The Autumn Defense - Fifth

The Autumn Defense
Fifth

Yep Roc

Lançamento: 28/01/14

John Stirrat montou o Wilco com Jeff Tweedy após o fim do Uncle Tupelo. Ele também montou o The Autumn Defense, em 2001, sem que precisasse que o Wilco acabasse (ufa), ao lado de Pat Sansone, que logo se juntou ao Wilco também. Não chegando nem perto do brilho da banda de Tweedy, o projeto paralelo sempre correu assim de forma paralela, sem pedir muita atenção. The Green Hour, a boa estreia da banda, apostava no pop radiofônico 60’s e 70’s e acertou bem. Já os três lançamentos seguintes, apesar de competentes, não apresentavam exatamente a mesma estética – a pegada mais soft-rock afastou a banda do power pop e aproximou mais de produções como as do The Clientele, por exemplo. Fifth, o novo álbum da dupla, volta às origens e traz o ótimo clima Big Star de volta, influência assumida e descarada nesse trabalho. É o melhor que poderia acontecer na discografia da banda. E é o melhor trabalho lançado por eles até então.

Big Star deveria ser item obrigatório na coleção de qualquer apreciador de rock e seu lado mais pop – uma boa oportunidade para saber mais da brilhante e não tão reconhecida banda é o documentário lançado em 2012/2013, Big Star: Nothing Can Hurt Me. Para John e Pat, Big Star é mais que obrigatório, é essência. Como se fosse possível continuar o legado de Alex Chilton e Chris Bell, Fifth é uma consequência de #1 Record. Além das melodias pegajosas e músicas altamente acessíveis e cantaroláveis, a mixagem e os timbres estão muito próximos daquilo que, praticamente, criou o conceito de power pop.

Apenas três faixas fogem um pouco dessa estética e se aproximam mais das produções recentes do Autumn Defense. São elas “Calling Your Name”, “August Song” e “Why Don’t We”. Boas, mas que não possuem o mesmo brilho e valor das restantes. Aliás, não há irregularidades durante as 12 canções, mas são músicas assim menos expressivas que prejudicam um trabalho que poderia ser perfeito.

A pegajosa “None Of This Will Matter” abre o disco com seu pop perfeito de refrão radiofônico, e nos leva para as seguintes e doces faixas com suas referências evidentes: “This Thing That I’ve Found” com sua boa levada e as baladas “I Can See Your Face” e “I Want You Back” – essa, mais adocicada. Aliás, para boas baladas, Fifth é um prato cheio: “Can’t Love Anyone Else”, “Under The Wheel” e “What’s It Take” são lindas. Já o que falta são mais momentos como “Things On My Mind”, onde o Big Star vai além da lembrança –  parece que o quarteto de Memphis volta a existir por pouco mais de 3 minutos .

Com o clima de tributo, o Autumn Defense sai por alguns instantes da sombra de ser apenas um projeto paralelo de integrantes de Wilco. Um pouco mais de ousadia faria bem ao disco, mas revitalizar uma época e uma forma de composição tão influente dá a relevância que ela merece e deu à dupla o ensejo para produzir seu melhor trabalho até aqui. Para sair da incômoda regularidade dos últimos três álbuns, a banda voltou à sua proposta inicial e foi mais longe. De repente ela se encontra na década de 70 e, assim como o Big Star (em suas devidas proporções), produz um bom trabalho sem chamar muita atenção. Uma pena que isso vai se manter assim, provavelmente.

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