24 ago 2008

Entrevista: Bell X1

Por  @14:49

Formada na década passada com o nome de Juniper e com Damien Rice como vocalista, o Bell X1 só se tornou Bell X1 em 1999, quando Damien saiu da banda para dar origem a sua carreira solo. Cheio de autoconfiança, o atual vocalista da banda garante que o Bell Eleven (como já foram erroneamente introduzidos em um talk show) é a segunda maior banda de toda a Irlanda, empatada com o Snow Patrol e apenas atrás do U2, obviamente. Talvez você não concorde com isso, mas Paul Noonan certamente tem motivos para acreditar na grandeza de sua banda.

O primeiro álbum de estúdio do Bell, Neither Am I, deu origem aos singles de sucesso Pinball Machine e Man on Mir, mas só chegou em trigésimo na lista de álbuns mais vendidos da Irlanda. Três anos depois saiu o Music in Mouth, produzido pelo jovem e brilhante Jamie Cullum. A décima quinta posição na Billboard chamou a atenção de gente de fora, o que valeu uma vaga em The O.C. e One Tree Hill à Eve, The Apple Of My Eye, um dos singles de maior destaque desse trabalho. O registro mais recente da banda foi gravado e lançado na Irlanda em 2005. Flock ainda chegou em primeiro lugar no ranking de álbuns irlandês, o que rendeu um lançamento tardio em toda a Europa e nos Estados Unidos, que veio a acontecer apenas em 2008.

Atualmente fazendo sua primeira turnê norte-americana, o Bell X1já está preparando canções para um quarto álbum, como conta o bem humorado Paul Noonan na entrevista que você confere abaixo.

Antes de receber o nome de Bell X1, vocês eram chamados de Juniper e a formação da banda contava com Damien Rice, mas com esse grupo vocês não chegaram a lançar um álbum de estúdio. Nós podemos esperar uma reunião da banda para gravar o primeiro e único álbum completo do Juniper?

Você sabe… talvez sim, talvez não. Damien, Dalai Lama, Condoleezza Rice – quem sabe com quem nós vamos gravar?

Vocês também tiveram muitos problemas com a então gravadora de vocês, a Polygram. Esse foi o principal motivo para o término da banda?

Sim, o ronco do Dave [Gheraghty, guitarrista]… espere um minuto, nós tiramos o cara errado!

Porque você acha que seu último álbum demorou tanto tempo para ser lançado nos Estados Unidos? Há cerca de três anos entre o lançamento oficial e o americano…

Só demorou tanto tempo assim para arrumarmos uma boa maneira de lançá-lo nos Estados Unidos. Nós não queríamos simplesmente jogar o Flock nas lojas sem nada mais, queríamos ir lá e fazer várias turnês, participar de programas de TV, dar entrevistas para rádios e tudo mais, então tivemos que achar as pessoas certas para juntar tudo isso.

Nessa turnê norte-americana, que começou nesse ano, vocês não tiveram muita sorte: O ônibus de viagem da banda pegou fogo, dando um prejuízo de cerca de 50 mil dólares. Com esse desastre, vocês chegaram a pensar em desistir?

Eu acho que toda banda tem que ter seu ônibus queimado, está no livro de regras, não? Foi um tipo de oferenda aos deuses, por termos feito um show ruim e irritado eles. Depois disso, tudo correu bem…

Vocês já tocaram algumas vezes em talk shows britânicos, nos quais os apresentadores trocaram o nome da banda algumas vezes. Você tem alguma idéia de onde eles tiram nomes como Bell Life e Bell Eleven?

De suas mentes fechadas que estão cheias de baba, e não de coisas importantes como o nome da nossa banda. Nós também já fomos chamados de Bellend One.

De 0 a 10, o quão surpresos vocês ficaram quando receberam a proposta de botar suas músicas em séries de TV tão famosas?
Nossa surpresa teria registrado um 9 da primeira vez, mas da segunda não ficamos tão surpresos. Um 5, digamos…

Alguma outra proposta de filmes ou séries foi feita recentemente?

Sim, nós fomos cotados para a trilha do último filme do Batman quando ela ainda estava sendo desenvolvida. Quando a ênfase estava no Batman como um ícone gay, eles queriam usar músicas do nosso pouco conhecido disco Sodom and Begorrah. Depois disso tudo mudou, e o resto da história vocês já sabem… (Sodom and Begororrah, como conta a Bíblia, foram duas cidades destruídas por Deus, que as condenou pelo comportamento sexual chocante de sua população).

Vocês andam ocupados com essa turnê norte-americana mas agora estão tirado umas férias curtas. Esse tempo livre está sendo usado para a produção de um novo álbum?

Sim, estamos trabalhando em um novo disco no momento, estamos acabando de passar a segunda demão agora! Esperamos que ele fique pronto no outono (que, na Irlanda, termina em 31 de outubro) e seja lançado no início do ano que vem.

3 ago 2008

Entrevista: Todosantos

Por  @20:10

Festa, Festa! Isso é o que esse trio vindo da Venezuela prega. Suas músicas, cheias de samples e batidas que convidam pra pista, garantem a alegria de qualquer pessoa, até as mais depressivas. Mas as coisas não foram sempre assim.

Na época de sua formação, em 2003, eles eram indies roqueiros, e isso permaneceu até depois do lançamento do primeiro disco, ‘Aeropuerto’, em 2005, que foi muito bem recebido pela crítica. Felizes com os elogios, ao invés de continuarem apostando na mesma fórmula, eles resolveram inovar. Transformação total. Mudou o som, o estilo, a cidade e a formação. E o que eles ganharam com isso? Mais elogios.

Guitarra e bateria saíram de cena, dando lugar a bases completamente eletrônicas. Os sintetizadores, que viviam escondidos na época de ‘Aeropuerto’, saíram de suas tocas para tomar a frente na parte istrumental dos novos Todosantos. As roupas comportadas voltaram para seus respectivos armários, sendo substituídas por peças coloridas, extravagantes. Os integrantes migraram de Caracas para o Brooklyn. E o novo som foi chamado de ‘Tukky Bass’. A festa estava pronta.

Já na nova fase, no ano passado, eles lançaram um EP, chamado ‘Acid Girlzzz’, que não é simplesmente um CD com músicas. O desafio era inovar em tudo, e com este disco não foi diferente. O kit Acid Girlzzz vem com um vinil colorido e óculos 3D, para melhor visualizar toda a arte da capa e encarte. Além disso, cada faixa tem o seu vídeo, que é chamado de pod, e é projetado nos shows para completar a música, trabalho de VJ. O DVD com estes vídeos também está incluído no pacote. Dá pra perceber que se preocupam com quem está prestigiando o trabalho deles.

Na entrevista dessa semana, Mariana Martin, a.k.a. Peach, falou com o Move That Jukebox!, e deu mais detalhes sobre essa nova fase da banda e como está sendo viver fora de casa. Confira logo abaixo.

O nome da banda tem alguma relação com a girl band inglesa All Saints ou é só uma coincidência na tradução?

É só uma coincidência. Na verdade, o nome tem relação com as grandes ondas da América Latina.

Expliquem melhor o que é o ‘tukky bass’

‘Tukky’ é um tipo de hard techno que mais vem tocando nas festas nos guetos da Venezuela nos últimos anos. Na verdade, mesmo nossa música não sendo como o ‘tukky’ original, nós nos identificamos bastante com o gênero, e da sua estética tiramos inspiração para formar nosso próprio som, que chamamos de ‘tukky bass’.

