25 mar 2009

Just…as they play your favourite song

Por  @2:38

(Desculpem o atraso de dois dias da resenha, mas sabem como é, né? Moro bem longe de São Paulo e só tive condições de escrever agora…)

Acabei de dar play no bootleg que eu achei do show do Radiohead no último domingo, em São Paulo. Vamos ver se ele me traz a inspiração suficiente pra eu conseguir demonstrar no mínimo 10% do que foi realmente esse acontecimento histórico na vida de muita gente e… pootz!! Thom Yorke acabou de começar a cantar “15 step” e me deu uma arrepiada foda aqui agora (a música, veja bem). Vou tentar não me alongar muito porque todos já estão cansados de ler por ai sobre o show, certo?

Los Hermanos:
Como tinha de ser. Catarse para os xiitas (e cooooooomo tinha fã xiita por lá, meldels!), ótimo para os simpatizantes dos barbudos (tô incluso aí) e legal/ok para o resto. Gostei muito da sintonia que a banda apresentou depois de tanto tempo separada. E a barba do Camelo fica assustadora naquele telão gigante! A Mallu Magalhães deve ter um puta trabalho pra achar a boca daquele maluco.

Kraftwerk:
Antes das pedras, já vou avisando: eu sei de toda a importância histórica que a banda tem, já li algumas coisas sobre os “pais da música eletrônica” e tudo mais. Respeito, mas EU não gostei. No meu caso eu lembrei de uma ótima analogia: Apocalype Now – filme premiadíssimo e endeusado por todos mas que eu acho um pooooorre. Foi assim o show do Kraftwerk. Elogiado por todos, visualmente impecável (nesse aspecto eu concordo, claro), mas eu achei um show muito chato e não via a hora de acabar. “Gosto é igual nariz”, já dizia o outro.

Radiohead:
Eu esperava um show fantástico e inesquecível. Acho que todos presentes também, certo? Então, citando o Samuca L. Jackson em Pulp Fiction:
“I dare you, I double dare you, motherfucker!”
Eu desafio qualquer um que lá esteve a falar que o show não superou EM MUITO o esperado.

A abertura previsível de “15 Step” serviu para gritar à plenos pulmões:
“C************RALHO! ELES EXISTEM, MESMO! E EU TÔ AQUI!”
Logo em sequência veio uma das mais esperadas por mim: “There There”. Com Ed O’Brien e Jonny Greenwood tocando tambores, a música foi se estendendo lindamente até chegar no seu ápice, com Jonny, já munido de sua Telecaster, solando freneticamente enquanto a iluminação do palco mudava de um azul calmo pra um vermelho intenso. Surreal.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=9CC3MxbKKQ8]

“The National Anthem”, terceira do set, ganhou força e peso impressionantes ao vivo e botou a multidão pra se agitar com a pesada e marcante linha de baixo de Colin Greenwood e o voz inquieta de Thom. Depois veio “All I Need” e eu desafio novamente alguém a falar que não ficou emocionado com a perfeição e entrega da banda em sua performance. “Pyramid Song” teve a curiosa participação de um arco pra tocar violoncelo nas mãos de Jonny, à la Sigur Rós, tocando guitarra.

“Karma Police” (com seus acordes iniciais fazendo muita gente chorar de emoção), “Nude”, “Weird Fishes/Arpeggi”, “The Gloaming”, “Talk Show Host”  e “Optimistic” foram maravilhosas como deveriam ser. Na sequência Thom e Jonny subiram com seus violões e começaram o dedilhado da linda “Faust Arp”. Quer saber como é a sensação de estar diante de 30000 indievíduos pessoas cantarolando baixinho, quase em silêncio, a letra e você ainda ser capaz de escutar cada nota dedilhada no violão? Chega a ser assustador!

Foto - G1

O relato das duas próximas músicas é altamente questionável pois eu entrei em transe absoluto e só “acordei” 8 minutos depois com um sorriso bobo no rosto e o pensamento: “Morreria feliz agora, fácil…”.
“Jigsaw Falling Into Place” e “Idioteque”. Sim, em sequência. Minhas duas músicas favoritas da banda tocadas em sequência. “Jigsaw…” foi eleita por mim e por mais alguns amigos como a melhor do show. That’s it. “Idioteque” fez até o mais velho dos tiozões presentes (o Álvaro Pereira Júnior tava praticamente do meu lado. Não que ele fosse o mais velho, mas só citando a presença de alguém famoso, mesmo. Haha) sair do chão e/ou rir da crise epiléptica que Thom apresentava no palco enquanto milhares gritavam a letra meio nonsense dessa música que eu acredito ser uma das poucas unanimidades entre todos os fãs. Surreal [2]

“Climbing Up The Walls”, “Exit Music (For a Film)” e “Bodysnatchers” fecharam a primeira parte do show de forma incontestável. Vale mencionar a intensidade absurda que o clima soturno de “Climbing” provocou na Chácara do Jockey.

