18 ago 2009

Entrevista: Venus Volts

Por  @15:19

Eles começaram a ficar íntimos do sucesso no ano passado, quando dividiram o palco do festival Motomix com os grandes Metric e The Go! Team. Sob o nome de Venus Volts, eles não lançaram nenhum álbum ou EP – todo o grande material do grupo chegou ao público pelo título de Fluid, como assinava a banda encabeçada por Trinity em tempos passados, antes de 2005 -, mas o reconhecimento não precisou de nada disso para bater na porta do quinteto paulista.

venus volts

Da esquerda pra direita: Dinho, Du, Trinity, Filipe e Pellê

Hoje, o “indie-grunge-punk-dancefloor” do VV, como eles mesmo denominam o gênero, é uma das principais peças da trilha sonora de Descolados, nova série da MTV. Em um único episódio, eles chegaram a ter quatro músicas reproduzidas. O destaque na emissora, inclusive, leva o grupo a dois de seus programas no final de agosto: Primeiro o Acesso MTV, no dia 26, e no dia seguinte o Sessões MTV. Pra saber mais sobre esse sucesso (que de forma alguma pode ser considerado súbito), conversei com Filipe Consoline, que entrou para o time do Venus no início de 2009 e já foi apresentado por aqui através do mono.tune no início de 2008.

Antes de começar, uma pergunta que anda correndo a web inteira: O que você achou do novo álbum do Arctic Monkeys?

Cara, quando eu ouvi pela primeira vez a ‘Crying Lightning’ achei estranha. Mas agora, depois de escutar várias vezes, eu to curtindo pra caramba. Esse disco não tá tão fácil quanto os outros, né.

Pois é, os meninos cresceram. Falando em crescer, você tem outros dois projetos com repercussão menor que a do Venus Volts. Como se faz pra conciliar isso tudo?

O mono.tune ta parado, esse ano não fizemos um show sequer. Acho que nem ensaiamos! Mas não acabou. Eu acho que volta com uma sonoridade diferente, mas volta – só não sei quando! Com o Lab (que agora é Labmusica), está igual. Até agora tive sorte de nenhuma agenda bater, mas funciona no estilo “quem marcar primeiro, leva”.

O Lab mudou de nome por causa do Less a Bullshit?

Na verdade, a gente sempre achou que, apesar da sonoridade, o nome Lab é batido pra caramba. Aproveitamos que conhecemos mais 2 Labs nesses tempos e colocamos o “musica” no final. Ele sempre esteve lá, mas nunca usamos.

E, voltando ao Venus Volts, a banda já tem algum tempo de estrada, mas você se juntou ao pessoal nesse ano. Como foi isso?

Eu conheci a banda na edição do Grito Rock em Maringá, no Paraná, quando eu fui tocar com o mono.tune. Rolou um interesse mútuo entre as bandas e a gente manteve contato. Em abril desse ano, a Venus tinha uma turnê pra fazer no Nordeste e o Dinho, baixista, não ia conseguir ir. Aí rolou o convite pra eu substituir ele somente nesses nove shows. Só que aí, depois da turnê, rolou o convite pra eu entrar como guitarrista e fazendo algumas programações com synths. Entrei na banda de vez no final de abril mesmo.

Você nunca tinha trabalhado com uma mulher, né? Como é com a Trinity?

Eu já toquei numa banda que tinha uma baixista mulher, mas na época ela era minha namorada, então não conta. Como só tem ela de mulher na banda, ela acaba precisando se acostumar com quatro caras falando todo o tipo de merda! As vezes eu tomo as dores dela, hahaha. Mas ela é bem tranqüila.

E a criação, como funciona? Quem é o compositor da banda?

O Pellê é o compositor e o fundador. Ele acaba trazendo as idéias e a gente trabalha em cima. As vezes ele já vem com uma idéia pronta sobre a bateria, a outra guitarra ou o baixo, mas todo mundo interfere na criação. Até mesmo eu, que acabei de entrar, me sinto 100% à vontade na hora da produção das músicas. Eu o considero um dos compositores mais criativos dessa leva da cena nacional, hoje em dia.

Pelo o que eu entendi, vocês têm um CD gravado e já estão na boca da mídia.

Na verdade, a banda como Venus Volts (antes era Fluid) não tem nenhum CD oficial. Isso que é o mais legal. Temos gravações de algumas músicas disponíveis lá no MySpace, mas algo físico com encarte e o caramba, não. As músicas estão abrindo as portas pra banda. Conseguimos esse lance da música tema dos Descolados, Acesso MTV, Sessões MTV, Bananada, Virada Cultural, Do Sol, Motomix, etc, só com essas músicas. O CD oficial está sendo gravado e produzido pelo Rodrigo Coelho e deve sair no ano que vem. O clipe da ‘In Gold We Trust’, música tema do seriado da MTV, sai agora no começo de setembro.

Legal! Vocês tiveram uma fase boa com a Trama, gravaram o Visitando a Cena e o 12 Horas no Estúdio. Aí agora, como você falou, estão numa vibe MTV. A banda não conta só com a internet, né?

Internet é mais uma ferramenta que ajuda pra caramba a divulgar shows, o som, clipes, etc. Mas TV tem um alcance muito maior e você pega milhares de pessoas ao mesmo tempo. As bandas devem ir atrás desse meio também.

