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Dec 21 2009

Os 15 melhores álbuns internacionais de 2009, por Neto Rodrigues

Por Neto

Eu sei que todos já devem estar cansados dos zilhõõões de listas que apareceram por aí nos últimos dias, né? Muitas em virtude do fim da década, elegendo os melhores discos, os piores, as melhores músicas, as pessoas que arruinaram os últimos dez anos, os melhores clipes e por aí vai. E a contagem só aumenta quando você pensa que todos os exemplos, ou a grande maioria deles, podem ser feitos de forma “nacional” e “internacional”. Enfim, o que interessa é que, com a lista abaixo, procurei citar meus discos internacionais preferidos de 2009 – o que é sempre complicado porque é impossível agradar a todos e nem sempre as justificativas propostas são convincentes para alguns, que não aceitam que o disco X ou Y não tenha entrado na seleção final. Então, quando você se deparar com a listagem abaixo e não enxergar nada do Grizzly Bear ou do Animal Collective, lembre-se do seguinte comentário, postado pelo Eduardo Martinez num ótimo texto do Marcelo Costa: “E quem espera concordar com uma lista de cabo a rabo certamente acredita em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa”.

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15: Lily Allen – It’s Not Me, It’s You
Muita gente não curtiu a mudada de rumo que Lily deu em seu segundo CD. Depois do “pop-ska” de Alright, Still, Lily trocou o ritmo jamaicano por batidinhas eletrônicas e se deu muito bem. Se não teve todo o impacto de seu debut, pelo menos a cantora-que-não-sabe-a-hora-de-ficar-calada mostrou que pode transitar bem por várias vertentes do pop e que deveria repensar sua decisão de se afastar da música por um tempo.
Escute: “Who’d Have Known” e “Not Fair“.

fever ray

14: Fever Ray – Fever Ray
Sombrio, sexy e instigante – são alguns dos adjetivos que podemos dar ao projeto solo da vocalista do The Knife, a sueca Karin Dreijer Andersson. Com uma sonoridade que nos remete desde Portishead até o som de sua banda principal, o disco do Fever Ray se consolida como um dos melhores debuts do ano, contanto com paredes de sintetizadores e climatizações muito bem arranjadas.
Escute: “Seven” e “Triangle Walks“.

passion pit

13: Passion Pit – Manners
Depois de um celebrado EP – Chunk of change – o Passion Pit lançou seu primeiro LP, intitulado Manners, e mostrou que o hype às vezes acerta. A voz fina de Michael Angelakos é um dos trunfos do grupo, que aposta muito em arranjos e ritmos comandados principalmente por sintetizadores e pianos, com eficientes guitarras ocasionais.
Escute: “Sleepyhead” e “Little Secrets“.

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12: The Mars Volta – Octahedron
Com “apenas” 50 minutos – o que é pouco para os padrões da banda -, o The Mars Volta concebeu o que os próprios integrantes chamaram de “o mais próximo de um álbum acústico que podemos fazer”. Os resultados foram músicas com uma calmaria que impressionou muitos fãs xiitas das guitarras e percussões poderosas que Cedric e Omar normalmente costumam disparar contra os ouvidos alheios. Mas, obviamente, Octahedron também tem seus momentos mais pesados e característicos da banda.
Escute: “Cotopaxi” e “Since We’ve Been Wrong“.

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11: The XX – XX
O quarteto londrino – que virou um trio recentemente – foi, provavelmente, a banda mais hypada de 2009. Fato que não é injusto, visto que o grupo fez um dos discos mais redondos do ano – é muito improvável alguém gostar de uma música específica do debut e não gostar do trabalho por inteiro. A leveza dos sintetizadores de xx somada aos discretos riffs de guitarras e aos vocais femininos e masculinos se intercalando fizeram o primeiro disco do trio inglês ganhar o 11° lugar da lista.
Escute: “Heart Skipped a Beat” e “Crystalised“.

