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Apr 28 2010

Leo Dias’ Jukebox (Urbanaque e Rolling Stone Brasil)

Em 6 meses de Jukebox Weekly, ainda não tinha passado ninguém do Urbanaque (@urbanaque) pela nossa coluninha semanal. Pois bem. Consertamos essa ausência imperdoável e chamamos o grande Leonardo Dias Pereira (@leodiaspereira) – que, em suas próprias palavras, é “Advogado nas horas muito ocupadas e jornalista nas horas ocupadas.” Além disso, é colaborador da Rolling Stone Brasil desde sua terceira edição e, obviamente, editor do Urbanaque. Não perde, hein:

E o hype? O que você tem escutado de novidade?
Eu já fui bem mais “hyposo”. Até 2005, meu dia não começava se eu não desse uma espiada na NME e na CMJ. Hoje, procuro acompanhar os lançamentos, mas não dou muito mais bola pro hype em si. Minhas pesquisas musicais ficam mais restritas a coisas antigas, principalmente country music, country rock e soul music. Então, se leio que alguém atualmente está revisitando esses estilos, corro pra ouvir. O que saiu de interessante nessa tríade, foi o segundo solo do Jakob Dylan, Women + Country, um disco lindo produzido pelo mestre T. Bone Burnett, e também o bacanudo I Learned The Hard Way, da Sharon Jones and The Dap Kings. Mas claro que eu não fiquei imune a algumas modernices, como o novo do LCD Soundsystem (razoável) e do MGMT (instigante). Fora as coisas nacionais que eu ouço bastante pelo trampo no Urbanaque e na Rolling Stone. O terceiro do Superguidis e do Pata de Elefante, a estreia do Nevilton e do Apanhador Só são minhas coqueluches do momento. Ah, e gostei muito do Beeshop, projeto solo do Lucas Silveira, do Fresno.

Good Times Bad Times – qual banda/artista sempre esteve ao seu lado, fazendo, por mais piegas que isso possa soar, a “trilha sonora de sua vida”?
Pode falar mais de um artista? Ouço tanta coisa diferente desde pequeno que não dá pra restringir num só nome. Meu pai ouvia muito Bee Gees e Queen. Ele tem quase tudo dessas duas bandas, então tenho memórias fortes dele colocando isso pra mim e meus irmãos ouvirem – e até hoje sempre que me dá uns acessos, paro pra ouví-los. Como sou cria do grunge também – eu tinha 12 anos quando o movimento explodiu e morava no interior de São Paulo com uma antena parabólica que transmitia a MTV Brasil – Pearl Jam, Alice In Chains e Soundgarden sempre tiveram um lugar especial na minha coleção de discos.

Do the D.A.N.C.E. – o que não pode faltar na hora de soltar a franga na pista?
Funk carioca e música pop radiofônica. Incrível o poder que o funk carioca e uma boa baba pop exercem na cabeça das pessoas. Sempre que dá, a gente rola uns funks pra enganar os indies da Funhouse e a moçada se lembra que São Paulo fica no Brasil e libera geral.

E aquele show inesquecível? Qual foi?
Dois shows foram inesquecíveis pra mim. U2 em 98, no Morumbi: era a primeira vez que eles tocaram no Brasil e a ansiedade de vê-los era palpável no ar. Sem contar que foi na incrível “Pop Mart Tour”. Chegar no estádio e ver aquele arco amarelo gigantesco envolvendo o palco foi impactante. Dá até um arrepio de lembrar do The Edge mandando aquele riff nervoso de “Mofo”, a primeira música do show. O outro foi o Pearl Jam no Pacaembu, em 2005. Aquilo foi um sonho de adolescência realizado.

Você não vale nada mas eu gosto de você – todo mundo tem um guilty pleasure, vai. Aquela banda que você só escuta quando não tem ninguém por perto e, por garantia, com fones de ouvido.
Eu tenho uma atração inexplicável por aquilo que as pessoas convencionam chamar de “hits do povão”. Uns troços tipo o “Rebolation”, do Parangolé, “Festa no Apê”, do Latino e “Ela Só Pensa em Beijar (Se Ela Dança Eu Danço)”, do MC Leozinho – quase me mataram quando eu tasquei essa música no Top do Urbanaque, em 2006. Gosto muito também dessa onda de melodys e tecnobrega, que chegou no sudeste de uns 5 anos pra cá. Fico pasmo como essa galera do melody se apropria de hits na maior cara dura e transforma numa coisa dançante e engraçada. Mas olha, não tenho vergonha alguma de ouvir essas podreiras. Claro que não vou comprar o disco e tal, mas canto junto se estiver tocando numa boa!

