de música, a coisa é frenética e rola 7 dias por semana.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Em relação a novas bandas, artistas e produtores, o que você tem mais ouvido hoje?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Tenho ouvido muito um projeto chamado <a href="http://myspace.com/caravanpalace" target="_blank">Caravan Palace</a> e orquestras balcânicas como <a href="http://www.myspace.com/municipalebalcanica" target="_blank">Balkanica Municipale</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quais nomes (nacionais ou gringos) você indicaria como promessas para 2011?</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://myspace.com/myholger" target="_blank">Holger</a>, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=RIBkK5X_3mo" target="_blank">Avassaladores</a> e <a href="http://myspace.com/dropthelime" target="_blank">Drop The Lime</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="679" height="407" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/xf4yfD_it-I?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="679" height="407" src="http://www.youtube.com/v/xf4yfD_it-I?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>É a segunda vez que você vai tocar em Uberlândia, apresentando pela primeira vez seu live com a <a href="http://marinagasolina.wordpress.com/" target="_blank">Marina Gasolina</a>, com quem você já trabalhou em épocas passadas. Qual a expectativa?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu curti muito tocar em Uberlândia da outra vez, me diverti demais e estou louco pra voltar. Dessa vez vai ser bem doido porque eu e a Marina nos damos super bem e nunca fizemos esse live no Brasil, só na Alemanha. O povo de lá amou, chegaram até a nos chamar pra fazer Copenhagen depois. Vamos agitar Uber-Land!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Foi você o produtor do disco <em>With Lasers</em>, do <a href="http://myspace.com/bondedorole" target="_blank">Bonde do Role</a>, do EP <em>Gatas Gatas Gatas</em>, do <a href="http://myspace.com/edukfrenetiko" target="_blank">Edu K</a>, e até do CD Pancadão do Caldeirão do Huck. Você pode adiantar algum outro plano curioso para 2011 envolvendo seu trabalho com o baile funk?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Estou fechando a tampa da terceira produção de música para o álbum do <a href="http://www.myspace.com/danipeixoto" target="_blank">Daniel Peixoto</a>. Será algo beeeem tropical, até com guitarras calientes minhas. Vou lançar em breve meu EP com o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Xis_(cantor)" target="_blank">Xis</a>, que terá também um clipe na MTV que já está em fase de edição. Quanto ao Bonde do Role, tem 4 faixas produzidas por mim para o próximo disco que sairá ainda em 2011.</p>
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		<title>Entrevista: Bonde do Role</title>
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		<pubDate>Fri, 21 Jan 2011 19:48:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hick Duarte</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Bonde do Rolê]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[fiesta intruders]]></category>
		<category><![CDATA[invasão]]></category>

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										</div>O Bonde vem com tudo. Depois de estourar no mundo inteiro em 2006, com o lançamento do With Lasers e em 2008 com a apresentação histórica no Coachella, a chegada do novo álbum da banda pela Domino Records (Arctic Monkeys, Animal Collective, Pavement, etc) deve conduzi-los de volta aos holofotes da imprensa musical em 2011. Eis que [...]]]></description>
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										</div><p>O Bonde vem com tudo. Depois de estourar no mundo inteiro em 2006, com o lançamento do <em>With Lasers</em> e em 2008 com a apresentação histórica no Coachella, a chegada do novo álbum da banda pela <a href="http://www.dominorecordco.com/" target="_blank">Domino Records</a> (Arctic Monkeys, Animal Collective, Pavement, etc) deve conduzi-los de volta aos holofotes da imprensa musical em 2011.</p>
<p><span id="more-20530"></span></p>
<p>Eis que antes de pegarem o avião para <a href="http://movethatjukebox.com/tem-show-do-bonde-do-role-na-invasao-do-fiesta-intruders-em-uberlandia-nesta-sexta-dia-21/" target="_blank">Uberlândia</a> (MG), onde se apresentam daqui a algumas horas, batemos um papo rápido com <strong>Pedro D&#8217;eyrot</strong> e <strong>Rodrigo Gorky</strong> &#8211; os dois idealizadores do projeto &#8211; e resgatamos algumas pérolas como o &#8220;show de merda&#8221; em Curitiba e o encontro deselegante com o Steven Styler. Confere aí.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-20533" href="http://movethatjukebox.com/entrevista-bonde-do-role-2/bondedorole/"><img class="aligncenter size-full wp-image-20533" title="bondedorole" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/bondedorole.jpg" alt="" width="680" height="680" /></a></p>
<p><strong>Em tempos de anúncio do <a href="http://movethatjukebox.com/coachella-anuncia-line-up-que-tem-brasileiros-e-death-from-above-1979/" target="_blank">line-up do próximo Coachella</a>, lembramos que vocês já tocaram no festival em 2008. Como foi a experiência? Lembram de alguma história engraçada? O Coachella é realmente tudo isso que falam?</strong></p>
<p>Pedro: Sim, o Coachella é um bafo, é demais, é lindo, cheio de gente famosa. Eu e Gorky estávamos gravando o programa de cobertura pra MTV e o Gorky resolveu pedir uma entrevista pro <a href="http://www.sexysteventyler.com/" target="_blank">Steven Tyler</a> (<em>vocalista do Aerosmith</em>) que estava almoçando um doguinho no cantinho, mas o moço foi uóóó com a gente. Só porque a gente queria filmar ele comendo doguinho! De qualquer maneira o programa tá aí, se quiser assistir, tem momentos lindos!</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="640" height="505" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/8KAosMkn8zI?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="640" height="505" src="http://www.youtube.com/v/8KAosMkn8zI?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><strong>O Diplo é uma mente brilhante, está sempre apoiando os projetos mais ousados e apontando tendências no mundo da música. Sabemos que ele sempre foi um fiel entusiasta do Bonde do Role. Como é trabalhar com o cara?</strong></p>
<p>Pedro: Trabalhar com o Diplo é igual ter uma daquelas santas milagreiras que choram água benta na sala de jantar, ela tá lá quietinha e de repente&#8230; acontece um milagre!</p>
<p><strong>Que detalhes vocês podem antecipar sobre o segundo disco? Ele já está todo gravado? Alguma previsão de lançamento, convidado ou remix especial para contar?</strong></p>
<p>Pedro: Sim, já está quase todo gravado, fomos para Los Angeles no final de 2010 e conseguimos gravar quase tudo. Agora só falta pós produzir!</p>
<p><strong>O som de vocês flerta bastante com sonoridades aparentemente rotuladas por muito como &#8220;música ruim&#8221;, &#8220;música pobre&#8221;. Depois de entrar de cabeça no funk, vocês pretendem investir em algum outro movimento? O tecnobrega, talvez?</strong></p>
<p>Pedro: A pobreza é nossa alma. Tem muita gente que não entende isso, mas é verdade! Vários movimentos e tropicalismos e rrróquismos e esquistossomismos para esse disco novo.</p>
<p><strong>Olhando para a música que se faz hoje, qual a banda preferida de vocês?</strong></p>
<p>Pedro: Varia muito. Todo mundo da banda tem gostos muito diferentes, mas seguindo a linha do terceiromundismo eu gosto bastante desse tio aqui:</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="640" height="505" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/TojTlYNNm9w?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="640" height="505" src="http://www.youtube.com/v/TojTlYNNm9w?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p><strong>Que banda/artista nacional vocês apontariam como revelação pra música em 2011?</strong></p>
<p>Pedro: <a href="http://zh.myspace.com/LacrosseOficial" target="_blank">Lacrosse</a>!<br />
Gorky: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=pk5b8xy3Dvg" target="_blank">Banda Uó</a> de Goiânia!</p>
<p><strong>Do Japão à Noruega, vocês já rodaram o mundo todo tocando. Qual foi a ocasião mais estranha em que já se apresentaram?</strong></p>
<p>Pedro: O blackout em Uberlândia está entre os shows lendários da banda&#8230; Não perdendo para o nosso show em um festival de MPB na Suíça, após apresentação ovacionada dos <a href="http://www.barbatuques.com.br/" target="_blank">Barbatuques</a>. Também tá no top 10 o banho de merda que fizemos em Curitiba, entrou pra história da cidade! A multidão se uniu e foi recuando assustada do palco, em passos orquestrados e em pânico com as fezes que jorravam do palco! Hahahahaha, foi uma maravilha!</p>
<p><strong>Já perdemos as contas, mas acho que é a quarta vez que vocês tocam em Uberlândia. Depois do blackout, do strip-tease e de toda a loucura que o Bonde já armou por lá, o que planejam pra esse retorno?</strong></p>
<p>Pedro: Pois é, a noite do blackout foi uma das noites da minha vida. A Magali ainda me deve a foto em cima do carro da polícia, fala pra ela me mandar, caralho! Hahaha!</p>
<p><strong>O que os integrantes do Bonde do Role estão fazendo quanto não estão produzindo ou fazendo show? Existem horas vagas?</strong></p>
<p>Pedro: Eu fico nerdeando fazendo pesquisa de som e fritando no <a href="http://bondedorole.tumblr.com  " target="_blank">Tumblr</a>.</p>
<p>Gorky: Eu fico no tumblr, vendo filmes e baixando música.</p>
<p><strong>Naturais de São Paulo, como vocês avaliam as festas e em geral a noite da cidade hoje?</strong></p>
<p>Gorky: Eu tô morando em Campinas e raramente saio.</p>
<p><strong>Gorky, recentemente você fundou o <a href="http://www.myspace.com/fatnotronic" target="_blank">Fatnotronic</a> junto com o Phillip A. do <a href="http://myspace.com/killeronthedancefloorbr" target="_blank">Killer on the Dancefloor</a>. Explica melhor o projeto pra gente?</strong></p>
<p>Pedro: Melhor que explicar é perguntar quando que a gente toca em Uber! Hahaha!</p>
<p><strong>Ana, onde está a <a href="http://www.youtube.com/watch?v=ieoHr3mBbT0" target="_blank">ARETUZA</a> agora?</strong><em> (Trata-se do bizarro alter-ego da vocalista)</em></p>
<p>Ana: Terminando um novo vídeo bombástico! E em preparação para o lançamento de incríveis drag hits em português.</p>
<p><strong>Pedro, sabemos que você também é produtor e costuma se envolver com os projetos mais bizarros sempre, como é o caso dos <a href="http://blog.surfacetoair.com.br/bar-secreto/2minidjs-download/" target="_blank">2miniDJs</a>. Algum plano infalível para 2011?</strong></p>
<p>Pedro: Eu e Gorky estamos produzindo bandas, mas ainda quero aprontar A COISA BIZARRA de 2011. 2010 com os 2mini foi bafo, hahaha, fama internacional dos pequeninos. Mas preciso de uma idéia nova agora&#8230;</p>
<p><strong>Pra fechar, quais os planos para 2011?</strong></p>
<p>Pedro: Terminar o disco em Los Angeles mês que vem, terminar o disco de sambas pra lançarmos o quanto antes também e fazer muitos shows&#8230;</p>
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		<title>Entrevista: MIX HELL</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Jan 2011 19:45:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hick Duarte</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[fiesta intruders]]></category>
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		<category><![CDATA[mix hell]]></category>

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										</div>Pare para pensar em como o Brasil já contribuiu para a música eletrônica mundial. Entre os nomes que você conseguir pescar (The Twelves? Gui Boratto? Edu K?), certamente estará o MIX HELL, projeto eletrônico formado pelo ex-Sepultura Iggor Cavalera e sua esposa, Laima Leyton. Amigos de longa data e parceiros criativos de gente como Justice, [...]]]></description>
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										</div><p>Pare para pensar em como o Brasil já contribuiu para a música eletrônica mundial. Entre os nomes que você conseguir pescar (<a href="http://www.myspace.com/thetwelves" target="_blank">The Twelves</a>? <a href="http://www.myspace.com/guiboratto" target="_blank">Gui Boratto</a>? <a href="http://www.myspace.com/edukfrenetiko" target="_blank">Edu K</a>?), certamente estará o <strong><a href="http://myspace.com/mixhell" target="_blank">MIX HELL</a></strong>, projeto eletrônico formado pelo ex-Sepultura Iggor Cavalera e sua esposa, Laima Leyton. Amigos de longa data e parceiros criativos de gente como <a href="http://myspace.com/etjusticepourtous" target="_blank">Justice</a>, <a href="http://www.myspace.com/crookers" target="_blank">Crookers</a> e <a href="http://www.myspace.com/2manydjs" target="_blank">2manyDJs</a>, o duo acaba de concluir uma incrível turnê de Natal pela Europa (o <a href="http://soulwaxmas.com/" target="_blank">Soulwaxmas</a>), começa 2011 vivendo uma fase de pura efervescência produtiva e, antes de tocar na festa uberlandense <a href="http://movethatjukebox.com/mix-hell-e-a-grande-atracao-da-invasao-do-fiesta-intruders-em-uberlandia-nessa-sexta-dia-14/" target="_blank">Invasão</a> do <a href="http://fiestaintruders.com/" target="_blank">Fiesta Intruders</a>, trocou algumas idéias com o Move. Sente só.</p>
<p><span id="more-20236"></span></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-20237" title="mixhellmove" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/mixhellmove.jpg" alt="" width="680" height="819" /></p>
<p><strong>Em <a href="http://www.thecreatorsproject.com/creators/mixhell" target="_blank">entrevista ao Creators Project</a>, vocês disseram que, quando o MIX HELL surgiu, ninguém estava entendendo o que estavam fazendo. Explica melhor esse contexto pra gente.</strong></p>
<p>Foi um lance orgânico que rolou, a música estava muito chata, o rock repetitivo. Aí começamos a frequentar clubes e era na música eletrônica que conseguíamos ouvir lances diferentes&#8230; Hoje em dia percebemos que, na nossa cena, teve um monte de gente que veio do rock como o Simian Mobile Disco, o LCD SoundSystem, o Soulwax e o Justice, que fazia o crossover entre os mundos musicais. Naquele momento nos identificamos imediatamente com todos eles, pois todos buscávamos um som legal cuja finalidade era a de divertir as pessoas&#8230; Lá fora o público incorporou o Mixhell nesta cena e tudo rolou. Aqui ainda tinha o resquício de que o Iggor tinha que ser metaleiro e não podia virar DJ&#8230;</p>
<p><strong>Muita gente ainda torce o nariz para o MIX HELL por causa dos seus outros projetos, Iggor? Ou você acha que as pessoas estão entendendo a proximidade estética entre tudo o que você fez e faz?</strong></p>
<p>Acho que sim, sempre fiz música que eu amo e não para agradar certos tipos de pessoas. Também sempre busquei e continuo buscando ritmos diferentes em toda a minha carreira. Muitos dos meus ídolos hoje na música eletrônica tem uma trajetória que vem do rock (James Murphy, Soulwax, Simian Mobile Disco), então acredito que não estou sozinho.</p>
<p><strong>Como foi gravar <a href="http://vimeo.com/8049399" target="_blank">&#8220;We Love Animals&#8221;</a> &#8211; hoje um dos novos grandes hits do eletrônico em todo o mundo &#8211; com o Soulwax e o Crookers?</strong></p>
<p>&#8220;We Love Animals&#8221; aconteceu como tudo com o Mixhell, de forma orgânica e juntando as pessoas que amamos. O Crookers estava fazendo o álbum com as colaborações e, como fomos nós que apresentamos o Crookers para o Soulwax, os italianos acharam que seria legal trampar em três. Dividimos o trampo em beat, Mixhell; bassline, Crookers; e synthline, Soulwax. Os vocais ficaram por conta do Phra, a Laima e nossos filhos.</p>
