Arquivo para 'Vanguart'

Mar 05 2010

Resenha: Coldplay marca passagem pelo Brasil com superprodução

A saga foi intensa para os jornalistas que compareceram na Apoteose nesse último domingo. Isso porque faltavam informações sobre a retirada de credencial no sambódromo: O staff, que tinha sua maior parte formada por terceirizados, não sabia dar as orientações necessárias. A reclamação seria boba, não fosse o ping-pong que fizeram comigo por quase uma hora – ao todo, atravessei o Sambódromo inteiro três vezes seguidas (um total de 2100 metros percorridos) até me encaminharem para o portão correto e, nessa rota, encontrei dois representantes de grandes veículos cariocas que também estavam perdidos e indignados.

Vanguart – Praça da Apoteose, 28 de fevereiro
Por Alex Correa

Ok, a raiva passou e houve tempo para recuperar as energias até o inicio – e durante – o show do Vanguart, que abriu a sequência de apresentações antes mesmo do sol se por. O setlist, que mesclou as músicas do homônimo de 2007 com faixas gravadas apenas no Registro Multishow, ainda teve direito a uma inédita que pegou o público de surpresa (“A Patinha da Garça”, “Colorful Thoughts of Existance”? Não sei dizer). Apesar da pouca empolgação do público, seus olhos não precisavam estar muito atentos para ver dúzias de pessoas remexendo o corpo e estalando os dedos – foram essas mesmas pessoas que mandaram sinais ainda maiores de aprovação quando os mato-grossenses apareceram com “Semáforo”, seu single mais popular.

Foto: Rodrigo Barreto

Se o folk rock dos Vangs não convenceu a maior parte dos presentes, Hélio Flanders, vocalista do grupo, ganhou o público com palavras. Dividindo o título de “coxinha do rock” com Chris Martin, que tomou o palco mais tarde, Flanders agradecia as milhares de pessoas que já haviam chegado, à produção e aproveitou o momento para incentivar novos artistas independentes, o que lhe rendeu palmas e ovações. Mas, ainda assim, muitos pareciam guardar suas energias para a maior atração da noite: O Coldplay.

Bat For Lashes – Estádio do Morumbi, 2 de março
Por Vitor Gonçalves

Antes de o quarteto inglês entrar em cena, Natasha Khan teve seu momento no palco assinando com o nome de Bat For Lashes – que, ao vivo, conta com três músicos de apoio, sendo que dois deles são mulheres. O projeto teve aproximadamente 30 minutos para mostrar o motivo de ter vindo ao Brasil e, durante esse tempo, se viu uma apresentação bem aplicada, mostrando toda a entrega que Natasha e sua banda expressam em suas canções. Iniciando com “Glass”, o público já pode sentir qual era a vibe da cantora, que poucos conheciam. E, pelo que se pôde perceber, a recepção não foi das mais empolgadas.

Foto: Rodrigo Barreto

O que acontece é que o tipo de som que o Bat For Lashes faz é uma coisa mais intimista, propício a ser executado em ambientes menores, onde há maior conexão entre o público e a cantora – clima muito comparado ao dos shows da mais irreverente Björk. Mesmo tocando seus singles mais radiofônicos como “What’s A Girl To Do”, “Pearl’s Dream” e a sempre ótima “Daniel”, Natasha não conseguiu levantar a galera. Porém, pelo menos, deixou bem claro que não é só um rostinho bonito, mas que tem talento e personalidade. Além desses singles, ainda foram ouvidas “Horse and I”, “Trophy” e “Prescilla”, as três do CD Fur and Gold, e “Siren Song”, linda música do Two Suns, seu álbum mais recente.

Agora o jeito é esperar a volta da cantora, num lugar mais adequado e com um público mais compatível com suas (incríveis) viagens artísticas.

