5 fev 2012

The Raveonettes – Rarities & B-Sides

Por Victor Bianchin @21:47

Antes da puerilidade de In And Out of Control (2009) e das trevas de Raven In The Grave (2011), os Raveonettes eram uma das bandas mais interessantes dos anos 00, mesclando shoegaze, surf music, rockabilly, girl groups dos anos 60, Phil Spector e Johnny Cash. O primeiro EP e os três álbuns subsequentes da banda equilibravam esses elementos com criatividade e personalidade, injetando ar fresco em uma cena que parecia ser dominada por cópias dos Strokes e dos Libertines – embora boa parte da mídia internacional fizesse questão de ignorar isso. Rarities & B-Sides é o lançamento oficial da impressionante quantidade de lados-b que ficaram de fora dos discos dessa fase.


Mais que isso, é um lançamento necessário: boa parte dessas músicas havia saído em singles obscuros e permanecia inacessível para o público, mesmo via download ilegal. O máximo em que os fãs conseguiam colocar as mãos era um torrent chamado Rave-O-Rama, que não continha nem metade das canções desse novo disco. E o incrível é que, mesmo com 27 faixas, Rarities & B-Sides ainda deixa de lado algumas pérolas do duo dinamarquês, como a cover minimalista de “C’mon Everybody”, de Eddie Cochran, e a linda versão de “Everyday” (Buddy Holly) com Sharin Foo cantando, entre outras.

Nas primeiras faixas do disco, revemos os Raveonettes da época de Whip It On (2002), com as guitarras distorcidas jogadas contra paredes de barulho branco e um baixo sempre encorpado. Músicas como “Evil  L.A. Girls”, “Go Girl Go” e “Demon’ Fire” trazem as Fenders e Gretsches de Sune e Sharin rasgando riffs a cem por hora, com camadas e camadas de feedback e eco ajudando a dar aquela cara de Suicide-encontra-as-Ronettes que a banda tanto gosta. Mas a bateria, essa lembra sempre o The Jesus & Mary Chain.

Quando “Bubblegum” bate nas caixas de som, já estamos no terreno de Chain Gang of Love (2003). Um doo-wop delicioso, a faixa conta com uma das guitarras-base mais inspiradas de Sune e uma letra que, como em vários bons momentos da carreira dos Raveonettes, parece saída do diário de uma menina de 13 anos: “I don’t like this town / I’m going away / Yeah that’s right / Now heaven awaits / A better place / If you ask me”. Mais confortável, a banda começa a explorar mais seu leque de influências. “The Christmas Song”, que chegou a aparecer no seriado The OC, põe a caixa da bateria no topo de uma balada que poderia ser das The Crystals. “Vamp, Scratch, Whore”, surf music com um tiquinho de blues, ressuscita o The Ventures. “I Wanna Be Taken” é Roy Orbison. “Oh, The Time”, Velvet Underground. “Go on and kiss me”, Buddy Holly.

Mas nada que soe como reciclagem barata. A qualidade dos Raveonettes sempre foi juntar suas influências em uma mistura improvável, mas com estilo próprio e uma veia pop que apelaria muito mais a Nancy Sinatra do que a Debbie Harry. É rock, sim, mas idealizando o charme em vez da rebeldia, e sem abrir mão do barulho.

“Dreams Come True” já traz os timbres de Pretty In Black, o ótimo álbum de 2005 em que os Raveonettes começaram a esquecer o barulho branco (mas só um pouquinho) em busca de um som mais calmo e melódico. A faixa, um midtempo semiacústico, é outra ode ao pop dos anos 60, em especial aos Everly Brothers. “Please You”, que foi trilha de um filme dinamarquês obscuro, traz de volta as guitarras de surf music engolfadas pelos vocais doces de Sharin e por um feedback abrasivo que, quando chega o refrão, faz parecer que a música está sendo levada em um turbilhão de barulhos difusos. O fade-out é fantástico.

