Entrevista: The Cribs
Na última semana, o trio inglês The Cribs tocou em dois disputados shows no Beco 203, em São Paulo. No primeiro dia se apresentaram na festa do Garage Project, e o Move That Jukebox, juntamente com o Vitroleiros, o Rock’n Beats e a revista Playboy, teve a oportunidade de conversar com a família Jarman e explorar um pouco da história da banda.
Quando perguntado sobre o desafio de manter uma banda com pessoas que vivem juntas desde que nasceram, Ryan respondeu de bate-pronto: “É fácil, pois não temos que lidar uns com os outros o tempo todo. Você ouve falar de bandas onde todos são impacientes e discutem e brigam bastante. Nós somos um grupo mas não brigamos, temos as mesmas opiniões, gostamos do mesmo tipo de música. Como Gary vive nos Estados Unidos, eu em Londres e Ross em Wakefield, não ficamos juntos sempre.” No único momento em que o baterista e irmão mais novo Ross falou durante a entrevista, disse que eles se conhecem o suficiente para não se pressionarem.

O ex-guitarrista dos Smiths, Johnny Marr, fez parte da banda até pouco tempo. Numa inusitada saia-justa, tiveram que responder se eles têm a intenção de tocar com Morrissey. Gary deu um sorriso amarelo mas respondeu de maneira firme: “Não. Isso parece ser um trabalho difícil. Johnny é realmente um cara legal e isso poderia desagradá-lo.”
O The Cribs já foi headliner de festivais europeus e tem um público considerável na Europa. No entanto, isso não quer dizer que não gostem de tocar em locais pequenos, como o Beco 203. “Quando tocamos em grandes locais por um longo tempo, no Reino Unido ou mesmo nos Estados Unidos para alguns milhares de pessoas a mais que o de costume, depois de um tempo você sente algo em locais pequenos que não consigo explicar” – Ryan tenta esclarecer até ser interrompido por Gary: “Nós nos conectamos melhor às pessoas em clubes pequenos, que é de onde viemos originalmente, quando a banda foi formada há dez anos.” e finaliza seu raciocínio: “Fizemos inúmeras apresentações em pequenos bares, fazíamos shows por toda parte, mas não tocávamos nas rádios. Por esse motivo, nos apresentávamos em todo tipo de lugar e acabamos nos acostumando a isso. Quando você passa a tocar em grandes locais fica muito mais fácil. É bom voltar a tocar em locais pequenos, pois você não pode se esconder no meio da multidão.” E Gary completou “Fizemos muitos shows em grandes locais e legal tocar para um público menor, onde você extrai mais energia da plateia. Há bandas que param de tocar em lugares pequenos e nunca querem voltar a fazer shows assim, e não entendo o motivo.”















