Temples - Sun Structures

Temples
Sun Structures

Heavenly

Lançamento: 05/02/14

Não tinha hora melhor para uma banda como o Temples aparecer. Seu rock neopsicodélico, que busca referências óbvias em décadas passadas, tem sido explorado por outros nomes com mais intensidade de uns anos pra cá. Porém, o quarteto inglês faz diferente – trabalha de forma mais acessível, misturando doses generosas de rock britânico com pitadas de influências hippies, que se diluem apenas para “dar liga” ao som, não tomando para si a identidade completa do trabalho.

A formação do projeto ainda não tem dois anos de idade. A dupla James Edward Bagshaw e Thomas Edison Warmsley chamaram a atenção do selo londrino Heavenly Recordings no fim de 2012. Em seguida, recrutaram dois conterrâneos para dar corpo às suas criações empoeiradas ao vivo. Desde então, o quarteto já passou por festivais na Europa, foi elogiado por bambas do britpop, como Noel Gallagher e Johnny Marr, e, agora, aparece de vez no radar da imprensa musical com Sun Structures, debute que conta com ideias maduras e um arsenal surpreendente de bons arranjos e execuções – mesmo, às vezes, dando a impressão de que você já tenha ouvido um riff ou melodia aqui e ali.

O disco, no geral, é daqueles “fáceis de ouvir”, pra deixar tocando tanto no trânsito engarrafado, quanto na mesa do bar antes da balada. E essa multiutilidade do LP escancara um dos trunfos do Temples: mesmo pegando emprestado influências da psicodelia e dos sons “viajadões” do final dos anos 60, a banda não enrola e foge do vortex de homenagens maçantes ao estilo. É econômica e acerta quase sempre na escolha de seus caminhos. E até quando ultrapassa a barreira dos seis minutos em uma única canção, é por uma boa causa: “Sand Dance” é um caleidoscópio que hipnotiza com riffs galopantes, servindo de trilha para um passeio de 1001 noites pelas areais do Oriente Médio via rock inglês.

Já em “Colours To Life”, por exemplo, a parede de teclados e a linha de baixo se destacam, mesmo quando sufocados pelos vocais saturados do refrão. Em “Keep In The Dark”, o air drum particular é quase inevitável, e sendo um dos primeiros singles do grupo, é a faixa ideal para se ter ideia do que se trata esse tal de Temples. “Mesmerise”, que vem na sequência, é um dos momentos mais acelerados, começando com fraseados agudos e caindo em um refrão redondinho, de mensagens misteriosas. “Move With The Season” é a melhor balada chapada desde “Feels Like We Only Go Backwards”, do Tame Impala, só que mais sóbria e menos afetada. “Shelter Song”, música que abre o LP, também é um bom resumo sobre a banda, com vocais principais e de apoio se revezando em um belo jogo de melodias, canalizadas por guitarras e timbres que poderiam ter sido criados em alguma praia californiana.

E assim, embalando e revivendo viagens nostálgicas com uma proposta atual e livre de pretensiosismos, o grupo cria um universo de estruturas firmes e sem floreios. Da primeira à última faixa, o psych folk singelo de “Fragment’s Light”, o passeio pelo mundo do Temples surpreende da forma mais positiva possível. Ao fim do giro de pouco mais de 50 minutos, vozes e texturas cheias de reverb ficam ecoando por horas e horas na cabeça. E, geralmente, isso é um bom sinal.

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  • Cabocla Magoada :(

    ô Netinho…num falassim de “Feels Like”; balada afetada foi de doer!!!