A fase seguinte é aquela em que os Raveonettes começaram a olhar um pouco mais para os anos 80, como pode ser visto em “Another Noise”, que traz, entremeados entre as guitarras shoegaze de Sune, solos agudos bem ao gosto do The Cure, uma influência que seria importante mais para a frente (veja nossa resenha de Raven In The Grave). O refrão para estádios de “The Landlord”, uma das raras vezes em que os Raveonettes tentam ser grandiosos, é outro exemplo. Todas são sobras de Lust Lust Lust, um álbum em que Sharin e Sune carregaram as músicas de ambientações etéreas e espaçamentos maiores. “Honey, I Never Had You” remete imediatamente a esse álbum, mas ainda há espaço para o Raveonettes clássico, como na pesada “Where Hearts Are Dead”.

Ao final da jornada de quase três dezenas de músicas, nenhuma ruim, percebemos como os Raveonettes de antigamente eram inovadores com sua salada sônica que viajava entre tantos estilos e épocas e não perdia seu pedigree pessoal. Retrô e modernista, áspera e delicada, masculina e feminina, preta e branca, pesada e acessível, a música dos Raveonettes era talvez o melhor símbolo do pop nesse novo século. Não é à toa que eles acabaram compondo uma canção chamada “Vintage Future” – que, aliás, não tinha vocais, pois, para algumas bandas e alguns momentos, palavras são desnecessárias.

13 abr 2011

The Raveonettes – Raven In The Grave

Por Victor Bianchin @17:04

Desde o comecinho, a fórmula dos Raveonettes tem sido a mesma: surf music, shoegaze e doo-wops, sempre com doses cavalares de ruído branco e vocais açucarados. No EP Whip It On (2002) e nos dois primeiros álbuns, os Raveonettes usavam esses ingredientes para fazer músicas dançantes, roqueiras até, que muitas vezes pareciam ter saído direto de algum vinil obscuro das décadas de 50, 60 ou 70. Com o novo disco Raven In The Grave, essa história muda, e bastante.

6 abr 2011

Mix That Jukebox #23

Por Neto Rodrigues @1:46

TIREM AS CRIANÇAS DA SALA! Brincadeira. Pode deixar elas aí – pelo menos enquanto estiver rolando o lado A da Mix That Jukebox #23. Cheia de novidades, a primeira parte, como de praxe, conta com 10 faixas fresquinhas pelas quais você talvez tenha passado batido. Se não, aperte o play e escute de novo. Já no lado B, o clima esquenta – e você já pode sacar pela capa. Chame sua peguete/rolo/namorada/bootycall/pretendente pra uma conversinha em particular e aumente o som. Obviamente, a mixtape não faz milagres, né, meu caro? Mas espero que ajude. Eu sei que faltaram alguns clássicos do gênero, mas daí surge a abertura pra você ir ali nos comentários e deixar sua sugestão de playlist ideal de, digamos, hot sex songs.

Lado A – What’s new
Download

01 – Burial & Four Tet & Thom Yorke – Ego
02 – Generationals – I Promise
03 – Tiê – Só Sei Dançar Com Você
04 – The Raveonettes – Apparitions
05 – Metronomy – She Wants
06 – The Pigeon Detectives – Done In Secret
07 – The Vaccines – Norgaard
08 – Fleet Foxes – Lorelai
09 – The Kills – You Don’t Own The Road
10 – The Pains of Being Pure at Heart – Too Tough

Lado B – Hot Songs
Download

01 – Air – Sexy Boy
02 – Nine Inch Nails – Closer
03 – Lovage – Book Of The Month
04 – Cat Power – New York
05 – The Kills – U.R.A. Fever
06 – Fever Ray – Triangle Walks
07 – The Black Keys – The Only One
08 – Queens of the Stone Age – Make it Wit Chu
09 – Portishead – Mysterons
10 – Marvin Gaye – Let’s Get It On

9 fev 2011

Tudo sobre o novo disco do Raveonettes, incluindo single inédito

Por Neto Rodrigues @16:52

Marcado para o início de abril, o quinto trabalho inédito do The Raveonettes já tem capa, nome e até o primeiro single disponível. Será que Raven In The Grave irá superar o agradável In And Out Of Control, elogiado disco lançado pelo duo em 2009?

