The Killers na Chácara do Jockey – 21.11.09

Cheguei em São Paulo cedinho, na sexta-feira (20), para começar a me organizar para a festa do Move That Jukebox, que aconteceu naquela mesma noite – e que, logo mais, vai ganhar um post com fotos, vídeos e um depoimento emocionadíssimo desse autor. Enfim. A Media Mania, que faz o credenciamento para os shows da Mondo Entretenimento, negou nosso pedido de credencial – como costuma fazer com toda a blogosfera -, mas isso não me impediu de conferir o show do The Killers na Chácara do Jockey no sábado, dia 21, graças ao ingresso que o amigo @bfborges me concedeu.

Depois de horas planejando o final de semana, reparei que havia esquecido de conferir algo crucial: A previsão do Climatempo. “Whatever”, pensei, “o destino não vai ser tão mau assim e fazer a Chácara do Jockey ficar cheia de lama”. E saí de casa nesse clima, de bermuda semi-nova e tênis branco. Aí vocês já sabem o que aconteceu:

the killers chácara do jockey lama

Era nessa situação que a Chácara do Jockey se encontrava por volta das 17:00, três horas antes do início do show do The Killers. A inundação continuou caótica mas, conforme o tempo ia passando, o público reparava que teria que fazer parte desse lamaçal mais cedo ou mais tarde. Não demorou muito para ver menininhas de um metro e meio fazendo guerra de lama com ogros de mais de dois enquanto, ao fundo, Kraftwerk e Beastie Boys davam o clima de Glastonbury à tarde.

Quem já havia assistido a banda na edição paulistana do Tim Festival de 2007, esperava mais um atraso colossal. Não houve. Cerca de uma hora antes do programado, os instrumentos e enfeites de palco começaram a ser revelados sob plásticos pretos: Um piano espelhado, uma bateria pouco espalhafatosa, pequenos coqueiros e, claro, os sintetizadores de Brandon Flowers em forma de K (menos iluminado que de costume), que simbolizam a turnê do Day & Age. Por volta das 20:15 entravam no palco Brandon, com um cavanhaque inusitado, Dave Keuning, Mark Stoemer e Ronnie Vannucci, prontos para serem ovacionados. E foram.

A introdução veio emendada com “Human”, carro-chefe da nova tour que, em poucos segundos, fez as 12 mil pessoas presentes esqueceram o que havia logo abaixo de seus pés: Grotescas poças de lamas preparadas para respingar sobre o corpo de todos a cada pulo dado. Os telões reproduziam uma versão menos massiva da apresentação dos caras no EMA de 2008, com caixas de som em 3D e sinais cardíacos encantando o público. “O seu coração ainda está batendo?”, perguntou Brandon mais tarde, traduzindo o refrão da música com um sotaque carregado.

the killers human

Nas três músicas seguintes, a banda mostrou que não pretendia tocar o Day & Age na íntegra, mesclando todos os seus álbuns de inéditas em um único show. Dessa forma, vieram “This Is Your Life”, de 2008, o eterno hit “Somebody Told Me”, do Hot Fuss, e “For Reasons Unknown”, do Sam’s Town. “Bones”, que, se me lembro bem, marcou um dos melhores momentos do Tim Festival do ano retrasado, também teve um papel de destaque nesse último final de semana, com as poéticas frases introdutórias sendo arremessadas ao público por Brandon que, segundos depois, ouviu mais de dez mil bocas brandarem (hoho, trocadilho) cada verso da música, enquanto Tim Burton era lembrado pela direção do clipe no telão.

Se você estava lá, é quase impossível não guardar cada trecho daquela apresentação na cabeça por semanas. Se “Goodnight, Travel Well” não apareceu (por motivos óbvios, eu diria), “The World We Live In” representou um dos maiores momentos de maior reflexão ao vivo do último disco, deixando pra trás, apenas, a narrativa épica de “A Dustland Fairytale”. Antes da vez dela, quem brilhou foi o saxofonista anônimo do grupo, que teve seu momento rockstar-com-cabelos-ao-vento durante “Joyride”, quando subiu no sobre-palco iluminado.

the killers

A nostalgia tomou conta em “Smile Like You Mean It”, do primeiro CD da banda, introduzida em uma versão quase acústica, somada às notas de um violino convidativo. Como se construir um setlist fosse uma arte arquitetônica, a música apareceu bem no meio do mesmo, colada com “Shadowplay” (um cover do Joy Division recebido por imagens de Control ao fundo) e “Spaceman”, outras duas músicas de sucesso e, embora o piano tenha falhado durante as notas de uma reprise clássica de “Human”, o público não desanimou.

