23 mai 2013

Brendan Benson no Cine Joia (SP – 22/05/2013)

Por  @14:01

Brendan Benson

Nem ser um dos mais competentes compositores de sua geração (e da atualidade) foi o suficiente para Brendan Benson encher o Cine Joia na noite de ontem (22). Não foi o bastante pra encher, nem pra rechear bem. Com bastante conforto para o público, o músico subia ao palco com toda sua experiência de cinco discos solos, mais a referência para alguns do público ali por ser um dos líderes do Raconteurs ao lado de Jack White, e com uma série de boas canções power pop para apresentar à plateia.

Com simpatia e execuções perfeitas e empolgantes, Benson só cometeu um grande pecado com os presentes: o setlist muito curto. Quase comprometendo o resultado da noite, as somente 12 músicas tocadas não foram suficientes nem para completar uma hora de show. Ficou óbvio que o músico só preparou um setlist fechado para tocar na Virada Cultural Paulista (nesse fim de semana em Presidente Prudente e Marília). O evento só permite uma hora de show para cada atração e foi pra isso que o americano veio ao país com sua banda de apoio. Porém, para a noite do Cine Joia, com seu público pagante (ou não) que esperava um show completo, isso foi decepcionante, já que deixou grande parte dos seus hits esperados de fora.

Brendan Benson

Porém, o que foi curto, foi ótimo. Com apenas uma formação de banda de rock básico (guitarra, teclado, baixo e bateria), Benson fez muito com pouco e mostrou por que bons refrões, melodias empolgantes e arranjos diretos são coisas sem prazo de validade. Quando se faz boa canção, a reação é inevitável: os fãs puderam se divertir e se emocionar com “Good to me”, “Cold Hands Warm Heart”, “Whole lot Better”, “Tiny Spark”, entre outras.

Basear maior parte de seu setlist em canções do disco novo foi a forma do músico mostrar que sempre está “na sua melhor forma”. Outra estratégia foi inserir “Steady as She Goes” em seu repertório, juntamente com “Hands”, que já se fazia presente em seu repertório – ambas do Raconteurs, onde ele é o integrante favorito de algumas garotas empolgadas que estavam ali em frente ao palco e mostraram a plaquinha “Amamos você mais do que Jack White”, tirando uma risada do músico e comentários sobre essa “disputa” de atenções.

Brendan Benson

Se saí do show com a sensação de que aquilo deveria ter sido mais longo (até por uma consideração com o público mesmo), saí também impressionado com o talento de Brendan Benson para criar canções tão bonitas quanto divertidas. Era algo que esperava poder assistir ao vivo ao lado dos amigos, gritando refrões e me empolgando com todos os momentos. Isso funcionou. Então agora resta esperar que essa falha de fazer algo tão curtinho seja o anúncio de uma volta do cantor ao Brasil em breve, durante a qual ele possa fazer tudo aquilo que deixou de fazer – e repetir tudo que soube fazer de bom.

22 mai 2013

Daft Punk – Random Access Memories

Por  @15:49

“Nós não estamos tentando fazer música house para gente que gosta de rock – isso é besteira”, disse o Daft Punk para a NME em 1997, em uma fase pré-capacetes. Engraçado, porque foi justamente isso que eles fizeram. Desde que as caveirinhas começaram a dançar no clipe de “Around The World“, o Daft Punk é uma banda de comunhão, o ponto de convergência entre quem gosta de guitarras e quem gosta de pickups. Não que os franceses sejam os únicos, mas, de 1997 para cá (ou seja, para a nossa geração), são os principais.

Outra coisa que o Daft Punk negava era o “star system”, a mania de bajular os artistas em vez de suas músicas. Os capacetes eram para protegê-los disso. Mas essa história também foi meio deixada para trás, escondida pelos anúncios para Gap e Sony, pela trilha-sonora para filme da Disney, pelas roupas da Saint Laurent e, neste Random Access Memories, por uma das campanhas de marketing mais massivas da música contemporânea.

