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Dec 24 2009

Os 10 melhores discos nacionais de 2009

Antes de começar, vou relembrar a frase de um colega blogueiro: “Nunca uma lista, seja ela qual for, vai agradar a todo mundo”. É por isso que, pela segunda vez na semana, encaminhamos você pra esse post antes de sair nos apedrejando. E vale ressaltar que a lista destaca apenas álbuns completos, EPs não entram na disputa. Agora, o que interessa:


10. Céu – Vagarosa

Sem as vinhetinhas incômodas de seu primeiro álbum, Céu aparece em Vagarosa fazendo menos questão de exibir o samba que a apresentou ao mundo em 2007. O caminho foi o mesmo tomado por Cibelle, que se jogou no tropicalismo enquanto sua colega surpreende com claras referências ao dub. Se a Música Popular Brasileira está renascendo, pode-se dizer que Céu é um dos principais propulsores desse movimento.

Escute: “Bubuia” e “Cangote”.

9. Pullovers – Tudo Que Eu Sempre Sonhei

Mais brasileiros do que nunca, os Pullovers entraram em um mundo novo para Tudo Que Eu Sempre Sonhei: Pela primeira vez na carreira da banda, um disco seria composto apenas por canções em português. A voz de Luiz Venâncio, mais madura, experimenta pela primeira vez a perfeita homogeneidade com o rock ‘n’ cello ‘n’ piano do sexteto. Dá pra lembrar dos Hermanos, até.

Escute: “Tudo Que Eu Sempre Sonhei” e “O Que Dará o Salgueiro?”.

8. Poléxia – A Força do Hábito

Há um corte em A Força do Hábito que faz o disco soar como o resultado da união de dois EPs distintos: O primeiro deles (“O Capa Dura” – “Hedonismo de Um Matador”) tem guitarras fortes, programações eletrônicas e uma pegada agitada e dançante, enquanto o segundo (“O Inimigo” – “A Balada da Contramão”) abandona os sintetizadores e se orgulha de ares mais acústicos, misturando Pato Fu, Ludov, Anacrônica e Sabonetes em um único registro. A banda acabou, mas o legado continua.

Escute: “O Capa Dura” e “Cá Entre Nós (com Vanessa Krongold)”.

7. Numismata – Chorume

É provável que, atualmente, o Numismata tenha uns dos melhores letristas do Brasil – e, obviamente, não é só isso que traz o grupo paulistano a essa posição. Com convidados de destaque em seu segundo disco, como Kassin, Tatá Aeroplano e Luiz Melodia, os rapazes misturam carnaval (“A Vida Como Ela É”), cabaré (“Vira-Latas”) e flertam com o electro (“Prejuízo”), tudo com a constante presença de guitarras. Dá até orgulho.

Escute: “Todo Céu e Essas Pequenas Coisas” e “O Inferno e Um Pouco Mais (com Kassin)”.

6. Ecos Falsos – Quase

Menos depressivo-agressivo que na época de Descartável Longa Vida (frases como “Eu só sou sentimental quando eu me fodo” e “o meu coração nunca vai ver a luz do dia” viraram passado), o Ecos Falsos voltou com canções grudentas, mais limpas e, em alguns casos, que não poderiam se identificar mais com os perfis de grandes rádios. Destaque para os sintetizadores, sempre em alta.

Escute: “O Boi” e “Spam do Amor”.

5. Zémaria – The Space Ahead

Passando pelo mesmo processo de europeização do CSS, o Zémaria abriu mão do ar brasileiro de 11 Trax e apareceu no meio do ano com o incrível The Space Ahead, inspirado nos grupos de synthpop que brilham por lá. O disco carrega nove músicas potentes que soam bem nos headphones, no hometheater da sala de estar, nas caixinhas podres do seu notebook e, principalmente, nas noites de sexta-feira. Um álbum que precisa ser descoberto pelos brasileiros.

Escute: “Hit do Porto” e “Any Distance”.

4. Pública – Como Num Filme Sem Um Fim

Em Como Num Filme Sem Um Fim, o Pública se esquiva do rótulo de “banda de rock gaúcho” e faz músicas quase universais, que poderiam ser produzidas tanto em Porto Alegre quanto em, sei lá, Recife. Lançado digitalmente no final de 2008, o álbum foi relançado em formato físico no início desse ano, o que lhe dá total direito de aparecer na lista de Melhores de 2009. Pra quem ta cansado do hype do rock regional.

Escute: “Casa das Armas” e “Casa Abandonada”.