De onde vocês tiraram a idéia de fazer um EP tão rico, cheio de coisas, como o vinil colorido, os videoclipes, e os óculos 3D para ver os desenhos do encarte?

Nós sempre fomos fãs daqueles discos bonitos, cheios de surpresas… é legal quando você compra um disco que faz você sentir que o artista realmente se importou com a sua experiência. Um encarte legal pode mudar totalmente o modo de interagir com a música. Além disso, com esse grande aumento do mercado digital de música, a mídia física está tendo que ser feita com mais carinho, como peças de colecionador para os fãs guardarem.

Todosantos de ‘Aeropuerto’

O MySpace da banda está sem atualizações desde o lançamento do EP. Vocês estão preparando alguma surpresa ou apenas deram uma pausa de músicas novas?

Nós demos uma pequena parada depois da turnê do EP, mas coisas boas estão para sair… de verdade, mais cedo do que você imagina.

Quando vocês notaram que faziam algum sucesso nos Estados Unidos?

Bem… nós não acreditamos que sejamos um sucesso total, nós ainda somos uma banda que está crescendo, mas é sempre excitante ver como as portas se abrem conforme você vai seguindo seu caminho.

E como foi a decisão de mudar de Caracas para Nova York? Quais foram as diferenças que vocês sentiram, pessoal e profissionalmente falando?

É sempre bom andar pra frente, nós mudamos de uma cena muito pequena como a de Caracas para uma cidade enorme com infinitas possibilidades como Nova York na busca por chances maiores, foi um processo excitante… em Caracas nós éramos bem conhecidos no underground, então mudar para NY representou um novo começo, nós tivemos que provar o que nós tínhamos conseguido do zero, mas desta vez nós estávamos encarando um público totalmente diferente, em um cenário de nossas vidas totalmente diferente. E nós estamos conseguindo fazer isso bem! E está sendo uma jornada cheia de experiências felizes e insanas para serem lembradas.

Todosantos de ‘Acid Girlzzz’

Vocês não se preocupam com a possibilidade de afetar a sanidade mental das pessoas que acessam seu site?

É isso que a gente quer! Se você se sentiu afetado, nós conseguimos o que queríamos!

Vocês já conheceram alguma banda brasileira que participa da mesma cena musical que o Todosantos? Há alguma chance de tocarem junto com eles aqui no Brasil?

Nós gostamos bastante do Bo$$ in Drama, e a namorada do Alberto é brasileira, então alguma hora em breve nós podemos aparecer por aí! Isso seria ótimo!

MySpace | Site Oficial

Autor: Marçal Righi

27 jul 2008

Entrevista: Móveis Coloniais de Acaju

Por  @11:05

Com dez anos de carreira e milhares de cópias vendidas no seu primeiro disco, Móveis Coloniais de Acaju já é destaque em Brasília e dispensa apresentações. Além de proporcionar boa música e ser reconhecida no cenário alternativo brasileiro, a banda também se apresenta ao lado de grandes nomes internacionais, consolidando-se como um dos principais nomes brasileiros da atualidade.

Depois de tantos anos na estrada, eles se preparam agora para o gravação do segundo disco, com produção a cargo de Carlos Eduardo Miranda. Antes disso, apresentam-se no festival belgo Pukkelpop, ao lado de Sigur Rós e The Killers.

Para saber mais sobre essa feijoada búlgara, disco novo, porão do rock e espectativas para o Pukkelpop, confira abaixo a entrevista realizada com Paulo e Esdras, saxofonistas do grupo.

Como vocês reuniram essa “feijoada búlgara” humana que é o Móveis? E nesse tempo todo, nunca rolou briga?

Esdras: A Feijoada veio da mistura, aconteceu naturalmente de nos encontrarmos e pintar a afinidade musical, se não fosse pela música acho que nunca nos trombaríamos, somos muito diferentes. Briga rola, mas o amor é maior.

Paulo: Não muitas [brigas], geralmente rola morte mesmo, inclusive tem alguns corpos escondidos por ai!

Na lista de influências da banda constam nomes como Elvis Costello, Franz Ferdinand e Jorge Ben. Além desses, o que os integrantes gostam de ouvir?

Esdras: Eu gosto muito de música brasileira instrumental, choro, Hamilton de Holanda, tem os Chicos, coisas de sopro, e as bandas que a gente conhece na estrada, Pata de Elefante, Los Hermanos, Ronei Jorge, Proto, cada um chega com um disco diferente por ensaio, é quase isso.. Descontrolados..

Paulo: Eu adoro Nelson Gonçalves.

Qual é a sensação de ver uma grande platéia cantando suas músicas?

Esdras: É a melhor possível, mais que lindo.

Paulo: É o sonho de qualquer artista, exceto BBB’s.

O sucesso em Brasília é inquestionável. Qual a principal diferença entre o público brasiliense e do restante do país, se é que existe?

Esdras: Aqui estamos literalmente em casa, nossa família vai aos nossos shows por aqui, isso é uma grande motivação, começamos por aqui, crescemos aqui né? MAs em todos os lugares os shows tem sido bem maneiros..

Paulo: Cada um tem sua característica, mas em geral o carinho é o mesmo.

Em agosto vocês tocam no festival belga Pukkelpop, junto com The Killers, Bloc Party, Sigur rós e muitos outros. Como rolou o convite para o Móveis e quais são as expectativas da banda para esse show?

Paulo: Cara, foi atrás de uma apresentação da Abrafin [Associação Brasileiras de Festivais Independentes].

Esdras: O produtor do Pukkel nos chamou depois de assistir nosso show em Goiânia. Simples né? é até engraçado, como as coisas acontecem.

No mesmo mês, a banda promoverá 3 dias de Móveis Convida, com 10 diferentes bandas. Como é o processo de escolha das bandas que irão participar do evento? Exitem planos de extender o Móveis Convida para outros estados brasileiros?

Esdras: Pode ser né? Por enquanto estamos pensando em crescer o festival em Brasília. O Convida é nossa menina dos olhos, as bandas a gente que escolhe, por afinidade sonora, geralmente temos uma grande Jam Session nos finais, é uma maravilha..

Paulo: Sempre nosso plano é conquistar o mundo, inclusive outras galaxias também.

Ano passado vocês lançaram um EP ao lado de Gabriel Thomaz (guitarrista do Autoramas), chamado ‘Vai Thomaz do Acaju’. Agora no mês que vem vocês se apresentam no Porão do Rock ao lado do músico. Quais são as diferenças do ‘Vai Thomaz do Acaju’ para o Móveis, além da presença de mais um músico?

Esdras: É uma homenagem à música de Brasília que a gente gosta de escutar, sempre perguntam por Capital, Legião, Plebe, a gente respeita e até curte, mas não era fà como de Little Quail, Maskavo roots, Raimundos., Além do Gabriel, nesse show teremos o Pinduca(guita), Txotxa(batera), MArcelo Vourakis(voz), da primeira formação do Maskavo Roots, aquele disco é demais! e Rafinha( guita do Bois de Gerião). Vai ser uma farra boa..

Paulo: Acho que tentamos fazer uma coisa mais sedimentada e com características mais próximas das outras bandas tocadas no vinil [O Vai Tomaz No Acaju foi lançado apenas em vinil] com pitadas movelísticas.