Na volta pro que seria o primeiro dos 3 bis (bises?), Thom tocou com competência “Videotape”. Mas nem me empolguei porque nem sou muito fã da dita cuja. A seguir, copiarei um relato da resenha que o Marcelo Costa escreveu sobre “Paranoid Android”, porque ninguém descreveu tão bem tal momento único:
…então os céus se abriram para “Paranoid Android”, um dos pontos altos de toda carreira do Radiohead. Ao final da canção, porém, o inusitado aconteceu. O público continuou fazendo a segunda voz (que na música é de Ed O’Brien) mesmo com a canção terminada, e Thom Yorke entrou no clima: pegou o violão e voltou a fazer a primeira voz entrelaçando-se com a platéia num daqueles momentos raros que valem uma vida. Emendou “Fake Plastic Trees” e todas as dúvidas se dissiparam antes mesmo do fim do primeiro bis: São Paulo estava assistindo à provável melhor apresentação do Radiohead nos últimos anos.“. Surreal [3]

Foto - G1

“Lucky” e “Reckoner” finalizaram de forma brilhante o primeiro bis. “House of Cards” abriu o segundo bis e em seguida veio “You and Whose Army?”, com uma curiosa câmera que parecia penetrar o olho de Thom Yorke enquanto esse “dava moral” pra brincadeira e começava a mexer de forma bem estranha engraçada a sobrancelha e o olho. E depois de surpreendentes versos de “True love waits”, “Everything in its right place” veio pra fechar o segundo bis, o set e, consequentemente, de acordo com os últimos shows da banda, aquele que já seria o melhor show da vida de muita gente, senão de todos ali presentes, certo?

Pois é, a banda saiu. Eu já tava me preparando pra encarar a multidão enfurecida na saída da Chácara com o sorriso mais largo que meu rosto já teve quando…
Colin, Phil, Ed, Thom e Jonny voltaram ao palco, pegaram seus instrumentos e Thom falou em alto e bom som: “Thanks, Brazil, for having us… (gritaria da multidão) …guess what this is… (mais gritaria)”
“When you were here before
Couldn’t look you in the eye
You’re just like an angel
Your skin makes me cry
You float like a feather
In a beautiful world
I wish I was special
So fucking special
But I’m a CREEP
I’m a weirdo
What the hell am I doing here?
I don’t belong here.”

Depois de 2 horas e 20 minutos de incredulidade, andar 1 hora pra uma direção escolhida aleatoreamente pra fora da Chácara, com os pés latejando e o estômago doendo só de ouvir falar em comida, parecia e era totalmente irrelevante, pois sabíamos que tinhamos acabado de presenciar algo histórico. Um show histórico. Um show que dificilmente o país verá igual. Um show que dificilmente a banda fará igual.

It WAS a glorious day…

Por Neto Rodrigues, que também publico esse texto no Why So Pop?

24 mar 2009

Muito mais que um mico

Por  @11:12

No dia do Just a Fest em São Paulo eu expressei minha preocupação com o lugar do evento. Mal eu sabia o que ainda estava por vir.

Primeiro foi o stress para pegar os ingressos. Eu, procrastinadora que sou, não tive coragem de ir até lá, deixando tudo para o dia do show. Foi por isso que passei na frente do local no domingo à tarde, quando logo em seguida escrevi o post sobre minha preocupação.

Chequei na internet que o guichê para troca de ingressos funcionaria até 8 da noite. Não consigo entender por qual razão escolheram este horário, uma vez que o show do Radiohead – o último a se apresentar naquela noite – começava duas horas depois disso.

