14 nov 2009

The Swell Season – Strict Joy

Por  @14:48

strictjoy

É impossível pensar em Glen Hansard e Marketá Irglová, os dois integrantes do The Swell Season, e não lembrar de Apenas Uma Vez, o filme irlandês independente que fizeram juntos e que lhes rendeu o Oscar de Melhor Canção Original em 2008. Assim como é fácil lembrar do relacionamento amoroso que logo após assumiram, e que terminou em janeiro desse ano.

É no clima desse término de namoro que a dupla lança Strict Joy, sucessor de Once (trilha sonora do filme, que por sua vez sucedeu o primeiro álbum do Swell Season, de mesmo nome). Porém, ao contrário do que se imagina, este não é um típico álbum ninguém-me-ama, ninguém-me-quer. A melancolia está lá, como se espera que esteja, mas nem só de desatino vivem os ex-pombinhos.

Dupla canta Falling Slowly no Late Show With David Letterman

O segundo álbum de Glen e Marketá vem carregado de… bem, bagagem, como é de se esperar. E não apenas de bagagem sentimental, mas um amadurecimento musical notório. Não que em trabalhos anteriores eles fossem imaturos, mas, dois anos após o grande sucesso do filme (cuja trilha sonora vendeu mais de 700 mil cópias) e do turbilhão gerado pelo Oscar e pelo Grammy, ambos mostram-se mais seguros e confortáveis com a fama e o sucesso. Isso fica evidente se você baixar comprar a deluxe edition do disco, que inclui versões ao vivo de músicas novas e antigas.

Independente disto, Strict Joy traz um doce começo, com Low Rising, passa pelos encantadores solos de Marketá em Fantasy Man e I Have Loved You Wrong, culminando na melancólica Back Broke.

O segundo disco do The Swell Season está aí pra mostrar folk de qualidade, e que os fins não precisam ser tão tristes assim.

6 nov 2009

Tegan & Sara – Sainthood

Por  @13:00

sainthood

Assim como muitas bandas de longa data, como Radiohead ou Wilco, o duo Tegan & Sara já pode se gabar de ter atualizado suas influências e vertentes depois de dez rápidos anos de história. Em 2009, com o matematicamente calculado Sainthood, as gêmeas Quin flertam de forma inédita com os sintetizadores consagrados pelo New Order e que, a cada segundo, se contrastam em proporções notáveis com a base instrumental do debut Under Feet Like Ours (1999), um pacote de melodias doces sediadas em violões pop e orgânicos que podem nos remeter ao Kings of Convenience.

Continua aqui.

31 out 2009

The Raveonettes – In and out of control

Por  @15:42

cover

Pra quem não sabe, The Raveonettes é um duo dinamarquês que faz rock com influências que vão desde The Velvet Underground e The Jesus and Mary Chain até ótimos momentos de indie pop e garage rock. A dupla acaba de lançar seu quarto disco de estúdio, In and out of control – com poucos mais de meia hora de duração, o álbum já abre com uma das músicas mais “pegajosas” feitas atualmente: “Bang!”, cujo refrão é assustadoramente assoviável.

“Gone forever” e “Last Dance”, primeiro single do disco, vëm em seguida e mostram que a banda fez, provavelmente, seu melhor disco até aqui. Outros destaques são “D.R.U.G.S.”, soando algo entre The Kills e Black Rebel Motorcycle Club, e “Breaking into cars” – faixa com vocais sussurados nos versos e um refrão extremamente eficiente, se destacando a voz da loira Sharin Foo e a guitarra indie de Sune Rose Wagner. Ah, tem também “Break up girls!” – penúltima faixa do disco e que conta com uma barulheira de guitarras cheias de fuzz que daria orgulho ao My Bloody Valentine e Sonic Youth.


“Last Dance” em versão acústica

Para quem curte referências ao sons de clássicos alternativos e, ao mesmo tempo, ama o indie rock atual, esse disco novo do The Raveonettes faz essa mistura de forma magistral (com o perdão da rima).