Como a gente pode descrever o som de vocês? O VV tem uma pegada bem de indie rock, mas tem um quê de grunge e punk que aparece em todas as músicas.

Algo como indie-grunge-punk-dancefloor! Agora as músicas ainda estão com um ar mais “eletrônico” devido as programações, e uma batida mais dançante. Além do peso e dessa cara meio 90´s. Estamos puxando o som mais para o que está acontecendo agora, mas sem perder a identidade da banda que já foi construída ao longo desses anos.

Então pro próximo CD a gente deve esperar algo que encaixe bem numa pista de dança?

Com certeza! E num ipod dentro do metrô.

15 jul 2009

Entrevista: Marina and the Diamonds

Por  @14:51

Declarei meu amor por Marina Diamandis há pouco tempo, vocês lembram? Se já apagou isso da memória, aí vai um trechinho pra refrescar:

Marina and The Diamonds é meu novo vício. Mesmo. O pseudônimo foi criado pela lindíssima Marina Diamandis (o ‘Diamonds’ tá explicado?), cantora britânica que iniciou suas atividades no ano passado e, já em 2009, adicionou duas grandes apresentações em seu histórico de shows: O primeiro, em maio, no Big Weekend da BBC e, no mês seguinte, o gigantesco Glastonbury, onde foi escada para o Queen’s Head Stage, no mesmo dia de Dan Black, The Wombats e Noah and the Whale. Até o final do ano, Marina terá passado pelos maiores festivais do Reino Unido, com o iTunes Festival, Bestival, Latitude, Reading e Leeds em sua agenda.

Mas é claro que isso não é tudo que podemos saber sobre Marina, então corri atrás da cantora pra colher mais informações – e a mulher foi falando tudo, mesmo parecendo mais seca do que de costume. Você lê toda a nossa conversa aqui:

Você já está trabalhando em seu primeiro álbum de estúdio, não?
Estou fazendo isso com muito cuidado. Não posso dar mais detalhes.

Uma banda toca com você em seus shows, mas eles não parecem ser nada mais do que uma banda de apoio – você ainda é uma artista solo. Qual é o motivo disso?

Porque meu ego é muito grande, haha! Na verdade, nunca me imaginei numa banda. Não trabalho bem em conjunto. Não suporto a idéia de estar numa banda. Nunca pensei nisso como uma opção.

Como começou sua carreira? As primeiras letras, os primeiros acordes…
Eu me joguei nesse negócio de fazer música de repente – e muito mal. Eu escrevia poemas como uma criança e então tive uma vontade forte de me expressar através de palavras e, eventualmente, de canções.

Você já disse algo sobre nunca estar satisfeita com seus shows. Isso é falta de auto-estima ou você é muito dura consigo mesma?
Essas duas coisas não são iguais?

E essa tendência de “My Name and the Things”? Por que você acha que isso tá ficando tão popular, além de ser cool?
Uhn, não sei. Eu não fiz isso propositalmente ou com o objetivo de ser cool. O cool nunca dura muito. Eu só queria botar um pouco de fantasia nesse nome, acho, queria criar uma diferença entre ser uma garota e uma artista. Queria que funcionasse como um coletivo energético (soa estranho, mas…).

Sobre o que fala ‘I Am Not a Robot’, exatamente? Não sei dizer se é uma canção sobre amor ou raiva.
É sobre lembrar você da sua fraqueza, de que você não é perfeito. Você não pode ganhar sempre e no final do dia você tem que cuidar de si mesmo, porque isso é tudo que se tem: você mesmo.

E qual é a receita pra uma melodia tão grudenta?
Não há uma receita. Só cante o que você sente e a cor vai ser aparecer em sua melodia.

Em uma entrevista no Glastonbury, você disse que Patti Smith, Kate Bush, No Doubt e Madonna formariam o line-up perfeito pro festival. Essas são suas maiores influências?
Sim, com certeza.

No final do ano, você já terá tocado nos maiores festivais do Reino Unido, o que eu imagino ser um sonho pra todo mundo. Quais são suas expectativas par esses shows?
Eu nem penso nessas apresentações até chegar no lugar onde vou tocar. Não gosto de criar essas expectativas. Só quero fazer o meu melhor para que as pessoas fiquem felizes. Eu quero valer a pena.

O que você acha que estará fazendo nesse mesmo horário, em 2010?
Working my butt off.

20 jun 2009

Entrevista: Superpose

Por  @16:21

O Superpose está, sem dúvida, entre os cinco maiores booms nacionais desse ano. O duo de Florianópolis, formado pelo casal Isaac Varzim e Paula Fellito, já tinha músicas boas para dançar há anos – em 2006, foram parar no Motomix, com Franz Ferdinand e Art Brut – mas, com o lançamento do Aurora EP em abril, atingiu seu pico. Comentei o trabalho e apresentei a banda aqui, até. Agora, com um bebê na casa, Isaac falou sobre o desenvolvimento da banda, desde a época em que conheceu Paula até hoje, quando anima as pistas do Sul do país.

superpose

Antes de começar a entender o Superpose, seria legal descobrir como vocês se conheceram.