Ok, sem problema, me programei pra chegar lá a tempo. Com o caos no trânsito – especialmente com a Francisco Morato fechada (!!!!!!!!!) – cheguei ao local por volta de 19h30. A escuridão e a chuva fina que caía me deixaram apreensiva e pedi para minha amiga ir logo pra fila da bilheteria enquanto eu procurava onde parar o carro. Ela pegou nossos ingressos sem apresentar as carteirinhas. Pior: tudo estava no meu nome e ela assinou como se fosse eu!

No primeiro estacionamento me dei conta que este era “o show dos múltiplos de 5″. A capa de chuva tinha sido 5 reais, e agora me cobravam INACREDITÁVEIS 50 reais para parar o carro. Me senti roubada, manobrei e segui para outro estacionamento.

Não adiantou. A facada veio FORTE: 50 reais. “Vou fazer a volta então, moço.” Ingenuidade a minha. Havia um pedaço de ferro no chão, como que brotando das profundezas do inferno. E ele resolveu entrar no meu pneu. Estava sem estepe e com pouquíssima bateria no celular. Depois de vários estresses que nada têm a ver com a realização do evento, consegui resolver meu problema. Contudo, fica a observação de que o telefone público mais próximo estava ligeiramente longe, num lugar escuro e esquisito.

Caso eu estivesse em um estacionamento regular, certamente eu não haveria pago o valor estipulado e ainda teria feito um escândalo para que consertassem meu pneu. Porém, fiquei quietinha – afinal, eu não sabia o que poderia acontecer. Ainda bem. Chovem comentários na internet sobre pessoas que tiveram seus carros ARROMBADOS (com roubo de estepes, rádios e afins) dentro destes estacionamentos. Como se não bastasse, a polícia nada fez – já é de praxe, né? De qualquer modo, perdi o show do Kraftwerk. O dos Loser Manos eu passei, mesmo.

Entre o estacionamento e a entrada do show, inúmeros cambistas agiam livremente, apesar do “policiamento”. Lá dentro, o cheiro de cocô de cavalo estava uma delícia. Os banheiros químicos foram improvisados onde acredito ser o estábulo da tal chácara (nota da redação: não deixe de ler o conceito de estábulo diretamente da wikipedia para você – e pense se este é um local apropriado para seres humanos utilizarem como banheiro).

A lama estava menos pior do que eu previa, confesso. O que não quer dizer que não houvessem locais onde parecia que você estava num desenho animado, pisando em areia movediça. Ao comprar um refrigerante, mais uma prova da minha teoria descrita acima: ele custava 5 reais.

Estamos aqui hangin out enquanto o show do Kraftwerk não começa!

Estamos aqui hangin out enquanto o show do Kraftwerk não começa!

Não fui até a tal praça de alimentação que tantas pessoas têm falado e não posso opinar sobre preço e/ou qualidade do que foi servido.

No final, o estouro da boiada. Claro, né? Estávamos numa chácara… Praticamente um passeio temático! Só faltou alguém na frente da gente com um berrante. Voltei 11 anos no tempo e lembrei-me daquele bizarro show do U2 no Autódromo de Jacarepaguá, em 1998, quando tive que pular o guard-rail para sair dali. Desta vez, não houve corrida de obstáculos, mas eu me senti parte de um rebanho. Ainda bem que não houve marcação do boi.

Boiadeiro treina para organizar as 30 mil cabeças de gado

Boiadeiro treina para organizar as 30 mil cabeças de gado

Ao chegarmos de volta no estacionamento, pegamos o carro e chegamos rapidinho em casa – tão rápido quanto poderia ser, claro. Os 50 reais acabaram valendo a pena, pois quem pagou 35 e parou no “estacionamento oficial” demorou cerca de 2 horas pra conseguir sair de lá.

Não creio que o problema seja necessariamente a localização da chácara. Eu, particularmente, moro perto dali e já me despenquei outras vezes para lugares bem mais distantes. É o caso do Rock in Rio III, que aconteceu na saudosa Cidade do Rock. É longe de qualquer coisa, até mesmo da Barra. No entanto, fui em 3 dias diferentes no RiR III e não tive problemas para chegar ou sair de lá nenhuma das vezes. Havia bolsões de estacionamento na região, e ônibus gratuitos para levar as pessoas até o local das apresentações. No final da noite, quando todos deixavam a Cidade do Rock, era possível ver filas intermináveis de ônibus. Todos esperando para nos levar de volta até os bolsões ou até os terminais de ônibus de linha (ao contrário de São Paulo, os ônibus no Rio funcionam na madrugada).