A roda de Copacabana é um dos pontos fortes do show. De onde surgiu a idéia de realizá-la?

Paulo: O Esdras explica.

Esdras: A gente tava tocando em Goiânia, num show muito vazio, tínhamos terminado de comprar nossos mic com transmissores e resolvemos descer ali naquela hora. Colou, hoje é um dos pontos altos do show..

Belo Horizonte – 11 de Abril

O contato da banda com o público é muito intenso. Além do laboratório de testes que são os shows, alguns integrantes chegam até a interagir com os fãs por meio do orkut. Como isso interfere no processo de criação?

Esdras: A gente participa com o público do show, tem que ser natural. É tudo uma troca de boas vibes né?

Paulo: É sempre bom saber a opinião de quem gosta e até de quem não gosta… você já viu o “eu odeio móveis” no orkut? Muito bom… (risos)

O produtor do segundo disco de vocês, Carlos Eduardo Miranda, é conhecido como um dos melhores do país. Como está sendo trabalhar com ele e a quantas anda o disco novo? Já estão pensando em um nome ou mês de lançamento?

Esdras: Deve sair no final do ano, com ele a vibe é boa e natural. Ele é bom mesmo, tem ajudado bastante a gente nesse processo. Ainda não temos um nome para o disco, alguma sugestão? (risos)

Paulo: Bom papo, boas músicas e bons pratos: só podemos esperar coisas boas.

Autor: Gabriel Zorzo

21 jul 2008

Entrevista: The Octopus Project

Por  @1:26

Experimental. A palavra que melhor define o The Octopus Project. A banda, que vem de Austin, no Texas, nasceu em 1999 e faz música quase totalmente instrumental, sem medo de experimentar novos sons, sejam eles comuns ou não.

A mistura musical está presente em toda a parte sonora da banda. Não há apenas a mistura de sons. Diversos estilos se cruzam, se juntam e se completam, fazendo dos discos uma viagem pela criatividade e ousadia destes quatro jovens norte-americanos. Um grande exemplo disso é o álbum mais recente, ‘Hello, Avalanche!’, lançado em 2007, que tem de tudo um pouco: tecladinhos 8-bit, post-rock, guitarras distorcidas, bateria pesada contracenando com batidas eletrônicas, pianos que se completam com sintetizadores, experimentando, sempre experimentando.

E eles acertam. Mas nem por isso deixam de experimentar e sempre aparecer com coisas novas. Esse ano lançaram o single ‘Wet Gold/Moon Boil’, e surpreendendo mais uma vez, ele contém duas faixas cantadas, por inteiro. Para uma banda que conseguiu seu nome e visibilidade (já tocaram no Coachella e este ano estão escalados para o Lollapalooza) só com instrumentais, isto é mais uma ousadia.

Mas não vou me extender muito mais, deixo que o entrevistado da semana, Toto Miranda, guitarrista/baixista/baterista (todos se revezam nas gravações e shows) do “projeto polvo” dê os maiores detalhes sobre sua banda. Confira a entrevista logo abaixo.

The Octopus Project é um nome bem diferente. De onde vocês tiraram tal nome?

O nome na verdade apareceu antes mesmo da banda começar e nasceu de um jogo de associação de palavras que Josh estava jogando com um amigo nosso enquanto tentava criar um nome para uma outra banda. Então um deles disse “Octopus” e, o outro, “Project”. Não funcionou como um nome para a banda em questão, mas quando começamos nossa banda o nome pareceu se encaixar. Não tem nenhum significado, mas é fácil de gravar e todas essas consoantes juntas parecem legais.

O som de vocês é bem experimental, com misturas de elementos eletrônicos, violões, bateria pesada e vários instrumentos pouco convencionais. Como é o processo de criação de tudo isso?

Gostamos de expandir a nós mesmos com todos os tipos de instrumentos e coisas que façam barulho, e nossas composições geralmente começam de uma idéia simples ou de um som que bate em nossos ouvidos. Se a idéia for boa, o resto da canção meio que se compõe sozinho com sons e camadas que complementam a idéia original. Não é fácil criar canções dessa forma com muita frequência, mas geralmente todos nós concordamos quando elas parecem boas. É bom ter uma grande variedade de instrumentos para que possamos achar os elementos exatos para construirmos nossas músicas. Acho que nosso processo de criação resume-se a testar a maior variedade de idéias que pudermos para que possamos ver qual funciona melhor.

Além de toda a crítica musical, vocês também admitem que seu álbum mais recente, Hello, Avalanche (2007), é o melhor de todos os quatro que já lançaram. A maturidade da banda foi a principal razão dessa melhora de qualidade?
Acho que a principal razão foi que estamos melhorando em fazer as coisas soarem exatamente do jeito que nós queriamos que soassem. Não sei se nossas idéias estão melhores, mas a execução delas ficou bem mais forte, o que faz com que todo o processo seja muito mais divertido!

O clipe de Truck foi gravado em uma exibição de aviões militares. Como surgiu a idéia de botar cabeças meiguinhas no corpo das pessoas que assistiam os aviões soltarem suas bombas?

A idéia saiu dos nossos amigos David e Nathan Zellner, que dirigiram o vídeo. Eles gravaram o material em um show aéreo e depois pediram para que desenhássemos umas cabeças estranhas, que são as usadas no vídeo. Acho que terminamos com uma excelente combinação de beleza com agitação… esses caras fazem bons trabalhos!

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=SDeTv12mulo]

Vídeo da música ‘Truck’

Como é a sensação de tocar em festivais grandes, como o Coachella? E qual é a expectativa para o show no Lollapalooza?

Tocar em grandes festivais é ótimo! A oportunidade de tocar para uma platéia nova em folha é uma das melhores partes de fazer turnês, e esses festivais geralmente apresentam a chance de tocar para um público novo. O Coachella foi ótimo nesse sentido – o público estava ótimo, a equipe estava ótima e a sensação de fazer parte de toda essa grande produção é ótima. O Lollapalooza está chegando rápido – é daqui a duas semanas! – e todos estamos extremamente animados para ele… é dificil saber o que esperar, mas acho que nós estamos apenas ansiosos para fazer um show divertido. Um show GRANDE e divertido!

Vocês acabaram de voltar do primeiro tour pela Europa. Como foi tocar por lá, em países que o público está bem acostumado com grandes shows e festivais?

[Tocar na] Europa foi uma experiência fantastica… fizemos muitos shows pequenos, muitos médios e alguns shows bem grandinhos. A reação das pessoas de todos os lugares que fomos foi ótima. Particularmente, meus favoritos foram o show em um pequeno festival em Padova (Itália) e o gigante que fizemos no All Tomorrow’s Parties, em Minehead (Inglaterra)… ambos foram shows bem empolgantes, e nos sentimos realmente honrados em tocar neles! Enfim, todas as cidades européias em que tocamos foram ótimas, fizemos muitos amigos e mal podemos esperar para tocar lá.

Por falar em shows e festivais, o Brasil está começando a ficar cada vez mais visível entre as bandas em turnê. O Octopus Project também está com os olhos abertos para o Brasil? Alguma chance de os vermos ao vivo?

