22 nov 2011

43 anos do Álbum Branco, dos Beatles

Por Raul Ramone @18:11

No dia 22 de novembro de 1968, os Beatles lançaram um de seus melhores álbuns, nomeado simplesmente The Beatles, ou Álbum Branco, como ficaria conhecido. Após o sucesso de Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, a banda tinha tudo para continuar prosperando, mas a morte de Brian Epstein caiu como uma bomba na vida dos besouros de Liverpool. Sem o grande amigo e empresário, John, Paul, George e Ringo foram para Rishikesh, na Índia, para um retiro espiritual com Maharishi Mahesh Yogi. Lá, cada integrante passou um tempo isolado, aprendendo novas técnicas musicais com os amigos (Donovan e Mike Love, dos Beach Boys também estavam presentes). Isso fez com que cada música do disco possuísse uma personalidade única, o que pode ser bom ou ruim, dependendo do ponto de vista. Outro fator que mudou consideravelmente a visão de mundo dos músicos foi John Wesley Harding, álbum de Bob Dylan que contrastava toda a psicodelia da época. As sessões de gravação foram as mais tensas possíveis, já que as duas forças principais do grupo já não estavam tão unidas, ao mesmo tempo em que George e Ringo tinham pouco espaço nas gravações. A autoinclusão de Yoko no espaço sagrado do estúdio, o atrito entre John Lennon e os demais músicos, Ringo se sentindo desvalorizado deixou a banda por um breve período (o que levou McCartney a tocar bateria em “Back in the U.S.S.R.” e “Dear Prudence”) – tudo isso foi o pano de fundo do Álbum Branco.

Além de ter sido o primeiro lançamento pela Apple Records, o Álbum Branco também foi o primeiro e único disco duplo dos Beatles. Mesmo assim, muita coisa ainda ficou de fora da edição final, como “Mean Mr. Mustard” e “Polythene Pam” (que mais tarde apareceriam no LP Abbey Road), “Child of Nature” (que, alguns anos mais tarde, se transformou em “Jealous Guy”, presente no disco Imagine de John Lennon) e “What’s the New Mary Jane”. “The Long and Winding Road”, de McCartney, iria parar no disco Let It Be, “Jubille” se tornou “Junk” (no primeiro LP solo de Paul McCartney) e “Something”, de George Harrison, saiu mais tarde em Abbey Road. Isso para citar apenas alguns exemplos. The Beatles marca o começo do fim dos besouros de Liverpool, que lançariam mais dois grandes álbuns antes da implosão. Para homenagear os 43 anos desse clássico, separei algumas curiosidades das minhas faixas preferidas do disco.

12 ago 2011

Panorama dos remixes da semana

Por Raul Ramone @20:17

Depois de um tempo fora de circulação, a coluna semana que faz um resumão de alguns dos melhores remixes e mixtapes que pintaram na semana está de volta. Alguns sets não são necessariamente novos, mas merecem destaque por aqui. O “Panorama dos remixes da semana” retorna um pouco mais compacto, visando facilitar a comunicação e agilizar os streamings. Então, vamos aos plays.

6 jun 2011

5 anos sem Billy Preston

Por Victor Bianchin @12:36

Em quatro de seus cinco shows no Brasil, Paul McCartney tocou uma de suas músicas-assinatura: “Get Back”, o petardo de três solos e dois versos cuja levada de bateria e o riff de guitarra seriam reconhecidos até em Marte. Essa é a única música em todo o catálogo dos Beatles em que eles dividem os créditos da composição com outra pessoa. Esse quinto elemento se chamava Billy Preston, e hoje faz cinco anos que ele morreu.

Preston foi um artista importantíssimo para a música dos anos 60 e 70. Tocou nos dois álbuns derradeiros dos Beatles e em vários dos Rolling Stones (incluindo o clássico Exile On Main Street). Seus trabalhos como músico convidado incluem álbuns de Joni Mitchell, Joe Cocker, Elton John, Eric Clapton, John Lennon, George Harrison, Ringo Starr e até Red Hot Chilli Peppers. Fora isso, lançou duas dezenas de discos solo e se firmou como um dos heróis pouco reconhecidos do rock.

6 abr 2011

Beady Eye e a versão de estúdio para “Across The Universe”, do Beatles

Por Raul Ramone @11:34

Os caras do Beady Eye tinham feito uma versão ao vivo de “Across The Universe”, dos Beatles (veja aqui a versão ao vivo, em vídeo) e anunciaram que lançariam um single com o tal cover. Agora é possível ouvir a gravação oficial da música – que está disponível para download pago (custa mais ou menos 1 euro) no site do grupo. Toda a renda será entregue ao fundo de ajuda da Cruz Vermelha às vítimas do terramoto e do tsunami no Japão.

25 nov 2010

Paul McCartney emociona São Paulo com show dedicado

Por Victor Bianchin @11:56
Você não precisa ir longe na internet brasileira para saber dos dois shows de Paul McCartney em São Paulo. Setlist, efeitos especiais, curiosidades, tudo já foi ferozmente esmiuçado pela imprensa, antes, depois e durante o show. Com vinte minutos de pesquisa, dá para saber tanto sobre a apresentação quanto alguém que foi.

