1 mar 2009

Thiago Pethit – Em Outro Lugar

Por  @13:57

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Lançado em agosto de 2008, o disco de Thiago Pethit só foi chegar ao aconchego do meu quarto nas últimas semanas – e a primeira impressão foi boa. Mal sabia o que encontraria ao violar a embalagem e dar início à reprodução do EP, mas ao fazer a primeira análise ocular do pacote, já tinha idéia de que me encontrava em bons lençóis.

Felizmente, pude reencontrar o capricho que vi Pethit ter com o envelope pardo cheio de carimbos, com a resenha penetrante de Xico Sá e com a cover art boêmia de Em Outro Lugar distribuídos dentre as músicas que ali encontrara, mas exibidos na forma de belíssimos arranjos, letras que podem ser tanto românticas quanto trágicas e um genuinamente formidável poliglotismo franco-inglês-português-espanhol.

De todos os artistas brasileiros que já me chegaram aos ouvidos, não me recordo – e apostaria na inexistência destes – de algum que tivesse tamanha ousadia de carregar suas composições de valsinhas de ares franceses e, ao mesmo tempo, não ignorar seu brasileirismo original. Exemplo disso são as músicas ‘Em Outro Lugar’ – aquela que emprestou seu título ao EP e que logo nos remete ao folk de raízes gypsies de Zach Condon – e ‘Essa Canção Francesa’, que surpreende com os belos vocais femininos de Tiê e com a aceleração da melodia, tornando-a perfeita para ser enquadrada nos momentos finais de uma tragicomédia teatral.

‘The Souvenir Song’, música original de Tiê (que é creditada por violões, sussurros e letras em quase todo o disco), é cantada em inglês e, em seus primeiros versos, Le Pethit Prince – como assina em seu MySpace – parece incorporar algo de Leonard Cohen, na falta de uma referência mais exata. Nela, o mix de instrumentos de sobro com baixo e bateria montam um groove dançante que espalha seus restos por ‘White Hat’, faixa seguinte que pede estalar de dedos e coro em “tchu, tchu, tchu, tchu-ru-ru”.

Fechando com chave de ouro – e celebrando o êxito das gravações -, ‘O Último a Saber’ acrescenta o som do acordeon à fórmula de sucesso do músico e monta a harmonia perfeita para uma participação em um live do La Blogotheque ou, de uma forma mais acessível, em nosso equivalente brasileiro Música de Bolso.

Por Alex Correa

Onde ouvir: MySpace.

Onde baixar: Rapidshare.

Onde assistir: 6 de março no Clube Berlin, SP.
15, 22 e 29 de abril no Studio SP.

30 jan 2009

Crítica: Conor Oberst – Conor Oberst

Por  @18:52

Da série “Antes tarde do que nunca”

Nota: 4/5

Folk music, ora melancólica, ora mais agitada, mas sempre poética. Essa é uma possível definição de Bright Eyes, banda do vocalista Conor Oberst, que começou a gravar com apenas 13 anos. Hoje, aos 28, Conor mudou pouco. Ele manteve sua fórmula de sucesso do Bright Eyes em seu projeto solo – que, na verdade, é uma parceria com a Mystic Valley Band, um conjunto de talentosos instrumentistas que acompanham Conor na nova empreitada.

Suas melodias continuam aparentemente simples, suas letras continuam muitíssimo bem escritas. Conor não é o cantor mais afinado do mundo, e consegue tirar proveito disso. Sua voz é sempre carregada de emoção, seja cantando sobre morte ou sobre amor.

O disco em si foi um improviso: surgiu de uma visita a Tepoztlan, no México, e gravado por lá mesmo entre janeiro e fevereiro. Um estúdio temporário foi criado no topo de uma montanha chamada Valle Místico (daí o nome da banda). Todo esse clima transformou ‘Conor Oberst’ em um verdadeiro disco de folk.

Os destaques ficam com as agitadinhas ‘Sausalito’, a já famosa ‘Danny Callahan’, ‘Souled Out’ e ‘NYC – Gone, Gone’. ‘I don’t want to die (in the hospital)’ é emotiva que dói.

Nota-se, facilmente, que Conor está crescendo, amadurecendo. É por isso que, em certos momentos, ele parece estar em cima do muro, no meio do caminho, mas até essa transitoriedade faz parte da beleza do disco. E, acredite, ele chega lá.