3. Móveis Coloniais de Acaju – C_mpl_te

C_mpl_te pode ser incrível por mostrar a perfeita sintonia de nove pessoas com gostos musicais divergentes, por não deixar seus 1001 elementos se atropelarem entre si e, claro, por ser a casa de 12 deliciosas músicas – mas, acima de tudo, C_mpl_te é incrível justamente por ser incrível sem repetir um acorde de Idem (2005), que já exibia a receita certa do sucesso. Um baita passo para a consagração dos brasilienses.

Escute: “Adeus” e “Sem Palavras”.

2. Banda Gentileza – Banda Gentileza

Origem? Curitiba, berço de grandes talentos musicais dos anos 2000. Produção? Plínio Profeta, que guarda um troféu do Grammy Latino em sua estante. Nem os mais inexperientes dos músicos teriam a ousadia de jogar fora tantos benefícios, e foi dessa forma que a Banda Gentileza deu origem a um disco de “valsambolerockaipira”eficiente, rápido e jovial. Um dos melhores representantes dessa nova safra.

Escute: “Coracion” e “Pseudo Eu”.

1. Black Drawing Chalks – Life Is a Big Holiday For Us

Se o stoner rock andava em baixa no Brasil, o Black Drawing Chalks saiu de Goiânia para fazer o barulho que a cena independente precisava. Recebendo mais destaque do que em seu debut, o BDC mostrou ao Brasil que o stoner ainda tem espaço – e muito. Agradando o público de diversas tribos, o boom do quarteto provou que o gênero ainda pode se popularizar em grandes escalas no Brasil. E que não deve demorar.

Escute: “My Favorite Way” e “My Radio”.

Leia também:

Os 15 melhores discos internacionais de 2009, por Alex Correa;

Os 15 melhores discos internacionais de 2009, por Neto Rodrigues.

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Nov 30 2009

A gente não postou, mas você precisa saber

Morrissey afirma que suicídio é ato honrosoRolling Stone, 30 de novembro

“Everything In It’s Right Place”, do Radiohead, em promo espanhola de LostTwitter, 30 de novembro

Database remixa Savoir AdoreTwitter, 28 de novembro

Guns N’ Roses anuncia turnê na América do SulRolling Stone, 26 de novembro

Zémaria: Mais um petardo nacional - Indiecent Music, 26 de novembro

Isso é Rolling Stone ou G Magazine?Twitter, 25 de novembro

O rock brasileiro precisa morrerScream & Yell, 25 de novembro

Jimmy Fallon imita Neil Young tocando o tema de Fresh Prince of Bell-Air - Why So Pop?, 25 de novembro

Pete Doherty: “Meu coração parou”G1, 24 de novembro

Coldplay side-project Apparatjik set for single releaseNME, 24 de novembro

The Courteeners to give away free new album downloadNME, 23 de novembro

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Oct 21 2009

Festival Eletronika, em BH, conta com line-up de destaque

Por Neto

CC

Os curitibanos do Copacabana Club são um dos destaques do Eletronika

Entre os próximos dias 5 e 7, acontecerá, em Belo Horizonte, o já tradicional e respeitado festival Eletronika – que, aliás, completa uma década de existência em 2009.

E, para comemorar tamanha longevidade, a organização do evento trouxe atrações de peso, numa ótima mescla de música eletrônica e rock.

Tocarão na capital mineira os grupos Black Drawing Chalks, Garotas Suecas, Copacabana Club, entre outros. No quesito “eletrônica”, se destacam Killer on the Dancefloor, Zémaria e a dupla N.A.S.A.

Para saber mais informações, como preços de ingressos, locais de vendas e horários dos shows, é só conferir o site oficial do festival.

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Aug 23 2009

Entrevista: Zémaria

Pode-se dizer que, hoje, o Zémaria é uma das maiores bandas do Espírito Santo, senão a maior. Com cerca de meia década de carreira, NegoLéo, Sanny Lys, Marcel Dadalto e Michel Spon já têm um baita histórico: Além dos dois CDs e vários EPs lançados até agora, o grupo arquivou quatro turnês na Europa nesses últimos anos. Em Julho, inclusive, a banda embarcou em sua quinta visita aos palcos do continente, que se extende até o final do ano. A viagem ainda leva o quarteto ao Neutronix Stage do festival Electric Picnic, um dos maiores eventos culturais da Irlanda que, nesse ano, vai contar com um line-up maravilhoso.