Então, não vou desperdiçar o seu tempo falando sobre como é o show do Paul McCartney. Vou falar sobre minhas impressões pessoais.


Acho que, se houvesse uma lista de pessoas mais amadas no mundo, Macca figuraria fácil entre os cinco primeiros. Só amor explica a massa de 60 mil pessoas enfrentando calor e filas quilométricas (no primeiro dia) e chuva e engarrafamentos quilométricos (no segundo) para ficar três horas ou em pé ou sentados bem longe de um palco onde um senhor de 68 anos cantava músicas de quatro décadas atrás.

Mas é injustíssimo fazer uma redução dessas porque Macca não é um artista comum. Esqueça U2, esqueça Madonna, esqueça a porra da Lady Gaga. São todos artistas relevantes, mas nenhum deles chegou nem perto do que McCartney conseguiu: uma carreira baseada exclusivamente na música.

Veja, a Lady Gaga sai por aí vestindo carne porque ela PRECISA disso, faz parte do personagem. Assim como o U2 precisa do ativismo. Macca faz suas campanhas, sim, mas nada nunca se tornou maior que seus discos. Tanto é que o show é simples, muito simples – os luxos são o telão, a pirofagia de “Live And Let Die” e uma chuva de papel no final, só. As 60 mil pessoas não se importaram porque, oras, foram lá pelas músicas.

E quem não quer ouvir Beatles ao vivo? É esse o cerne do show: Beatles e tudo que eles representam para a música mundial. Todas as principais bandas de todas as gerações pós-Beatles foram influenciadas por eles. Não importa a partir de onde você comece a cavar: seja a partir dos Arctic Monkeys, do Nirvana, do Depeche Mode, do Joy Division, dos Ramones, do Clash ou de qualquer outro, você vai dar nos Beatles.


E, de repente, lá está ele, um Beatle, um cara que fez alguns dos maiores hinos da história da música, tocando na sua frente, fazendo piada, dançando. Não tem como não ser envolvido, como não se emocionar. Seria desumano. Desconfie de quem foi indiferente ao show do Paul McCartney – essa pessoa tem problemas.

Tudo que o show prometia ser, ele foi. Teve os clássicos (meus preferidos foram “Back In The USSR”, “All My Loving” e “Helter Skelter”, e os seus?), teve as homenagens (as fotos de George Harrison passando em “Something” me emocionaram), teve as palavras em português (“essa música eu fiz para minha gatinha Linda”, “essa música eu fiz para meu amigo John”), teve a catarse coletiva de “Hey Jude”, teve até uma bandeira do Brasil empunhada.

Tudo seguindo o script da turnê, claro, mas isso é o de menos. Há um esforço genuíno ali em cima para que o público se emocione, para que a experiência seja marcante. Macca faz questão de que seja o show da sua vida, e ele consegue não só porque tem 40 anos de músicas brilhantes para concentrar em três horas de show, mas também porque ele se importa o suficiente para isso. Uma coisa é executar suas músicas, outra é tocá-las de coração. E ele toca. Numa turnê com quarenta datas (eu vi três, uma na Inglaterra), ele toca de coração em cada uma delas.

Daí você diferencia Paul McCartney do resto. Compare com os outros shows do fim de semana. Você aguentaria três horas de Metal Machine Music? Três horas de virtuosismo e músicas irrelevantes dos Smashing Pumpkins? E, mesmo que aguentasse, acha que eles se disporiam a tocar tanto tempo assim? Provavelmente não, mas Macca está aí, fazendo isso por dois dias seguidos. Como ele não precisa mais provar nada para ninguém, só concluo que faça tudo isso por consideração mesmo. E por gosto.

Sabe aquele amor de que eu falei lá em cima? A última coisa que Paul McCartney canta no show é “and in the end, the love you take is equal to the love you make”. É a 3ª Lei de Newton reinventada pelos Beatles. Se for verdade, então Macca não era só a pessoa mais amada naquele estádio nos dias 21 e 22 – era a que mais amava também.

E, se for verdade o que John Lennon disse quando compôs “All You Need Is Love”, então todos nós, fãs devotos e emocionados, passamos seis horas com a vida completa no estádio do Morumbi.

Eu,  sem sombra de dúvidas, passei. E você?

16 nov 2010

Os Beatles chegam à iTunes Store

Por Victor Bianchin @11:01
Internautas que tentam acessar a iTunes Store da Apple desde ontem encontram uma tela com a seguinte mensagem: “Tomorrow is jsut another Day. That you’ll never forget”. Tudo indica que, após anos de brigas judiciais, finalmente o catálogo dos Beatles será disponibilizado na loja para download digital.

Há duas grandes pistas indicando essa possibilidade. Primeira: Another Day é uma música de Paul McCartney escrita durante seus tempos de Beatle (mas só lançada durante sua carreira solo). Segunda: os quatro relógios dispostos na parte de baixo da página, com os ponteiros em horários diferentes, lembram a capa do álbum Help!, com os quatro Beatles lado a lado e de braços estendidos em posições diferentes.