<p><strong>Pois é, dá pra ver que vocês são bem próximos de muita gente grande nesse meio. Como rola o diálogo com todo mundo? Vocês discutem música com frequência? Tem muita produção colaborativa rolando?</strong></p>
<p>No começo, muita gente do meio &#8211; principalmente da Europa, Soulwax e o pesssoal da <a href="http://www.edbangerrecords.com/" target="_blank">Ed Banger</a> &#8211; conhecia o Iggor pois eram fãs dele. O fato de ficarmos mais fora do Brasil do que aqui nos aproximou muito de todos eles. É claro que o apadrinhamento dos 2ManyDJs deu uma super força, eles foram os primeiros a acreditarem na gente&#8230; Discutimos música assim como discutimos a vida, somos amigos de verdade. O Bot dos Crookers e o Steph do Soulwax acabaram de ir embora do Brasil, vieram passar férias com a gente <em>(<a href="http://blog.surfacetoair.com.br/bar-secreto/flash-mixhell-1manydjs-1crook-fatnotronic-fe-tedde-pata/" target="_blank">tocaram juntos dia 7/1 no Bar Secreto, em São Paulo</a>)</em>. As colaborações vêm dessa convivência. Tem muuuita música sendo produzida com eles e com outros artistas, só falta tempo para acabarmos tudo!</p>
<p><strong>Iggor, todo mundo ficou surpreso com a sua participação como baterista do JAMAICA no <a href="http://movethatjukebox.com/jamaica-short-and-entertaining/" target="_blank">clipe de “Short &amp; Entertaining”</a>. Como rolou a oportunidade? Você tem acompanhado o trabalho dos caras?</strong></p>
<p>Já conhecíamos o Jamaica quando ainda eram Pony Pony, os conhecemos em 2007. O legal desse vídeo é que foi, novamente, uma junção de amigos. O Xavier Rosnay (Justice) como produtor da track e o Jeremie Rozan (Surface to Air) como diretor do clipe. Dois de nossos melhores amigos fizeram a proposta, não pudemos recusar.</p>
<p><strong>Como foi a experiência de tocar no Soulwaxmas? Acompanhei o vídeo-diário no <a href="http://mixhellblog.blogspot.com/" target="_blank">blog</a> de vocês e o espetáculo de Natal pareceu maravilhoso.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="680" height="409" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/br-EEjXzFdQ?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="680" height="409" src="http://www.youtube.com/v/br-EEjXzFdQ?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>Hahaha! O Soulwaxmas é a reunião anual da família! Sempre dizemos que, como bons pais, temos que ver toda nossa família no Natal, então vamos à Europa encontrar nossa família de lá e corremos de volta para encontrar nossos pequenos aqui. O primeiro Soulwaxmas foi como um sonho realizado, os irmãos belgas reuniram em uma única data todos os amigos. Amigos que normalmente estão mega ocupados, com agendas cheias e que raramente se encontram para tocar juntos a não ser em festivais de verão&#8230; Foi super bacana e os promoters da Europa ficaram de olho, no ano seguinte mais algumas datas e no seguinte mais&#8230; Virou uma tradição, não existe melhor tour para nós.</p>
<p><strong>Pela agenda de shows do MIX HELL é fácil concluir que já se apresentaram nos quatro cantos do mundo. Qual foi o lugar mais bizarro/curioso em que vocês já tocaram?</strong></p>
<p>Ásia é sempre curioso. Jakarta, Singapura e Hong Kong são incríveis e diferentes culturalmente. Mas o mais bizarro foi quando nos chamaram para tocar em Dudigen, na Suíça. Era um bar no meio da neve e ao lado da estação de trem. Não havia mais nada na cidade, só o bar e a estação.</p>
<p><strong>E sobre São Paulo, cidade onde vocês também têm tocado bastante recentemente? Como enxergam a noite da cidade hoje?</strong></p>
<p>Amamos São Paulo e vamos fazer o nosso melhor para continuar tocando aqui sempre! É a nossa cidade do coração, apesar de às vezes nos sentirmos um tanto perdidos sobre o que está acontecendo. Achamos que tem muita gente tocando hits pop e um público sedento por tracks que já conhecem&#8230; Às vezes acho que o público fora de São Paulo dá mais atenção às novidades que trazemos&#8230;</p>
<p><strong>Entre as novas bandas e DJs que estão surgindo, quem vocês apontariam como promessa para a música eletrônica em 2011?</strong></p>
<p>Tem o <a href="http://www.mumbaiscience.net/" target="_blank">Mumbai Science</a> da Bélgica que fez um remix para nós e está sendo tocado por Erol Alkan e Boys Noize.</p>
<p><strong>Quais os planos do MIX HELL para 2011?</strong></p>
<p>Trabalhar, trabalhar e trabalhar! Assinamos com o selo de mais um grande amigo, o Boys Noize. Temos no plano 2 singles e um álbum e, é claro, muita tour!</p>
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		<title>Entrevista: Boss in Drama</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Jan 2011 17:03:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Hick Duarte</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Boss in Drama]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
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										</div>Em 2010, o Boss in Drama foi longe: descolou o prêmio de melhor artista eletrônico do ano no VMB, foi convidado a integrar o casting do Vigilante (braço indie da Deckdisc, um dos selos mais legais do país) e ganhou não só o coração da imprensa musical brasileira como também o Justin Timberlake como fã [...]]]></description>
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										</div><p style="text-align: justify;">Em 2010, o <a href="http://myspace.com/bossindrama" target="_blank"><strong>Boss in Drama</strong></a> foi longe: descolou o prêmio de melhor artista eletrônico do ano no <a href="http://mtv.uol.com.br/blogdovmb/blog/veja-a-lista-de-vencedores-do-vmb-2010" target="_blank"><strong>VMB</strong></a>, foi convidado a integrar o casting do <strong><a href="http://www.semprevigilante.com.br/" target="_blank">Vigilante</a></strong> (braço indie da Deckdisc, um dos selos mais legais do país) e ganhou não só o coração da imprensa musical brasileira como também o <a href="http://justintimberlake.com/news/taste_of_brazil_electronic_baile_funk_and_more" target="_blank">Justin Timberlake como fã confesso</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-20040"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Entre alguns devaneios oitentistas, o sonho de tocar em um karaokê na Tailândia e informações exclusivas sobre o seu primeiro álbum, o jovem Péricles Martins bateu um papo com o Move enquanto arrumava as malas rumo a Uberlândia, Minas Gerais, onde toca como atração principal da festa <a href="http://movethatjukebox.com/invasao-fiesta-intruders-levara-nomes-bacanas-a-uberlandia-vamos/" target="_blank"><strong>Invasão</strong></a>. Saca só.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-20051" title="bossindrama" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/bossindrama.jpg" alt="" width="680" height="641" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>No ano passado você ganhou o prêmio de melhor artista eletrônico pelo VMB, premiação da MTV Brasil. Como avalia essa conquista? Sentiu que alguma coisa mudou na sua carreira depois disso?</strong></p>
<p>Foi legal porque eu tinha acabado de lançar meu vinil e o prêmio deu um gás na minha carreira aqui no Brasil, principalmente em relação a convites para produzir outros artistas.<strong></strong></p>
<p><strong>Também em 2010 você assinou com o selo Vigilante, braço indie da Deckdisc. Como tem encarado os resultados do trabalho com o selo até agora?</strong></p>
<p>Lançamos um vinil ano passado e pro primeiro semestre de 2011 vai rolar clipe, single, disco e minha estréia com a banda de apoio nos palcos!<strong></strong></p>
<p><strong>E em 2011, sai ou não sai o seu álbum completo? As gravações já estão acontecendo? Você já pode adiantar algum detalhe sobre?</strong></p>
<p>O álbum está em gravacão, vamos lançar entre junho e julho. O processo é mais demorado porque eu produzo, gravo e arranjo tudo sozinho. O disco terá 13 faixas, sendo 11 inéditas e 2 já conhecidas (<a href="http://soundcloud.com/bossindrama/favorite-song" target="_blank">&#8220;Favorite Song&#8221;</a> e <a href="http://soundcloud.com/bossindrama/ive-got-tonight" target="_blank">&#8220;I&#8217;ve Got Tonight&#8221;</a>). O disco vai ser uma mistura de R&amp;B, disco funky e pop. Basicamente, músicas &#8220;good vibe&#8221; feitas pra divertir! A maioria das tracks tem percussão, guitarra, metais, cordas. Tudo muito orgânico!</p>
<p><strong>Há algum outro plano para 2011 além do lançamento do álbum?</strong></p>
<p>Vou estreiar minha banda de apoio nos palcos, turnê, clipe, single e outras cositas mas!<strong></strong></p>
<p><strong>De um modo geral, tendo tocado em inúmeras festas e casas de São Paulo, como você enxerga a noite da cidade hoje?</strong></p>
<p>Ultimamente, com os festivais e bandas internacionais vindo com muito mais frequência, a noite está bem mais fervida. Muitos turistas e até festas de dia de semana bombando.<strong></strong></p>
<p><strong>Qual é a sua aposta para a música eletrônica nacional em 2011? E na gringa? Pode mencionar mais de um nome, se preferir.</strong></p>
<p>Acredito que vão falar muito no <a href="http://www.myspace.com/jamesblakeproduction" target="_blank"><strong>James Blake</strong></a> esse ano. &#8220;Limit to You Love&#8221; é genial.<strong></strong></p>
<p><strong>Em relação a novas bandas, o que você tem ouvido recentemente pra se inspirar?</strong></p>
<p>Pra inspiração não costumo ouvir muita música nova. Gosto de buscar referências de preciosidades esquecidas e fazer algo novo! Eu amo música nova, mas se você pega só isso pra referência você acaba soando só como mais um.<strong></strong></p>
<p><strong>O seu remix para &#8220;Hypnotize U&#8221;, do N.E.R.D, foi muito bem recebido pela crítica musical do mundo todo. Fala um pouco sobre esse trabalho pra gente.</strong><strong></strong></p>
<p><strong>Daft Punk</strong> e <strong>N.E.R.D</strong> são duas bandas que tão no meu top 5 de bandas da vida, e quando vi que as duas iam fazer uma produção juntas, eu fiquei mega empolgado. Quando saiu achei o resultado legal, mas esperava algo mais funky vindo do Daft Punk. Então resolvi fazer um remix super disco e alegre, pra rebater com o clima sombrio da original.<strong></strong></p>
<p><strong>Sexta-feira será a primeira vez que você vai tocar em Uberlândia, numa série de festas que também levará Mix Hell, Bonde do Role, Chernobyl e Marina Gasolina à cidade. Alguma vez você já ouviu falar sobre as festas que rolam por lá?</strong></p>
<p>Eu achei o line up do club melhor que vários aqui em São Paulo. Isso é incrível, pessoas que agitam a cena numa cidade de médio porte e trazem gente que faz um som legal pra animar as festas.<strong></strong></p>
<p><strong>Em que lugar do mundo e ao lado de que banda/artista você sonha em tocar um dia?</strong></p>
<p>Amaria tocar com o <a href="http://www.myspace.com/pharrell" target="_blank"><strong>Pharrell Williams</strong></a>, <a href="http://www.lastfm.com.br/music/Prince" target="_blank"><strong>Prince</strong></a> ou <strong><a href="http://www.rupaul.com/" target="_blank">Ru Paul</a></strong>! Poderia ser em Dubai ou num karaokê na Tailândia.<strong></strong></p>
<p><strong>Vemos nas suas composições, tanto visuais quanto sonoras, referências diretas e massivas aos anos 80 e sua cultura disco. Parece que hoje a gente vive uma série de resgates estéticos, releituras da música que se fez no passado são cada vez mais frequentes. Qual sua afinidade real com essa época/contexto estético? Você é daqueles caras que gostariam de ter vivido nos anos 80?</strong></p>
<p>Eu busco referências nos anos 80 porque amo a estética glitter e o som funky, mas sempre tento trazer pro atual. Não sou daqueles artistas que ficam presos tentando resgatar uma época perdida fazendo tudo nos moldes do que já foi feito. Pra isso, já existe um monte de banda velha voltando e fazendo muito melhor que os &#8220;emuladores&#8221; atuais.</p>
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		<title>Entrevista: Thiago Pethit</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Nov 2010 04:20:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alex Correa</dc:creator>
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										</div><p style="text-align: justify;">O questionamento pré-adolescente veio tarde para <strong><a href="http://myspace.com/lepethitprince">Thiago Pethit</a></strong> – ou então a crise dos 30 bateu na porta do garoto antes do tempo, sem avisar. Quase de uma hora para a outra, o universo do teatro, em que viveu por quase 15 anos, já não agradava mais. Nascido e criado em uma família de artistas, o jeito foi correr para uma outra área não muito longe dali: a música.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-18329"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Já existiam os flertes com o som, de alguma forma – foi através de seus poemas sonoros que Thiago fez seus primeiros contatos com Tiê, uma das responsáveis por empurrar o cara para a música. Mas o envolvimento do “Pethit Prince” só foi se tornar concreto mais tarde, pouco menos de dois anos atrás, quando lançou seu primeiro EP. O objetivo era simples e muito pouco ambicioso: mostrar aos amigos a mudança de carreira e ver onde isso poderia chegar. Hoje, com 28 anos, um disco lançado e um VMB nas costas, não é difícil ver que Thiago Pethit chegou mais longe do que provavelmente imaginou.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18651" title="Thiago Pethit" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/Thiago-Pethit.jpg" alt="" width="680" height="455" /></p>
<p style="text-align: center;"><em>Foto: Leandro Ribeiro</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Você morou na Argentina há algum tempo. Quando foi isso?<br />
</strong>Eu fui pra Buenos Aires em 2007, sozinho. Até então eu ainda trabalha com teatro, mas já estava ficando meio frustrado. Comecei a sentir que teatro é uma coisa que você faz só pras pessoas do meio, e eu não tinha a menor intenção de passar meses e meses ensaiando pra isso, perdendo todo um tempo de vida. Isso tudo começou a me deixar muito angustiado, era muito massacrante. Mais ou menos na mesma época eu comecei a fazer outras coisas como hobby pra ver no que ia dar&#8230; Fui dirigir o cabaré do <a href="http://www.myspace.com/dudutsuda">Dudu </a><em><a href="http://www.myspace.com/dudutsuda">[</a>Tsuda]</em> e da <a href="http://www.myspace.com/tiemusica">Tiê</a>, que era um show que eles tinham. Fiquei um tempão trabalhando nisso, escolhendo o setlist com eles, montando o cenário&#8230; No meio disso acabei virando um personagem, comecei a ir nos ensaios, se faltava alguma voz eu entrava pra cantar junto com eles e tal. Mas o cabaré nunca estreou! Fiquei três meses nisso e aí, na véspera da apresentação, a <a href="http://quintetobalancosocial.webnode.com.br/news/entenda-como-funciona-lei-do-psiu/">Lei do Psiu</a> fechou o lugar que íamos usar.</p>
<p style="text-align: justify;">Nossa, meu mundo caiu. Fiquei muito deprimido. Foi aí que eu percebi que tava tudo errado&#8230; Saí do meu grupo de teatro, depois de sete anos, e decidi fazer outra coisa sem saber muito o que era. Eu brincava muito de fazer poesia sonora e resolvi que ia estudar literatura. Me matriculei num curso de um ano em Buenos Aires. Mas aí, um mês antes de ir pra lá, um amigo me escreveu falando: “Thiago, você não pensou em fazer música na Argentina?”. Ele me mandou o formulário de inscrição pra umas aulas num conservatório de música que era voltado pra repertório de tangos. Tinha muito canto, composição e um pouco de literatura e resolvi me inscrever. Acabei abandonando o curso de literatura e fiquei fazendo música por um ano inteiro! (Risos) No início de 2008, quando voltei pra São Paulo, eu já sabia que eu realmente queria fazer música.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E o teatro te bancava nessa época?<br />
