Procure na internet, nas revistas e nas rádios e você não verá ninguém – absolutamente ninguém – deixando de laudear Sonik Kicks, décimo-primeiro álbum solo de Paul Weller, por ele ser uma tentativa de inovação em um momento que, para dezenas de outros artistas, seria a hora de relaxar. O disco fecha, extra-oficialmente, uma trilogia que começou com 22 Dreams (2008) e passou por Wake Up The Nation (2010), ambos discos em que Weller saiu de sua área de conforto (se é que ele jamais entrou) para tentar criar algo minimamente interessante, sempre com resultados acima da média. Sonik Kicks, como os outros, oscila entre o erro e o acerto, mas o saldo final é positivo.
Por todo o lado no disco, há barulhinhos, trucagens de estúdio, efeitos estranhos, jogos sonoros. O ouvinte raramente fica confortável. Em “Drifters”, por exemplo, a voz de Weller é reverberada e ecoada por cima de uma melodia oriental feita com violinos distorcidos. Há um baixo destacado do resto do áudio que às vezes parece fora de ritmo e um barulho de rádio-tentando-pegar-sintonia que vai e volta. E há bongôs batidos freneticamente e chimbaus massacrados sem dó. Mas ainda não chega perto de “Green”, uma bagunça com vocais robóticos e modulados jogados contra uma parede de guitarras alucinadas em reverb que só tem sua tênue coerência segurada pela bateria. É um caos, uma versão musicada para um pesadelo futurístico. E é a faixa que abre o álbum.
Um belo exemplo de como o mercado musical ainda não sabe lidar com a internet: os Alabama Shakes viraram hype em outubro do ano passado, quando Alex Turner ficou sabendo da banda dias antes do festival CMJ e deu a dica para a NME. A revista falou bem da banda antes e depois de ver o show, confirmou que o grupo tinha um disco pronto e convidou os caras para tocar na sua NME Awards Tour – o show dos Shakes foi o primeiro a ter os ingressos esgotados. Tudo isso antes de dezembro. Toda uma base de fãs havia sido criada, mas faltava algo – o álbum. A gravadora ATO Records marcou o lançamento para, pasmem, dia 9 de abril, seis meses depois de a banda ter estourado. Sendo que o álbum estava pronto. Resultado: o disco vazou em janeiro, já foi resenhado, ouvido e comentado à exaustão e a gravadora não ganhou nada com isso. Enquanto escrevo estas linhas, o álbum ainda não saiu.
A boa notícia é que o hype do grupo está passando à margem desse tipo de decisão errada. Os Alabama Shakes continuam sendo uma das novas bandas mais elogiadas do mundo, e ouvir Boys & Girls mostra o porquê. A mistura de blues clássico, rock dos anos 70 e standards de grupos vocais masculinos dos anos 50 e 60 (pense em The Contours e The Turtles) traz um frescor ao pop atual de que, ironicamente, só atos revivalistas, como os Black Keys, têm sido capazes ultimamente.
Morrissey encerrou sua turnê brasileira no último domingo, no Espaço das Américas, em São Paulo. Não houve surpresas no setlist (que foi igual aos shows de Belo Horizonte e Rio de Janeiro), mas mesmo previsível, o show fez valer o alto preço cobrado pelos (esgotados) ingressos.
Desde a primeira música, percebeu-se a adoração do público pelo cantor inglês. “First of the Gang to Die” teve um bom papel como cartão de visitas e a plateia cantou desde o começo. Entre alguns “Gracias” e “Obrigado”, Morrissey interagiu bastante com o público. Começou priorizando as músicas de sua carreira solo e funcionou bem.
Em “Meat is Murder”, Morrissey fez sua habitual pregação pelo vegetarianismo, com uma sequência de imagens de animais no telão. Transmitiu a mensagem, mas de certa forma quebrou o clima de alegria que permeava o local. Outro momento “político” do cantor foi quando recomendou ao público que dissesse “não” aos pedidos do Príncipe Harry, em viagem ao Brasil.
