25 mar 2011

Datarock @ Estúdio Emme – São Paulo, 24/03/11

Por Marçal Righi @14:36

Muito tempo atrás, no longínquo ano de 2007, um dia antes desse blog nascer, eu saí do show de uns caras uniformizados com jaquetas vermelhas sem voz, extasiado e com uma certeza: teria que ver um show do Datarock de novo. O tempo passou e vieram novas bandas, novos discos e outros shows desejados, me conformando de que talvez não os veria mais. Mas um dia desses alguma pessoa de bom coração resolveu trazê-los para São Paulo, e aí já sabe…

Logo de cara veio “Give It Up”, uma das melhores músicas do último álbum, um ótimo cartão de visitas para aqueles que não sabiam do que eles são capazes. O Estúdio Emme tinha um clima bem agradável e apesar de estar longe de sua lotação máxima, os presentes pareciam estar dispostos a se soltar. Como no último show deles por aqui, isso foi rolando aos poucos. Eles precisaram conquistar a maior parte do público, o que não foi díficil. A sequência de “True Stories”, “Dance!” e “Nightflight to Uranus” foi muito bem recebida, assim como as duas músicas novas, que Fredrik fez questão de perguntar várias vezes se havíamos gostado.

O ápice veio com “Fa Fa Fa”, e aí meu amigo, ninguém era mais de ninguém. Todo mundo dançava, pulava e entoava as sílabas que nomeiam a música. Depois ainda veio “Computer Camp Love”, “I Used To Dance With My Daddy” e o tradicional cover de “The Time of My Life”, que costuma fechar os shows deles da forma mais apoteótica possível, e que pelo que consta no script deveria ser mesmo o encerramento.

Mas o som estava bom, o clima uma maravilha só, ninguém queria que acabassem os riffs, os solos de saxofone e o ritmo balançado. Então fizemos um acordo: a banda iria embora fingindo que o show havia acabado e depois voltaria, combinado? Voltaram, descamisados, suados e dispostos a manter a temperatura lá em cima por mais um bom tempo. E já que a festa estava armada mesmo, eles resolveram aproveitar. O baixista se jogou na galera enquanto tocava, o tecladista/saxonista/animador de plateia desceu e tirou uma garota para dançar e o baterista amarrou um sutiã na cabeça (que simplesmente voou da pista para o palco). Fecharam com “Ugly Primadonna” e depois de juras de amor ao público deixaram o palco ao som de um remix de “California”, uma das músicas novas, mostrando que eles saem do palco mas a festa continua. E eu, satisfeito por ter realizado um “to-do” de 2007 vi nascer um novo desejo: tenho que ver um show do Datarock de novo.

Foto por Michel Salvianoeltoron.com
Vídeo por Diego Maia

1 dez 2009

Clipe: The Killers – Happy Birthday Guadalupe

Por Alex Correa @20:47

Todo mundo aqui já ouviu falar na Nossa Senhora de Guadalupe, né? Quem acompanhou América, aquela novela da Globo com a Deborah Secco, chegou a ver algumas apologias à Patrona do México. Se você é mais descolado e assistiu à segunda (ou terceira) temporada de Heroes, também viu aquela dominicana chata pra caralho louvando a santinha enquanto gritava “ALEJANDRO, ALEJANDRO!” feito louca pelas ruas. Daí, em 2009, em vez de gravar uma música de Natal feito “Don’t Shoot Me Santa” ou “Joseph, Better You Than Me”, os Killers se juntaram pelo quarto ano consecutivo à organização (RED), que movimentou o twitter hoje com uma campanha pelo Dia Mundial de Luta Contra a Aids, para lançar um clipe em homenagem a essa tal santidade (que, até onde sei, não tem relação alguma com soropositivos e afins).

O vídeo conta com a participação do ator Luke Perry, um dos caras do primeiro elenco de 90210. As vozes desconhecidas que aparecem na música, ou melhor, as que não pertencem a Brandon Flowers, são cortesia dos caras do Wild Light e do Mariachi El Bronx, que já fizeram uma turnê com os Killers. Mesmo assim, o que mais chama atenção no vídeo é o clima western que tanto tem sido usado pela banda, como em “Human”. Olha aí:

3 abr 2009

Datarock – Give it Up

Por Alex Correa @16:53

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=SOfgv58_YDU]

Álbum novo vindo aí. Aguardem. Red is out in May.

Alex Correa

8 jul 2008

Cultura indie e crayon vermelho na luta contra a AIDS

Por Cédric Fanti @12:12

Pra quem ainda não perdeu o espírito da infância mas não dispensa música de qualidade, aí vai uma boa notícia. O artista britânico Andy J. Miller, que, diga-se de passagem, faz umas estampas fodonas, criou para o trabalho final de sua faculdade um livrinho baseado em um CD de compilações com músicas que ele próprio escolheu, entre elas, faixas de Joanna Newsom, Grizzly Bear e Broken Social Scene.