A gente trabalhava junto em Curitiba. A Paula é bailarina por formação, e eu músico, daí fizemos vários trabalhos juntos de dança contemporânea, teatro e talz. Eu fazia trilhas sonoras, muitas delas ao vivo, e a Paula dançava. Sempre tivemos vontade de fazer algo juntos efetivamente. Eu sempre pensava na área de dança, mas acabou que surgiu o Superpose e deu certo. Tive um outro projeto chamado Escafandro, que era meio house/abstract hip-hop, em que a Paula fazia umas performances durante o show. A gente até fez turnê pela Europa. O Superpose veio só depois, no começo de 2008.

E, antes de trabalharem juntos, já rolava um romance?

A gente ta junto desde 2006, mas nunca rolou o lance tipo “a banda do casal”, haha. [Formamos a banda] muito porque a gente se mudou pra Floripa e não conhecíamos ninguém, os únicos que tínhamos para trabalhar éramos nós mesmos – e foi o que fizemos! Depois sempre pensamos em botar mais gente tocando junto, já fizemos shows com guitarra, até, mas ainda não tornamos isso oficial.

É difícil manter um público animado como um duo? Digo, a responsabilidade de fazer um show fica mais leve quando há mais membros pra dividi-la?

É, realmente é muito diferente. Duas pessoas na frente do palco e o povo te olhando… seria tão mais fácil se fossemos uns cinco, haha. Mas a gente tem relação com música eletrônica, né? Aí muda tudo, porque as batidas, os synths e tudo o mais tornam a coisa envolvente, com uma pressão sonora que dificilmente uma banda normal teria. Prós e contras, né?

Como  foi a produção do Aurora? Vocês gravaram voz, instrumentos, produziram, fizeram a arte…?

Sim, tudo homemade, menos a capa que feio feita por um artista plástico gaúcho que tem um trampo incrível, Alexandre Lettnin. A capa foi feita com caneta Bic, achei incrível. Mas a parte da música foi toda feita aqui em casa mesmo.

E, antes do Aurora, vocês já tinham algumas músicas circulando pela web, né? Elas foram saindo pingadas ou também foram lançadas em um disco?

No começo saiu tudo pingado, umas quatro ou cinco faixas. Daí em setembro de 2008 lançamos um EP chamado Dance-Me, com quatro faixas. Em janeiro de 2009 lançamos pelo MySpace Nightlife um EP coletivo com outros projetos de Floripa, o Subtropics, que tinha Superpose, Discobot e Mottorama. Daí agora lançamos o Aurora, mas tenho a impressão de que só nesse EP chegamos numa sonoridade em que todos ficamos felizes. Ficou mais madura, redondinha mesmo. Além disso, lançamos alguns remixes, que estamos adorando fazer.

Falando nisso, a gente percebe uma camaradagem bem grande dentro do cenário electro-indie do Sul do país. As bandas tocam juntas, fazem remixes umas das outras e ajudam a divulgar o trabalho de grupos recém-formado. Parece até uma associação de bandas underground, né?

Haha, pode ser, mas acho que é meio natural, né? A gente acabou de remixar o Boss in Drama. A gente se conhece a um tempão, tocamos juntos no Motomix em 2006. Remixamos também o Copacabana Club, eles – mesmo eu tendo morado durante oito anos em Curitiba – só fui conhecer depois de me mudar pra Floripa. Tocamos juntos aqui já e ficamos bem próximos. Acho que o que aproxima o pessoal do Sul são as vezes que a gente se cruza. O circuito Curitiba/Floripa/Porto Alegre troca muitas figurinhas. A gente vai sempre pra essas cidades, e o povo de lá vem pra cá.

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Há pouco tempo o Superpose ganhou um integrante novo e bem, digamos, jovial – e trabalhoso, ao mesmo tempo. Dá pra sentir uma vibração nova no Superpose com ele?

Cara, muda tudo, né? Mas dá ainda mais vontade de fazer a coisa acontecer. O Benjamin é um sarro, acho que ele teve uma gestação agitada (a Paula tava fazendo show e tocando na balada até três dias antes do nascimento – eu tive que sair correndo no meio de um DJ Set pra levar ela pro hospital, haha). Quanto mais música alta, movimentos, balanço, gente conversando, mais calminho ele fica. Tenho medo dele querer competir comigo quem faz mais barulho quando ficar mais velho.

E aí, quando o Benjamin vai virar música? Existem planos pra isso?

Isso soa tão bossa nova! Não conta pra ninguém, mas Button tem a ver com isso tudo [Button, do Aurora EP, relata a gestação de Paula].

Musicalmente, quem inspira vocês?

Putz, essa é difícil. Eu ouço de tudo – sem aquele papo de que tudo me inspira – mas eu adoro rock, música eletrônica, música brasileira, pop… Mas digamos que eu e a Paula temos alguns gostos em comum: Bjork, Goldfrapp, Madredeus, Chemical Brothers, Massive Attack, Prefuse 73, Piazzola… Atualmente Passion Pit toca o dia inteiro aqui, com Phoenix, Metric e DirtyProjectors. Não  sei dizer se essas coisas influenciam o som do Superpose, mas acho que essa tendência pro trip hop com cara de synth pop tem a ver com as coisas que a gente gosta.

Na edição de maio da Noize, o editor me pediu uma dica para a coluna “Bandas que você não conhece – mas deveria conhecer”. Citei o Superpose, já que haviam acabado de lançar o Aurora. Agora, invertendo os papéis, quais são as recomendações que vocês tem pra gente?

