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Jul 21 2009

Coluna PopMata: Julian Plenti, Rockz e Florence And The Machine

Julian Plenti - Julian Plenti Is... Skyscraper

Julian Plenti – Julian Plenti Is… Skyscraper (2009)
Há algo na voz de Julian Plenti que é só dele, ou melhor, dele e de Paul Banks, vocalista do Interpol, já que são a mesma pessoa. Mas, a melancolia expressada com violência e displicência, tão milimetricamente inserida na canção, é algo que só Paul Banks tem. Julian Plenti, o Paul Banks sem seus três amigos nova-iorquinos, é mais sorrateiro. Chega, por vezes, na base do sussurro. Extrapola o nível da canção para se tornar o principal elemento dela. Usa experimentação para se diferenciar daquele vocalista de uma das principais bandas da década. E acerta, diretamente, sua mente.

Não sei te dizer se você gostará de “…Skycraper” por gostar de Interpol. Tanto quanto não sei se você pode se impressionar por não gostar do quarteto. É diferente, essencialmente. Há algo mais adulto na postura solo do cantor, algo mais introspectivo e uma disposição maior para sonoridades diferentes também.

Como uma obra, em sua forma completa, a estreia solo de Paul Banks faz todo o sentido. Talvez você precise chegar na 4ª faixa para ouvir uma explosão vocal e reconhecê-lo mas, até lá, já estará entregue, novamente, aos caprichos sentimentais deste grande compositor e músico.

Rockz - A Tão Sonhada Bicicleta

Rockz – A Tão Sonhada Bicicleta (2009)
O Rockz ainda quer fazer você dançar e pular. Mesmo com um novo vocalista, sonoridade diferente e uma agressividade menos regulada, eles querem fazer você dançar e pular. Mesmo que agora você precise franzir o cenho para parecer uma pouco mais mau, eles ainda vão te fazer dançar e pular. Afinal, pra que outra coisa o rock serve?

Does It Offend You, Yeah?, Queens of The Stone Age, Bloc Party e Klaxons. Essa são as influências do novo álbum “A Tão Sonhada Bicicleta”, mas não seriam o suficiente se não houvesse uma banda tão competente por trás. Seja em composição ou em execução, o Rockz é um primor. Letras, riffs e ritmos se entrelaçam e criam a atmosfera perfeita para uma noite em um bar. É sexy e quente. Ficar parado pra quê?

Se agora você está sentado trabalhando, ou está em casa pensando em ler um livro, ou está indo fazer sua caminhada diária… Coloque este som nos seus ouvidos e deixe-se envolver. Dance, pule ou apenas bata o pé, para seu chefe não te achar um maluco. Ou não se importe com nada disso e apenas ouça. (E ainda não está ouvindo por quê?)

Florence And The Machine - Lungs

Florence And The Machine – Lungs (2009)
Florence Welch é exatamente o elemento indispensável para a proposta de “Lungs”. As canções são simplesmente saborosas, divertidas e lindas por Florence agir tão bem em uma canção. Não importa a harpa, os sintetizadores, a percussão ou a guitarra se ela não estiver tornando toda esta unidade possível. Mesmo sabendo disso, ela não quer que sua voz seja mais importante do que a canção. E quem ganha com isso são os ouvintes.

Florence And The Machine aproveita de influências soul, oitentistas e indie-hippie (?), e com uma esperteza absoluta, cria canções pop com riqueza indiscutível. Não basta uma grande cantora a frente da banda, é preciso mais. É preciso criar melodias e arranjos perfeitos, e isso não falta em Lungs.

Apesar das comparações (totalmente compreensíveis) com Lilly Allen, Winehouse e Kate Nash, Florence dá uma passo a frente. Quando não é o próprio ego que está em jogo, e quando a cantora não quer ser o único destaque em seu trabalho, o brilho cresce tanto e se espalha, que fica praticamente impossível separar a música do artista. Florence Welch ou Florence e sua banda (a “the Machine”), não importa, sabe que a música ainda é mais importante. E faz isso muito bem.