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Apr 19 2010

Noize #32

To achando muito legal o Move estar completando um ano de Noize ao lado do pessoal do Scream & Yell, RRAURL e Fora do Eixo, que estão marcando presença nas edições de 2010 da revista. A mag já está em sua 32º edição, que traz, em destaque, o Pata de Elefante descrevendo e explicando cada faixa de seu novo álbum, Na Cidade, e a matéria do Nando com a colaboração de várias bandas que foram tocar no SXSW:

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Mar 25 2010

Em abril, Versão Brasileira leva Banda Gentileza, Pata de Elefante e mais a São Paulo

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Jan 20 2010

Guri’s Jukebox (Pública)

A banda dona do quarto lugar na nossa listinha de Melhores Álbuns Nacionais de 2009 resolveu dar as caras aqui no Move! O guitarrista da Pública (@publicaoficial), o talentosíssimo “Guri” Assis Brasil (ou simplesmente Guri), conversou um pouquinho com o blog e nos contou quais são suas bandas favoritas, os guilty pleasures, as novidades do rock gaúcho e por aí vai…

E o hype? – o que você tem escutado de novidade?
Eu nunca tinha parado pra escutar essa banda, porque uma vez escutei um disco e me baixou extremamente quadrado. Mas o último disco do Cidadão Instigado me fez repensar alguns conceitos. É um som quase que inclassificável, tão estranho que te pega pelo ouvido. Parece que os caras tomaram muitas drogas e escutaram a discografia do Brian Eno, do Bowie – não deixando de lado o sotaque nordestino, a brasilidade e os discos do Odair José. Músicas dançantes, synths e vocoder. Excelentes baterias e guitarras. É a típica banda que todo o crítico vai pagar pau por ser moderna, inusitada e abrasileirada ao mesmo tempo, mas que aquele teu amigo de trabalho vai dizer “que porra é essa?”. O novo disco da Pata de Elefante, que não foi lançado (mas estou com ele em casa), é lindo demais. O caras esbanjam categoria e bom gosto nos arranjos, nunca ultrapassando o limite e tornando a música instrumental muito agradável ao invés de solos intermináveis com 23 notas por segundo.

Good Times Bad Times – qual banda/artista sempre esteve ao seu lado, como trilha sonora de sua vida, tanto nos momentos ruins quanto nos bons?
É inevitável falar dos Beatles, porque, concordando ou não, é a banda mais completa que o mundo já viu. Tão completa que deveria sair de todas as listas. Por incrível que pareça, por não ter nada a ver com a Pública, uma banda que escuto desde a minha adolescência é o Rage Against the Machine. Essa banda é o maior soco na cara que alguém pode tomar! Escuto até hoje!

Do the D.A.N.C.E. – o que não pode faltar na hora de soltar a franga na pista?
Gosto de escutar coisas inusitadas em uma festa. Como sair de um MGMT pra um Sinatra. O DJ que consegue isso com categoria ganha pontos e tem toda a manha. Mas o Rei do Pop não pode falar. Ah, um AC/DC quando o cara já ta na décima quinta garrafa de cerveja é sempre bem vindo!

Quais são as novidades mais promissoras da cena roqueira gaúcha, atualmente?
Tem três nomes de bandas amigas que podem dar o que falar: Valentinos, Gulivers e Volantes. Os Volantes já estão com passos um pouco mais longos. As outras duas estão prestes a lançar seus discos de estréia!

Você não vale nada mas eu gosto de você – todo mundo tem um guilty pleasure, vai. Aquela banda que, quando começa a tocar no computador, você desabilita o last.fm o mais rápido que pode.
Essa eu costumo escutar no Youtube. Hehehe. Mas não costumo me envergonhar das coisas. Eu gosto de música em geral, gosto daquela música que todos tem capacidade de assimilar. Acho que é para isso que a música foi feita. Gosto de escutar coisas da Lily Allen, gosto daquela música do Jason Mraz, acho que se chama “I´m Yours“. É brabo isso daí, tchê…

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Nov 09 2009

Clipe: Pata de Elefante – Um Olho No Fósforo, Outro na Fagulha

Uma ótima fotografia em uma clipe genial:

Ah, e só pra avisar: Ainda estamos de ressaca do Planeta Terra 09, que foi bem divertido. Resenhas em breve.

