The Killers – Battle Born

É curioso pensar no processo de construção de um disco e na evolução de uma banda. Geralmente, quando um grupo se estabelece desde o princípio como tal, é comum imaginar que todos participem das etapas envolvendo a vida na indústria fonográfica. Obviamente, um ou outro integrante toma mais frente nas decisões. Normal. Mas, e quando tudo isso é extrapolado e, pelo menos na sonoridade, uma banda não soa exatamente como um grupo, mas sim como um conjunto de músicos trabalhando para um líder?

Ouvir Battle Born, novo disco do The Killers, é como imaginar Brandon Flowers ditando ordens no estúdio e gritando para um dos vários produtores: “sobe o volume do drama!”. Revisitando o clássico Hot Fuss, de 2004, tem-se a impressão de que o frontman só deixou o álbum ser criado para ter créditos o bastante para, após liderar um boom de bandas com uma certa sonoridade à The O.C. (Strokes, Death Cab For Cutie, Rooney, The Walkmen, etc), convencer seus parceiros a aprovarem a vazão de seus clichês grandiosos que viriam a seguir.

Ok. Justiça seja feita. Sam’s Town conta com momentos bem inspirados e Day & Age, apesar da falta de foco e das experimentações estranhas, acaba se tornando quase uma obra-prima frente ao novo álbum.

Battle Born, desde seu nome e capa, é um amontoado de equívocos. É chato – ao ponto de criar antipatia aos 46 segundos da primeira faixa, quando uma linha de teclado aborrecida enche o espaço e destrói uma promissora introdução.

Daí pra frente, o que se vê são várias tentativas embaraçosas de tentar soar importante; de tentar forçar uma espontaneidade que não cola. É o típico disco que convence a base de fãs, convence a gravadora e os produtores de shows; faz lotar estádios e vender merchandising como nunca. Coldplay, Muse e U2 mandam lembranças.

Não que seja impossível agradar fãs, gravadoras e lotar estádios com um bom lançamento nas mãos. Mas tem que haver algo de errado em um álbum que tem como seu maior e único hit o single “Runaways”. Digo, alguém realmente vai se lembrar, em 2 meses, de canções insossas como “A Matter of Time” e “The Rising Tide”?

Falta tesão e inventividade e sobra cheiro de produção cara. Tudo soa grandioso e calculado demais em Battle Born. O rock de arena do qual Flowers aparentemente tanto é fã, e que tenta emular sem sucesso, cansa logo nos primeiros minutos. A guitarra de Dave Keuning, que um dia fez um dos riffs mais memoráveis da década passada (Mr. Brightside), passa despercebida em meio a tantas paredes de teclados e cordas – que resultam em uma dramaticidade de butique maçante.

Não é à toa que a passagem mais simpática aconteça com a alegre “From Here On Out”. Sem muita firula, ela é baseada em violões e tem um jeitão country improvável, mas que convence. “Deadlines And Commitments” e “The Way It Was” também não fariam feio numa possível coleção de raridades/b-sides da banda. Já as sofríveis “Here With Me”, “Miss Atomic Bomb” e “Be Still” estão entre os temas mais constrangedores do ano.

No fim, a única música de Battle Born que deve resistir ao tempo e aparecer em baladas indie inferninhos afora é “Runaways” – um saldo decepcionante pra quem já provou que consegue bem mais. Resta torcer para que Flowers perceba que a arena que ele tanto evoca no disco pode ser grande demais só para suas ideias e dramas. Se a intenção é vencer a guerra, quanto mais ajuda de seus companheiros de banda, melhor. E que venha a próxima batalha, porque essa já está perdida.

  • http://www.maheferreira.com Mahê Ferreira

    Se eu ouvir essa Runaways na balada eu vou sentar e esperar ela acabar.

  • http://miojoindie.com/ Cleber Facchi

    VÃO OUVIR SERTANEJO ENTÃO!!!!!!

  • http://twitter.com/netorodrigues Neto Rodrigues

    DÁLINCENSA QUE VOU OUVIR MUMFORD TAH (haha pior que gostei muito de Babel. não tanto como você, Cleber, mas gostei)

  • Raquel

    Exato, polêmico mas é isso mesmo, eu que gosto muito da banda não gostei do álbum, achei massante.
    Sem dúvidas o melhor trabalho deles foi em Sam’s Town e que pelo visto não veremos tão cedo outro parecido.

  • Maurício

    Infelizmente sou obrigado a concordar. E digo isso realmente com pesar, pois sou um grande fã da banda!
    Eu gosto muito de músicas intensas, sing-along-friendly, por assim dizer. E o grande trunfo do The Killers foi sempre ter enchido seus álbums de músicas assim. Até agora.
    Dá a impressão de que, percebendo-se a falta de intensidade, foram adicionados vários elementos pra dar “sustância” na música, mas se esqueceu que muitas vezes a intensidade está justamente na simplecidade, como o citado riff the Mr. Brightside. Essa sim é digna de fazer a molecadinha tirar o pé do chão nos inferninhos da baixa Augusta, enquanto o novo álbum é aquele que o dj vai tocar quando já estiver de saco cheio, querendo encerrar a festa.