Eu não sou muito bom nessa coisa de indicar novidades. Tudo que ouço achando que é uma super novidade me dou conta de que o mundo inteiro já conhece, mas minha indicação é pra uma banda daqui de Floripa: o Discobot. Eles remixaram Beautiful, um dos remixes mais bacanas que já fizeram da gente até agora. As vezes acho que o remix deles é até mais legal que a versão original, haha.

10 jun 2009

Entrevista: Copacabana Club

Por  @16:10

A entrevista abaixo foi feita por mim para a edição de maio da Revista Noize. Com um pouco de atraso – cof -, posto ela pra vocês. Aproveitem.

copacabana-club

Pouco tempo depois do surgimento repentino, o Copacabana Club já é uma das bandas mais estouradas do Brasil. Foi só lançar o EP King of The Night, produzido e distribuído de forma completamente independente, que, num piscar de olhos, Curitiba ficou pequena demais para o quarteto. Conversamos com eles pela segunda vez, agora com Camlia e Tile (vocalista e baixista, respectivamente), para entender a nova fase da banda, em que os sinais da fama já borbulham.

Para começar, o que era o Copacabana Club no início de 2008 e o que é ele agora, depois de ter conquistado certa fama pelo país?

Caca V: Exatamente um ano atrás estávamos colocando o nosso EP para download no Myspace. E não imaginávamos de maneira alguma chegar até aqui. Um ano depois, temos um vídeo clipe na bagagem, e mais de 100.000 plays no Myspace. Isso é incrível.

T. Douglas: acho que o Copa está mais maduro como banda, temos mais músicas boas na bagagem também… Acho que todos estão levando mais a sério a banda.

No ano passado, vocês não tinham muita pretensão de lançar um álbum “completo”, pelo o que percebi na entrevista que fiz com vocês. Isso já mudou?

Caca V: Sim. Naquela época acho que o nosso repertório tinha 8 ou 9 músicas. Hoje temos 13, e mais algumas pra fechar. Não acho que o álbum sairia dessas 13, mas de qualquer maneira já pensamos em gravar um disco. Ainda queremos amadurecer algumas canções. Mas acho que até o início do ano que vem, sai.

T. Douglas: É bem o que a Caca falou, vamos fazer mais algumas músicas e deixar essas que temos agora mais redondas, lapidadas… Acho que o álbum seria pro início de 2010 mesmo.

O clipe de “Just do It” ajudou o Copacabana Club a rodar o mundo. Até o Kanye West assistiu (risos). Esse estouro foi muito súbito para vocês?

Caca V: Demais. O vídeo ficou com uma qualidade incrível. Não imaginava ter um primeiro video tão bom e tão bonito. É muito bom sentir que as pessoas estão curtindo. E o lance do Kanye West foi engraçado. Levei um susto quando vi o post.

T. Douglas: Para mim foi uma surpresa muito grande. Claro que quando vimos o clipe pela primeira vez a gente sabia que estávamos com um material muito bom nas mãos, mas toda a repercussão, inclusive o lance do Kanye West nos surpreendeu bastante. Sobre o processo criativo do clipe, bom, foi todo do Banzai [Studios, estúdio curitibano que trabalhou com o Coletivo Atalho no vídeo].

Vocês tocaram na MTV e têm feito shows cada vez mais freqüentes. Tem sido difícil aliar suas atividades pessoais com as da banda?

Caca V: Minha agenda de trabalho é um pouco mais flexível. As vezes fica mais difícil mesmo. Tenho trabalhado bastante. Para o Tile é um pouco mais complicado, porque ele tem um emprego normal, de escritório. Hora pra chegar e sair. E faltar por causa dos shows prejudica um pouco. Mas levamos até onde dá.

T. Douglas: Tem sido um pouco, sim… Tenho sorte do meu chefe até curtir a banda e notar que o lance é um pouco mais sério [risos]. Tenho conseguido negociar com ele umas faltas [risos].

E, com todo esse hype, tem aparecido muita tietagem?

Caca V: [Risos] Mais ou menos. Esses dias fui reconhecida, duas vezes. Foi engraçado. Inesperado. Não estou acostumada com isso. Ainda acho um pouco estranho.

T. Douglas: Sou o baixista, o que menos aparece [risos]. Mas assim, já me reconheceram na rua e tal, é legal…

Suas apresentações são bem animadas. Vocês são daqueles que acham que fazer ao vivo é mais importante do que a parte do estúdio?

Caca V: Acho que os dois são importantes, e bem distintos. Tem que haver dedicação no estúdio. E as apresentações são animadas, mas espontâneas. Tem que ser um processo natural… Eu me divirto muito nos shows.

T. Douglas: Acho que a gravação do estúdio é só uma versão da música, não a definitiva, apenas uma versão… Ao vivo tem que ser para valer, é ali que se faz a diferença.

Sobre o CSS, certa vez vocês disseram que o som das duas bandas não tem nada a ver. Quais foram as influências na composição do King of the Night?

Caca V: As faixas do King Of The Night são nossas primeiras de todas. E acho que elas têm uma levada bem semelhante. Mais disco. Depois delas fizemos umas novas, que acredito serem bem diferentes dessas. Mas ainda com a mesma proposta dançante.

T. Douglas: Cara, eu não sei te dizer por que foi o Alec quem escreveu toda a música, mas quando ele apresentou ela para a banda, pensamos em deixá-la dançante e pesada ao mesmo tempo. Acho que conseguimos o resultado.