Coldplay – Praça da Apoteose, 28 de fevereiro
Por Alex Correa – Fotos de Henrique Sauer

Com um atraso pouco relevante, o Coldplay subiu no palco a tempo de não deixar a energia do público (um total de 30 mil pessoas) ceder. Quando o show começou, boa parte dos espectadores já estava na Praça da Apoteose desde cerca de quatro horas. O inicio do espetáculo se anunciava com a valsa “O Danúbio Azul”, de Strauss, representando com vigor a classe que a apresentação atingiria nos próximos minutos. Ao final do ícone vienense, a banda emendou “Life In Technicolor”, canção instrumental com cara de boas vindas. De surpresa, a sequência inicial deixou o público extasiado: Ao passar de “Violet Hill”, single fraco do último disco do Coldplay, vieram “Clocks”, com raios de luzes passando por toda a Apoteose, “In My Place”, que teve seus refrões cantados a plenos pulmões pelos cariocas, e a fulgida “Yellow”, em que a manjada presença de balões de ar – as bexigas também apareceram nas turnês do grupo pelo Brasil em 2003 e 2007 – alegrou os fãs novamente.

Dessa vez, a cia. de Chris Martin não trouxe às terras tupiniquins sua maior estrutura: Na América Latina, foi o palco B do Coldplay que manteve o público entretido – o que, convenhamos, já foi zuper bacana. Ao todo, o palco contava com três setores: O maior, em que foi feito a maior parte do show; Um menor, à direita, em que um piano aguardava por Martin (nele foi executado um medley de mais dançantes “God Put a Smile Upon My Face” e “Talk”, além de uma nova versão de “The Hardest Part”, sem cordas ou bateria) e outro à esquerda, ainda menor e mais próximo ao público, em que o grupo teve a ousadia de aparecer com uma versão acústica de “Shiver”, hit que desceu por água abaixo pela falta dos acordes de guitarra. A localização do palco lateral fez com que boa parte do público tivesse de trocar de posição – na pista comum, as pessoas se voltavam para a esquerda; na vip, todos viraram para trás, proporcionando uma interatividade bem legal – e, por desleixo da produção, a inédita “Don Quixote” (“olê olê olé” consta nos refrões, cantados com gosto pela platéia), assim como a upbeat “Death Will Never Conquer”, estrelada pelo baterista da banda nos vocais, acabou sendo abafada pelo falatório do público (para quem estava nas arquibancadas, principalmente, o som estava baixo e impedia que os presentes se empolgassem. O mesmo aconteceu dois dias depois em São Paulo, em que o técnico de som foi vaiado).

“Interação”, assim como “chuva de cores” (e “garoa”, já que uma chuva fina não parou de cair), foi o termo da noite. Até mesmo os globos que simulavam meras lâmpadas de teto e as estruturas de iluminação se moviam, como se tentassem acompanhar o ritmo do aceleradíssimo Chris Martin, que corria de um lado para o outro sem cansar e se jogava no chão quando achava apropriado. A soma desses fatores acabou fazendo com que “Lovers In Japan” representasse um dos momentos mais memoráveis do show, quando chuvas de borboletas brilhantes foram lançadas duas vezes por todos os lados da pista. E “Lovers…” não é a única música de Viva La Vida or Death and All His Friends que funciona bem ao vivo: A própria “Viva La Vida” acertou o público em cheio, sem que a banda precisasse fazer muito – eram os espectadores que davam o clímax ao vociferar “oooh ooooh oh”. “Politik”, a minha preferida, deixou boa parte da platéia apática, mas a também formidável “The Scientist” quebrou o clima estático no segundo bis, logo antes do final do show. A apresentação ainda foi cortada por um remix brega de “Viva La Vida” (a esse ponto, “ooohs” já haviam cansado) uma rápida reprodução da temática “Singing In The Rain”, em que o quarteto deu uma espécie de Volta Olímpica pelas passarelas montadas.

As viagens visuais nos telões eram experiências à parte. “Glass of Water”, b-side lançada no EP Prospekt’s March, ganhou um dos backgrounds mais legais da noite, apesar de ser pouco conhecida. Outras músicas do EP causaram estranhamento ao público, mesmo tendo sido ouvidas com paciência e, ao que parece, admiração: Foi o caso da piano lullaby “Postcards From Far Away” e da deliciosa “Life In Technicolor II”, que se difere da primeira pela adição de vocais. Foi essa última, inclusive, que fechou o show em clima de réveillon, com uma digníssima e generosa (pra combinar com o setlist de 24 músicas) chuva de fogos. Ao fim do show, depois de tantos LEDs, neons, luzes e cores gritantes, tudo parece mais apagado, como se enxergássemos em preto branco. É sério.

