Terceiro dia de SWU: superpopulação, a fofura do Pixies e os atrasos de minutos e anos

Depois de um domingo sem sal, com poucos momentos marcantes e com o Kings of Leon entregando menos do que o especulado, a segunda chegou com, provavelmente, o line-up mais esperado do festival – afinal de contas, tinha para todos os gostos, já que a esquizofrenia musical da escalação chegou a possibilitar shows do Yo La Tengo e Pixies acontecendo muito perto de apresentações do Cavalera Conspiracy, Linkin Park e Avenged Sevenfold. Isso também resultou no maior público entre os 3 dias – essa informação é baseada pura e simplesmente no “olhômetro”, ok?

Como cheguei tarde na Fazenda Maeda, me mantive perto dos palcos principais durante praticamente todo o dia, pra evitar algum risco de perder a sequência Incubus-Queens of the Stone Age-Pixies. O resultado foi, infelizmente, perder Yo La Tengo (cheguei quando já tinha acabado), CSS, Josh Rouse, Autoramas e Mixhell. Ao fim do som ensurdecedor do Avenged Sevenfold (com Mike Portnoy DES-TRU-IN-DO na bateria), me dirigi ao Palco Água para tentar um lugar ao sol frio diante do Incubus. Na última hora, decidi assistir à banda pelo telão do Palco Ar, para onde, TEORICAMENTE, Josh Homme levaria sua banda dentro de alguns minutos. Depois de quase uma hora de atraso, o todo poderoso Queens of the Stone Age subiu ao palco e entregou um dos melhores shows do festival, facilmente. Apesar do setlist encurtado em uma ou duas músicas, deu pra quase perder a voz com “Go With The Flow” e “No One Knows”.

Foto: Carol Zaine

Corre-corre pro palco ao lado, onde o Pixies já se aprontava pra abrir a apresentação com “Bone Machine”. Apesar das poucas palavras, a banda de Kim Deal e Frank Black mandaram todos os seus hits, que foram proferidos quase em uníssono pelos tiozinhos que tomavam boa parte da Pista Premium. Showzaço – e com direito a um sensacional bis, composto por “Planet of Sound”, “Where Is My Mind?” e “Gigantic”. Uma pena a banda ter servido, para muitos (não todos, veja bem), apenas como mero aquecimento para o grandioso Linkin Park.

Com o acúmulo de cansaço e frio pesando nos pés, após a maratona do fim de semana, o jeito foi aproveitar as lembranças da adolescência assistindo ao Linkin Park lááááááá de longe, de onde só se viam pontinhos se mexendo no palco. Até que deu pra ficar empolgado com hits como “Numb” e “One Step Closer”, mas a sensação era de que o show estava alguns anos atrasados. Acho que uma banda como Foo Fighters ou Pearl Jam desempenharia melhor a função de fechar o SWU. Depois da última nota gritada por Chester Bennington, Tiesto fez a trilha sonora para a caminhada de volta pra casa.

E voltar pra casa foi um exercício de pesar vários aspectos sobre o “grande movimento da sustentabilidade na América Latina” – ou algo que o valha. No que coube às bandas, pelo menos EU não tenho muito do que reclamar. Shows com muita pontualidade e qualidade de som praticamente impecável. Quanto à organização, bem, digamos que Eduardo Fischer e sua turma têm um LOOOOONGO caminho pela frente. Um caminho pelo qual o transporte seja decente e minimamente planejado, pelo qual pizza crua não seja a última opção de comida, pelo qual a sustentabilidade não entre em contradição com as cervejas em copo de plástico (é o dobro do lixo, por Cristo!), pelo qual alguns mililitros de água não custe um absurdo, pelo qual maquininhas de cartão de crédito funcionem (já que foi anunciado que essa facilidade estaria disponível), pelo qual filas e mais filas não sejam onipresentes, etc, etc, etc, etc.

“Mas você é um ingênuo/mimado por esperar que, em um festival desse porte e com tanta gente, a água, por exemplo, não custasse mais que 4 reais.” A questão é que, quando se faz tanto barulho em torno de um movimento que vai mudar a cabeça das pessoas em relação à sustentabilidade e a um futuro onde o mundo é um lugar melhor para se viver, o mínimo que você espera de quem propõe a ideia é que tal pessoa dê o exemplo a ser seguido – o que, infelizmente, não aconteceu. A intenção foi boa e a experiência valeu a pena, mas tem muito o que melhorar para uma possível edição em 2011 (com System Of A Down e Alice In Chains? WHAT?).

A partir de hoje, mini-resenhas de alguns shows vistos pela tchurma do Move That Jukebox irão ao ar. Por isso, por exemplo, que não falei muito sobre os shows do Pixies e do QOTSA neste post. Fique no aguardo. =)

  • João

    Som bom só pra quem vai de pista premium.
    Nunca vi um som tão baixo no show do Incubus!
    O som do QoTSA estava medonho, oscilando DEMAIS!
    Estava tudo um borrão, mal dava pra fazer distinção entre os instrumentos.
    Precisa melhorar URGENTE o som pro pessoal da pista comum.
    Só volto ano que vem de pista premium, senão nem vale o ingresso.