O King of The Night foi lançado em formato físico, totalmente independente e por R$10. Esse esquema funciona bem no Brasil?

Caca V: Mais ou menos. Ele não é efetivo. Não temos distribuidor, então tem que ser da maneira mais lenta e complicada: depósito bancário e envio.

T. Douglas: É, não funciona, é apenas para divulgar um pouco mais e pagar o custo da prensagem.

Vocês estão gravando uma inédita, não?

Caca V: São duas! “Mrs. Melody” e “Sex Sex Sex”. Acho que finalizaremos elas neste mês. Ainda não temos previsão do formato em que vamos lançá-las. Mas queremos disponibilizá-las no Myspace o quanto antes.

T. Douglas: São duas músicas que eu gosto muito… Vai ser legal lançá-las, porque vai ajudar a dar uma outra imagem da banda, mais madura.

O Copa já passou por vários clubes do país, em diversos estados. Já dá pra vislumbrar a banda em palcos internacionais?

Caca V: Acho ainda um pouco cedo pra isso. Mas claro que se rolar vai ser demais. Queremos percorrer uns trechos pra cima do eixo Rio-SP que ainda não fizemos, e que deve ser bem legal.

T. Douglas: Acho importante tocarmos mais aqui no Brasil, o lance para fora vai ser conseqüência do que rolar aqui. Quero que as pessoas daqui conheçam a gente mais antes de sairmos do país.

9 mai 2009

Entrevista: Sweet Fanny Adams

Por  @16:57

Formado por pernambucanos que se conheceram na escola, o Sweet Fanny Adams gravou seu primeiro EP no ano passado, dentro de um quarto. O registro, que recebeu o nome de Fanny, You’re No Fun, encantou os olhos do selo independente Bazuca Discos, que já estava de olho nos shows do grupo e decidiu lançar o mini-álbum.

Bem recepcionado pela crítica blogueira, o SFA chegou a se apresentar em grandes festivais brasileiros, como o Abril Pro Rock e o MADA, dividindo palcos com grandes artistas de todo o país. Modesto, Hélder Bezerra (guitarrista) diz que não sabe se vai chegar a algum lugar fazendo música, escondendo o grande troféu que já tem nas mãos.

Influenciado por grandes nomes do rock, como Velvet Underground, Sonic Youth e Gang of Four, o quarteto já faz os preparativos para a gravação de um segundo EP, que começa a ser gravado no mês que vem. Para continuar conhecendo a banda, é só ler a entrevista que segue no post e, de background, usar as cinco músicas de Fanny… que estão em streaming no myspace.com/sweetfannyadamsmusic.

sweetfannyadams

Eu acho a cena indie do Recife muito forte, até mais do que a do Rio de Janeiro. Como funciona o espaço para as bandas independentes aí?

Apesar das inúmeras bandas de diversos estilos musicais e festivais de grande porte, a cena independente recifense ainda sofre com um grande problema na cidade: a ausência de uma casa de show para projetos autorais e que tenha programação fixa. Este fator faz com que a programação de shows e festas na cidade não seja frequente e, geralmente, ocorrem em locais de estrutura precária ou em dias não viáveis, já que as casas de shows de melhor estrutura apenas disponibilizam espaço para bandas autorais em dias de pouco movimento. Isso resulta num imenso desinteresse do público com a cena local e no comodismo de muitas bandas que não querem se arriscar de promover o próprio show  ou que não procuram meios de agendar datas em outras cidades ou que não possuem condições de um investimento inicial em algum tour. Nos últimos anos, várias bandas locais encerraram as atividades ou permancem tocando, apenas uma ou duas vezes , durante todo o ano.

Como surgiu o convite de lançar o EP pela Bazuca Discos e como foi o processo de criação do disco?

O selo Bazuka Discos (PE), do Coletivo Coquetel Molotov, fez o convite para lançar o nosso primeiro EP, após o recebimento do nosso material e no final de um show nosso, organizado pelo próprio coletivo, na Livraria Saraiva.

Dá para perceber um pouco de Strokes no som do SFA, principalmente em ‘Killing Spree’. Eles são uma influência direta pra vocês?

Influência direta? Com certeza não. No máximo, a gente pode ter algumas influências em comum com eles, como Guided By Voices, ou bandas de pós-punk e new wave do começo dos anos 80.

A parte visual da banda é muito importante, e a de vocês é muito bem feita. São os próprios integrantes que cuidam disso?

Sempre curtimos bastante sobre a parte visual. Nos preocupamos em criar uma identidade para os lançamentos dos EP´s e solicitamos para uma designer o desenvolvimento de todo o projeto.

Há quanto tempo surgiu a banda e quando vocês descobriam que podiam chegar a algum lugar fazendo música?

A banda surgiu em Agosto de 2006. Na verdade, ainda não descobrimos se vamos chegar em algum lugar. Estamos bem felizes de poder gravar e tocar nossas músicas do jeito que queremos. Estamos fazendo o possível para que muita gente possa ouvir, seja por meios de comunicação ou em shows. É ótimo receber um retorno sobre isso e saber que existem pessoas curtindo o que fazemos.

Vocês estudam, trabalham…?

Estudamos e trabalhamos, mas não gostamos de fazer nenhum dos dois. A gente queria mesmo era viver de música, um bom começo pra isso seria parar de tomar calote e aprender a mamar nas tetas do governo via editais.

