
Rolou neste sábado, dia 28/06 o MOTOMIX: THE ROKR FESTIVAL no Parque do Ibirapuera, São Paulo, e contou, como todos já sabem, com 3 atrações nacionais e outras 3 internacionais. Dois correspondentes do Move foram até o local conferir os shows, mas infelizmente nenhum conseguiu chegar em tempo de ver os ‘Novos Sons’. Aqui vão as nossas impressões:
Em um Ibirapuera comumente cheio nos fins de semana, porém longe do lotadérrimo (achei uma vaga fácil no estacionamento), cheguei ao recinto do MOTOMIX ao som de Does It Offed You, Yeah?. Obra dos DJs que tocaram nos intervalos, ótimas músicas que foram de Rapture a Interpol, além de M.I.A., Beastie Boys e Cut Copy. O lugar ainda estava razoavelmente vazio, peguei meu lugar na grade e não larguei mais. Após a montagem de toda a parafernalha, eis que entra o ex-VJ da MTV Edgar (nessa hora, a minha irmã quase surtou) usando uma camisa do Flaming Lips e anunciou a primeira atração internacional das três daquela noite: Fujiya & Miyagi.
- Fujiya & Miyagi
Vou confessar, resolvi conhecer o Fujiya dias antes do show. E sinceramente não me surpreendi muito com o Transparent Things. Mas o show dos caras provou que eu estava errado. Eles foram ótimos! Mesmo não conhecendo direito a banda nem as letras, me animei bastante. Eles começaram com a infalível Ankle Injuries, cujo clipe (aquele dos dados) foi mostrado o tempo todo durante o show e a repetição de ‘Fujiya, Miyagi, Fugiya, Miyagi…’ fez todo mundo cantar junto sem nem perceber. Após a segunda metade do show, as batidas eletrônicas foram substituídas por uma bateria acústica de verdade, o que deu um up na platéia. Aliás, a única coisa que não gostei neste show foi a platéia. Parece que a pseudo-síndrome de underground imperou no momento. O F&M conseguiu ser ovacionado por uma minoria e se contentaram com isso, mas a maioria das pessoas parecia estar de saco cheio. Até ai ok, mas não foi legal quando faltaram com respeito ao caras. Gritos de “Pula essa parte, vai!” e “Toca Edson e Hudson!” provocaram revolta nas pessoas que estavam apenas querendo se divertir. Enfim, o show foi ótimo. E eu até consegui ver a Ninja nos bastidores se alongando. Eu sabia que algo ótimo estava para vir.

- The Go! Team
Podem até me chamar de suspeito para falar do show. Confesso, sou meio tiete de The Go! Team, mas não tinha como não ter gostado deste show. Mesmo o som tendo falhado em algumas partes, isso foi o de menos. Durante a montagem dos instrumentos já deu um gostinho de ‘começa logo’, as características 2 baterias com Go escrito no bumbo de uma e Team na outra. Entra de novo o Edgar, desta vez fala um pouco da história da banda e como ela mistura hip-hop e indie rock (nesta parte ele foi um pouco vaiado, parece que as pessoas têm aversão à palavra indie rock falada em público). Entram todos e por último, Ninja. Nossa. Ninja.
Ninja negona black power who’s your daddy da quebrada pegaeu! Que energia! A primeira música já é de cara um hit do primeiro disco, a The Power Is On (essa é a que tem o sample de base mais legal, na minha opinião). Quando terminam, Ninja avisa avisa ao público que eles tocarão algumas músicas do Proof Of Youth e outras do Thunder Lightning Strike. Daí partem pra The Wrath Of Marcie, uma das minhas preferidas do disco novo. Neste momento alguns desanimados já começavam a dançar, outros fumavam um baseado ali no canto (outro ponto negativo do dia), mas a maioria olhava extasiada a energia de Ninja, pulando e cantando sem parar um segundo sequer. Quem também pulou bastante foi a guitarrista Kaori, com pulinhos bem…ahm, japoneses. Foi Kaori que acompanhou a também japonesa Chi em Fake ID (nesta Ninja assumiu as baquetas) e A Version Of Myself, esta última a mais baladinha de todas, b-side do Proof Of Youth.