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Sep 09 2009

Pata de Elefante toca hoje no Studio SP

O Pata de Elefante, banda de rock instrumental de Porto Alegre que já entrevistamos, fecha hoje (09/09) sua rápida passagem por São Paulo com um show no Studio SP, às 23hrs. O setlist da apresentação vai contar com músicas inéditas, além das já conhecidas faixas do mais recente trabalho do grupo, Um Olho No Fósforo, Outro na Fagulha.

pata de elefante

Clique para dar zoom

A banda está concorrendo na categoria “Instrumental” do VMB 2009, que também tem Macaco Bong, Retrofoguetes, Hurtmold e Eu Serei a Hiena como indicados.

ATENÇÃO: O primeiro a comentar nesse post ganha um par de ingressos para assistir o Pata no Studio SP. CORRE!

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Mar 13 2009

Entrevista: Pata de Elefante

Semana passada recebemos um e-mail do MySpace, nos convidando para apadrinhar uma banda, que ficaria em destaque na página do Musificando, o programa de ajudar bandas que o MySpace criou. A dúvida foi grande, de verdade. Várias bandas passaram por minha cabeça, até que um outro e-mail chegou. Era das meninas da Agência Alavanca, nos convidando para o show Zoo Instrumental, que aconteceria no Inferno Club (SP), onde tocariam Pata de Elefante e Macaco Bong.

Confesso nunca ter dado muita atenção a estas bandas, mas me interessei pelo convite e procurei mais sobre as duas, principalmente o Pata de Elefante. E o que encontrei foi uma grande e rica mistura de rock clássico, country, folk e surf music, em músicas instrumentais que não me deixaram sentir em momento algum a ausência de vocal. E pesquisando melhor, percebi que este é um dos grandes fortes da banda: agradar pessoas que estão acostumadas a ouvir apenas música com vocal. E então fui ouvindo aquilo, e gostando cada vez mais. Até que aquele problema de qual seria a banda apadrinhada sumiu. Logo indiquei o Pata de Elefante, e programei uma entrevista com a banda, mais precisamente com os guitarristas/baixistas Gabriel Guedes e Daniel Mossmann. E ela aconteceu um pouco antes do ótimo show que fizeram no Inferno, com aquele som marcante e viciante que eu estava cheio de ansiedade para ouvir ao vivo desde o início da semana, quando o último disco deles “Um olho no fósforo, outro na fagulha” entrou no meu iPod e que até agora teima em estar sempre entre os mais ouvidos.

A tal entrevista você confere logo abaixo. Se quiser ouvir um pouco antes pra se interar no assunto, é só acessar o MySpace deles. Em tempo, adicione a banda no Myspace. Se entre as bandas apadrinhadas o Pata de Elefante for a que conseguir o maior número de amigos, o blog que a apadrinhou ganha um banner na página inicial do MySpace. Ou seja, ajudando o Pata você também estará ajudando o Move.

MTJ!: No começo do ano, nós pedimos para várias bandas indicarem os 5 melhores álbuns de 2008, e o Marcos, do Walverdes, colocou como primeiro lugar o “Um olho no fósforo, outro na fagulha”. Uma coisa que eu acho bem interessante é essa união e troca de reconhecimento que existe entre as bandas do cenário independente brasileiro. Vocês acompanham de perto o trabalho das outras bandas daqui?

Daniel: No meu caso, não sei muito bem o que quer dizer com bastante, não conheço todas as bandas, mas tem algumas que eu curto..

Gabriel: É, a gente cruza bastante banda na estrada, tocamos juntos, trocamos CD. A gente faz parte da cena, então convive com elas. Algumas que eu gosto são Macaco Bong e algumas outras, poucas outras. (risos)

Daniel: É, massa tem o Walverdes também, o Chucrobillyman, uma banda de uma pessoa só, bem legal.

MTJ!: Vocês já tocaram em bandas com vocal, certo?

Daniel: Sim.

MTJ!: E num show, qual é a principal diferença que vocês sentem no público entre estar tocando uma música com vocal e uma apenas instrumental?

Daniel: No caso a guitarra é a voz nas nossas músicas. Na real a gente encara assim, tem a melodia principal, que a guitarra faz como se fosse a voz e tem as horas que é solo de guitarra, que é outra coisa, é um improviso. De repente as pessoas não identificam isso, acham que o cara tá fazendo solo o tempo inteiro mas não é assim, tem uma hora que é uma melodia definida, tem hora que é improviso.

Gabriel: Tem inclusive músicas nossas que se você pensar pode imaginar como se fosse uma música com voz, né. Tem música nossa no disco onde a guitarra faz a música inteira, e na hora do solo, propriamente dito, quem faz é um piano, pra ter aquela diferença. Não é comum o cantor fazer um solo, então é a mesma coisa, a guitarra está cantando e vem um outro instrumento pra fazer o solo.