Coluna PopMata

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Jun 18 2009

Coluna PopMata: The Rumble Strips, Cachorro Grande e Regina Spektor

The Rumble Strips - Welcome To The Walk Alone

The Rumble Strips – Welcome To The Walk Alone (2009)
Com a produção de Mark Ronson e orquestração de Owen “Final Fantasy” Pallet, qual a possibilidade de um álbum dar errado? Pequena, cá entre nós. E, sabendo disso, o Rumble Strips não economizou, preparou logo um álbum cheio de composições pop que não cabem a um determinado estilo ou a uma determinada época. Como isso? Trabalhando com diversas influências que atravessam décadas. É possível ver influências desde o mais novo indie-rock ao mais clássico tema de um filme lançado nos anos 40. Prepotente demais? Pretensão absurda? O quinteto inglês não parece ter se preocupado com isso.

Se no primeiro álbum o foco era na mistura que o ska permitia, eles voltaram mais focados no soul e nos hits grandiosos. Não, não parece como uma banda envelhecida para grandes estádios. É mais como um grande passo para um banda que tinha tudo para se perder, mesmo depois de uma grande estreia.

Charlie Waller se afirma como um grande compositor e mostra porque é uma das vozes mais bacanas do cenário atual. E o Rumble Strips prova que a síndrome do segundo disco pode ser o melhor pretexto para sair de linha e dar um grande salto. E que salto.

Cachorro Grande - Cinema

Cachorro Grande – Cinema (2009)
Os gaúchos do Cachorro Grande não pensam em fazer diferente, eles vão continuar explorando as vertentes do rock e os grandes clássicos para criar seus discos. Que bom para nós.

Claro, nem sempre isso é sinal de sucesso. Quantas bandas dizem fazer “classic-rock” ou algo do tipo? Quantas são desprezíveis? Não sei o que você pensa sobre o Cachorro Grande, mas é certo de que este é o melhor de seus álbuns. Experimentando no rock mais psicodélico e indo em direção ao mais dançante, eles não vacilam. As influências de Stone Roses, Beatles, Oasis e Who ainda estão lá, mas melhores trabalhadas. As letras sobre assuntos aleatórios, ainda são marca registrada. Então, o que realmente mudou?

Mais dinâmico, direto e bem produzido, o Cachorro Grande parece querer mostrar que não são apenas uma bandinha tendência ou algo assim. Mostram que são uma verdadeira banda de rock e que estão dispostos a não se preocupar com preconceitos ou com o que as críticas se preocuparão em apontar. Se trata de música e rock’n'roll, e isso basta pra eles.

Regina Spektor - Far

Regina Spektor – Far (2009)
Se Regina Spektor era a pecinha esquisita que completava o quebra-cabeça que une o mainstream e o indie-pop, este é o álbum em que ela se mostra madura suficiente pra aceitar isso. O sucesso alçado com “Begin to Hope” não foi o suficiente para Regina abandonar aquela veia mais excêntrica. “Far” é a obra fundamental da russa-estadunidense, onde ela visita e passeia pelas rádios ou pelo mundinho underground mas que, acima de tudo, apresenta as suas melhores canções, independente do universo em que está.

As melodias pops açucaradas são ótimas para dias mais melancólicos, mas há também aquelas canções divertidas e ensolaradas. Há, na verdade, um álbum completo. A voz suave de Regina Spektor e os arranjos de piano proporcionam diversas sensações e momentos interessantes. Se há um álbum para representar a figura que ela se tornou, este é o álbum. Não há irregularidade, mas há um pouco de cada álbum dela até agora, e há momentos que não são perfeitos pra rádio (quanto aos outros, são mais radiofônicos do que nunca).

Depois de fazer tema pra filme da Disney, trilha-sonora para novela e seriados, e arrebatar críticas mais que positivas de diferentes meios, faltava um trabalho apenas para reunir toda a personalidade da cantora. Esse trabalho deveria conter lapidadas canções e toda a beleza que ela é capaz de produzir. E esse trabalho, é a obra “Far”.