Chega um tiozão loiro de camisa verde e bigodinho, o roadie da banda (seria pai do Ian Parton?), com um banjo na mão. Era Everyone’s a V.I.P. to Someone. Música linda, porém sem vocais. Em Flashlight Fight, o empolgado Ian Parton toca guitarra e gaita (quase perde o fôlego e derruba o suporte do microfone). Na música seguinte e provalvelmente a mais conhecida da banda, Ladyflash (sim, aquela do Simian Mobile Disco), Ninja disse que aquela era a hora de mostrar como éramos animados. Eu fiz o meu melhor, mas não funcionou muito com a maioria apática da platéia.
Ladies! Are you ready to shake some booty? Fellas! Are you ready to see some booties shakin’? This is Huddle Formation! A melhor música da noite. Não se todos sabem, mas nos shows, a Ninja muda (bastante) as letras. Portanto, o que era Standing on the board virou Bangin’ on the door. Já quase no fim, Ninja ensinou uma frase à platéia: DO IT, DO IT ALRIGHT! E assim foi, Doing It Right foi a penúltima tocada por eles e o público já estava muito cansado de tanto pular. Foi na última música que percebi que o público, uma vez apático, estava ganho. Quando anunciaram Keys To The City como a última música, a maioria ao meu redor gritou ‘aaahhh’, enquanto uma minoria de Metric fans gritavam ‘yes!’. O meu sonho de ver o The Go! Team ao vivo se realizou, em grande estilo, e com direito à pseudo-moonwalking de Ninja, a mesma pulando corda com o cabo do microfone, xilofones, flauta doce, banjos, gritinhos japoneses, um megafone de brinquedo, os guitarristas, bateiristas e o baixista enlouquecidos. Foi foda demais, e por esses motivos foi, de longe, o melhor show da minha vida.
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- Metric:
Edgar entrou novamente, e após apresentar os DJs que estavam animando o povo nos intervalos entre os shows (o ótimo duo Killer On The Dancefloor), deu algumas informações desnecessárias e chamou a banda que veio para cá com o status de atração principal, Metric.
A banda entrou, Emily Haines linda, fazendo homens e mulheres babarem. Junto com ela, os grandões James Shaw, Josh Winstead e Joules Scott-Key, fazendo mulheres babarem. A partir daí o que se viu foi um show muito bom, mas pouco correspondido pela platéia. Dead Disco foi a primeira, e já mostrou o que estava por vir. Emily tomou conta dos teclados e sintetizadores, e pulando, cantando e falando com a platéia, chamou para si a responsabilidade de tornar aquele um grande show. E conseguiu.

O problema é que grande parte do público presente, ao invés de pular e cantar com a vocalista, simplesmente olhava para o palco, ou conversava, como se nada estivesse acontecendo lá na frente. Talvez a culpa disso tenha sido do ingresso grátis. Como ninguém tinha que pagar pra entrar, um monte de gente que nem sabia que bandas iam tocar, foi ao Ibirapuera. Um festival pago só atrai quem vai para realmente curtir as bandas, e o público conseqüentemente fica mais receptivo. A falta daquela massa cantando irritou até Emily Haines, que em certo momento disse: “Vamos cantar mais e bater menos palmas”. Mas não posso reclamar. Foi lindo ver Metric, The Go! Team e Fujiya & Miyagi sem pagar nada.
O show seguiu muito bem, com seus pontos mais altos em Poster Of A Girl, Combat Baby e Monster Hospital. Após esta última, a banda fez o tradicional sai-do-palco-e-volta, com direito a outra alfinetada de Emily: “Parece que vocês nem se importariam se a gente não voltasse”. A banda encerrou sua apresentação com uma versão acústica de ‘Live It Out’, com James e Emily no centro do palco, e os outros dois fazendo uma de backing vocal. Após os aplausos, a vocalista chamou Joules, o baterista, e pediu uma salva de palmas a ele, que fazia aniversário no dia. As palmas vieram, e eu, na empolgação, tentei puxar um ‘Happy birthday to you…’, sem sucesso. Emily ainda desceu do palco e distribuiu abraços ao longo da grade. O grande número de pessoas que rumava ao seu encontro e o modo como elas iam era algo como a Sheila Carvalho nua na frente de um pedreiro. Bom final para um bom show.
O Motomix saiu do jeito que a produção esperava, tudo na hora certa, a liberdade de ir como quiser e levar o que quiser foi respeitada, puderam ser vistos vários skatistas, patinadores, pais com filhos, pessoas com cachorros (quase pisei em alguns), enfim, diversas pessoas de estilos e idades diferentes curtindo os shows, os amigos, o que quisesse fazer. O Motomix conseguiu mostrar que dá pra fazer um ótimo festival sem precisar cobrar preços abusivos e desrespeitar o público (sabem do que eu falo).
Autores: Cédric Fanti e Marçal Righi
Tags: Fujiya & Miyagi, Metric, motomix, The Go! Team