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Feb 26 2010

Thiago Pethit fala sobre seu CD de estréia, “Berlim, Texas”

Thiago Pethit já foi assunto no Move That Jukebox várias vezes: Inclusive, seu primeiro e único EP, Em Outro Lugar, foi muito mimado por aqui. É justamente por isso que anuncio, com frenesi, que o músico paulistano lança seu primeiro e aguardado álbum em março, de forma independente. O trabalho, intitulado Berlim, Texas, contou com a produção de Yuri Kalil, co-produtor do aclamadíssimo UHUUU!, do Cidadão Instigado.

Kalil não é a única marca que o grupo de Fernando Catatau deixa no trabalho de Thiago: O músico Regis Damasceno, do Cidadão, toca em duas músicas. O disco ainda tem as participações de Marcelo Jeneci e Hélio Flanders, do Vanguart, que compôs uma das faixas com Pethit e faz os vocais nela. São todos esses convidados que ajudam na formação da atmosfera do álbum, “que poderia estar sendo apresentado na Berlim dos anos 20 ou num Saloom Bar no Texas, ou como agora, aqui mesmo. Daqueles com atrações bizarras que dentre os números musicais aparecem dançarinas de Can-Can, mágicos, circenses e mulheres barbadas”. Mas o músico explica: “Esse não é um disco alegre. É um disco de canções, em sua maioria, melancólicas e nostálgicas e todas, com exceção de uma, bastante confessionais”.

A intensidade que Berlim, Texas parece ter só foi possível, é claro, pela evolução de Thiago Pethit como músico: “Estou mais seguro. Do canto, das letras, até me arriscando mais, tocando piano eu mesmo em uma das faixas”, conta. “Fiz questão de mostrar quem eu sou para que mais adiante entendam quando não for eu, quando não for a minha voz e eu optar por uma brincadeira. Vai ter mais graça”.

Berlim, Texas ganha lançamento independente em 25 de março, conta com 11 faixas (sendo duas delas de Em Outro Lugar e uma regravação de “Fuga Nº 1″) e será distribuido pela Ôlôko Records, também responsável pela distribuição de álbuns como A Vontade Superstar, do Bruno Morais, No Chão Sem o Chão, do Romulo Fróes, e Rádio S.Amb.A, do Nação Zumbi.

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Feb 10 2010

Cariocas terão wi-fi de graça em show do Coldplay

É isso aí, geeks do meu Rio de Janeiro: Quem for passar o dia 28 de fevereiro na Praça da Apoteose para ver Vanguart, Bat For Lashes e Coldplay terá o direito de twittar, acessar seus emails e ler seus blogs preferidos (não esqueçam da gente!) durante os intervalos das apresentações. Nesse Carnaval, a Sapucaí – como é mais conhecida a praça – terá oito transmissores instalados em seus 800 metros de extensão, todos conectados à Rede Rio, considerada de “alta velocidade”.

A Apoteose vai ficar assim, ó, mas com um show bem mais legal no palco

A rede wi-fi, pra nossa sorte, não será removida no final do Carnaval e faz parte de um projeto governamental que pretende “expandir a cobertura de rede e popularizar o acesso à internet de banda larga nas diversas regiões da cidade” e, nos próximos meses, deve chegar ao Porto carioca e cobrir toda a Avenida Presidente Vargas.

SUCK THAT, SÃO PAULO!

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Feb 08 2010

“A Patinha da Garça”, inédita do Vanguart

Hélio Flanders, vocalista do Vanguart, acaba de soltar pelo twitter uma inédita da banda, “A Patinha da Garça”. A música foi apresentada em versão acústica na Papolog Sessions, que eu ainda não conhecia mas ganhou um voto de confiança. Pra assistir:

Lembrando que, atualmente, o grupo trabalha em um novo disco e se prepara para fazer os shows de abertura do Coldplay no Brasil. Os shows acontecem em 28 de fevereiro na Praça da Apoteose (RJ) e 2 de março no Estádio do Morumbi.

