The Cribs no Beco 203 – São Paulo (29/11/12)

O The Cribs nunca foi uma banda incrível e nem chegou perto disso, mas lançando discos sempre “médios”, chamaram atenção por suas músicas divertidas e pra divertir. Bons riffs de guitarra, sonoridade crua, a integração do criativo guitarrista Johnny Marr (ex-Smiths ) a partir de certa fase da banda, a produção de Alex Kapranos (Franz Ferdinand) em seu terceiro disco  e a esperteza de apostar em melodias simples e grudentas sempre foram o ponto alto (o mais alto que conseguiam alcançar) dos irmãos ingleses.

Se Kapranos só esteve presente na produção daquele que foi o mais chiclete álbum do trio, e se Johnny Marr logo abandonou o barco, ainda sobrava o restante no mais recente registro, lançado nesse ano, In the Belly of the Brazen Bull. Como não estive presente no show da banda do ano passado no Brasil, esperava encontrar todos esses pontos positivos na noite de ontem, porque os vídeos de tal apresentação que rolavam no Youtube, somado aos comentários de quem foi, apresentavam esse Cribs que eu queria ver, mas não foi isso que aconteceu.

Ainda com zunido que persiste em ficar no meu ouvido mesmo 12 horas depois, contarei brevemente pra vocês o que aconteceu na noite passada no Beco 203, já que não há muito a ser dito – até porque nada de relevante aconteceu naquele palco. Debaixo de uma nuvem de ruído e barulho, o Cribs puxava “Come On, Be a No-One” e já deixava claro que queria carregar a sujeira do álbum mais recente pro palco. Só que passaram dos limites.

Se queria soar como Sonic Youth, faltou criatividade e desenvoltura. Os Jarmans não possuem nem de perto o potencial da banda Thurston e Lee Ranaldo (que inclusive participou do show através de uma gravação no telão) para arriscar um show extremamente barulhento, durante o qual quase era imperceptível a música que estava sendo tocada. Desfigurando a maior parte do setlist, berrando e martelando os instrumentos, o Cribs parecia uma banda “punk” de garotos que nunca saíram do playground do condomínio. Nada parecia natural, nem quando Ryan jogou sua guitarra através do palco, depois de derrubar os dois microfones umas três vezes (e dar um baita trabalho pro roadie).

Não adiantou gritar com microfone abafado e nem espernear mecanicamente: o jogo estava perdido para os irmãos. Deu saudade de Johnny Marr e do tratamento sonoro clean de Kapranos. Também da esperteza das guitarras e das melodias grudentas. E fez falta a diversão e o bom senso – que não passaram nem perto da casa na noite passada.

  • Também tive uma impressão bem parecida. Não sou nenhum técnico de som, mas achei o volume das guitarras alto demais – por muitas vezes encobrindo as vozes.

    Curti o show, mas achei algumas atitudes (jogar o mic no chão e a guitarra pelo palco) muito poser, até demais, para a banda.

    Anyway, valeu a diversão!

  • Nicole

    hahaha concordo, achei divertido e engraçado esses momentos de loucura!
    teve uma hora que o roadie até desistiu.

  • Salvê Iberê! Concordo com o Pavan que o som estava alto das guitarras estava muito alto e encobrindo os vocais. Saí com a impressão de que a banda soa melhor nas gravações do que ao vivo. De toda forma, me diverti com as canções dos primeiros albums e nem tudo foi perdido.

    Acabei fazendo algumas fotos do show, caso queira utilizá-las, fique à vontade. Basta baixá-las em meu Flickr.

    Um abraço!

  • Na verdade, The Cribs tornou-se uma grande banda que toca nos principais festivais do mundo para milhares de pessoas. Quinta, no Beco, os Jarman estavam se divertindo a valer ao tocar num local pequeno. Senti-me como estivesse reencontrando velhos amigos num ensaio descompromissado. Sou músico e aprecio estes shows mais informais vendo os artistas bem de perto e fazendo muito barulho.
    Grande abraço!!!