Por Nathália Pandeló

27 jan 2009

Crítica: Boss in Drama – Your Favorite EP

Por  @15:27

Quem não conhece Boss in Drama não sabe o que está perdendo, e já aviso, esta é uma ótima hora pra descobrir e ganhar mais um atrativo pra se jogar na pista. Então vamos às devidas apresentações. O homem por trás do projeto é Péricles M., um curitibano de 22 anos, que produz música eletrônica desde os 16. Antes do Boss in Drama, ele já havia participado do Gomma Fou, projeto de electrorock que chegou a tocar no Motomix de 2006. Mas em 2007 ele largou tudo para se dedicar ao que hoje, como disse Paulo Terron (e eu assino embaixo) é “o som mais divertido produzido no Brasil neste momento”.

Durante o mesmo ano, Péricles foi soltando faixas em seu MySpace, que acabaram agradando muita gente, fazendo dele um homem cada vez mais conhecido na forte cena “dos blogs pras festas”. E há poucos dias saiu seu primeiro EP, intitulado ‘Your Favorite EP’ e disponível para download no próprio MySpace. Das músicas lançadas anteriormente, ele aproveitou apenas uma, e por isso recomendo procurar as outras, completarão a festa muito bem.

Diferente da maioria dos projetos eletrônicos de estilo similar, Péricles deixou de lado as já batidas referências oitentistas e foi buscar influências em uma parte mais funda (e mais rica) do buraco: os anos 70. Logo de cara isso já se vê em ‘Favorite Song’, música que abre o EP. A base marcada firmemente pelo baixo com teclados e riffs agudos de guitarra ao fundo, somada à voz cheia de efeitos remete facilmente à época da disco music. Assim como a primeira faixa, ‘Lights Off’ segue a mesma linha, com uma bela introdução facilmente confundível com algo do Jamiroquai, uma das bandas que mais bebem da fonte setentista.

Em seguida vem ‘All The Love’, a faixa que já havia sido mostrada ao público através do MySpace. E foi bem escolhida. Dentre todas as lançadas anteriormente, esta mais se assemelha à musicalidade do conjunto do EP. Para finalizar vem ‘Superstar’, que volta um pouco menos ao tempo e traz referências mais anos 80, contando com uma guitarra ao fundo com solos e timbres que na hora remetem ao mexicano Carlos Santana, músico que teve sua grande fase nos anos 70 e 80, mas que se mantém firme no século XXI. As mesmas datas importantes para se entender o Boss in Drama. Influências vindas destas duas décadas, som com a cara do século atual. Tudo isso possível graças a um talento notável em qualquer época.

5-estrelas

Por Marçal Righi

25 jan 2009

Justice: A Cross The Universe

Por  @12:36

Américas, Europa e o mundo Oriental; Depois de deixar sua marca ao redor do mundo (ou do universo, como sugere o título de seu mais novo lançamento), o duo francês Justice lança seu primeiro documentário.


Em dezembro, a dupla mais hypada dos últimos dois anos lançou seu tão esperado documentário, ‘A Cross The Universe’, título que parodia o musical ‘Across The Universe’, mas que pára por aí nas semelhanças.

Diferente das histórias de amor que têm como tema de fundo músicas dos Beatles, o filme dos franceses se passa durante a turnê americana do duo, que aconteceu em março de 2008, e mostra os bastidores dos shows e das viagens, focando bem nos dois homens que todos estão acostumados a ver apenas atrás da grande cruz reluzente. O DVD vem acompanhado de um CD ao vivo, que não se diferencia muito dos lives apresentados em solo brasileiro, o que não é pouca coisa. Mas voltemos ao documentário.

Ao invés de passar mais sobre suas personalidades através de entrevistas ou algo do tipo, o filme mostra o cotidiano das turnês e como agem Gaspard e Xavier antes, durante e depois das apresentações, em sua estadia pelas cidades e nos trajetos entre elas no ônibus da dupla, o qual é cenário de diversas situações da fita. Além dos dois personagens principais, o filme também foca nos outros componentes do grupo, que participam da turnê fora dos palcos. E neles se encontram alguns dos pontos interessantes, como o gerente de turnê que se torna cada vez mais obcecado por armas e acaba com problemas por conta disso, ou o motorista do ônibus, típico cidadão do interior americano, que ocupa boa parte dos 64 minutos do filme com as histórias sobre seu dom de cantar notas graves ou sua mania de tirar fotos da paisagem para mostrar à família.

