Poucos dias após ter lançado o clipe de “2 Trees“, o Foals solta mais um vídeo. A música, “Blue Blood”, já é o quarto single do último disco da banda, Total Life Forever.
E que moleque desinibido que arrumaram pra estrelar o clipe, ein?
Bonitinho e simpático o novo vídeo do Foals. Bem melhor que aquela bizarrice toda visível no clipe de “Miami“. E a música, “2 Trees”, também ajuda no clima e na intenção dos pouco mais de 4 minutos de vídeo:
Em 2009, a rapper Speech Debelle bateu La Roux, Kasabian e The Horrors, entre outros, e levou pra casa um dos mais importantes prêmios da música britânica, o Mercury Prize, que premia o melhor disco do ano. Este ano, o troféu pode ficar na mão de nomes como o The xx, Paul Weller, Wild Beasts e Laura Marling, entre outros.
A cerimônia de entrega do prêmio será no dia 7 de setembro. Confira a lista completa dos indicados ao Mercury Prize 2010:
Biffy Clyro – Only Revolutions
Corinne Bailey Rae – The Sea
Dizzee Rascal – Tongue N Cheek
Foals – Total Life Forever
I Am Kloot – Sky At Night
Kit Downes Trio – Golden
Laura Marling – I Speak Because I Can
Mumford & Sons – Sigh No More
Paul Weller – Wake Up The Nation
Villagers – Becoming A Jackal
Wild Beasts – Two Dancers
The XX – XX
Faltou algum nome? Quem você acha que deveria levar o prêmio?
De acordo com a NME, o novo single de Total Life Forever, disco mais recente do Foals, será lançado no dia 4 de julho. No entanto, o clipe para a faixa “Miami”, terceira música de trabalho do álbum, já foi liberado e pode ser visto na sequência:
Sei lá, hein? “Miami” é minha favorita de Total Life Forever – e eu esperava um vídeo que não parecesse ter sido dirigido pelo Mr. T e roteirizado pelo Ja Rule, tendo sido essa a intenção da banda ou não.
Math Rock. Quando ouvi falar nisso pela primeira vez, fiquei me perguntando o que raios essa expressão poderia ter a ver com algum estilo musical. Ouvindo Antidotes, o primeiro LP do Foals, ficou bem fácil entender. As guitarras dedilhadas que nunca formavam acordes, em harmonia com uma bateria marcada, desconstruíam o som de uma maneira minuciosa, planejada, calculada. Preciosidade matemática.
Depois de passar um bom tempo com o trabalho principal, nada melhor do que buscar as famosas “b-sides”, aquelas sobras de gravação que eventualmente revelam preciosidades – e lá estava “Glaciers”, que me fez enxergar o Foals como uma banda de outras possibilidades, além das que se encontravam em hits como “Cassius” e “Red Socks Pungie”. A música era mais longa que as mais famosas e bem, mas BEM mais viajante e abstrata. Mas o calculismo matemático ainda estava lá, de uma forma diferente, como numa equação onde você não entende quase nada, mas sabe que tudo está no seu devido lugar.
Total Life Forever segue por esse caminho. A primeira pista do novo trabalho, “Spanish Sahara”, evidenciava essa atmosfera nova e mais viajada. Até mesmo o clipe era descompromissado com as primeiras impressões: mais uma vez a abstração pontuava aqui e ali. E aí veio “This Orient”, reforçando a postura dos garotos de franja comprida: até mesmo os hits possuem essa característica mais etérea. Enquanto boa parte das bandas se lançam com um som mais ousado e, pouco a pouco, vão se adaptando a melodias mais fáceis de se digerir, o Foals fez o caminho contrário: no caso do grupo, Antidotes, o debut, é mais comercial que Total Life Forever. No segundo, o que ouvia-se em “Tron”, última faixa do primeiro álbum, é intensificado e desacelerado. As novas músicas são mais longas e não parecem ter nenhuma pressa em se desenvolver. Tomemos como exemplo “Fugue” e “After Glow”: a primeira é um mero devaneio introdutório, enquanto a segunda começa devagar, num crescimento que culmina numa explosão com uma jam prolongada (aliás, jam essa que prova que, mesmo em meio à experimentação, o Foals não perdeu o swing).
A música que dá nome ao álbum é também um dos destaques: “Total Life Forever” é dançante e não deixa a peteca da precisão cair. “What Remains”, que encerra o trabalho, demonstra a habilidade que o Foals tem de lidar com suas guitarras. No disco, o Foals deixa transparecer que está ciente de seu talento e o utiliza de maneira mais eficiente do que antes. Os dedilhados nas cordas são tão sinérgicos que às vezes fica a dúvida: “Isso é guitarra mesmo ou é sintetizador?” Aqui, as barreiras da distinção ficam meio comprometidas – para o bem. E como último – porém, não mais importante – destaque, temos “2 Trees”, música de grande sensibilidade, com guitarras à la “Weird Fishes/Arpeggi”, do Radiohead, mostrando que a voz de Yannis Philippakis está cada vez melhor.
Em resumo: Total Life Forever é cheio de eco e reverberações sonoras. Um álbum que não vai agradar, necessariamente, aos que pulavam sem pensar ao som de “Hummer”, mas que provavelmente vai ficar por um bom tempo na playlist dos que gostam de mudanças e amadurecimento.