21 mai 2013

The National – Trouble Will Find Me

Por  @16:11

The National - Trouble Will Find Me

Ao receber “Pink Rabbits”, Matt Beringer, o vocalista do The National, tinha uma nova obsessão. Deixou de lado a porção de outras músicas para as quais estava escrevendo as letras e se focou nela. Ao todo, foram nove versões diferentes escritas. Uma delas foi a que entrou como a décima-segunda faixa de Trouble Will Find Me, sexto disco da banda. Em entrevista ao The Guardian, Beringer disse que entre as outras versões, em três delas ele cantaria sobre a morte, “mas de um forma engraçada”. Entre as bandas contemporâneas, o The National deve ser uma das poucas que se atreve a cantar um assunto tão pesado sem usar uma estética pesada na sonoridade. Mas é, provavelmente, a única que acha ser possível falar sobre esse tema de forma engraçada.

Trouble Will Find Me chega três anos após o último trabalho, High Violet. O The National não é exatamente novo — nem são seus integrantes. Sempre vestidos de forma elegante, camisas e ternos bem caprichados, eles passam um ar sério e sóbrio. Muito diferente deste clima é a música, cheia de devaneios, perturbações e paranoias em suas letras. Sempre foi assim. Mesmo quando o grupo tinha um sonoridade completamente diferente do que ouvimos nos últimos álbuns, que tem como marco Boxer, de 2007, as letras perturbadoras já estavam lá. O disco de estreia, também chamado The National, já mostrava a bela melancolia característica da banda. Beringer já cantava, em “Theory of Crows”, que “If I forget you, I’ll have nobody left to forget” (Se eu te esquecer, não sobrará mais ninguém para esquecer). E Trouble Will Find Me não vem livre desses sentimentos. Um dos versos que mais incomodam vem em “Don’t Swallow The Cap”: “I have only two emotions, careful fear or dead devotion” (Eu tenho apenas duas emoções, medo cuidadoso ou devoção mórbida).

20 mai 2013

!!! – Th!!!er

Por  @15:43

O pop entrou no radar do !!!. E vice-versa. Não que eles fossem inimigos – pelo contrário. Mas agora, essa parceria foi acentuada e colocada basicamente como um guia que une boa parte das nove faixas de Th!!!er, disco tão divertido e animado quanto seu título possa indicar.

Depois de ganhar certa notoriedade nos anos 2000, quando deu um gás na cena dance punk americana, juntamente com nomes como Gossip e The Rapture, o !!! (ou, vá lá, Chk Chk Chk) abriu espaço para guitarras suingadas, baterias mais orgânicas e melodias capazes de grudar de tal forma que não há nada a fazer senão dançar. Muito.

20 mai 2013

The Vaccines – Grand Metropole (SP – 18/05/2013)

Por  @10:30

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Os dois discos do The Vaccines são bons por um motivo em especial: os hits. Justin Hayward-Young, líder e principal compositor, faz ao lado dos seus companheiros o que poucas bandas conseguem hoje em dia, que é criar hit atrás de hit, todos com refrãos pegajosos e ganchos poderosos. Mas depois da noite do último sábado, não parece que a banda se dedica tanto a essas poderosas canções somente para criar grandes álbuns – a parte favorita parece ser levar cada uma delas ao palco.

O quarteto apareceu ao mesmo tempo em que o público ia enchendo a casa – esse, mais jovem e bem diversificado entre rapazes e garotas. Era a cada acorde da introdução que se sentia a entrega da plateia ao quarteto inglês – só uma música não foi cantada em uníssono, isso porque ela era inédita (ainda não lançada oficialmente). Essa nova música, “Melody Calling”, trazia Justin no violão (algo que ele não fez em nenhuma outra música do show) e também já mostra seu aspecto de hit com sua bateria dançante e refrão repetitivo. No próximo show, ela estará na boca de cada um presente, tenha certeza.