Ficaríamos absolutamente contentes em tocar no Brasil! Nenhum de nós já foi à América do Sul, mas nós definitivamente daríamos um pulo por aí para tocar para vocês, se tivéssemos a chance. Se vocês ou algum de seus leitores têm alguma idéia de como poderíamos fazer isso acontecer, por favor, nos escreva um e-mail. Esses shows no exterior que planejamos até agora (na Europa e em Taiwan) foram incriveis, além de terem expandido muito nossas mentes, e nós também queremos ir à novos paises com a maior frequência possível, especialmente para algum lugar tão empolgante quanto o Brasil!

Ryan Figg, Toto Miranda, Yvonne Lambert e Josh Lambert

No final do ano passado, em seu site oficial, vocês prometeram novidades para 2008, e cumpriram, com o lançamento do single ‘Wet Gold/Moon Boil’. Alguma promessa de disco novo?

Estamos concentrando muita energia na composição de novas canções – seria ótimo completar um disco novo no final do ano, e queremos nos concentrar nisso assim que nossa turnê de outono terminar. Então talvez podemos ter algo novo no início de 2009? Pra falar a verdade, ainda nem temos novas músicas finalizadas, mas esse parece um bom objetivo para ser trabalhado. Estamos bem animados para compor novos sons – acho que coisas esquisitas, cativantes e dançantes serão nossos objetivos…

A maioria de suas músicas são instrumentais e, nesse novo single, duas faixas contém vocais. Seria esse o início de um novo Octopus Project, com mais partes vocais e menos instrumentais?

Eu gosto de pensar que estamos sempre trazendo novos elementos [para o Octopus Project], mas acho que acrescentar vocais parece uma mudança bem grande… certamente estamos abertos para usar mais vozes no futuro, mas acho que isso não significa tirar o foco dos instrumentos. Só depende da música – as vezes uma canção precisa de toques vocais para parecer completa, e as vezes os instrumentos dizem tudo por si só.

MySpace | Site Oficial | Comunidade

Autor: Marçal Righi

13 jul 2008

Entrevista: We Are The Physics

Por  @13:49

Antes de tudo, caso você ainda não conheça o We Are the Physics, clique aqui e escute as músicas no MySpace do quarteto. Demorou pra carregar? Então economize alguns minutos e assista ao clipe de You Can do Athletics, BTW que é, de longe, o meu preferido. Pin-ups, Glasgow, vilãs gigantes, inspiração em filmes cults e, é claro, físicos: Voltamos a nos ver assim que você conferir todos esses elementos no clipe abaixo.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=ClKYc3rQzms]

Eles são da Escócia e três dos quatro membros receberam o nome de Michael no berço – o que, por diversas vezes, faz com que o guitarrista Chris caia um pouco no esquecimento. As influências são incrivelmente variadas e vão do rock cinquentista de Elvis Presley ao post-punk revival do Futureheads – e dando uma passada por Devo, um alô pro Hives e pegando alguns toques de Art Brut, se formou um math rock não tão experimental que acaba se confundindo com um new wave com mais ruídos do que de costume.

O grupo se juntou há apenas três anos, em 2005, e mesmo recebendo pouquíssima atenção da imprensa britânica mantém a mesma formação – formação essa que já levou Michael’s e Chris ao palco com bandas de destaque como 30 Seconds To Mars e Art Brut (que passou de uma simples influência para colega de backstage).

De todas essas vitórias, duas definitivamente não podem me escapar: A primeira foi em 2007, em sua terra natal, quando foram convidados a tocar no gigante T In The Park – e lá, na tenda da NME, deram início à tarde que receberia, mais tarde, Kasabian, Gossip, Interpol e Maxïmo Park. A segunda experiência é bem mais recente, e acontece exatamente hoje (13): Voltando ao T In The Park, nesse ano o grupo toca com Black Kids e Ida Maria no Futures Stage – e o show promete.

Conversando comigo, os físicos mais legais que conheço falaram sobre T In The Park, novo disco, show no Brasil e muito mais – tudo no mais velho estilo Zé graça, com piadas e ironias que não chegam nem perto de ser tão irreverentes quando a própria banda.

Vamos começar com uma pergunta que deve ser muito comum a vocês: Quando escolheram o nome da banda houve alguma intenção de fazer algum tipo de paródia com a banda californiana We Are Scientists?

O QUE? Existe uma banda chamada We Are Scientists? Na verdade, você é a primeira pessoa a apontar a similaridade, para ser honesto, nós não notamos isso antes! Enquanto eles buscam o termo geral da ciência, estamos definindo detalhadamente a física, particularmente como a nossa área de conhecimento musical. O fato é que éramos chamados de We Are The Physics Club And Therefore Everything We Say Is Fact, mas reduzimos [o nome] para caber em todas as etiquetas… pegue essa, California!

Antes mesmo de lançar seu debut, a banda já havia tocado com alguns grandes grupos e em grandes festivais britânicos. Vocês acreditam que, em algum momento, a sorte falou mais alto do que o talento?

Eu não sei se foi sorte, acho que o caso é que somos uns bastardos muito persistentes. Definitivamente, não é talento. Basicamente, nós orquestramos uns gritos por meia hora.

Em outra entrevista, que foi feita antes do lançamento do We Are The Physics Are OK At Music, vocês disseram que “um dia fariam uma gravadora crer que vocês são uma banda de verdade e suas mães finalmente poderiam comprar seus discos na HMV” [uma grande rede de loja de discos no Reino Unido]. Vocês acham que esse dia finalmente chegou?

Chegou! Já podemos morrer confortavelmente porque nossas mães estão realmente disponíveis para comprar nosso álbum na HMV, o que é uma sensação meio estranha.

No ano passado vocês tocaram no T In The Park, e em 2008 vocês estão novamente no line-up do festival. É possível descrever a experiência de tocar num festival de tamanha importância?

É foda de matar! T in The Park é um daqueles festivais lendários, principalmente para os fãs de música escoceses. Nós crescemos indo ver diversas bandas nesse festival, e você nunca pensa que tocará lá em toda a sua vida. Então você toca lá e passa a ter algo legal para impressionar seus futuros colegas de escritório, quando se separar da sua banda e tiver que arrumar empregos de verdade. Tocar em festivais é sempre estranho. No ano passado fomos a primeira banda do NME Stage no domingo, então basicamente estávamos fazendo barulho nos ouvidos de um público com muita ressaca [já que domingo é o segundo dia de evento]. Não melhoramos muito desde então.

As opiniões dos jornalistas sobre seu debut são muito diferentes: Alguns dizem que ele é “o mais vagamente estranho possível” enquanto outros preferem dizer que ouvir ao seu CD é “meia hora de uma satisfação imensa”. Você poderia descrever Are OK At Music com suas próprias palavras?

Um [álbum] vagamente estranho de meia hora de satisfação! Tudo depende do que você procura em um álbum. Para nós, nosso álbum é o tipo de coisa que QUEREMOS ouvir, e se ele agradasse a todos não pareceria nosso porque, obviamente, nem todo mundo vai gostar de nós. Infelizmente nós não temos a qualidade inquestionável do Coldplay. Em nossas palavras – “é como ter o rosto atingido por um galho fora de controle”.

E como vocês lidam com resenhas tão negativas como aquela feita pela The Music Magazine?

É como se fosse um soco no queixo! Resenhas negativas são coisas que nós sempre tivemos e sempre teremos, seria bem assustador se não tivéssemos nenhuma depois de tanto tempo. Nós não podemos argumentar contra a maioria das opiniões negativas porque elas são exatas – a diferença é que as coisas que elas dizem ser negativas parecem ser positivas para nós. Repito, tudo depende do que você procura em um álbum.