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10: The Pains Of Being Pure At Heart – The Pains Of Being Pure At Heart
A melhor (e única, talvez??) mistura de dream pop com shoegaze surgida nos últimos anos! A banda nova-iorquina formada dois anos atrás lançou seu debut em 2009 e conquistou vários fãs com uma sonoridade que pega influências desde The Cure até My Bloody Valentine e Jesus & Mary Chain. Alguns meses depois de ter lançado seu debut, o quarteto americano ainda teve fôlego pra lançar um EP, o ótimo Higher Than The Stars.
Escute: “Stay Alive” e “Young Adult Friction“.

gossip

09. Gossip – Music For Men
O trio que ficou conhecido pelos discos crus e energéticos resolveu lançar mão do pop nesse novo trabalho – e o fez com muita competência, diga-se de passagem! Beth Ditto, a cantora mais huuuuuuuge de que se tem notícia, teve a ideia de acalmar um pouco a sonoridade da banda e surgiu com um CD redondinho que mistura rock, pop, garage e uma atmosfera dance bem surpreendente e agradável.
Escute: “Heavy Cross” e “Four Letter Word“.

wolfmother

08. Wolfmother – Cosmic Egg
Apesar do título horrendo, Cosmic Egg é um dos melhores lançamentos do ano para quem é fã de hard rock misturado com muitas, mas muitas guitarras pesadas jimmypagianas. Mas, no meio de tanto barulho, ainda podem ser encontradas baladas interessantes. Enfim, um disco de rock basicamente completo, com instrumental bem executado e a voz de Andrew Stockdale soando mais impressionante do que nunca.
Escute: “New Moon Rising” e “10.000 Feet“.

koc

07. Kings of Convenience – Declaration of Dependence
Aqui a tranquilidade e a calmaria reinam de forma absoluta. O duo norueguês de indie folk crava 100% de acerto em sua carreira que conta com 3 maravilhosos discos. Erlend Øye e Eirik Glambek Bøe se declaram dependentes (sacaram?) um do outro produzindo lindas melodias que soariam vazias e até mesmo sem sentido caso um não existisse na vida do outro. Que bonito, não?
Escute: “Boat Behind” e “Me In You“.

sy

06. Sonic Youth – The Eternal
Não dá pra fugir muito do clichê no caso do Sonic: décimo sexto disco na carreira dos cinquentões (a maioria da banda) e soa como se estivessem fazendo seu primeiro álbum, na longíqua década de 80, tentando experimentações não usuais e afinando suas guitarras da forma mais inusitada possível – isso tudo culminando em um dos melhores shows que o Brasil viu em 2009.
Escute: “No Way” e “What We Know“.

tcv

05. Them Crooked Vultures – Them Crooked Vultures
Reunir John Paul Jones, Dave Grohl e Josh Homme não poderia dar em outra, né? Discão pesado e consistente, como há tempos não se via. Mais de uma hora de muita porrada com as guitarras stoner de Homme, que canta em todas as 13 faixas. A cozinha do trio é de dispensar comentários – Grohl voltando aos seus áureos tempos de Nirvana e Paul Jones empunhando seu baixo que tanto barulho fez na década de 70.
Escute: “Mind Eraser, No Chaser” e “Gunman“.

phoenix

04. Phoenix – Wolfgang Amadeus Phoenix
Um CD que começa com o trio de músicas “Lisztomania”, “1901″ e “Fences” deveria estar, automaticamente, em qualquer lista de melhores de 2009 que se preze. Em seu quarto trabalho, o Phoenix conquistou os ouvintes não familiarizados com sua música, foi em todos os talk-shows possíveis, gravaram para o Blogotheque e lotaram apresentações em todo o mundo – menos no Brasil, que esqueceu de trazer o grupo em seu melhor ano.
Escute: “1901” e “Lisztomania“.