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De resto o grupo se apoiou “somente” em seus dois primeiros álbuns e no single “Tiger Blood”, que não está presente em nenhum dos dois registros. Foram 21 músicas no total, pouquíssimas músicas da carreira da banda ficaram de fora. Ainda bem, já que se alguma dessas da noite não fosse tocada faria falta. Essa é a responsabilidade de ser hit maker.

Foi com dedicação, empolgação, e com todos clichês de um show de rock, que afinal combinam com suas composições, que o Vaccines arrancou sorrisos na plateia, gritos e pôde até comandar momentos onde deixava o público presente cantar os versos sem perder a força e clamava por cada um deles. Jogando guitarra no chão, fazendo pose de guitar hero, se exibindo em solo de bateria ou dramatizando cada verso, o quarteto fez a apresentação ideal para engrandecer o clima da noite – até o figurino repaginado e cabelos renovados, mostrou o cuidado que a banda vem trazendo para suas apresentações ao vivo (comparando com a última passagem no Brasil).

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O rock quadrado, repetitivo e de fórmula fácil só parece ser um desafio para o Vaccines, que vence facilmente com os mais potentes rocks feitos na atualidade: “No Hope”, “Wreckin’ Bar (Ra Ra Ra)”, “I Always Knew”, “Wetsuit”, “Post Break-Up Sex”,”All in White”, “Wolf Pack”, “Blow It Up”, “Family Friend”, “Teenage Icon” e “Nørgaard”, fechando a noite. O show foi perfeito para quem queria se divertir – para eles e para nós.

16 mai 2013

Vampire Weekend – Modern Vampires Of The City

Por  @14:45

Vampire Weekend - Modern Vampires Of The City

O brilho da inocência e a glória da maturidade sempre foram itens de imagem turva e, de certa forma, mesclados quando o objeto observado era o Vampire Weekend. Experientes e jovens, estudiosos e desatados, pesquisadores e inconsequentes, experimentais e básicos – tudo isso foi o que deixou fácil pra liderarem um leva de bandas que eles mesmos influenciaram, com todo seu resgate e busca de elementos, e também serem figuras de referências para os hipsters assim como liderar Billboard americana.

Há uma fórmula que une tudo isso e constrói esse quarteto do Brooklyn. O que não era sabido é que ainda havia um caminho tão bem iluminado para a evolução de sua música, que parecia estacionada de certa forma, devido aos dois primeiros álbuns tão bons quanto similares. Sendo assim, não esperava ouvir Modern Vampires Of The City e encontrar nesse novo lançamento o melhor álbum já lançado pela banda, assim como o melhor registro musical do ano (até agora).

3 mai 2013

Charli XCX – True Romance

Por  @11:19

charli xcx

Com apenas 20 anos, Charli XCX lançou seu primeiro disco por uma major, contando com vários produtores para ajudá-la na missão e conseguindo fundir influências modernas e tendências pop que datam de bem antes dela pensar em nascer. É a geração anos 90 assimilando a avalanche de informações e possibilidades à sua frente – e se saindo extremamente bem na tarefa. Bem, pelo menos é o caso da cantora inglesa, que “mexe com música” desde seus 14 anos.

Em sua estreia, Charli mostra maturidade e bom gosto que falta em muitos artistas experientes. Sendo uma típica espectadora de tempos de mashups, ondas de revivals, remixes e overdoses de interferências vocais computadorizadas, a mocinha capta toda essa efervescência e transforma em sonoridades que jogam a seu favor. Tirando alguns traços pontuais de exagero ou de músicas desnecessárias – o disco seria praticamente impecável com duas ou três faixas a menos –, True Romance (alô, Tarantino!) reúne desde sintetizadores oitentistas, com arranjos mezzo góticos e quase melancólicos (“Nuclear Seasons”), até o pop bobinho de festa, mas que aqui encontra sustentação e contexto suficiente para não soar descartável (“Take My Hand”), assim como surpreendentes passagens com autotune que não fazem você querer arrancar o cérebro pelos olhos (“What I Like” e “Cloud Aura”).