Mas, claro, não é só isso que forma o Zémaria – e, por isso, fui atrás dos caras para descobrir mais.

zemaria

Onde vocês estão nesse exato momento?

Marcel: Estamos em Dublin, ótima cidade! Fizemos alguns shows na Irlanda, também fomos pra Cork, tocamos lá e o povo tava muito animado, cara! Não acredito em como eles se agitam. Tocamos aqui em Dublin muitas vezes, também, e depois vamos tocar em Berlim, aí vamos pra Londres e voltamos pra Dublin.

Quem compõe na banda?

Sanny: Eu e Marcel. A gente faz muita coisa junto. Não temos regras!

Marcel: É, a gente costumava tocar com uns amigos também, a Sanny trouxe muita coisa dos amigos dela, eu trouxe muita coisa dos meus. Compor pra gente é tipo uma festa.

Mas vocês são um quarteto, na verdade.

Marcel: Sim, temos o baterista, NegoLéo, que também compõe e já escreveu bastante coisa pro Zémaria e o Michel, que é o baixista.

Mais cedo você me falou que foi o dia de lavar a roupa do Zémaria. Não deveria ser um dia pra aproveitar, conhecer a cidade e tudo o mais?

Marcel: A gente gosta de conhecer os locais em que a gente toca, falar com as pessoas. Fazer turnê não é só tocar em clubes com luzes e flashes. A gente tem essas festas, também amamos tudo isso, mas…

Sanny: É sempre bom ver os castelos. Amo castelos. Acho incrível poder ver prédios tão velhos, as igrejas…

Marcel: Verdade! A gente não tem muitos castelos no Brasil… tipo, eu olho e penso: “nossa, esses castelos são mais velhos do que o meu país!”

*Nego Léo entra na sala*

Há quanto tempo vocês estão na Europa, nessa turnê?

Sanny: A gente ta completando a terceira semana hoje!

Mas não é a primeira vez do Zémaria aí, né?

Sanny: Não, já é a quinta vez!

E como é o esquema? Vocês pagam tudo por aí ou existe alguém pra dar uma força na parte financeira?

NegoLéo: A gente recebe um apoio cultural do governo do Espírito Santo, mas só para as passagens de avião. O esquema aqui é bem parecido com o do Brasil.

Marcel: Fazemos tudo como uma banda independente. Temos ajuda também de uns amigos por aqui, de umas casas de shows, mas é tudo bem indie, como sempre fizemos, e funciona muito bem!

Como anda o feedback do público europeu? Vocês vêem muita diferença do brasileiro?

Sanny: Na verdade, não. A gente já tem muita história no Brasil, então acompanhamos o crescimento do público. No início, a gente sentia que tinha um povo meio no “what the hell, isso é música eletrônica ou não? Não sei se eu gosto”. Aí, de repente, o electro ficou muito popular, e agora todo mundo acaba dançando nos shows. Aqui é um pouco diferente, as pessoas são mais rápidas.

Marcel: Aqui acho que ta todo mundo mais acostumado com isso tudo. Quando terminamos o show, sempre tem um pessoal que procura a gente pra bater um papo e eles aparecem com uma lista enorme de artistas pra compararem com a gente – e eles acertam! Eles realmente sabem do que estão falando! No Brasil temos uma resposta completamente diferente, nosso gênero não é muito popular.

Bem, vocês provavelmente ouvem muito electro. O que vocês têm pra recomendar pra gente?

Marcel: Eu tenho ouvido muita coisa antiga… Pixies, Fugazi, um dia desses eu tava ouvindo Metallica, as coisas antigas deles.

Sanny: Golden Filter, que ta com coisa nova…

E produto nacional?

Marcel: É difícil dizer, cara. Adoro todos os meus amigos de Vitória, todo o pessoal do Smoke Island. Controle Technique, F.U.E.L., Trepax, Joe.Zee, Mickey Gang. Recomendo todos eles!

Fala mais pra gente do Smoke Island.

Smoke Island é um grupo de caras malucos de Vitória que produzem música todos os dias. Esses caras só querem um jeito de espalhar suas canções pelo mundo. No site a gente tem um blog, notícias sobre a cena local, sobre a cena do Brasil… É nossa casa, é onde começamos, e de repente o negócio ficou muito grande.

E é tudo lançado por lá virtualmente, né?

Pois é, tudo online. Só fazemos alguns CDs fisicamente quando o Zémaria entra em turnê, por exemplo, pra vende-los nos shows e tal. Não acredito em venda de álbuns em lojas, não acredito nessa merda. Só queremos espalhar nossa música para podermos tocar mais

A gente não costuma ler muito sobre o Zémaria por aqui, tanto em blogs quanto na “grande mídia”. Porque vocês acham que isso acontece?