Apesar dos coadjuvantes ganharem uma parcela significativa no documentário, as melhores cenas são protagonizadas pelos grandes nomes, cada um com sua personalidade marcante. Xavier é mais bagunceiro e extrovertido, mas em contrapartida se exalta facilmente. O barbudo Gaspard é calmo e mais calado, e enquanto o parceiro aproveita a fama pra se jogar na multidão, ele a usa para levar mais mulheres para a cama. São estas diferenças que os tornam tão produtivos, cada um suprindo as faltas do outro. Entre os momentos mais interessantes estão o hilário casamento de Gaspard em Las Vegas, as várias garotas bêbadas nos camarins e a violenta garrafada que Xavier dá em um fanático, além das belas cenas dos shows, perfeitamente editadas no ritmo pesado das músicas, passando ao espectador o clima único que tem um live do Justice.

Após assistir ao documentário, dirigido por Romain Gravas (Stress) e So Me (D.A.N.C.E. e DVNO), se tira apenas uma conclusão: eles são verdadeiros rockstars. Pose de rockstar, cotidiano de rockstar, fama de rockstar. A diferença é que ao invés de guitarra, baixo e bateria, seus instrumentos são dezenas de equipamentos eletrônicos. Exemplos como este nos mostram a força que tem a música eletrônica atualmente, com inúmeras vertentes e milhões de fãs, gerando um mercado comparável ao do bom e velho rock. Esta dimensão só aumenta com a Internet e o fácil acesso a sintetizadores e programas de produção como Ableton Live e Acid Pro, tornando crescente o número de produtores caseiros, que ameaçam competir em número com as tradicionais bandas de garagem.

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Ao vivo: Justice remixa Master of Puppets, do Metallica, em show no Circo Voador

Nomes como Justice, Digitalism e Simian Mobile Disco põem à mesa diversas discussões sobre o que é considerado música, e se o eletrônico é digno de ser ouvido atentamente e estudado, deixando de ser apenas o “putz-putz” que só toca em festa. Enquanto o rock perde tempo com bordões como “não tem mais jeito” ou “não fazem mais bandas como antigamente”, a música eletrônica cresce com seu enorme leque de possibilidades, se infiltrando nas culturas e se misturando com tudo, inclusive com o rock, dizendo em alto e bom som: a festa está apenas começando.

Por Marçal Righi

12 nov 2008

Travis – Ode to J. Smith

Por  @17:31

Álbum: Ode to J. Smith

Artista: Travis

Lançamento: Setembro de 2008

Nota: 4.0/5.0

travisOde to J. Smith, o sexto álbum da banda escocesa Travis, chegou às lojas no último dia 29 de setembro, causando reações principalmente positivas, vindas de críticos de música e, é claro, dos leais fãs. A banda, famosa por seus hits Turn, Sing, Why does it always rain on me e Flowers in the window, entre outros, surpreendeu aqueles que esperavam as já conhecidas (e elogiadas) baladas.

Quando Chinese Blues, a faixa de abertura, começa a tocar, Travis é a última coisa que passa pela cabeça dos familiarizados com o trabalho dos meninos de Glasgow. Entretanto, quando a doce voz de Fran Healy começa a soar, não restam dúvidas: trata-se apenas de um lado mais agressivo de Fran, Andy, Dougie e Neil. O primeiro single, J. Smith, chegou à frente do álbum, no dia 30 de junho (e, uma semana depois, estava em primeiro lugar nas paradas britânicas). A música, elogiada por Paul McCartney e Luke Pritchard, vocalista do The Kooks, é considerada a mais experimental da banda, dando a Andy, o guitarrista, uma rara oportunidade para explorar mais seu instrumento. Outras faixas com a marcante presença de acordes mais ousados são Something Anything, Long Way Down e Song to Self.