Enquanto abril não chega com a resposta da nossa pergunta, dá pra ter uma noção de como irá soar o novo disco da dupla com “Forget That You’re Young”. A faixa, com ecos de School Of Seven Bells, Warpaint e resquícios de dream pop, pode ser ouvida logo na sequência (com player cortesia do This Is Fake DIY):

22 nov 2010

Raveonettes no Sesc: distorções e simpatia ganham o público em show inspirado

Por Victor Bianchin @14:40

Os Raveonettes são um dos grandes nomes do rock surgidos na década passada, misturando e refinando influências que vão de Jesus & Mary Chain a Johnny Cash em um rock rápido, barulhento e distorcido. As turnês mais antigas do grupo realmente promoviam uma verdadeira rave no palco, com as distorções e ruídos brancos aumentados a ponto de explodir as caixas sonoras.

Para o show no SESC Pompéia em São Paulo, na última sexta-feira, isso não se repetiu por dois motivos. Primeiro, o limite de altura que impedia o estouro do som (“we know there is a dB [decibel] level, so we’re not allowed to play REALLY loud”, disse Sune Rose Wagner) e, segundo, a escolha do setlist. Desde o lançamento do sombrio Lust Lust Lust, o The Raveonettes tem optado por um show menos histérico e mais psicológico, enchendo a apresentação com músicas lentas e não fazendo questão de incluir hits dançantes que, em outros tempos, seriam obrigatórios.

A princípio, isso poderia soar como auto-sabotagem, mas o fato é que os Raveonettes têm a manha de manter a platéia animada mesmo sem ter um setlist vibrante. Juntos, Sune e sua parceira Sharin Foo, mais o baterista Adrian Aurelius e o baixista Jens Hein, põem a Choperia do Sesc abaixo, neste que foi o primeiro show dos Raves em São Paulo e o primeiro da banda no Brasil desde 2005.

O show começa com “Attack Of The Ghost Riders” e “Veronica Fever”, a ótima dobradinha que abre o primeiro EP da banda, Whip It On. Segue “Let’s Rave On”, grande canção do primeiro disco, Chain Gang of Love, com seu ótimo riff de baixo e seu refrão contagiante. E aí entra o primeiro momento soturno, com “Bowels Of The Beast” e “Lust”. O hit “Dead Sound”, numa versão mais pesada que a de estúdio,com ótima performance de Adrian, põe a platéia para dançar de novo. E aí, mais introspecção com “Break Up Girls”, que começa com a dupla só tocando pandeirola, acompanhados de Jens na guitarra, e depois evolui para uma pedrada com instrumental completo, muita distorção e a platéia cantando junto.

“The Beat Dies” traz a instrospecção de volta, mas é por pouco tempo, porque logo entra “Heart of Stone”, ótimo híbrido de surf music e rockabilly do último álbum, In And Out of Control, com Sune sozinho no vocal principal. Depois disso, o amplificador do baixo dá problema. Não foi a única falha: durante outra música, da qual não me recordo, o microfone do bumbo da bateria caiu e ninguém da equipe do SESC se dispôs a arrumar. Sune parou de tocar guitarra para arrumar e até um fã subiu ao palco para tentar ajustar o aparelho.

Sorte que, na hora da falha do amplificador, a próxima música era “Little Animal”, do meigo refrão “my girl is a little animal / she always wants to fuck / I can’t find the reason why / I guess it’s just my luck”, que Sune manda sozinho na guitarra. Enquanto ele toca, o SESC conserta o problema.

Entra a curta “Oh! I Buried You Today”, também em momento intimista e, a partir daí, é só hit. A obrigatória “Love In A Trashcan” é acompanhada pela platéia animada e é seguida da melhor surpresa da noite: “Twilight”, clássico do segundo álbum, Pretty In Black, entra para fazer a nossa noite mais feliz. Além de ser uma música excelente e com um peso feroz ao vivo, a faixa surpreende porque não fazia parte do setlist atual da banda. Não é a insana versão de oito minutos que a banda tocava em sua melhor fase ao vivo (confira a apresentação no Roskilde 2005, bootleg obrigatório), mas anima, e muito. “Last Dance” completa o combo de hits cantáveis.