Coluna PopMata

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May 27 2009

Coluna PopMata: Bowerbirds, Pullovers e Wilco

Bowerbirds - Upper Air

Bowerbirds – Upper Air (2009)
O Bowerbirds, trio americano, são como pássaros realmente. Dentro da revoada de bandas e projetos new-folk, eles se destacaram com seu debut. Agora, com seu segundo álbum, podem afirmar que não eram apenas mais um dentre aqueles tantos que sobrevoavam atrás de uma oportunidade no estilo. Eles voaram mais alto e alcançaram o que queriam com dois álbuns excelentes. Eles alcançaram o respeito.

Se, em sua estreia, os temas das músicas eram relacionados à natureza, desta vez a temática se diferencia um pouco. Colocando os humanos e seus sentimentos em primeiro plano, o Bowerbirds ganha mais força. Tratar sentimentos de maneira tão bela e com canções tão potentes é para poucos. Talvez essa nova proposta tenha surgido com a convivência com Bon Iver, com quem o trio excursionou. Então, pode esperar coisas boas.

As canções de belas melodias e harmonias contam com linhas vocais afinadíssimas e com arranjos de violões, violinos, acordeões e tamborim. Tudo sempre doce e saboroso, te deixando com a mente mais leve e com o coração mais confortável. Dessa forma, será possível voar junto com o Bowerbirds e conhecer os lugares mas lindos dentro de você mesmo.

Pullovers - Tudo que eu sempre sonhei

Pullovers – Tudo que eu sempre sonhei (2009)
Apostando numa linguagem e numa visão paulistana, o sexteto vai do samba ao indie-rock em questão de segundos e, agora, falam em português.

Depois de 3 álbuns clássicos para o cenário underground paulistano, o Pullovers aposta numa nova roupagem para o seu som. Além de músicas totalmente em português e com letras incríveis, o som se afasta totalmente das tendências punk-rock e investe em influências que vão de Toquinho a Belle And Sebastian. Esse novo som, porém, é mais do que uma junção de estilos, é a criação de uma nova vertente para o rock-alternativo. Vertente essa que flerta com esquisitices, referências pop e o adorável samba paulistano.

Porém, criar uma música que é a voz de São Paulo não é limitar sua abrangência. As visitas ao Rio de Janeiro são constantes nas canções, e a disposição para alcançar qualquer ponto do Brasil ou do mundo é presença certa em cada faixa do álbum “Tudo que eu sempre sonhei”. O Pullovers pode se orgulhar por ser voz de uma metrópole e por, mesmo assim, estar tão próximo dos ouvidos de qualquer um, em qualquer lugar.

Wilco - Wilco (The Album)

Wilco – Wilco (The Album) (2009)
O Wilco já possuiu diversas faces, mas nunca deixou de ser Wilco. A essência sempre esteve ali, e há quem reconheça o Wilco em sua forma mais experimental, assim como há quem prefira o Wilco em seu início, apenas com aquele country-alternativo mais despretencioso. O Wilco não tem dúvida do que realmente é. E pra provar isso, depois de tantos “Wilco” em banda e em palavras, com vocês “Wilco (The Album)”.

Em “Sky Blue Sky”, álbum de 2007, o Wilco soube fazer uma síntese dos anos anteriores e acrescentar novos elementos à sua música, mas não se alterando de maneira tão visível como em “A Ghost is Born”, de 2004, por exemplo. Porém, desta vez, o Wilco parece vir disposto a se reapresentar, ou se apresentar para um público que ainda o desconhece. Para isso, faz uma recapitulação de todas as suas fases e chega a uma unidade precisa. Em “Wilco (The Album)” é possível ouvir resquícios de tudo que já foi produzido pelo sexteto de Chicago, e fica a sensação de que esse é o Wilco por inteiro.

Sendo assim, esse seria o registro de um Wilco mais apropriado para o público geral e para apresentação da banda. Sem dúvida é um grande álbum, cheio de grandes momentos, assim como a carreira da própria banda. Há quem vá torcer o nariz, há quem vá adorar. Mas, acima de tudo, há Wilco. E, quando há Wilco, há música em uma de suas melhores representações.