Quando começamos, botamos o link para uma resenha positiva e outra negativa em nosso MySpace, para que todos pudessem ler as duas. As pessoas podem formar sua própria opinião, se gostam ou não. Se os pontos negativas são legítimos, então o gosto do leitor deve determinar se ele quer escutar nossa música. Eu ficaria desapontado se não houvessem opiniões negativas! Entretanto, eu provavelmente teria mais dinheiro.

Uma curiosidade pessoal: De onde vocês tiraram a surpreendente idéia de usar uma vilã gigante de pin-up no clipe de You Can do Athetlics, BTW?

Essa foi uma idéia que tivemos com o diretor Colin Kennedy, como um tipo de homenagem a filmes como 15 Metros de Mulher [Attack Of The 50ft Woman, em inglês] e ao diretor Russ Meyer. Nós queríamos que ela pisasse em pontos notáveis de Glasgow, mas infelizmente não podemos usar as padarias do Greggs [a maior rede de lojas especializadas em padaria do Reino Unido]. A mulher gigante foi uma mulher de verdade – mas ela não era gigante. Esses são só os efeitos especiais.

Agora, a última pergunta e a mais esperada pelos fãs brasileiros: Existe alguma proposta de vir ao Brasil sendo estudada no momento ou algo assim?

Nós desejamos que sim. Assim que alguém nos convidar para tocar no Brasil, nós estaremos ai em uma batida de coração. Infelizmente, nosso disco foi lançado apenas no Reino Unido por enquanto, então teriamos que tentar convencer as pessoas de outros paises de que somos uma banda de verdade e – com sorte – ELES lançaram nosso álbum! Esse é o primeiro passo…

Acesse: MySpace | Site Oficial | Comunidade

Autor: Alex Correa

6 jul 2008

Entrevista: Bidê ou Balde

Por  @13:58

O entrevistado da semana é Carlinhos Carneiro, um gaúcho que ficou conhecido no país inteiro por ser vocalista de uma das maiores bandas de rock alternativo do Brasil: a Bidê ou Balde.

Formado no final da década passada, o grupo porto alegrense é, sem dúvida, uma das bandas de maior sucesso no cenário alternativo nacional – em 2001, o rock escrito para ‘Melissa‘ (de seu primeiro álbum de estúdio, lançado um ano antes) lhes rendeu o título de Revelação do Ano no prêmio VMB, da MTV.

‘Se sexo é o que importa, só o rock é sobre amor!” também contou com a canção ‘E Por Que Não?‘, que cinco anos mais tarde, quando foi regravada no Acústico MTV Bandas Gaúchas, causou à Carlinhos e seu grupo alguns problemas judiciais – que foram logo esquecidos entre turnês de sucesso e composições de novas músicas, que devem ser lançadas ainda nesse ano – em um CD que, como Carlinhos contou nessa entrevista, adquiriu um certo charme devido a demora para o mesmo ser lançado.

Em seu longo tempo de estrada (agora em 2008 o grupo comemora os 10 primeiros anos de carreira), outros dois discos foram lançados: ‘Outubro Ou Nada’, em 2002, e ‘É Preciso Dar Vazão Aos Sentimentos’, em 2004, sendo o último trabalho de estúdio gravado pelos gaúchos. Esse segundo contou com a participação de Marcelo Nova (que, além de pai da apresentadora Penélope, é o vocalista do baiano Camisa de Vênus) em um cover de ‘Hoje’, que inclusive ganhou uma animação ao estilo mangá como videoclipe.

No final do mês passado, o BoB foi escalado para homenagear Cazuza no programa ‘Som Brasil’, da rede Globo, ao lado de Toni Platão, Ana Cañas e Ney Matogrosso – e esse é um dos assuntos da entrevista, que você confere logo abaixo.

Vocês costumam inventar histórias sem nexo quando perguntam o sentido do nome da banda. Conseguem lembrar da pior que já inventaram?

Não, após um acidente de moto eu tive que ser submetido a uma delicada cirurgia no cérebro que teve como efeito colateral uma substancial perda de memória, que está sendo revertida aos poucos com muita fisioterapia. Mas, infelizmente, ainda não cheguei na parte de lembrar das respostas de entrevistas antigas.

Nesse ano o Bidê ou Balde completa sua primeira década de carreira. Quais são os planos do grupo para esse ano de comemoração?

Shows especialíssimos, disco novo, dvd, ilha de caras, tudo aquilo… Como diria Carla Perez: Não é todo ano que se faz dez anos!

Em todo esse tempo, o Bidê lançou três CDs. Existe algum que foi produzido com mais dedicação?

Não, os três discos foram com muita dedicação e tempo. Dedicação diferente em cada disco, é verdade, porque cada disco tem sua pilha, momento e coisetal, mas nenhum tem ‘mais’ dedicação. Não que eu me lembre.

Recentemente, a banda se apresentou no ‘Som Brasil: Cazuza’, da Rede Globo. Como vocês reagiram ao convite, e como foram os ensaios e a gravação do programa?

Pô, pulamos de alegria! É um programa muito massa e uma oportunidade muito boa! Resolvemos usar um formato diferente no programa, sem baixo, com o Leo Boff (que tocou com a gente no Acústico e fez os arranjos de orquestra do “Outubro ou nada!”) fazendo os baixos no teclado e com o Rodrigo Siervo (que tocou no “Outubro ou nada!” também) tocando um sax barítono. Então os ensaios foram muito legais e deu pra brincarmos bastante nas versões. Ficamos muito satisfeitos com o resultado final! E a Vivi ficou ainda mais bonita de rosa na Globo.

Nos dois primeiros discos do Bidê algumas músicas ganharam nomes de pessoas: Melissa, Lucinda e Gerson, por exemplo. Essas personagens foram inspiradas em alguém?

Sim, mas não são exatamente como aparecem. ‘Lucinda’, por exemplo, é inspirada num cara, um amigo meu (inclusive faleceu recentemente), que era garoto de programa. Na letra, ele é o “eu” e a Lucinda é o nome que imaginei que ele criava para os seus clientes… E “Gerson” é o nome do garçom dum bar que eu vou sempre e usei para dar ao filho imaginário cantado na música, o que dá ao lance uma coisa engraçada (principalmente se tu conhece o Gerson mesmo e depois imagina que a letra fala “olho pro gerson e vejo você”)

Depois de quatro anos sem um novo disco, existem planos para o sucessor de “É Preciso dar Vazão Aos Sentimentos”? Há algo sendo produzido, ensaiado…? Existe alguma razão para este longo período sem novos lançamentos?

A gente já compôs uma cassetada de música, uns três discos praticamente. Estamos escolhendo o repertório e fechando os arranjos para entrar em estúdio e gravar.
Demoramos por diversas razões… Rolou o Acústico MTV Bandas Gaúchas nesse meio tempo, o relançamento do “Vazão” na revista Outracoisa, a saída do André, turnê com montes de shows em lugares que nunca tínhamos tocado… Mas acho que também demoramos porque tem o seu charme demorar pra lançar disco novo. Vai dizer?!

