16 mai 2013

Vampire Weekend – Modern Vampires Of The City

Por  @14:45

Vampire Weekend - Modern Vampires Of The City

O brilho da inocência e a glória da maturidade sempre foram itens de imagem turva e, de certa forma, mesclados quando o objeto observado era o Vampire Weekend. Experientes e jovens, estudiosos e desatados, pesquisadores e inconsequentes, experimentais e básicos – tudo isso foi o que deixou fácil pra liderarem um leva de bandas que eles mesmos influenciaram, com todo seu resgate e busca de elementos, e também serem figuras de referências para os hipsters assim como liderar Billboard americana.

Há uma fórmula que une tudo isso e constrói esse quarteto do Brooklyn. O que não era sabido é que ainda havia um caminho tão bem iluminado para a evolução de sua música, que parecia estacionada de certa forma, devido aos dois primeiros álbuns tão bons quanto similares. Sendo assim, não esperava ouvir Modern Vampires Of The City e encontrar nesse novo lançamento o melhor álbum já lançado pela banda, assim como o melhor registro musical do ano (até agora).

3 mai 2013

Charli XCX – True Romance

Por  @11:19

charli xcx

Com apenas 20 anos, Charli XCX lançou seu primeiro disco por uma major, contando com vários produtores para ajudá-la na missão e conseguindo fundir influências modernas e tendências pop que datam de bem antes dela pensar em nascer. É a geração anos 90 assimilando a avalanche de informações e possibilidades à sua frente – e se saindo extremamente bem na tarefa. Bem, pelo menos é o caso da cantora inglesa, que “mexe com música” desde seus 14 anos.

Em sua estreia, Charli mostra maturidade e bom gosto que falta em muitos artistas experientes. Sendo uma típica espectadora de tempos de mashups, ondas de revivals, remixes e overdoses de interferências vocais computadorizadas, a mocinha capta toda essa efervescência e transforma em sonoridades que jogam a seu favor. Tirando alguns traços pontuais de exagero ou de músicas desnecessárias – o disco seria praticamente impecável com duas ou três faixas a menos –, True Romance (alô, Tarantino!) reúne desde sintetizadores oitentistas, com arranjos mezzo góticos e quase melancólicos (“Nuclear Seasons”), até o pop bobinho de festa, mas que aqui encontra sustentação e contexto suficiente para não soar descartável (“Take My Hand”), assim como surpreendentes passagens com autotune que não fazem você querer arrancar o cérebro pelos olhos (“What I Like” e “Cloud Aura”).

1 mai 2013

Stephen Malkmus and The Jicks no Beco 203 (SP – 30/04/2013)

Por  @17:31

Stephen Malkmus and the Jicks no Beco 203 SP
(Foto por Juliana Regiolli)

O segredo de Stephen Malkmus parece ser não envelhecer – o “senhor” de quase 50 anos (47 anos fará em breve) no palco do Beco 203, na noite de terça-feira, mais parecia um jovem integrante de banda com 20 e poucos anos. Se movimentando como um garoto pelo palco, empunhando de sua guitarra, Malkmus, com comportamento (talvez) levemente alterado pelo álcool (talvez, também), exibia todo seu charmoso  desleixo ao tocar suas canções, ao cantar sua poesia distorcida com cinismo, e até ao conversar com o público querendo saber o que fariam no feriado do dia seguinte.

A verdade que até mesmo esse desleixo fica fácil de ser praticado nas mãos desse experiente artista – abusou do seu incrível talento com a guitarra nas mãos, criando e mudando suas linhas de execução com a facilidade de usar, quase o tempo todo, apenas dois dedos da mão direita (e não para segurar uma palheta); e abusou também da paixão do público por ele e todo seu carisma. O ex-integrante do Pavement sabia que a noite era dele e ele a comandaria como desejasse – nem o atraso de uma hora para subir ao palco, segundo o horário divulgado pela casa, interferiu nisso.

Stephen Malkmus and the Jicks no Beco 203 SP
(Foto por Juliana Regiolli)

Ao lado do The Jicks, Malkmus jogou um jogo limpo e priorizou músicas de seu novo álbum, que animavam o público como as mais clássicas faziam. Apenas “In The Mouth a Desert” mobilizou mais o público que as outras, mas essa porque mobilizou DEMAIS – tocar Pavement foi como explodir a bomba daquele pavio já aceso por canções que brilharam na noite, como as mais novas “Forever 28″, “Senator” e “Tigers” (com direito a Malkmus se perdendo todo na letra), e as mais antigas “Baby C’mon”, a linda “Jenny & The Ess-Dog” ao piano e a viajante “Real Emotional Trash”. E o time formado por Joanna Bolme no contra-baixo, pelo versátil Mike Clark na guitarra base, piano e mergulho na plateia, e pelo baterista “novato” e empolgado Jake Morris, acompanhava muito bem e dava a base perfeita para o líder brilhar, mesmo nos momentos em que até parecia que ele queria fazer a banda se perder na suas quebras de andamento inesperadas ou improvisos não combinados.

Stephen Malkmus and the Jicks no Beco 203 SP
(Foto por Juliana Regiolli)

Muita gente na plateia esperava até mais de Pavement – isso era perceptível pelos pedidos de canções ou pelas estampas das camisetas -, mas todos sabiam que aquela era a noite de Malkmus e o The Jicks, e já foi o suficiente pra cada um ali se sentir mais jovem ao lado daquele rapaz de ótimo cabelo (e poucos brancos) que agitava a plateia naquela festa. Stephen Malkmus nos contou, um pouco, como funciona sua fórmula da juventude, e ela está ali, emaranhada com o rock despretensioso e brilhante que ele vem fazendo desde 1992.