No RiR, tudo funcionou perfeitamente, apesar do público ter sido de inacreditáveis 250 mil pessoas em algumas noites; enquanto isso, no Just a Fest foram apenas 30 mil.

Todo mundo sabia que esta quantidade de gente se encaminharia para lá naquela noite. Além do público, havia também as pessoas que trabalharam no evento. Nada disso é novidade. Não foi o primeiro show para grande público feito no Brasil. Os produtores já deviam estar mais bem-preparados. Na verdade, talvez até soubessem do caos que seria. Eles simplesmente não se importaram.

Outros posts sobre o inferno de domingo aqui, aqui e aqui.

Nádia Lapa, que já correu de bandido no final do show da Madonna, pulou guard-rail no U2 e andou horas pra conseguir sair do show do Pearl Jam no Rio

22 mar 2009

IT’S NOT Just a fest

Por  @15:20

Para os que queriam ver o Radiohead bem de perto, o dia começou cedo. Os primeiros a chegarem na Apoteose já estavam ali desde as 7 ou 8 da manhã, simplesmente para não ficarem como retardatários na fila que, mais tarde, dobraria esquinas e atravessaria ruas.

Os portões de entrada só foram abertos às 17:20, com mais de uma hora de atraso. Ali começava um processo de seleção natural onde os mais aptos sobreviveram – ou, neste caso, onde os mais rápidos conseguiriam os melhores lugares. A ordem estabelecida pela tradicional fila indiana foi ignorada, e aí a confusão já havia começado por completo.

Passados os guichês e atravessada a rua que cortava a Apoteose – e que não havia sido interditada sei lá porquê –, a Fórmula Indie, como foi apelidada pelos mais bem humorados, chegava a um fim. A maratona de shows, no entanto, ainda demoraria para começar.

A volta do Los Hermanos

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Algum tempo depois e sem atraso, entrava no palco o Los Hermanos, já sem pisar nos palcos desde abril 2007. Sem ‘Anna Júlia’ (ufa!), o show foi carregado de gritos de fãs que, por vezes, chegavam a abafar as vozes de Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante, enquanto outros pediam “AUMENTA, AUMENTA!”.

Tão eufórico quanto o público estava Rodrigo Barba que, mesmo escondido no fundo do palco atrás de sua bateria, chamava a atenção pela energia que descarregava no instrumento. Bruno Medina, que rebolava por trás de seus teclados com discrição, também se mostrava animado voltando a ser músico, depois de passar os últimos meses dedicando-se ao Jornalismo e ao seu filho, que nasceu no início do ano passado. Camelo interagia frequentemente com Amarante, mas este, por sua vez – e se meu julgamento não erra -, distribuía sorrisos mais largos e verdadeiros em sua penúltima passagem pelos palcos cariocas, com o Little Joy.

O setlist foi aprovado pelo público, como se pôde notar pelas salvas que apareciam no início de cada música. A banda passou por faixas de seus três últimos álbuns, eliminando o homônimo de 1999 dos planos, mesmo havendo tantos pedidos por ‘Pierrot’. ‘Cher Antoine’ pegou todo mundo de surpresa ao ser anunciada por Rodrigo, que canta a única – e pouco freqüente – composição em língua estrangeira da banda. A performance terminou com ‘A Flor’, que deu seqüência à genial ‘Cadê Teu Suin?’ com seus versos emendados. O bis, muito pedido, não veio, mas as 18 músicas (!) do show já foram mais que suficientes para matar a saudade dos Hermanos.

Kraftwerk e seu novo integrante

kraft

Em seguida, o Kraftwerk (ovelha negra do Just a Fest aos olhos de muitos) tomou conta do palco com a ajuda do novato Stefan Pfaffe, substituto permanente de Florian Schneider. Aliás, pode-se dizer que, em pleno século XXI, Stefan é a única novidade que os alemães tiveram para oferecer ao público. Se, nos anos 70, Kraftwerk era sinônimo de “maior revolução da música” com o uso inédito (?) de sintetizadores, nos dias atuais o quarteto representa uma página da história que persiste em ser virada.

A verdade é que, ultrapassados ou não, o quarteto que subiu ao palco naquela noite viu muita gente chacoalhar ao som de suas melhores músicas, ‘The Man-Machine’, ‘Numbers’ e ‘Computer World’, tocadas logo no início da apresentação.