  • AM

    O único problema com seu raciocínio é que o Brandon Flowers é o principal compositor da banda. Escreveu uma grandes parte das canções de Hot Fuss e de Sam’s Town sozinho e foi compositor das outras em conjunto com um ou mais que um dos outros membros da banda. Verifique os créditos dos albuns anteriores e vai verificar que o Brandon Flowers é 70 a 80 % da essência da banda, quer nesta versão actual (Battle Born) quer nas anteriores (Hot Fuss, Sam’s Town e Sawdust). Day and Age é o único disco que não indica qual o compositor da canção. E Sam’s Town era tão ou mais dramático que Battle Born. Gostaria também de aconselhar a leitura destes 2 artigos: http://www.spin.com/reviews/the-killers-battle-born-vertigoisland
    http://noisey.vice.com/pt_br/blog/in-defense-ofthe-killers

  • Raphael

    Eu curti muito o instrumental do álbum, mas não curti as letras e acho que a voz do Brandon está ficando muito forçada/enjoada. As músicas tem refrões que, sei lá, soam muito genéricos.

    A sensação que ficou é que Battle Born é a 2ª parte de Flamingo.

  • Renata Henckel

    Com certeza é um som muito diferente dos outros álbuns da banda, como todos os outros são muito um diferentes entre si. E essa é uma característica muito forte do The Killers, conseguir inovar de um álbum para o outro e ainda assim conseguir fazer um som foda e memorável. Discordo da resenha.

  • Seamut

    Battle Born é legalzinho até, mas como já disseram, está longe de ser bom. Quando uma banda ganha reconhecimento mundial colocando algumas canções entre as mais tocadas e começa a “se achar” grande o suficiente para forçar um novo trabalho visando algo maior e melhor (vulgo lucro-lucro), o resultado é um álbum bonzinho que soa porcaria, ou um álbum porcaria que soa bonzinho.
    Sou fã dos Killers e confesso que não esperava um grande clássico. Previ que Flowers traria muito do “Flamingo” para a banda e pensei que seria mais uma agradável mistura improvável, como a dos Strokes em angles, porém, está muito longe disso e a pior parte foi a sensação u2-coldplay que senti lá pelas tantas.

  • http://facebook.com/caeiou caio

    Concordo com o comentário do Rafael, achei Battle Born uma extensão do Flamingo, a estrutura das letras e rimas são muito semelhantes e algumas melodias são quase a msm coisa.
    Battle Born p/ mim, como fã da banda, vai ser aquele album com 2/3 musicas boas, uma série de “baladas” entediantes e no fim nada surpreendente.

  • http://yahoo L.J.G.Pinto

    muahararhahra
    Crítica matadora, hein Neto?
    Também ñ agüento a grandiloqüência dessa bandinha, cara!!
    …enquanto isso, o trono do Queen continua vazio…
    NEXT, PLEASE!!!!!

  • AK

    É o típico disco que convence a base de fãs, convence a gravadora e os produtores de shows; faz lotar estádios e vender merchandising como nunca. Coldplay, Muse e U2 mandam lembranças. [2]

  • Thiago Peluzzo

    As pessoas que estão curtindo o disco mandam lembranças! =)

  • rafael

    ACHEI UM POUCO EXAGERADO OS COMENTÁRIOS SOBRE O DISCO, REALMENTE ELE ESTÁ LONGE DE SER O DISCO MAGNIFICO QUE FOI O SAM`TOWNS, MAS PERTO DAS PORCARIAS QUE ESTÃO SURGINDO, É UM BOM DISCO, TEM MUSICAS BOAS MAS NÃO É NA PRIMEIRA OUVIDA.

  • Patrícia

    The killers é A banda, e Battle and Born é sensacional! Sem mais.

  • Aline Lopes

    Não é possível!
    Eu deve ter ouvido o disco errado porque achei o disco espetacular.
    Criticam tanto as baladas como se fosse demérito uma banda de rock querer se aventurar escrevendo músicas desse estilo. Liberdade de expressão foi parar aonde? Vários(grandes) nomes do rock também produziram baladas com letras melosas e nem por isso foram tão atacadas. Por exemplo? The Police mesmo que é super cultuada tem como seu maior hit “Every breath you take”, musica romantiquinha, mas q nem por isso deixa de ser agradável.
    Sou fã das letras do Flower, acho as letras dele uma obra prima e Flesh and Bone tem a melhor letra do disco, assim como Heart of a girl, musica que muitos tem subestimado!
    The Rising tide super Bruce Springsteen, influência clara
    Ñ acho que as canções serão esquecidas. Coloquei o cd no carro e na 3ª vez já tinha memorizado alguns refrões e trechos de música.
    Acho injustas e até cruéis algumas críticas que tenho lido.
    Ñ é o melhor álbum do Killers, fato, mas nem de longe é um álbum fraco ou ruim. Vários ingredientes que tornaram a banda tão popular, continuam presentes ali!