Kasabian

03. Kasabian – The West Rider Pauper Lunatic Asylum
Depois de um razoável segundo disco, o Kasabian surpreendeu muita gente (eu, inclusive) com uma mistura muito convincente de britpop, psicodelia, Beatles, Stones e outros marcos da música inglesa. A faixa “Fast fuse” entrou até para a trilha sonora do game Fifa 09′, enquanto “Underdog” foi tema de uma propaganda da Sony que teve a participação de Kaká.
Escute: “Fire” e “Underdog“.

ff

02. Franz Ferdinand – Tonight
Um CD que começa com Alex Kapranos dizendo que está entediado e te chamando pra ficar chapado não tem como ser ruim. Aí vem uma dezena de músicas que mostram que o quarteto inglês quer te levar para a pista de dança a qualquer custo. Ou você acha que toda aquela viagem psicodélica de “Lucid Dreams” está ali à toa? E que venha março de 2010!
Escute: “Turn it on” e “Ulysses“.

AM

01. Arctic Monkeys – Humbug
Muita gente achou que Josh Homme foi o culpado pela “seriedade” que os Monkeys apresentaram em seu terceiro disco. Já eu prefiro dizer que ele foi UM dos responsáveis pela incrível evolução dos moleques de Sheffield. Humbug é visivelmente mais pensado e trabalhado do que os álbuns anteriores e mostrou que o quarteto conta com pelo menos dois grandes instrumentistas: o batera Matt Helders e, é claro, Alex Turner, que não só canta e toca com precisão exemplar, como também se mostra um dos bons letristas dos anos 00′.
Escute: “Crying lightning” e “Cornerstone“.

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Sep 30 2009

Mix That Jukebox #3

Por Neto

Exatamente um mês após a elogiadíssima estreia da nossa mixtape, chega a terceira edição do Mix That Jukebox. Como nas edições anteriores, teremos o Lado A – com ótimas novidades – e o Lado B – com músicas bem aleatórias inseridas dentro de um tema em comum.

Continuem baixando, opinando e dando sugestões de temas para futuras edições, ok?

Capa - Mix That Jukebox #3

Créditos da imagem: We heart it

Lado A

01 – The Raveonettes – Bang!
Primeira faixa do excelente disco novo do Raveonettes. Cuidado com o refrão dessa música – ele pode ficar na sua cabeça por horas! Sério!
02 – The Pains of Being Pure at Heart – Higher than the stars
Uma das melhores novidades de 2009, os novaiorquinos do The Pains… acabaram de lançar um EP e trazem de volta a ótima pegada de indie/shoegaze/dreampop que fez a diferença no debut que a banda lançou em fevereiro.
03 – Karen O and The Kids – All is love
A faixa feita por Karen para a trilha sonora do filme ‘Onde vivem os monstros’ é uma verdadeira ode à simplicidade e à alegria. Teclados + violão + crianças gritando + letra sobre amor. Precisa mais?
04 – Bad Lieutenant – Sink or swim
Já tinhamos falado aqui que o Bad Lieutenant era a nova banda dos ex-integrantes do New Order. “Sink or swim” é simplesmente imperdível pra quem curte a voz característica de Bernard Summer.
05 – She Wants Revenge – A little bit harder
Depois de 2 anos, o She Wants Revenge volta com um EP (chamado Up and Down) e está disposto a ser esquecido – pelo menos por enquanto – pela pegada post-punk de outrora, e foca mais em faixas com ótimas influências de electro-rock. O resultado ficou interessantíssimo.
06 – You Say Party! We Say Die! – Glory
Só pelo nome da banda já valeria a pena dar uma conferida, certo? Pois bem, a banda não decepciona e manda um indierock misturado com punk e garage rock que vai agradar desde os fãs de Be Your Own Pet até quem curte Plastiscines e CSS.
07 – Air – Sing sang sung
O duo francês está com um ótimo disco novo na praça – Love 2 – e já impressiona neste primeiro single: uma mistura bem agradável de violão, vocais femininos e ambient.
08 – Bonus Track (???)

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Lado B – O tema escolhido foi “Aberturas de séries de comédia“. Específico, não?