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Jan 11 2010

A gente não postou, mas você precisa saber

Tiësto remixa Resistance, do MuseMuse BR, 9 de janeiro

Ingressos para cadeiras do show do Metallica já estão à vendaTerra Música, 9 de janeiro

Janeiro com Kassin, Del Rey, Vanguart, Céu e Wado no RioBloodypop, 9 de janeiro

Elvis, 75 anos depoisRolling Stone BR, 8 de janeiro

Radiohead’s Thom Yorke, TV On The Radio remix new Liars album - NME, 8 de janeiro

O Phoenix vai passar pelo México em fevereiro e tá com um buraco na agenda. E aí, Brasil?Twitter, 8 de janeiro

Dead Weather to release new singlePitchfork, 7 de janeiro

Pearl Jam oferece música grátis no TwitterLink Estadão, 7 de janeiro

“Fuck Twitter! That’s the biggest waste of time”Dave Grohl, 7 de janeiro

Santigold Producing Devo - Pitchfork, 6 de janeiro

Gravadora pede para fãs adivinharem lista de faixas de coletânea do PavementG1 Música, 5 de janeiro

Thom Yorke participa de trilha de documentário sobre o TibeteG1 Música, 5 de janeiro

Paul McCartney está em disco solo do líder do TravisRolling Stone BR, 5 de janeiro

Two Door Cinema Club announce debut album plansNME, 5 de janeiro

Red Hot Chili Peppers já tem novo guitarristaRolling Stone BR, 4 de janeiro

Reznor, Hot Chip, Justice remix U2Pitchfork, 4 de janeiro

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Jan 06 2010

Shows do Coldplay no Brasil também terão abertura do Vanguart

Repetindo a fórmula milionária que tornou o show do Radiohead ainda mais especial no inicio de 2009, a Time 4 Fun – empresa responsável pela produção do Just a Fest e, agora, pelos shows do Coldplay no Brasil – acrescentou uma banda nacional ao evento sem nome que leva a banda de Chris Martin ao Rio de Janeiro e a São Paulo em fevereiro e março desse ano.

Além de Bat For Lashes, aquela britânica bonitinha que lançou seu segundo (e overated) álbum no ano passado, o evento terá a abertura de Hélio Flanders e seu Vanguart, que pode aparecer com faixas inéditas nas apresentações.  A informação foi confirmada pelo site do Coldplay e pelo Twitter de Flanders. As noites seguirão o mesmo molde do brilhante tripé que fez março brilhar com Los Hermanos, Kraftwerk e Radiohead tocando na mesma noite, mas agora com uma versão mais econômica.

Vanguart, Bat For Lashes e Coldplay tocam na Praça da Apoteose (RJ) em 28 de janeiro e seguem viagem para São Paulo, onde serão acolhidos no Estádio do Morumbi em 2 de março. Os ingressos ainda estão sendo vendidos no site da Ticketmaster.

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Oct 29 2009

Mais um Kit Multishow: Vanguart, caderno, pendrive e, uhn, Capital Inicial

- Promoção encerrada. A vencedora é Letícia C., a.k.a. @which_bitch

People, here is the thing: A Multishow liberou mais um Kit pra sortearmos por aqui – dessa vez, ao invés de um livro, o box vem com o Multishow Registro do Vanguart (em CD), material escolar, um pendrive e um álbum do Capital Inicial, que talvez você não goste, mas pode presentear alguém e se passar por herói.

kit multishow

O esquema pra participar é o mesmo de sempre: Siga o @movethatjukebox no Twitter, poste uma frase (falaremos qual é logo abaixo) e espere até às 14 horas dessa sexta-feira (30/10, véspera de halloween muahuahua) para saber se foi sorteado. Dessa vez a gente inova com o uso do sorteie.me, um novo aplicativo associado ao serviço de microblogging que serve para – SURPRISE! – fazer sorteios. Postando a seguinte frase você já está concorrendo:

É fato que eu vou ganhar o kit da @Multishow com brindes e CD do @Vanguart que o @MoveThatJukebox tá sorteando! http://migre.me/agsC

Também é importante lembrar que seu twitter deve estar desbloqueado para podermos contabilizar sua participação. Quem oferece o Kit é o programa “Não Conta Lá Em Casa”, da emissora em questão, que narra a viagem de quatro amigos até Mianmar, país no Sul da Ásia onde aparentemente se tem bastante coisa pra fazer.  O programa vai ao ar toda quarta-feira, às 22 horas, e em horários alternativos. As informações estão todas aqui. E girem as roletas!