Sanny: Acho que a gente tem um pouco de culpa nisso. Temos trabalhado muito na Europa e tal. Quando a gente ta em Vitória, nos preocupamos em nos divertir lá, tocar e etc., aí acho que ficamos meio preguiçosos! Agora que o CD novo ficou pronto vamos tocar no Rio, São Paulo, Belo Horizonte, enfim, lugares que adoraremos tocar, já que estamos fora por algum tempo.

Quais artistas vocês acham que influenciaram e influenciam o som do Zémaria?

Sanny: Eu não sei… ouço muita coisa, adoro mulheres cantando. Ouço desde New Young Pony Club até Nina Simone, então eu meio que não sei dizer o que acaba influenciando.

NegoLéo: Acho que somos muito influenciados por nós mesmos. Passamos muito tempo produzindo, então acho que ficamos sem tempo pra pegar influência de outras bandas.

Vocês mudaram bastante do 11 Trax (2007) pro The Space Ahead, que saiu no mês passado. O que causou isso?

Marcel: Eu não sei… a gente é diferente. Coisas acontecem porque têm que acontecer e acreditamos nisso. Não tentamos forçar nada. Acho que a gente sofre influência das cidades, também. O 11 Trax foi feito em São Paulo, então a cidade levou bastante dessa vida 24 horas, de segunda-a-segunda, de boates e de música para dançar até o disco. Enquanto fazíamos o novo álbum estávamos tocando pela Europa, queríamos fazer boas canções e só.

Mas ele também se encaixa bem quando se quer dançar…

Marcel: É, o dancefloor ta no nosso sangue, eu acho. Não sei o que acontece. Eu, NegoLéo e Michel viemos da escola do rock, tocávamos em bandas de rock. Essas coisas acontecem naturalmente.

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Aug 22 2009

Zémaria toca em festival irlandês com Fleet Foxes, Bat For Lashes, Klaxons e muitos outros

“De Vitória para o mundo”. Foram essas as palavras que Marcel Dadalto, do Zémaria, usou para falar do Mickey Gang em uma entrevista recente que fiz com ele (e que vai ao ar aqui, nesse final desemana), mas parece que é a sua própria banda que está dominando a Europa. Nesse exato momento, o quarteto faz sua quinta turnê no velho continente de forma independente e, de quebra, acaba de confirmar (via @smokeisland) sua participação no festival Electric Picnic, considerado o mais popular da Irlanda (mais do que o Oxegen, segundo o Wikipedia).

Foto de show recente na Europa

O evento acontece em poucos dias, logo no início de setembro (4, 5 e 6). Pra você ter uma idéia do porte do negócio, Marcel, Sanny, NegoLéo e Spon dividem o palco com Fleet Foxes, Florence and the Machine, Marina and the Diamonds, Flaming Lips, Bat For Lashes, Klaxons, 2 Many DJs, Dinosaur Jr, MGMT, Okkervil River, Passion Pit, Röyksopp, Simian Mobile Disco, The Walkmen e dúzias e mais dúzias de bandas e artistas que causariam inveja em qualquer um. Vão com tudo, capixabas!

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Aug 03 2009

Zémaria – The Space Ahead

Na maioria das vezes, vinhetinhas sem conteúdo e faixas longas demais são sinônimos de suicídio artístico. São esses elementos que fazem o The Hazards of Love, do The Decemberists, ser intragável, enquanto a ausência deles fazem o modesto Worldwide, do The Death Set, soar tão bem. Em seu novo disco, The Space Ahead, o Zémaria mostra que sabe misturar os ingredientes na medida certa, evitando o excesso de minimalismo e sem exagerar na complexidade de suas músicas.

O álbum é composto apenas por nove faixas (número que, para bandas como o Modest Mouse, não fazem mais do que um EP) e, para evitar o erro, nenhuma delas tem mais de cinco minutos de duração. Assim, o registro se torna fácil de ser digerido, aprovado e re-executado. É um electro finíssimo que banha em ouro o som do grupo e que, ao vivo, se transforma em um legítimo coletivo de rock, se levarmos em consideração sua presença de palco. Arrisco dizer, ainda, que se Calvin Harris resolvesse fundar uma banda de rock, seria exatamente assim que ela soaria.

Escrevi a resenha para o rraurl.com. Quer continuar lendo? Clica aqui.

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