</strong>Sim, então foi meio que um tiro no pé. Comecei no teatro com nove anos de idade, por causa dos meus avós, e fiquei até os 24, sempre em companhias meio grandes. As vezes essas companhias tinham patrocínio de alguém ou então rolava algum edital, chegamos a ganhar duas vezes a <a href="http://www.cultura.gov.br/site/2009/03/20/nova-lei-do-fomento/">Lei do Fomento</a>. Eu pagava minhas contas e vivia bem, dava pra sair pra jantar. (risos)</p>
<p style="text-align: justify;">Quando rolou a história do cabaré, eu pensei: “Como é que eu me meto completamente por diversão numa coisa, sem remuneração nenhuma, e fico mais pilhado do que já estive em toda a minha vida?” Eu estava super infeliz no teatro, não tinha muita diferença da minha situação pro clássico empresário que vive estressado e frustrado com a vida pra ganhar dinheiro.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Então o Dudu e a Tiê foram os responsáveis por te jogar no mundo da música. Quando surgiu Thiago Pethit, o músico?<br />
</strong>Bom, passei um ano em Buenos Aires gastando enlouquecidamente todo o dinheiro que eu tinha guardado. Voltei pro Brasil da estaca zero, com um tiro no pé, porque uma hora o dinheiro acabou. Falei “Bem, não vai dar pra começar a trabalhar com música como se eu tivesse 18 anos de idade. Vou ter que me superar.” Aí eu decidi gravar um EP juntando todos os meus amigos, um pouco na intenção de dizer pra eles “Amigos, ó, to começando a trabalhar com música e o que eu sei fazer é isso. Interessa pra vocês?” O objetivo mesmo era montar uma banda ou alguma coisa assim, não tinha a intenção de uma carreira solo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A Tiê sempre acompanhou bem de perto a sua carreira e continua muito próxima de você. Como vocês se conheceram?<br />
</strong>A Tiê foi meio que a minha Caixinha de Pandora. Tivemos uma super afinidade durante os ensaios do cabaré, rolou uma identificação muito grande. A gente já meio que se paquerava virtualmente por MySpace, antes de descobrirmos que tínhamos amigos em comum, porque nossas páginas eram muito parecidas. Eu tinha lá os meus poemas sonoros, trocávamos fotos&#8230; Existia um flerte. Enquanto eu estava dirigindo o cabaré, ela estava fazendo um clipe e queria que eu participasse. Eu gostava do trabalho dela, ela gostava do meu e um dia ela pediu pra eu escrever uma letra pra ela gravar. Começamos a bolar um projeto pra essa música entrar em alguma coisa, daí acabou saindo um curta-metragem <em>[<a href="http://www.myspace.com/0317h">03h17h</a>, da Anna Penteado]</em> que já foi até exibido, mas não ficou muito bem finalizado. A narrativa foi criada sem diálogo, só com as músicas dela e os meus poemas, tipo um musicalzinho de 15 minutos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Há pouco tempo, vocês gravaram juntos mais uma vez. Eram <a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/musica/revelacoes+da+musica+brasileira+homenageiam+john+lennon/n1237793031273.html">dois covers de John Lennon</a>, a convite do IG, em homenagem ao aniversário dele. Você gosta de fazer versões?<br />
</strong>Sim, adoro! Covers são ótimos porque suas intenções ficam mais claras para o público. É quando as pessoas podem ver o que o Thiago Pethit pensa sobre música. É pra isso que eu toco Lady Gaga. Não veria muita graça em fazer um cover do Tom Waits, por exemplo, porque seria quase uma imitação. A não ser que eu fosse cantar com a minha voz de um jeito mais suave, mas isso muita gente também já fez, então continua sem graça. É legal quando você pega alguma música muito distante das suas composições e transforma em algo quase seu. É a sensação que eu tenho com a minha versão de Lady Gaga.</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="640" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/6ppepOgfNws?fs=1&amp;hl=pt_BR" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="640" height="385" src="http://www.youtube.com/v/6ppepOgfNws?fs=1&amp;hl=pt_BR" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Falando em covers, você abriu o show do Nouvelle Vague no Circo Voador no início do ano. Todo mundo sabe da rejeição que a galera costuma ter com shows de abertura. Como foi lá?<br />
</strong>Foi o show de abertura mais fácil que eu já fiz em toda a minha vida. Eu estava morrendo de medo porque já tinha feito duas aberturas, uma do Will Oldham <em>[vulgo Bonnie “Prince” Billy]</em> e outra do Jens Lekman, pr’aquele público indie paulista que a gente sabe que não é moleza. Banda de abertura entra pra fazer sala, como um aperitivo, e as vezes o público não tá afim de aperitivo. São shows sempre muito difíceis de fazer. Ainda tinha o agravante de ser no Rio, onde eu nunca tinha tocado, então eu não sabia se tinha público lá. Eu tava mega em pânico, até porque também era no Circo Voador, que é imenso. O foda dessas coisas é que são sempre umas situações que você fala: “Eu não to pronto pra isso, mas eu não posso recusar”. Mas nossa, foi muito fácil. O público foi muito receptivo&#8230; Eu comecei e não tinha uma alma lá dentro, daí fui batendo palminha com “Nightwalker” pelo menos até três pessoas aparecerem pra assistir. Em uns segundos o lugar encheu do nada e as pessoas ficaram lá, algumas até cantando as músicas. A noite foi incrível, fiquei super amigo da Karina Zeviani, a cantora brasileira do Nouvelle.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Você deu sorte, então, mas ainda rola muita ignorância de boa parte do público brasileiro com o produto nacional.<br />
</strong>O público brasileiro é muito caipira, chega até a dar uma deprê. Há pouco tempo vi uns shows gringos aqui que não vale nem citar o nome, mas encontrei uma vocalista que era uma das coisas mais inanimadas da Terra. Era um robozinho cantando com arranjos muito fracos, mas o público aplaudia horrores, mesmo parecendo que nunca tinha ouvido falar da fulana. Nem lembro o nome da mulher agora, mas é uma dessas suecas que vieram recentemente. Se fosse uma cantora brasileira fazendo exatamente a mesma coisa, iam detonar tanto! É muito caipirismo, isso é foda.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E tudo isso acabou guiando pro VMB 2010, quando você ganhou o Aposta MTV. Você esperava ganhar?<br />
</strong>Sinceramente, eu tinha certeza que não ganharia de jeito nenhum. Eu não sou uma banda, então se eu mesmo votasse em mim mesmo o tempo todo é óbvio que eu ia perder pra um grupo de cinco pessoas votando neles mesmos. E eu também já não tenho mais idade pra ficar votando sem parar. (risos)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E eu acho que o seu público também já passou dessa idade. Achava.<br />
</strong>Ah, não dá pra saber. Desde que eu lancei o disco eu tenho tido cada vez menos noção de quem é meu público. Tem umas coisas também que você vai sacando nas viagens&#8230; Eu fiz um show pequeno em Curitiba, pra umas cinquenta pessoas, no Era Só o Que Faltava. Grande parte do público tinha mais de 30 anos, sendo que a maior parte disso podia ter até mais de 40. Foi a primeira vez que eu vi isso acontecer. Depois eu fui pra Recife, no Festival de Guaranhuns, e era um show lotado de adolescentes. Depois rolou pocket na Saraiva de lá e tinha só pré-adolescente. Não dá pra ter muita idéia do perfil&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E isso é bom, né? Sinal que as coisas cresceram bastante.<br />
</strong>É, suponho que seja uma prova de que está indo tudo bem. É um dos únicos casos em que perder o controle é uma coisa boa, mas também é meio angustiante. Quando chega num momento importante, tipo o VMB, você pensa: “Ah, meu público não vai votar, não é esse o perfil&#8230;” Também tinham outros milhares de motivos na minha cabeça pra eu não ganhar. Eu sempre senti que o olhar de fora das pessoas com quem eu trabalho, principalmente na área de produção, é de que eu fico num meio de caminho. Existem as pessoas da MPB e as pessoas do indie, que são turmas completamente diferentes que se misturam aqui e acolá. Daí quem é da MPB olha pro meu trabalho e fala: “Ah, isso não tem brasilidade, esse cara canta em outras línguas e quando canta em português não tem firula, não tem metáfora&#8230; Isso é indie”. E quem é do indie fala: “É um som delicado, suave, não é uma banda&#8230;”, então é MPB. Então eu sempre fiquei em cima desse muro, e aí botei na cabeça que o público jovem que tava votando ia escolher o Apanhador Só porque eles são jovens, super novos-Los Hermanos e têm bastante apelo pop. Era o que parecia mais óbvio pra ganhar uma coisa dessas. Também tinha a Flora Matos, e os MCs tem toda essa coisa organizada na internet. O Unidade Imaginária também é mega jovem, quase colorida. Se bem que eu nem sei dizer o que é uma banda colorida – eu sei a cara que eles tem, mas não sei como é o som (risos). O The Name é uma banda total indie, então eles podiam contar com a força dos indies. E tinha eu, ali no meio. Fiquei sem nenhuma esperança de ganhar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Não é positivo ficar nesse meio do caminho, então? É uma forma de somar dois grupos diferentes.<br />
</strong>É meio positivo, sim. Eu até tenho essa intenção&#8230; Sempre me identifiquei com o meio do caminho, mas com duras penas. Sofro um bocadinho com isso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como foi na hora de receber o prêmio? O <a href="http://www.youtube.com/watch?v=ZskqtZ3slZY">Parangolé</a> que te entregou! (risos)<br />
</strong>Eu não tava entendendo nada! O som era esquisitíssimo lá, já que era um evento pra TV. Não sabia nem quem era a pessoa que tava no palco, não conseguia ver a cara dele e nem peguei a apresentação de quem era. Daí passaram os vídeos dos indicados e depois disso ouvi ele falando “Thiago Pethit” <em>[pronunciando o último T]</em> e eu, não sei porque raios, achei que ele tava repetindo os nomes dos indicados. Uma amiga que tava do meu lado me segurou no braço e disse: “É VOCÊ!”. Achei que era piada, né, mas ela tava com uma cara tão branca&#8230; Eu fui pra premiação reclamando muito da vida, achando um saco ter que ir, então ninguém que tava comigo esperava que eu fosse ganhar. Quando eu entendi o que tava acontecendo, só conseguia olhar pro caminho até o palco e pensar em qual era o jeito mais rápido de chegar lá. Tive uma pequena parada cardíaca, até. As vezes meu coração bate fora do compasso naturalmente, não necessariamente em situações que eu fico nervoso, mas quando tem nervosismo envolvido fica mais fácil de acontecer. Teve um segundo “Wow!” que eu falei porque parou total, daí ele segurou um pouco e voltou a bater.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18654" title="Thiago Pethit no VMB" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/Thiago-Pethit-VMB.jpg" alt="" width="680" height="455" /></p>
<p style="text-align: center;"><em>Parangolé e Thiago Pethit, hahaha</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Você tem bastante afinidade com o mundo fashion. Já saiu em várias revistas de moda&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não sei nem dizer como isso aconteceu. Tem umas questões muito factuais, também. Eu tenho muitos amigos que trabalham com moda em geral. O disco teve colaboração do Jackson Araújo, que trabalhou a vida inteira com moda e é muito respeitado no meio, então teve esse respaldo. No lançamento do disco a Glória Kalil foi a convite de dois conhecidos que trabalham com ela. Daí ela gostou e botou no blog dela, então teve todo um outro respaldo em cima disso. Depois fui convidado pra tocar em um desfile&#8230; Então acabou sendo uma sequência de acontecimentos.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Enquanto tentávamos marcar a entrevista, você falou de alguns problemas com datas por causa das gravações de um clipe.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Então, são dois clipes, na verdade. Se desenvolveram em três clipes, até. Eu ganhei um clipe da produtora do Heitor Dhalia, a Paranoid. Eles pediram para uma das diretoras de lá escolher dois vídeos para dirigir e ela quis fazer um meu e outro da Céu, que já deve estar quase pronto. Tem uma produção legal, um pequeno orçamento para fazer e tal. Esse vídeo era pra ser de “Vaudeville”, mas aí ela ficou com muita vontade de fazer “Não Se Vá” (que tem duas partes – uma gravada em Barcelona e outra que vai ser filmada aqui em São Paulo) e produzir alguma coisa de baixo orçamento para resolver de uma forma mais criativa. Esse provavelmente vai ser uma parceria dela com a Renata Chebel, que fez o <a href="http://movethatjukebox.com/clipe-thiago-pethit-mapa-mundi/">“Mapa-Mundi”</a>. No meio do caminho elas ficaram amigas, a Chebel começou a trabalhar na Paranoid&#8230; Enfim. Daí eu acho que esse outro vai ser “Sweet Funny Melody”. E aí tem o terceiro que é de uma menina que trabalha na MTV, a Livia Perini.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18646" title="Thiago Pethit - Mapa-Mundi" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/mapa-mundi.jpg" alt="" width="680" height="373" /></p>
<p style="text-align: center;"><em>Frame do <a href="http://www.youtube.com/watch?v=pXBIWw185oY">clipe de &#8220;Mapa-Mundi&#8221;</a></em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que os seus pais pensam do Thiago músico?<br />
</strong>Meus pais são muito legais. Primeiro porque eles foram jovens muito loucos, então eles têm uma visão do mundo bastante abrangente. Meu pai trabalhou com música por muito tempo&#8230; Quando ele era adolescente, ele cantava numa banda que era uma mistura de Roberto Carlos com Mutantes. Ele era bem hippie, barbão, mas meio romântico. Ele trabalhou muito tempo em rádio, entao ele sempre teve amigos da música. A gente tinha uma discoteca absurda lá em casa, de vinil mesmo, porque ele ganhava vários. Em toda noite de sexta-feira ele parava pra tomar uísque e fumar ouvindo uns vinís, daí eu ficava com ele. A gente ouvia os discos e ele ia me explicando as histórias das músicas, o que as letras diziam&#8230; Falava de como o Chico Buarque se referia à ditadura para não ser pego, depois me explicou dos Mutantes, da passeata contra as guitarras&#8230; São as minhas memórias musicais mais antigas. Minha mãe é psicóloga, de uma área toda cabeça aberta. Os dois são muito jovens até hoje, de certa maneira, e meu pai, nessa mesma época que eu comecei a me interessar por música, também foi voltando a se envolver. Ele começou a fazer música no computador, música eletrônica, e lançou um disco que saiu pela Tratore com o nome de <a href="http://www.myspace.com/ch2k">CH2K</a>. Tem um pouco dessa coisa de eu estar fazendo o que ele gostaria de ter feito. Os pais dele eram atores. Tinha artista plástico na familia, também. Meu pai me dá um mega suporte. Não dá pra viver de música, então eu preciso da ajuda dele em muitos momentos. Enquanto isso estiver dando certo, ele tá lá. Não sei como vai ser quando der errado&#8230; (risos)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Você cresceu no Studio SP, que também foi o berço de vários outros artistas &#8211; os Novos Paulistas, inclusive, cresceram todos ali. Existe um tipo de “sociedade” da casa?<br />