  • Dudu Bitencourt

    Porque que fã tem dificuldade de falar que a banda fez um cd ruim?
    Gente, eles nunca conseguiram chegar nem perto do Hot Fuss.
    Sempre que eles lançarem cd eu vou “comprar” na loja do Paulo Coelho, porque eu ainda tenho esperança que eles vão voltar a ser bons…
    Mas não foi dessa vez

  • http://blogregorio.blogspot.com Gregório Fonseca

    Fico feliz em ver comentários positivos, pois achei que eu era o único que tinha gostado de verdade do álbum.
    Mas ainda assim, acho inferior a quase todos os discos da banda.

  • Fabio

    acho que é o último review que eu leio no move…
    Você tentou de verdade ouvir o disco inteiro mais vezes? (não estou falando de por o play 5 vezes seguidas, mas põe na sua playlist e deixa uma música te pegar de surpresa no shuffle). porque eu achei a mesma coisa no começo.
    é um disco que requer pelo menos mais do que uma ouvida.
    A proposta do álbum é bem boa. As letras são um compilado de todas as inspirações que a banda já teve em sua história (springsteen, lou reed – num nível bem leve, claro-, u2 etc.) e o instrumental é impecável.
    Runaways é a única que tocaria em inferninhos indie, e isso é sinal que é a única boa? The Killers não é mais Indie, e você provavelmente não sabe disso porque não sabe o significado da palavra INDIE (e se estivessem tocando o mesmo que tocaram em Hot fuss também não seriam indie).
    The Rising Tide é demais, The way it was é muito boa, Battle Born Também, Flesh and Bone ainda é boa.
    Ainda acho que é um disco que vai ser citado muitas vezes como muito bom no futuro.

  • Fernanda

    Fiquei feliz vendo que não sou a única que gostou do álbum!
    Ele obviamente não é melhor que Hot Fuss, mas a banda parece estar tentando voltar a ser o que era antes do Day & Age (na minha opinião é o pior disco, mais vendido e sem graça).

    Pra mim Prize Fighter e The Way It Was são as melhores.
    Escutem Battle Born com mais carinho.
    É melhor do que muitos pensam!!

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  • William

    Não é o melhor disco da banda mas da de 10 a 0 no Day & age

  • Leonardo

    Eu apenas gosto de curtir música boa (me referindo principalmente a sonoridade, pois pra min é o mais importante numa música, do contrario eu apenas leria poesias), e sinceramente gostei de mais do album como um todo, sonoridade muito boa, enfim, eu prefiro ESSE The Killers do ‘Battle Born’ do que o anterior (desculpaEEE os fãs das antigas), é tanto que eu não ouvia The Killers antes disso.

    Só acho que o copo dessa resenha transbordou além da conta ao se referir a um album tão bacana para pessoas que simplesmente querem ouvir um som legal sem fazer comparações com outras bandas, tacar no som do carro pra viajar ou simplesmente relaxar. (Desculpem-me os mais exigente, estou apenas exercendo meu livre-arbítrio, pra min música é isso)

  • Leonardo

    Mas resolvi dar uma escutada no ‘antigo’ The Killers e até entendo a revolta de alguns, normal.

  • Antonio

    Cara, na boa, a matéria deveria ter sido realizada sem essa emoção/raiva toda…
    Nem 8 nem 80. O álbum pode não ter sido essa maravilha toda que os fãs falam, mas também não foi essa tragédia descrita no texto… por favor…
    Aliás, se tem uma coisa que eu não aguento mais ler ou ouvir é esse papinho de crítico integrante de banda independente: “os caras estão muito comerciais…”, “o som está muito rock arena…”. Qual o problema em estar e vendendo discos? É o típico papo de carinha que, para achar uma banda boa,ou ela já deve estar extinta (nostalgia pura) ou deve soar como banda indie independente (quase anônima)…
    Com todo o respeito, mas, avaliação por avaliação, fico com a da allmusic.com (4/5 estrelas) e da RollingStone (3/5 estrelas) sobre o álbum, estas muito mais coerentes.

  • Thais

    Como disse a Patrícia – The killers é A banda, e Battle and Born é sensacional! Sem mais.
    So tenho a lhes diser que não possuem um bom paladar musical porque o que e fato e que The killers e absolutamente perfeito e a sua perfeição se aplica em tudo o que eles fazem !!!