Tame Impala no Cine Joia (15/08/12)

Kevin Parker, líder e vocalista do Tame Impala (ou o próprio Tame Impala, como ele gosta de dizer), fez questão de frisar em um momento do show: “Ontem tocamos aqui numa festa fechada, mas hoje que é o show DE VERDADE!”
(ok, talvez tenha sido apenas algo parecido com isso.)

A verdade é que as mesmas dez músicas tocadas na noite do dia 14 foram tocadas no dia 15. E eu, que só estava lá no segundo dia, posso afirmar que foi o suficiente pra fazer um show DE VERDADE.

O clima propício e a qualidade do som também contribuiram, e os australianos fizeram questão de deixar visível que não sobem ao palco dispostos a passar despercebidos. Não que os integrantes façam acrobacias ou se exibam como grandes rockstars, pelo contrário. Tirando momentos mais empolgados quando o tecladista assume as maracas ou o baterista balança sua cabeça freneticamente, o quinteto se mostra bem comportado e focado na execução das canções que soam exatamente como no disco. A voz lennon de Parker se mantém intacta, as guitarras cheias de efeitos te levam a outra realidade e os sintetizadores sempre muito bem equalizados também preenchem todo o ambiente. E apesar dessa concentração toda, o Tame Impala avança de forma despojada de uma música a outra em sua apresentação – o show flui com uma naturalidade ótima, sem momentos xaropes e cabeçudos tradicionais em bandas com o aspecto psicodélico.

Durante todo o setlist há uma regularidade boa – mesmo nas canções do disco novo, a empolgação tanto da banda quanto da platéia se mantém alta. Mas hits são hits e quando canções como “Desire Be Desire Go”, “Half Full Glass of Wine” e, principalmente, “Solitude is Bliss” tomam o palco, a energia é outra. Destaque também para a linda “Lucidity” e sua execução impecável.

Apesar de curto, o show se mostrou suficiente, principalmente para uma quarta-feira à noite. Vencer o sono da plateia após um dia todo de trabalho (com a cabeça já no dia seguinte) com músicas que saem do comum e que exploram a psicodelia, não parece ser tarefa fácil. Mas nas mãos de Kevin Parker e seus companheiros de banda, isso parecia brincadeira de criança – uma criança totalmente fora da realidade flutuando por um universo paralelo ambientado nos anos 60 ou 70, mas uma ainda sim uma criança (e como isso poderia ser ruim?).

  • Foi um ótimo show, o som estava ótimo, a ilumnação perfeita e a banda tem uma sincronia incrível com seus contratempos e “acordes quebrados”.
    Enquanto o show da Feist não acontece, esse é o 2° show mais bonito que já vi,o primeiro foi o do Radiohead.

  • poisé!

  • maria joana

    não foi suficiente. foi extremamente curto.

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