Aumentar a dose de rock n’ roll não foi a única ousadia da banda: pela primeira vez eles lançam por conta própria um álbum, gravado em apenas duas semanas. Apesar de mais ousados, Travis continua [quase] a mesma, com suas letras sempre poéticas, que ganham vida através da bela voz melancólica de Healy, especificamente em Broken Mirror, Last Words e Before you were young. Para os fãs da banda, essa poética mais agressiva é um prato cheio. Para os que esperavam que a veia de “urgência criativa”, como diz o vocalista, estourasse logo, essa é a chance.

Ode to J. Smith não é um álbum perfeito, mas é merecedor dos elogios recebidos, por mostrar uma nova faceta de uma banda que estava destinada a cair na mesmice.

Nathália Pandeló não possui vícios, exceto café, filmes, séries, livros e internet, e escreve sempre quando dá (tempo) no Flowers in the Window – que, não por acaso, é o nome de uma música do Travis.

12 nov 2008

Little Joy – Little Joy

Por  @17:31

Álbum: Little Joy

Artista: Little Joy

Lançamento: Novembro de 2008

Nota: 4.6/5.0

little_joy1Tudo o que o disco do Little Joy representa é nostalgia. Tenho até um pouco de medo de enrolar demais no desenvolvimento da avaliação do disco e acabar destruindo a característica mais marcante nele, mas enfim, vamos arriscar.

Sabe aqueles momentos em que você está de saco cheio da vida e da rotina e reúne seus amigos de infância para relembrar momentos passados? Ou aquele Natal em família no qual a sua mãe faz questão de mostrar para todo mundo os vídeos caseiros das férias de dez anos atrás (onde você corre grande risco de ser mostrado vestindo aquela sua fantasia de Barney ou correndo pelado na praia)? Ou então, abusando do meu leque de exemplos, quando você redescobre uma carta que a sua namoradinha da segunda série te mandou no Dia dos Namorados? Pois então, se estes momentos pudessem ter trilha sonora, seria, sem dúvida alguma, Little Joy. Fab Moretti, Amarante e Binki Shapiro (noiva de Moretti, multi-instrumentalista e que colabora com os vocais de apoio em algumas músicas) encontraram abrigo em um som levemente lo-fi, levemente psicodélico para transmitir o seu recado: vá e aproveite logo essa vida enquanto você ainda a tem.

Quem diria que o produto da fusão de integrantes de bandas tão distintas seria algo tão simples, mas simples num sentido bom, que sabe o que quer e que não precisa apelar pra composições extremamente complexas e elaboradas. Ao meu ver, o Little Joy está no caminho certo. Na situação musical em que vivemos atualmente, em que bandas tentam desesperadamente revolucionar o mercado antes que caiam no esquecimento, eles se esquivam dessas obrigações e simplesmente fazem…..música!

Com 11 faixas, todas em torno de 2/3 minutos de duração e uma delas cantada totalmente em português (Evaporar, que se cai no shuffle pode até ser confundida com uma música do Los Hermanos), o disco homônimo satisfez todas as expectativas que criei sobre ele.

Por Cédric Fanti

3 nov 2008

Megapuss – Surfing

Por  @19:22

Álbum: Surfing

Artista: Megapuss

Lançamento: Novembro de 2008

Nota: 4.2/5.0

Nunca havia dado muita atenção ao trabalho de Devendra Banhart. De Greg Rogove, Noah Georgeson e Aziz Ansari, confesso nunca ter ouvido falar. Fabrizio Moretti, claro, sempre esteve sendo reproduzido no meu iTunes, guiando a bateria dos Strokes, mas jamais havia considerado a possibilidade de usar a sua voz em gravações. Rodrigo Amarante, mais um brasileiro, só teve espaço no meu iPod bem recentemente, comandando o Little Joy.

Basicamente, isso é o que o Megupuss é pra mim: Um oceano de novidades. Mas é claro que o mix de culturas empregado em Surfing, primeiro álbum da banda – que não gosta de ser vista como um projeto paralelo -, não se resume a isso. Esse não é apenas um belo trabalho, mas sim um disco que é cotado para aparecer em minha mais tarda lista de melhores do ano.