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Autor: Alex Correa

29 jun 2008

Entrevista: Subburbia

Por  @16:15

Após a saga de entrevistas do Motomix (vem resenha por aí minha gente), voltamos com as entrevistas de bandas independentes nacionais. A banda entrevistada desta semana foi a Subburbia, paranaenses de Curitiba, que fazem um ótimo som mais puxado para o new wave oitentista com pitadas de rock e disco. A banda surgiu no fim do ano passado e é formada por 5 integrantes: E1000 nos vocais, Ale na guitarra/vocais, Daniel no sintetizador, Mel na bateria e Lis no baixo/backin’ vocals. Além de incorporarem a vida noturna do Curitiba, o Subburbia organiza uma festa bimestral que reúne outros nomes independentes da região e fora dela.

Rolou um papo por MSN com o E1000 e a Ale. Eles contaram como se conheceram, suas opiniões sobre alguns assuntos e planos para o futuro. Veja o resultado a seguir:

Move That Jukebox!: A pergunta básica como pontapé inicial: Como começou a banda e aonde vocês se conheceram? Foi sempre esta formação?
E1000: Na real quem começou fui eu, a Ale, a Mel e o Luiz, que hoje não está mais. A formação mudou algumas vezes…no começo não tinha baixo e tal. No fundo eram sempre as mesmas pessoas, só mudavam as posições. (por exemplo, a Mel era inicialmente a baterista, depois foi pro baixo, teclado e voltou para a bateria). O Luiz era meu amigo de infância. A Ale é minha companheira a algum tempo (o E1000 e a Ale moram juntos). O Daniel é irmão do Luiz. Só a Mel e a Lis que são ‘novatas’ nas nossas vidas.
Ale: Eu conheci a Mel em 2006 em um cházinho de amigas da faculdade. Ela era a intrusa por sinal…
E1000: A gente já tocou em outros projetos daqui…só que só nesse mesmo que nós acreditamos.


MTJ!: Vocês consideram um privilégio participar de uma cena musical tão rica como a de Curitiba?
E1000: Você acha isso?

MTJ!: Claro, a maioria das bandas nacionais que eu gosto são daí. Que muita gente gosta, aliás.
E1000: (risos) Então talvez seja mesmo….santo de casa!

MTJ!: Vocês mantêm relações com outras bandas daí?
E1000: Gosto do Charme Chulo, Chucrobilly, da Pleiade. Tem uma banda do ex-ESS, o Our Gang, que é boa também.

MTJ!: Você conhece o Copacabana Club? Eles são os queridinhos de outro membro do blog.
E1000: Essa também é de ex-ESS, do Luciano. Vi só no MySpace, nunca vi um show. A banda é meio nova, então ainda não pude pegar por aqui.

MTJ!: Eu lembro que você me disse um dia que o Subburbia organiza uma festa mensal. Conte um pouco sobre ela.
E1000: Pois é, o Music Non-Stop. Agora ela é bimestral, porque a agenda apertou um pouco. Nós achamos mais fácil fazer uma festa com bandas que só tocam música própria e organizar da maneira que a gente queria (preço, banda, local, etc)
Ale: É complicado juntar bandas cover e de som próprio numa mesma noite. O público é diferente. Além disso, achamos bacana poder divulgar o som das bandas que curtimos.

Cartaz do Music Non-Stop

MTJ!: Nossa, precisava de uma iniciativa dessas na minha cidade. (risos)
E1000: Ué, podemos estender a festa até aí. (risos)

MTJ!: Pode citar algumas bandas que já tocaram nela?
E1000: Chucrobilly, Fotograma (SP), Texas Tornado.… e uma banda que me amarro daqui: Lades. Essas são as mais recentes.

MTJ!: Vocês pretendem tocar em São Paulo em agosto. É a primeira experiência da banda fora de seu estado de origem?
E1000: Não, a gente acabou de tocar em Campinas este fim de semana.

MTJ!: Como foi?
E1000: É sempre muito bom tocar fora de casa. Ver como é a reação das pessoas…conheci muita gente de lá e de Sorocaba também.
Ale: O show foi bem legal, o som tava perfeito e as pessoas são muito simpáticas.
E1000: Tocamos com o The Name lá.

MTJ!: Ah! E agora vocês pretendem partir pra mais show no eixo Rio-São Paulo?
E1000: Acho que sim, é o natural né. Vai ser massa manter a festa aqui e mostrar o trabalho em outros lugares. Uma porque eu acho que o show fecha o ciclo da banda…várias bandas que vi ao vivo me fizeram gostar ainda mais delas.
Ale: E não só no eixo Rio-São Paulo. (risos)

MTJ!: Como é a estrutura dos bares e casas de show aí de Curitiba? Rola alguma dificuldade em relação a isso?
E1000: Sabe que não acho. Existem várias casas que dão oportunidade aqui….disso não podemos reclamar. Já recebemos convite até para tocar em uma academia (risos). Mas acabamos não fazendo.

MTJ!: A influência principal da banda é o new wave dos anos oitenta, certo?
E1000: Sabe que nem tanto? Sempre fui um grande fã do Prince, desde os anos 90. Naquela época pegava meio mal gostar do cara, mas nem ligava não. Hoje é até bacana gostar dele. Mas enfim, acho que tem um lado 80′s tipo Pet Shop Boys, The Cure, Laurie Anderson. Eu também ouço bastante Kanye West, Fleetwood Mac.
Ale: Cada integrante tem as suas influências, nunca chegamos a sentar e planejar “vamos fazer uma banda de new wave”. Acho que é essa mistura que agrada diversas “tribos”.

MTJ!: Atualmente, surgiu aquele termo “new rave” para rotular bandas inspiradas nesse gênero musical. O que vocês acham disso? Vocês têm medo do Subburbia cair em algum rótulo destes?
E1000: Não sei se é saudável você rotular o próprio som, até porque quando o Klaxons criou o termo, estava de brincadeira.

MTJ!: Pois é, mas a mídia se apossou do termo e passou a usá-lo de um modo distorcido.
E1000: É isso aí…Eles mesmos renegam o termo, assim como aconteceu com o Grunge. Acho normal as pessoas rotularem bandas, mas a própria banda se rotular não.

MTJ!: E aquele lance de se enrolar no cabo do microfone? (sobre um vídeo em que o Subburbia é entrevistado e mostra E1000 se enrolando no cabo do microfone)
E1000: (risos) É o seguinte. A entrevistas era sobre bandas performáticas. E eu falei “Olha, se se enrolar no cabo do microfone é performático, então talvez nós sejamos”. Mas começou porque eu não tinha muito o que fazer quando rolava uma parte instrumenta da música. Como eu não sou o Justin [Timberlake], comecei a me enrolar.

MTJ!: Indiquem um livro, um disco e um filme.
E1000 e Ale: Disco: Laurie Anderson – Big Science. Em vez de um filme posso indicar uma série? Arrested Development. E um livro: Fante – 1933 foi um ano ruim (E1000) e Memórias do subsolo do Dostoiévsky.

MTJ!: Pra fechar, planos para o futuro?
Ale: Desbravar o Brasil!
E1000: Gostamos de tocar ao vivo, acho que somos uma banda de show.

MTJ!: Algo que querem acrescentar?
E1000: Foi muito massa ter tocado com o The Name, eles são a melhor banda de São Paulo que já vi. E quanto ao Copacabana Club, essa entrevista me deu a idéia de tocar com os caras logo.

