The Killers - Wonderful Wonderful

The Killers
Wonderful Wonderful

Island Records

Lançamento: 22/09/2017

The Killers surgiu no começo dos anos 2000 como mais uma banda da safra que prometia revitalizar o rock, trazendo de volta o que importava. Nativos de Las Vegas, a banda liderada por Brandon Flowers se inspirou no aclamado disco de estreia do The Strokes, mas em vez do rock sujo à la Velvet Underground, o Killers optava por uma sonoridade que lembrava o pós-punk. Hot Fuss, lançado em 2004 catapultou a banda para o estrelato com a ajuda de singles como “Mr Brightside” e “Somebody Told Me”. A banda emplacou diversos singles durante a última década, mas nunca mais gravou um disco tão coeso quanto o primeiro.

Wonderful Wonderful é o primeiro disco da banda desde o regular Battle Born, lançado em 2012. Os refrões continuam grandiosos e a perceptível pretensão de soar como o U2 é clara, mas isto não é algo ruim aqui. A ausência do baixista Mark Stoermer e do guitarrista Dave Keuning das turnês da banda, a falta de comunicação entre os membros e as questões pessoais de Flowers são refletidas claramente nas composições, demonstrando certo amadurecimento em relação aos trabalhos anteriores.

A descaradamente pop “The Man” se apossa do groove do Kool and the Gang e é uma ode à masculinidade. Nas palavras do próprio vocalista, é uma representação honesta de sua juventude. “Run for Cover” recicla da melhor forma possível a estética dos refrãos megalomaníacos que o Killers adora, enquanto a letra narra uma história de abuso doméstico. A faixa título teve seu nome inspirado pela reação de Flowers ao presenciar uma iminente tempestade. Seu clima sombrio contrasta com a origem de seu nome.

“Rut” é inspirada na depressão e estresse pós-traumático da esposa de Flowers. “Tyson vs. Douglas” toma a épica luta entre os boxeadores para dizer que é preciso continuar aguentando os ganchos e cruzados que a vida dá. “Out of my Mind” é um exemplo da tal “U2zação” da banda, destacando a ótima interação entre sintetizadores e o baixo de Stoermer guiando a banda. “The Calling” é o ponto fora da rota, já que é a única canção do disco em que a guitarra aparece como destaque. “Have All the Songs Been Written?” é fruto do temido bloqueio criativo do artista. O título foi retirado do assunto de um e-mail enviado a Bono, líder do U2.


O álbum está longe de ser o melhor trabalho do The Killers, também não é uma retomada dos bons tempos do início da banda, mas é honesto, confessional e superior aos dois trabalhos anteriores. Apesar da falta de novidade, a banda se mantém como destaque quando o assunto é misturar o rock de arena de Bruce Springsteen e o pop farofa com sintetizadores dos anos 80.

Escute o disco completo na Apple Music: 

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