28 abr 2013

Arnaldo Antunes – Acústico MTV (SESC São José dos Campos – 27/04/2013)

Por  @11:35

Arnaldo Antunes no SESC 2

Houve um tempo em que gravar um Acústico MTV era certeza de sucesso. O disco mais vendido da carreira dos Titãs, por exemplo, foi o Acústico que eles lançaram. Hoje em dia a venda de discos já não atinge números tão altos, e a MTV perdeu muita força frente ao acesso à música que a internet permite. Gravar um unplugged atualmente acaba sendo uma oportunidade para os artistas se reinventarem e saírem da sua zona de conforto.

Arnaldo Antunes, mesmo vindo de um disco ao vivo que registrava a turnê de Iê Iê Iê, se enveredou por um Acústico MTV no ano passado e agora esta em turnê pelo país. No último sábado o cantor esteve esteve em São José dos Campos, no SESC, em apresentação com os ingressos esgotados.

O repertório se prendeu às faixas do DVD, passando por todas as fases da carreira do cantor (com direito a canções do Titãs e Tribalistas). “O Pulso”, clássico da banda paulista, foi a única faixa que não estava presente no Acústico MTV.

25 abr 2013

Vespas Mandarinas – Animal Nacional

Por  @21:47

Vespas Mandarinas - Animal Nacional

A nostalgia é um sentimento comum naqueles que exaltam o rock nacional dos anos 80. É óbvio que foi o momento mais forte do estilo no país – bandas surgiam a rodo, incentivados por outras internacionais, copiando desde nome a riffs ou apenas sonoridade, ou mesma as nacionais, incentivando aquilo que era muito verdadeiro – o sentimento. Porém, isso não faz dessa a geração mais competente. O discurso de que era o momento mais inventivo se quebrou a partir do momento em que as próprias bandas assumiram (algumas sim, outras nem precisariam) que copiavam mesmo o que ouviam surgindo lá fora, por acreditarem que aquilo nunca chegaria a mais ouvidos além dos deles e da roda de amigos.

O discurso do valor da poesia é relativo – se o lirismo exacerbado de Renato Russo ou Cazuza é o que realmente valoriza um rock, o que se pode dizer de compositores (no sentido da poesia) como Paul McCartney, que valorizam o simples? Fica claro que tudo isso é questão de opinião e gosto – aliás, como qualquer outra coisa quando o assunto é arte. A única “verdade absoluta” é que o Vespas Mandarinas, quarteto brasileiro, escolheu a “era-de-ouro” que, segundo os mesmos, é o rock nacional dos anos oitenta, para guiar sua sonoridade em seu álbum de estreia Animal Nacional. Essa é a verdade deles. E a verdade, para mim, é que a melhor música desse disco se trata de uma versão de um rock uruguaio lançado no ano de 2006. Irônico?

19 abr 2013

Iron & Wine – Ghost On Ghost

Por  @11:51

Iron & Wine - Ghost On Ghost

Sam Beam sabe o valor de uma boa canção e sabe que uma boa canção funciona em muitos (pra não dizer todos) formatos. É algo praticamente inexorável quando se mantido o mínimo da estrutura do que a define como tal. Sam tanto sabe que adora fazer covers de grandes músicas com seu violão na maior simplicidade do mundo, indo de Rolling Stones a Postal Service. Assim como também aproveitou isso para lançar só bons discos desde o início da sua carreira com o Iron & Wine.

Os dois primeiros álbuns soavam de forma mais rústica, baseados mais em violões e poucos recursos de percussão. O terceiro já foi com mais recursos, porém ainda todo baseado no folk e seus princípios mais crus. Foi a partir de seu quarto lançamento que Sam Beam resolver nos mostrar uma faceta sua que ia além da crueza e do peso marcado do estilo. Kiss Each Other Clean mostrou uma tendência saborosa ao pop mezzo jazz para somar àquele formato já proposto e auxiliar ainda mais todo seu lirismo – expressar sentimentos com arranjos mais completos e recheados facilitou para o artista alcançar o público como ele queria, ao mesmo tempo em que inovava e evoluía em sua carreira. Porém, parecendo até como um deslumbre de Sam em suas novas possibilidades, as canções sempre tão simples começaram a soar em certos momentos complexas demais. O disco, mesmo sendo muito bom, deixava em algumas faixas a sensação de desencontro entre a simplicidade de outrora com suas novas escolhas. Era necessário encontrar a unidade para que o casamento das duas informações gerasse um disco praticamente intocável. E foi então que Sam Beam lançou Ghost on Ghost, um álbum que nos leva a crer que esse casamento aconteceu da forma mais romântica, melosa e adorável que existe. Autêntica, também.

18 abr 2013

Yeah Yeah Yeahs – Mosquito

Por  @10:30

Da turma nova-iorquina que deu uma chacoalhada no rock na primeira metade dos anos 2000, o Yeah Yeah Yeahs era o grupo com maior potencial de experimentações e invenções interessantes, fundindo com um frescor revigorante para a época um som cru e garageiro, quase punk, com temáticas e nuances mais artísticas. Com Karen O à frente, remetendo a grandes performers do rock em suas aparições, o YYYs conseguiu, pelo menos em seus dois primeiros discos, instigar e entrar no hall das bandas mais queridas do mundinho indie – que começava a dar sinais de enjoo do som “sujinho” dos Strokes e dos engomadinhos do Interpol. Dez anos depois, o trio mostra que ainda pode ter boas ideias. Mas o problema é que, em Mosquito, elas ficam soltas no ar, meio tontas e sonolentas, como o inseto do título quando topa forte com algum obstáculo.