30 out 2009

Generationals – Con Law

Por  @11:39

Depois que inventaram o iPod e o celular com mp3 player eu nunca mais ouvi as rádios tradicionais. Acreditava que para ouvir notícias há algumas rádios, para ouvir MPB e love classics há outras, além da meia dúzia que tocam “música jovem”, que só são diferentes pelo nome. Para ouvir alguma coisa que se diferenciava disso, só em duas FMs, a Last e a Blip.

Só que esses dias, não sei por qual motivo, voltei a ouvir rádio e me deparei com uma agradável surpresa. A Oi FM, onde ouvi coisas bem interessantes, como Cut Copy, Miike Snow, Copacabana Club e Kings of Convenience. Toda essa história esta sendo contada porque junto com essas ouvi uma banda que me despertou bastante a atenção, Generationals.

A banda em questão é na verdade uma dupla de New Orleans, formada por Ted Joyner e Grant Wildmer, e teve seu debut, ‘Con Law’, lançado em julho deste ano. As músicas do álbum não são de surpreender como uma grande novidade, mas chamam a atenção por serem fáceis de se ouvir, com elementos diferentes, mas que convergem de modo simples e direto.

Trompetes, handclaps e sintetizadores contracenam com os tradicionais violão, baixo e bateria, resultando em um indie pop bem agradável. A música que me abriu as portas para os Generationals, ‘When They Fight, They Fight’, tem referências do rock antigo e cara de hit. Já ‘Bobby Beale’, uma das melhores do disco, lembra bastante Metronomy, enquanto ‘Exterior Street Date’ mostra que eles também bebem da fonte Pavement.

Con Law é um daqueles álbuns curtíssimos (só 33 minutos) que dá pra ouvir várias vezes seguidas sem perceber. Quando se nota, as músicas já estão soando na cabeça incessavelmente. E também é uma prova de que as rádios não estão perdidas, ainda existem coisas boas no espectro brasileiro.

23 out 2009

The xx – xx

Por  @15:36

xx

O hype, por mais abrangente e descriterioso que seja, as vezes funciona. Prova disso é o quarteto londrino The xx. Sofrendo quase uma superexposição em blogs e sites especializados em 2009, a banda superou expectativas e mostrou, com seu debut auto-intitulado, que misturar tímidas guitarras limpas com uma climática à la post-punk e ainda sintetizadores sutis pode render ótimos resultados – e elogios, consequentemente.

Os primeiros 15 minutos de xx são simplesmente fantásticos – desde a introdução instrumental de “Intro” (dã), até a faixa “Heart skipped a beat”, passando ainda pelas lindas “Islands” e “Crystalised” (candidatas a entrarem para as listinhas de melhores músicas do ano, possivelmente). As 6 faixas restantes, mesmo não soando tão incríveis (com exceção da ótima “Basic space”), mantêm bem o alto nível iniciado no disco.

Em um ano em que debuts impactantes não foram tão comuns (existiu algum, pra falar a verdade?), se destaca uma banda formada por 4 jovens britânicos de 20 anos que não vieram para revolucionar nem para criar um novo estilo dentro da música, mas sim para fazer músicas gostosas de serem ouvidas, soando agradáveis e originais ao mesmo tempo.

20 out 2009

Stricken City – Songs About People I Know

Por  @19:00

É engraçado como as coisas acontecem. Há um ano, mais ou menos, esbarrei com o clipe minimalista de uma música chamada “Lost Art”. Foi amor à primeira vista (/brega). A banda se chamava Stricken City e, por ter uma vocalista tão parecida com a Leslie Feist (tanto estética quanto vocalmente), merecia mais investigação. Naquela mesma semana encontrei na web o “Factory Sessions”, EP de um pop simples e intimista que abrigava apenas três músicas: “Tak o Tak”, que privilegia as notas do baixista Mike Hayland; “Bardou”, uma balada de final de noite que se divide entre percussão e guitarras e, por último, “Five Meters Apart”, a única que sobreviveu para contar história no recém-lançado Songs About People I Know.