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Jun 26 2009

Coca-Cola reúne adolescentes e enrugados em festival de Porto Alegre

Texto: Fernando Corrêa e Ana Luiza Bazerque

Foto: Coca-Cola PARC

cocacola

Coca-Cola Parc

Porto Alegre, 5 a 7 de Junho

O Coca-Cola PARC reuniu, ao longo de três dias, programação para todos que tivessem um mínimo de curiosidade por música pop, de pré-adolescentes a velhos fãs de rock, de gente que só queria curtir o embalo hype do electro a pensadores do mercado independente. Além de shows muito bacanas, um ciclo de palestras sobre música levou produtores e envolvidos com o mercado fonográfico ao auditório do Museu Iberê Camargo, de frete para o Lago Guaíba, cartão postal de Porto Alegre. A produção trouxe gente de peso como o músico e produtor Benjamin Taubkin, o presidente da MTV Brasil, Zé Wilson, e o produtor Carlos Eduardo Miranda. Cada sessão relacionava música a outros temas, como tecnologia, economia, sociedade e internet. Ao contrário do que se poderia temer, cada um dos participantes soube trazer, dentro de seus conhecimentos, propostas para o novo mercado em transição da música. Como é o caso do Espaço Cubo, criado na cidade de Cuiabá, que desenvolveu uma série de estratégias visando o desenvolvimento do mercado cultural no Mato Grosso, onde a cena independente era inexistente na década de 1980. Após os debates, a melhor coisa a se fazer era curtir os shows que rolaram no Circuito Noturno: o californiano No Age, o nova-iorquino Matt and Kim, o cuiabano Vanguart e o curitibano Copacabana Club foram alguns dos grupos que, na sexta feira à noite, ocuparam diversos bares da cidade.

O som do No Age é rápido, tosco e direto. Randy Randall toca guitarra como um adolescente, Dean Spunt canta com um ar niilista, um tanto geek, enquanto espanca sua bateria. O som transita entre o Descendents, o Black Flag e o indie rock. Por pouco tempo, já que o show explosivo dos caras não durou muito mais que meia hora.

Donos de músicas bacanas, de veia punk pulsante por trás da estética eletrônica dos teclados, não é a veia musical, no entanto, que impulsiona a performance dos nova-iorquinos Matt and Kim. É a alegria, tão intensa nos sorrisos constantes da dupla, que faz do show deles uma experiência tão empolgante. Ao fim dos curtos 40 minutos em que enfileiram canções como o hit “Yeah Yeah” e a contagiante “Daylight”, ainda sobrou muita energia. No melhor estilo “free hugs”, a paz e amor cool do Brooklyn acolhe a todos em abraços calorosos. Antes do fim com gosto de prematuro, Kim surfou em cima do público ao som do riff clássico de Sweet child o mine.

Foram seguidos pelo Copacabana Club. Enquanto fãs do CSS podem implicar com a performance inspirada em Lovefoxxx da vocalista Caca V, basta tomar isso como uma característica positiva e o show se torna uma surpressa muito boa. O que falta no CSS e sobra no Copacabana? Uma pegada brasileira escondida por trás do som super contemporâneo do quinteto. Por vezes lembra mais Jorge Ben, noutras, mais soul, e muita gente nem deve se dar conta disso. Intencional ou não, a caracterísitca torna o som dançante mais acessível aos ouvidos menos habituados ao electro rock.

O Vanguart, representante folk do festival, fez uma apresentação grandiosa num palco diminuto. Cada vez que uma canção era executada, era entoada como fosse um hino. Se destacaram “Cachaça” e “Robert”, que tiveram a participação de Arthur de Faria na gaita, “O Mar”, obra prima de Dorival Caymmi e, como jamais poderia faltar, a fina ironia de “Semáforo”. Sem contar o encerramento primoroso com um cover de “Dig a Pony”, dos Beatles. Talvez a estrela do PARC tenha sido o palco Underage, voltado para o público de 12 a 18 anos. A galera de espinha na cara pôde conferir bandas de renome daqui e de fora, como Pitty, Cachorro Grande, os franceses The Teenagers e os ingleses The View. Foi música demais.

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May 01 2009

Vanguart – Multishow Registro (DVD)

Nós acompanhamos boa parte do desenvolvimento desse projeto, desde sua fase inicial (quando conversamos com Hélio Flanders, vocalista do Vanguart), passando pela gravação do registro até a coletiva de imprensa de lançamento do DVD ao vivo, que ganhou uma edição mais curta em CD.

