24 mar 2009

Muito mais que um mico

Por Alex Correa @11:12

No dia do Just a Fest em São Paulo eu expressei minha preocupação com o lugar do evento. Mal eu sabia o que ainda estava por vir.

Primeiro foi o stress para pegar os ingressos. Eu, procrastinadora que sou, não tive coragem de ir até lá, deixando tudo para o dia do show. Foi por isso que passei na frente do local no domingo à tarde, quando logo em seguida escrevi o post sobre minha preocupação.

Chequei na internet que o guichê para troca de ingressos funcionaria até 8 da noite. Não consigo entender por qual razão escolheram este horário, uma vez que o show do Radiohead – o último a se apresentar naquela noite – começava duas horas depois disso.

Ok, sem problema, me programei pra chegar lá a tempo. Com o caos no trânsito – especialmente com a Francisco Morato fechada (!!!!!!!!!) – cheguei ao local por volta de 19h30. A escuridão e a chuva fina que caía me deixaram apreensiva e pedi para minha amiga ir logo pra fila da bilheteria enquanto eu procurava onde parar o carro. Ela pegou nossos ingressos sem apresentar as carteirinhas. Pior: tudo estava no meu nome e ela assinou como se fosse eu!

No primeiro estacionamento me dei conta que este era “o show dos múltiplos de 5″. A capa de chuva tinha sido 5 reais, e agora me cobravam INACREDITÁVEIS 50 reais para parar o carro. Me senti roubada, manobrei e segui para outro estacionamento.

Não adiantou. A facada veio FORTE: 50 reais. “Vou fazer a volta então, moço.” Ingenuidade a minha. Havia um pedaço de ferro no chão, como que brotando das profundezas do inferno. E ele resolveu entrar no meu pneu. Estava sem estepe e com pouquíssima bateria no celular. Depois de vários estresses que nada têm a ver com a realização do evento, consegui resolver meu problema. Contudo, fica a observação de que o telefone público mais próximo estava ligeiramente longe, num lugar escuro e esquisito.

Caso eu estivesse em um estacionamento regular, certamente eu não haveria pago o valor estipulado e ainda teria feito um escândalo para que consertassem meu pneu. Porém, fiquei quietinha – afinal, eu não sabia o que poderia acontecer. Ainda bem. Chovem comentários na internet sobre pessoas que tiveram seus carros ARROMBADOS (com roubo de estepes, rádios e afins) dentro destes estacionamentos. Como se não bastasse, a polícia nada fez – já é de praxe, né? De qualquer modo, perdi o show do Kraftwerk. O dos Loser Manos eu passei, mesmo.

Entre o estacionamento e a entrada do show, inúmeros cambistas agiam livremente, apesar do “policiamento”. Lá dentro, o cheiro de cocô de cavalo estava uma delícia. Os banheiros químicos foram improvisados onde acredito ser o estábulo da tal chácara (nota da redação: não deixe de ler o conceito de estábulo diretamente da wikipedia para você – e pense se este é um local apropriado para seres humanos utilizarem como banheiro).

A lama estava menos pior do que eu previa, confesso. O que não quer dizer que não houvessem locais onde parecia que você estava num desenho animado, pisando em areia movediça. Ao comprar um refrigerante, mais uma prova da minha teoria descrita acima: ele custava 5 reais.

Estamos aqui hangin out enquanto o show do Kraftwerk não começa!

Estamos aqui hangin out enquanto o show do Kraftwerk não começa!

Não fui até a tal praça de alimentação que tantas pessoas têm falado e não posso opinar sobre preço e/ou qualidade do que foi servido.

No final, o estouro da boiada. Claro, né? Estávamos numa chácara… Praticamente um passeio temático! Só faltou alguém na frente da gente com um berrante. Voltei 11 anos no tempo e lembrei-me daquele bizarro show do U2 no Autódromo de Jacarepaguá, em 1998, quando tive que pular o guard-rail para sair dali. Desta vez, não houve corrida de obstáculos, mas eu me senti parte de um rebanho. Ainda bem que não houve marcação do boi.

Boiadeiro treina para organizar as 30 mil cabeças de gado

Boiadeiro treina para organizar as 30 mil cabeças de gado

Ao chegarmos de volta no estacionamento, pegamos o carro e chegamos rapidinho em casa – tão rápido quanto poderia ser, claro. Os 50 reais acabaram valendo a pena, pois quem pagou 35 e parou no “estacionamento oficial” demorou cerca de 2 horas pra conseguir sair de lá.

Não creio que o problema seja necessariamente a localização da chácara. Eu, particularmente, moro perto dali e já me despenquei outras vezes para lugares bem mais distantes. É o caso do Rock in Rio III, que aconteceu na saudosa Cidade do Rock. É longe de qualquer coisa, até mesmo da Barra. No entanto, fui em 3 dias diferentes no RiR III e não tive problemas para chegar ou sair de lá nenhuma das vezes. Havia bolsões de estacionamento na região, e ônibus gratuitos para levar as pessoas até o local das apresentações. No final da noite, quando todos deixavam a Cidade do Rock, era possível ver filas intermináveis de ônibus. Todos esperando para nos levar de volta até os bolsões ou até os terminais de ônibus de linha (ao contrário de São Paulo, os ônibus no Rio funcionam na madrugada).

No RiR, tudo funcionou perfeitamente, apesar do público ter sido de inacreditáveis 250 mil pessoas em algumas noites; enquanto isso, no Just a Fest foram apenas 30 mil.

Todo mundo sabia que esta quantidade de gente se encaminharia para lá naquela noite. Além do público, havia também as pessoas que trabalharam no evento. Nada disso é novidade. Não foi o primeiro show para grande público feito no Brasil. Os produtores já deviam estar mais bem-preparados. Na verdade, talvez até soubessem do caos que seria. Eles simplesmente não se importaram.

Outros posts sobre o inferno de domingo aqui, aqui e aqui.

Nádia Lapa, que já correu de bandido no final do show da Madonna, pulou guard-rail no U2 e andou horas pra conseguir sair do show do Pearl Jam no Rio

22 mar 2009

Chácara do Jockey: um mico?

Por Alex Correa @16:49

Passei pela Chácara do Jockey às 2 e meia da tarde. Chovia e os portões tinham acabado de ser abertos. Pelo que vi, os shows de hoje serão um verdadeiro banho de lama.

Já não bastavam os problemas pra buscar o ingresso (eu, particularmente, desisti e só vou buscar mais tarde). Acho incrível como uma empresa pode trazer uma banda como o Radiohead e colocar o show num lugar tão mal preparado.

Mais tarde eu e Marçal contamos como foi.

Ah, um pequeno pedido de desculpas pela falta da coluna sobre a história do rock de ontem e de hoje: estou sem internet em casa.

Lá vou eu pra lama. Se fosse ao menos lama medicinal…

Nádia Lapa