Pulei o Jay Vaquer mesmo porque sinceramente eu nem lembro direito como foi.
Ontem eu tive uma pequena noção da grandiosidade do Muse. Não pela suntuosidade do do cenário, até porque este estava incomparávelmente menor ao do HAARP, e sim pelo modo como o Muse consegue agradar gregos e troianos, no sentido clássico da expressão. Cheguei no HSBC Brasil por volta das 8 horas da noite e a boca da pista já estava relativamente cheia. Cheia de figuras dos mais variados tipos. Os indies compareceram em massa. Mas além deles, pude observar uma série rodinhas de metaleiros, tiozões vestindo camisetas do Genesis e do Pink Floyd, um cover de Axl Rose e ocasionalmente uma ou outra pessoa ‘normal’. Voltando ao ponto, que outra banda consegue reunir tantas tribos antagônicas em um espaço limitado que é o HSBC Brasil e fazer com que elas convivam pacificamente, tirando o micro bate-cabeça que aconteceu do meu lado, mas aquilo nem contou. E pequena noção porque infelizmente o Muse não lota um estádio no Brasil nem ferrando.
Mas enfim, diante de tantos elogios e puxa-saquismo eu consegui um defeito. O Muse não sabe variar setlist, então acaba sempre sendo aquela mesma coisa, Dance of Knights de entrada, seguido de Knights of Cydonia, uma exploração aleatória dos hits dos 3 últimos álbuns e os bis com Stockholm Syndrome e Take a Bow. Não que seja de todo mal isto acontecer, até porque elas são as minhas preferidas e seria uma decepção não encontrá-las na seleção. Porém esperava algo a mais, nem que o tempo de duração do show tivesse que ter sido aumentado, visto que aqui em São Paulo nenhuma música do Showbiz foi tocada. Mas enfim, isso é o de menos.
Rapaz declarando sua verdadeira paixão: Ney Matogrosso, a próxima atração do HSBC Brasil
Matthew Bellamy é um showman completo, no estilo dele, comparações com Justin Timberlake devem ser ignoradas. Passando de herói da guitarra fodão à pianista tímido, enloqueceu a platéia com seu falsetes e sua voz incansável e potente. Pena que ofuscou o brilho dos outros dois integrantes da banda, quase nem foi percebida a presença do tecladista convidado, o Morgan Nichols. Depois de um atraso de mais ou menos 30 minutos (todos estavam cansados de ver os roadies afinando e testando os instrumentos, mas mesmo assim esbravejavam e gritavam quando eles entravam, desconfiando que talvez seriam algum membro da banda).
Finalmente. Knights of Cydonia veio, quase como um hino. Os riffs eram cantarolados por todos numa harmonia bem homogênea. E no telão, como de costume, apareciam as palavras do refrão. NO ONE IS GOING TO TAKE ME ALIVE. Serviram até de apoio para os pára-quedistas que apareceram por lá, inclusive a minha companhia (que ficou parada o show inteiro, mas isso já é outra história). Gritos histéricos de alguns tietes anunciaram a música seguinte. Ironicamente, Hysteria. A música mais bonita (que sua letra certamente serviria em um livro de auto-ajuda) foi Invincible, com Matt no piano. Well, pelo que parece os shows de São Paulo e Rio de Janeiro foram similares. O olê olê olê olê Musê Musê também rolou (isso é Brasil gente, ê povinho sem criatividade), assim como as bexigas gigantes e as cortinas de fumaça refrescantes, porém ouvi comentários de que no Rio o som estava ruim, em São Paulo estava ótimo. Mas o que valeu a pena mesmo? Bliss, New Born e Plug in Baby. Origin of Symmetry era meu cd menos preferido, mas confesso que essas 3 músicas ao vivo foram o auge.
Não é à toa mesmo que o Muse anda ganhando prêmios de Best Live Act. Os caras são fodas ao vivo, fenomenais. Posso dizer com segurança que está no topo da minha lista de melhores shows.
A setlist:
Knights of Cydonia
Hysteria
Bliss
Map of Problematique
Supermassive Black Hole
Butterflies and Hurricanes
Citizen Erased
Feeling Good
Bass Jam
Invincible
New Born
Starlight
Time is Running Out
Plug in Baby
(Bis)
Stockholm Syndrome
Take a Bow
Vídeo de Knights of Cydonia:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=RdQLaGwroBk&feature=related]
Créditos da foto
Autor: Cédric Fanti