O prometido disco revolucionário do Coldplay está aí. Missão cumprida? Há controvérsias.
Já no quarto álbum da carreira, a banda, muitas vezes conhecida por certos hits que estouraram nas rádios, apelou para Brian Eno e sua proposta inovadora. Eno foi direto ao ponto, Chris Martin e sua turma insistiam em certas fórmulas musicais, tornando tudo meio repetitivo, além de músicas longas e de letras não tão boas.
Alguns resultados são visíveis. Depois de diversas audições atentas, percebe-se a exploração de novos timbres, percussões africanas misturadas com ares orientais, uma textura mais rica, além da utilização de sintetizadores e órgãos.

O disco apresenta pontos fortes, chegando a surpreender em certos momentos, como na maravilhosa ‘‘Viva La Vida ‘, a melhor faixa do disco na minha opinião, conduzida pelas cordas em um ritmo marcante, por vezes até dançante, os clássicos pianos de Cris Martin, um coro perfeito e sinos ao fundo, enquanto canta “I hear Jerusalem bells are ringing”. Com certeza uma faixa que marcará os setlists da banda por muitos anos.
Mas da mesma forma em que o disco chega ao seu auge, tem sua ruína na faixa seguinte, ‘Violet Hill ‘. Há quem goste, eu pessoalmente achei chata. O final dela até que salva, mas nada extraordinário em sua letra, valeu a intenção da banda. Talvez daqui um tempo eu chegue a digerí-la.
No geral o disco mantem um bom nível, inicia-se com a faixa instrumental ‘Life in Technicolour‘, que já chegou a apresentar letra um dia, mas foi retirada por ter sido considerada óbvia demais por um desconhecido qualquer, como disse Guy Berryman à MTV. A faixa já apresenta aos ouvintes algumas das novas características da banda.
Em seguida, tem-se ‘Cemeteries Of London ‘, onde se vê presente as já citadas percussões com direito a palmas, e novamente o coro ao fundo…uma ótima faixa. (Singing la la la la la la ehh…And the night over London hey!)
Lost: para os fãs mais conservadores, talvez esta uma das grandes faixas do disco, segue um pouco o cara de ‘Fix You’. As palmas de novo presentes marcando o ritmo, o coro e um órgão bem bonito. A letra não é lá das melhores, nada muito inovadora.
42: não podia faltar aquela faixa do pianinho no álbum. Mas não dura muito tempo, a música vai evoluindo, entram as cordas…até que praticamente se transforma em outra com alguns riffs de guitarra e tudo mais.

Lovers in Japan/Reign of Love: Lovers in Japan é boa…Reign of Love aposta no piano, tem um clima meio Enya (não me agridam).
Yes/Chinese Sleep Chant: Me lembra alguma outra faixa deles, não lembro qual. Talvez alguma faixa até de outra banda, refletirei sobre o assunto…se alguém quiser me dar uma luz.
Mistura de ritmos e escalas diversas, ficou bem interessante até.
(a madrugada vai chegando, falo cada vez menos de cada faixa)
Strawberry Swing: muito bonita, acredito que quase todos dividam essa opinião. Gostei da instrumentação, o ambiente que ela cria. Em certo momento também me lembra alguma outra música, não sei qual…
Death and All His Friends/The Escapist: faixa suave, sutil…E pra terminar, ‘The Escapist’, quase um retorno a ‘Life in Technicolour‘ com referências diretas à faixa de abertura do disco, fechando, assim, “Viva La Vida Or Death And All His Friends”, como num ciclo.
“Lovers in Japan/Reign of Love”, “Yes/Chinese Sleep Chant”, “Death and All His Friends/The Escapist“: Bateu a louca no Coldplay que resolveu juntar duas faixas em uma, por três vezes em todo o álbum. Pelo visto foi questão de estética mesmo, pra ficar com 10 faixas e não 13…vai entender. Se ainda tivessem uma super relação entre uma e outra, mas não…apenas uma certa relação temática entre “Lovers in Japan” e “Reign of Love”.

O Coldplay se encontra mais ousado, mas talvez não o suficiente. Apesar de algumas visíveis mudanças, não acredito que exploraram todas as possibilidades de experimentalismo as quais tiveram acesso, vejo tudo isso mais como uma expansão das sonoridades da banda.
Falta perder o medo de inovar e desagradar aos fãs. Mas isso não faz de “Viva La Vida Or Death And All His Friends” um álbum ruim, pelo contrário, considero-o excelente…talvez um dos melhores do ano, e da banda.
Podemos esperar muita coisa por aí. Através dos shows, clipes e tudo mais, veremos o verdadeiro alcance do disco.
Tracklist:
01. Life in Technicolor
02. Cemeteries of London
03. Lost!
04. 42
05. Lovers in Japan/Reign of Love
06. Yes/Chinese Sleep Chant
07. Viva la Vida
08. Violet Hill
09. Strawberry Swing
10. Death and All His Friends/The Escapist

Autor: Gabriel Zorzo