Coluna PopMata

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May 13 2009

Coluna PopMata: Oasis no Anhembi-SP (09/05/09)

Oasis

Durante a apresentação do Oasis em São Paulo no último sábado havia, logo atrás de mim, uma garota. Essa garota devia ter lá seus 15 anos e não media mais de 1,64m. Ela sabia todas as letras de todas as canções do quinteto de Manchester, ao contrário de mim que conheço todas as músicas mas sou péssimo com as letras. Ela, durante todo o show, vibrou e cantou a plenos pulmões, sem vacilar. Pulava e tudo mais. Mas um detalhe: ela não devia enxergar nada no palco e pouco no telão. Além dos meus 1,88m na frente dela, haviam diversas outras pessoas, naquela que seria a maior concentração de fãs altos de uma banda. Sim, em média os fãs de Oasis são bem altos.

Agora, se alguém que nem enxergava os Gallagher, nem via o show de luzes ou de vídeos nos telões, conseguiu gostar tanto e aproveitar o show daquela maneira, mesmo depois de tanta chuva, dá pra se ter ideia de quão bacana foi aquela noite.

Sem dúvida, o Oasis fez um show para os fãs, que já sabiam todo o setlist e não tinham dúvidas de como seria o show de cabo-a-rabo. Eles não preparam nenhuma novidade, nem se mostraram dispostos a isto. E precisava? Não. Não pra eles…

A banda já entrou no palco sabendo que o jogo estava ganho, e nem os problemas com áudio baixo (viva Anhembi!) e com a platéia (“Parem de jogar essas porras no palco, ou vamos parar a merda do show! – disse Noel), mudaram a situação. Havia momentos que a plateia se exaltava menos, mas logo a banda revertia o placar. Foi assim com “Masterplan”, “Wonderwall” e “Don’t Look Back In Anger”, jogadas infalíveis para deixar o público mais que animado: enlouquecido. Mas claro que não foram os únicos pontos altos do show. A nova “The Shock of the Lightning” foi a que mais animou entre as presentes no álbum mais recente, e até a modesta “Songbird” de Liam, mexeu com os corações mais apertados. Mas Liam, definitivamente, não foi a estrela da noite. A platéia, incansavelmente, gritava: Noel! Noel! Noel! (e de vez quando também gritava por Liam, mas era só pra não ver uma crise de ciúme ao vivo).

Noel comandou a brincadeira, estando nos vocais ou não, e mostrou porque é um dos compositores de rock mais importantes de todos os tempos. A emoção era gigantesca, principalmente nos momentos em que Liam não se intrometia tanto.

Mas calma aí, o Liam também fez sua parte. Apesar da voz cada vez mais debilitada e de todo ar de marrento, ele mostrou que sua presença é essencial. E mostrou mais. Mostrou carisma e até simpatia, quando dedicou Morning Glory para a “galera do fundão” (vulgo “não-vip’s”).

O maior erro, porém, foi toda previsibilidade do show. O Oasis poderia sim mudar seu setlist e o formato de suas apresentações. Mas não quiseram… Paciência. Perderam alguns pontos. Mas nada interferiu pra quem foi de coração aberto esperando para ver um dos shows mais bacanas de suas vidas. Isso serviu pra mim, para os outros caras altos e para grande parte da galera molhada, inclusive para a garotinha que com os olhos não viu, mas que com o coração sentiu. E muito.

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May 08 2009

Coluna PopMata: The Maccabees, Danger Mouse and Sparklehorse e Sonic Youth

Olá, leitores do Move That Jukebox!
Eu sou Iberê Borges, autor do blog PopMata, e a partir de hoje sou responsável por uma coluna de resenhas para novos discos aqui nesse espaço.
Aparecerei de quando em quando com algumas dicas de álbuns interessantes para vocês e espero que gostem!
Opiniões e sugestões são sempre bacanas, então sintam-se a vontade.

E aproveitem!

