2 dez 2010

2010 em um disco e uma música, por Cirilo Dias

Por  @17:41

Começando uma série de mini-posts especiais sobre o que a gente mais gosta (de discordar) em blogs musicais no fim do ano: listas de melhores do ano. E pra evitar aquelas listagens gigantes, resolvemos ir ao que interessa – a música e o disco do ano.

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Disco: Tulipa Ruiz – Efêmera
Depois de tanta fruta azeda que a tal safra da nova MPB produziu, aparece a Tulipa Ruiz com uma voz poderosa e esse discaço. O disco é gostoso, as músicas são deliciosas e a ela nem precisou viajar pra Nova York para resolver crises existenciais.

Música: Otto – 6 minutos
O bom do pé na bunda é que você anda pra frente. Obrigado, Alessandra Negrini!

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Cirilo Dias é Manager de Planeta Terra e Terra Sonora na DM9DDB, além de colaborador da Rolling Stone e editor do querido Urbanaque.

11 out 2010

Segundo dia de SWU: 56 mil pessoas, coxinhismo geral e a honestidade do Otto

Por  @15:00

Domingo foi o dia mais pop do SWU. Não lembro qual foi a última vez que ouvi tantas trilhas sonoras de novela sendo tocadas ao vivo em um mesmo dia: “Fidelity”, da Regina Spektor, “Use Somebody”, do Kings of Leon, mais de uma da Joss Stone, “Crua”, do Otto, e mais outras, apareceram em algum momento dentro das 12 horas seguidas de festival. Mais cheio do que no dia 9, sábado, a segunda etapa do evento já tinha a área premium intrafegável por volta das 5 da tarde.

O maior número de pessoas deu corda para que mais problemas estruturais acontecessem. Apesar disso, a produção não parava de tentar somar pontos em uma coletiva de imprensa realizada de surpresa e com muita acidez dos jornalistas: falavam sobre o combate às drogas (46 pessoas foram autuadas no primeiro dia de evento), sobre a qualidade dos equipamentos (quando perguntados sobre as falhas de som do Rage Against The Machine no dia anterior, a culpa foi passada para a equipe da banda – “a mesa de som era deles”) e, principalmente, sobre os problemas nas redes locais: o wi-fi da sala de imprensa não conectava e as máquinas de cartão de crédito mal funcionavam nos bares.

O show do Sublime With Rome, que aconteceu no Palco Água antes de anoitecer, foi o primeiro a ficar lotado. LO-TA-DO. E a grande maratona de shows gigantes começou aí. A sequência veio com a fofíssima Regina Spektor, toda meiga atrás de um piano de cauda, com o apoio de apenas três pessoas: uma no violoncelo, outra no violino e uma outra na bateria. Nesse meio tempo, nada de muito interessante passava pela tenda da Heineken, que encarou o dia mais sem graça de programação (Killer On The Dancefloor, Twelves e MSTRKRFT ficaram pra segunda-feira; Aeroplane, Erol Alkan e o recomendadíssimo Mixhell se guardaram para o último dia de shows).

Vai, Regininha! (Foto: Carol Zaine)

Foi Joss Stone quem preparou o terreno para os headliners da noite, usando um vestidinho de verão, descalça e tentando não tremer com frio e vento inexplicáveis na Fazenda Maeda. Dave Matthews Band entrou logo depois, levando os mais tiozões pra frente do palco Ar, mas foi às 11 da noite que o show mais cobiçado começou. Foi a segunda vez que o Kings of Leon veio ao Brasil, mas dessa vez com uma cara diferente: se em 2005 o espírito da banda era um tipo de caipira-do-interior-da-Inglaterra, agora são os galãs Followill que dominam o palco. Dá pra sentir uma pegada quase boyband, principalmente quando as ovações aparecem: é sempre o coro feminino que predomina.

Quem chegou tarde ou não teve grana pra comprar os ingressos premium não tinha muito do que reclamar: apesar da maior distância do palco, a estrutura da Maeda ajudava a visão do palco com a inclinação da pista.

Enquanto os gringos dominavam os dois palcos principais, quem passava pelo Oi Novo Som ficava deslumbrado. Com Pernambuco correndo na veia, Otto deu um choque de autenticidade em um line-up de artistas comportados demais e setlists calculadíssimos. Além de encher a tenda, o cara conseguiu botar todo o público dali nas suas mãos – dava pra ver muita gente suingando e cantando durante as músicas, que eram finalizadas com manifestações bem calorosas. A banda do cara é poderosa: o time instrumental junta Cidadão Instigado e Nação Zumbi. “Eu tinha mesmo que estar aqui”, disse, satisfeito e surpreso com a aprovação. O espírito da música brasileira todo representado no palco.

O show-lava-alma foi incrivelmente harmônico pra algo que parece ser tão espontâneo, livre e natural. Otto se meteu no meio do público, tirou a camisa mesmo com a friaca e, dessa vez, só deixou faltar uma de suas maiores marcas registradas: o cofrinho do cara estava por dentro da calça, comportado, sem chamar a atenção. Tanto faz: foi bom poder contar com o rapaz pra aliviar todo o coxinhismo do dia.

Hoje, terceiro e último dia de festival, é pra escapar de todas as tensões: pela segunda vez no Brasil, o Queens of the Stone Age toca no Palco Ar ao mesmo tempo em que o CSS, depois de três anos longe do país, vai deixar o Oi Novo Som lotadíssimo. E a tenda eletrônica caprichou no line-up.