</strong>É, rola uma “sociedade” do Studio SP, sim. O meu primeiro show foi lá, abrindo pro Will Oldham &#8211; a contragosto do Alê Youssef <em>[dono do Studio SP]</em>, que fique bem claro. Ninguém sabia quem eu era. Minha assessora de imprensa sabia que ia rolar o Will e mostrou meu som pro Marcos Boffa, que era o produtor. Ele topou, mas o Alê ficou na dúvida: “Vocês tem certeza? Ele não é conhecido, né&#8230;” E nisso eu já conhecia ele pessoalmente, até, pra que fique claro que não tem nenhuma panelinha de amizade. Desde então ele tem sido um dos caras que mais me apoiam.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18648" title="Novos Paulistas" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/Novos-Paulistas1.jpg" alt="" width="680" height="455" /></p>
<p style="text-align: center;"><em>Da esquerda para a direita: Dudu Tsuda, Thiago Pethit, Tulipa Ruiz, Tiê e Tatá Aeroplano, os Novos Paulistas</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mas, mesmo assim, rola uma panelinha de modo geral&#8230;<br />
</strong>Ah, como em todo lugar, eu acho. Como em muitos lugares em que eu não sou bem-vindo, inclusive! Isso é natural. O Alê tem uma casa que precisa ser paga, existe um público que frequenta o lugar e, por isso, ele precisa colocar lá as atrações que esse público quer assistir. Não acredito que ele goste de tudo que toque  lá e também não acredito nem que isso importe, pra falar a verdade. É uma casa como todas as outras&#8230; Eu não vou ficar deprimido se o Ó do Borogodó não me faz convite pra fazer roda de samba lá. Como eu não procuro tocar no Bourbon, porque eu acho que meu público não tá lá.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mas você já tem o porte pra levar público até os lugares em que você vai tocar, não?<br />
</strong>Sim, sim. Mas quando não tinha eu dependia muito de achar as casas em que eu seria bem-vindo – não pela casa, mas pelo público. Tem um monte de artista que toca em lugar errado a vida inteira, sabe?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Mudando de assunto, uma das suas músicas que eu mais gosto é a “Come Debbie”, que você gravou com o <a href="http://www.myspace.com/killeronthedancefloorbr">Killer On The Dancefloor</a> pro <a href="http://www.wemusic.com.br/post/712796375/voila-o-documentario-we-music-esta-na-integra-na">we.music</a>. Vocês já se conheciam antes?<br />
</strong>Não! Nunca nem tinha cruzado com eles. Foi um processo meio conturbado, até&#8230; O projeto tinha um prazo curto e a largada foi dada muito em cima da hora, principalmente pra quem trabalha com criatividade e inspiração. Tínhamos, no máximo, um mês ou dois pra entregar a música pronta e a gente não tinha nada feito. Eu demoro muito pra compor, não sou daqueles que sentam e fazem 80 músicas num dia. Então fico um pouco dependente da minha vontade, do meu estado, se eu tenho um dia cheio ou não&#8230; Tinha acabado de lançar o disco, então eu já tinha usado toda a inspiração que eu podia. Não conhecia eles, não sabia direito como funcionava a música deles e o que eles fariam com a minha composição. Trocamos algumas referências, falei o que eu ouvia que tinha um pouco de eletrônico – tipo of Montreal, Hot Chip, Lykke Li&#8230; – e pensei em alguma coisa próxima disso. Eu acabei fazendo a música na última semana que a gente tinha pra gravar&#8230; Fiz com o pianinho, eles mudaram uns timbres e acrescentaram um monte de coisa que eu não tenho idéia do que seja (risos).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Já se passaram alguns meses desde o lançamento do disco – que, como você falou, usou toda a inspiração que você tinha. A inspiração já stá voltando a aparecer?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Acabei de começar uma música, uns quatro dias atrás. Encontrei uma combinação de quatro acordes que eu achei boa, e aí coloquei um quinto e um sexto acorde e pensei: “Nooooooossa, tá incrível!” Combinou muito. To sentindo essa música chegando&#8230; Insisti e não veio, mas é assim que costuma acontecer.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Então ainda vai demorar bastante pra sair material novo?<br />
</strong>Ainda nem quero nada novo (risos). Planejo um disco novo só pra 2012&#8230; Um álbum tem que ter pelo menos um ano de vida, um disco independente precisa durar tipo um ano e meio. Se eu tivesse uma gravadora não precisaria me preocupar tanto.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Já ouvi dizer que fica bem difícil trabalhar em cima de um disco seis meses depois do lançamento. Você já está sentindo essa diferença?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Na verdade eu tenho sentido o contrário, até, por isso que eu não tenho me preocupado com o próximo trabalho. As coisas foram acontecendo de um jeito legal&#8230; Antes do VMB eu entrei na Globo, apareci no <a href="http://www.youtube.com/results?search_query=thiago+pethit+altas+horas&amp;aq=f">Altas Horas</a> e aí começou todo um caminho novo. Depende muito de como você vai construindo a história do disco. Nesse caso, por exemplo, eu sinto que to ampliando meus horizontes cada vez mais. Eu comecei o ano indo fazer show pra 50 pessoas em Curitiba, e agora to fechando tendo que fazer duas noites seguidas em Belo Horizonte pra 300 pessoas cada, porque o lugar não conseguiu comportar todo o público em um dia só. Ainda tá crescendo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O seu primeiro disco foi escrito com base nas suas dores, sofrimentos e experiências pessoais. Se você fosse compor um disco agora, sobre o que ele seria?<br />
</strong>Acho que seria sobre a mesma coisa (risos). Não tenho nenhuma música nova ainda porque eu sinto que só consigo escrever se eu tiver mudado um pouco, dado um passo pra frente internamente. No primeiro disco, eu só fiz “Não Se Vá” quando dei um upgrade como pessoa, amadureci em várias coisas. To completando agora um novo ciclo de vida, que começou quando eu iniciei as gravações do <em>Berlim, Texas</em>.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-18656" title="Encarte - Berlim, Texas" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/Encarte-Berlim-Texas.jpg" alt="" width="680" height="490" /></p>
<p style="text-align: center;"><em>Encarte de Berlim, Texas</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Você se vê vivendo de música um dia?<br />
</strong>Eu não vejo ninguem vivendo de música. Não sei dizer quem vive de música hoje em dia, que não seja compondo jingles e tal. Eu ainda to numa fase de almejar que o meu trabalho se pague&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E ainda não se paga?<br />
</strong>Ainda não&#8230; As viagens são pagas, mas não sei de onde vou tirar a grana pra um próximo disco, por exemplo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Se uma gravadora aparecesse, você agarraria?<br />
</strong>Ah, depende do que seria. Porque as propostas por aí não me parecem muito boas, não. As histórias que eu ouço são de gravadoras oferecendo R$10.000 pra galera gravar disco, mas isso não paga nem estúdio. Tem uma galera que é contra mainstream, que gosta de ser indie e fazer música pra três pessoas. É tão antigo, tão engraçado que tenha tanta gente assim. Todo mundo fala muito “ah, o mercado mudou e as gravadoras não estão sabendo se encaixar”, mas eu fico com a impressão de que ninguém consegue se encaixar, na verdade. As coisas mudaram, mesmo. Nunca achei que meu som fosse comercial, mas ganhei o VMB e, ei, talvez agora o meu som seja comercial, de alguma forma. Tem várias pessoas que estão muito bem inseridas no mercado e que não conseguem enxergar isso. É bem louco, a mesma história da MPB e do indie&#8230; Tem muita gente que acha que meu som é pop demais, um pop muito fácil, e muita gente acha que não vai dar certo, que a minha música não vai chegar em ninguém. Vou te dizer uma coisa: é bem complicado ser o Thiago Pethit.</p>
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		<title>Entrevista: Holger</title>
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		<pubDate>Mon, 20 Sep 2010 22:41:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alex Correa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[Holger]]></category>

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										</div><p style="text-align: justify;">“Sabe o que eu descobri ultimamente?” Foi essa a deixa para que Marcelo Pata, um dos <strong><a href="http://myspace.com/myholger">Holger</a></strong>, soltasse o som do <a href="http://www.youtube.com/watch?v=MucETmGcOqU">Luiz Caldas</a> no computador que fazia a trilha sonora do papo. Quase esquecido nos dias de hoje, Luiz já carregou o título de Rei do Axé, foi uma das grandes figuras do mainstream brasileiro nos anos 80 e é defendido pelo Holger a todo o momento &#8211; “Se ele cantasse em inglês, estaria rico agora”.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-16702"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Quanto mais o papo andava, maior ficava a lista de novas descobertas da banda &#8211; em alguns momentos, o shuffle do iTunes chegou a sortear hits de Claudinho e Bochecha e Magnatas do Forró. “Hoje em dia a gente tem segurança pra ouvir isso e falar: ‘Mano, isso é bom!’”. Realmente, não é difícil reparar que a banda abriu seus horizontes entre o EP <em>The Green Valley</em>, de 2008, e o recém-lançado <em>Sunga</em>, primeiro álbum dos paulistanos. Saindo pela Trama, o disco transformou a atmosfera folk-rock (ou quase isso) do Holger em um ambiente em que vcoders, auto-tune, sintetizadores e percussões são sempre bem-vindos.</p>
<p style="text-align: justify;">Se dá para chamar isso de maturidade musical? Arhur, Pata, Pedro, Rolla e Tché parecem ser mais moleques do que nunca: “Nosso show é o mais próximo possível de uma micareta”. Dirigido por Tché com a produtora onde trabalha, o <a href="http://vimeo.com/14365323">clipe de “Let’em Shine Below”</a> é um bom retrato da vibe CURTIÇÃO que os caras tentam querem expressar – até dá para sacar um “Carpe Diem” aparecendo em uma das sobreposições. A proximidade dos integrantes é tão notável que é quase impossível separar as falas na hora da transcrição da conversa &#8211; não é só uma vez que eles se atropelam na hora de conversar e completam o pensamento um do outro, exceto quando as ideias acabam se divergindo.</p>
<p style="text-align: justify;">Com um novo momento da carreira começando, o Holger parece não saber o que esperar para os próximos meses – além de torcer, é claro, para que os drinks de melancia e as tardes em Ilhabela não acabem tão cedo.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-16705" title="Holger" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/holger03.jpg" alt="" width="680" height="454" /></p>
<p style="text-align: center;"><em>Da esquerda para a direita: Pata, Pedro, Arthur, Tché e Rolla &#8211; Foto: <a href="http://www.flickr.com/photos/daigooliva">Daigo Oliva</a></em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como foi a semana de preparação para o show de lançamento do Sunga?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Pedro: A gente ensaiou bastante, principalmente as músicas que ainda não tinham sido tocadas ao vivo ou que não tinham ficado muito legais quando tocamos. Tem algumas do <em>Sunga </em>que a gente não costuma tocar, tipo “Eagle”.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>As músicas do <em>Green Valley </em></strong><strong>ainda rolam nos shows?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Ultimamente a gente tá com uma política de tocar mais músicas do EP nos lugares em que nunca fomos, mesmo porque o <em>Green Valley</em> é o registro que a maioria das pessoas tem do Holger até hoje. Quando a gente foi tocar em Uberlândia agora, a gente se preocupou em tocar “The Auction”, que foi a música mais bem divulgada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vocês chegaram a adaptar as músicas do EP pra pegada do Sunga?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Não exatamente, mas sempre tem uma ou outra mudança  quando você toca a música muitas vezes. Olhando só dentro do <em>Sunga</em>, já dá pra ver que algumas são tocadas um pouco diferentes. Em algumas músicas o baixo fica diferente do que a gente gravou, as guitarrinhas também mudam um pouco&#8230; Já falaram pra gente que é tipo um efeito Led Zeppelin: ao vivo é uma coisa, em estúdio é outra. A gente acredita bastante nisso. Quando gravamos o disco, a gente colocou sete camadas de voz e pensou:“Ddepois a gente se vira pra fazer ao vivo”.</p>
<p style="text-align: justify;">O Roger <em>(Paul Mason, produtor do disco</em>) também colocou muita coisa que a gente nem imaginava. Tipo, tem um teclado de “No Brakes” que a gente ainda nem tirou e é uma parte importante, que a gente conseguiria fazer ao vivo. O grande lance é que o disco ainda não tava pronto fisicamente no dia do show, infelizmente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ele sai via Álbum Virtual?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Também. Nosso contrato com a Trama é de disco físico e Álbum Virtual.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Qual é a previsão pro físico sair?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">ERA 11 de setembro (risos). Na real, o problema foi o seguinte: a gente não sabia que existia uma burocracia gigante pra fazer todas as merdas que precisa fazer. Você precisa gerar um código pra cada música, resolver lance de direito autoral, daí todo mundo tem que se inscrever pra ser autor das faixas e tal&#8230; uma porrada de burocracias, tudo bosta. A gente achou que a Trama fosse fazer e que seria mais rápido. De qualquer forma, até tudo isso ser resolvido a gente vai ter as músicas no MySpace e em <a href="http://soundcloud.com/myholger/sets/sunga">streaming</a>, mas ainda não vão estar disponíveis pra download.</p>
<p style="text-align: justify;">Mesmo assim, teve que rolar a cerimônia de lançamento pra comemorar que o ciclo se completou. Andei pensando muito nisso ultimamente: é como se tudo que fizemos desde antes do <em>Green Valley</em> até às músicas novas fosse uma grande preparação pra gente começar de verdade o Holger a partir do lançamento do <em>Sunga</em>. Por mais que o disco não esteja pronto, marca o fim de um ciclo e o começo de um outro, em que a gente está mais afirmado musicalmente.</p>
<p style="text-align: justify;">Também é importante pra gente definitivamente deixar o <em>Green Valley</em> pra trás. Não que a gente nunca vá tocar ele de novo ou que a gente não goste, mas tem que rolar esse passo pra frente.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ficou alguma birra com ele? Porque é como se o Holger tivesse virado uma outra banda de lá pra cá&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">É verdade, é uma outra banda. A gente gosta muito mais das músicas do <em>Sunga</em> do que as do <em>Green Valley</em> e provavelmente vamos ficar cansados das músicas do <em>Sunga</em> quando gravarmos outras.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-16709" title="Holger" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/Holger06.jpg" alt="" width="680" height="453" /></p>