The Maccabees - Wall Of Arms (2009)

The Maccabees – Wall Of Arms (2009)
Crescer sem aborrecer? O Maccabees parece entender muito bem do assunto. Deixando de ser apenas mais uma das bandas que apostam em influências pós-punk para criar um som dançante, a banda inglesa utiliza das mesmas influências porém, agora, insere novos elementos e oferece novas atmosferas que remetem a um art-pop muito bem elaborado, chegando a lembrar Arcade Fire e Broken Social Scene, em alguns momentos e não é por menos. O produtor do álbum, Markus Dravs, já trabalhou com Arcade Fire e Björk, então soube coordenar bem o trabalho do Maccabees para que o som não se tornasse chato ou cansativo. Acertou em cheio, o quinteto de Londres faz um som cheio de energia e ainda divertido, mesmo abordando temas mais sérios e criando momentos mais tensos.

Sabendo que caminho seguir, o The Maccabees exibe a melhor forma de se evoluir e crescer. Consequentemente, lançam um dos álbuns mais interessantes do ano, até então.

Danger Mouse and Sparklehorse - Dark Night of the Soul

Danger Mouse and Sparklehorse – Dark Night of the Soul (2009)
Contando com intépretes como Wayne Coyne, Gruff Rhy, Jason Lytle , Julian Casablancas, Black Francis, Iggy Pop, James Mercer, Nina Persson e Vic Chesnutt, Danger Mouse (a metade mais interessante do Gnarls Barkley) e Sparklehorse (introspectivo compositor americano) criaram um álbum de atmosfera maravilhosa, onde se é possível ouvir músicas de diferentes segmentos, mas com uma única proposta, com uma interpretação única. Isso porque encontraram uma unidade entre os intérpretes, e conseguiram fechar uma obra completa.

Essa obra, será lançada junto com um conjunto de fotos produzidas pelo diretor de cinema David Lynch. Veja como é um projeto grandioso… mas não se engane achando que grandiosidade num projeto como esse é sinônimo de um trabalho pretencioso, pelo contrário. Os climas das canções são intimistas ao máximo, criando momentos melancólicos e, mesmo quando mais “agitado”, cria momentos bem solitários.

Mas a tristeza que “Dark Night of the Soul” carrega é tão bela, que realmente insere boas sensações no fundo de sua alma, e isso tudo é consequência do trabalho competente da dupla Danger Mouse e Sparklehorse, que mesclando rock com eletrônico, conseguem criar momentos que vão de pop-psicodélico ao proto-punk. Momentos melancólicos ao extremo, até um pop saboroso. Mas, definitivamente, esse não é um álbum pop, por mais que conte com importantes entusiastas. É uma obra completa, cheia de grandes momentos, feita para se apreciar por inteiro.

Sonic Youth - The Eternal

Sonic Youth – The Eternal (2009)
O tempo só faz bem ao Sonic Youth e, digo isso, não como uma opinião. Digo como um fato. Com quase 30 anos de carreira, a banda, que praticamente inventou o rock-alternativo e toda sua abrangência, continua mexendo com o mercado, mesmo que inconsequentemente. Isso ficou claro quando o vazamento do álbum deixou o WebSheriff louco. E não é por menos. O Sonic Youth acaba de voltar a lançar discos por selo independente (Matador Records), depois de anos trabalhando para a Geffen, do grupo Universal. E mesmo quando o assunto é música, em sua forma absoluta, o Sonic Youth continua impressionando.

Depois de “Rather Ripped”, álbum de 2006 elogiadíssimo pela crítica e adorado pelo público, que apresentava a face mais coesa e madura da banda, “The Eternal” traz de volta antigas experimentações e guitarradas sem fim, de uma banda que melhor soube aproveitar os sons desse instrumento até hoje. Porém, a maturidade ainda se mostra presente, e se era preciso um toque mais adulto em todo barulho que ecoava de suas músicas, o SY encontrou a fórmula correta que une o antigo e o coeso lado da banda.

Para antigos fãs da banda, não há decepções e há boas surpresas. Para tripulantes de primeira viagem, saibam que não há muito o que compreender no Sonic Youth. A banda é assim como o tempo, não é preciso compreende-la. É preciso aproveitá-la.

Coluna PopMata

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