Acesse: MySpace

Autor: Cédric Fanti

22 jun 2008

Entrevista: Metric

Por  @17:43

Feist, Broken Social Scene e Arcade Fire: Esses são, sem dúvida, uns dos nomes mais poderosos da cena indie canadense atual. Sem muita dificuldade, entre todo esse talento e fama, se pode encontrar a voz memoravelmente única de Emily Haines que, tanto nos palcos quanto nos estúdios, é acompanhada por seus igualmente talentosos colegas de trabalho. Você já deve ter sacado. Obviamente, falo de Metric – não da unidade de medida, mas de um conhecidíssimo grupo formado no finalzinho da década de 90 em Nova York, que logo emigrou para Toronto, onde conquistou ainda mais sucesso.

Além de gerar três excelentes discos – ‘Old World Underground’ (2003), ‘Live It Out’ (2005) e ‘Grow Up and Blow Away’ (2007) -, todo o trabalho do Metric já lhes rendeu indicações em premiações de grande peso, como o Juno Award e o Polaris Music Prize. A parte curiosa é que o maior prêmio que os canadenses já ganharam foi quando saíram do meio musical por alguns dias para atacar como astros do cinema em 2004, no filme ‘Clean’, que ganhou um título do festival de Cannes.

Emily, que muitos acreditam ser uma primeira versão da Karen O (Yeah Yeah Yeahs), além de chamar muita atenção por sua beleza, irreverência e por ter rock’n'roll correndo em seu sangue, também é bem conhecida pela falta de simpatia com a imprensa. Certa vez, quando um entrevistador pediu para que ela descrevesse sua banda, a resposta obtida foi bem pouco amigável, algo como “Esse não é o seu trabalho?” – e para não quebrar a rotina, as respostas dadas ao Move That Jukebox com seu parceiro James Shaw foram, aparentemente, as mais curtas possíveis. Abaixo você confere a entrevista com o grupo, que toca no Brasil no dia 28 de junho, no Motomix Festival, em São Paulo.

Muitas contradições aparecem quando falamos sobre o ano que debut não-oficial do Metric, ‘Grow Up and Blow Away’ (que foi relançado em 2007), foi lançado pela primeira vez. Na verdade, quando ele ganhou sua primeira versão?

Ele foi gravado em 1999 e 2000 mas nunca foi lançado. A gente demorou muitos anos pra comprar os direitos [do disco] para que pudéssemos finalmente dar a ele um lançamento de verdade. Isso aconteceu em 2007.

Podemos notar algumas pequenas modificações comparando as duas edições desse álbum: A ordem de seu tracklist mudou e duas canções, ‘Torture Me’ and ‘Fanfare’, não foram relançadas. Porque essas mudanças foram feitas?

Nós sentimos que elas eram necessárias.

Uma mulher nos vocais sempre chama a atenção de muitas pessoas, especialmente da imprensa, e isso, as vezes, pode deixar o resto da banda um pouco apagada. Você pode comentar sobre isso?

As pessoas acham necessário comentar no que é óbvio. Não acho que o resto da banda sinta-se apagada de forma alguma.

Em breve vocês estarão tocando aqui no Brasil, no Motomix, que também conta com The Go! Team e Fujiya & Miyagi. O Metric já teve oportunidade de encontrar essas bandas no palco?

Não, nunca antes, mas eu estou bem animada para encontrá-los!

O que vocês esperam do público brasileiro e o que esse público pode esperar de vocês?

Nós apareceremos e faremos o melhor show do Metric que pudermos e tentaremos fazer com que a multidão tenha um ótimo momento. Por alguma razão eu espero que o Brasil nos proporcione um ótimo momento também!

Esse festival tem entrada franca. Vocês tem experiência com shows gratuitos para o público?

Sim. Grátis é ótimo.

Falando ao jornal Estado de São Paulo, James Shaw classificou o próximo álbum do Metric como futurista, gigante, caro e emocional. O que você pode nos falar sobre esse novo disco? É possível tentar adivinhar uma data de lançamento?

A palavra era expansivo, e não caro [em inglês, uma letra varia entre essas duas palavras: expansive e expensive - o Estado de São Paulo traduziu, erroneamente, expansive como 'caro']. [O disco] é Metric sem medo de ser Metric. Não tenho certeza da data de lançamento, por enquanto.

Então, finalizando, você pode deixar alguma mensagem para seus fãs brasileiros?

Estamos muito animados para sermos bem recebidos no Brasil e na América do Sul. Ter a oportunidade de tocar onde muitas bandas jamais estiveram é tornar um sonho em realidade. Obrigado por seu convite.

E assim termina a tríplice de entrevistas do Motomix. Confira também as entrevistas com:

Fujiya & Miyagi | The Go! Team

Autor: Alex Correa

15 jun 2008

Entrevista: Fujiya & Miyagi

Por  @17:09

Estes ingleses formam a banda internacional menos conhecida dos brasileiros, das escaladas para o Motomix 2008, mas querem acabar com isso no dia 28 deste mês fazendo um ótimo show, e têm potencial para isso. Todo mundo já sabe que não se trata de uma dupla japonesa, isso já se cansou de falar. Os nomes, diferentes, se tornam ferramentas, na introdução de “Ankle Injuries”, quando são ditos repetidamente, entrando como um novo instrumento musical. Aqui tudo tem sua função.

As influências do krautrock dos anos 70, somadas à música eletrônica do início dos 90′s, com aquele toque de século 21, dão ao quarteto uma característica bem interessante de ser conquistada. Aquela, de não se encaixar em gênero nenhum, e agradar a todos. As músicas não chamam para a pista, mas as batidas e o baixo sempre presente chamam a atenção. O mais provável é que vejamos no Motomix uma multidão que se balança levemente olhando fixamente para o palco, entoando: Fujiya, Miyagi, Fujiya, Miyagi, Fujiya, Miyagi…

O vocalista e guitarrista David Best, também conhecido como Mr. Miyagi, é o entrevistado da vez, nos revelando informações sobre a banda, e as expectativas para o show no Brasil.

MTJ!: De onde veio esse nome tão diferente? Vocês já foram confundidos com alguma dupla japonesa?

David: Fujiya foi tirado de um toca-discos e Miyagi foi tirado de um personagem de mesmo nome do filme Karate Kid. No início as pessoas achavam que éramos japoneses, mas quando nos viram, ficou aparente que não éramos.

MTJ!: Vocês só ficaram famosos após o lançamento do álbum “Transparent Things”. Como vocês reagiram a essa fama tão repentina?

David: Levou 7 anos para as pessoas começarem a se interessar, então isso pareceu ser mais uma novidade do que uma experiência de mudar a vida quando as coisas aconteceram. Não é como se os paparazzi ficassem acampados do lado de fora de nossas casas! Eu acho que isso foi a justificativa que nós precisávamos nos olhos dos outros, por ter gasto tanto tempo em algo que não era rentável. Eu gosto de pensar que, se ninguém tivesse gostado do Transparent Things, a gente não se afetaria por isso, mas o reconhecimento é mais bem-vindo.

MTJ!: Vocês começaram como uma dupla e agora são uma banda com quatro pessoas. Por que vocês decidiram adicionar mais membros ao grupo?

David: Por que nós só tínhamos quatro mãos e precisávamos de oito. Matt entrou antes do lançamento do Transparent Things e nós queríamos adicionar um baterista por um tempo, então perguntamos ao nosso amigo Lee se ele estava interessando, e ele estava.

MTJ!: Como estão os preparativos para o lançamento de seu terceiro álbum, intitulado “Lightbulbs”?