O Sweet Fanny Adams já dividiu o palco com diversos artistas, desde Mallu Magalhães até Pata de Elefante e Superguidis. Como é a relação da banda com outros grupos?

O clima nos festivais é ótimo. Sempre existe uma boa relação entre bandas. Apesar de pouco tempo de permanência durante os festivais, geralmente, permanece o contato por MySpace ou e-mail. Com relação aos integrantes das bandas locais, sempre nos encontramos e nos divertimos pelas festas toscas da cidade.

Já existe algo sendo planejado pra um álbum de estúdio? Tanto os fãs quanto a imprensa e os blogs parecem ansiosos pra isso.

Recentemente, gravamos um single que vai entrar na trilha sonora de um novo seriado da MTV. A música ainda está em processo de mixagem. O início da gravação do novo EP está programado para Junho.

27 mar 2009

Coletiva de imprensa: Multishow Registro – Vanguart

Por  @23:15

“Cuidado com a menina de amarelo”, advertiu Helio Flanders, ao saber que eu representava o MTJ! na entrevista coletiva da última segunda feira, dia 23 de março. Tudo culpa de Alex Correa, que em agosto de 2008 entrevistou o vocalista do Vanguart e fez algumas “perguntas capciosas”.

Se na primeira vez as respostas vieram com uma certa dificuldade, nesta as coisas fluíram muito mais tranquilas. Influências musicais, internet, mercado fonográfico e a relação com os fãs foram alguns dos assuntos abordados por Helio.

O encontro aconteceu em razão do lançamento do CD e do DVD Multishow Registro – Vanguart (Gustavo Pelogia esteve nas gravações. Leia aqui.), que chegaram às lojas esta semana. Apesar de todos os integrantes estarem presentes na entrevista, quem sempre toma a palavra é o vocalista, como que assumindo a personificação do Vanguart – ainda que afirme enfaticamente “que são cinco sons que fazem a banda”.

Todos eles tinham projetos anteriores ao Vanguart. Acid Jazz, grunge, hard-core fazem parte do passado dos músicos. Flanders foi ainda mais longe: na adolescência, teve uma banda de glam chamada Valium. Apesar de os estilos parecerem totalmente distintos, a experiência de cada um mostrou-se essencial para chegarem ao som da banda hoje. “Tentamos ser mais conservadores, mas não deu muito certo”, diz Helio, que complementa: “quanto mais longe íamos nas ideias, melhor ficava”. O resultado? O som inusitado que conhecemos hoje.

É indiscutível o comando que Helio toma para si. Afinal, foi ele que trouxe CDs de folk após a viagem de auto-conhecimento (como diz o texto assinado pela apresentadora Lorena Calábria que acompanha o release) feita pela América do Sul. Além disso, o nome da banda foi escolha dele, tendo como referências Andy Warhol e o movimento beatnik. Questionado se ele é mesmo a alma do grupo, o vocalista vem com uma resposta politicamente correta: “se tirarmos um integrante, o arranjo fica diferente”. Quanto ao nome aparentemente pretensioso, eles admitem que pode dar a impressão de que são arrogantes ao se auto-intitularem “de vanguarda”. “Mas a gente fazia um som folk, em Cuiabá. Daí resolvemos abraçar essa aberração”, admite Flanders.

O discurso simpático continua. Falam sobre a necessidade de se relacionar bem com os fãs, estando disponíveis para os inevitáveis pedidos de autógrafo. No início da entrevista, resolvem não atacar os críticos musicais e repetem a velha história de que acreditam mais nas críticas negativas do que nas positivas. Um pouco mais tarde, porém, Helio demonstra sua insatisfação com o trabalho dos jornalistas, afirmando que alguns deles não conseguem entender o trabalho da banda. Cita o exemplo de uma crítica à letra de Semáforo (que diz: Só acredito no semáforo/Só acredito no avião/Eu acredito no relógio). No texto, o jornalista dizia não ver nenhum sentido nas palavras cantadas pelo vocalista. Flanders se exalta: “Isso é metafórico! Rimbaud já fazia isso há séculos”. (nota da redação: dá até pra engolir a história de que o nome da banda não tem a ver com o fato de eles se acharem vanguardistas; comparar-se com Rimbaud, no entanto, parece forçoso demais.)

vangs

As influência musicais são as óbvias: Bob Dylan e Beatles. A importância é tamanha que, para eles, um jovem não entenderá o som do Vanguart se não tivere um prévio conhecimento do quartento inglês. Sobre a versão de “O Mar”, de Dorival Caymmi, Flanders diz que a intenção é justamente fazer uma nova canção, como uma espécie de homenagem àqueles que os músicos admiram. “Estranho seria se tocássemos Dylan”, ele ri. Segundo o vocalista, eles pararam de ouvir música internacional produzida a partir dos anos 1990. Los Porongas, Ludovic, Móveis Coloniais de Acaju e Macaco Bong (também de Cuiabá, como o Vanguart) são algumas das bandas brasileiras presentes nas playlists da banda. O argentino Luis Alberto Spinetta, a música instrumental e o jazz também fazem parte do que eles consideram importante musicalmente.

