The Fratellis - We Need Medicine

The Fratellis
We Need Medicine

BMG Rights

Lançamento: 07/10/13

Fazer música não é como andar de bicicleta. Fazer música pode te levar até mais longe do que as rodas fazem com auxílio de pedais. Mas música também é feita de ciclos, também te coloca em estradas, também exige equilíbrio, controle e até uso de pedais. Mas, definitivamente, fazer música não é como andar de bicicleta! Afinal, dizem que você não desaprende a andar de bicicleta, e muito é visto por aí músicos que desaprendem a fazer música – ao menos de uma certa forma ou com uma certa qualidade que um dia fizeram. Esse foi o caso do The Fratellis. Veja bem, não falo de We Need Medicine, novo lançamento, quando afirmo que o trio perdeu suas qualidades. Falo do segundo disco da banda, lançado em 2008: Here We Stand era um insosso momento para uma banda que tinha despertado como um presente dois anos antes, com o divertidíssimo e impecável Costello Music, que misturava rockabilly, blues rock e despretensão de um pub lotado de amigos para criar as boas e mais divertidas músicas daquele ano.

Se a banda teve a vida toda para criar 13 faixas para seu ótimo disco de estreia, só teve dois anos para compor as 12 do seguinte. O “não-sucesso” e outros fatores trouxeram um hiato. De 2009 a 2012, os escoceses dividiram-se em outras atividades. O frontman Jon arriscou-se em outro projeto (mais sem graça que seu segundo disco com o Fratellis) e numa carreira solo sem destaque algum. Foi então que o trio resolveu colocar seus pares de pernas para pedalar novamente. O resultado dessa reunião é um álbum novamente divertido, mesmo não tanto quanto o debute. Agora sim falo de We Need Medicine, um trabalho altamente válido e um retorno corajoso e eficiente. O mundo não parou de girar quando o The Fratellis se ausentou dele e não é o seu retorno que alterará sua rotação. A proposta aqui é girar as rodas de uma banda que volta a uma estrada que é a sua própria carreira – e parece se ajustar no caminho certo.

Apostando em temáticas bem similares a dos trabalhos anteriores, as letras despojadas somadas ao ritmo dançante é o que leva nós ouvintes ao que realmente interessa: diversão – dessa vez mais próximo da estreia do que do dispensável segundo momento do trio. Para reforçar esse objetivo, o baixo fará linhas básicas que não abusam mas balançam, a bateria irá martelar nos refrões, e as bem elaboradas guitarras trarão o lado simples e adorável do rock. Não é preciso muito, é preciso ser certeiro e eficiente com o pouco para ser o The Fratellis que pelo qual o público espera, e a banda consegue isso em diversos momentos ao longo de suas 11 novas canções.

“Halloween Blues” é um blues rápido, que soma aos três elementos principais de arranjo, violão e saxofone.  “This Old Ghost Town” abusa de um recurso bem utilizado no primeiro álbum, que é a criação de um tema que se repete no decorrer da faixa. Não é nada de incrível, mas reforça essa marca da banda. “Seven Nights Seven Days” tem o segundo refrão mais grudento do álbum e é feita para ser acompanhada com palmas. “Whisky Saga” traz aquele divertido rockabilly que eles já souberam fazer muito bem, com uma levada boa de country. “This Is Not the End of the World” tem um “quê” de hino bobo para se cantar com os amigos bêbados num show. “Jeannie Nitro” leva o trofeu de refrão mais pegajoso, apesar de não ter estrofes igualmente empolgantes. “We Need Medicine” e “Until She Saves My Soul”, essa que fecha o disco, são exemplos de como o trio pode acertar bem quando usa de clichês do estilo e da criatividade para fazer desses ainda relevantes.

Se o segundo álbum do The Fratellis foi seu tombo, We Need Medicine é o momento em que os rapazes levantam e tentam alcançar esse invisível vilão que, provavelmente, os impedirá de se tornarem relevantes novamente para o universo tão seletivo da mídia especializada de música. Mas música não é feita para jornalistas, é feita para ouvintes. Assim como andar de bicicleta não é feito para emagrecer (apesar de ajudar muito).

Fazer música não é mesmo como andar de bicicleta, mas foi um ciclo que fez o trio The Fratellis retomar as atividades e fazer novas músicas que aceleram, movimentam seu corpo e dão espaço para diversão entrar através dos seus ouvidos. A bicicleta da banda ainda precisa de rodinhas para manter o equilíbrio, mas ao menos já está em pé novamente.

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