O futuro casal mais bonitinho da atualidade fez sua estréia francesa ontem, no programa Le Grand Journal, um dos mais populares do país. Scarlett Johansson e Pete Yorn mostraram que mandam bem ao vivo, mesmo se a apresentação for exibida no dia seguinte em um player tão lerdo quanto o do Stereogum:
Em 2006, o cantor e compositor americano Pete Yorn teve um sonho e, com ele, surgiu uma idéia pronta de fazer um disco de duetos (que sonho produtivo, meu Deus!!!), inspirado nas gravações de Serge Gainsbourg e Brigitte Bardot nos anos 60.
Para o papel da voz feminina, ele chamou a atriz lindagatérrima Scarlett Johansson, que encaixou sua voz perfeitamente nas composições de Pete e fez do álbum Break up uma das boas surpresas do ano. Digo “surpresa” pelo fato de ter achado o até então único disco da atriz, Anywhere I lay my head, de 2008, uma chatice sem tamanho. Em Break Up a atriz canta “livremente”, com uma voz natural que pareceu um tanto quanto forçada no disco-tributo a Tom Waits.
O disco conta com 9 músicas, totalizando 29 minutos de música que passam surpreendetemente rápidos e, no fim deles, é deixada uma gostosa sensação proporcionada por músicas que vão desde a abertura folk-pop de “Relator” até o final vagaroso de “Someday”. Durante o “percurso”, o ouvinte ainda é presenteado com músicas como “Wear and tear” – uma baladinha recheada de slide-guitar e banjo e que até chega a lembrar um pouco algumas músicas solo de Conor Oberst. “Blackie’s dead” é uma das melhores provas de que o dueto de Pete com Scarlett realmente deu certo. A música conta com belas alternâncias de vocais, fazendo da faixa uma das melhores do disco.
No entanto, o grande destaque de Break up fica por conta da penúltima faixa, “Clean” – uma balada tristonha à la Cat Power que conta com refrões com tímidas batidas eletrônicas e Pete e Scarlett em seus melhores momentos, nos fazendo constatar que a dupla realmente deu seu melhor no disco. Como resultado, o que era pra ser apenas um projeto entre amigos e sem grandes pretensões (tanto que, devido a “ciúmes artísticos” de Pete Yorn, só será lançado oficialmente no próximo dia 8), se tornou um disco muito agradável, daqueles que podem ser escutados a qualquer hora, sabe?
Para quem se decepcionou com o estranho Anywhere I lay my head, vale a pena dar uma nova chance para a atual musa de Woody Allen. Até porque em Break up, Scarlett é – como em seus melhores papéis (Encontros e Desencontros e Match Point) – coadjuvante, sendo comandada por um músico talentosíssimo e que soube deixar a atriz bem à vontade pra se arriscar, mais uma vez, no cenário musical – desta vez, no entanto, o resultado foi bem favorável.