A inevitável comparação com o Los Hermanos é rebatida. Sob o ponto de vista do quinteto cuiabano, o som das duas bandas é completamente diferente. Contudo, eles admitem que a banda de Marcelo Camelo abriu portas para uma nova cena musical. Os pontos de semelhança resumiriam-se, então, à sinceridade das letras e o bom relacionamento com os fãs.

Para honrar a fama do blog, a pergunta capciosa não pôde faltar. Flanders falava entusiasmado da internet, de como revolucionou o mundo da música e admitiu que eles jamais seriam conhecidos no eixo Rio-SP se não fosse o mundo virtual. Observou, ainda, que diversas bandas da cena rock de Cuiabá está trilhando o mesmo caminho. Se tudo são flores, por qual razão eles estão fazendo o percurso inverso? Em tempos que o Radiohead disponibiliza seu álbum online, em que usuários de P2P estão sendo presos por download ilegal de músicas, como uma banda dita independente pode assinar contrato com uma grande gravadora (no caso, a Universal)?

A resposta é uma só: dinheiro. A dificuldade para lançar produtos sem ter um lastro financeiro é o maior problema. “Material gráfico e promocional, assessoria de imprensa, figurino, equipamento… tudo isso tem um custo. Não era possível arcarmos sozinhos com estas coisas”, responde Helio. Ele explica: “O contrato foi totalmente oportuno. Precisávamos do apoio de uma gravadora, e ela nos deu toda a liberdade de continuarmos criando. Nosso sonho é continuar gravando e, daqui a um tempo, olhar para trás e vermos que fizemos bons discos e que tudo valeu a pena”.

Idealismos à parte, o vocalista concorda que a realidade de troca de arquivos online não tem mais volta. “O mercado tem que ser repensado”, afirma, apontando prováveis caminhos: “talvez a venda oficial de música pela internet seja uma saída”. Se um fã da banda for pego baixando músicas do Vanguart, Helio crê que o bom senso deve ser usado – resta saber se os executivos da gravadora concordam com isso.

O canal Multishow apresentou o show banda na quarta feira, 25 de março. A reprise acontecerá no domingo, dia 29, às 20h15. Apesar de ter sido anunciado o lançamento em lojas para o dia 26, as principais lojas online ainda não têm os produtos (CD e DVD) à venda.

Nádia Lapa

13 mar 2009

Entrevista: Pata de Elefante

Por  @21:44

Semana passada recebemos um e-mail do MySpace, nos convidando para apadrinhar uma banda, que ficaria em destaque na página do Musificando, o programa de ajudar bandas que o MySpace criou. A dúvida foi grande, de verdade. Várias bandas passaram por minha cabeça, até que um outro e-mail chegou. Era das meninas da Agência Alavanca, nos convidando para o show Zoo Instrumental, que aconteceria no Inferno Club (SP), onde tocariam Pata de Elefante e Macaco Bong.

Confesso nunca ter dado muita atenção a estas bandas, mas me interessei pelo convite e procurei mais sobre as duas, principalmente o Pata de Elefante. E o que encontrei foi uma grande e rica mistura de rock clássico, country, folk e surf music, em músicas instrumentais que não me deixaram sentir em momento algum a ausência de vocal. E pesquisando melhor, percebi que este é um dos grandes fortes da banda: agradar pessoas que estão acostumadas a ouvir apenas música com vocal. E então fui ouvindo aquilo, e gostando cada vez mais. Até que aquele problema de qual seria a banda apadrinhada sumiu. Logo indiquei o Pata de Elefante, e programei uma entrevista com a banda, mais precisamente com os guitarristas/baixistas Gabriel Guedes e Daniel Mossmann. E ela aconteceu um pouco antes do ótimo show que fizeram no Inferno, com aquele som marcante e viciante que eu estava cheio de ansiedade para ouvir ao vivo desde o início da semana, quando o último disco deles “Um olho no fósforo, outro na fagulha” entrou no meu iPod e que até agora teima em estar sempre entre os mais ouvidos.

A tal entrevista você confere logo abaixo. Se quiser ouvir um pouco antes pra se interar no assunto, é só acessar o MySpace deles. Em tempo, adicione a banda no Myspace. Se entre as bandas apadrinhadas o Pata de Elefante for a que conseguir o maior número de amigos, o blog que a apadrinhou ganha um banner na página inicial do MySpace. Ou seja, ajudando o Pata você também estará ajudando o Move.

MTJ!: No começo do ano, nós pedimos para várias bandas indicarem os 5 melhores álbuns de 2008, e o Marcos, do Walverdes, colocou como primeiro lugar o “Um olho no fósforo, outro na fagulha”. Uma coisa que eu acho bem interessante é essa união e troca de reconhecimento que existe entre as bandas do cenário independente brasileiro. Vocês acompanham de perto o trabalho das outras bandas daqui?

Daniel: No meu caso, não sei muito bem o que quer dizer com bastante, não conheço todas as bandas, mas tem algumas que eu curto..

Gabriel: É, a gente cruza bastante banda na estrada, tocamos juntos, trocamos CD. A gente faz parte da cena, então convive com elas. Algumas que eu gosto são Macaco Bong e algumas outras, poucas outras. (risos)

Daniel: É, massa tem o Walverdes também, o Chucrobillyman, uma banda de uma pessoa só, bem legal.

MTJ!: Vocês já tocaram em bandas com vocal, certo?

Daniel: Sim.

MTJ!: E num show, qual é a principal diferença que vocês sentem no público entre estar tocando uma música com vocal e uma apenas instrumental?