Em Vanguart: Multishow Registro, a banda apresenta velhas conhecidas do público (lançadas em 2007, no primeiro disco “de verdade” dos Vangs), canções inéditas e até um cover de ‘O Mar’, do Dorival Caymmi, ídolo de Flanders e falecido quatro meses antes dessa garvação. O quinteto fez uma seleção de 21 canções, introduzida em português com ‘Para Abrir os Olhos’. A pouca animação do público nesta e na maioria das outras canções explica-se pela seleção da platéia, composta apenas por convidados da banda e jornalistas.

A sequência é dada por ‘Just To See Your Blue Eyes See’ e, logo, aparece mais uma história a ser contada e cantada: ‘Miss Universe’, que mostra dois talentos raríssimos do Vanguart: O dom de estruturar suas melodias de folk rock em letras realmente geniais (mesmo que, as vezes, nonsense) e ter sucesso ao dividi-las em quatro ótimas vozes – algo que deveria ser mais explorado, aliás.

‘Hemisfério’, uma ótima música de amor, é a primeira das três do registro a usar os recursos do quarteto de cordas de Curitiba, que fez um bom trabalho na música inédita. A sempre-em-ascenção Mallu Magalhães, namorada de Flanders na época, também foi convidada para se exibir no show, fazendo um dueto apaixonante com o então namorado em ‘The Last Time I Saw You’. Quem não dava muito pela participação da cantora mirim, como eu, se surpreeendeu ao ve-la se tornando peça fundamental no momento mais emocionante da apresentação.

O vídeo acima é uma gravação feita no dia do show do DVD, e não uma imagem extraída dele.

‘Cachaça’ vem para reascender o fogo da banda, que volta ao palco por inteiro para, mais uma vez, ver a iluminação em leds e a árvore desenhada em estilo vanguardista (he) que enfeitam o show voltarem-se para suas costas.  ‘Entre Ele e Você’, outra das cinco inéditas, forma um par perfeito com a rosa vermelha da guitarra de Hélio.

‘Los Chicos de Ayer’  é uma das minhas favoritas desde a primeira vez que ouvi o homônimo da banda, em 2007. Talvez por ter me surpreendido ao pronunciar – com orgulho e com um grupo vocal lindíssimo – “South America”, algo que não se houve com frequencia de bandas sul-americanas.

‘Robert’, outra do time de inéditas, fica marcada na cabeça do ouvinte, mesmo não se distanciando do que se conhece do Vanguart, tendo apenas a participação de Arthur de Faria no acordeão como um diferencial. A faixa seguinte é embalada como os hinos oitentistas que se vê em bailes de filmes americanos, daqueles que são dançados juntinhos. Nela, o teclado, o cello e os violinos formam os acordes mais penetrantes do DVD. O negócio teria ficado ainda melhor se a voz grave de Reginaldo Lincoln (baixo) tivesse participado da música. De qualquer forma, o cara aparece cantando em ‘Beloved’ e fica todo certo.

Passadas mais inéditas, inclusive a groovy ‘Mexico Dear Blues’, surgem as famosíssimas ‘Hey Yo Silver’ e ‘Semáforo’ (single desconcertantemente pop dos Vangs) para finalizar a gravação em ritmo de comemoração, de missão cumprida. Multishow Registro: Vanguart termina como um DVD que todos devem (ou deveriam) assistir.

Nota: 4.5/5

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Apr 14 2009

Virada Cultural 2009

Anote aí: A Virada Cultural paulista de 2009 acontece no dia 2 de maio, às 18h, e só termina às 6 da tarde  seguinte.

No line-up estão Marcelo Camelo, Cordel do Fogo Encantado, Jon Lord (ex-Deep Purple), MQN, Vanguart, Central Scutinizer Band (cover de Frank Zappa) e um número infinito de artistas mega bregas, com direito a palco armado em homenagem a Raul Seixas.

Praça da Sé lotada na última edição da Virada Cultural

Os detalhes você lê no G1.

Alex Correa

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Mar 27 2009

Coletiva de imprensa: Multishow Registro – Vanguart

“Cuidado com a menina de amarelo”, advertiu Helio Flanders, ao saber que eu representava o MTJ! na entrevista coletiva da última segunda feira, dia 23 de março. Tudo culpa de Alex Correa, que em agosto de 2008 entrevistou o vocalista do Vanguart e fez algumas “perguntas capciosas”.

