The Black Keys – Brothers

Depois de 6 anos usando basicamente guitarra e bateria para espalharem seu blues-garage-indie-rock, Dan Auerbach e Patrick Carney se mostraram mais abertos a algumas experimentações no disco que lançaram em 2008. Intitulado Attack and Release, o álbum mostrava elementos até então inéditos – ou escassos, pelo menos – nos trabalhos anteriores, que eram basicamente gravações sujas, mais vicerais e produzidos até mesmo em porões. Aparentemente, o The Black Keys gostou da experiência de ampliar as possibilidades sonoras – e o resultado de querer fazer algo além da “zona de conforto”, leia-se “guitarra e bateria”, fica evidente em Brothers, sexto disco de estúdio do grupo.

Logo de cara, os caras já mandam um dos destaques do CD. “Everlasting Light” tem algo de diferente, de sexy e uma levada não tão comum na discografia da banda. O falsete de Auerbach se contrasta muito bem com as graves notas disparadas por sua guitarra, que, por sua vez, é pontuada com perspicácia pela bateria contida de Carney e por ocasionais backing vocals femininos. Uma abertura digna do que poderia ser o melhor trabalho do Black Keys até então.

O alto nível continua com a dupla de faixas que vem a seguir. Em “Next Girl”, Dan reflete sobre como deve ser sua próxima garota enquanto guitarras e um baixo pesado invadem um imponente refrão. E o assovio mais grudento da temporada toma conta da introdução de “Tighten Up”, que ainda tem teclados retrôs e um riff pra ficar na cabeça por dias – além, é claro, do Frank.

Na sensual e apaixonada “The Only One”, sétima colocada no tracklist de Brothers, eis que surge a prova máxima de que o Black Keys pode ir muito além – e no mesmo padrão de excelência – da garagem e dos modos arcaicos de gravação. Não que precisasse: em 4 trabalhos, a dupla mostrou que tem cacife para criar pequenas pérolas com apenas 6 cordas e bateria e não se repetir. Mas qual é a graça em não sair dos moldes um pouco? A questão vai além do resultado final, se é superior ou não ao jogo ganho que é o blues rock garageiro que todos sabem que a banda pode fazer muito bem. O mais importante é que é de se valorizar músicos confiantes o bastante para “pensarem fora da caixa” e criarem algo novo. É uma pena que, às vezes, a intenção e a tentativa soam melhores na teoria do que na prática.

Brothers funciona muito bem em sua primeira metade, quando elementos fora do padrão da banda são acrescentados na medida e dão certa dinâmica às faixas. Depois disso, o que se percebe é uma boa vontade do duo em manter o ritmo do começo, mas é aí onde o disco se perde um pouco e se mostra mais longo do que o necessário. Em várias faixas, o piano e o baixo são os elementos centrais – e se juntam à incrível e versátil voz de Auerbach para criarem belas melodias com toques de soul, até. A (pequena) falha foi ter arrastado essa mudança de sonoridade por 15 faixas – o que deixa tudo bem cansativo e, antes do álbum terminar, você já se pega voltando às primeiras músicas.

Mas mesmo com o possível exagero na tracklist, o The Black Keys se saiu muito bem na missão do sexto disco de estúdio em apenas 8 anos desde o debut. Com 5 trabalhos praticamente impecáveis e similares entre si, Brothers mostra uma renovação corajosa, porém não necessariamente indispensável. Teclados, mais guitarras, baixo e até mesmo piano podem conseguir espaço vitalício nos próximos álbuns. Basta uma lapidada na quantidade de temas e o  melhor disco do The Black Keys pode ainda estar a caminho. Pra desespero dos fãs xiitas que até hoje não saíram daquela garagem cheia de poeira.

  • Opa, ótima resenha.

    Acho que o que sobrou de criatividade com a capa do álbum e os primeiros vídeos com o Frank, faltou para sustentar o CD todo. Me parece que faltou produtor pra segurar o Brothers. O Danger Mouse fez um ótimo trabalho desconstruindo o Black Keys no álbum anterior e repetiu o trabalho com a Tighten Up (acho que foi a única que ele produziu no Brothers), mas o resto do CD ficou meio caído mesmo.

    Não sou dos fãs xiitas, mas começa a bater saudades da garagem empoeirada.

  • WOW, que surpresa boa 😀

  • Rafael Rautha

    Eu sou um do fãs xiitas e falo que curti muito o albúm, mesmo saindo um pouco do rock sujo de garagem.
    Concordo com tudo na resenha.

  • Gostei muito da resenha. O disco tá muito bem produzido, e acabei que baixei no mesmo dia que baixei esse último do Arcade Fire. Resultado: não paro de ouvir BROTHERS. //

    Tem muito baixo com drive, muita batera suja, muito veneno. É muito Kasabian, na cara dura. A diferença é que é MUITO mais musical que Kasabian, muito mais classe. The Only One é exemplo disso, é soul pra caramba, agressivo e classe ao mesmo tempo. //

    Mas não tem como parar de ouvir, material de primeira. Gravação excelente, mixagem excelente, músicas muito boas, a sonoridade da banda tá incrível, o timbre das guitarras (vê-se em Tighten Up).

    Abraços, @igordisco

  • Ah, vocês não podem postar o link para baixar o disco, mas eu posso:

    http://twitter.com/igordisco/status/19627892492

    Se for errado, apaga o comentário e tá beleza. Senão, deixa ae. Tá em 320Kbps.

  • Muito boa a resenha, gosto bastante desse disco!

  • Tava muito acostumado com o (ótimo) som dos outros álbuns e demorei pra gostar do álbum, mas agora ficou difícil de tirar Tighten Up da cabeça. Fica mesmo parecendo um Kasabian ás vezes. Mas um Kasabian mais roqueiro, sem perder aquela pegada blues e com toques de soul nas melodias.

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  • Ricardo

    É disparado o melhor CD da banda.