E o que fazer com este tal livrinho? Bom, ele vem acoplado em forma de encarte ao CD e vem junto com um giz de cera vermelho. Aí você escolhe entre levar James Murphy pelo labirinto até os seus amigos, ou colorir o carrossel do Beirut ou até mesmo procurar as palavras no caça-palavras da Feist.

O melhor de tudo é que além de extravassar sua estripulias infantis, você fica com a consciência limpa e ajuda a instituição (RED), que se dedica no combate à AIDS em Gana. Além da idéia genial de Miller, a (RED) conta com produtos exclusivos de marcas famosas como GAP, Emporio Armani e Apple como contribuintes na arrecadação do dinheiro.

Conheça mas sobre o trabalho artístico de Andy J. Miller clicando aqui

Autor: Cédric Fanti

Fonte: Pitchfork

17 jun 2008

Recomendação: Guillemots

Por Cédric Fanti @20:00

Quando conheci o Guillemots, nem dei tanta bola. Pensei “ah, é só mais uma daquelas bandinhas de indie pop meloso, nada que mereça muita atenção” e abandonei o disco Through The Windowpane no meu iTunes. Meses depois, dando uma limpeza geral na minha seleção de músicas, dou de cara com ele de novo. Nem lembrava direito como soava. Escutei. 1, 2, 3 vezes.

Talvez o meu gosto tenha mudado muito de lá para cá, mais veio a surpresa: que disco fantástico, que banda incrível. Não sei se isso é possível, mas deu um novo sentido à palavra avant-garde no mundo indie. Avant-Garde é vanguarda. Guillemots é vanguarda, é inovador. E tem brasileiro por trás disso, o guitarrista e baixista da banda, MC Lord Magrão é brasileiro, ex-integrante de uma banda chamada Vazio (que eu particularmente nunca tinha ouvido falar). Aliás, cada integrante é de uma nacionalidade diferente. Além de Magrão, a contrabaixista e percussionista Aristazabal Hawkes é canadense, o baterista Greig Stewart é escocês e o vocalista, tecladista e guitarrista Fyfe Dangerfield é inglês.

Through The Windowpane (2006)

01. Little Bear
02. Made-Up Lovesong #43
03. Trains to Brazil
04. Redwings
05. Come Away with Me
06. Through the Windowpane
07. If the World Ends
08. We’re Here
09. Blue Would Still Be Blue
10. Annie, Let’s Not Wait
11. And If All…
12. São Paulo

Com pouco tempo de banda, o gUiLLeMoTS (também pode ser escrito assim, mas deixemos o miguxês de lado) conseguiu lançar em 2006 um debut incrível. Começa com uma bonita introdução de cordas em Little Bear, passando para o duo de faixas mais pops do disco, Made-Up Lovesong #43 e Trains To Brazil (é, Brazil). A continuação é boa, passando por músicas boas como If The World Ends, a mais melódica do disco (repare na frase em português dita, aparentemente por uma criança, bem no final desta faixa “Mas o mundo não acabou…ainda…de qualquer forma”. Só notei isso com fone de ouvido. É, influências de MC Magrão) e Annie Let’s Not Wait, até chegar à epopéia que é São Paulo. A faixa de quase 12 minutos, passando por partes instrumentais enormes, uma parte mais triste em que repete-se os versos “sometimes I can cry for miles” e cita o nome da cidade brasileira em “while on the streets of old san paolo I watch my baby being burned”. A parte alegre da faixa (a melhor do disco todo, na minha opinião) fica na repetição dos versos “thrown across water”, e um final meio latino (?). Na verdade não consegui classificar, é demais.

Red (2008)

1. Kriss Kross
2. Big Dog
3. Falling Out Of Reach
4. Get Over It
5. Clarion
6. Last Kiss
7. Cockateels
8. Words
9. Standing On The Last Star
10. Don’t Look Down
11. Take Me Home

2 anos depois, o Guillemots lança seu segundo álbum, Red. É um disco bom também, mas se mantém inferior ao primeiro. Red possui mais abundância de elementos pop-rock, diminuição dos instrumentos clássicos, mas o vocal de Fyfe continua o mesmo. Kriss Kross, a primeira faixa, é a que mais tem vocação de hit. Sua introdução sensacionalista dá este tom. Depois vem Big Dog, a única música que eu consegui cantar de sing-a-long nas primeiras escutadas. Falling Out of Reach, a faixa seguinte, é a mais, digamos, romântica. Depois, aparece Get Over It, a mais animada e completamente pop do disco. É legal notar a presença de vocais femininos neste trabalho, que devem ser provavelmente da contrabaixista Aristazabal, na faixa Last Kiss (muito boa) e Clarion. Cockateels, também um ponto alto, vem em seguida. Após ela, nenhuma faixa me chamou muita atenção, mas nenhuma mostra baixa qualidade gritante.

Além destes 2 discos completos, a banda lançou 3 EPs (I Saw Such Things in My Sleep EP, Of the Night e From the Cliffs) e 7 singles

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=fQR2zias9ek&hl=en]

    Clipe de Made-Up Lovesong #43

Site Oficial | MySpace

Autor: Cédric Fanti