Telekinesis - Dormarion

Telekinesis
Dormarion

Merge

Lançamento: 02/04/13

Com 26 anos, dois EPs, dois álbuns e muito o que falar, Michael Benjamin Lerner presenteia os fãs do Telekinesis com mais um registro: Dormarion. Apesar dos planos de gravar o álbum sozinho, Lerner abandonou a idéia, viajou até Austin, Texas, e fez uma parceria com Jim Eno, baterista do Spoon e responsável pelo estúdio Public Hi-Fi. Eno, que já trabalhou com bandas como Bright Eyes, Arcade Fire e New Pornographers, gravou as 12 músicas em apenas duas semanas.

Indo de indie rock com pegada descompromissada e com um quê de trilha sonora de sonhos adolescentes, para uma maior influência do rock de fato até pegar um pouco de tudo o que criou, Lerner chegou a Dormarion. Com seu nome inspirado na rua que abriga o estúdio caseiro de Jim, o disco flerta com o dream pop sem descaracterizar o perfil misturado e bem definido do projeto. Mesmo mostrando um ar mais bem resolvido (musicalmente falando), o alegre-deprê e a confusão mental ainda compõem o material de trabalho do músico. Acompanhadas de suas conhecidas onomatopeias amarrando as melodias, as letras, que conquistaram tantos fãs com seu poder de identificação, ainda tratam das questões do coração e do autoconhecimento camuflado.

E não é apenas o nome que Micheal e Gibbard compartilham. A influência do Death Cab for Cutie está mais presente ainda com riffs e vocais que remetem aos primórdios da banda (Something About Airplanes, de 1998, e We Have the Facts and We’re Voting Yes, de 2000). Nada mais natural, levando em consideração que Chris Walla, à frente da Barsuk Records e guitarrista do DCFC, esteve presente na produção e execução de Telekinesis!, debut lançado em 2009.

“Power Lines” abre Dormarion e não decepciona. Pra quem acompanha a banda, é perceptível a estrutura clássica de Lerner, com a guitarra que entra marcando o refrão e bordões típicos: “When I was Young I was searching for some better time”. A faixa de abertura lembra descaradamente outras músicas de Michael (“You Turn Clear in The Sun”, que abre seu último álbum, 12 Desperate Straight Lines (2011), ou “Foreign Room”, de Telekinesis!).

“Power Lines” é seguida de “Empathetic People”, que, por sua vez, já entra com uma batida forte e é um ótimo exemplo da pegada de rock mencionada antes, aspecto encontrado de novo em “Laissez-Faire”, meio Pixies-Garbage-Wombats das antigas, tudo misturado. Mostrando outro lado, tem “Ghosts and Creatures”, que, além de ser o primeiro single, chega com uma grande chance de aparecer nas pistas de dança junto com “Wires”.

“You are my love and you are above any women that I’ve ever met”. Pra quem curte mais o lado calminho e romântico (com um toque um tanto quanto macabro, vale dizer) da banda, também tem opção. “Symphony” (letra citada acima) é composta pelo violão habitual de músicas dessa linha. “Lean On Me” ou “You Take It Slowly”, que fecha os 35 minutos de disco, também dão conta do recado, mesmo com suas guitarras ao fundo.

Com isso, o Telekinesis continua o mesmo de uma forma diferente – e talvez esse seja o motivo de ter dado tão certo até agora.

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