“Anyone can chill out, have a beer with his broads, watch Nascar and not be a gringo”, disse France Camp, baixista do Howler, ironicamente vestido com um short jeans e uma camisa florida que denunciariam um turista americano a quilômetros de distância. Mas o figurino clichê era totalmente perdoável porque, em uma noite que tinha chuva, Oscar e paredão de reality show, os paulistanos que escolheram ver o Howler no Beco 203 foram muito bem recompensados por isso.
Antes dos “gringos” entrarem no palco, os paulistas do Some Community fizeram a abertura, com seu electro-rock que parece uma mistura entre Björk e Tokyo Police Club. Prejudicada pelo som embolado do Beco 203, que só permitia ouvir com alguma clareza a bateria e os teclados, a banda se mostrou bastante inspirada e arrancou aplausos sinceros do público. A segunda música, “Two Colours”, com seus tecladinhos Radioheadianos, foi um destaque. O Some Community agora sai em turnê e irá tocar no festival South by Southwest, nos EUA.
Antes da puerilidade de In And Out of Control (2009) e das trevas de Raven In The Grave (2011), os Raveonettes eram uma das bandas mais interessantes dos anos 00, mesclando shoegaze, surf music, rockabilly, girl groups dos anos 60, Phil Spector e Johnny Cash. O primeiro EP e os três álbuns subsequentes da banda equilibravam esses elementos com criatividade e personalidade, injetando ar fresco em uma cena que parecia ser dominada por cópias dos Strokes e dos Libertines – embora boa parte da mídia internacional fizesse questão de ignorar isso. Rarities & B-Sides é o lançamento oficial da impressionante quantidade de lados-b que ficaram de fora dos discos dessa fase.
Achados e Perdidos é um álbum produzido a seis mãos pelos quadrinistas Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho juntos com o música Bruno Ito. Mas o conceito de álbum nesse caso é diferente do que estamos acostumados: Achados e Perdidos é um livro em quadrinhos, com um CD de trilha sonora.
Cada faixa complementa um dos capítulos do livro, às vezes pelo ponto de vista de personagens que não estão aparecendo na história no momento. As canções também servem como trilha sonora, ajudando a ambientação na leitura e contribuindo para a imersão total do leitor na trama. São sete capítulos e um epílogo, o que culminou na criação de oito faixas.
Damasceno e Garrocho são os responsáveis pelo site Quadrinhos Rasos, que transforma trechos de letras de música em histórias em quadrinhos. Ito é músico e já lançou dois EPs, que estão disponíveis no seu perfil no Soundcloud.
Sem fazer spoilers, Achados e Perdidos conta a história de Dev, que descobre um buraco negro em sua barriga, e seu amigo Pipo, que tenta ajudá-lo a resolver esse problema. ”Capítulo 1 – Vácuo” tem um começo minimalista que desdobra numa melodia angustiante, refletindo as angústias de Dev, a personagem principal, ao descobrir o buraco negro em sua barriga. O primeiro capítulo, bem como sua trilha sonora, foram divulgados quando a obra ainda estava sendo escrita/gravada, mas ainda está disponível.
Em “Capítulo 2 – Singularidade”, Pipo passa a explorar o buraco negro. A canção triste cresce à medida em que ocorrem novas descobertas e termina muito mais feliz que terminou. ”Capítulo 3 – Singularidade parte 2″ acontece simultaneamente o capítulo anterior, mas pelo ponto de vista de outra personagem. A história começa a ganhar pitadas de felicidade, e a música reflete o momento.
“Capítulo 4 – Buracos negros não tem cabelo” tem o melhor nome de capítulo do livro e aparece em um momento que os problemas parecem não ter solução na trama. A melodia triste embala a leitura e potencializa as preocupações das personagens. A faixa “Capítulo 5 – É fácil que a sombra se adiante dez graus” tem uma melodia alegre, que reflete bem o momento da história, mas sua letra é um apelo desesperado da personagem que não está participando do capítulo, complementando a trama.