Aí vem “Blush” e “Aly Walk With Me” e o show volta à introspecção de novo, para acabar assim. Mas não demora nem dois minutos para que a banda volte ao palco e mande “Black Satin”, outra boa canção do Lust Lust Lust. O final do show é um presentaço: “That Great Love Sound”, hit maior do grupo, que vem sendo inconstante nos últimos shows. É a música cantada com mais força pela platéia, que vibra a cada distorcida que Sune dá em sua guitarra.

O show acaba e, cerca de meia hora depois, a banda surge do lado de fora da Choperia, socializando com os fãs. Distribuem autógrafos, tiram fotos e conversam com todos. Sune revela que tocaram “Twilight” porque um fã pediu no Facebook. Jens revela que a banda planeja ver o Pavement no Planeta Terra antes de ir embora. Adrian dá um selinho numa fã brasileira. Sharin, a mais gentil, autografa a palheta que peguei e é a que mais tempo fica do lado de fora do backstage. Todos visivelmente alterados, mas também visivelmente contentes pela recepção.

De lá, a banda seguiu para a balada Alberta #3, no bairro da República. E deixou para trás os poucos fãs (foram menos de 800 ingressos vendidos) que assistiram ao show e que, nessa hora, já nem lembravam da novela que foi para conseguir uma entrada. Vi o momento em que a banda, sem seguranças ou frescuras, saiu na garagem do SESC para entrar na van e ir embora. Gritei “we love you!”. Sune olhou para mim e respondeu: “and we love you”.

Mas nem precisava das declarações: a noite já havia provado que o sentimento era recíproco.

Fotos por Victor Bianchin.

19 nov 2010

Living for the weekend – Raveonettes, festa de 3 anos, Planeta Terra e Paul

Por Neto Rodrigues @18:02

A ficha nem caiu, mas finalmente chegou o fim de semana mais aguardado da história da humanidade. Festa de 3 anos do Move, show do Raveonettes, Lou Reed, Scissor Sisters, Festival Planeta Terra e, É CLARO, show do sir. Paul McCartney pra fechar com classe – e lágrimas – o domingão. Amanhã, sábado, exerceremos a honra de ser um dos embaixadores do Terra com uma cobertura caprichada (se a empolgação em estar diante de Phoenix, Pavement e Smashing Pumpkins deixar) via nosso Twitter – mas vale seguir toda nossa crew (@netorodrigues @marcall @correa_alex @thaisss @barkerx @victorbianchin), que, na medida do possível, dará seus pitacos sobre o que estiver rolando no Playcenter.

O Phoenix toca no Sonora Main Stage a partir das 22h

Vai ficar em casa curtindo um ócio? Então se liga, porque o Terra “transmitirá todos os shows ao vivo em quatro canais exclusivos. As imagens do palco Sonora Main Stage serão captadas em alta definição e chegarão ao usuário que tiver condições de assistir em HD com qualidade superior. [...] Além dos shows ao vivo, o usuário poderá acompanhar a movimentação dos backstages, entrevistas com as bandas e os famosos que conferirem o festival.”

Pra quem tiver fôlego – e grana – depois que sair do Playcenter, vai ter After Party com DJ Set do Hot Chip no clube D-Edge, ali pertinho, por 100 reais (pois é). E a movimentação do festival pode ser acompanhada pela hashtag #PlanetaTerraHD no Twitter, ok? Na semana que vem, a gente conta como foram, hopefully, os melhores dias de 2010.

P.S.: WHAT? Daft Punk? /boataria

16 nov 2010

Raveonettes: o fim da novela?

Por Victor Bianchin @16:39

Desde que o show dos Raveonettes foi confirmado em São Paulo no dia 19 de novembro, os fãs têm passado por um misto de apreensão e insegurança. Isso porque, primeiro, a própria banda negou o show e, no dia em que os ingressos começariam a ser vendidos, a venda foi suspensa em cima da hora devido a “problemas contratuais”.

De lá para cá, a banda permaneceu quieta sobre o show no Brasil e o SESC não divulgava mais informações. Neste momento, o duo dinamarquês está na China, bem longe do solo brasileiro.

Mas o SESC finalmente saiu das sombras e confirmou o início da venda dos ingressos para amanhã (17/11) às 14h, ou seja, pouco mais de dois dias antes do show, em todas as unidades do SESC. Está em cima da hora, mas parece que, desta vez, vai.