O resumão do primeiro dia de SWU tá aqui.

6 out 2010

Festival Jambolada anuncia line-up da edição de 2010

Por  @0:45

Depois de uma ótima edição em 2009, quando trouxe Pato Fu e Sepultura como headliners, o Jambolada, festival de música independente que acontece na minha querida Uberlândia (MG), anuncia o line-up planejado para 2010.

Copacabana Club fará sua estreia em palcos uberlandeses

Os shows acontecem já nos próximos dias 15, 16 e 17 – em plena ressaca do SWU. Apesar do anúncio um pouco em cima da hora, a organização mandou benzaço e trará à cidade os inéditos Copacabana Club, Emicida e Vespas Mandarinas. Fechando as noites dos dias 15 e 16, estão o pernambucano Otto e os cariocas do Matanza, respectivamente.

A edição deste ano ainda conta com bons nomes, como Autoramas, Nina Becker, Banda de Joseph Tourton e o “já-de-casa” Vanguart. A programação completa do festival você vê na sequência:

15/10 – Acrópole

01:30 Otto (PE)
00:50 Emicida (SP)
00:10 Autoramas (RJ)
23:40 Falso Conejo (ARG)
23:00 Cabruera (PB)
22:30 Erika Machado (MG)
22:00 Monograma (MG)
21:30 Pedro Morais (MG)
21:00 Banda de Joseph Tourton
20:30 Dom Capaz (MG)
20:00 Manos de Responsa (MG)
19:30 A170 (MG)
19:00 Desalma (PE)

16/10 – Acrópole

01:20 Matanza (RJ)
00:40 Vanguart (MT)
00:00 Copacabana Club (PR)
23:30 Vespas Mandarinas (SP)
23:00 Seu Juvenal (MG)
22:30 The Folsoms (MG)
22:00 Krow (MG)
21:30 Baba de Mumm-Rá (TO)
21:00 Gritando HC (SP)
20:30 Animais na Pista (MG)
20:00 Mata Leão (MG)
19:30 Bang Bang Babies (GO)
19:00 Leave Me Out (MG)

17/10 Palco Conexão Vivo (Praça Sérgio Pacheco)

15:00 Camarones Orquestra Guitarrística (RN)
16:00 The Hell Kitchen Project (MG)
17:00 Quarteto de Olinda (PE)
18:00 Ophelia and the tree (MG)
19:00 Indiada Magneto (MG)
20:00 Nina Becker (RJ)
21:00 Porcas Borboletas convida Paulo e Arrigo Barnabé (MG/SP)

Pra saber mais, é só acessar o blog do festival.

3 mar 2010

Rafa Losso’s Jukebox (MTV)

Por  @15:36

Descoberto pela MTV através um concurso de VJs anos atrás, Rafael Losso (@rafaellosso) é um curitibano formado em Direito e, atualmente, é coordenador de conteúdo online para o site da emissora. Também escreve seus “pensamentos, histórias, notícias, e idéias” no Blog do Rafa. Por essas e outras, Losso foi o escolhido da semana para a Jukebox Weekly:

E o hype? – o que você tem escutado de novidade?
Eu ainda estou em uma fase “melhores de 2009″, ouvindo muito Noisettes, Why?, Hey Rosetta, Elvis Perkins, Lonely Dear, Soulsavers. Também estou me preparando para o que devo encontrar no SXSW (se tudo der certo, hehe). Até agora os violões da Amber Rubarth e da Amelia Curran me chamaram a atenção na lista imensa de shows. Ah! O disco novo do Otto também tem circulado pela minha sala.

Good Times Bad Times – qual banda/artista sempre esteve ao seu lado, fazendo, por mais piegas que isso possa soar, a “trilha sonora de sua vida”?
São 3: Pearl Jam, Smashing Pumpkins e Legião Urbana. São bandas que formataram meu ouvido musical no começo da década passada, e que me servem, desde os 13 anos, como referência e comparação a tudo que faz vibrar meus tímpanos.

Do the D.A.N.C.E. – o que não pode faltar na hora de soltar a franga na pista?
Nossa, faz tempo que não faço isso, mas “Never Forget You”, do Noisettes, tocou muito enquanto atravessava as estrada do país nesse começo do ano e serve muito bem para os dois fins. A nova do Weezer, “(If You’re Wondering If I Want You To) I Want You To”, também. Na sequência, uma mais antiguinha, “The Pretender”, do Foo Fighters. Melhor parar antes de montar uma playlist inteira, hehe.

No seu perfil no site da MTV, você diz que já foi ao estúdio dos Beastie Boys. Libere a inveja que existe dentro de cada um dos nossos leitores e conte-nos mais um pouco sobre essa experiência.
Meu, foi absolutamente foda. Pra não repetir, a convite do blog Coletivo contei essa história com detalhes, com direito aos próprios vídeos da saga. Segue o link.

Você não vale nada mas eu gosto de você – todo mundo tem um guilty pleasure, vai. Aquela banda que, quando começa a tocar no computador, você desabilita o last.fm o mais rápido que pode.
Pô, vou confessar então que, nesse verão, os hits da Lady Gaga rodaram bem no meu som – apesar da maior parte do disco dela ser absolutamente inaudível. O excesso de camadas de sintetizadores escondem as belas canções pop que a Stefani Germanotta consegue criar com talento. Duvida? Busque o nome real dela no Youtube e leve um susto. Sem falar que já era hora de pintar um artista para trazer nova vida ao videoclipe, até então abandonada por gravadoras e desacreditada pelo mainstream.