O instrumental pesado de “Capítulo 6 – Horizonte de eventos” e casa perfeitamente com o clímax dramático do livro. A história se conclui em “Capítulo 7 – Buraco Negro”, que retoma o instrumental minimalista do começo da história, passa por algumas mudanças de sonoridade e se encerra num instrumental com cara de final feliz. O “Epílogo” de um livro poderia ser considerado uma faixa bônus de um disco. São algumas faixas a mais de quadrinhos e uma canção de final feliz.
O acabamento do livro é impecável, em papel resistente e brilhante. As letras das músicas estão em formato PDF no CD. Bem que podiam aparecer no livro, 8 páginas a mais não fariam tanta diferença. O CD ainda traz como bônus dois EPs em MP3 de Bruno Ito, Not My Girl e Summer Breeze. Vale registrar que o livro foi publicado por meio de uma iniciativa de crowdfunding no site Catarse.me, o que garantiu a venda de boa parte da tiragem. Atualmente, a obra encontra-se esgotada.
Mais do que um livro ou um disco, a obra é a união da música com a literatura como artes complementares. Embora essas diferentes mídias funcionem independentemente na obra, quando você aprecia as duas simultaneamente a história fica muito mais envolvente. Achados e Perdidos é uma experiência única.
Se Desconocidos, o debut da banda paulistana Quarto Negro, precisasse ser descrito em uma palavra, ela provavelmente seria alguma que pudesse englobar o quão pretensioso o trabalho é. Caracterizar o álbum de tal forma, no entanto, não é ruim. Principalmente no caso do Quarto Negro, que busca sempre afirmar que um dos desejos da banda é sobreviver de música e deixar um nome na história. Assim, Desconocidos não chega de forma discreta. O álbum é o primeiro da banda, depois de alguns EPs - entre eles Bom Dia, Lua, que foi eleito o segundo melhor lançamento nacional de 2010 pelo site da MTV.
Ele é introduzido pela faixa “Luz”, que já dá o tom do que virá pela frente. Em pouco menos de dois minutos e meio, Eduardo Praça (guitarrista e vocalista, que havia tocado no extinto Ludovic) canta que jura que um dia irá mudar. Desconocidos em si é resultado de mudanças. Os integrantes afirmaram que largaram a vida convencional que levavam, com trabalho na “firma”, para se dedicar à banda – outro forte argumento a favor da pretensão do álbum, que, assim, surge quase como uma necessidade de tentar se garantir entre os principais nomes do rock alternativo brasileiro.
Li em algum lugar no final de 2010 que Merriweather Post Pavilion, do Animal Collective, se assemelhava em alguns pontos ao Kid A, do Radiohead. Ambos eram discos complexos, com várias camadas e um tanto quanto inacessíveis, que encerravam uma década começada com discos garageiros seminais: Nevermind (Nirvana, 1991) e Is This It (The Strokes, 2001). Mais do que isso, em suas respectivas sofisticações, ambos encerravam um ciclo, abrindo espaço para que algum próximo grupo de adolescentes se juntasse em uma garagem, pisasse em cima de tudo isso e recomeçasse a história com um disco sujo, barulhento e genial. Na década de 2010, não há ninguém mais apto a seguir esses passos do que os Black Keys.
A banda já tem sete álbuns na bagagem, é verdade, mas foi só com Brothers, de 2010, que o grande público a descobriu. El Camino é o álbum da consagração. Desde que o riff de “Lonely Boy” começa a explodir no alto-falante (porque o disco é bom demais para ficar preso aos fones de ouvido), sentimos a força que ele carrega. Dan Auerbach não economiza no pedal de fuzz ao derramar suas lamentações sobre uma garota que o mantém “esperando, esperando”, enquanto Patrick Carney desce a mão na caixa, dando forma a um dos maiores singles do ano.