MTJ!: Mas e no público, vocês sentem alguma diferença?

Daniel: É, a galera canta no assobio. (risos)

Gabriel: Já teve show que as pessoas até cantaram..

MTJ!: Acho que a que cantam mais é a ‘Hey!’, né?

Daniel: É, essa é sempre a mais cantada. (risos). No geral as pessoas gostam, mas não tem aquela coisa de cantar junto. È olhando, curtindo, dançando…

MTJ!: Qual vocês acham que é o principal motivo pelo qual muitas pessoas tem um pé atrás com música instrumental? E vocês ficaram surpresos ao agradar essas pessoas que estão acostumadas a ouvir apenas música com vocal?

Daniel: Acho que tem mais a ver com o gosto das pessoas, elas estão acostumadas a curtir um tipo de som que é um  instrumental tipo folk, country, rock clássico, de repente aí pegou no gosto das pessoas de soar bem né, de repente até então a banda que fizesse rock instrumental assim, esse tipo de som..

Gabriel: Acho que no nosso caso nós temos uma pegada mais popular, digamos, uma pegada de rock.

Daniel: É, nós temos músicas em um formato popular mesmo, com refrão, talvez isso ajude, um formato que fique na cabeça, mesmo sem letra.

Gustavo Telles, Daniel Mossmann e Gabriel Guedes

MTJ!: Vocês tem como influência algumas trilhas sonoras de filmes. Estas referências cinematográficas estão presentes em outros aspectos da banda também?

Daniel: Cinema? Acho que só pela trilha mesmo. Tem filmes que eu gosto de assistir que às vezes a trilha eu não curto tanto. Mas tem trilhas que gostamos bastante. Eu gosto muito da trilha do ‘Um Estranho no Ninho’, ‘Diabolique’, tocamos uma música do [Ennio] Morricone, tocamos a música da Pantera Cor de Rosa, músicas do [Henry] Mancini.

Gabriel: E nesse caso os filmes são bons também.

Daniel: Exatamente, às vezes tem filmes que nem são muito bons e tem trilhas maravilhosas.

MTJ!: Continuando nas influências, suas principais são bandas mais antigas. Tem alguma coisa atual que influencia vocês ou que os agrada bastante?

Gabriel: Tudo que é bom acaba influenciando de uma maneira ou outra, se o cara gosta… Existem várias bandas mais atuais que pegam influências antigas para fazer algo que soa mais moderno, e sempre mudando.

Daniel: E é o nosso caso, se for ouvir o que a gente faz, todo mundo já fez, mas a gente faz diferente, do nosso jeito.

Gabriel: Não é uma coisa pensadamente “retrô”, é o que sai.

MTJ!: E na música instrumental, tem algo atual que vocês gostam?

Gabriel: Tem o Macaco Bong…

Daniel: E tem os mascarados lá, Los Straitjackets.. uma banda de surf music moderna, a gente até toca algumas músicas deles..

MTJ!: Pra terminar, depois de álbum tão recebido pela crítica, o Pata de Elefante está sonhando alto? Quais são os planos para um futuro próximo?

Daniel: Nós temos três projetos.. Tem um disco de baladas todo gravado, só de baladas, tem algumas músicas novas que estamos trabalhando para um disco novo, aí mais rock, pegada. E tem um projeto de um filme..

Gabriel: Que aí até inclui aquela tua pergutna anterior sobre cinema né..

Daniel: Que é a idéia de um filme pornô, que a gente tá fazendo as músicas..

MTJ!: A trilha sonora do filme?

Gabriel: Não é isso, não encomendaram a trilha pra nós.

Daniel: Não, não, nós estamos fazendo as músicas e vamos montar o filme ao mesmo tempo.

Gabriel: O filme é pra ser um show, ele vai ser exibido durante um show, e a gente vai tocar no escuro, ao vivo, a trilha sonora. Que nem filme mudo antigamente, que tinha um pianista no cinema.

MTJ!: Ah, sim. Vocês vão tocar enquanto o filme passa.

Gabriel: A banda toca meio no escuro, entendeu? Ficamos numa posição que a gente enxerga a tela e tocando.

Daniel: A gente já fez isso uma vez, fizemos com o filme ‘O Gabinete do Dr. Caligari’, que é mudo né. A gente criou uma trilha inédita pro filme, teve a projeção e nós tocamos enquanto o filme passava. E é isso que faremos com o pornô, só que dessa vez vai ser tudo criado por nós, inclusive o filme.

Por Marçal Righi

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