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Jul 07 2009

Tortoise – Beacons of Ancestorship

Por Filipe Torres

Um tanto estranho esse álbum do Tortoise. A começar pelo título. Mas é compreensível ver uma banda que estava há tanto tempo sem gravar um disco de inéditas recorrer ao passado (e a questão é saber qual “ancestralidade” eles se referem) para sobreviver ao futuro. Há muito da antiga sonoridade, mas também há muita inovação. E muito a se explorar nessa mistura – tão essencial para curtir o som dessa banda.

Para quem não conhece, Tortoise é um quinteto instrumental de Chicago que mistura pitadas de jazz, rock e dub em suas composições. Beacons of Ancestorship, sexto álbum da banda (o último, It’s All Around You, é de 2004), traz de volta algumas influências exploradas em dois de seus melhores discos, TNT (98) e Standards (01), juntando guitarras, sintetizadores e instrumentos inusitados de percussão, criando climas e ritmos surpreendentes para quem ouve o som dos caras pela primeira vez.

O disco já abre com a hipnótica e extensa “High Class Slim Came Floatin’ In” e seus mais de oito minutos, misturando um baixo grooveado, ritmo pulsante e teclados até então inéditos na obra da banda. Logo após, o primeiro single “Prepare Your Coffin” e a bateria de John McEntire reinam entre a melodia da guitarra e a levada punk da música – outra marca inédita na história do Tortoise. “Northern Something” lembra um pouco os experimentos das b-sides lançadas no Box Set de 2006, A Lazarus Taxon,  que trouxe a banda ao Brasil no mesmo ano.

Curiosamente, as duas faixas seguintes são nomeadas em português: “Gigantes” e “Penumbra”. A primeira dessas é divida em dois momentos distintos, com um ritmo que nos remete ao nordeste brasileiro e um segundo com guitarras à la Zii & Zie, do Caetano Veloso, que lembram o tal “transamba” proposto pelo baiano. “Penumbra”, uma pequena vinheta arrítmica, cria um certo desequilíbrio no ouvido que procura um padrão dentro da loucura sonora.

Agora, tente pronunciar o nome da próxima faixa: “Yinxianghechengqi”. Não entendeu nada? Talvez tenha sido este mesmo o propósito, já que a faixa é a mais destoante do álbum, acelerada, suja, distorcida, com uma parada abrupta e um loop de microfonia alterado por computador que atinge seu clímax na próxima música, “The Fall of Seven Diamonds Plus One”, a composição que mais lembra o padrão Tortoise, com  direito a clima de Western (confirmado pela percussão feita com correntes e pancadas num piano). O contraponto exato de toda loucura da faixa antecedente.

As últimas faixas (“Minors”, “Monument Six One Thousand”, “de Chelly” e “Charteroak Foundation”) não se destacam tanto quando a primeira metade do disco em termos de inovação musical, mas para os não iniciados em Tortoise, são as faixas que fazem mais sentido para conhecer a banda: samples eletrônicos, a presença tímida do vibrafone – marca registrada no som da banda – e guitarras mais limpas, fazendo-se de base para os outros instrumentos.

Pode até se dizer que este seja um disco de ruptura para o Tortoise, afinal de contas já eram mais de cinco anos sem lançar material inédito. A banda determinante para o post-rock dos anos 90 precisou desse tempo para repensar no que construiu até agora e olhar pra frente. E o disco é isso, é proposto ao ouvinte uma nova viagem musical entre as várias etapas que a banda já percorreu em seus mais de 15 anos.

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Jan 29 2009

Por que ouvir… Tortoise?

tortoise1Um amigo me fez esta pergunta quando reparou no Top 10 do meu Last.FM. “Porque você ouve tanto essa banda?”, a partir daí eu tive a idéia de fazer uma coluna para falar dos artistas que, muitas vezes são esquecidos e/ou desprezados pelo grande público, mas que deveria ser escutados com um pouco mais de atenção. Hoje, mostraremos alguns dos motivos pelos quais deve-se dar alguma atenção a este quinteto de Chicago (EUA).

Em primeiro lugar, o Tortoise é uma das bandas que ajudou a formar e definir o gênero hoje conhecido como post-rock. Mas diferente da grande maioria das bandas de post-rock, que fazem um som distorcido, longo e etéreo (como o Mogwai, Explosions in the Sky e o já falecido Godspeed You! Black Emperor), o Tortoise se apóia num som que faz uma mescla de freestyle jazz com dub, krautrock, música eletrônica e, obviamente, rock. De som instrumental – pouquíssimas músicas apresentam vocal -, o forte do som destes caras está justamente nas melodias elaboradas e acréscimo de instrumentos não muito comuns em bandas de rock como trompetes e vibrafones.

Outro grande feito da banda é o fato de reunir ex-membros de bandas-mãe de dois dos estilos contemporâneos (post-rock e math-rock): Slint e Bastro, o que contribuiu para o som da banda. Seus membros também fazem parte de outras projetos musicais como The Sea and The Cake e Isotope 217. Formado no começo dos anos 90, e até então com cinco discos lançados (mais um de covers feito em parceria com Bonie “Prince” Billy e um Box Set contendo raridades, remixes, b-sides e um DVD com trechos de apresentações ao vivo). Tudo indica que até o fim de 2009 saia material novo. A banda também já se apresentou no Brasil em 2006 em São Paulo, Recife e Rio de Janeiro – apresentação esta considerada como uma das mais memoráveis do Circo Voador.

Da discografia do Tortoise, destacam-se seu segundo e terceiro disco (Millions now living will never die, de 1996 e TNT de 1998), mais aclamados pela crítica e público. São destes dois discos as músicas mais conhecidas, tais como Glass Museum, Swung fot the Gutters, e Ten-Day Interval (que chegou a ser usada como trilha-sonora de vinhetas da MTV e do Fantástico). Embora a sonoridade não seja imediatamente palatável aos ouvidos menos concentrados, o Tortoise é o tipo de banda que para saborear todos os detalhes sonoros de cada faixa, é necessário uma boa dose de repetições, atenção e um pouco de paciência para que o som contagie e faça você ouvi-los mais algumas vezes.

Por Filipe Torres

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