Thiago Pethit – Em Outro Lugar

Lançado em agosto de 2008, o disco de Thiago Pethit só foi chegar ao aconchego do meu quarto nas últimas semanas – e a primeira impressão foi boa. Mal sabia o que encontraria ao violar a embalagem e dar início à reprodução do EP, mas ao fazer a primeira análise ocular do pacote, já tinha idéia de que me encontrava em bons lençóis.
Felizmente, pude reencontrar o capricho que vi Pethit ter com o envelope pardo cheio de carimbos, com a resenha penetrante de Xico Sá e com a cover art boêmia de Em Outro Lugar distribuídos dentre as músicas que ali encontrara, mas exibidos na forma de belíssimos arranjos, letras que podem ser tanto românticas quanto trágicas e um genuinamente formidável poliglotismo franco-inglês-português-espanhol.
De todos os artistas brasileiros que já me chegaram aos ouvidos, não me recordo – e apostaria na inexistência destes – de algum que tivesse tamanha ousadia de carregar suas composições de valsinhas de ares franceses e, ao mesmo tempo, não ignorar seu brasileirismo original. Exemplo disso são as músicas ‘Em Outro Lugar’ – aquela que emprestou seu título ao EP e que logo nos remete ao folk de raízes gypsies de Zach Condon – e ‘Essa Canção Francesa’, que surpreende com os belos vocais femininos de Tiê e com a aceleração da melodia, tornando-a perfeita para ser enquadrada nos momentos finais de uma tragicomédia teatral.
‘The Souvenir Song’, música original de Tiê (que é creditada por violões, sussurros e letras em quase todo o disco), é cantada em inglês e, em seus primeiros versos, Le Pethit Prince – como assina em seu MySpace – parece incorporar algo de Leonard Cohen, na falta de uma referência mais exata. Nela, o mix de instrumentos de sobro com baixo e bateria montam um groove dançante que espalha seus restos por ‘White Hat’, faixa seguinte que pede estalar de dedos e coro em “tchu, tchu, tchu, tchu-ru-ru”.
Fechando com chave de ouro – e celebrando o êxito das gravações -, ‘O Último a Saber’ acrescenta o som do acordeon à fórmula de sucesso do músico e monta a harmonia perfeita para uma participação em um live do La Blogotheque ou, de uma forma mais acessível, em nosso equivalente brasileiro Música de Bolso.
Por Alex Correa
Onde ouvir: MySpace.
Onde baixar: Rapidshare.
Onde assistir: 6 de março no Clube Berlin, SP.
15, 22 e 29 de abril no Studio SP.



Ode to J. Smith, o sexto álbum da banda escocesa Travis, chegou às lojas no último dia 29 de setembro, causando reações principalmente positivas, vindas de críticos de música e, é claro, dos leais fãs. A banda, famosa por seus hits Turn, Sing, Why does it always rain on me e Flowers in the window, entre outros, surpreendeu aqueles que esperavam as já conhecidas (e elogiadas) baladas.
Tudo o que o disco do Little Joy representa é nostalgia. Tenho até um pouco de medo de enrolar demais no desenvolvimento da avaliação do disco e acabar destruindo a característica mais marcante nele, mas enfim, vamos arriscar.
Nunca havia dado muita atenção ao trabalho de Devendra Banhart. De Greg Rogove, Noah Georgeson e Aziz Ansari, confesso nunca ter ouvido falar. Fabrizio Moretti, claro, sempre esteve sendo reproduzido no meu iTunes, guiando a bateria dos Strokes, mas jamais havia considerado a possibilidade de usar a sua voz em gravações. Rodrigo Amarante, mais um brasileiro, só teve espaço no meu iPod bem recentemente, comandando o Little Joy.
É preciso ser honesto consigo mesmo. Você sabe que, embora seja metido a alternadescolado, seu negócio é (ou deveria ser) simplesmente rock’n'roll. Mais cedo ou mais tarde você vai perceber isso. E aí, além das guitarrinhas pulsantes e das baterias marcadas, vai sentir vontade, abstinência mesmo, de ouvir solos estonteantes e paredes de guitarras que inebriem os sentidos. Você vai correr para os discos do The Who e do AC/DC do seu pai. Mas eu preciso te dizer que há uma maneira que satisfazer essa fome de rock’n'roll sem sair do descolamento trazido pelas bandinhas inglesas. Essa maneira se chama Oasis.
Para o Of Montreal, tudo acaba virando festa. Kevin Barnes faz questão de botar todo e qualquer objeto que faça barulho no álbum de sua banda, de uma forma inovadora e fazendo com que a música soe orgânica e bem produzida. O grupo sempre apela para o exótico e faz algo nunca antes visto no mundo pop.
Se em 2006 o Moptop já se mostrava preparado para embarcar no sucesso com seu álbum de estréia, em agosto de 2008 ficou provado que a viagem ao mundo da fama era sem volta.
Loyalty to Loyalty seria o álbum do ano fácil fácil, se já não tivéssemos experimentado uma sonoridade grosseiramente semelhante em 2006, na estréia do grupo. Não fosse a agradável melancolia de Avalanche B, a épica Cryptomnesia ou os inéditos falsetes adotados em uma ou duas músicas do disco, o jazzy rock californiano do Cold War Kids iria direto para a gaveta dos que pararam no tempo. Amor e ódio; Agressividade e delicadeza. Tudo isso e mais um pouco se junta no segundo álbum do CWK, que teria nível de best-seller caso fosse um livro de poesias. Não preciso nem comentar sobre a intercessão de uma faixa para a outra…
O novo disco do Kaiser Chiefs é quase tão difícil de ser descrito quanto o sabor da combinação de queijo com goiabada A abertura, feita por Spanish Metal (que não é um metal propriamente dito), deixa claro que nos próximos minutos não virá absolutamente nada imperdível. A presença dos convidados especiais – Lily Allen, New Young Pony Club e David Arnold – é praticamente inaudível. Pode-se considerar Never Miss a Beat, You Want History (que já estão sendo tocadas ao vivo há tempos) e Tomato In The Rain as melhores faixas de todo o disco, mas me arrisco a dizer que a verdadeira salvadora é Half The Truth – que também pode ser chamada de “música do rapper”. O rapper é Sway, que lidera os vocais por alguns versos e exibe toda a sua ginga de nigga londrino, o que vale como um ‘plus’ ao Off With Ther Heads. Já na última faixa do CD, é o baterista Nick Hodgson quem ataca como líder. A música é péssima e, se quiser saber, tem o nome de Remember You’re a Girl. Para ser honesto, esse não parece um trabalho de Mark Ronson, muito menos do Kaiser Chiefs.