Se na primeira vez as respostas vieram com uma certa dificuldade, nesta as coisas fluíram muito mais tranquilas. Influências musicais, internet, mercado fonográfico e a relação com os fãs foram alguns dos assuntos abordados por Helio.

O encontro aconteceu em razão do lançamento do CD e do DVD Multishow Registro – Vanguart (Gustavo Pelogia esteve nas gravações. Leia aqui.), que chegaram às lojas esta semana. Apesar de todos os integrantes estarem presentes na entrevista, quem sempre toma a palavra é o vocalista, como que assumindo a personificação do Vanguart – ainda que afirme enfaticamente “que são cinco sons que fazem a banda”.

Todos eles tinham projetos anteriores ao Vanguart. Acid Jazz, grunge, hard-core fazem parte do passado dos músicos. Flanders foi ainda mais longe: na adolescência, teve uma banda de glam chamada Valium. Apesar de os estilos parecerem totalmente distintos, a experiência de cada um mostrou-se essencial para chegarem ao som da banda hoje. “Tentamos ser mais conservadores, mas não deu muito certo”, diz Helio, que complementa: “quanto mais longe íamos nas ideias, melhor ficava”. O resultado? O som inusitado que conhecemos hoje.

É indiscutível o comando que Helio toma para si. Afinal, foi ele que trouxe CDs de folk após a viagem de auto-conhecimento (como diz o texto assinado pela apresentadora Lorena Calábria que acompanha o release) feita pela América do Sul. Além disso, o nome da banda foi escolha dele, tendo como referências Andy Warhol e o movimento beatnik. Questionado se ele é mesmo a alma do grupo, o vocalista vem com uma resposta politicamente correta: “se tirarmos um integrante, o arranjo fica diferente”. Quanto ao nome aparentemente pretensioso, eles admitem que pode dar a impressão de que são arrogantes ao se auto-intitularem “de vanguarda”. “Mas a gente fazia um som folk, em Cuiabá. Daí resolvemos abraçar essa aberração”, admite Flanders.

O discurso simpático continua. Falam sobre a necessidade de se relacionar bem com os fãs, estando disponíveis para os inevitáveis pedidos de autógrafo. No início da entrevista, resolvem não atacar os críticos musicais e repetem a velha história de que acreditam mais nas críticas negativas do que nas positivas. Um pouco mais tarde, porém, Helio demonstra sua insatisfação com o trabalho dos jornalistas, afirmando que alguns deles não conseguem entender o trabalho da banda. Cita o exemplo de uma crítica à letra de Semáforo (que diz: Só acredito no semáforo/Só acredito no avião/Eu acredito no relógio). No texto, o jornalista dizia não ver nenhum sentido nas palavras cantadas pelo vocalista. Flanders se exalta: “Isso é metafórico! Rimbaud já fazia isso há séculos”. (nota da redação: dá até pra engolir a história de que o nome da banda não tem a ver com o fato de eles se acharem vanguardistas; comparar-se com Rimbaud, no entanto, parece forçoso demais.)

vangs

As influência musicais são as óbvias: Bob Dylan e Beatles. A importância é tamanha que, para eles, um jovem não entenderá o som do Vanguart se não tivere um prévio conhecimento do quartento inglês. Sobre a versão de “O Mar”, de Dorival Caymmi, Flanders diz que a intenção é justamente fazer uma nova canção, como uma espécie de homenagem àqueles que os músicos admiram. “Estranho seria se tocássemos Dylan”, ele ri. Segundo o vocalista, eles pararam de ouvir música internacional produzida a partir dos anos 1990. Los Porongas, Ludovic, Móveis Coloniais de Acaju e Macaco Bong (também de Cuiabá, como o Vanguart) são algumas das bandas brasileiras presentes nas playlists da banda. O argentino Luis Alberto Spinetta, a música instrumental e o jazz também fazem parte do que eles consideram importante musicalmente.

A inevitável comparação com o Los Hermanos é rebatida. Sob o ponto de vista do quinteto cuiabano, o som das duas bandas é completamente diferente. Contudo, eles admitem que a banda de Marcelo Camelo abriu portas para uma nova cena musical. Os pontos de semelhança resumiriam-se, então, à sinceridade das letras e o bom relacionamento com os fãs.