<p style="text-align: center;"><em>Show de Lançamento do Sunga no Estúdio Emme &#8211; Foto: <a href="http://www.flickr.com/photos/arielmartini">Ariel Martini</a></em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como o Holger folk-rock se transformou no Holger afro-pop? Aliás, vocês usam esse termo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Pata: Dá primeira vez que usaram “afro-pop” a gente falou: “ah, beleza, tá legal”. Mas o negócio de enquadrar em nomes é uma necessidade completamente adolescente&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>É uma necessidade jornalística, acho.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Pedro: Não acho que seja adolescente. Tem que ter alguma coisa pra chamar, né&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Então, mas acho que o grande lance é que o <em>Green Valley</em> tornou todo mundo mais próximo musicalmente e todo mundo se sentiu mais aberto pra colocar as influências que quisesse. O <em>Green Valley</em> foi muito bom pra gente começar&#8230; Foi quando a gente entrou em estúdio e se viu como uma banda de verdade. Na mesma época a gente começou a fazer show e tal. E, assim, é engraçado que as primeiras músicas que a gente fez do <em>Sunga</em>, “No Brakes” e “Toothless Turtles”, ainda tem o pé bastante no <em>Green Valley</em> em termos de guitarra distorcida e tal&#8230; Além de tudo, a gente incorporou os synths. O Arthur comprou um, o Marcelo comprou outro e a gente ficou brincando, daí agora acabou que eles são fundamentais nas músicas.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que vocês ouviram pra moldar o estilo de Sunga?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Tudo. Absolutamente tudo. A gente abriu bastante a cabeça de lá pra cá. Hoje em dia a gente tem segurança pra ouvir Claudinho e Buchecha e falar: “Mano, isso é bom!”. A gente não tinha isso antes. Em toda a nossa vida e formação musical a gente já vinha ouvindo muita coisa diferente, mas não rolava toda essa abrangência que a gente foi adquirindo com o tempo. O colegial é tipo uma época em que você conhece tudo o que é antigo e que você tem que conhecer. Quando acabou essa fase eu comecei a ouvir mais coisa nova e, depois disso, eu comecei ouvir coisas velhas com outra pegada e fui me abrindo. Chegou um momento em que eu descobri quão bacana era o rap. Música eletrônica e brasileira demoraram mais tempo pra entrar, aí depois vieram as referências caribenhas e africanas</p>
<p style="text-align: justify;">O que também fez a gente começar a liberar todas as nossas influências no Holger foi ir pro SXSW e ver que tinham várias bandas fazendo isso e que era legal pra caralho. Várias coisas bem diferentes entre si, mas que queriam dizer alguma coisa. De certa forma, foi menos o que a gente ouviu de novo e mais do que a gente descobriu que podia usar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Sobre diferença de sonoridade de banda, eu lembro que vocês comentaram na entrevista do </strong><a href="http://imyouare.com/769/Interview_--_HOLGER"><strong>IM//UR</strong></a><strong> que faltam grupos como o Holger no Brasil, que combinem com o som de vocês&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Tem alguns pontos nessa entrevista que ficaram um pouco ambíguos. Quando a gente fala que não tem nenhuma banda como o Holger, é que musicalmente a gente não vê nenhuma banda parecida para que a gente possa dizer que haja uma cena em que o Holger se encaixe perfeitamente. Não é questão de melhor e pior.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E como rolam os shows conjuntos?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A gente já viveu várias experiências com bandas de abertura. Bandas MUITO ruins, shows de uma hora e meia&#8230; Em Mogi, uma vez, a gente tocou com outras três bandas. A primeira fez um set de uma hora e quarenta minutos, isso não é legal&#8230; A gente quer curtir a vibe, curtir o rolê. E que os shows sejam legais.</p>
<p style="text-align: justify;">Uma vez teve um tweet dessa menina que falava: “Esses Holger são mó nojo, não querem ninguém abrindo pra eles, bando de metido do caralho”. E é lógico que a gente quer! A gente quer o Black Drawing Chalks, a gente quer o Hellbenders&#8230; independente do estilo, a gente amaria tocar com eles, com Garotas Suecas, The Name, Wannabe Jalva, Copacabana Club&#8230; Temos que pensar no público, também. Não vamos botar uma banda que nem a gente goste pra abrir, até porque também somos público e queremos ver os shows.</p>
<p style="text-align: justify;">Cada vez mais estamos conectando o Holger só com as coisas em que a gente acredita. A arte do disco foi uma amiga nossa que fez, a camiseta é com um cara que é amigo. É tipo você vir aqui pra fazer entrevista com a gente na casa de uma amiga nossa, saca?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O <em>Sunga</em></strong><strong> é sobre isso, de certa forma.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Uma vez me falaram que a grande dificuldade que as bandas tem pra fazer um segundo disco é que, no primeiro, sempre se fala sobre a vida delas, o background e tal. No segundo elas passam todo o período de criação na estrada e aí não tem muita coisa pra falar. O <em>Sunga</em> é bem isso, ele fala da nossa vida, e nossas vidas são bem parecidas com as vidas das outras pessoas. É um disco sobre quem a gente é.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Uma vez vocês falaram sobre lançar um EP com outras bandas tocando as músicas do <em>Sunga</em>.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A gente ainda não sabe se vamos liberar as músicas soltas ou se vai sair como um EP, na verdade. Até agora, quatro bandas confirmaram: Black Drawing Chalks, Copacabana Club, Wannabe Jalva e Homemmade Blockbuster.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-16708" title="Holger" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/holger01.jpg" alt="" width="680" height="467" /></p>
<p style="text-align: center;"><em>Holger na Casa do Mancha &#8211; Foto: <a href="http://www.estudiocontrafluxo.com.br/">Fernanda Cirelli</a></em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que aconteceu com o <a href="http://www.myspace.com/patamaximazel">Pata &amp; The Maxi Mazels</a></strong><strong>?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Rolla: A verdade é que as vezes a gente reprime muito o Marcelo e ele não gosta disso.</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: Tem várias paradas diferentes que eu sempre tive vontade de fazer. Em janeiro e julho eu fiz só cover. Todas as coisas que eu escrevia eu acabava levando pro Holger, já que o foco era fazer as músicas que iam pro <em>Sunga</em>. O que eu queria fazer com os Maxi Mazels era juntar uns amigos e experimentar tocar com pessoas diferentes. O Pedro foi o único Holger que fez parte, além de mim, e em janeiro participaram comigo o Summer Feelings (Goos, DW e Diesel). Eu queria ter umas quatro músicas pra poder lançar um EP autoral, talvez isso role um dia&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Os Maxi Mazels são os drinks da Neu, né?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Agora são! Na verdade, o lance do Mazel é que no ano passado a gente teve uma piração muito grande com o mazel tov e com judaismo, então a gente brincava com isso. Maxi Mazel também é uma gíria nossa&#8230; É uma coisa muito legal, ultra vibe. Tipo, Mazel Tov são três letras em hebraico e cada letra quer dizer uma coisa: sorte, trabalho e oportunidade. É um ensinamento muito legal. Você depende muito dessas coisas pra fazer música, estar no lugar certo e na hora certa. Tipo aquele documentário do Anvil, uma banda de metal dos anos 80 que tinha tudo pra ser gigante. Eles participaram de um festival fudido na época em que todas as bandas vingaram, menos eles. O nosso lance foi de sorte, de trabalhar por aquilo que a gente queria. O Tiger Woods tem uma frase boa, até: “Quanto mais eu treino, mais sorte eu tenho”. Ele tem outro ensinamento bom, também: “Quanto mais grana eu tenho, mais mina eu como” (risos).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E, voltando à Neu, vocês parecem ter uma puta ligação com aquele lugar.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sim, total! O Dago <em>(Donato, um dos donos)</em> é nosso amigo há muito tempo e agora também é nosso produtor. O Pata conheceu ele numa parada de intercâmbio cultural, daí ele resolveu apostar na gente. Tinhamos uns 14 anos e ouvíamos Radiohead, aí ele veio mostrar cinco bandas: Godspeed You! Black Emperor, Flaming Lips, Pavement, Mogwai e Sebadoh. Foi quando entramos nessa. Depois de um tempo, de 2003 em diante, a gente teve uma banda de post-rock, o Projeto: <em>(lê-se Projeto Dois Pontos)</em>, com a Irina, do Garotas Suecas. Foi aí que entramos pra esse meio alternativo de São Paulo, tocávamos no Generics, no Milo, na Peligro&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">O Dago e o Gui <em>(Barella, da extinta festa Peligro, que </em><a href="http://www.peligro.com.br/"><em>segue como uma revendedora de CDs</em></a><em>)</em> são dois exemplos de caras que, além de amigos, ensinaram tudo que a gente sabe sobre música e mercado. São nossos mentores. É por isso que a gente se sente parte da Neu hoje, vimos o lugar abrindo. Temos os lugares em que nos identificamos mais, que nem o Thiago Pethit se identifica com o Studio SP.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Além de vocês, do Dago e do Gui Barella, quem é o Holger hoje? </strong></p>
<p style="text-align: justify;">Tem o Gui Jesus, que gravou o nosso disco com o Roger e com o Bernardo <em>(Pacheco, guitarrista do Elma e engenheiro de som do Sunga)</em>, que além de ser mega amigo é um técnico de som foda, com um puta futuro pela frente. Ele é o único cara que não toca na banda e aparece no clipe de “Let’em Shine Below”. Também tem o Titi <em>(Thiago Picolli)</em>, que contratou um show nosso lá no Sul, nos tratou como reis e daí acabamos chamando ele pra ser nosso tour manager. Indiretamente ainda tem muito mais gente envolvida: a Ju Baratieri, de Floripa, o Fredão, a Giral, Pedro K, o pessoal que acompanha de perto os shows&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E o Roger foi um dos maiores responsáveis pelo Sunga ter ficado do jeito que ficou, né?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sim, certeza! Um dia desses a gente tava trocando email com ele e ele escreveu: “A gente tem que se encontrar quando vocês vierem pra cá! Eu devo alguns bons momentos a vocês”. Foi foda, porque ele veio aqui ficar com a gente e tal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quanto tempo ele ficou aqui?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Uma semana? Três? Um mês? Foram cinco semanas, se bobear. <em>(Uma longa discussão se segue sobre o assunto)</em>. O legal do Holger é isso: a gente sempre acaba gerando uma discussão (risos). Uma das melhores respostas que a gente já deu pra uma entrevista – e era uma entrevista da gente com a gente mesmo, o que é melhor – foi quando o Tché falou que não temos estabilidade mental e emocional pra manter essa banda.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-16704" title="Holger e Roger Paul Mason" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/holger02.jpg" alt="" width="680" height="467" /></p>
<p style="text-align: center;"><em>Roger Paul Mason e Pedro no Carnaval desse ano, na Neu</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como vocês encaram essa coisa de trabalhar com pessoas de fora, que tem uma visão completamente diferente de tudo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">É exatamente isso que a gente quer, foi por isso que chamamos o Roger. Acaba rolando um pouco de dificuldade pra deixar pessoas novas participarem do nosso som, mas o Roger sacou isso e deixou a gente gravar do jeito que a gente quiser, daí depois ele começou a mexer nas coisas. Ele foi esperto pra caralho, soube usar o nosso som pra trabalhar da maneira que ele queria.</p>
<p style="text-align: justify;">Rola uma dificuldade pra aceitar essas interferências externas, mas a gente sabe que elas são necessárias. Como toda banda, a gente fica muito viciado nas nossas músicas. Tem gente que consegue parar e produzir suas próprias composições, descontruir e tal, mas acho que a gente não conseguiria. O problema é que somos cinco cabeças que pensam igual e com peso igual. Várias bandas funcionam muito diferente, cada integrante faz uma parte e depois juntam tudo, mas o Holger são cinco caras que tocam de tudo e, por isso, rola muito palpite de um na música do outro. Isso é o melhor, porque todo mundo se sente confortável com o resultado final. Não são as mil maravilhas, mas vale a pena no final, como qualquer trampo. Mas, voltando, a gente não tem estabilidade mental e emocional&#8230; (risos)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Agora vocês tem essa equipe quase fechada pra trabalhar com o Holger, com pessoas certas e que fazem um bom trabalho. Mas, até chegarem nisso, vocês passaram por alguns problemas&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A gente não gosta de falar mal das pessoas, aqui é só good vibe. A gente aprendeu muito na vida&#8230; Mas é isso, cara, tudo é feito de acertos e erros. Com todas essas histórias a gente aprendeu um milhão de vezes mais do que a gente perdeu. Encaramos desse ponto de vista. Pelo menos fomos espertos o suficiente de saber a hora de parar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vocês sabem que o Sunga vazou quase duas semanas antes do lançamento?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Que da hora! Acho mó legal ele ter vazado, cara. Também já baixei disco no Soulseek, tá tudo certo!</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quando eu ouvi da primeira vez, achei engraçado “Eagle” ter saído com tanto auto-tune (ou era vcoder?) justamente na época em que tão bombando com o efeito no YouTube.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">É auto-tune E vcoder! Usamos em todas as músicas. “Geneçambique” também tem bastante. Ela a gente não vai tocar nos shows.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por que?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A gente não consegue tocar. Ela foi feita no estúdio. Estávamos  fechando as músicas do disco e faltavam só uma ou duas faixas, daí a gente falou: “Vamos brisar?” Gravamos a base e começamos a pirar em cima dela, fomos acrescentando um monte de coisa&#8230; Quando fizemos as vozes a gente nem pensou em afinação. Saímos gritando só pra ver no que ia dá, daí ficou uma merda! Aí o Roger botou o auto-tune no talo e encaixou na hora.</p>
<p style="text-align: justify;">Arthur: Pra mim é uma das melhores músicas do disco.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quais são as favoritas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Tché: A minha favorita é “Beaver”.</p>
<p style="text-align: justify;">Pedro: Pra mim, a melhor do disco em termos de música pop é “Let’em Shine Below”, com certeza.</p>
<p style="text-align: justify;">Escolhemos ela pra ser single não por ser favorita de alguém, mas é que ela tinha um pouquinho de tudo que tinha no disco, porque foi uma das últimas que fizemos. Parece que todas as últimas músicas que você faz são as melhores. A gente ouviu tanto o disco que isso sempre acaba gerando uma puta discussão.</p>
<p style="text-align: justify;">Pedro: E tem uma coisa muito engraçada, sem modéstia: eu gosto MUITO do <em>Sunga</em>, cara. As vezes eu entro no carro e quero escutar alguma coisa legal, daí eu escolho ele.</p>
<p style="text-align: justify;">Rolla: Cara, eu acho muito chato, eu não escuto. Desde que a gente terminou todo o processo, eu ouvi umas dez vezes e parei.</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: Nossa idéia em gravar esse disco era fazer que nem uma foto: registrar um momento nosso muito bacana e fazer o melhor disso, uma coisa que a gente possa deixar guardada. O intuito nunca foi comercial.</p>
<p style="text-align: justify;">Rolla: Eu vejo o clipe muito assim. O clipe é um álbum, uma memória muito forte de uma fase das nossas vidas. Eu vou poder, sei lá, trabalhar no banco com 50 anos e ter aquilo pra mostrar.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="aligncenter size-full wp-image-16710" title="Holger" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/holger051.jpg" alt="" width="680" height="379" /></p>