  • neto tá reclamando porque foi criado a leite com pêra.

  • Fernanda Bas

    O som estava muito baixo no palco Ar, fora que ficou quase 10 minutos off no show do R.A.T.M. No fim do evento cheguei a mesma conclusão do João, só vale a pena ir de pista premium mesmo, infelizmente.

  • luiz

    A sequência qotsa e pixies foi sensacional, não fui na pista premium e curti mto. Só não suportei as crianças do avenged e do lp vaiando as outras bandas e guardando lugar 10 horas antes.

  • Camila Bahia

    Pra mim, esse lance de pista premium tem que acabar. Coloca na lateral e libera a frente do palco pra quem conseguir chegar lá. Eu fiquei na pista comum dia 11 e dava raiva de ver a molecada sentada debaixo do palco do Pixies esperando o Linkin Park enquanto eu não conseguia ver quase nada do show que mais me motivou a ir ao festival. Certamente tem que melhorar muita coisa. Falhas imperdoáveis no som em vários shows. Até mesmo na tenda eletrônica. Vi o Anthony Rother descer bem puto do palco exigindo que dessem um jeito logo. As contradições na sustentabilidade também foram ridículas. Fica bem claro o quanto isto é puramente publicidade. Fiquei indignada. Não somente não podia sair com a latinha de cerveja, mas até a água teve que ser colocada em copo de plástico. Pra que??? Se uma garrafa de plástico serve de arma, um copo de plástico também serve…Afff!

  • Henrique

    Acredito que em muitos shows houve falha no som que começava muito baixo, mas a equipe de som se apressava e consertava isso antes da segunda música, mais tarde na terceira. Ruim, mas nada que prejudicasse a pista comum não.

    Quanto ao preço da água, o evento fez o papel dele de fazer quem estava lá sentir na pele o VALOR dela. Mais que justo! -NOT!

    Organização foi de fato ruim, principalmente do trânsito e da entrada no evento, mas em questão de show, SWU foi FO-DA!

  • Daniel

    Fui nos 3 dias e, quanto ao som não tenho muito o que reclamar não, porém , estava o tempo todo colado nos palcos, ou melhor, colado na pista premium. O que salvou o festival foi o desempenho das bandas, com excessão de Kings of Leon, que foram completamente apáticos. Uma pena, pois gosto muito do som dos caras.

    Quanto à organização foi tudo uma grande vergonha. É revoltante ver que eles pregaram um conceito mas não praticaram. Quem ainda tinha dúvida se o papo da sustentabilidade era apenas pra atrair patrocínios, bandas e público, agora não tem mais. Muita gente levou seus próprios copos de plástico mas chegando lá, se já não fossem barrados na entrada do evento, os funcionários tinham ordem de não servir em outros copos além daqueles do próprio festival. Cobrar R$4,00 por uma garrafinha de água de 200ml, repito, 200ml, é sustentável? Isso não vai gerar mais lixo, já que para matar a sede (pra quem tinha dinheiro, já que as máquinas de cartão não funcionaram) era necessário umas 3 daquelas garrafas?

    Como eu já esperava muita desorganização, fiz minha parte: não usei o estacionamento do SWU e não usei aquele camping absurdamente caro. Achei alternativas mais sustentáveis e MUITO mais baratas.

    Bom, apesar dessas falhas revoltantes (poderia listar facilmente umas 20) NUNCA esquecerei das performances fantásticas da maioria das bandas que lá se apresentaram. E pra mim, isso é o que fica!

  • João

    @Daniel ; infelizmente o KoL não será a banda que todos nós achamos que seria depois do lançamento do segundo disco, que manteve a qualidade do primeiro. Em 2005 quando assiti os então cabeludos no mesmo festival que vi Arcade Fire e Strokes já tinha percebido que a banda era sem graça ao vivo. Lembro que pirei no Arcade Fire, que não era tão hypado na época, mas que hoje justifica todo seu hype a cada disco lançado. O Kings Of Leon, virou uma banda comum, com rostinhos bonitos e algumas baladinhas remixadas, que fazem deles nada mais que uma banda da moda. Desisti deles.

    @Henrique ; mas cara, arrumar o som na terceira música, depois do pocket show que Incubus e QoTSA tiveram que fazer, prejudica e muito a performance. São quase 25% do show, é inaceitável. Não sei qual é a responsabilidade do evento nisso, ou se são os técnicos de som das bandas, porque segundo relatos, o show do DMB estava com o som incrível. Enfim, minha frustração é evidente, não consegui curtir o QoTSA, o som me broxou, é essa a palavra… e o Incubus, que fez um show legal, com várias músicas mais antigas e tal, eu conversava com minha namorada no mesmo volume que converso em casa.

  • Mateus

    Avenged Sevenfold é uma piada, francamente. Um baterista fora de série não salva a patetice da banda. Cavalera Conspiracy foi uma experiência bem mais agradável.