The Mars Volta – Octahedron

Depois de 4 discos que ultrapassam a marca de uma hora de duração cada, o The Mars Volta lança seu quinto disco de estúdio, Octahedron, e nos dá “somente” 50 minutos de sua salada sonora encabeçada pela dupla de gênios-malucos Omar Rodríguez-López e Cedric Bixler-Zavala.

TMV

A duração encurtada não é a única novidade em Octahedron. Diferente do disco anterior, o barulhento Bedlam in Goliath (ou alguém já se esqueceu daquele infernal começo de “Aberinkula”?), o novo trabalho dos texanos prima pelo aparente descaso proposital com suas influências latinas e experimentações que iam desde o post e prog-rock até o jazz fusion e o rock psicodélico. Isso talvez faça os fãs mais fervorosos da banda olharem com certa desconfiança para essa nova proposta, um pouco mais simples, melódica e direta, sem as usuais viagens instrumentais que marcaram os 3 primeiros álbuns, principalmente.

A tal proposta mencionada já se faz clara logo na faixa que abre o álbum, a linda “Since we’ve been wrong”, com seus arranjos em violão e a guitarra solo de Omar soltando notas distorcidas que se juntam à voz Cedric, que dessa vez se abstém dos gritos e nos proporciona uma performance vocal impressionante.

omar-cedric

“Teflon”, segunda do disco, começa e os efeitos psicodélicos da guitarra de Omar já acusam que o clima, hã, meio bucólico da abertura vai ficar de fora, pelo menos dessa música. E o peso característico da banda continua na ótima “Halo of Nembutals”, que pode ser facilmente inserida no contexto do primeiro e terceiro discos dos caras. Fechando a primeira metade de Octahedron, o The Mars Volta acalma os animos novamente com a climática “With twilight as my guide”, que conta com um dueto de vocais bem trabalhado da dupla Omar-Cedric.

“Cotopaxi” entra no amplificador e destrói todo vestígio de calmaria deixado pela faixa anterior. Com 3 minutos e meio de duração, guitarras no talo e bateria pulsante, a faixa seria facilmente incluída no último disco da banda, Bedlam in Goliath. Uma das melhores do disco, fácil, fácil. A sexta faixa é “Desperate Graves” e, apesar de ter um bom refrão, não acrescenta muita coisa ao disco, apesar de não comprometer em absolutamente nada, também.

mars volta

A dupla de canções que finaliza Octahedron (sim, o disco só tem 8 faixas) é simplesmente absurda! No bom sentido da palavra. “Copernicus” é um tapa na cara dos fãs “bitolados” e que não aceitam mudanças na sonoridade das músicas. É o perfeito exemplo de que é possível fazer tanto canções complexas e com viradas de ritmos inimagináveis como em “Day of the Baphomets” ou “Tetragrammaton” quanto músicas que prezam mais pelos vocais e por guitarras acompanhando suas melodias e a quase ausência de bateria e percussão (aliás, em certa altura da música, é possível ouvir até mesmo uma tímida bateria eletrônica!).

“Luciforms” junta os momentos calmos (começo da música) e pesados (o restante) de Octahedron e os transformam em 8 minutos intensos, com muita paulada na bateria e solos frenéticos de Omar. Fechando assim, de forma excelente, um dos melhores discos da banda e, é claro, um dos melhores do ano, até agora.

Nota: 4.0/5.0

Pra baixar o disco é só ir na comunidade de downloads do MTJ!, como de costume.

3 Comentários para "The Mars Volta – Octahedron"

  1. Neto, precisamos conversar sobre esse álbum. Pra mim ele é uma grande incógnita na discografia dos ‘pseudo’-mexicanos. Amanhã sai a minha resenha, e algumas coisas minhas batem na sua opinião, mas achei a bolacha abaixo do nível da banda, mas tão genial como qualquer trabalho dos caras.

  2. É mesmo, cara? Poxa, eu, sinceramente, achei muito melhor que o Bedlam.
    O Bedlam tinha muita música e tem hora que eu acho ele um pouco repetitivo, sei lá.
    Já nesse, todas as músicas são “lembráveis”, e por ter só 8, cada uma tem particularidades muito boas e tal.
    Gostei bastante, mas por exemplo, na comunidade da banda no orkut, eu vi a galera mó meio a meio nas opiniões tb, hehe.

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