Daniel: No caso a guitarra é a voz nas nossas músicas. Na real a gente encara assim, tem a melodia principal, que a guitarra faz como se fosse a voz e tem as horas que é solo de guitarra, que é outra coisa, é um improviso. De repente as pessoas não identificam isso, acham que o cara tá fazendo solo o tempo inteiro mas não é assim, tem uma hora que é uma melodia definida, tem hora que é improviso.

Gabriel: Tem inclusive músicas nossas que se você pensar pode imaginar como se fosse uma música com voz, né. Tem música nossa no disco onde a guitarra faz a música inteira, e na hora do solo, propriamente dito, quem faz é um piano, pra ter aquela diferença. Não é comum o cantor fazer um solo, então é a mesma coisa, a guitarra está cantando e vem um outro instrumento pra fazer o solo.

MTJ!: Mas e no público, vocês sentem alguma diferença?

Daniel: É, a galera canta no assobio. (risos)

Gabriel: Já teve show que as pessoas até cantaram..

MTJ!: Acho que a que cantam mais é a ‘Hey!’, né?

Daniel: É, essa é sempre a mais cantada. (risos). No geral as pessoas gostam, mas não tem aquela coisa de cantar junto. È olhando, curtindo, dançando…

MTJ!: Qual vocês acham que é o principal motivo pelo qual muitas pessoas tem um pé atrás com música instrumental? E vocês ficaram surpresos ao agradar essas pessoas que estão acostumadas a ouvir apenas música com vocal?

Daniel: Acho que tem mais a ver com o gosto das pessoas, elas estão acostumadas a curtir um tipo de som que é um  instrumental tipo folk, country, rock clássico, de repente aí pegou no gosto das pessoas de soar bem né, de repente até então a banda que fizesse rock instrumental assim, esse tipo de som..

Gabriel: Acho que no nosso caso nós temos uma pegada mais popular, digamos, uma pegada de rock.

Daniel: É, nós temos músicas em um formato popular mesmo, com refrão, talvez isso ajude, um formato que fique na cabeça, mesmo sem letra.

Gustavo Telles, Daniel Mossmann e Gabriel Guedes

MTJ!: Vocês tem como influência algumas trilhas sonoras de filmes. Estas referências cinematográficas estão presentes em outros aspectos da banda também?

Daniel: Cinema? Acho que só pela trilha mesmo. Tem filmes que eu gosto de assistir que às vezes a trilha eu não curto tanto. Mas tem trilhas que gostamos bastante. Eu gosto muito da trilha do ‘Um Estranho no Ninho’, ‘Diabolique’, tocamos uma música do [Ennio] Morricone, tocamos a música da Pantera Cor de Rosa, músicas do [Henry] Mancini.

Gabriel: E nesse caso os filmes são bons também.

Daniel: Exatamente, às vezes tem filmes que nem são muito bons e tem trilhas maravilhosas.

MTJ!: Continuando nas influências, suas principais são bandas mais antigas. Tem alguma coisa atual que influencia vocês ou que os agrada bastante?

Gabriel: Tudo que é bom acaba influenciando de uma maneira ou outra, se o cara gosta… Existem várias bandas mais atuais que pegam influências antigas para fazer algo que soa mais moderno, e sempre mudando.

Daniel: E é o nosso caso, se for ouvir o que a gente faz, todo mundo já fez, mas a gente faz diferente, do nosso jeito.

Gabriel: Não é uma coisa pensadamente “retrô”, é o que sai.

MTJ!: E na música instrumental, tem algo atual que vocês gostam?

Gabriel: Tem o Macaco Bong…

Daniel: E tem os mascarados lá, Los Straitjackets.. uma banda de surf music moderna, a gente até toca algumas músicas deles..

MTJ!: Pra terminar, depois de álbum tão recebido pela crítica, o Pata de Elefante está sonhando alto? Quais são os planos para um futuro próximo?

Daniel: Nós temos três projetos.. Tem um disco de baladas todo gravado, só de baladas, tem algumas músicas novas que estamos trabalhando para um disco novo, aí mais rock, pegada. E tem um projeto de um filme..

Gabriel: Que aí até inclui aquela tua pergutna anterior sobre cinema né..

Daniel: Que é a idéia de um filme pornô, que a gente tá fazendo as músicas..

MTJ!: A trilha sonora do filme?

Gabriel: Não é isso, não encomendaram a trilha pra nós.

Daniel: Não, não, nós estamos fazendo as músicas e vamos montar o filme ao mesmo tempo.

Gabriel: O filme é pra ser um show, ele vai ser exibido durante um show, e a gente vai tocar no escuro, ao vivo, a trilha sonora. Que nem filme mudo antigamente, que tinha um pianista no cinema.

MTJ!: Ah, sim. Vocês vão tocar enquanto o filme passa.

Gabriel: A banda toca meio no escuro, entendeu? Ficamos numa posição que a gente enxerga a tela e tocando.

Daniel: A gente já fez isso uma vez, fizemos com o filme ‘O Gabinete do Dr. Caligari’, que é mudo né. A gente criou uma trilha inédita pro filme, teve a projeção e nós tocamos enquanto o filme passava. E é isso que faremos com o pornô, só que dessa vez vai ser tudo criado por nós, inclusive o filme.

Por Marçal Righi