<p style="text-align: center;"><em>Frame de &#8220;Let&#8217;em Shine Below&#8221;</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que se perde e o que se ganha por estar na Trama?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Acho que a gente não perde nada. Assim&#8230; Se for pensar que a gente vai ganhar menos em cima dos discos do que a gente poderia ganhar, a gente perde um pouco de dinheiro, mas com um selo nós vamos poder vender muito mais.</p>
<p style="text-align: justify;">Fizemos o disco com o dinheiro que a gente conseguiu juntar. Pagamos tudo. A gente arriscou muito, cara. A gente trouxe o Roger, pagou passagem, hospedou o cara sem saber  quem ele era e o que ele ia fazer. O cara podia só fazer merda.</p>
<p style="text-align: justify;">Então a Trama fez uma proposta em que a gente não ia gastar nada com prensagem, por exemplo, que era mais uma puta grana que teríamos que invstir. Fora isso, a Trama ainda tem uma assessoria de imprensa e toda uma equipe, tem esse nosso passado com a gravadora&#8230; A vibe deles é muito boa, ficamos muito satisfeitos com os termos que a gente assinou.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vocês liberaram “Let’em Shine Below” e o <a href="http://movethatjukebox.com/mashup-de-letem-shine-below-do-holger-por-andre-paste/">mashup do André Paste pra ela</a></strong><strong> pra download antes do lançamento do disco, que é uma coisa que talvez vocês não poderiam fazer se tivessem assinado antes.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Poderíamos. A gente tem um vínculo simbiótico com a Trama, temos liberdade lá. Não somos dependentes deles, a Trama não paga viagem pra gente&#8230; É um contrato justo, vamos ganhar o que o disco vender. Podemos lançar por outro selo fora do Brasil mesmo estando com eles, o que é muito importante. Não ficamos com rabo preso. Fora que esse lance de ter o disco físico é muito legal&#8230; Você pode colar numa FNAC qualquer e ver o disco lá.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ter uma gravadora do tamanho da Trama é o primeiro passo pra entrar de cabeça no mainstream. O Holger tem potencial mainstream?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Pedro: Eu acho que sim, cara.</p>
<p style="text-align: justify;">Rolla: Você diz sobre tocar num festival de, sei lá, Guarapiranga e encher o lugar? Acho que não&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: Só lembrando que nosso objetivo não é ser mainstream, não é ser alternativo, é simplesmente fazer o que a gente gosta e tocar. Se isso tá indo pra um lado mais mainstream pela audiência, acho muito bacana porque pessoas diferentes estão conseguindo chegar no que queremos mostrar.</p>
<p style="text-align: justify;">Rolla: A idéia de fazer música é conseguir chegar no máximo de pessoas que você conseguir, saca? Quanto mais gente ouvir, mais foda.</p>
<p style="text-align: justify;">Tché: E potencial mainstream pode ser qualquer coisa, também. Eu lembro que teve uma novela que tocou Peter Bjorn and John, que era do ciclo indie e foi parar na Globo. As vezes alguma música nossa pode ter esse alcance&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Rolla: Quem sabe se a gente tocar na Copa do Brasil?</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: Nessa semana a “Let’em Shine Below” <a href="http://eliana.uol.com.br/daquidali/2010/09/03/holger-brilhando/">saiu no blog da Eliana</a>. A gente colocou isso no twitter e teve uma banda aí que deu RT e falou: “Mas isso é bom ou ruim?”. É bom pra caralho, não tem nada de ruim nisso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Nesse post da Eliana tinha esse comentário muito engraçado, inclusive, de uma menina falando “Ai, gostei mais ou menos&#8230; é um clipe com um apelo bem gay, né? Eles são gays?”</strong></p>
<p style="text-align: justify;">É por esse tipo de comentário que a gente tem a banda. O clipe é meio gay, vai, tudo bem. É o nosso bromance: a gente se ama, mas a gente não se come (risos). Pouca gente tem a oportunidade de trabalhar com seus melhores amigos. É um casamento e a banda só existe por causa dessa amizade. Quando a gente começou a fazer turnê, uma das primeiras coisas que ensinaram pra gente é que banda é amor, cara. Tem que ir no banheiro junto&#8230; E você vive brigando, porque a convivência é difícil mesmo, mas no fundo vocês se amam. O cara tá com caganeira? Po, tudo bem, vou ajudar ele. Daí passa Hipoglós&#8230; (Risos)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O legal é que, apesar desse comentário, a galera lá parece ter recebido muito bem o clipe. Tinham vários comentários positivos&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">É, total. É claro que tudo que a Eliana botar lá a galera vai falar bem, mas não rolou muito estranhamento. Não é tipo no Lúcio, que a galera nem conhece a banda, não lê o post e já chega metendo o pau. Porra, não tem um post com comentário bom lá! A galera fala: “Porra, Lúcio, tá aceitando dinheiro desses caras?” Uma vez falaram que a banda só tava lá porque tinha um ex-integrante do Cansei de Ser Sexy e tipo, não tem isso. Quando o Pedro trabalhava na Trama, falavam que só escreviam sobre a gente lá porque o Pedro tava lá. Daqui a pouco aparece alguém pra falar que o nosso clipe só passa na MTV porque o Pedro começou a trabalhar lá&#8230; Ter contato ajuda, é verdade, mas não é bem assim.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quais bandas vocês acham que tem potencial pra estourar no Brasil?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A gente vê o Garotas Suecas com muito potencial pra chegar num nível Móveis. Mas eles foram sumindo aqui a partir do momento em que começaram a fazer sucesso fora&#8230; O Do Amor não faz tanto show e os caras são músicos de verdade, então é outra história. O Nevilton, se ele lançar um disco cheio. O Black Drawing pode muito virar um Forgotten Boys da vida.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E agora vocês vão tocar no Planeta Terra. O que vocês acham que muda no Holger depois do festival?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu acho bem possível que tenha uma pá de menininha que vai no Terra ver o Phoenix e que acabe achando o Holger legal. A gente já tá vendo isso acontecer nos shows, cara. Sempre tem umas meninas que vão sem conhecer e que acabam curtindo. Tá começando a aparecer um público feminino muito grande e umas meninas fazendo coisas radicais&#8230; (risos)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Lembro que rolou essa história do topless em Campinas, né?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Em Campinas e agora em Uberlândia! O Marcelo foi atacado. Em Campinas a gente deu uma entrevista falando que, se não rolasse topless, seria uma prova de que o disco não ficou bom. Em Uberlândia a gente nem falou nada, mas uma menina subiu no palco e tirou a roupa. E o mais bizarro é que eu tenho quase certeza que ela não conhecia o Holger e nunca tinha ouvido falar nessa história de topless, mas se sentiu a vontade pra fazer isso lá. O Roger falou pra gente uma vez que o segredo do sucesso é atrair as meninas e os gays. Uma vez um amigo nosso falou: “Po, legal, o show de vocês é tipo cobrança de penalti, nunca sai zero a zero”. O nosso show é o mais próximo possível de uma micareta. Eu me orgulho muito dessa parte, rola muita pegação, meninas dançando bastante na frente da palco&#8230; Antes, na época do<em> Green Valley</em>, só iam uns barbudos que ficavam de braços cruzados balançando a cabeça. Os barbudos continuam lá, a diferença é que agora eles pegam mulher.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-16712" title="Holger" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/holger04.jpg" alt="" width="680" height="379" /></p>
<p style="text-align: center;"><em>Frame de &#8220;Let&#8217;em Shine Below&#8221;</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que mais vocês querem ver no Terra?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Pavement! A gente tem uma história bonita, mas todo mundo acha que é mentira. Quando a gente tava gravando o <em>Green Valley</em>, começaram os rumores de que o Pavement ia voltar. E lá no meio da gravação, quando comentaram sobre isso, alguém falou: “Mano, um dia a gente vai tocar com o Pavement”. E porra, sinistro. Daí rolou um rumor de que o Pavement ia no Terra&#8230; Além deles, tem várias coisas que a gente quer ver: o Hot Chip, que todo mundo aqui é fã, o Yeasayer, o Passion Pit, que fez parte da transformação do Holger&#8230; Mas o Pavement vai ser muito especial.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E aí, antes do Terra, vocês tocam em um outro puta festival, o Pop Montreal.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Que é na cidade mais legal do mundo. Vai pra Montreal, cara! A gente pretende tocar lá e no SWSW todo ano. Vai ser ótimo ir de novo. Conhecemos os caras que fazem o festival e eles gostam da gente. Apostaram e deu certo. A primeira vez que tocamos lá foi uma prova disso, a receptividade do público foi muito foda. O legal é que mais uma vez vai rolar um puta show legal. Da primeira vez foi com o Matt &amp; Kim e o Ninjasonik, daí agora é com o Les Savy Fav. Com certeza vai ser um show cheio, com muita gente vendo, e isso é muito importante. No ano passado a gente chegou a ser reconhecido na rua! Saímos na Paste como a maior descoberta do primeiro dia de Pop Montreal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vão ser mais seis shows na América do Norte, certo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Antes de ir pra Montreal vamos tocar em Nova York, vão ser uns três ou quatro shows lá. Depois a gente vai pra Boston, Massachusetts, Toronto e Montreal. Seguimos mais ou menos o planejamento que Kassin, Copacabana Club e Garotas Suecas fizeram, que é tentar focar mais em Nova York. É mais um jeito Holger de fazer as coisas. A gente entrou em contato com todas essas bandas que fizeram turnê lá e todo mundo ajudou, mandaram mil emails com dicas. O Kassin principalmente. A gente deve essa tour a ele.</p>
<p style="text-align: justify;">Vamos tocar com o Garotas em Nova York. Vai ser demais. A gente se encontrou numa festinha de um cara que trabalha na Neu e eles estavam super animados, a gente também. Somos amigos há muito tempo&#8230; A Irina tocava com a gente no Projeto:. Tocando com eles o Holger tem público garantido, talvez eles sejam maiores lá fora do que aqui no Brasil. É incrível como aqui as pessoas não olham pra eles como eles merecem. Ainda não ouvi o disco novo, mas não tenho a menor dúvida de que esse seja um dos melhores discos já feitos no Brasil. O que é bom e ruim, já que a gente tá lançando com eles e com o Do Amor&#8230; (risos)</p>
<p style="text-align: justify;">Aliás, o Do Amor é uma banda que a gente tem que ter mais contato. Não sei nem o nome deles, mas acho eles uns dos melhores músicos do Brasil de longe. Uma vez em Cuiabá rolou uma conexão, até. Teve uma coletiva de imprensa num aquário no meio do público e eles apareceram quando a gente tava falando, disseram que o show foi foda e tal. Chegamos de manhã no hotel que estávamos e o lugar era foda, tinha até um tobogã em forma de cobra, tudo meio temático&#8230; Aí a gente tava lá e todas as bandas de bermuda, só a gente usando sunga. E aí chegou um cara do Do Amor de Sunga, cara! Fui lá falar com ele! (risos)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como vocês imaginam o Holger seis meses depois do lançamento do Sunga?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Pedro: Vou falar do ponto de vista de outra pessoa, mas que eu compartilho. Ah, eu sempre essa história, não vou contar de novo&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Pata: Conta! Que história é, pelo menos?</p>
<p style="text-align: justify;">Pedro: Agora eu esqueci, mano! O que você perguntou mesmo? Ah, sim. Eu não sei como vamos estar daqui a seis meses e tenho um pouco de medo, minha chefe também. Tinha um show pra gente fazer em uma data específica, dia de semana, daí eu fui falar com ela. Ela ficou puta, brigou&#8230; Aí depois do momento de fúria a gente tava na padaria do lado e ela falou que tava com muito medo do lançamento do disco. Eu entendo o lado dela, ainda vai ter que me liberar mil vezes&#8230; mas aí eu parei pra pensar e fiquei “Caralho, mano, se pá realmente esse disco pode ser um divisor de águas muito grande”. Fico sem saber o que esperar. Não sei se a gente vai virar um Móveis, um Skank ou se a gente não vai virar porra nenhuma.</p>
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		<title>Entrevista: Apanhador Só</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jun 2010 20:35:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Move That Jukebox</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[apanhador só]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>

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										</div><p style="text-align: justify;">Quando chegar dezembro e as famigeradas listas de melhores discos do ano começarem a brotar, um nome já possui presença garantida entre os lançamentos nacionais: o <strong>Apanhador Só</strong>. Lançado há pouco mais de um mês, o debut homônimo dos gaúchos correspondeu muito bem à expectativa criada pelos dois ótimos EPs lançados previamente. Melodias marcantes, letras muitíssimo bem sacadas e ritmos e influências diversificadas são as tônicas do disco. Sofisticado sem deixar de ser pop, rock sem deixar de soar autenticamente brasileiro &#8211; e com um projeto gráfico sensacional.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-13530"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Em turnê de lançamento do disco, o Apanhador Só parou para conversar com o Move That Jukebox durante a passagem por São Paulo. E num clima bem paulista, saboreando um PF numa esquina da Teodoro Sampaio, numa tarde de sábado, Alexandre Kumpinski (vocal e guitarra), Felipe Zancanaro (guitarra) e Martin Estevez (bateria) falaram sobre a surpresa com a repercussão do disco, sobre ser uma banda independente e sobre o que eles andam escutando de bom, entre outras coisas. Confira a íntegra abaixo, dividida em duas partes (“O disco e a turnê” e “A banda e a música”). (Ah, e se você ainda não baixou o disco, vá já para o <a href="http://www.apanhadorso.com/">site da banda</a> e faça o download gratuito. Não acredite em produtor que diz que <a href="http://www.youtube.com/watch?v=HSrMNnp8Tts">“download gratuito é pra música ruim”</a>.)</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-13545" title="apanhador" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/2010/05/apanhador.jpg" alt="" width="680" height="567" /></p>
<h1>O disco e a turnê</h1>