Enquanto uns dançavam com a música eletrônica de raiz, outros ficavam estáticos, boquiabertos, com a qualidade visual do show. Fazendo tudo ali, na hora, a Estação de Energia – como seria chamada em nossa língua – misturava cores e imagens, resgatando o material que já era exibido em seus telões desde antes do nascimento da maioria dos presentes. ‘The Robots’ deu início a um murmurinho sem fim de reclamações dos mais rabugentos. Isso porque, nela, os integrantes da banda são substituídos por manequins-robôs que imitam suas respectivas fisionomias e são providos de movimento – “ótimo, paguei pra ver boneco”, alguns diziam.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=t6wDhjEgfe0]

Depois de cantar e sintetizar sua voz em alemão, inglês e francês, Ralf Hütter – acompanhado de seus colegas – trocou sua jaqueta escura por um colã preto com linhas verdes cintilantes, que embelezaram a apresentação ainda mais. Os trajes foram usados em apenas duas músicas: ‘Aerodynamik’ e ‘Music Non Stop’ que, com chave de ouro, concluíram o espetáculo.

O único cumprimento ao público só veio depois, com um gesto corporal, quando os membros fizeram uma breve reverência à platéia. As palmas que vieram em seguida mais pediam pelo Radiohead do que saudavam os semi-inertes alemães.

Finalmente, Radiohead

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Os vinte e tantos mil pagantes esperavam pelo show do Radiohead, um evento que ficaria marcado na história de shows internacionais no país. Eram pessoas de todas as idades (vi crianças que tinham, no máximo, 13 anos e, em contraste, o bem-vivido Caetano Veloso, quase aos 70) e de todas as regiões do Brasil. Alguns, inclusive, vinham até de outros países: Ora ou outra se ouvia diálogos em inglês, espanhol e até em francês.

Enquanto os preparativos finais para o grande show eram terminados, os telões pediam para os navegantes não utilizarem flashes ou dessem moshes, mas poucos pareceram dar atenção ao aviso.

Quase onze horas: Thom Yorke, que já havia dado as caras no cantinho do palco durante o primeiro show, dessa vez aparece para ficar. Ed O’Brien, os irmãos Greenwood e Phil Selway estão logo atrás. Os gritos que os acompanham são de pessoas que, finalmente, começaram a entender que algo grandioso e inesquecível estava pra acontecer. A banda se anunciou em português, com Yorke como porta-voz: “Nós somos Radiohead”.

A sequência foi dada pela animada ’15 Step’, que também aber o último álbum do grupo, In Rainbows, de 2007. Thom dança com seu estilo único, totally weird, sem mover os pés. O público o acompanha nos vocais e Colin Greenwood pula como se não acreditasse na interação da platéia, o que se repete durante todo o show.

No fundo do palco, o telão mostra as imagens de cinco câmera diferentes, cada uma focada em um músico. No teto, cilindros luminosos de cumprimentos diferentes (alguns chegam a alcançar o chão) espalhados pelo palco completam a estética caríssima da apresentação.

In Rainbows vai conquistando seu espaço durante o set, e acaba encaixando todas as suas 10 faixas na apresentação, sem deixar a melancolia de ‘All I Need’, ‘Nude’, ‘Videotape’ e ‘House of Cards’ de lado.

O clássico Ok Computer ganhou representantes ilustres, cotadas como as mais esperadas da noite. A primeira delas foi ‘Airbag’, que veio logo depois de ’15 Step’, recebida aos prantos pelos mais fanáticos e cantada em coro por toda a praça. ‘Karma Police’ também entrou para os momentos iniciais do set e, mais uma vez, a iluminação em tons de azul se tornou coadjuvante por trás dos backing vocals de Ed, do violão de Thom e do belo refrão da música. ‘No Surprises’ também aparece para contar sua história, um outro megahit comemoradíssimo. Sem peso nas cordas ou na bateria, ela ajudou a estruturar o bloco das melodias lentas e penetrantes (ui) que ficou ainda mais sólido com ‘Street Spirit (Fade Out)’ e ‘How To Disappear Completely’. Mesmo com tantos sucessos, o maior destaque do Ok Computer foi mesmo de ‘Paranoid Android’, praticamente um hino britânico. De repente, a Apoteose se viu pulando ao som do solo mais pesado da apresentação e, de uma hora para outra, acompanhando a melodia assombrosa que veio em seguida.