01 – Barenaked Ladies – The Big Bang Theory Theme Song
Não, a música do seriado mais nerd da TV não dura só alguns segundos, como na abertura. Só não deixem o Sheldon dar uma olhada na letra, pois ele irá querer corrigir algum dado que esteja eventualmente equivado.
02 – Cake – Short skirt/Long jacket
Uma das melhores segundas temporadas de um seriado que eu já vi foi a de Chuck. A terceira já tá chegando. Ai, que saudades da Sarah Walker
03 – The Solids – Hey, Beautiful
Não conhece essa música? Escute-a. Garanto que será legen…wait for it…dary! (Se você não entendeu a piadinha, a série em questão é ‘How I Met Your Mother’).
04 – Will Smith – The Fresh Prince of Bel-Air Theme Song
Eu desafio qualquer um a não esboçar pelo menos um sorrisinho nostálgico quando a voz de Will Smith começar a contar a história de como ele virou ‘Um maluco no pedaço’.
05 – Cheap Trick – Out in the street
É só eu ou vocês também ficaram com uma vontade absurda de assistir ‘That 70’s Show’ depois de escutar essa música?
06 – Phantom Planet – California
Tá, eu sei que ‘The O.C.’ não é uma série de comédia. Mas eu me divertia horrores com o Seth e a Summer. E a série que me fez descobrir bandas como Death Cab for Cutie e Spoon merece um espaço aqui, sim. E vai falar que você nunca tentou tocar “California” no violão?
07 – The Rembrandts – I’ll be there for you
Ah, mas é CLARO! ‘Could it be any more obvious?’ (/Chandler)

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Jul 02 2009

The Pains of Being Pure at Heart

Por Neto

É de Nova York que vem uma das mais divertidas novidades que eu esncontrei este ano. Apesar de terem lançado seu disco de estréia em fevereiro (e isso em termos de “era twitter” é tipo…milênio passado) só fui escutá-lo semana passada e, desde então, tenho me maravilhado a cada vez que escuto o debut homônimo da banda The Pains of Being Pure at Heart. Sim, você leu certo. É esse o nome, for real!

TPOBPAH

Uma expressão pra caracterizar o som da banda? “Feels like the 80’s” se encaixaria bem. Finalzinho dos anos 80, começo dos 90. Sabem aquela barulheira das guitarras do The Jesus and Mary Chain? E aqueles vocais chiados e quase ininteligíveis do My Bloody Valentine? E aquela sonoridade meio indiebritpop do Teenage Fanclub? Pois é, pegue tudo isso e junte à bons momentos do The Smiths (mas deixe de fora a voz chata do Morrissey! Certeza que receberei xingamentos por isso, haha!) e The Cure. Pronto? Agora imaginem essa mistureba toda concentrada num energético quarteto novaiorquino em pleno 2009!

A banda, que tem apenas dois anos de idade, abusa das guitarras cheias de fuzz e consegue criar músicas que evocam desde um tom levemente melancólico (até pelo ar nostálgico que é criado) até contagiantes momentos de powerpop com revezamentos constantes entre vocais masculinos e femininos (Peggy Wang é a garota da banda). Tais características se fazem presente em praticamente todas as 10 músicas de um dos discos mais “shoegaze-revival” que 2009 provavelmente verá.

Os destaques ficam por conta dos dois ótimos singles que a banda já lançou, “Everything with you” e “Young adult friction” e, é claro, “Stay alive”, minha favorita, por enquanto. Esta última começa com um violãozinho bem ao estilo “The Cure de ser” enquanto notas limpas e tímidas são dedilhadas até chegarem no maravilhoso refrão onde uma guitarra cheia de distorção invade os alto-falantes e um casal de vozes canta docemente: “Don’t you try/ To shoot up the sky/ Tonight/ We’ll stay alive“.

The Pains of Being Pure at Heart é, definitivamente, uma promissora banda que tem indiscutível potêncial e que deve ser acompanhada de perto nos próximos lançamentos. No entano, é bom torcer pra aquele “velho ditado” não se concretizar, né? “Don’t believe the hype”. Às vezes vale a pena acreditar. Pode dar certo. (principalmente se você é puro de coração! HAHA! #epicfail!)

Nota: 3.8/5.0

Pra baixar o disco, é só ir na comunidade do MTJ!, okay?!

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