Não demora muito para Surfing começar a somar pontos com o ouvinte. Logo na faixa de abertura, Crop Circle Jerk ’94, o álbum já mostra que quer marcar – e marca. A melodia é leve, cantada como se não houvesse amanhã, e usa oohs e aahs que sempre acabam por me conquistar. Devendra e seus amigos ainda surfam por outras essências, letras bem humoradas, sem sentido e, em muitas das 14 faixas lançadas, exploram as influências que Fab, o amado baterista, trouxe em sua bagagem. Isso acontece, por exemplo, em Adam and Steve, que é tão weird quanto pode-se esperar de algo feito por Banhart. Nada como uma (duas, três, quatro…) boa e nova música indecifrável para acabar com a rotina.

Theme From Hollywood é uma das minhas preferidas, e vou dizer por que: Fabrizio Moretti e sua voz bêbada são muito exploradas nela. Surfing, faixa que dá nome ao disco, não fica pra trás, agradando até a senhora minha mãe por ter uma melodia encantadora no piano. Falando em mães, Another Mother chega e trás com ela tudo que uma despedida tem direito – exceto lágrimas, que não combinam com o espírito do Megapuss.

Lembrando de The Doors e Santana até as demos mais remotas de Devendra Banhart. Passando por folk, jazz e garage rock. Você tem que gostar de ao menos uma parte do Megapuss.

Por Alex Correa

3 nov 2008

Oasis – Dig Out Your Soul

Por  @19:22

É preciso ser honesto consigo mesmo. Você sabe que, embora seja metido a alternadescolado, seu negócio é (ou deveria ser) simplesmente rock’n'roll. Mais cedo ou mais tarde você vai perceber isso. E aí, além das guitarrinhas pulsantes e das baterias marcadas, vai sentir vontade, abstinência mesmo, de ouvir solos estonteantes e paredes de guitarras que inebriem os sentidos. Você vai correr para os discos do The Who e do AC/DC do seu pai. Mas eu preciso te dizer que há uma maneira que satisfazer essa fome de rock’n'roll sem sair do descolamento trazido pelas bandinhas inglesas. Essa maneira se chama Oasis.

No último disco o Oasis fez música para ouvir no bar, tomando cerveja e fumando cigarro. E mesmo se você não fizer nenhuma dessas coisas, vai entender o que eu estou dizendo quando ouvir. É rock’n'roll como deve ser feito, daquele que te faz sentir jovem de novo. Dig Out Your Soul tem a quantidade certa de referências e ‘inspirações’ do que já existe, com as letras de sempre do Oasis e as guitarras características daqueles que inventaram o britrock. O mérito da banda nesse disco de fato não é revolucionar o rock inglês (eles já fizeram isso), nem repetir ipsis literis a fórmula que já fez sucesso com eles. É na verdade um pouco dos dois: a fórmula velha do Oasis revisitada na medida certa.

Façam um favor a essa sua vida cheia de tédio. Deixe de lado, só por um tempo, o Of Montreal e o Beirut e ouça um pouco de rock’n'roll de verdade. Dig Out Your Soul não poderia ser um nome melhor para um disco que faz isso mesmo: ele tira para fora a parte da sua alma que ainda anseia por rock’n'roll, mas que estava adormecida. O Oasis só precisava te lembrar.

Ana Freitas é quase jornalista e quase adulta. Adora coisas de nerd, supondo que música é uma coisa de nerd, e escreve regularmente no Olhometro, o blog dela.

20 out 2008

Of Montreal – Skeletal Lamping

Por  @17:56

Álbum: Skeletal Lamping

Artista: Of Montreal

Lançamento: Outubro de 2008

Nota: 3.6/5.0

Para o Of Montreal, tudo acaba virando festa. Kevin Barnes faz questão de botar todo e qualquer objeto que faça barulho no álbum de sua banda, de uma forma inovadora e fazendo com que a música soe orgânica e bem produzida. O grupo sempre apela para o exótico e faz algo nunca antes visto no mundo pop.

Sim, o Of Montreal pode ser definido como pop. Quem duvida, pode ver que minha tese se comprova facilmente nas duas faixas iniciais de Skeletal Lamping, que mostra-se um disco de música pop com batidas de funk – e, como já disse, os objetos estranhos que fazem barulho. Mas não há motivos para se assustar, já que a tendência normal do pop está longe de aparecer nesse – ou em qualquer outro – álbum da banda (que não é de Montreal, mas sim americana). Mas, fique tranqüilo, o grupo não segue a tendência normal do pop e esnoba refrões grudentos.