<p style="text-align: justify;"><strong>Como foram os shows da turnê aqui em São Paulo?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Felipe Zancanaro – Foram todos muito fantásticos. E surpreendentes também. No CCSP [Centro Cultural São Paulo], por exemplo, a gente achava que a galera talvez não fosse comparecer por ser em um horário complicado. Mas muito pelo contrário, na quinta-feira, que o show foi às 6h da tarde, muita gente colou pra assistir e no dia seguinte, que a gente tocou ao meio-dia, muita gente foi de novo porque tinha visto no dia anterior e gostado. Isso foi muito legal, a aceitação, a galera cantando as músicas junto&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vocês tinham idéia de qual era o público do Apanhador Só fora do Rio Grande do Sul?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Felipe – Tínhamos em parte. Eu fiquei impressionado com a quantidade de pessoas que sabiam as músicas, que estavam ali pela banda mesmo. E também as pessoas que não conheciam, viram o show e gostaram. Em Presidente Prudente, por exemplo, vi até mãe e filha juntas curtindo e comprando o CD, as duas igualmente interessadas na banda. Isso me surpreendeu muito. Quanto a esse público, de pessoas mais velhas ou mais novas, eu não tinha noção. Achava que o som atingia muito mais uma galera de faculdade, por causa das letras mais sofisticadas e tal.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Esse primeiro disco do Apanhador Só possui várias músicas que vocês já haviam lançado anteriormente nos EPs ou em gravações caseiras. Por que vocês decidiram regravar essas músicas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Alexandre Kumpinski &#8211; É que o disco foi lançado pelo Fumproarte [Fundo Municipal de Apoio à Produção Artística e Cultural de Porto Alegre], e para participar desse edital, a gente precisava entregar uma demo. E a demo que a gente usou foi do <em>Embrulho pra Levar </em>[primeiro EP da banda]. Daí, como a comissão julgadora decidiu nos dar o financiamento por causa das músicas do <em>Embrulho</em>, teoricamente todas aquelas músicas tinham que estar no disco. A gente entrou com um recurso pra poder mudar algumas faixas, mas eles permitiram poucas mudanças.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A vontade da banda era fazer um disco só com músicas inéditas?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Alexandre – A gente queria manter pelo menos “Maria Augusta” e “Pouco Importa”. A banda era meio dividida quanto a isso, na verdade. Por um lado, a gente não queria ficar repetindo material, mas por outro, tinha muita gente que não conhecia a banda ainda. Então, se nós tínhamos músicas boas, valia a pena regravar e incluí-las no primeiro álbum, onde elas teriam mais visibilidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Felipe – E elas ganharam muito com a regravação, cresceram muito dentro da banda e musicalmente também.</p>
<p style="text-align: justify;">Alexandre – Se a gente não estivesse “preso” ao edital, provavelmente o disco teria um repertório diferente, mas talvez tenha sido até bom ser obrigado a regravar as músicas. No nosso afã de querer gravar coisas novas, talvez não tivéssemos feito um disco tão bom.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Por que esse disco demorou tanto pra sair?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Alexandre – Primeiro, porque a gente tentou o edital três vezes. Só ganhamos na terceira. Daí já foi um ano e meio de atraso que a gente não esperava. A gente, no otimismo e na ingenuidade de quem está começando, achava que ia conseguir gravar logo. Nesse meio tempo, alguns membros da banda saíram, outros entraram, passamos por uma reestruturação. Aí, depois foi o tempo de gravar mesmo, que demorou também. Enfrentamos alguns obstáculos. O produtor [Marcelo Fruet] teve uma tendinite forte na mão e não podia trabalhar, nós também tínhamos outros compromissos&#8230; coisas que fizeram a gravação parar por alguns meses.</p>
<p style="text-align: justify;">Felipe – Mas eu tenho a sensação de que o disco acabou saindo num momento muito bom. A gente parece estar mais preparado pra responder pelo disco. Talvez pelo processo ter sido demorado, nossa cabeça foi se acostumando com a idéia do disco enquanto ele estava sendo concebido. Agora, eu me sinto mais preparado pra responder pelo disco em todos os sentidos, em cima do palco, fora do palco&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="338" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowfullscreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=12109681&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=&amp;fullscreen=1" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="338" src="http://vimeo.com/moogaloop.swf?clip_id=12109681&amp;server=vimeo.com&amp;show_title=1&amp;show_byline=1&amp;show_portrait=0&amp;color=&amp;fullscreen=1" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: center;"><em>&#8220;Prédio&#8221; ao vivo no SESC Santana em 27 de maio &#8211; imagens por Wagner Franco</em></p>
<p><strong>Antes do lançamento, vocês tinham alguma expectativa de qual seria a repercussão do disco?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Alexandre – Alguma expectativa certamente a gente tinha, senão a gente nem teria gravado. Mas não imaginávamos que o disco teria essa repercussão que está tendo.</p>
<p style="text-align: justify;">Felipe – É verdade, esse número de downloads&#8230; já está chegando a 4500, em menos de um mês de lançamento. São números muito maiores do que a gente imaginava. E isso nos faz sentir muito gratos pelas pessoas que estão baixando, gostando e mostrando para os amigos.</p>
<p style="text-align: justify;">Alexandre – É difícil ter uma banda, tem que se esforçar muito, trabalhar pra caramba. Então quando você vê sua música se espalhando, correndo sozinha, dá uma sensação muito boa, um orgulho, e esperança de que a gente possa viver só disso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Desde o início das gravações vocês já pensavam em disponibilizar o disco pra download gratuito?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Alexandre – Sim, isso nunca foi uma dúvida pra banda.</p>
<p style="text-align: justify;">Felipe – O nosso interesse atual é que o maior número possível de pessoas conheça e escute nossas músicas, que as pessoas possam estar no show acompanhando e cantando as músicas junto.</p>
<p style="text-align: justify;">Alexandre – E as pessoas compram o disco mesmo assim.</p>
<p style="text-align: justify;">Felipe – É verdade. Isso também é um incentivo para esse lance que estava se perdendo de pensar na parte gráfica do álbum. Isso é uma característica do nosso disco, com os cards e a arte feita pelo Rafa Rocha [diretor da <a href="http://www.noize.com.br/">Revista NOIZE</a>], e tem uma grande importância. É o que faz com que as pessoas comprem o disco.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quem idealizou o projeto gráfico do álbum?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Alexandre – Foi o Rafa Rocha mesmo. Basicamente, a gente disse pra ele fazer o que ele quisesse, desde que fosse algo diferente. As ilustrações dos cards são do Fabiano Gummo, que é um ilustrador lá de Porto Alegre, amigo nosso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Que música do disco vocês mais gostam?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Felipe – Eu tenho um carinho grande por “Balão-de-Vira-Mundo”. Tem uma jogada com tango ali no meio, que é uma coisa que eu queria muito fazer.</p>
<p style="text-align: justify;">Martin Estevez – Eu gosto de “Um Rei e o Zé”.</p>
<p style="text-align: justify;">Alexandre – É, essa é muito boa, acho que é minha preferida também.</p>
<p style="text-align: justify;">Martin – Também gosto de “Peixeiro”, “E Se Não Der” – apesar de ser meio clichê, ela sempre tem uma energia boa nos shows –, “Prédio” e “Balão-de-Vira-Mundo”. Essas são as preferidas.</p>
<p style="text-align: justify;">Alexandre – As minhas são essas também, tirando “E Se Não Der”.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-13546" title="Apanhador Só" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/2010/05/apanhador02.jpg" alt="" width="680" height="453" /></p>
<h1>A banda e a música</h1>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quando o Apanhador Só foi formado, vocês tinham em mente o tipo de som que queriam fazer, o jeito que queriam soar?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Felipe – Não, e até hoje não temos isso. Como as referências e os momentos musicais de cada um são muito diversos, quando a gente se junta pra fazer uma música, cada um traz algo diferente. Talvez um dia a gente não soe mais tão rock, ou não soe mais tão MPB, não sei. Mas esse é o grande barato, é o que me motiva a pegar uma música nova e trabalhar, justamente porque a gente não sabe no que vai dar e não tem nada que nos obrigue a seguir um padrão de composição ou de arranjo.</p>
<p style="text-align: justify;">Martin – Não temos um padrão pré-estabelecido e a banda nem busca isso. Simplesmente tocamos e o que acaba ocorrendo é a fusão das influências de cada um. E isso acaba conferindo, e vai conferir cada vez mais, originalidade para o que a gente faz.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O som da banda mudou muito com a mudança nas formações?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Alexandre – Acho que o som ficou um pouco mais pesado. A saída da percussão acabou abrindo mais espaço para as guitarras.</p>
<p style="text-align: justify;">Felipe – Tem uma questão técnica também. A microfonação dos instrumentos de percussão nos shows era sempre muito difícil, então a gente tinha que aprender a tocar mais baixo pra valorizar a percussão. Com as mudanças, a batera pode aparecer mais, as guitarras começam a aumentar, e isso vai dando um ar mais rock ‘n’ roll. Mas é o momento , não quer dizer que isso não vá mudar algum dia.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Quem inventou aquela <a href="http://alavanca.files.wordpress.com/2008/08/turne-apanhadorso3.jpg">bicicleta-percussão</a> que vocês usam no disco e nos shows? Ela tem um nome?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Alexandre – Foi uma criação meio conjunta. De fato, quem inventou a bicicleta fui eu, porque fui eu que montei o objeto, mas foi a Carina [Levitan, ex-integrante da banda] que desenvolveu a forma de experimentar a coisa.  Aquela era a bicicletinha do meu irmão, quando ele era criança. Daí passou para o meu outro irmão, depois passou pra mim. Lá em casa a bicicletinha se chamava Fofita. Mas aquela ali não é mais a Fofita.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Qual o significado do nome da banda?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Alexandre – O Marcelo Souto [ex-integrante da banda] que inventou esse nome, mas ele nunca nos disse de fato o porquê do nome. Aí a gente inventa um monte de respostas&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Martin – A mais clássica é a do <em>Apanhador no Campo de Centeio</em> misturado com “Marinheiro Só”, do Caetano Veloso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que vocês pensam sobre as gravadoras? Hoje em dia é mais fácil ser uma banda independente?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Felipe – Não sei, porque nunca fui de uma gravadora. O que eu sei é que eu gosto da forma como a gente se vira, como a gente escolhe as músicas pra fazer clipe, pra tocar na rádio, como a gente lida com as entrevistas, como a gente se sente a vontade com a gente mesmo, porque isso tudo é verdadeiro.</p>
<p style="text-align: justify;">Alexandre – E tem outra, é muito mais legal botar o disco pra download gratuito no site, ver a galera baixando, curtindo e passando, saber que esse movimento vai por si só, do que se a gente lançasse disco por uma gravadora. Aí o disco vai pra loja e ninguém vai ter o disco. Quem é que vai na loja comprar o CD, pagar R$ 25? É melhor que role no boca a boca, num movimento espontâneo, do que saber que tem uma gravadora por trás, pagando pra tu aparecer, pra tocar na rádio. Jabá é a morte da cultura. Imposição de mercadoria cultural é um absurdo.</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="600" height="361" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/fEHe9m1MwNc&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="600" height="361" src="http://www.youtube.com/v/fEHe9m1MwNc&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: center;"><em>&#8220;Balão-de-vira-mundo&#8221; nos estúdios da Oi Novo Som em 20 de maio</em></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O que vocês andam escutando?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Alexandre – Eu ando escutando <a href="http://www.myspace.com/sabesp">Rafael Castro</a> e <a href="http://www.jorgedrexler.com/">Jorge Drexler</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vocês escutam mais música brasileira ou música gringa?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Martin – Eu escuto meio a meio.</p>
<p style="text-align: justify;">Felipe – Eu oscilo bastante também. Meu grande problema com música é abrir a pasta de mp3 e decidir o que escutar. Agora eu estou escutando <a href="http://www.myspace.com/sondrelerche">Sondre Lerche</a>, acho muito bom como ele faz as músicas dele. Outra coisa que eu descobri esses dias é <a href="http://www.myspace.com/tahiti80">Tahiti 80</a>, que é muito interessante também.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E lá do Rio Grande do Sul, que bandas vocês destacam?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Felipe – O <a href="http://www.myspace.com/cartolas">Cartolas</a> é uma das bandas que eu mais admiro do Rio Grande do Sul. Acho o som deles muito bom. Eles têm um baita frontman que é o [Luciano] Preza, tem ótimos arranjos de guitarra e as harmonias misturam bastante coisa de música brasileira.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Vocês ainda escutam muitas comparações entre o Apanhador Só e o Los Hermanos?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Alexandre – Estão comparando cada vez menos. E agora, quando rola a comparação, é uma comparação mais consciente, mais responsável, estão contextualizando melhor. Mas não nos incomoda falar do Los Hermanos, porque é uma referência da banda mesmo, sempre escutamos. Quando o <em>Bloco do Eu Sozinho</em> foi lançado, a gente tinha 15 anos. É inegável que tenha alguma influência na nossa formação musical. O que incomoda é quando reduzem o Apanhador a uma banda que parece Los Hermanos, quando não somos só isso. Nem nos interessa ser só isso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O rock gaúcho costuma ter um som bastante característico, muito ligado à região? Isso se manifesta no Apanhador Só de alguma forma?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Felipe – Acho que isso é uma coisa que está sumindo. Veja pelas bandas que estão surgindo agora, os rótulos estaduais estão indo pra banha com essa coisa da internet. Talvez a gente tenha mais contato com coisas do sul, então talvez isso apareça um pouco mais no nosso som, mas eu não vejo muita influência. Mas não que a gente não goste de ser gaúcho.</p>
<p style="text-align: justify;">Alexandre – Tem aquela frase do Tom Zé que diz <a href="http://www.youtube.com/watch?v=zLTMM3r8wYI">“Com quantos quilos de medo se faz uma tradição?”</a>. A gente não segue nenhuma tradição. Essa nossa vontade de experimentar tem a ver com o “não ter medo”. E isso nos afasta um pouco da tradição do rock gaúcho.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Entrevista feita pelo talentosíssimo Eduardo Hiraoka, membro do extinto </em><a href="http://untuned.wordpress.com/"><em>Untuned Blog</em></a><em> e o mais novo integrante do Move That Jukebox.</em></p>
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		<title>Ecos Falsos fala sobre &#8216;Quase&#8217; e mostra teaser de novo clipe</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Mar 2010 18:47:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Neto Rodrigues</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[descartável vida longa]]></category>
		<category><![CDATA[ecos falsos]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[quase]]></category>