Com uma breve releitura de “Can’t Help Falling in Love”, do Elvis, deu-se início a uma série de hits que finalizariam a primeira etapa do show: “Read My Mind”, “Mr. Brighstide” e a MARAVILHOSA “All These Things That I’ve Done”, que ficou ainda mais memorável com as bazucas de papel picado sobressaindo-se sobre a chuva, que não deixava de cair. O bis foi muito pedido, mas não durou – apesar da intensidade. A banda retornou ao palco com “Jenny Was a Friend of Mine”, mas ganhou até os mais céticos com o poder de “When You Were Young”, transformada em um hino de Las Vegas com as pequenas explosões controladas no fundo do palco somadas a uma eterna chuva de faíscas.

the killers - papel

Foi nesse clima que Brandon Flowers fez uma reverência ao público e deixou o palco, acompanhado por Mark e Dave. Ronnie, o baterista, fechou a noite com mais algumas pancadas no bumbo e aí, finalmente, jogou as baquetas para o público. Fim do show? Sim, mas ainda era notável a falta de “Sam’s Town” no setlist, que deixou muita gente esperando por um segundo bis – mas, com tanto barro no tênis, finalmente começamos a sentir aquilo tinha que acabar. E a marcha dos derrotados começou, em busca de um lugar coberto e um banho quente.

Setlist:

1. Human
2. This Is Your Life
3. Somebody Told Me
4. For Reasons Unknown
5. Bones
6. The World We Live In
7. Joy Ride
8. Human (Piano Version Fail)
9. Bling (Confession of a King)
10. Shadowplay (Joy Division cover)
11. Smile Like You Mean It
12. Spaceman
13. A Dustland Fairytale
14. Can’t Help Falling in Love (Elvis Presley cover)
15. Read My Mind
16. Mr. Brightside
17. All These Things That I’ve Done
Encore:
18. Jenny Was A Friend Of Mine
19. When You Were Young

  • Ah, como eu queria ter ido ): Deve ter sido muito bom, mesmo com o barro nos pés! Muito boa esta resenha.

  • Realmente me senti em Glastonbury haha mas foi maravilhoso, melhor que no Tim, apesar de ter visto os caras tocando em Curitiba e o show ter sido magnifico la, mas dessa vez esses bastardos realmente arrebentaram, foi lindo. Parabéns pela resenha, eu me identifiquei muito com a parte do *tenis branco* haha

  • Belíssimo texto, sobre um belíssimo show.

    5 dias depois, dá pra reavaliar a situação: consegui lavar minha roupa e não peguei nenhuma doença. Então acho que no fim das contas, o lago de água suja serviu pra deixar o show ainda mais memorável.

    Isso é olhar o lado bom das coisas!

  • Michelle

    O show foi muito bom! Só senti falta de I Can’t stay e Sam’s town!
    E quanto a lama, meu tenis nunca mais foi o mesmo dpois do show..

    MAS IRIA DE NOVO SEM PENSAR 2 VEZES!

  • muito bom!
    setlist incrível, produção, luzes, eles, tudo muito perfeito…
    a lama só ajudou a deixar tudo mais “marcado” na nossa cabeça!

    se me lembro o saxofonista era careca…hahha “cabelos ao vento”!

  • hahahaha, ele era careca, sim! trocadilho detected

    Isa ac: muito bom!
    setlist incrível, produção, luzes, eles, tudo muito perfeito…
    a lama só ajudou a deixar tudo mais “marcado” na nossa cabeça!se me lembro o saxofonista era careca…hahha “cabelos ao vento”!

  • Kaiam

    é como eu falei no last fm, se não fosse a lama e a chuva, não seria o mesmo. seríamos apenas mais um público, não um público brave! valeu muuuuuuito o deslocamento de brasilia!

  • aahh como eu queria ter ido… tb fui no de curitiba em 2007, foi fantástico, se esse foi melhor então…

    senti um pontada no peito enquanto lia resenha.

  • Pingback: Move That Jukebox! » The Killers tirando umas férias()

  • Perdi! =( Uó ficar desempregada meses antes do show e conseguir outro emprego dias antes e não ter money! Mas ganhei o DVD e tals, já compensa! O texto ficou ótiiimo…dá até pra sentir como foi, perfeito! *–*