David: Nós terminamos as gravações há duas semanas [a entrevista foi feita em 3 de junho] e agor está sendo masterizado. Espero que este seja um progresso em relação ao Transparent Things, mas eu acho que se as pessoas gostaram dele [Transparent Things], elas irão gostar deste novo. Nós iremos tocar algumas músicas de nosso ultimo disco e também algumas do novo [no Brasil].

MTJ!: O que vocês conhecem da música brasileira? Vocês estão ansiosos para tocar no Brasil?

David: Eu gosto de muitas coisas antigas como Os Mutantes e Caetano Veloso, especialmente de pedaços do seu álbum “Transa”. Eu sei que há muita coisa acontecendo por aí agora com o CSS e outras bandas também. Eu sempre quis visitar o Brasil e eu sei que os outros [membros da banda] também estão ansiosos para isso. Eu fiquei sabendo que o festival é de graça e a céu aberto, então espero que o público possa ter um bom momento sem gastar dinheiro.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=XEsirP3qcvM]

Videoclipe de “Ankle Injuries”

Site Oficial | MySpace

Autor: Marçal Righi

8 jun 2008

Entrevista: The Go! Team

Por  @10:53

[You can also read this article in English]

Imagine uma banda com a seguinte mistura: uma vocalista negra que despeja versos rápidos quase como em uma competição de hip-hop, 2 bateristas, 2 integrantes orientais, samples, mash-ups, mais samples e apresentações ao vivo de tirar o fôlego. Parece um caos musical e multi-étnico? Não, não. Por incrível que pareça, esta mistura dá certíssimo bem, obrigado e se chama The Go! Team. E eles vêm de Brighton, Reino Unido.

Formada em 2000, inicialmente era apenas um projeto musical do documentarista Ian Parton, que por ter uma forte ligação com o cinema, tirou suas influências de lá. Após gravar algumas músicas na cozinha da casa de seus pais (!), Parton resolveu recrutar uma banda de apoio e gravou o debut Thunder, Lightning, Strike, que foi bem recebido pela crítica mundial e chegou até a receber uma indicação no prêmio Mercury de 2005, aquele que o Klaxons e o Arctic Monkeys já ganharam. Logo, a banda estava em turnê, já com a vocalista atual, Ninja, e fazendo muito sucesso por onde passava.

Ano passado, o The Go! Team lançou o segundo disco da carreira, Proof Of Youth, e não decepcionou com um trabalho novo e fresco. A banda está marcada para fazer um show na terrinha ainda este mês, no Motomix e o que é melhor, de graça! Para ter uma pequena noção de como será a apresentação, acesse o canal de vídeos do site oficial, lá você encontra um documentário da banda, com vários trechos de shows e entrevistas.

O fundador e idealizador do grupo, Ian Parton, nos cedeu uma entrevista revelando um pouco da história da banda e das expectativas para o show no Brasil. Confira:

Move That Jukebox!: Antes de mais nada, quais são as expectativas de tocar no Brasil? O que esperam de um público tão desconhecido?

Ian Parton: Vamos apenas fazer o que fazemos sempre e esperar que a as pessoas gostem — acho que somos um pouco obscuros no Brasil ainda. Eu imagino que apareçam alguns modistas no show, mas todo mundo vai estar no escuro. Nós sempre subimos ao palco imaginando como se fosse o último show de nossas vidas, e de algum modo, transmitimos isso para o público.

MTJ!: Uma banda com 2 bateristas é bem incomum e, sem dúvida, um grande chamariz para curiosos. Como funciona o trabalho de composição e harmonia do instrumento?

Parton: Três integrantes da banda sabem tocar bateria, então fez sentido dobrar a quantidade do instrumento — visual e sonoramente, isso é muito bom, mas a razão principal disso é por chamar a atenção, nós gostamos de nos mostrar.

Da esquerda para a direita: Ian Parton, Sam Dook, Ninja, Jamie Bell, Chi Fukami Taylor e Kaori Tsuchida

MTJ!: O primeiro disco, Thunder, Lightning, Strike, foi mesmo gravado na cozinha da sua casa? Como foi feita a coleta dos samples, que são bem evidentes neste trabalho?

Parton: Eu fiz o ‘Thunder…’ enquanto eu ainda trabalhava [Ian fazia documentários]. Eu tirei umas férias, enchi meu carro com todos os meus apetrechos e fui para a casa dos meus pais, no País de Gales. Não teve pressão nenhuma, eu estava apenas tentando fazer música e queria que mais alguém fizesse também. Isso foi — e continua sendo — todas as minhas coisas favoritas combinadas. Estou sempre à procura de samples para usar. Minhs principais fontes são trilhas sonoras, filmes de Bollywood, documentários de Double Dutch [Double Dutch é aquele esporte de pular cordas fazendo acrobacias], em qualquer lugar, na realidade.

MTJ!: Como foi fazer turnê com o Franz Ferdinand?

Parton: Esse tour com o Franz Ferdinand não passa de um rumor, não sei de onde tiraram. O primeiro show da nossa banda foi em um festival que o Franz ia tocar também. Já tocamos como banda de apoio para nomes incríveis como The Flaming Lips e Sonic Youth, minha banda preferida, algumas vezes. Também já tocamos com o The Gossip, então posso considerar que somos bem sortudos.

MTJ!: Como um grande fã da banda, eu não consigo imaginar as performances ao vivo sem a energia que a Ninja (vocalista) traz (sem querer desmerecer os outros integrantes, eu gosto de todos). Como você a conheceu?

Parton: Eu a encontrei em um fórum na internet — sabia que a vocalista ia ser a mais difícil de ser encontrada —, mas eu não queria uma indiezinha qualquer. Começei a ir em baladas de hip hop, mas todas as garotas eram “Beyoncé demais”. Então um dia eu postei em um fórum dizendo “Procuro rapper feminina old skool” e ela respondeu “Rapper feminina old skool…encontrada”.

MTJ!: Ao gravar o ‘Proof of Youth’, vocês se preocuparam muito em superar o primeiro disco, já que ele foi muito bem recebido pela crítica mundial?

Parton: Não exatamente. Eu estou sempre pensando em melodias, se me agradam ou não. Tento nunca pensar no que os críticos vão dizer, ou até o que nossos fãs acham, mas eu acho que o ‘Proof of Youth’ foi uma continuação natural do ‘Thunder..’, com um pouco mais de música negra na mixagem, como hip hop das antigas e funk com sons tradicionalmente ‘brancos’, como guitarras barulhentas e baterias meio zuadas.

MTJ!: A brasileira Marina Vello, ex-Bonde do Rolê fez uma participação em umas das faixas do disco novo. Vocês mantêm contato com mais bandas brasileiras?

Parton: Nós faremos em breve uma pequena turnê pelos EUA com o CSS, com a qual eu estou muito animado. Eu me identifico mais com eles e com o Bonde do que com todas essas outras bandinhas indies de merda da NME.

MTJ!: Vocês pretendem começar a trabalhar em material novo após o fim da turnê do disco novo?

Parton: Eu estou sempre pensando nisso, nunca desligo. Estou sempre gravando melodias no meu celular e caçando samples à toda hora, portanto é uma coisa contínua. Há sempre tentativas e erros ao escrever uma música do The Go! Team: é como um quebra-cabeça. Você tenta várias vezes até dar certo.

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Autor: Cédric Fanti