Para honrar a fama do blog, a pergunta capciosa não pôde faltar. Flanders falava entusiasmado da internet, de como revolucionou o mundo da música e admitiu que eles jamais seriam conhecidos no eixo Rio-SP se não fosse o mundo virtual. Observou, ainda, que diversas bandas da cena rock de Cuiabá está trilhando o mesmo caminho. Se tudo são flores, por qual razão eles estão fazendo o percurso inverso? Em tempos que o Radiohead disponibiliza seu álbum online, em que usuários de P2P estão sendo presos por download ilegal de músicas, como uma banda dita independente pode assinar contrato com uma grande gravadora (no caso, a Universal)?

A resposta é uma só: dinheiro. A dificuldade para lançar produtos sem ter um lastro financeiro é o maior problema. “Material gráfico e promocional, assessoria de imprensa, figurino, equipamento… tudo isso tem um custo. Não era possível arcarmos sozinhos com estas coisas”, responde Helio. Ele explica: “O contrato foi totalmente oportuno. Precisávamos do apoio de uma gravadora, e ela nos deu toda a liberdade de continuarmos criando. Nosso sonho é continuar gravando e, daqui a um tempo, olhar para trás e vermos que fizemos bons discos e que tudo valeu a pena”.

Idealismos à parte, o vocalista concorda que a realidade de troca de arquivos online não tem mais volta. “O mercado tem que ser repensado”, afirma, apontando prováveis caminhos: “talvez a venda oficial de música pela internet seja uma saída”. Se um fã da banda for pego baixando músicas do Vanguart, Helio crê que o bom senso deve ser usado – resta saber se os executivos da gravadora concordam com isso.

O canal Multishow apresentou o show banda na quarta feira, 25 de março. A reprise acontecerá no domingo, dia 29, às 20h15. Apesar de ter sido anunciado o lançamento em lojas para o dia 26, as principais lojas online ainda não têm os produtos (CD e DVD) à venda.

Nádia Lapa

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Oct 20 2008

Barrados no Baile

Aventureiros e talentosos, os rapazes do Vanguart fizeram sua primeira passagem pela Europa nas últimas semanas. A micro-turnê começou na capital alemã, no dia 8 de outubro e, logo em seguida, Hélio, Reginaldo, Luiz, David e Douglas seguiram por mais duas cidades no país: Lunenberg e Bamberg.

Quando a assustadora experiência de passar alguns dias em um país sem falar sua língua nativa parecia estar chegando ao fim, o inesperado aconteceu na alfândega alemã. Seguindo os recentes passos de Daniel Peixoto (Montage) e Seu Jorge, o quinteto foi impedido de entrar na Inglaterra para fazer sua única apresentação, que aconteceria em Londres. A data era 15 de outubro, e depois de várias inconveniências, o grupo foi avisado que não poderia entrar no país. A madrugada inglesa dos rapazes foi intensa, e só quando a manhã já havia chegado que o problema foi resolvido: As 7 horas da manhã, o primeiro vôo Inglaterra – Alemanha saiu e, nele, estavam todos os cinco integrantes do Vanguart.

De qualquer forma, os shows na interessante Alemanha foram um sucesso, conforme palavras do próprio Hélio Flanders ao G1 – “(…) Pediram bis em Lunenberg, tocamos Dorival Caymmi em Bamberg, fizemos muitos contatos”.

O show na Inglaterra faria parte da cerimônia de lançamento do livro Cat Life, da brasileira Clarah Averbuck. No dia 17, a banda já estava de volta ao Brasil e se apresentou no Studio SP.

Primeira foto postada no Fotolog do grupo depois da volta ao Brasil

Por Alex Correa

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Jun 16 2008

Novo festival de SP

Por Gabriel

Mais um festival irá preencher as noites paulistas do segundo semestre, o Orloff Five. Marcado para o dia 6 de setembro, o festival é novo mas já conta com boas atrações.

Os suecos do The Hives e as francesas do Plasticines se juntam aos já consagrados The Melvins e aos cuiabanos do Vanguart.

A confirmação veio por parte do caderno ilustrada, da Folha de S.Paulo. Para ver mais informações e uma breve entrevista com os integrantes do The Melvins, veja a notícia na íntegra.

Autor: Gabriel Zorzo

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