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										</div>Foram quatro meses desde o lançamento do &#8220;pacote básico&#8221; (com 10 músicas) de Quase, novo disco do Ecos Falsos. Desde então, a banda lançou 5 singles: cada um representando uma letra do nome do CD e contendo três músicas, sendo uma delas inédita. Ou seja, hoje temos 15 músicas do Ecos para curtir e baixar [...]]]></description>
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										</div><p style="text-align: justify;">Foram quatro meses desde o lançamento do &#8220;pacote básico&#8221; (com 10 músicas) de <em>Quase</em>, <a href="http://movethatjukebox.com/ecos-falsos-quase/" target="_blank">novo disco do Ecos Falsos</a>. Desde então, a banda lançou 5 singles: cada um representando uma letra do nome do CD e contendo três músicas, sendo uma delas inédita. Ou seja, hoje temos 15 músicas do Ecos para curtir e baixar pelo <a href="http://ecosfalsos.com.br/" target="_blank">site oficial da banda</a>. E o Move That Jukebox não só recomenda com todas as forças esse novo trabalho dos paulistanos, como também teve a curiosidade de saber como foi a receptividade dos fãs &#8211; e da própria banda, por que não? &#8211; com <em>Quase</em> e todo o mecanismo que envolveu sua divulgação e lançamento. Para isso, recrutamos o vocalista <strong>Gustavo Martins</strong>, que respondeu pronta e gentilmente nossas perguntinhas envolvendo o álbum e <em>otras cositas más</em>. Não perde:</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-12070"></span></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="ecos" src="http://img51.imageshack.us/img51/5165/ecosfalsoseee.jpg" alt="" width="500" height="333" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Qual é o balanço geral que a banda fez do mecanismo de lançamento dos singles de <em>Quase</em>? Se tivessem a chance, vocês fariam exatamente igual ou mudariam alguma coisa?</strong><br />
O balanço geral foi positivo, sim. Foi bom ver que os fãs estão receptivos a ideias novas, e ajudou a dar destaque às músicas individualmente, que era nosso plano principal. O formato disco é uma coisa arbitrária, se você for pensar, à qual nós só continuamos apegados por costume. Reavaliando como conduzimos o processo, talvez por esse costume mesmo, eu acho que nós fizemos a coisa confusa demais, hahaha. Como havia muitos pedidos pelo CD completo nos shows, fizemos uma ediçãozinha limitada com 10 músicas que dificultou muito a compreensão de todo mundo, até a nossa. Hoje eu pensaria num projeto mais simples, com menos elementos. Mas, desde o começo, nós já sabíamos que era uma ideia que ia se desenvolver conforme rolasse, um teste de transição, mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E a recepção dos fãs? Tiveram um feedback positivo do modo que vocês escolheram para lançar e divulgar os singles?</strong><br />
Essa foi a parte mais legal, ver que os fãs acompanharam o ritmo e prestaram atenção em casa música, comentaram, foi bem positivo. E o resultado mais evidente é que em todos os shows que fizemos recentemente já tinha gente cantando as músicas, o que demorou muito mais com o <em>Descartável Longa Vida</em>.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Um fato bem corriqueiro atualmente é as pessoas baixarem vários discos por dia, escutarem uma vez cada um e os deixarem de lado logo depois, independentemente da qualidade. Divulgar novas b-sides &#8220;aos poucos&#8221; foi um modo de prender a atenção dos ouvintes por mais tempo, mantendo a curiosidade deles?</strong><br />
Sim, era um dos objetivos. O excesso de informação está atingindo um nível brutal, as pessoas não conseguem mais se concentrar em nada. Eu mesmo, quando baixo um disco, raramente tenho tempo de ouví-lo inteiro com atenção. Então, soltar três músicas por vez pareceu de bom tamanho. Outro objetivo era tentar subverter mesmo esse processo de &#8220;lançamento&#8221;, um evento que acontece de uma vez só. Por que não aumentar esse período de interesse, ao invés de matar toda a expectativa de uma vez só?</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Todo mês, uma das músicas inéditas que vinham nos singles aparecia com pelo menos um convidado especial . Como foi a escolha dos músicos que participariam das gravações?</strong><br />
Foi por afinidade e pelo que a música pedia, mesmo. &#8220;Deadline&#8221; já tinha uma versão com a banda antiga do Vini, o Jazzblaster, então pensamos que colocar uma voz feminina ajudaria a diferenciar nossa abordagem, e o próprio Vini convidou a Julia do Condessa Safira. Ao mesmo tempo, o Martim do Zefirina tocava nessa banda do Vini, então achamos legal que fosse ele o baixista da gravação. Quando &#8220;Só Penso no Meu Bem&#8221; ficou pronta, também pareceu que pedia um vocal feminino, e chamamos a Érika Martins por já nos conhecermos faz tempo. Sou amigo do Gabriel, do Autoramas, também. O Martin Mendonça a gente já conhecia faz tempo, ele sempre gostou de &#8220;Sentimental&#8221;, então pensamos na música que mais caberia convidá-lo, e foi &#8220;Litania&#8221;. O Alejandro, do Detetives, o Rafa, do Capim Maluco, e o Felipe Barba são muito amigos nossos, então também queríamos incluí-los de qualquer maneira.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A banda apareceu com uma baita surpresa em 2009: o clipe interativo de &#8220;Spam do Amor&#8221;, que funciona mais ou menos nos moldes de Guitar Hero. Vai ser um grande desafio aparecer com uma outra inovação dessas para a divulgação de um novo trabalho? O que vem em mente quando vocês pensam sobre o futuro do Ecos Falsos?</strong><br />
Ah, a gente adora ter ideias, temos vários projetos ambiciosos, o difícil é fazê-los! &#8220;Spam&#8221; mesmo é um exemplo. Ele veio de uma ideia muito mais elaborada de clipe, em que teriam vários televisores e videocassetes e nós &#8220;mixaríamos&#8221; as imagens ao vivo. Chegamos a tentar roteirizar isso, mas era uma loucura, dava trabalho demais. Daí um dia eu pensei nesse formato pra internet, e pra minha surpresa funcionava até que bem. Eu adoro ficar bolando esses estratagemas muito loucos para surpreender as pessoas, acho que faz parte do nosso trabalho, hã, &#8220;artístico&#8221;. O Niemeyer vive dizendo que toda arte que preste tem que ter um elemento de surpresa, e eu acredito mesmo nisso (#esnobei). Mas acho também que não dá pra seguir o paradigma do Ok Go à risca, senão você acaba virando uma banda mais de ideias do que de música. O que a gente pensa pro futuro, resumindo, é só isso: fazer o que estiver ao nosso alcance pra que as pessoas se interessem pelas músicas. Elas são o começo e o fim de todo trabalho.</p>
<p style="text-align: center;">___________________________________________________________________________________</p>
<p style="text-align: justify;">Por falar em vídeo, a banda disponibilizou mais um making of do segundo clipe extraído de <em>Quase</em>. A música escolhida foi a divertida &#8220;<strong>Verão de 69</strong>&#8220;, que ganhará um vídeo completo em alguns dias. Enquanto isso, fique com um teaser filmado por Gustavo, em Guarujá, e que conta com a presença do homem da sunga azul:</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="480" height="385" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/qkfcIuWmxsY&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="480" height="385" src="http://www.youtube.com/v/qkfcIuWmxsY&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">E ah, o vídeo acima é o segundo making of do clipe. Pra quem quiser ver o primeiro, <a href="http://www.youtube.com/watch?v=kXkGBvov1Yk&amp;feature=related" target="_blank">tá na mão</a>.</p>
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		<title>Entrevista: João Brasil</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Mar 2010 20:49:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Alex Correa</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sem categoria]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas]]></category>
		<category><![CDATA[João Brasil]]></category>

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										</div>João Brasil é um dos maiores presentes que o Rio de Janeiro deu para a cena musical brasileira nos últimos anos. Fazendo os mashups mais loucos e inusitados ever, João espalhou sua genialidade aos sete ventos &#8211; sempre sem medo de ser brega demais &#8211; quando lançou Big Forbidden Dance, que trazia misturas como &#8220;Sensual [...]]]></description>
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										</div><p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-11742" title="João Brasil" src="http://movethatjukebox.com/wp-content/uploads/2010/03/João-Brasil.jpg" alt="" width="598" height="382" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>João Brasil</strong> é um dos maiores presentes que o Rio de Janeiro deu para a cena musical brasileira nos últimos anos. Fazendo os mashups mais loucos e inusitados <em>ever</em>, João espalhou sua genialidade aos sete ventos &#8211; sempre sem medo de ser brega demais &#8211; quando lançou <a href="http://www.zshare.net/download/61551422c04fe3d7/"><em>Big Forbidden Dance</em></a>, que trazia misturas como &#8220;Sensual Roll&#8221; (Snoop Dogg, Roberto Carlos e Madonna na mesma música) e &#8220;This Is How We Dance&#8221; (um mix com Sepultura, Digitalism e Britney Spears).</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-11711"></span></p>
<p style="text-align: justify;">O talento do rapaz foi ganhando cada vez mais destaque com o passar dos anos, e a evolução foi clara: João Brasil já até ganhou aprendizes e &#8220;filhos ideológicos&#8221; como o capixaba <a href="http://www.myspace.com/andrepastee"><strong>André Paste</strong></a>, que se apaixonou pela arte dos mashups. O lord das pickups também já conquistou a Europa &#8211; Londres, inclusive, é a atual casa do músico. Mas, mesmo morando no exterior, João não esconde sua paixão pelo Brasil: Na terra da rainha, suas apresentações são regadas à<em> funk music </em>e a bandeira do nosso país sempre aparece no palco.</p>
<p style="text-align: center;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="560" height="340" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/8QpwXjAorr4&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="560" height="340" src="http://www.youtube.com/v/8QpwXjAorr4&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">O mais novo projeto de João Brasil, <a href="http://365mashups.wordpress.com/">365 mashups</a>, conquistou o público logo no seu primeiro mês. A idéia é publicar um mashup diferente a cada dia no espaço destinado ao trabalho: Um simples blog no wordpress. Pelo twitter (<a href="http://twitter.com/joaobrasil">@joaobrasil</a>), quem aprova o conceito ainda tem a liberdade de enviar dicas e sugestões de remixes, que são atendidos na maioria das vezes.</p>
<p style="text-align: justify;">Em entrevista ao Move That Jukebox, João Brasil falou sobre a atual situação de sua carreira, sobre o 365 mashups e, claro, o que pretende fazer no 366º dia. Com a palavra, o rei nos mashups:</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Não me lembro de ter visto a assinatura de um artista corresponder tanto à música feita por ele: João Brasil representa boa parte da atmosfera dos seus trabalhos – e isso é incrível. Isso foi premeditado, de alguma forma?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Muito obrigado, Alex. Sempre lutei por isso, mas achava que essa assinatura ainda estava meio nebulosa (risos). Você deixou meu dia mais feliz.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O 365 mashups, seu novo projeto, tem um conceito ótimo, mas parece trabalhoso. O que te levou até esse conceito e como você se motiva para não deixar um dia passar sem um mashup?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">O projeto aconteceu de uma maneira muito espontânea. Queria fazer um disco de mashups em 2010 e estava pensando no que misturar, estava fritando. Três dias antes do ano novo minha mulher me sugeriu brincando a idéia de fazer um mashup por dia. Levei a brincadeira a sério. A minha maior motivação agora é o feedback das pessoas, acho que se as pessoas não tivessem se envolvido tanto com o projeto eu poderia até já ter parado. Muita gente me manda mensagens dando idéias, quando eu posto o mashup de noite eu recebo mensagens de: &#8220;UFA! Pensei que você não ia conseguir! &#8221; (risos). Estou me divertindo com tudo isso.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O projeto começou soltando mashups que não tinham relação entre si, mas isso logo mudou. Algumas das músicas se juntaram e montaram o The Black Album Brasil, uma versão brazuca do disco do Jay-Z. Recentemente, também tivemos o Let It Baile, adaptação dos Beatles. Qual é o próximo alvo de João Brasil?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Agora estou fazendo o <em>Ventura</em> do Los Hermanos com o rapper De Leve. [<a href="http://365mashups.wordpress.com/2010/03/10/de-leve-ventura/">O download já pode ser feito aqui</a>]</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Há algum tempo vemos você trabalhando apenas com a idéia de nacionalizar músicas gringas (Phoenix com Portinho, Radiohead com Olodum e etc.), mas foi um conceito diferente, com cara de Girl Talk, que te deu fama. O que te fez entrar nessa nova fase?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Primeiro porque estou morando em Londres, estou com uma necessidade enorme de trazer cada vez mais o Brasil para meu som. O formato Girl Talk de mashup é muito legal, mas ficaria muito exaustivo fazer com aquela forma todos os dias, acho que tanto para mim, quanto para o público. Se você amarra bem duas informações acho que fica mais digerível para todo mundo. Misturar Brasil com mundo é a minha grande diferença por aqui, mas não tenho muita regra não, agora estou misturando Brasil com Brasil. Vamos ver o que vai acontecer pela frente. (risos)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Existe a pretensão de voltar a produzir hits nos moldes do <em>Big Forbidden Dance</em>?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Sim, estou pensando em no último mês do ano fazer um Big Forbidden com meus 365 mashups.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Você parece ouvir e misturar artistas de absolutamente todos os gêneros, um cara eclético de verdade. Não há nada que você ouça e pense: “nossa, essa música é realmente uma merda”?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Eu sinto que todas as músicas podem ser aproveitadas para meu trabalho, por isso não consigo achar a música 100% uma merda. Mesmo que não goste do som, posso aproveitá-lo exatamente por não gostar e aí eu acabo gostando do resultado final.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Seu trabalho também é acompanhado nos Estados Unidos e na Europa – a página do 365 mashups, inclusive, é escrita em inglês. O que o João Brasil tem que os gringos gostam tanto?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Acho que é essa mistura de universos tão diferentes. Sou bicho exótico por aqui, tenho que aproveitar isso. (risos)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Qual é seu plano para o 366º dia?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Fazer um disco de voz e violão. Sério! Pensei nisso ontem vendo uma banda de folk na televisão, que paz. (risos)</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Qual a combinação mais bizarra de mash-up que você já pensou em fazer, mas nunca teve coragem?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Se eu penso, eu faço.</p>
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