Stricken City - Songs About People I Know

Totalmente remasterizada, “Five Meters Apart” abandonou as guitarras de indie rock e apareceu de cara nova, com mixagem profissional e refrão menos pegajoso. Por mais que as influências do quarteto londrino passem por nomes pouco conhecidos (os mais citados por eles são The Slits, Life Without Buildings e Young Marble Giants), não é difícil fazer comparações a um Belle & Sebastian menos deprê ou um The Shins mais amador. “Killing Time”, por exemplo, funciona exatamente como a mistura desses dois.

Mesmo com a voz meiguinha de Rebekah Raa, não é para ela que os holofotes apontam durante Songs About People We Know: São as pitadas instrumentais dos anos de ouro, com um pouquinho da essência de Velvet Underground e Sugarcubes, que dão um ar especial à obra. “Terrible Things” é uma prova disso, funcionando quase como um tributo a Björk, mas poupando os ouvintes de seu experimentalismo cansativo e democratizando a cantora.

Versão acústica de “Gifted”, música lo-fi que abre o álbum

Indo do pop ao cult em um disco rapidíssimo (são apenas oito faixas que somam pouco mais de vinte minutos de duração ao todo), o Stricken City também faz uma visita aos Bálcãs na auto-questionadora “Sometimes I Love You / Sometimes I Hate You”, que usa um acordeão como base para as letras mais românticas do álbum.

Songs About People We Know é um disco bonito, bem elaborado, mas pouco memorável – eu diria descartável, até. Acho uma pena, mas ainda aposto num futuro promissor para os meninos – afinal, em Londres tudo pode dar certo.

16 out 2009

Resenha: Banda Gentileza – Banda Gentileza

Por  @13:22

Letras inteligentes e ritmos variados compõem o debut homônimo da Banda Gentileza, que entrou rapidamente na minha lista dos melhores do ano (provavelmente, o melhor nacional).

Não por acaso, o sexteto é de Curitiba, cidade que tem revelado uma série de bandas legais (do já consagrado Bonde do Rolê aos novatos do Copacabana Club). O disco foi produzido por Plínio Profeta, que ganhou um Grammy Latino pelo seu trabalho de produção num disco do Lenine e também foi produtor da nossa querida Tiê.

banda gentileza

Com criatividade pra ver as coisas banais com outros olhos, sem cair no clichê, o grupo faz jus ao “valsambolerockaipira” que esta na bio do twitter. Misturar samba, valsa, rock dançante não é pra qualquer um. E mesmo com nuances tão diversas a banda não fica dispersa (/trocadilhoinfame).

As letras são cheias de jogos de palavras, trocadilhos (menos infames que os meus) e metáforas, tudo utilizado de forma muito criativa. “Sem horas” e “sem dores” fãs de Teatro Mágico, não se animem tanto: aqui, esses jogos de palavras fazem muito sentido, soam naturais e nada pretensiosos. No cenário atual, isso é raro (vide os campeões do VMB). Alguns irão comparar com Los Hermanos nos longínquos tempos do Bloco do Eu Sozinho, dizer que é mais do mesmo, mas uma audição mais atenta irá notar que são estilos diferentes. Enquanto no primeiro a melancolia prevalece, na Gentileza o cotidiano é o tema central, tratado de forma simples e leve.

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Merecem destaque “Maior com sétima”, que representa bem o som da bada e a intenção de suas músicas; “Preguiça”, outro samba que eu elegi como a trilha sonora da minha vida esse ano; o ar caipira de “Teu capricho, meu despacho”, que vale a pena pela letra muito bem humorada. “Pia de prédio” é minha preferida e, se eu fosse parte da banda, a escolheria como single.

Para conhecer, esse aqui é o myspace. A banda foi muito gentil (/piadainfame de novo) e disponibilizou o álbum pra download aqui.

Nesse caso, Gentileza gerou gentileza – e um ótimo disco.