Há, como sempre, uma boa dose de rock dos anos 60 e 70 permeando o álbum, mas influências menos óbvias aparecem aqui e ali, como o riff de “Gold On The Ceiling”, emprestado de David Bowie e dos Yardbirds, a bateria inicial de “Dead And Gone”, que faz reverência a “I Am The Resurrection”, dos Stone Roses e a intro da fantástica “Money Maker”, que alude a “Where Have All The Good Times Gone”, dos Kinks. Um momento especialmente bom é quando a banda empresta o baixo de “Don’t Stop ‘Til You Get Enough”, de Michael Jackson, para a fabulosa “Stop Stop”, uma deliciosa faixa mais lenta que tem os dois pés no R&B dos anos 80.
Só que, acima de quaisquer influências, está o som que os Black Keys criaram ao longo de outros seis álbuns, em “El Camino” novamente com a cortesia do melhor produtor em atividade no mundo, Danger Mouse. Como é característico de Mouse, ele capricha em deixar o som cristalino e impedir que as melodias sejam encobertas pelo ritmo (igualmente importantes como são, a guitarra de Dan é sempre muito mais marcante que a bateria de Pat). A banda, livre para voar, entrega diversos momentos memoráveis, como em “Run Right Back”, em que o baixo e a guitarra base derramam um groove irresistível que explode em um refrão blueseiro de primeira estirpe.
Uma característica importante do álbum, os vocais femininos, herdados do funk dos anos 70, aparecem da primeira à última faixa, adicionando leveza a “El Camino” e um certo glamour vintage que, bem utilizado, sempre joga a favor das músicas. “Sister”, por exemplo, começa com uma batida firme que conduz a música até o refrão, onde os vocais femininos entram e varrem toda a crueza da faixa, pondo charme na história da sister abandonada por todos ao seu redor. Deixa imaginando como seria uma versão na voz de Amy Winehouse…
“Little Black Submarines” começa acústica e vira uma pedrada com um solo furioso que fará corar quem achava que não havia mais espaço para isso em pop-rock. “Gold On The Ceiling”, com suas palmas, sua letra autopiedosa e sua vibe country-glam, ressuscita Marc Bolan para as novas gerações, enquanto a ótima “Nova Baby” centraliza outro dos ingredientes secretos do álbum: os teclados (curiosamente, para um grupo de fãs antigos da banda, um dos maiores pontos negativos do álbum). Quando chega “Mind Eraser” e Dan canta “don’t let it be over”, você realmente espera que El Camino não termine ali e continue por muito, muito tempo…
Após uma década que viu sites e revistas influentes se ajoelharem perante ondas como a new rave, a chillwave, a electroclash e tantas outras, e em que qualquer fulano capaz de tocar alguns acordes e colá-los no GarageBand com bases baixadas da internet foi taxado como salvador da música, é verdade sim que, como em 1991 e em 2001, nós precisávamos ser salvos. Precisávamos de um recomeço. A van que estampa a capa do disco levou Dan e Pat por intermináveis turnês ao longo dos EUA, entre invernos gelados e verões infernais, ao longo de mais de 300 shows e com jornadas em que cada um passava até doze horas dirigindo. Tudo para desembocar aqui, agora. El Camino? Sim, o da nossa salvação.
Hotel Sessions, o próximo álbum do antigo The Lemonheads sai no dia 12 de fevereiro com bastante material antigo, gravado nos anos 1990, na noite de um domingo dentro de um quarto de hotel em Bondi Beach, Australia. Evan Dando interpreta algumas novas composições acompanhado apenas de um violão (detalhe que, das 14 faixas, algumas nunca foram lançadas oficialmente em discos do grupo). Além de algumas canções clássicas que fariam parte do álbum Come On Feel The Lemonheads (1993), vale destacar os comentários do cantor que, entre outras coisas, diz que “Into Your Arms” soa melhor do que a versão do LP (ele deve ter gostado MESMO da idéia, tanto que na maioria das apresentações da banda, nos anos seguintes, a canção sempre foi interpretada por ele sem acompanhamento da banda, usando apenas um violão). Os fãs mais velhos do Lemonheads (se é que existem “novos”) vão adorar Hotel Sessions, que traz belos registros caseiros e intimistas de algumas das canções que marcaram a década de noventa.