Se confirmada, a notícia poderá marcar o fim de uma batalha de mais de trinta anos entre a Apple Corps, gravadora dos Beatles, e a Apple Inc. (antes, Apple Computer), de Steve Jobs, referente ao uso do nome e outras atividades relacionadas.

Não que a inexistência de músicas dos Beatles na iTunes Store tenha atrapalhado a vida de quem quer ouvi-los no iPod, mas a chegada da maior banda do mundo à maior loja digital do mundo é, com certeza, uma ocasião a ser lembrada.

UPDATE: As previsões se confirmaram. Já é possível comprar as músicas dos Beatles aqui.

15 set 2010

Alan’s Jukebox (Rock Rocket)

Por Neto Rodrigues @14:21

Por um rock n’ roll mais alcoólatra e inconsequente (me desculpe pela introdução previsível), o baterista de uma das bandas com maior espírito roqueiro desse Brasilzão conversou com a gente. Alan, dono das baquetas do Rock Rocket, fez piadinha (e bem boa, aliás) com o melhor lançamento de 2010 e deu muita explicação pra falar sobre seu guilty pleasure. TEM QUE VER ISSAÍ, ALAN!

E o hype? – o que você tem escutado de novidade?
Eu me considero o oposto do hype. Tenho ouvido Toots & The Maytals, Cock Sparrer, Public Enemy e Eric Burdon Declares WAR. Nada de novo. Se me perguntarem sobre o melhor lançamento de 2010, eu digo que foi esse http://www.youtube.com/watch?v=ks0OMF0rL4Q.

Good Times Bad Times – qual banda/artista sempre esteve ao seu lado, fazendo, por mais piegas que isso possa soar, a “trilha sonora de sua vida”?
Banda da vida talvez seja Beatles. Ou Ramones. Mas se for dizer “goodtimesbadtimes”, no “8 ou 80″, com certeza Tom Waits. Ouço quando estou feliz, para me deleitar mais ainda. E ouço na depressão, pra me afundar mais ainda.

Do the D.A.N.C.E. – o que não pode faltar na hora de soltar a franga na pista?
Frangotten Boys (ah, vai, a piada já tava pronta na pergunta).

E aquele show inesquecível? Qual foi? (tanto pra você, como telespectador, quanto aquele show foda do Rock Rocket que você nunca vai se esquecer)
Já dividi palcos gigantes pra até 30.000 pessoas, com bandas famosas tipo Guns n’ Roses, Sepultura, Sebastian Bicha, Mudhoney e sei lá mais o quê. Mas não botaria nada disso na minha lápide. Me orgulho mesmo é de ter dividido o palco com o Restos de Nada, Lixomania e Zefirina Bomba num show pra 300 cabeças, intitulado “Fresh Fruit For Rotten Vegetables”. Agora, sobre shows que fui como mero apreciador de música, eu tenho uma coleção grande de momentos incríveis: Beastie Boys, Vibrators(3), Pixies, Addicts, Cockney Rejects, Circle Jerks, Chico Buarque, Os Mutantes, Big Bad Voodoo Daddy, Chaos UK no CBGBs, Flaming Lips(2), Sparklehorse (RIP), MC5, New York Dolls, FuzzFaces, Cólera, Sonic Youth(2), Toy Dolls(2), Motorhead(3), Alice Cooper, Riistetyt, Rattus, Rezillos, Extreme Noise Terror…puts, um monte. Mas inesquecível mesmo foi subir no palco dos Stooges e ficar lado a lado com o Iggy Pop e Scotch Asheton durante “Shake Appeal”.

Você não vale nada mas eu gosto de você – todo mundo tem um guilty pleasure, vai. Aquela banda que você só escuta quando não tem ninguém por perto e, por garantia, com fones de ouvido.
Get Up Kids. Aliás, eu não ouvi isso nos útimos 9 anos, mas resolvi perder um tempo agora pra saber o que eu acho deles hoje em dia, afinal, depois de muito pensar, a pergunta me levou a essa banda. Ouvi e… é, não compraria um disco, mas teve um momento da minha vida em que o Get Up Kids era presente, tocava nas festas dos meus amigos. Imagino que muitos da minha geração, e até aqueles um pouco mais velhos, sintam isso. E muita gente que hoje usa camiseta do Motorhead, ouvia o som deles 9 anos atrás. Era tipo febre. Era uma época em que ainda não existia isso que chamam hoje de emo. Pra mim, era mais indie mesmo, tipo Rentals. E eu tinha 17 anos, né? Dá um desconto. Então bateu uma nostalgia. Mas também nunca mais ouvi muito a banda. Era mais por tabela dos amigos. É uma questão de ouvir uma melodia confortante, nada demais. Bom, vou parar de desculpas antes que alguém parafraseie o Emicida e diga: “Irmão, você não acha que se explica de mais pra quem tem razão?”