O excelente Kevin faz mais um de seus memoráveis discos com o apoio de sua banda. Memorável também é a complexa personagem criada pelo vocalista: Georgie Fruit, um transexual, negro, alto, que tem mais ou menos 40 anos (situação parecida com a do David Bowie na década de 70, que criou o marciano Ziggy Stardust). George se torna narrador do disco e conta todas as suas peripécias amorosas, fazendo suas críticas as garotas populares com muita conotação sexual.

Por mais maluca que seja a mente de Kevin Barnes, ainda há uma luz de equilíbrio no disco. Músicas como Gallery Piece e Nonpareil Of Favor mostram um Of Montreal comum a qualquer mortal, com sentimentos e amores fracassados. A banda parece ser a mistura de Prince com David Bowie. Mas quem não gosta de algo fora dos padrões?

Por Mateus Bracarense

6 out 2008

Moptop – Como Se Comportar; Coldplay – Loyalty to Loyalty; Kaiser Chiefs – Off With Their Heads

Por  @19:35

Álbum: Como Se Comportar

Artista: Moptop

Lançamento: Agosto de 2008

Nota: 3.5/5.0

Se em 2006 o Moptop já se mostrava preparado para embarcar no sucesso com seu álbum de estréia, em agosto de 2008 ficou provado que a viagem ao mundo da fama era sem volta.

Com uma personalidade novinha em folha, o grupo carioca brilha na turnê de Como Se Comportar, um disco que não pode passar em branco. Transpirando menos The Strokes, Aonde Quer Chegar, Como Se Comportar e a adolescente História para Contar compõem a parte mais marcante de todo o trabalho, mas a badalada Desapego não fica para trás.

Tão apaixonantes e grudentas quanto as antigas Paris e Sempre Igual, são Bom Par e a mais básica Adeus, mas não deixe de dar a devida atenção à Bonanza e à Contramão, inédita que mais me chamou a atenção quando vi o Moptop no início do ano, na Fundição Progresso, que mais tarde recebeu o Interpol.

Por Alex Correa

Álbum: Loyalty to Loyalty

Artista: Cold War Kids

Lançamento: Setembro de 2008

Nota: 4.0/5.0

Loyalty to Loyalty seria o álbum do ano fácil fácil, se já não tivéssemos experimentado uma sonoridade grosseiramente semelhante em 2006, na estréia do grupo. Não fosse a agradável melancolia de Avalanche B, a épica Cryptomnesia ou os inéditos falsetes adotados em uma ou duas músicas do disco, o jazzy rock californiano do Cold War Kids iria direto para a gaveta dos que pararam no tempo. Amor e ódio; Agressividade e delicadeza. Tudo isso e mais um pouco se junta no segundo álbum do CWK, que teria nível de best-seller caso fosse um livro de poesias. Não preciso nem comentar sobre a intercessão de uma faixa para a outra…

Por Alex Correa

Álbum: Off With Their Heads

Artista: Kaiser Chiefs

Lançamento: Outubro de 2008

Nota: 2.5/5.0

O novo disco do Kaiser Chiefs é quase tão difícil de ser descrito quanto o sabor da combinação de queijo com goiabada A abertura, feita por Spanish Metal (que não é um metal propriamente dito), deixa claro que nos próximos minutos não virá absolutamente nada imperdível. A presença dos convidados especiais – Lily Allen, New Young Pony Club e David Arnold – é praticamente inaudível. Pode-se considerar Never Miss a Beat, You Want History (que já estão sendo tocadas ao vivo há tempos) e Tomato In The Rain as melhores faixas de todo o disco, mas me arrisco a dizer que a verdadeira salvadora é Half The Truth – que também pode ser chamada de “música do rapper”. O rapper é Sway, que lidera os vocais por alguns versos e exibe toda a sua ginga de nigga londrino, o que vale como um ‘plus’ ao Off With Ther Heads. Já na última faixa do CD, é o baterista Nick Hodgson quem ataca como líder. A música é péssima e, se quiser saber, tem o nome de Remember You’re a Girl. Para ser honesto, esse não parece um trabalho de Mark Ronson, muito menos do Kaiser Chiefs.

Por Alex Correa