Durante a divulgação de seu primeiro disco solo, Noel Gallagher manteve uma pose de austeridade. Convocou uma coletiva onde disse que não queria ter que recontar a história do rompimento do Oasis em todas as entrevistas (o que acabou fazendo mesmo assim). Disse que abominava o fato de ser obrigado a recomeçar do zero a essa altura de sua vida. Foi humilde ao assumir que as gravações que havia preparado em Londres foram consideradas horríveis pelo produtor Dave Sardy e tiveram que ser refeitas. Não destratou o Beady Eye e fez elogios aos ex-colegas de banda. Por fim, foi taxativo em entrevista à revista Mojo: “isto não é Oasis”.
Por trás da pose, a verdade: há sim muito de Oasis no disco de Noel, como a mídia especializada se apressou a apontar. Basta ouvir “Stop The Clocks”, a música que serviu até para nomear uma compilação do Oasis, mas que nunca saiu pela antiga banda. Ou “(I Wanna Live A Dream In My) Record Machine”, que é uma daquelas baladas sinfônicas que marcaram alguns dos melhores momentos do Oasis. Mas há muito mais também, para quem está disposto a encontrar. E é aí que está a diferença: Noel solo é um Noel de detalhes.
“AKA… Broken Arrow”, por exemplo, tem bongôs, algo que dificilmente se encontraria numa música do Oasis. E o instrumento joga a favor da canção, dando uma sensação de que ela é mais rápida do que realmente é. “(Stranded On) The Wrong Beach”, herdeira das músicas cantadas por Noel em Dig Out Your Soul, último álbum do Oasis, é um proto-glam em que a guitarra country se junta ao baixo pulsante e a uma nota de piano tocada repetidamente. O resultado é a música mais encorpada de Noel em o quê, dez anos? E que, ainda assim, consegue soar despretensiosa.
Paul McCartney e seus Wings emprestam o riff de piano de “Nineteen Hundred And Eighty Five” para Noel em “AKA… What A Life”, que remonta o tema como uma música… disco! Com o piano e a bateria acelerados ao fundo, Noel mantém os vocais no midtempo e capricha nos falsetos, criando um cruzamento improvável entre o Oasis e os Bee Gees. É tão disco que não seria estranho se as moças do Abba surgissem ali no meio com suas vozes estridentes.
“The Death Of You And Me”, o fabuloso single de estréia e a melhor música do disco, é o momento jazzístico de Noel, com suas influências de New Orleans alternando com puros momentos de rock britânico. Os metais da música resgatam as big bands dos anos 50 sem que nada soe ultrapassado. Uma obra-prima.
Os Kinks, referência em “The Death…”, são homenageados em “Soldier Boys And Jesus Freaks” tanto na letra (“ All the people in the village green…”) como na melodia, um tanto influenciada pelo clássico “Dead End Street”. Nessa faixa, o groove do staccato de Noel se mostra em sua melhor forma.
E por aí vai. Cada pequena peça do quebra-cabeça é um componente da música característica de Noel, aquela que aprendemos a amar. As paredes de guitarras, os teclados épicos, os coros, as letras meio românticas e meio existencialistas e os solos virtuosos estão todos lá, como se o Oasis nunca tivesse acabado, apenas perdido sua voz principal. Noel não se arrisca muito e não inventa moda, mas entrega o que se espera dele. E o que esperamos de Noel é o épico, o impressionante, o arrebatador.
O Gallagher mais velho pode se orgulhar, pois todos os boxes estão ticados. “Não é Oasis”? Talvez não, mas é primo em primeiro grau. Se a banda nunca mais resolver suas diferenças e clássicos como “Live Forever” nunca mais puderem ser executados da forma como deveriam, pelo menos teremos isto, que é mais do que um disco: é um honesto passo adiante. Para onde, talvez nem Noel saiba. Mas ele está voando alto.