Antes mesmo do primeiro bis, o show já parecia completo. Abrindo uma incógnita para todos os presentes, Johnny Greenwood misturou à ‘The National Anthem’ samples de uma narração em português, que admito não saber do que exatamente se tratava. Somada à combinação de luzes mais espalhafatosa do show, a música virou candidata forte a uma das mais satisfatórias da apresentação. Isso, claro, porque ainda não sabíamos o que viria pela frente.

‘Idioteque’ e ‘Everything In It’s Right Place’ ganharam versões mais aceleradas e dançantes ao vivo, levando o Kid A direto para as pistas de dança. Surpreendentes, além dos ótimos remixes, foram os tubos luminosos transformando-se, de repente, em um grande telão que exibia a letra de ‘Everything’enquanto Thom a cantava.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=HqP3gnBBiyc]

Na reta final do show, também vieram ‘Just’, uma das melhores do The Bends, ‘Reckoner’ e ‘You And Whose Army?’, que Thom cantou “por todas as vezes que a América do Norte tentou foder com vocês” focando seu olho tonto na câmera de seu piano, única exibida no telão naquele momento – e, finalmente ‘Creep’, que vive uma eterna relação de amor de ódio com o público. Indiscutivelmente a música mais cantada e aplaudida dos espetáculo, ‘Creep’ botou rédeas curtas nos que a renegam e que, por fim, cederam a sua beleza.

Com muitos agradecimentos (em português mesmo), o Radiohead não fez promessas de voltar ao Brasil em breve, como manda a etiqueta. De qualquer forma, todo mundo reconhece que os apoteosenses e a galera que acompanha a banda hoje (22), na Chácara do Jockey, fizeram parte de um momento que fará história. Até o taxista que me levou pra casa reconheceu que “essa banda deve ser boa mesmo”. Pelo visto, ela é muito mais que boa.

Fotos por O Globo, João Paulo Lages e BgKcram.

Texto por Alex Correa

15 mar 2009

Cabeza de Radio: A semana latina do Radiohead

Por  @15:39

Confusão no México

radiohead

Na última sexta-feira, exatamente uma semana antes do primeiro show do grupo no Brasil, Thom, Colin, Johnny, Ed e Phil chegaram ao aeroporto da Cidade do México com direito a uma insana recepção. Segundo o Diário Reforma, publicado no México, o grupo foi escoltado por mais de 20 seguranças até o hotel onde ficara hospedado, mas a barreira de brutamontes não foi suficiente para segurar os fãs que foram recebê-los no aeroporto.

Dá pra ter uma idéia do caos aqui:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=2S_lS5gYh0o]

Yorke chegou a ser empurrado contra a parede e, a partir daí, passou o resto do dia dando passos rápidos até chegar ao Casa de La Condesa, onde se hospedara. O Radiohead abre sua turnê latino-americana hoje (15), no Foro Do Sol, na capital mexicana – e, o mais importante, com a casa lotada.

Fim de semana no Brasil

Mais de vinte anos de banda. Dezesseis contados desde o lançamento de seu primeiro CD, Pablo Honey. Mesmo com tanta história pra contar, o Radiohead pisará pela primeira vez em solos brasileiros nos próximos dias, quando fará duas apresentações no país: Praça da Apoteose (RJ), no dia 20, e na Chácara do Jockey (SP) dois dias depois. O Just a Fest, festival que foi organizado com foco na banda britânica, também ganha destaque por receber uma das primeiras performances do Kraftwerk depois da saída do fundador Florian Schneider e, no contexto nacional, pela volta dos Los Hermanos aos palcos, depois de dois anos de hiato. Os poucos tickets do Just a Fest que restam podem ser adquiridos em Ingresso.com.br. Logo após as apresentações brasileiras, o quinteto segue para Argentina e, em seguida, para o Chile, onde termina a turnê latina no dia 27.

TVhead

Hoje (15) o Fantástico transmite uma entrevista com o Radiohead, gravada no México com perguntas enviadas por fãs da banda. Mais tarde, no dia 22, o Multishow exibe meia hora do show do grupo em São Paulo, ao vivo, e mais meia hora de Kraftwerk.  Entretanto, os holofotes da emissora estarão voltados para a apresentação dos Hermanos, que vai ao ar na íntegra tanto pela televisão quanto pela internet a partir das 19:30.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=wCG3OwNH_cU]

Bodysnatchers ao vivo em maio de 2008, na Flórida

Alex Correa